O ÔNUS DA CRÍTICA


Eu sinceramente não compreendo o porquê, mas a crítica automobilística sempre foi colocada em uma posição inferior em relação à gastronômica, literária, cinematográfica e de arte. Na minha cabeça, o automóvel é uma forma de expressão do intelecto humano tão ou mais importante quanto qualquer outra. Por que será?

Mesmo se separamos arte de indústria, ainda assim vemos que o cinema, uma das maiores indústrias existentes, sempre que recebe crítica, é normalmente embasada e extremamente elaborada. Você pode até discordar da opinião do crítico, o que é perfeitamente normal, mas não tem como não respeitar sua posição, sempre elaborada com base em alguma tese, e explanada em texto.

Talvez seja porque, principalmente aqui no Brasil, exista pouca gente realmente preparada para criticar de forma séria o automóvel. Mesmo lá fora, onde antigamente buscava uma crítica inteligente, vejo o nível geral baixar vertiginosamente, ao mesmo tempo em que a informação fica mais rápida e democrática, com o advento dos blogs automobilísticos como o AutoBlog, que oferece uma avalanche de informação diária, algo impensável 20 anos atrás.

Mas também, criticar o automóvel fica cada vez mais difícil. E a razão disso passa por um dos mais execráveis traços de personalidade comum a todos nós, seres humanos: o prazer de rir de nossos semelhantes. Você pode ver um exemplo claro deste comportamento todo domingo no programa do Faustão: é só alguém cair em frente uma câmera, que todos nós nos matamos de rir.

Um crítico gastronômico pode seguir tranquilo na certeza de que sempre existirá um dia ruim, um peixe passado, um molho que passou alguns minutos do ponto, para que ele possa criticar. Um crítico literário sempre terá uma escorregada de algum autor famoso em fase ruim. Mesmo o crítico de cinema pode ter certeza que coisas como o filme "Austrália" aparecerão de tempos em tempos para que ele possa destilar seu veneno para deleite de seus cínicos leitores.

Já no mundo do automóvel, fica cada dia mais difícil encontrar erros. Depois de mais de 100 anos, os fabricantes agora raramente erram. Não existe ingrediente passado, não existe erro humano, e o carro, na maioria das vezes, sai exatamente como foi programado. Sim, sabemos de erros e recalls, mas tais coisas dizem respeito à durabilidade ou algum item de segurança, e normalmente não influem na análise do veículo, na crítica do produto em si.

Carros são criados por um batalhão de pessoas, movidos por procedimentos exatos, e a margem de erro diminui sempre. Daí vem uma grande diferença entre o cinema, a arte, a gastronomia, e o automóvel moderno. Cada vez mais, o automóvel se cria sozinho dentro de corporações, movido por um ciclo interminável de renovação, que quase independe de indivíduos. Na verdade as pessoas o fazem, mas da forma e no tempo que o sistema impõe. O carro moderno não tem um pai único, não tem a figura de um Chef, um Diretor ou um autor, essas pessoas corajosas que colocam seu trabalho à mercê do julgamento dos outros e sobre quem toda a responsabilidade repousa, seja no fracasso ou na vitória.

É por isso que a grande crítica do automóvel existiu em outra época. Época em que grandes homens como Lefebvre, Giacosa, Porsche, Ford, e muitos outros, eram a face e os pais de suas criações. Nesta época, a crítica tentava se manter à altura dessas pessoas, e portanto eram muito mais próximos aos críticos literários, gastronômicos e de arte. Ninguém critica a obra de gênios levianamente.


Hoje em dia, com corporações sem face criando os carros, e com cada vez menos o que criticar no automóvel moderno, a crítica automobilística viu as portas abertas para falar qualquer coisa que venha a cabeça. De um lado, há ignorantes que não entendem nada do que criticam comparando equipamentos e preço em revistas e sítios de grande público, fazendo a turba acreditar que um carro é melhor que outro porque tem um airbag a mais pelo mesmo preço. Do outro lado, uma imprensa mais conhecedora, que hoje descambou para o humorismo, a fazer piada criticando quase tudo, abusando de um cinismo que permeia tudo, e só faz diminuir a estatura do automóvel como grande criação da humanidade, e muitas vezes ignorando que o que criticam, é, sim, fruto do trabalho duro de muita gente. Ou se perde em tradicionalismos que não tem nada a ver com as tradições das empresas, na verdade baseados em uma imagem muito superficial dessas tradições.

