EXTRA - LUIZ PEREIRA BUENO (16/01/1937-08/02/2011)

Foto: obvio.ind.br/Sidney Cardoso

Mais um campeão nos deixou. Foi nesta manhã de terça-feira, em sua casa em Atibaia, SP. Luiz Pereira Bueno vinha sofrendo grave enfermidade há cerca de um ano. Lutou bravamente contra ela, como fazia  nas pistas, com  seu estilo ímpar de pilotagem que muitos, inclusive eu, comparavam ao de Juan Manuel Fangio; rápido sem parecer fazer força para isso. Não era um piloto-show, era um piloto rápido, dos mais rápidos que ja tivemos.

Bem recentemente teve publicado o livro de sua vida, "Paixão e Técnica ao Volante" (Editora Tempo & Memória), patrocinado pela importante indústria de autopeças Mahle Metal Leve, iniciativa do diretor-presidente Claus Hoppen, nome que já faz parte da história do automobilismo brasileiro pelo inestimável apoio que vem dando a publicações sobre o esporte a motor nos últimos anos.

Abaixo, um texto escrito pelo amigo comum e produtor de vídeos Ronaldo Nazar, que transcrevo para os que ainda não conhecem a trajetória desse grande piloto brasileiro.


"Luiz Pereira Bueno nasceu em São Paulo em 16 de janeiro de 1937. Cresceu em volta de carros e oficinas mecânicas. Começou sua carreira em 1958 na Mil milhas Brasileiras, em Interlagos, ao lado de outra lenda do automobilismo, Bird Clemente.Integrou o departamento de competições da Willys-Overland do Brasil desde o seu inicio, sob a tutela de Christian “Bino” Heins. Dali formaram a maior e melhor equipe de competições que o Brasil já possuiu. Após a morte prematura de Christian na 24 Horas de Le Mans de 1963, Luiz Antônio Greco assumiu o comando da equipe e formou um verdadeiro time de "ases" . Além de Luizinho integravam a equipe, Bird Clemente, José Carlos Pace, Wilson Fittipaldi Jr., Emerson Fittipaldi, Chico Lameirão e Carol Figueiredo. Luizinho iria colecionar uma série imensa de vitórias nas principais provas brasileiras. Venceu Mil Milhas, 24 Horas, 500 Quilômetros, 1000 Quilômetros, 12 Horas, 3 Horas de velocidade. Foi campeão brasileiro cinco vezes: 1967, 1968, 1972, 1973 e 1975. Foi para a Europa e participou da temporada de Fórmula Ford inglesa em 1969, tendo como chefe de equipe Stirling Moss. Foi vice-campeão, mesmo tendo começado a correr no meio do campeonato. Participou da primeira temporada de Fórmula Ford no Brasil, o Torneio BUA. Venceu a etapa do Rio de Janeiro. Participou de forma brilhante da temporada de Fórmula 3 no Brasil correndo contra Alan Jones, Toni Trimmer, José Carlos Pace, Wilson Fittipaldi Jr., os feras da categoria na época. Correu duas provas de Fórmula 1 no Brasil  A primeira em 1972, a primeira corrida de F-1 no país. Pilotou um March 711 formando dupla de equipe com Ronnie Peterson. Nos treinos para a corrida Luiz bateu o recorde do anel externo de Interlagos, feito que permanece até hoje. Em 1973 participou correndo com um Surtees em companhia de José Carlos Pace. Foi co-proprietário daquela que foi a grande equipe de competição do Brasil nos anos 70, a Equipe Hollywood. Imortalizou o Porsche 908, o Opala, o Marverick Berta, o protótipo Berta-Hollywood. É o piloto que uniu a era amadoristica de Chico Landi ao profissionalismo que tem início em Emerson Fittipaldi. Enfim o “Peroba”, como ficou conhecido nas pistas devido à sua excepcional resistência física, parte deixando um fabuloso legado no automobilismo brasileiro. E desde já uma imensa saudade.

Ronaldo Nazar"

Luiz com o Bino da Willys na prova 500 Quilômetros de Interlagos de 1970 (foto autoestrada.com.br)
À esposa Tânia e seus três filhos, as maiores condolências do AUTOentusiastas.

Descanse em paz, Luizinho.

BS

18 comentários :

  1. Algumas pessoas poderiam ter o passe divíno para viverem eternamente na terra!.. e o Peróba certamente é um deles!. Suas qualidades como Piloto e pessoa eram únicas. Um personagem que ficará eternamente na memória daqueles que o viram em ação, desfilando talento, simplicidade, humanismo e companherismo!

    Meus votos de apoio e solidariedade aos familiares nesse momento de perda.

    Henrique

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  2. Voz embargada e o olhar embaçado, de todos aqueles que amam o automobilismo de verdade.
    Foi-se Luizinho, que tantas alegrias nos deu, em tempos que não voltam mais.
    Descanse am paz.

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  3. É o Luizinho ganhou a bandeirada preta,bandeira que nehum piloto gosta de ganhar.
    Condolencias a familia e obrigado Luiz Pereira Bueno por me fazer gostar deste esporte.

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  4. Uma perda irreparável!

    Vá c/ Deus MESTRE!

