O CARRO A ÁLCOOL

Folder do carro a álcool, treinamento de serviço Ford (acervo particular do autor)


Minha intenção neste post é relatar fatos interessantes que aconteceram durante os programas de desenvolvimento do carro a álcool  na engenharia da Ford do Brasil. Quero explicar ao leitor que o nome correto do álcool usado como combustível no Brasil é álcool etílico hidratado carburante, mas por questão de simplificação será chamado simplesmente de álcool em todo o post. Como leitor do AUTOentusiastas que sou faz tempo, sei que o blog não utiliza a denominação etanol.

Alguns dados históricos:

- 1916, clarividência de Henry Ford, "O álcool é  mais limpo e melhor combustível para automóveis que a gasolina e acredito que será o combustível do futuro para os motores de combustão interna"

- 1973, acontece a primeira crise do petróleo. A Opep decide cortar as exportações do ouro negro para os países da Europa e para os Estados Unidos. Com isso o preço do barril dispara, assustando o mundo todo.

- 1975, ano de criação do Proálcool com o objetivo de diminuir nossa dependência do petróleo internacional.

- 1977, decisão de adicionar 12% de álcool anidro à gasolina

- 1979, revolução iraniana, gerando a segunda grande crise mundial com o preço do barril de petróleo disparando ainda mais.

- 1979, nasce o primeiro carro a álcool produzido no Brasil, o Fiat 147.

Primeiro carro a álcool, o Fiat 147 (Foto globo.com)

- 1979/1980, iniciada a produção do Corcel II 1.6 CHT e do Landau V8-302 movidos a álcool.

Corcel II a álcool (foto revista Quatro Rodas)

A Ford sabiamente facilitou as vendas dos carros a frotistas e entidades governamentais com amplas vantagens de preço e garantia de manutenção. Isto ajudou a resolver os possíveis problemas emergentes de campo de uma maneira mais rápida e eficiente (early warning from field & just in time feed back).

- 1986, mais de 90% dos carros novos produzidos no Brasil eram movidos a álcool.

- Década de 1990, o álcool perde credibilidade como combustível devido ao seu alto custo de produção, tornando-se desvantajoso em preço em relação à gasolina, além de inibir novos investimentos por parte dos usineiros da cana de açúcar. Durante os anos 1990 a produção de carros movidos a álcool caiu praticamente a zero.

-  2003, primeiro carro flexível em combustível produzido no Brasil, o VW Gol 1,6 Total Flex.

Funcionando tanto com álcool como gasolina, puros e em qualquer proporção, os carros flex foram um sucesso imediato, dando novo fôlego ao mercado para o ajuste dos preços dos combustíveis.

O desenvolvimento dos motores a álcool

Três fatos relevantes deram muito trabalho à nossa engenharia Ford do Brasil:

- A formação de goma no cabeçote do motor ao redor das válvulas.
- A dificuldade de partida a frio do motor
- A dirigibilidade do carro na fase fria do motor

O álcool combustível é o hidratado, com eu disse no começo, tendo 7% de água em sua composição. É também higroscópico, ou seja, o álcool absorve água avidamente.

O óleo lubrificante do motor, em contato com os vapores do álcool, formava a famigerada goma leitosa de cor branca, principalmente no cabeçote do motor. Os carros que faziam percursos curtos sem que a temperatura normal de funcionamento do motor fosse atingida tinham este  problema, agravado com a goma chegando a emperrar as válvulas, gerando sérios danos.

Trabalhos conjuntos foram feitos inclusive com o auxilio do CTA (Centro Técnico da Aeronáutica) para o desenvolvimento de aditivos tanto para o etanol quanto para o óleo lubrificante do motor, que inibisse a formação de goma.

Na realidade, o que mais ajudou no curto prazo foi o aumento da temperatura de funcionamento do motor através da recalibração da válvula termostática do sistema de arrefecimento. Com isso o cabeçote aquecia mais rapidamente, minimizando o problema.

Outra ação  foi melhorar a ventilação positiva do cárter, evitando que os vapores de álcool entrassem em contacto com o óleo lubrificante do motor.

Devido ao alto calor latente de vaporização do álcool, ficava muito difícil acertar a mistura estequiométrica (relação ar-combustível ideal) para que o motor funcionasse a temperaturas ambiente abaixo dos 20 °C. Não teve jeito, foi necessário o desenvolvimento do reservatório de gasolina para ser injetada no no carburador/coletor de admissão quando a temperatura ambiente estivesse abaixo de 20 °C.

Não fazia sentido para a nossa engenharia um motor movido a álcool ter necessidade de um auxílio de injeção de gasolina para a partida. Prova disso é que desenvolvemos no final de 1980 um sistema fechado que aquecia o álcool, injetando vapores superaquecidos nos dutos de admissão no cabeçote, e que para a nossa alegria funcionou! Para comemorar, fizemos até uma festa em um restaurante próximo ao Centro de Pesquisas da Ford em SBC. Conseguimos um sistema que eliminaria o reservatório (e a injeção) de gasolina!

Esquema do sistema de partida a frio assinado por mim (acervo particular do autor)
                            
Por que este sistema não foi desenvolvido para entrar em produção, não sei responder. Custos, talvez.

O que eu sei, e com muito orgulho, é que nos idos de 1980, ainda na época dos carburadores, a engenharia da Ford no Brasil já tinha tecnologia para a eliminação do sistema auxiliar de partida a frio por injeção de gasolina.

Outro desafio foi conseguir uma boa dirigibilidade do carro com o motor ainda na fase fria. Muitas propostas foram feitas, como aquecer o coletor de admissão com a circulação de gases quentes do escapamento e também aquecendo o coletor de admissão na base do carburador com resistência elétrica.