Algumas publicações, até, pegando carona num método criado por Robert Cumberford para a Automobile magazine, passaram a avaliar "objetivamente" o design de automóveis. Na verdade, é algo tentado muitas vezes antes disso, inclusive na saudosa Motor 3, mas sempre sem sucesso. Para mim, esta é a maior piada de todas, e sempre que vejo algo deste tipo fico triste. Existem regras e técnicas para se desenhar um carro, e se pode analisar um desenho à luz dessas regras. Mas alguns dos desenhos mais influentes da história foram criados subvertendo algumas regras, e mesmo o mais mal-regrado carro encontrará pessoas para quem são belíssimos, tal qual aquela menina feia de óculos muito bem casada há décadas. Eu digo que o assunto é subjetivo, e se você gostou ou não gostou, pode falar, mas com delicadeza, porque opinião, cada um tem a sua, e nenhuma é melhor que outra. Sinceramente, medir estilo objetivamente é impossível. Chega a ser falta de educação, como dizer que a filha do Bangle é mais feia que bater na mãe, na cara dele.

Na verdade, não existe mais um pai único para o automóvel moderno, existem vários. Um sem-fim de pessoas influi em pequenos detalhes, trabalhando por anos a fio em meio a imensas dificuldades pessoais. E este monte de pessoas, pelo menos as que o fizeram seguindo sua vocação, se sentem tão pais do resultado final quanto um Henry Ford se sentia pai do modelo T. Todo carro é nobre, e merece respeito, bem como merece respeito quem suou a camisa para criá-lo.

Este assunto me veio a cabeça ontem, assistindo novamente a animação “Ratatouille”, com meus filhos. Ao final do filme da Pixar, o personagem Anton Ego, terrível crítico culinário de Paris, se redime de seus pecados com uma fala genial, antológica. Diz Ego:

De certa forma, o trabalho do crítico é muito fácil. Nós arriscamos muito pouco, e ainda assim desfrutamos de uma posição superior à daqueles que oferecem seu trabalho, e até a si mesmos, ao nosso julgamento implacável. Nós prosperamos na crítica negativa, que é divertida de escrever e ler. Mas a amarga realidade que os críticos devem encarar é o fato de que, no grande esquema das coisas, a mais medíocre das coisas é provavelmente mais importante do que a nossa crítica que assim a define."

A importância real está não na crítica, mas nas coisas reais, no concreto, no feito. Um prato de comida, um livro, um carro. O resto, inclusive a crítica, é de menor importância. Um balde de água gelada a todos que se propõe a criticar algo, mas a mais pura verdade. Se acabar a crítica, a arte, a boa comida e os automóveis continuarão existindo. Por outro lado, sem o automóvel, a arte e a boa comida, não há crítica.

E para que serve o crítico então? Anton Ego continua dizendo que o grande feito do crítico é quando descobre e incentiva algo novo. Segundo ele, o novo precisa de apoio, é sempre visto com olhos tortos e precisa de incentivo. Talvez esteja aí outra falha da crítica moderna ao automóvel, que é extremamente tradicionalista e desconectada com a realidade, principalmente na defesa de ideias e conceitos ultrapassados (BMW´s de tração dianteira, por exemplo, tema muito bem abordado recentemente pelo Bob).

Mas eu acredito que a missão do crítico é outra, e na verdade idêntica se falamos de carros ou crème brûlée. Eu acredito que a missão da crítica é agir sempre em prol da paixão sobre o tema criticado. Um crítico tem que fazer o leitor pensar, deve levá-lo a formar sua própria opinião, e deve levá-lo a uma viagem de descobrimento dos prazeres que se pode ter ao comer um grande prato, a ler um grande livro, a dirigir um carro veloz em uma estrada deserta. Deve criar mais gente entusiasmada pelo tema, e não deixar o objeto de sua paixão morrer por falta simplesmente de gente interessada. Deve mostrar que há muito que dizer sobre um cachorro-quente bem feito, ou sobre um Uno Mille. E quando realmente critica, deve ser com a intenção de que o criador esteja escutando, e entenda seu ponto para tentar melhorar da próxima vez.

Mas nada, na missão do crítico, deve ter o objetivo de entreter apenas. Nem no cinema, indústria do entretenimento, as críticas tem a missão de entreter. Informar e fazer pensar, sim, mas não entreter. Na verdade, a tentativa de mover a crítica para a esfera do entretenimento é resultado da moderna busca de receita: entretenimento vende mais que falar sério sobre algo.

