FÓRMULA-E, A NOVA CATEGORIA DA FIA PARA CARROS ELÉTRICOS



Vamos direto ao ponto. Acho ótima a idéia de uma categoria de corrida de carros elétricos, e um carro tipo fórmula foi uma excelente escolha para o primeiro campeonato oficial da FIA. Mas fizeram uma besteira enorme no regulamento desportivo e ficou parecendo uma gincana.

Com a enorme quantidade de carros elétricos urbanos no mercado global, inclusive esportivos, como o Tesla Roadster, o novo Mercedes-Benz SLS Electric Drive e versões convertidas do genial Ariel Atom, era de se esperar que uma categoria de competição surgisse. Era uma questão de tempo.

A velha discussão sobre o que será do automóvel no futuro não pára, e nem vai parar. Fato é que dificilmente os carros serão todos elétricos em um curto espaço de tempo. O carro que queima combustível deve continuar existindo, em paralelo com os elétricos. E assim deve ser o automobilismo.

Os carros de corrida mais avançados que existem hoje em dia já são híbridos. Fórmula-1, como falamos recentemente aqui e os protótipos da categoria P1 de Le Mans são híbridos. O caminho dos motores elétricos, sendo como fonte auxiliar ou principal de propulsão, já está traçado e não voltará atrás tão cedo. Então nada mais lógico que uma categoria com carros 100% elétricos. Um dos principais pontos deste campeonato é manter o baixo custo. Diversas limitações de quantidade de testes e até jogos de pneu por corrida vão forçar as equipes a ter gastos mais controlados.


A Fórmula-e será o primeiro campeonato oficial organizado e controlado pela FIA. A iniciativa existe há alguns anos e em 2014 será concretizada. Dez etapas formam o calendário, começando no fim do ano e terminando em 2015, sendo todas as corridas em centros urbanos. Até o Rio de Janeiro entrou nesta, sediando uma das etapas.

Veja o calendário:




Mas sempre fica a pergunta: será uma corrida chata? A falta do ronco dos motores vai afastar os amantes do automobilismo tradicional? Acho que não. Pensei algo do tipo quando a Audi demonstrou o R18 e-tron, diesel e elétrico, rápido como uma bala, e vigorosamente rápido.

Com o envolvimento de grandes marcas neste campeonato, a tecnologia dos carros elétricos poderá evoluir com boa velocidade. A competição aperfeiçoa a marca, é uma frase conhecida do mundo automobilístico, e não será diferente neste caso. É sabido que não é tudo que se aproveita das pistas para carros de rua, assim como na F-1, mas os conceitos podem ser estudados e adaptados ao uso urbano.

Rodas "protegidas", similar aos carros atuais da Indy

Dez equipes estão dentro do campeonato, e mais outras na fila de espera. Nomes como Andretti, DAMS (com Prost), Drayson Racing, Super Aguri, Virgin Racing e Audi Sport estão entre as equipes deste primeiro campeonato. A Mahindra, fabricante indiana que vende aqui no Brasil aquelas pequenas vans de carga, também tem uma equipe. Ex-pilotos de F-1, como Sébastien Buemi, Lucas di Grassi, Tonio Liuzzi e Takuma Sato estão inscritos para participar.

O chassi será igual para todos, feito pela Dallara italiana, similar aos carros de fórmula monomarca e aos chassi da Indycar que são fabricados hoje em dia por eles. Fibra de carbono, alumínio e materiais refinados serão usados na construção do carros, os requisitos de segurança são altos. A suspensão foi calibrada de tal modo a permitir uma altura livre do solo mais alta, para poder andar nas ruas onde serão as corridas.

Motor elétrico no lugar do convencional, com câmbio Hewland

A parte de motorização e gerenciamento eletrônico será feito pela McLaren. O motor/gerador tem 200 kW (272 cv) de potência máxima, e o carro pesa no mínimo 800 kg com piloto, a relação é boa. Em condição de corrida, o motor será restringindo para mais ou menos 180 cv e um botão no volante libera mais 90 cv para ultrapassagem. Controle de tração é proibido.

Pode parecer pouca potência, mas um motor elétrico com esta potência é suficiente para um carro ser bem rápido. O grande diferenciador é o torque, que é praticamente instantâneo em um motor elétrico, desde as menores rotações possíveis. O sistema será parcialmente recarregado durante as frenagens, assim como  o ERS (antigo KERS) da F-1.

