PONTIAC, AGUARDAMOS SEU RETORNO


Em 2007, em minha última visita a Detroit, a chegada ao centro da cidade ficou marcada por um grande painel de boas-vindas com saudações da Pontiac. O Solstice GXP, com motor turbo, estava sendo lançado e a revitalização dos produtos GM pelo Bob Lutz parecia estar indo bem.

Mas já faz muito tempo que Detroit está em decadência. Com a globalização e a descentralização das empresas acho que fica difícil estabelecer uma "capital" do automóvel. Porém Detroit sempre vai ter seu lugar na história.

Com a triste notícia de hoje, a Pontiac também terá que se contentar com "apenas" mais um lugar na história. Um importante lugar para todo autoentusiasta que se preze. Como parte do plano de recuperação da GM para evitar a falência, a Pontiac, que nasceu em 1926, será descontinuada até o final de 2010.

Parece que a decisão foi bastante difícil e que os executivos da GM e a legião de autoentusiastas americanos sentem algo especial pela marca. Afinal, o auge do sonho americano na década de 60 foi recheado pelo nascimento dos muscle cars pelas mãos de executivos entusiastas (algo difícil de se ver hoje).

Pete Estes (gerente geral), Jim Wangers (executivo de conta da agência de publicidade) e John Z. De Lorean (engenheiro-chefe), todos da Divisão Pontiac no início dos anos 60, macomunaram um plano para burlar a decisão da direção da empresa em encerrar o programa de competições da Pontiac acabando com os carros de alta performance. Eles tiveram a brilhante ideia de colocar um motor V-8 de 389 pol³ (6,4 litros) no Tempest, novo carro compacto (para os padrões americanos) a ser lançado em 1964. Dessa maneira surgiu o Pontiac GTO e a Pontiac se firmou como a divisão de performance da GM.

No início dos anos 70 a crise do petróleo acabou com a brincadeira e matou os muscle cars, ou pelo menos deixou eles no gelo para um retorno recente no início da década de 2000 com o Mustang, 300C SRT8, Charger SRT8, Magnum, Challenger, Camaro e o próprio GTO (australiano), que no ano passado virou G8.

Depois da pior besteira já feita pela Pontiac, o lançamento de um dos carros mais mal- aceitos da história, o Aztek, o Bob Lutz, um dos últimos car guys de Detroit bem que se esforçou para manter a Pontiac viável. Mas mesmo com o lançamento dos modelos Solstice, G6, G8 e o Vibe (um rebadge do Toyota Matrix, derivado do Corolla) não conseguiram segurar a marca.

Mais estranho é que em 2008 a GM vendeu nos EUA aproximadamente 267.000 Pontiacs, pouco menos que a soma dos 137.000 Buicks e 161.000 Cadillacs, sendo que essas duas continuarão na ativa. Está certo que a Cadillac também tem um carisma enorme. Só para informação, as outras marcas com morte já decretada ou que estão a venda são a Saturn que vendeu em 2008 188.000 unidades, a Hummer com 27.500 unidades e a Saab com míseras 21.000 unidades. Junto com a Buick e a Cadillac a GM manterá a Chevrolet que vendeu 1.790.000 unidades e a GMC que vendeu 361.000 unidades.

Dessa maneira, a GM fica com uma marca popular, a Chevrolet, uma marca de luxo e conforto, a Buick, uma marca premium, a Cadillac, e uma marca para uso comercial (trabalho), a GMC. Não sobrou espaço para uma marca com apelo esportivo!

Mas ainda existe uma esperança. Afinal, o que significa descontinuar uma marca? Assim como modelos já sepultados voltaram, a Pontiac também pode retornar algum dia. Quem sabe quando a GM decidir fazer carros elétricos, híbridos ou a célula a combustível com apelo esportivo. Aí o GTO, de Gran Turismo Omologato, se chamaria GTE, de "Gran Turismo Eletrificato"!!!! Mas para isso acontecer o plano da GM tem que dar certo.