E se existem poucas falhas, existem muitas diferenças. É função nossa também explicar com palavras por que um Golf é diferente de um Focus, e assim informar os leitores. Informar dados é fácil (mas necessário e deve ser feito), mas explicar como dirigir um Focus é diferente de um Golf precisamente é coisa bem mais difícil.

E se há realmente o que criticar, faça-o sem medo. Mas faça-o de forma que os criadores do objeto criticado entendam sua posição. Fazer piada pode ser divertido e ajudar na sua popularidade, mas fará que sua crítica sirva para absolutamente nada, pois os criadores da obra vão passar a ignorá-lo sumariamente. Fazer piada com o trabalho duro dos outros não tem graça.

Eu mesmo já cometi várias gafes neste tema, mas hoje procuro seguir três regras que tenho para mim como essenciais para quem se propõe a criticar algo. Apesar de nunca ter conversado sobre elas com meus amigos do blog, sinto que eles as seguem a risca também. Na verdade, não chegam a ser regras, são mais como pré-requisitos para que uma pessoa possa ser um crítico de verdade. Deixo-as aqui registradas, oferecendo-as somente pelo que são: meu ponto de vista sobre o assunto. Esses pré-requisitos são:

1) Paixão:

Se você não é apaixonado pelo tema, nem tente. Paixão é essencial para o que você escreve encontre boa recepção em outras pessoas apaixonadas como você. Se você tiver sorte, talvez até desperte algumas paixões adormecidas ou desconhecidas. Escreva com o coração e com alma pura, sem raiva ou frustrações.

2) Conhecimento:

Você deve saber sobre o que está falando, lógico. Hoje, conhecimento é de fácil obtenção, e portanto estude o assunto a fundo. Lembre-se que julgar o trabalho de uma pessoa deve ser feito por quem conhece este trabalho. Se você tem experiência prática, melhor ainda, mas não é imprescindível: basta conhecer, estudar sempre. Sempre há o que aprender, e portanto o conhecer aqui deve ser encarado como uma busca sem fim.

3) Respeito pelo objeto de sua crítica:

Como disse Ego, o que quer que seja que você tenha a dizer sobre um carro é muito menos importante que o carro em si. Qualquer carro. Coloque-se no seu lugar e entenda a sua posição na grande ordem das coisas. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém.



O automóvel já é suficientemente ignorado e mal visto para que nós, os entusiastas, colaboremos com isto deixando de nos empolgar com carros modernos. Há muito mais que louvar do que reclamar hoje em dia nos carros em si (apesar de existir muita coisa a criticar no mundo que os rodeia). Vamos deixar de cinismo e nos entusiasmar com automóveis de novo. Vamos deixar raivas bobas de torcida de lado, e aprender a apreciar qualquer automóvel, e não somente esta ou aquela marca.

E vamos levar a crítica a sério, simplesmente porque é um assunto sério. Não é brincadeira não.

MAO

43 comentários :

  1. Lembrei-me de uma frase do professor Vicente Golfeto que dizia mais ou menos assim: "O progresso é realizado pelas pessoas que fazem; e não por aquelas pessoas que discutem a forma como as coisas não deveriam ter sido feitas."

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  2. Grande post MAO!Realmente muito pertinente.

    Bem, a massificação das informações e a facilidade atual de disseminá-las em volta, permitiu que muita gente tenha uma opinião a mostrar, uma crítica, um comentário...debater enfim, fazer parte da grande comunidade global.

    Não quer dizer necessariamente, que esse manancial interminável de impressões e pensamentos grafados em milhares de ambientes virtuais, sejam sempre de ótima qualidade.

    EU mesmo tenho um blog, algo impensável há um punhado de anos atrás, realizando de modo torto, meu sonho de redator de revista de carros.

    Ficou fácil para muita gente criticar, sugestionar ou mesmo humilhar algumas castas de carros, como se fossem algo simplório como um eletrodoméstico. E não é bem assim...

    Não tenho nada a acrescentar ao seu brilhante texto, só posso pontuar que crítica têm que ser algo sério, com uma pitada de entretenimento é claro. Os americanos gostam de ser sagazes - só olhar seus seriados - os ingleses sarásticos, basta abrir uma revista inglesa e ver baita carros avacalhados porque o encosto da porta está mal colocado, ou exageram nas metáforas, tirando todo o sentido do texto.

    Há alguns anos, vi na net que alguns alunos de uma faculdade achavam que jornalista de carros não precisava dirigir bem, pois críticos de filmes não precisavam ser diretores.... e outros absurdos semelhantes.

