PASSEIO NO FRIO

Estou meio sem tempo pra escrever, então aproveitei que o inverno começa a dar as caras e tomei emprestado um relato da amiga Flavinha, de uma viagem recente à Suécia. No inverno. A experiência de dirigir na neve ainda é inédita pra mim, então acompanhem comigo:


"Ontem tive a oportunidade de passear de carro pelas belas e brancas estradas da Suécia.

Estou aqui em Gävle (a pronuncia é "iavila"), a 150 km da capital Estocolmo, visitando parentes que se mudaram recentemente pra este gelado país.

Aluguei por um dia um A4 2.0 Turbodiesel (por sorte me deram um cinza chumbo, já que adoro carros escuros e para fazer um belo contraste com a neve). Queria experimentar como são as estradas suecas e a experiência de dirigir na neve. Optei por um carro maior e que tivesse todos os controles necessários para evitar possíveis acidentes, nunca se sabe...

Sobre o carro: bem divertido, adorei!! Câmbio manual, 6 marchas, embreagem bem gostosa, não muito leve, mas também não pesada a ponto de cansar. O painel informa de tudo um pouco, principalmente o quão econômico esse carro é. Fiz com ele uma média de 5,6 L por 100 km (é assim que ele mostra), ou seja, 17,8 km/l. Além disso, passei o dia reparando na temperaruta externa, e esta se manteve entre os 0° e -3 ºC. O carro também possui piloto automático e eu usei em alguns momentos da estrada.

O motor diesel é bacana e, depois de se acostumar, é gostoso e responde muito bem. Infelizmente não pude testá-lo como gostaria, já que após muitos dias de neve a estrada fica com uma fina camada de gelo em alguns pontos, muito difícil de perceber, e extremamente escorregadia.

O controle de tração funciona e muito para as estradas escorregadias. Quando andei na neve pude brincar um pouco com isso. Para sair, é nítida a atuação, além, obviamente, da luz no painel piscando alucinadamente. Forcei algumas saídas mais fortes e percebi a traseira do carro querendo sair... muito gostoso!! E, é claro, um cavalinho de pau na neve não poderia faltar!! Desliguei o controle e no final de uma rua dentro da cidade de Fallberg, aproveitei pra fazer o retorno em grande estilo.


Sobre as estradas: fica difícil dizer, já está praticamente tudo coberto de neve, mas elas são bem retas, com curvas muito suaves. Na rodovia que dirigi (chamada de 80), diversos trechos ela muda de faixa simples para faixa dupla (só assim é possível ultrapassar), revezando com o outro lado da rodovia, separando as pistas por guard rail e, em outros momentos ela fica mão-dupla, sem nenhuma separação além de faixas no chão. O que mais gostei foi quando entrei nas cidadezinhas e pude andar na neve mesmo... é fantástico!! A paisagem é maravilhosa, apesar do branco insistente. Lagos congelados, árvores com a folhagem coberta de neve, grandes pedras na beira da estrada, lindas!

Resumo da brincadeira, dirigi 343,5 km com menos de 1/4 de tanque de diesel. Visitei o Lake Siljan, as cidades de Tällberg, Leksand, Falun. Em Falun, fui ao Gruvmusset (The Mining Museum) e pude ver uma bela paisagem (novamente coberta de neve) sobre uma cratera onde, no passado fora uma mina. Infelizmente não tive tempo de fazer o tour pela mina, mas a paisagem valeu a pena. E tem mais um detalhe, como nessa época do ano o Sol aparece só as 9h30 e se põe as 15h30, não pude estender mais a viagem... além disso, no final do dia, baixou um fog absurdo e estava bem difícil de enxergar. Essa é outra característica local. Todos estão muito acostumados a isso e eu me sentia completamente deslocada no trânsito. Os caminhões andavam a 100 km/h como se estivéssemos em uma tarde ensolarada no Brasil.

Os pneus (nota do blogueiro: ela entende MUITO de pneu, trabalhou no Campo de Provas da Pirelli em Sumaré) eram especiais pra neve, uma experiência diferente pra mim. Apesar de nunca ter dirigido um carro na neve antes, a experiência foi incrível. Em alguns momentos, lembrei-me dos testes feitos na pista molhada do Campo. A sensação ao andar nas pistas cobertas de gelo é bem diferente. O ruído que se ouve em baixas velocidades se assemelha muito a quando passamos por uma poça d’água. Os pneus do Audi possuíam algumas “tachinhas”, o que ajuda e muito. Quando dirigi nas autopistas, elas estava cobertas por uma fina camada de gelo. A neve é diariamente retirada por caminhões e o que sobra é o gelo, que além de não ser perfeitamente visível, faz com que o asfalto se assemelhe ao sabão. A sensação é que não há contato entre pneu e solo, parece que o carro está flutuando, muito parecido com os testes de aquaplanagem feitos na pista...