Enquanto isso, ficam em nossas lembranças nomes como Tempest, LeMans, Firebird, Trans-Am, Bonneville, Grand Prix, Fiero, The Judge e GTO. Com certeza ainda falaremos muito desses modelos por aqui.

PK

7 comentários :

  1. Marlos Dantas27/04/2009 22:49

    Fiquei muito triste quando soube da descontinuação da Pontiac, apesar de nunca ter dirigido ou, ao menos, chegado perto de um carro da marca. O carisma dos antigos Pontiacs é suficiente para nos imaginarmos no lugar do motorista de qualquer história contada e isso é mais do que suficiente para se criar um vínculo, ainda que não se tenha uma experiência “real”, com o carro da marca. E eu apostava no Solstice...
    Talvez a Cadilac esteja numa posição “um pouco menos desconfortável”, mas ainda assim preocupante. Por outro lado a situação da Saab gera muito mais preocupação, pois uma marca como esta não pode meramente acabar. E sua história? E o seu pioneirismo em alguns aspectos? Infelizmente o que ocorreu com a Pontiac mostra que numa situação como a que Detroit está passando a história de uma marca não tem lugar...
    Espero, um dia, ver a Pontiac renascer das cinzas. Enquanto isso, o GTO e o “Pássaro de fogo” continuarão a habitar meus sonhos...

    ResponderExcluir
  2. Realmente foi uma tristeza muito grande ver a Pontiac acabar... assim como foi acompanhar o fim da Plymouth... mas são tempos difíceis em Detroit, e o que nos resta mesmo é torcer para que esses tempos passem logo!

    Um abraço!

    ResponderExcluir
  3. Carlos Galto28/04/2009 11:30

    Alguns amigos me perguntam por que a Pontiac e não a Buick?
    Só encontro a explicação da focalização da Buick no mercado chinês, onde até o nosso Corsa Classic e vendido como Buick Sail. Se alguém tiver acesso ao volume de vendas da marca por lá seria interessante mostrar aqui.

    Se não for esse o motivo, não tenho explicação para a Pontiac ir pro saco ao invês da Buick, Hummer ou Saturn. Cadillac ou Saab ainda se justificam.

    ResponderExcluir
  4. Clésio Luiz28/04/2009 18:42

    Eu acho que teríamos que o lucro que essas divisões davam pra GM. A Cadillac pode vender menos carros, mas por ser uma marca de luxo, com certeza seus modelos tinham margem de lucro maior que os Pontiac. E também é a única arma que a GM tem pra enfrentar os alemães no mercado de luxo.

    ResponderExcluir
  5. Eu quero é mais que a GM se lasque, pelo que ela anda oferecendo por aqui, estão tratando o Brasil pior do que a China. Quer ofececer carro mundial de baixo custo como a Nissan? Tudo bem. Agora, Vectra por um pseudo Astra? É um fim da pecada.

    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Uma notícia triste, certamente. Porém, as marcas americanas (umas mais, outras menos) já estão no processo de "morte lenta" há tempos.

    Na minha opinião, o grande momento da indústria automobilística americana se deu nos anos 50 e 60.

    A partir daí, foram marcas com grande apelo, mas sem grandes produtos; ou mesmo o contrário, interessantes opções encravadas em divisões totalmente apagadas e sem identidade.

    Assim, por exemplo, ficaram pelo caminho Imperial, DeSoto, Oldsmobile, Plymouth...

    Acho que o problema principal não está na pluralidade de marcas, mas na (falta de) habilidade em criar e manter personalidade para cada uma delas. E consequentemente para seus produtos.

    Sds,

    Der Wolff

    ResponderExcluir

Pedimos desculpas mas os comentários deste site estão desativados.
Por favor consulte www.autoentusiastas.com.br ou clique na aba contato da barra superior deste site.
Atenciosamente,
Autoentusiastas.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.