    Respeito, paixão em doses homéricas e informação...eu não preciso ser um connoisseur erudito de carros, mas alguém que sinta, que ame e que não tenha os olhos vendados para eventuais defeitos, ou vistas líquidas demais para exagerar virtudes de determinado carro.

    Golf e Focus? propaganda básica:

    http://meuamigodelata.blogspot.com/2011/01/impressoes-focus-sigma-x-golf-tech-x.html

    abraço

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  3. Não sei se dá pra comparar cinema,literatura, arte e gastronomia com carros.
    Tudo isto funciona pra gerar lucros, mas eu acho que são coisas muito diferentes.
    Talvez eu consiga enxergar isto numa máquina artesanal lindamente construida, mas não dá pra ficar muito empolgado com os produtos de massa.

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  4. Excelente comentário, Jota!

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  5. Vi essa animação da Disney, e o ultimo texto de Ego simplesmente marcou a maneira como vejo a crítica, brilhante, nunca esperava algo assim de uma simples animação, e imediatamente associei essa definição de crítica ao mundo automobilístico, o que me fez refletir sobre os diferentes estilos de jornalistas, de Jeremy Clarkson a Bob Sharp... fiquei muito surpreso ao ver esse citação por aqui, obrigado MAO

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  6. Lembro que um professor na faculdade dizia: "A Engenharia é uma arte incompreendida".

    Continuando na metáfora, eu diria que carros são como vinhos. Como um especialista em vinho sempre dizia na TV: Não existe vinho absolutamente bom ou ruim, existe vinho mais ou menos alinhado com o seu gosto.

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  7. Tem uma frase que eu sempre lembro quando eu penso em criticar algum carro ou marca que eu não goste:

    "Você não é influente. Você não revolucionou nada com a sua opinião. Você não é crítico. Você só tem acesso à internet".

    Aí eu dou minha opinião sobre o assunto, mas não sobre a causa desse assunto.

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  8. MAO,

    Tenho alguns comentários:
    1) Crítica para nós em língua portuguesa é quase sempre mal interpretada como algo ruim, negativo, que visa desvalorizar algo. Na verdade não é. Seria melhor pra nós utilizar a palavra "análise";

    2) O design de um modelo é subjetivo e objetivo. Existe a questão da linguagem de design e tema que é subjetivo, mas também as questões como construção, execução e acabamento que são objetivas (craftsmanship);

    3) Um filme da Pixar talvez envolva tanta gente trabalhando nele quanto um projeto de automóvel. Acho difícil a comparação, pois tanto no cinema, quanto a comida e o filme não se pode ter qualquer avaliação pessoal antes de comprá-lo, é muito difícil. O carro tem acesso mais amplo que os outros temas;

    4) Ainda sobre a análise do design, o mais interessante é comparar "ao quê" determinado modelo se apresenta como solução e o "quanto" de sua proposta foi atingida.

    5) Em design jamais usa-se como argumento o "bonito" ou "feio", justamente porque estética não é tanto questão de gosto, mas sim de entendimento, compreensão. Existem sim modelos fora da curva esperada: o fantásticos e não tão bem feitos. Hoje e sempre existiu.

    6) Gosto de ler uma crítica quando o sujeito deixa claro seu foco na avaliação, o que quer ressaltar ou não e mesmo reconhecer qualidades que não são importantes pra ele, mas sim para a mãe dele, justamente comparando objetivos x resultados.

    7) A maioria das análises que venho lendo sobre design visam questionar a postura da indústria frente às nossas necessidades para o futuro (racionais/emocionais). E isso vai distrinchando cada modelo ou estudo/conceito. Algumas no exterior são muito boas. Aqui no Brasil praticamente não há designers trabalhando com as redações justamente por ser uma profissão ainda jovem.

    Obrigado pelo post.

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  9. Não há o que falar depois dessa. Apenas tentar colocar em prática.

    Renan Veronezzi

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  10. Acho que você citou o menor dos problemas. O problema é ler matérias falando de número de porta objetos ou textura do material das portas. Não apenas uma citação, mas uma dissertação sobre essas futilidades.

    Acho que você, MAO, esqueceu de uma crítica importante: O Avaliador deve, principalmente citar as qualidades do carro que só sobressaem para quem o dirigiu durante muito tempo e em muitas condições. Não há o porque ler um texto que fale sobre trivialidades observáveis num carro que está parado num showroom.

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  11. Veículos na coleção de design do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque, listados aqui por ordem crescente das datas de incorporação ao acervo.

    Cisitalia “202” GT 1948
    Produzido por Pininfarina, Turim, Itália.
    Designer: Pinin Farina (Italiano, 1893–1966).
    Ano da incorporação ao acervo:1972.