Tela multifuncional no volante

A Hewland, tradicional fabricante europeu de câmbios de competição, fornece a caixa de seis marchas seqüenciais, com relações pré-definidas que não podem ser alteradas de corrida para corrida, para reduzir custos. Apenas as rodas traseiras podem tracionar o carro, mesmo que dois motores elétricos sejam utilizados.

A previsão de desempenho é uma aceleração de 0-100 km/h em três segundos e uma velocidade máxima de 220 km/h limitada eletronicamente. Aí começam os detalhes que estragam a brincadeira. Carro de corrida não pode ter velocidade limitada, nunca. É antinatural.

Mas o pior de todos os problemas desta nova categoria é o formato das corridas. A corrida em si terá uma hora de duração, mas a carga das baterias dura aproximadamente vinte minutos, mesmo com a recuperação de energia cinética ao frear. Como a única fonte de energia destes carros será uma bateria, ela deve ser grande, e pesada. Não é possível removê-la rapidamente, nem recarregá-la, então os pilotos vão trocar de carro. Isso mesmo, trocar de carro, e ainda correr cem metros de um carro até o outro. Verdade, está descrito desta forma no próprio site da FIA. Só falta ter uma pista de obstáculos com canhões atirando bolas de vôlei nos pilotos enquanto eles correm, aí a bizarrice estaria completa. Piloto correndo sem carro já foi abolido há décadas.

O chassi foi projetado e construído pela Dallara

Baterias de grande capacidade não são muito amigas de impactos e perfurações. Sua fixação, por questões de segurança, deve ser muito bem projetada, e a posição mais adequada foi no lugar do tanque de combustível, entre o motor e o habitáculo. Assim, seu acesso é muito restrito.  A troca é inviável, e a recarga em poucos segundos é fisicamente impossível com as tecnologias atuais.

Fazendo um paralelo com o automodelismo, hobby que conheço há anos, este tipo de problema é velho conhecido dos praticantes. Assim como no automobilismo, sempre houve um certo preconceito contra os automodelos elétricos, pois não faziam barulho de motor de corrida e quem nunca viu um andar acha que é lento e sem graça. Um automodelo elétrico pode facilmente ser mais rápido do que um equivalente equipado com motor a combustão.

Estou um pouco desatualizado das novas tecnologias em termos de bateria para automodelos, pois hoje existem as células de lítio-polímero de alta capacidade que não conheço bem. No meu tempo, era apenas células de níquel-cádmio ou níquel-metal hidreto. Nas corridas com os modelos 4x4, com carroceria (as famosas “bolhas”) de carros de turismo, cada corrida durava cinco minutos, tempo de duração de uma bateria andando forte. Para não ficar uma coisa chata e rápida, várias corridas eram feitas por dia, em um formato de minicampeonato ou eliminatórias, até à corrida final.

Automodelo elétrico, escala 1/10 e tração traseira

Também corríamos com carros tipo fórmula e protótipos estilo Le Mans, de tração traseira, e cada corrida podia ser curta, com cinco ou sete minutos, ou corridas longas, com troca de bateria. Era possível trocar rapidamente uma bateria neste caso, em questão de segundos. O carro parava nos boxes, desconectava-se a bateria, liberava a trava de remoção e colocava uma nova carregada, conectava e liberava o carro de volta para a pista. O chassi permitia este tipo de montagem e troca rápida.

Era tudo uma questão de bom senso. Como a forma de construção dos modelos 4x4 não permitia uma troca rápida de bateria, ninguém inventava de fazer corridas longas. Nos carros que davam esta liberdade, era diversão garantida. Corridas de horas de duração, em equipes, até mesmo à noite, no escuro, com os carros com iluminação, simulando uma 24 Horas. Em outra oportunidade, vamos contar um pouco mais deste hobby e destas corridas.

Voltando à Fórmula-e, se a bateria só dura vinte minutos, por que diabos não fizeram uma corrida de vinte minutos? É uma coisa sem sentido o piloto trocar de carro no meio da corrida para continuar usando um novo com “tanque cheio”.

