google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 OS ECOS DO PASSADO E O SOM DO FUTURO - AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

OS ECOS DO PASSADO E O SOM DO FUTURO

Autor do post: Arnaldo Keller

Outro dia fui colocar um som no Corcel 77.

Eu tinha guardado no armário um rádio/toca-fitas Aiko da mesma época do carro, então, era esse pra combinar e relembrar de quando este mesmo rádio tocava no meu Fuscão 74 que eu tirara zero-km.

E lá fui eu à oficina de som.

Lá chegando, os instaladores deram uma torcida de nariz e me questionaram porque raios eu ia botar aquela tranqueira que só dava problemas, tinha som meio ruim e etc. e tal, enquanto que por 200 reais eu poderia colocar um rádio novinho, com um baita som e que tinha uma entrada USB. Com essa entrada eu poderia engatar meu pen-drive cheio de músicas que minha filha grava pra mim e usufruir de todas as facilidades que essa tecnologia permite, e eu nunca teria problemas.

Pensei, “Pombas! Até que não é caro esse rádio aí. Até que os caras têm razão.” É claro que eles tinham razão!, só que o Corcel é um caso específico, romântico, e botei aquela porcaria de Aiko velho mesmo.

E aí passei a comparar meu Aiko aos automóveis. O Aiko seria o paralelo dos carros a combustão e o rádio-pen-drive seria os carros elétricos que estão chegando. O Aiko, em 1974, custou caro. Foi uma grana.

E o safado de vez em quando engolia as fitas e eu, prevenido, já levava uma caneta Bic no portaluvas para reenrolá-las. E toca a tirar o cassete do rádio com um tremendo cuidado pra não rasgar a fita, e toca a sair um monte de fita mascada lá de dentro e toca a ficar fulo da vida porque a melhor parte da música, aquele solo bom de guitarra, ficara engruvinhado num rrulump, rrulump, e toca a ficar chateado com isso. E depois era aquela fita comprida esvoaçando pelo carro, minhas pernas segurando o volante, uma mão na caixinha cassete e outra na caneta, era mão que largava a caneta pra trocar as marchas, e toca a enrolar direitinho a fita para ela não virar de costas pra cabeça de leitura do som, e toca a exercer uma técnica exata em meio ao caos do trânsito. Em suma, era aquele rolo.

E daí era ter um araminho com algodãozinho enrolado na ponta, este devidamente untado com álcool ou acetona que pegara na gaveta dos utensílios de beleza da mamãe, e abrir a gavetinha do toca-fitas e limpar aquela cabeça imunda que lia a fita. E uns diziam que álcool não podia e outros que acetona não podia, e eu nem aí; que se danasse essa joça, que aguentasse.

E daí o filho-da-mãe do toca-fitas começava a patinar, e toca a levá-lo para o conserto pro camarada trocar uma correinha encardida que tinha afrouxado, uma catraquinha que perdera os dentes, uma molinha que ficara mole e etc., etc. e tal.

E para gravarmos as músicas! Uma trabalheira de horas, um equipamento bom e caro em casa, técnicas e mais técnicas para gravar a música entrando na hora certa, sem que a fita começasse com o som da agulha... rrriip, rrriip... na parte não gravada do LP.

E para achar justo a música que queríamos no momento? Era um exercício de noção de timing, calculando o quanto aquela fita estava correndo no Fast Foward ou Rewind.

Era um tal de ir apertando botão pra cá e outro botão pra lá a caminho da casa da namorada, para que quando saíssemos com o carro, com a namoradinha sentadinha ao lado, logo a fita começasse com aquela música que ela gostava tanto, já pra ir amolecendo o coração da gatinha.
Com o rádio-pen-drive fica tudo infinitamente mais fácil, confiável e barato. Ou não?

Daí que prevejo que em breve o mesmo acontecerá com os automóveis. Com a entrada dos elétricos puros -- nada de híbridos, que é só uma etapa complicada e passageira -- eles baratearão, nos darão menos problemas (os a combustão já dão poucos problemas em relação ao passado, convenhamos) terão um custo de manutenção comparativamente bem menor, etc., etc.
Portanto, a conclusão é que será uma revolução como foi a que Henry Ford fez ao lançar o seu Ford T. Era barato, simples de manejar e confiável, e isso popularizou o automóvel, que antes dele era um capricho de ricos.

E então? Onde é que poremos mais essa tantada de carros que estarão ao alcance de mais tanta gente? Carros ainda mais baratos, mais fáceis de dirigirmos, mais confiáveis e duradouros?
Sei lá. Me diga você.

É por isso que estou perguntando, uai.

Nota do PK:

Existe no mercado um pen drive que vem numa embalagem no formato de uma fita cassete antiga. Realmente era muito legal passar algumas horas fazendo gravações caprichadas com a melhor seleção da época escrevendo o nome das músicas a mão na capinha para depois presentear a namorada ou o melhor amigo.

Saiba mais:
MIXTAPE

14 comentários :

  1. Grande AK

    E lá se vão 10 anos do meu último toca-fitas, um Sony japonês muito, mas muito bom!

    Isso foi em 1999. Já tinha CD-Player a rodo, o problema é que o carro era uma Toyota Bandeirante, suspensão duríssima.

    O toca-fitas era a única maneira de se ouvir Led Zeppelin sem faixas pulando.