    Formula 1 - 641/2 1990.
    Produzido por Ferrari S.p.A., Itália (fund. 1946).
    Designer: John Barnard (Britânico, 1946 - ).
    Ano da incorporação ao acervo: 1994.

    E-Type Roadster. 1963.
    Produzido por Jaguar Ltd., Coventry, Inglaterra.
    Designers: Sir William Lyons (Britânico, 1901–85);
    Malcolm Sayer (Britânico, 1916–70);
    e William M. Heynes
    (Britânico, 1903-89).
    Ano da incorporação ao acervo: 1996.

    Volkswagen, Type 1 Sedan. 1959.
    Produzido por Volkswagenwerk AG, Wolfsburg, Alemanha.
    Designers: Ferdinand Porsche (Alemão, 1875–1951)
    e Volkswagenwerk (fund.1938).
    Ano da incorporação ao acervo: 2002.

    Utilitário 1/4 ton 4x4, M38A1 (Jeep) 1953 (ano do projeto: 1952).
    Produzido por Willys-Overland Motors, Inc., Toledo, Ohio, USA (fund.1909).
    Ano da incorporação ao acervo: 2002.

    Smart (“smart & pulse” Coupé) 2002.
    Produzido por Micro Compact Car smart GmbH, Renningen, Germany,
    e Hambach, França (fund.1994).
    Ano da incorporação ao acervo: 2002.

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  12. MAO,
    Parabéns pelo post do qual concordo 99,9%. A indústria automobilística mudou, está focada em pesquisas, custos, multi-uso de componentes etc, e tem que ser assim nesse mundo competitivo. Exceto ainda pelas grande marcas, não me entusiasmo por nada que é lançado no mercado, isso falando como entusiasta, pois morando em SP a melhor opção para o uso diário seria uma limousine Cadillac ou similar com motorista, TV LCD etc no banco traseiro.
    Então como cidadão comum ando de onibus, metrô, scooter Honda 125 antigo e bicicleta. A noite, eventualmente saio com o Puma, carro único, mas divertido e praticamente com custo zero.
    No meu tempo de garoto adorava as speed-shops (não era tunning please. Como Diretor Geral da maior empresa de abrasivos no Brasil, a política de carro de empresa era limitada a Opalas e Alfas 2300 para a diretoria. Eu escolhi uma Quantum automática e botei um turbo lá. Ficou bem razoável, melhor que um Alfa 2300. A indústria de "veneno" ou personalização acabou. Ninguém mais se interessa porisso. Não existem mais empresas de "preparação" etc. Ou nós, auto-entusiastas compramos carros que não podemos ou teremos que re-inventar a indústria.
    Abração e sorry por essa longa mensagem
    Luiz

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  13. Antonio Filho-

    Concordo em tudo de MAO teclou. Eu mesmo sou um cara que curto muito carros em geral, nasci e cresci em volta de carros de todos os tipos e quase todas as época, bem próximo ao autódromo Nelson Piquet, tão próximo que até dava para escutar alguns roncos dos motores mais brabos, meu pai tinha carros envenenados desde rapaz, como sua Brasilia com kit 1.9 aspirada para o trabalho e para a pescaria!!! e sua Caravan para os finais de semana com seu motor trançando e o barulho de quadri jet sugando tudo que havia de combustivel...Bom eu com 16 anos fiz o curso de mecanica automotiva no Senai, dai lascou de vez, a gasolina entrou e se misturou com meu sangue. Hoje as coisas não são exatamente como eu gostaria que fosse, os carros estão na maioria das vezes abaixo do que eu esperava, as pessoas cada vez mais desinteressadas sobre carros, a segunda paixão do Brasileiro virou outra coisa chinesa qualquer.

    Sou um critico direto sobre carros, conheço muito bem o mundo dos carros em geral, porem a opinião minha em certo ponto, acho muito valida exatamente porque critico o obviou e o logico, que é sobre o consumidor brasileiro e diretamente a qualidade de nossos carros.

    Fazer um carro realmente deve ser muito difícil e muito complexo, mas não estão se esforçando nem um pouco, e suas tradições sendo levadas para o ferro velho, literalmente.

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  14. Concordo com todos, mas é só em atraves da critica que o produto é melhorado. Se os responsaveis pela construcão ou fabricacão de um determinado produto, não escuta as criticas e melhora o seu produto, este produto esta fadado a sair do mercado mal visto.
    giancarlo

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  15. Anônimo, É exatamente isso a questão hoje em dia - Um fabricante tem um determinado carro no mercado, esta criando uma evolução ou novo modelo do respectivo. Por que raios esse fabricante não evolui realmente o carro? Por que não escuta realmente os entendidos e donos do modelo ?