Muitas categorias de carros com motor a combustão mundo afora são curtas. O WTCC (World Touring Car Championship, ou Campeonato Mundial de Carros de Turismo) tem duas corridas de aproximadamente meia-hora. Corridas de moto também são curtas. Por que não fazer as corridas do F-e de vinte minutos?

Hoje o fator limitante são as baterias, pois a capacidade de armazenamento é limitada e tempo de recarga é alto. Provavelmente um dia haverá tecnologia disponível para recarga rápida ou troca de baterias, mas até lá, o bom senso poderia falar mais alto.

Bico alto como nos F-1 até o ano passado

A Fórmula-e poderia nascer como uma categoria muito legal, por ser diferente, mas virou mais um circo a céu aberto, até com pilotos correndo a pé. Provavelmente algum receio de corridas curtas não atraírem público levou a FIA a adotar esta estratégia de trocar de carro. Isto pode até ser um tiro no pé, pois talvez uma corrida de uma hora com carros elétricos, que fazem um barulho distinto de um motor a combustão, pode não ser atrativa aos olhos (e ouvidos) do público. Mas ai só saberemos mesmo quando tivermos uma ou duas etapas.

A Fórmula-e deve ser o começo de muitas categorias de carros elétricos, e com o tempo, preconceitos e aversões podem ser neutralizados . Tecnicamente não há nada de ruim nestes carros. Podem ficar tranqüilos que os motores a combustão ainda estarão entre nós por muitos anos, com uma ou outra alteração, mas queimando combustível e roncando alto, com sons de arrepiar.

Caso eu esteja errado e um dia o automobilismo deixar de queimar combustíveis líquidos em motores com virabrequim, pistões, escapamentos e labaredas de fogo, este será o dia que não valerá mais a pena falar sobre automóveis.

MB


fotos: FIA, Renault, rctech

39 comentários :

  1. Corsário Viajante04/02/14 12:32

    Uma dúvida, a corrida é na rua mesmo, como faziam com a Indy em SP? Que traçado usariam no RJ?
    MUito interessante, a idéia é legal e pode ser uma renovação, especialmente do interesse do público, curioso em ver a novidade.
    Essa "corridinha" é estranha e, concordo, desnecessária. Talvez tenha sido criada com isso em mente, criar algo mais próximo de espetáculo circense divertido e familiar e afastar um pouco o aspecto frio e técnico da modalidade.

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    1. Sim, vai ser em pista de rua como a Indy em SP. Ainda não passaram detalhes de onde e como serão os traçados.
      abs,

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    2. Eu sei que o próprio Lucas di Grassi fez uma proposta de traçado no Aterro do Flamengo, e aparentemente este tinha sido aprovado.

      Aqui: http://s2.glbimg.com/hUe4XupWdFVcMn5d8LJh1YmFFhI=/83x9:1151x737/690x470/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2013/12/11/formulae_tracado_riodejaneiro.jpg

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    3. Oi Milton,

      Se não me engano, vi em algum lugar que a pista de rua no RJ será no Aterro do Flamengo.

      Abraço.

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    4. Interessante o traçado do link. Como os carros não terão uma grande velocidade máxima, parece que ficou bem adequado. Só lembrando que a aceleração será forte, as retomadas de velocidade em saída de curva não vão deixar nada a desejar.
      abs,

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  2. Provavelmente a troca de pilotos será o momento mais esperado (e empolgante) da corrida... :)

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    1. Onde se lê "pilotos", leia-se "carros".

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    2. Com certeza será uma cena curiosa, mas acho que a corrida será sim muito boa de assistir, o fato dos carros usarem motores elétricos não elimina o nível de disputas.
      abs,

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    3. "Só falta ter uma pista de obstáculos com canhões atirando bolas de vôlei nos pilotos enquanto eles correm, aí a bizarrice estaria completa."

      HAHAHAHAHA! Trecho hilário! Mas é cômico de se imaginar isso mesmo... imaginem a saída dos carros, a chance de um enroscar no outro... acharia muito mais interessante primeiro evoluir o armazenamento da eletricidade para depois se utilizar em corridas.

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    4. Danilo,

      Não precisa esperar evoluir tanto, basta ter bom senso e dimensionar a duração da corrida para a realidade da capacidade atual de armazenamento. Não é nenhuma novidade corrida de 20 minutos ou meia hora.

      abs,

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  3. Ainda se fossem pilotos mulheres e elas corressem de biquini......