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  5. Bob, hoje pela manhã eu disse para a Anna, namorada do Anísio, que Deus certamente está adorando andar de carona numa "Berlinette" agora.
    E é verdade, com certeza.
    :-)

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  6. Infelizmente mais um campeão foi correr no autódromo lá de cima.
    Só temos que agradecer ao Peroba pelos momentos que ele nos proporcionou em vida.
    Vitórias em corridas, longas, curtas e com varios tipos de carros.
    Me lembro de um domingo em que houve um daqueles Festivais de Velocidade em Interlagos e foram organizadas 5 provas, de categorias diferentes.
    E o Luizinho "só" ganhou as cinco.
    Uma delas com aquele maravilhoso Porsche 908 da Hollywood com o numeral 11.
    Ciao Peroba, descanse em paz!
    Romeu

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  7. Mais um grande herói das pistas que se vai, digno representante dos tempos áureos em que havia mais espetáculo, mais esporte, mais paixão nas competições automobilísticas. Vou sentir sua falta.

    Que o Luizinho tenha agora o merecido descanso e meus sinceros sentimentos aos familiares.

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  8. qdo vou a enterros, é por conta dos que ficaram. Nesse caso, eu fui para honrar um amigo querido que se foi. Da mesma forma que o bando que lá esteve. Emerson, Wilson, Lian, Chiquinho, Paulão e o filho, Alemão, Alex, Paulo Loco, Crispim, Bird...Nossa uma lista gigantesca de pessoas Todos muito tristes, mas contando pequenos detalhes do Luizinho. Esqueci um monte deles, mas não importa. Estiveram lá. Notavel foi a não presença de outra lista interminavel dentre esportistas, jornalistas e mais um monte de 'istas' . Nós fizemos a nossa parte. Fomos nos despedir de um amigo.

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  9. Regi,não tem problema, o Gigante teve a honra de ter vários Gigantes à sua volta,como vc citou, mas as marcas que o Bueno deixou na história do automobilismo nunca serão enterradas, que Deus console os entes queridos nessa hora tão triste...

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  10. Daniel San09/02/11 09:31

    Que timaço aquele da Willys... Queria ver Schumacher,Alonso,Hamilton entre outros no automobilismo daquela época,sem a tecnologia para os socorrer,tudo na base do "feeling" e na experiência. Uma dúvida: O anel externo de Interlagos recebeu muitas competições? Desapareceu após a reforma que modificou o traçado da pista?

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  11. Hoje já tenho condições de escrever alguma coisa sobre o Peróba. Ontem não dava, estava triste demais e as lágrimas não deixavam. Minha ligação com Luizinho nasceu de um fato que chamo de surreal: além de poder conhecer pessoalmente seu ídolo de juventude, pude dar uma pequena contribuição para que tivesse uma vida melhor e nos tornamos amigos. E a lista de admiradores, amigos e fans do Peróba é extensa, é só dar uma olhada nos nomes que Regi Nat Rock escreveu alguns posts acima. O cara éra a alegria de todos, assim como o carnaval. Pena que todo carnaval tem seu fim.

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  12. Conheci o Luiz dentro de um elevador! Ele era vizinho da minha sogra no Itaim. A simpatia em pessoa. Eu mal consegue expressar o quanto o admirava. Marcamos um almoço que jamais aconteceu por vergonha minha de incomodar o ídolo. Um dia me mandou via sogra o famoso cartão com a foto da Equipe Hollywood e a frase "Fred, temos muito que conversar. Abraços, Luiz." Luiz, não esqueci o almoço não; quando chegar aí em cima vou cobrar. Abraços, Fred.

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  13. Recebi a pouco o livro que comprei e quando abro o livro, para minha surpresa, encontro a assinatura do Luiz, visivelmente tremula.
    No mesmo momento escrevi um email para Tania agradecendo o carinho.

    Este era o Luizinho, querido por todos, um ídolo totalmente disponível para os seus fãs.

    R.I.P. Luizinho

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  14. Lembro da minha infância e da primeira vez que ouvi o nome Luiz Pereira Bueno da boca de um primo já sessentão. Meu avô vai adorar conhecer esse grande piloto lá em cima.

    A bênção ao grande ídolo.

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  15. Enorme perda do automobilismo,e,de quem conhecia das pistas e fora delas... Ao BOB, mais uma vez parabéns por sempre estar atento e gentil com quem merece.

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  16. Me parece que a foto do Bino MK II mostrada acima foi tirada em Belo Horizonte, Circuito Externo do Mineirão em janeiro de 1970, logo após a curva da Universidade, chamada na época de "relevè". Vê-se o patrocínio CISA (revenda Ford de BH) nos para lamas traseiros do carro. Nos treinos para essa prova faleceu o piloto mineiro Marcelo Campos. Correram também Emerson e Wilson Fittipaldi. A prova foi vencida por Toninho e Ivaldo da Matta no Opala 21.

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  17. Concordo com o Twocats. Essa foto foi tirada no circuito do Mineirão em BH em 1970. Nessa prova o Bino correu com os patrocínios da Tergal e CISA, Concessionária Ford local, que foi quem deu apoio logístico à equipe Bino/Ford em BH. Nesse dia correram o protótipo Fusca de 2 motores do Wilson Fittipaldi (que aqui em BH correu com 1 motor só) Emerson Fittipaldi correu com um Corcel Bino.

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  18. Esta foto do Bino está com a legenda errada. Não é o LPB e nem é os "500km de Interlagos". O piloto é o Fernando Pereira na prova do Mineirão BH.

    FABIO FARIAS

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