    Ai é que esta a questão: Lucro fácil com um desenhosinho mais moderno e uma telinha colorida no painel. Evolução e empenho técnico com a característica X da marca que é bom, nada. Parece que só alguns fabricantes, ao meu ver alemães e americanos viram que o futuro esta exatamente ai.

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  16. Por essas e outras que sempre fiquei com o pé atrás com o Top Gear.
    Com que direito se acham de esculhambar com alguns modelos, só porque eles particularmente não gostam.
    Só pelo entretenimento? E onde está a responsabilidade com a avaliação real do produto.
    As vezes assisto, mas sempre com meu filtro anti-bobagens ligado.

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  17. Victor,

    A grande sacada de Peter Lasseter, o criador da Pixar, é fazer histórias para adultos, mas em desenhos para crianças. Agrada os pais e os filhos!

    MAO

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  18. Desculpe, MAO, mas não creio que a crítica moderna do automóvel seja tradicionalista e desconectada com a realidade. Ela merece diversas outras críticas, como se importar demais com acessórios e de menos com espaço interno e ergonomia, por exemplo, mas não a de ser tradicionalista. Algumas marcas SOBREVIVEM da tradição, e a partir do momento em que elas se desvinculam de seu lado tradicional, caminham para a extinção. Não canso de repetir que o apogeu da imprensa automotiva brasileira chamou-se Motor 3. Foi a única publicação onde se mesclava corretamente o racional com o emocional. Outras publicações sempre "puxam sardinha" para algum lado: a 4 Rodas sempre favorecendo a VW, a Autoesporte recentemente encontra qualidades nos Hyundai que nem a CAOA encontra, a Carro e a Motor 4 partem do princípio que carro é para ser elogiado, nunca criticado, a Car and Driver Br é outra que elogia qualquer coisa que venha da Coréia, tem o Best Cars com o dogma do câmbio sem trava de ré e defendendo com unhas e dentes qualquer coisa que venha com um oval azul na frente (afinal, temos de contrariar a GM)... o cenário é sinistro, e sempre se deve ler tendo em vista a "postura editorial" (eufemismo para "interesses do departamento comercial") da publicação.

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  19. Dranger:

    "A indústria de "veneno" ou personalização acabou. Ninguém mais se interessa porisso. Não existem mais empresas de "preparação" etc".

    Leia as matérias q assino nessa revista aki: www.racemaster.com.br

    Existem algumas edições on-line disponíveis p/ leitura.

    Espero q lhe ajude a mudar teu pensamento...

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  20. Bom... nada a comentar (nem a criticar), apenas parabenizar.
    Ótimo!!! Excelente texto MAO!

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  21. Concordo com o entendimento do Bianchini, sobre a parcialidade dos canais mais acessados (revistas e sites). Uma linha editorial, por mais isenta que queira ser, tem sempre vicios e predileções. Também concordo que é muito fácil ser crítico. Mas o público médio, em geral precisa de uma opinião de pesssoas que conheçam, na teoria do assunto. O que acontece hoje em dia é que com a enxurrada de informações, todo mundo pode se candidatar a ser um crítico em qualquer assunto. Aí, o problema é filtrar tudo isto...

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  22. Não tenho procuração dos colegas, mas vou defender os "críticos de carros". Claro que quando dirigimos um AMG ou um R8, temos de fazer a análise técnica, sem se prender nas "futilidades", como vocês chamam.

    Já com os carros mais acessíveis, como no caso de Golf e Focus citados no texto, o papel do crítico é auxiliar o consumidor a escolher seu carro. A presença de porta-objetos e textura do plástico da porta é fator determinante para a maioria dos consumidores.

    Se o cara acha o Golf bonito e bem acabado e odeia o Focus, vai tomar a decisão em cima disso. "Ah, mas o Focus tem suspensão independente e plataforma moderna". O cara vai falar "E...?" a caminho da concessionária VW mais próxima. Infelizmente temos de nos adaptar a isso.

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  23. Excelente texto, concordo com a maioria das "críticas". Usso muito dessas "regras" em meu blog.

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  24. MAO, magnific! Volto aqui depois pra fazer um comentário menos breve.

    Sou seu fã.