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  4. Mas que o carro é lindo, ah, isso é!

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  5. Que coisa ridícula, eu confesso q torço o nariz para esse tipo de tecnologia, mas é a evolução não tem como para-la. Mas depois de ler algumas coisas sobre os carros elétricos, comecei a imaginar lendo o começo do texto, que até poderia ser interessante, como por exemplo a SLS elétrica que como ela tem 1 motor elétrico em cada roda, existe uma coisa muito interessante que faz muita diferença num carro elétrico, que é o torque negativo e rodas separadas, coisas impensáveis em motores a combustão !
    Mas depois ler q a tração será limitada as rodas traseiras e esse absurdo de trocar de carro e ainda mais fazer os pilotos correrem (kkk rindo alto...) vai ser um mico total...
    Só tenho pena do Di Grassi, merecia coisa melhor...

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    1. Espero que ainda haja salvação para a categoria, há tempo hábil para mudar este regulamento e dividir a corrida de uma hora em três corridas de 20 minutos.

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  6. A FIA anda fazendo besteira demais no regulamento técnico das categorias de uns 7 anos para cá. Começou com os V8 na F1, que eram para cortar custos mas a mudança saiu muito mais caro do que os V10 e depois precisou corrigir a burrada colocando um monte de limitações que tirou de lá vários fabricantes (sem contar que NENHUM queria entrar na categoria, muito menos se fosse para fornecer só motores). Os V10 poderiam ter sido limitados da mesma forma e eram muito mais legais, contando com a presença de mais 3 fabricantes de peso e ainda gastanto MENOS dinheiro. Muitas equipes alertaram para isso, mas foram ignoradas.

    Depois veio a matança do WRC. A FIA rompeu contratos com um monte de países clássicos do WRC moderno, bagunçou o calendário e promoveu um aumento de custos (com a mesma desculpa de reduzir custos) que tirou da categoria praticamente todos as equipes tradicionais. Sobrou só Ford e Citroen oficialmente e isso porque estavam indo bem, se não teriam saído também. Em coisa de 2 anos o esporte, que vivia uma fase de ouro com o Loeb e a disputa acirrada entre Subaru, Citroen, Ford e Mitsubishi, morreu até mesmo na europa. Terminaram de enterrar com o regulamento atual que só permite carros compactos (como se fosse categoria junior) e com um monte de restrições. Desnecessário dizer que só sobraram os fabricantes europeus e os mesmos que vinham vencendo nos últimos anos (Ford, Citroen, Citroen, Ford).

    Tem uns que dizem que foi para não roubar audiência da F1. Agora veio os últimos regulamentos da F1 como pneus de circo (sem desenvolvimento, com monopólio e feitos para acabar rápido) e regulamentos de motor e aerodinâmica que impedem a criatividade, aumentam custos e deixam a F1 cada vez mais lenta. Esse ano se corre o risco dos carros serem mais lentos que um GP2!

    Agora vem essa dos elétricos. Potência ridícula (parecida com a de um Tesla, um sedan de rua e não um fórmula) junto com limitação de velocidade e da potência já baixa. E nem com isso conseguiram fazer boa autonomia. Realmente falta bom senso, seria muito melhor que fosse só meia hora sem limitação de potência e velocidade e sem corrida de obstáculos.

    Não sei se é reflexo da nossa época ou se a FIA trabalha para o inimigo e tenta matar o automobilismo de uma vez.

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  7. Acho que será legal. Estou ansioso para saber se teremos transmissões pela TV.
    Só não entendi o porquê da idéia de realizarem uma corrida de 100 metros com pilotos sem carros. Ridículo.

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  8. Julio Bomfim04/02/14 14:54

    Nossa! Estava acompanhando com interesse os testes dos carros da Fórmula E (principalmente vídeos no Youtube), mas com este regulamento da FIA de sair do carro, correr 100 metros e entrar no outro carro... achei ridículo isso. Coisa do passado total... e piora ainda mais tendo velocidade máxima LIMITADA num carro de corrida. Se os dois carros estiverem na mesma reta, à mesmo velocidade e se ambos já tiverem usado o ERS, ficarão na mesma.
    Desconfio que a FIA esteja alinhada com as entidades norte americanas que querem "matar" o carro elétrico de vez.