Dirigir na neve é muito bacana, além do rumor peculiar, apesar de escorregadio, ainda é possível sentir-se seguro e brincar um pouquinho! Já na pista coberta de gelo a impressão não é tão agradável. Por vezes, você se torna passageiro (em altas velocidades) e a insegurança é inevitável. Piora ainda mais porque os caminhões circulam como se nada estivesse acontecendo, em altas velocidades, mesmo com a visibilidade prejudicada pela longa noite ou nevoeiros.

Ainda assim, recomendo a todos!! Além de paisagens lindas cobertas pela neve branquinha, é possível “brincar” (e muito!) nas estradinhas vicinais. O modo mais divertido de se fazer um retorno é sempre com um cavalo de pau... não requer prática, talvez um pouco de habilidade.
Flavinha"

MM

6 comentários :

  1. Mister Fórmula Finesse22/05/2009 16:32

    Deve ser divertido e ao mesmo tempo um tanto temerário andar sobre essas superfícies de atrito quase zero, imaginem se os aproximados 1.600 kg de massa do Audi a diesel saem de lado de forma para lá de inesperada em meio ao trânsito pesado, por isso admiro ainda mais os rallys praticados nesse tipo de superfície.

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  2. Clésio Luiz22/05/2009 19:55

    As estradas são retas porque na guerra fria a Força Aérea Sueca previa que elas seriam a pista de pouso de seus aviões de combate, transformando toda a Suécia numa gigantesca base aérea, impossível de tornar inoperante com bombardeios.

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  3. Pois é Marco Molazzano,
    Morei na Alemanha por duas vezes, nos anos 70 e na virada dos anos 80/90. um total de 5 anos.
    Na primeira temporada meu carro era um FORD Taunus 15M com um estranhíssimo motor V4 (acho que pegaram um V8 e cortaram ai meio), um bom carro. Veio com um jogo extra de pneus de inferno com spikes (pequenos pinos de aço pontiagudo embutidos na camada de borracha do pneu durante a fabricação). Estávamos no limiar da proibição do uso deste pneus devido a seus riscos, pinos que saíam como balas sem destino determinado, e um fantástico estrago ás pistas das estradas, em especial Autobahns onde meus patrícios não respeitavam o limite de velocidade destes pneus feitos para gelo e neve e muito inadequados para asfalto ou concreto. Mas em alguns lugares muito frios, lá no cume das montanhas, naquelas vilas perdidas no tempo, ainda é permitido e imprescindível o uso destes pneus com spikes até os dias de hoje – mas só por lá.
    Na segunda temporada o carro foi um Mercedes-Benz sedan 230E, ainda com injeção mecânica – um carrão! Ai já surgiram pneus sem spikes, mas dedicados o frio. Havia pneus de verão, mistos (intermediários para inverno e verão) e especiais para inverno (que acabavam rapidamente ao serem usados em áreas sem neve ou gelo). A maioria usava pneus mistos inclusive eu. Não chegavam aos pés dos pneus com spikes em condições de inverno cerrado.
    A tecnologia de pneus continua evoluindo, mas para dirigir em condições de neve (técnica semelhante à direção em estradas de barro solto) e no gelo (totalmente imprevisível e geralmente causa de acidentes incontroláveis) é necessário se saber bastante como controlar (ou tentar) o carro. O ADAC – automóvel clube alemão, oferece cursos de condução nestas condições rotineiramente, mas poucos são os que se dignam a dar um melhorada em sua condução no inverno.
    Também conduzi outros carros em condições difíceis de terreno gelado, um Omega, peruas Espace. Volkswagen , Transit e assim por diante, isto quando eu alugava carros ou pegava carros emprestados em viagens entre as estadias mais longas – nenhum dos carros que conduzi no inverno tinha controle de tração. Mas eu sempre me diverti muito nestas situações – já fui rato de banhado e lama era uma diversão e tanto.
    Pegar um carro para conduzir na neve, com ou sem controle de tração, sem o devido preparo á semelhante a tentar sair esquiando na neve sem o devido curso preparatório – arriscado...
    Ai eu dou meus parabéns ao Marco por ter pegado o jeito "de cara" - distinção em proficiência ao conduzir, sem dúvidas.
    Saudações
    Alexander Gromow

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  4. irei visitar ai em BREVE amigo..poderia me dar alguma dicas !

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  5. Alexander,
    O pneu do Audi possuia spikes, e foi assim que recebi o carro da locadora. Na Suécia eles também impõe uma data limite para a troca desses pneus, devido ao estrago que eles fazem no asfalto. Além disso, os suecos comentaram que para tirar a habilitação, é necessário aprender as técnicas de guiar na neve, tudo isso na auto-escola mesmo.

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  6. De Gennaro,
    Se você for para a Suécia antes de Novembro não enfrentará esse tipo de situação, o que é uma pena já que o cenário coberto de neve é uma experiência única, e que vale muito a pena.
    Dicas: muita atenção nas ruas pois faixa de pedestres significa pare... os pedestres tem a preferência sempre!
    Na neve: sem abusos, alugue um carro com controle de tração e estabilidade, pneus bons e de preferência com spikes, preste atenção principalmente nas autopistas por causa do gelo, e divirta-se!

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