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  25. MAO,

    Respeitar sempre, mas penso que a imprensa deveria ser mais dura, num mercado onde pagamos muito e recebemos pouco, logicamente me refiro ao mercado nacional.

    Ótimo post, várias associações pertinentes, fica nítido que o post do Bob sobre o BMW FWD mais os respectivos comentários foram um grande incentivo para que você escrevesse este post.

    Quanto ao Jeremy Clarkson, não serei hipócrita em criticá-lo, pois gosto do programa e também do sarcasmo do apresentador. Aquela história, para seguir no estilo "batedor", o cara precisa ser forte, ou certamente irá apanhar. O cara é uma personalidade, com conhecimento teórico e prático, o que ele fala pesa, a imprensa em geral lá é mais respeitada, ao menos esta é a impressão que se tem. Se o povo brasileiro não fosse tão ignorante, talvez a imprensa pudesse ter mais peso no mercado, ser mais respeitada, ser mais isenta, ou seja, uma reação em cadeia.

    Sds

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  26. Maravilhoso post!
    Unica coisa que não tenho como apoiar é '' as industrias raramente erram atualmente'',num tempo em que o agile é acerto e acerto, aquela ''remendação'' do fiesta...
    Realmente estão de parabens as fabricas, quase infaliveis.

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  27. E a Monstrana??? AAAAARRRRRRRRRRRGH

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  28. Brenno Metzker09/02/11 21:51

    Mestre MAO, já estava me perguntando aonde andavam seus posts aqu no blog. Feliz que está de volta, e os últimos post, como sempre excelentes, com enfase neste ultimo!
    parabéns!
    abraço

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  29. Antonio Filho -
    Colegas, cá entre nós: Como exatamente Bianchini teclou, esta mais que na cara da realidade na nossa impressa automobilística e até de um modo em geral, pois o que mais vemos é que descaradamente eles puxam a sardinha vergonhosamente para o lado do que os pagam melhor e quer continuar mentindo e/ou exagerando absurdamente sobre seus produtos... E o pior de tudo é que continuando tendo produtos ruins e caríssimos, bem a baixo do padrão mundial, pois somos nós merecemos o melhor de tudo por que nós sustentamos muitas destas marcas caras de pau.

    É eles acham que nós não sabemos ? ! Grave engano ! Isso ainda vai lhes custar muito caro.

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  30. Rodrigo Ribeiro10/02/11 16:30

    Marco,

    Antes de mais nada, queria, como todos, parabenizá-lo pelo texto. É prazeroso ler algo tão lúcido nos dias atuais.

    De fato, o setor põe o jornalista em uma encruzilhada. De um lado há as fabricantes, nem sempre receptiva a críticas (mesmo que embasadas). Do outro, os leitores, para quem devemos escrever e ter comprometimento com a realidade. No meio disso tudo, a equipe comercial da mídia onde o profissional atual.

    Com a popularização dos blogs ditos jornalísticos à custa de muito plágio, vejo o futuro do jornalismo automotivo com certo receio, temendo pela mistura do ótimo jornalismo exercido pelas principais mídias com os "novos jornalistas", que se apóiam em lugares-comum como "a empresa X usa motores dos anos 80" sem buscar qualquer conhecimento adicional.

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  31. Rodrigo Ribeiro10/02/11 16:30

    Marco,

    Antes de mais nada, queria, como todos, parabenizá-lo pelo texto. É prazeroso ler algo tão lúcido nos dias atuais.

    De fato, o setor põe o jornalista em uma encruzilhada. De um lado há as fabricantes, nem sempre receptiva a críticas (mesmo que embasadas). Do outro, os leitores, para quem devemos escrever e ter comprometimento com a realidade. No meio disso tudo, a equipe comercial da mídia onde o profissional atual.

    Com a popularização dos blogs ditos jornalísticos à custa de muito plágio, vejo o futuro do jornalismo automotivo com certo receio, temendo pela mistura do ótimo jornalismo exercido pelas principais mídias com os "novos jornalistas", que se apóiam em lugares-comum como "a empresa X usa motores dos anos 80" sem buscar qualquer conhecimento adicional.

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  32. Rodrigo Ribeiro10/02/11 16:30

    Marco,

    Antes de mais nada, queria, como todos, parabenizá-lo pelo texto. É prazeroso ler algo tão lúcido nos dias atuais.

    De fato, o setor põe o jornalista em uma encruzilhada. De um lado há as fabricantes, nem sempre receptiva a críticas (mesmo que embasadas). Do outro, os leitores, para quem devemos escrever e ter comprometimento com a realidade. No meio disso tudo, a equipe comercial da mídia onde o profissional atual.