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    1. Carro de corrida não pode ter velocidade limitada, senão é a mesma coisa que andar na rua a 40 km/h. Uma coisa é o carro não passar de uma determinada velocidade por conta de escalonamento de marchas, para se ter melhor aceleração por exemplo, mas limitar mesmo é demais.

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    2. Acho que querem matar o automobilismo de vez. A FIA faz burrada em todas as categorias.

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  9. Acredito que a essência da corrida automobilística esteja no desafio, e não no combustível liquido.
    Se o motor é movido a vapor, a gasolina ou a eletricidade pouco importa, mas sim o homem controlando a maquina.

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    1. Verdade pura. Contanto que a emoção e disputas sejam preservados, a propulsão é o de menos.

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  10. Se o objetivo fosse de fato desenvolver, nas corridas, os carros para futuro uso na rua, deveriam incentivar a maior duração da prova, maioar autonomia das baterias, mesmo que com potência limitada.Trocar de carro é ridículo. O grande segredo das corridas de carro a combustão é a grande possibilidade de acontecimentos imprevisíveis que podem levar a quebra, aumento da competitividade e mudança na direção da corrida. Daí as provas de longa duração. Corridas de 20 minutos com troca de carros é sem sentido nenhum. Seria o mesmo que fazer prova de economia trocando o tanque ou permitindo reabastecimento

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  11. Pq ao invés de trocar de carro, não se faz uma corrida de duplas, quando um piloto entrasse no box, o outro sairia, sem precisar trocar de carro. é um ideia.

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  12. Trocar de carro até entendo, correr 100 metros achei muito esquisito! Agora velocidade limitada achei totalmente sem graça!
    Também achei estranho a existência do câmbio, me corrijam, mas sempre achei que motores elétricos dispensavam uma caixa de mudanças.

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    1. Rafael, motores elétricos até podem dispensar o uso de uma transmissão, mas o dimensionamento do motor seria completamente diferente. Usa-se uma transmissão com 6 marchas para "reduzir o tamanho" do motor elétrico, assim como em um motor à combustão. A velocidade de rotação também influencia na conta.

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    2. Há raros casos de carros elétricos com transmissão. Exemplo disso é o Panda Elettra, que usava a mesma caixa com quatro marchas do modelo a combustão, mas cujo motor elétrico era forte o suficiente para que aquele carrinho saísse da imobilidade sem maiores problemas mesmo na última marcha.

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    3. Isso é lenda. Qualquer motor se beneficia de caixa de marchas, os elétricos também por poder aumentar a autonomia e diminuir o tamanho do motor. Só que os elétricos são tão caros, pesados e complicados no momento que costumam não usar caixa de marchas para evitar ser mais um componente. E também porque o torque instantâneo precisa de uma caixa muito resistente.

      A verdade é que estamos cercados de soluções mágicas. O elétrico já foi motivo de piada e hoje voltou a ser "o motor perfeito". O torque grande e constante dele na prática se prova bom apenas em situações de saída da inércia, na hora do vamos ver um motor a combustão se mostra melhor e mais barato. A não ser quando usam ele sem limitação como em alguns protótipos e esportivos, só que ai a bateria não dura nem 15 minutos.

      O problema é o armazenamento de energia. A gasolina armazena muita energia em pouco espaço de forma barata. Ainda não temos um outro meio que faça algo sequer parecido, tirando outros combustíveis para combustão como etanol e hidrogênio (projeto enterrado, a Classe A deveria ter as principais versões nesse combustível diz a lenda).

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  13. Vi em algum lugar que, na época do desenvolvimento do Tesla, estavam querendo fazer o carro com duas marchas à frente. Mas eles tiveram dificuldades, aparentemente na hora de trocar marchas, e então decidiram aumentar a potência do motor e deixar só com uma marcha mesmo. Esse câmbio sequencial seria manual?

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    1. Poderia ser tanto manual como automático, a aplicação é comum. Por meio dos controles eletrônicos do inversor de frequência, o motor elétrico deveria desacelerar um pouco, como quando trocamos de marcha em um carro manual. Esta queda de rotação no motor elétrico deve ser programada, pois não pode ser muito abrupta nem muito lenta, algo que nos motores a combustão a própria inércia mecânica faz com que isto ocorra.