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  2. Clésio Luiz03/04/2009 20:32

    Eu ainda tenho um toca fitas. Não por prazer, mas por necessidade. Meu carro dorme do lado de fora e eu não tenho como garantir que um CD-player ou um desses Radio-USB continuem no painel do carro. A saída foi colocar um toca-fitas velho e feio com entrada frontal P-2 fêmea, aquelas para plugar um discman (eita, outra coisa que se foi...). Nessa entrada eu uso um MP3 player. Comprei ele usado por exorbitantes 30 reais :-)

    Eu ainda acho que um dia vou chegar no meu carro e vou encontrar um cd-player instalado no painel e uma mensagem do ladrão: "toma aí perrapado. Isso é pra ter algo pra eu robar da próxima vez".

    Gravar músicas em K-7 era legal, você fugia um pouco do que tocava no rádio. Eram coisas trabalhosas mas que eu gostava de fazer.

    Hoje em dia a gente mal pode falar em baixar músicas que lá vem a turma do caça-niqueis nos chamar de ladrões e piratas. Antigamente eu não lembro de ninguém protestando porque o povo gravava as músicas do rádio ou LPs.

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  3. O seu radio Aiko é tal qual uma Ferrari...


    Caro, e cheio de defeitos, mas desejado...

    Mas quando tudo da certo...

    Porem pra mim tem de ser Porsche...

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  4. Sinceramente, Arnaldo, acho que o automóvel do jeito que gostamos, tem que ter som de motor e cambio manual. No meu conceito de carro,tem obrigatoriamente motor a explosão . Acho os elétricos duma "sem-graceza" total. É a vitória da indústria que nos empurrará a necessidade de um novo produto quando o anterior ainda é viável.É a cerveja sem-alcool dos carros. É o restaurante vegetariano dos carros. É a piada chata mas politicamente correta. Sei não. Provavelmente estou errado, mas ainda me emociono com o ronco de um motor bem feito, mesmo que isso jogue alguns poluentes no ar. E ainda não andei num automático que me agradesse. Ainda gosto da minha ultrapassada embreagem.

    Abraço!

    Lucas

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  5. nossa! ta muito bonito esse Corcel, incrivel como os carros antigos depois de um tempo deixam de ser carro velho pra serem raridade, faz muito tempo que não vejo um Corcel, e com essa aquecida que o mercado de automoveis teve, ajudou a mandar os últimos sobreviventes para o ferro-velho
    parabens pelo carro, e pelo toca-fitas tambem hehehe

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  6. O meu Corcel 75 tinha um belo Sony TC-26, com cornetas Arlen, hehehehe
    Era muito bom, e o melhor ainda era andar com aquele belo carro no final dos anos 70.

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  7. Acredito que ainda venda na Santa Ifigênia um cassete adaptador no qual vc pluga o MP3 pela saída do fone mesmo. Outra solução é comprar um mp3 com transmissor de FM, mas o aparelho tem que ser de boa qualidade (procure um de marca Onda, meio difícil de achar aqui, modelo 777LE, com tela de 3 polegadas). Pelo menos você fica livre das fitas enroscando no toca fitas. E sim, continua divertido ouvir mp3 com barulho de riscado quando se sabe que a música vem de um EP de 7 polegadas de 77, 79, 82...

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  8. Antonio Martins04/04/2009 15:56

    Com a onda de quebrar vidros e entortar portas estou quase voltando para um rádio da idade da pedra, já que não ligo para MP3, CD etc. Ver seu carro zero todo destruído por causa duma porcaria de um rádio, era melhor que levassem o carro.

    De agora em diante só aparelhos originais, mas daqueles integrados ao painel, como nos Fiats.

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  9. Olá amigo Arnaldo ! legal ! fico show ! rsrs

    Abração ! Fernando Gennaro

    PS: Gostei do Corcel

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  10. essa foto do corcel é la na loja ! legal...rsrsrs

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  11. Arnaldo Keller04/04/2009 20:33

    Obrigado, obrigado! Obrigado pelos elogios ao meu valente Corcel.
    Bom, o Lucas acha que o carro elétrico será maçante e eu acho também. Claro que eu gosto dum motorzão e hoje mesmo o Bob Sharp e eu fomos dar uma bela volta numa boa réplica de GT40. Pegamos a Imigrantes e fomos com ele até o retorno no topo da serra. Nada como um motorzaço a combustão urrando cheio de saúde e as marchas sendo trocadas na cadência certa de mestre. Mas, caramba! Nesta cidade de SP tanto faz se é a combustão ou elétrico que no trânsito pesado dá na mesma, e pra isso o elétrico creio que seja até melhor pra todo mundo, pra quem está dentro e pra quem está fora do carro.
    Carro elétrico na cidade durante a semana e um bom esportivo a gasolina nos fins de semana. Pra mim, esse seria o esquema ideal.
    O carro elétrico é a mula e o a gasolina é o cavalão fogoso.

    Arnaldo

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  12. é só que ai saem os motoristas de fim de semana acelerando seus motores fortes, e se não acabarem provocando acidentes e mortes no transito, vao encher os bolsos (ou cuecas) dos politicos de dinheiro

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  13. continuando... enchendo as cuecas dos politicos com dinheiro graças as multas de transito

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  14. Marlos Dantas04/04/2009 23:40

    Não ligo muito pra som, só uso mesmo quando estou limpando o carro (que a turma da "caixa selada" não me ouça). Prefiro o som do motor...
    Tenho um CD playerzinho que já veio no carro, juntamente com um jogo de bons alto-falantes, mas eu queria mesmo encontrar o toca-fitas original... Seria muito legal ouvir os CDs do Elvis Presley nas fitinhas K-7.

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