    Com a popularização dos blogs ditos jornalísticos à custa de muito plágio, vejo o futuro do jornalismo automotivo com certo receio, temendo pela mistura do ótimo jornalismo exercido pelas principais mídias com os "novos jornalistas", que se apóiam em lugares-comum como "a empresa X usa motores dos anos 80" sem buscar qualquer conhecimento adicional.

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  33. MAO, me identifico, com ânimo entusiástico, com o enquadramento que você propõe ao tema do automóvel. Seus posts aqui, tipicamente, sublinham exatamente aquilo que mais me interessa nesse assunto: o osso da inteligência, astúcia e elegância na história dessas máquinas. Mas não posso concordar com este post. Automóveis e literatura? Apples and oranges. Num, o domínio da matéria, noutro, o do espírito. E é natural que os assuntos do espírito sobrevoem os da matéria. Então você, que chama a atenção para a seriedade do assunto, parece, neste caso, estar brincando.

    E mais, certos críticos não se pode levar, de todo, a sério. Nem sempre porque lhes falte erudição, o mais comum é que estejam atrelados a pressupostos obsoletos, que tenham o "rabo preso" ou que sejam embaraçados pela própria ideologia, enfim... E me parece, como um comentarista já notou aqui, que você associa a crítica à observação das falhas de um autor – o crítico como um investigador de deslizes. Também não posso concordar. Nas questões da arte, que podem talvez ser extrapoladas para a sua especialidade, a diferença entre o historiador e o crítico é que o primeiro lida com situações consolidadas, grandes movimentos numa vasta perspectiva, enquanto o outro lida com a atualidade, ambos visando o entendimento dos fenômenos. A tarefa do crítico é mais exigente, já que, por lidar com a novidade cambiante, ele terá pouco apoio nas elucubrações de seus pares. Tem que sacar o nexo da produção contemporânea "on the fly", como dizem os gringos.

    Certos carros também não se pode levar a sério. Para não arriscar muito, tome a produção soviética dos anos '50/'60. Havia uma faixa destinada à "nomenklatura", aos poderosos do regime, que eram um ridículo pastiche da produção norte-americana. Via-se ali a falácia da cultura bolchevique. Mais do que perseguir ideais de racionalidade, elegância e economia – a originalidade de um produto liberto das imposições do mercado! – perseguiam os signos do capitalismo, não só no design como na própria idéia do luxo. Eram fascinados pela "decadência", embora jamais o admitissem. E o que dizer da produção de Detroit no final dos '50? Eu adoro aquilo, porque dou valor à fantasia, à brincadeira, ao carnaval.

    Sobre a irrelevância da crítica frente à produção, na literatura temos o caso exemplar da dobradinha entre Ezra Pound e o poeta T. S. Elliot, a crítica colada à produção, para o proveito geral. Na verdade, o grande artista (engenheiro, designer, o que for) traz dentro de si um forte crítico, com domínio extenso sobre o repertório de sua época. A inovação não sai do nada. Tem, entre outros parteiros, o entendimento penetrante das limitações do paradigma vigente.

    Me desculpem o tijolo, mas senti este post como um desafio.

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  34. Bianchini,

    Me referia neste caso à imprensa realmente especializada, inglesa e americana.

    No caso das nacionais, minha opinião é que falta conhecimento apenas. Não acredito, como você, em falta de isenção. Apenas falta convergência de opiniões, por falta de conhecimento.

    Abraço,
    MAO

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  35. Rodrigo Ciossani

    Tentando simplificar um assunto complexo, eu...

    MAO

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  36. Caio Ferrari,

    Eu também acho que uma boa avaliação requer muito tempo com o carro.

    Mas isso é assunto para outro post!

    MAO

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  37. Bruno Metzker,

    Esta virada de ano foi difícil, mas agora vamos retomando o ritmo normal...

    Grato pelos elogios!

    MAO

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  38. Bianchini, explique essa da trava de ré, por favor. Vai me dizer que você é a favor do anel de trava como a Fiat usa, ou de apertar a alavanca como nos Volks de motor longitudinal uns anos atrás, com a ré ao lado da quarta?

    Para que? Não tenha medo, os câmbios têm uma trava interna, você não vai engatar a ré a 150 km/h...

    O Best Cars está certo, meu amigo. Vamos cortar dos carros o que não serve para nada e só atrapalha.

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  39. Pra quem quiser assistir o trecho citado: http://www.youtube.com/watch?v=GwBOjFsgFb8

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