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  14. A ideia de uma categoria elétrica é excelente, mas o tipo de regulamento que puseram nela é mais uma daquelas bobagens de uma FIA que quer porque quer estrangular sua galinha dos ovos de ouro. Não me surpreendo de a Tesla não ter pensado em correr essa categoria.
    Obrigar um carro elétrico de corrida a ter câmbio é simplesmente ridículo e é pedir para que a categoria não gere tecnologia aplicável para as ruas (vide todos os elétricos atuais sem uma transmissão propriamente dita até porque o motor tem torque máximo desde o começo). Fizessem um Fórmula-e do jeito que são os carros elétricos atuais, tornaria a categoria inteteressante inclusive para quem saiu do kart, pois a ausência de uma caixa de marchas torna a pilotagem parecida. Além disso, o tal lance de trocar de carro após correr 100 m porque não querem que se troque a bateria também é bem triste.

    No fim, o que temos é o cerceamento da concorrência, pois basicamente todos os carros serão iguais e só influenciará mesmo quem o pilota, tornando a categoria na prática uma monomarca da vida. O chassi poderia ser igual para todos, até por ser um monocoque da Dallara, mas o resto do veículo poderia ficar a critério do fabricante, de maneira a estimular o desenvolvimento de baterias com mais capacidade de carga e motores mais eficientes. Um regulamento desse tipo acabaria incentivando que tivéssemos até mesmo equipes oficiais de fábrica (daria para pensar de bate-pronto em Tesla, BMW, Nissan e Mitsubishi, só para ficarmos nos exemplos mais importantes de iniciativas de veículos elétricos de série). E aí é que a coisa ficaria séria.

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    1. O fato de ter transmissão não desmerece em nada o carro nem a categoria. É um recurso válido, não é exclusivo da F-e.

      Quanto ao envolvimento de fabricantes, poderia mesmo ser um grande incentivo ao dessenvolvimento da tecnologia. Como ainda é novidade, pode ser que com o tempo (e sucesso/fracasso da categoria quanto à público) este envolvimento comece a surgir.

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  15. Carro de corrida sem barulho é igual comida sem sal.


    COMPLETAMENTE SEM GRAÇA !!!!!!!

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    1. Eu achava a mesma coisa, que carro de corrida tinha que fazer muito barulho. Até ver de perto o Audi R18 e-tron andando. Silencioso, só se escuta o som do atrito do pneu com o asfalto e o assovio da turbina. Ai tudo mudou. Quem sabe o F-e não seja a mesma coisa?

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    2. Eu também vou ter dificuldades pra gostar de corrida de automóvel sem barulho de motor...

      Esse vídeo do Toyota em Nürburgring demonstra bem o que o MB citou acima, ainda que o carro desse vídeo seja 100% elétrico. E anda praca...

      http://youtu.be/j8vEEqcuZDs

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    3. Os Lemans diesel também são mais silenciosos. Não que não seja legal, mas perde uns 80% da graça de ver sim.

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  16. É realmente um regulamento bizarro!

    Eu apoiaria sim um carro estilo RC... sem caixa de marchas, transmissão direta às rodas, com possibilidade de se trocar a bateria durante as corridas e tudo mais.
    Limite de potência nos motores? Velocidade limitada? Quem deveria decidir isso é o piloto da máquina, afinal ele vai ter uma "barrinha" com o status da bateria, não vai?

    Talvez daqui a algum tempo, teremos um fórmula com chassi Dallara, suspensão e acerto BMW e motor SIEMENS haha

    Temos até a WEG, fabricante brasileira de motores elétricos, que pelo jeito não se interessa pelo assunto, ou não tem capacidade de desenvolvimento necessário, sei lá

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  17. PERGUNTA DE LEIGO : PRA N COMPLICAR MUITO 2 CARROS ELETRICOS COM MESMO PESO E MOTOR , UM COM TRANSMISSÃO CVT E OUTRO SEM oO ... O MOTOR LIGADO DIRETO.
    UMA CORRIDA DE 1 VOLTA .....
    QUEM GANHA ESSA CORRIDA ....
    CARRO 1 CVT...
    CARRO 2 .....

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