Em adição aquecíamos também o ar de admissão através de um sistema que captava ar quente ao redor do coletor de escapamento. Enfim, não foi fácil conseguirmos uma boa dirigibilidade para os nossos carros.

Na realidade, o Corcel II acabou se tornando referência pelo seu funcionamento confiável, baixo consumo de álcool e seu bom desempenho — era bem torcudo em baixas rotações, o que agradava em cheio os consumidores.

Além disso, o Corcel II era o único carro que tinha sistema automático de partida a frio, enquanto que nos outros carros a bomba de injeção de gasolina do reservatório tinha que ser acionada manualmente.

Com o advento dos motores com injeção eletrônica ficou muito mais fácil a otimização do sistema de partida e dirigibilidade a frio. O gerenciamento eletrônico era mapeado para atender à maioria das condições de funcionamento do motor, como carga, temperatura e limites de detonação, mantendo o sistema dentro dos limites ideais de estequiometria da mistura ar-combustível e de avanço de ignição.

Injeção eletrônica para o motor CHT a álcool

Focando em injeção eletrônica, a engenharia da Ford no Brasil, em 1985/1986, já tinha pronto o projeto de injeção de combustível para o motor CHT movido a álcool!



Escort XR3 com o motor 1,6-litro a álcool com injeção eletrônica (fotos do acervo particular do autor)

Só que demoramos tanto para implementar este projeto que ele nunca chegou a entrar em produção. Coisas da indústria automobilística!

Tanto que o primeiro veículo com injeção multiponto a entrar em produção no Brasil não foi um Ford e sim um Volkswagen, o icônico Gol GTi lançado em 1989, embora fosse só a gasolina.


VW Gol GTi, 1989 (foto revista Quatro Rodas)

Até o próximo post!


CM

91 comentários :

  1. Fiquei maravilhado com aquele dispositivo de aquecimento do álcool, algo que apesar de simples, genial. E isso em 1986! E é realmente uma pena que não tenham conseguido colocar em produção, junto com a injeção eletrônica. Pode até parecer bobagem, mas é justamente devido coisas assim que me sinto feliz em saber que, no Brasil temos profissionais competentes com alta capacidade de inovação, porém ao mesmo triste devido o fato de muitas vezes questões gerenciais e contábeis (principalmente) falarem mais alto e abafarem o que podemos fazer de melhor. O CHT seria um motor ainda melhor do que já era.

    Dúvida: Você tem os dados desse CHT com injeção? Houve melhoras em potencia máxima, faixa de torque e consumo de combustível?

    Esse post foi um dos melhores do mês, mostrando que realmente foi uma aquisição valiosa para o Ae. Cada post melhor que o outro!

    Parabéns pelo sucesso, pois ver um simples sistema de aquecimento de combustível sendo tratado como "tecnologia do momento" e ter ciência de que você e sua equipe desenvolveu um desses a mais de uma década atrás, deve dar uma satisfação imensa.

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    1. Obrigado renato Mendes,

      É por isso que continuo sentindo orgulho da engenharia brasileira

      Abraço

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    2. Endosso as suas palavras, Renato! Parabéns, Carlos Meccia e demais engenheiros da Ford! Quanto talento desperdiçado pela turma contábil/financeira, entusiastas de números, mas anti-autoentusiastas e com visão de futuro completamente míope.
      Mais de 30 anos depois, sistemas de partida a frio sem o tanquinho de gasolina são propagandeados como modernidade...
      Meccia, estamos à espera dos dados do CHT injetado a álcool. Além dos dados de potência e torque, vocês chegaram a testar o desempenho desse XR-3 com injeção?
      Antônio do Sul

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  2. Meccia
    Cada vez mais geniais seus textos
    Muito legal saber por quem participou dos projetos
    Voce ja e o queridinho doa leitores!
    He he he

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  3. CM; muito bacana o seu post de hoje!

    Lembro-me do meu avô sempre dizer que Ford no álcool é que era bom pra valer. Ele, nessa época, teve uma Belina 1982 e sempre comentava que além de tudo, o carro funcionava bem mesmo no frio.

    Dessa época tive uma Marajó 1986 que era simplesmente um desastre no álcool. Mesmo no verão escaldante não podia faltar gasolina no reservatorio e isso sem falar que a dirigibilidade era péssima na fase fria. E para dar a partida, só o dono: O risco de afogamento era grande.

    Outra coisa que eu me lembro desse tempo era o pessoal elogiar o funcionamento e a economia do Gol a ar movido a álcool (quando bem regulado, entenda-se) e criticar o Fusca, que no álcool funciona mal e gasta demais. Muitos anos que eu vim a descobrir o porquê: O Gol a ar usava cabeçote de entrada simples (no álcool) com coletor de admissão aquecido pelos gases de escape.

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  4. Acho o desenvolvimento do motor a etanol válido, o que acho incorreto é querer a comodidade de usar gasolina e álcool no mesmo motor, todos os caminhos que vejo no desenvolvimento do motor flex se resumem a burrice, sinto uma felicidade em saber que engenheiros brasileiros criaram o sistema de injeção a álcool pré vaporizado e ao mesmo tempo sinto vergonha de ser brasileiro ao ver o que temos hoje em termos de combustível e motores a combustão. Acho que estamos atrasados porque queremos.

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  5. Olha vocês desenvolveram coisas bem legais. Lendo sua reportagem vejo a miopia da ford com seus bons profissionais, a ford poderia ter tido uma historia mais digna nestes anos . E achei fantásticos o cht multiponto, além dos sistemas de aquecimento que até hoje não é usado

    Parabéns pelos desenvolvimentos que fizeram

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    1. Leister,
      Hoje há sistemas de aquecimento que substituem os tanquinhos. Uma série de montadoras já usa. A Ford tem no Novo Fiesta, Novo Focus e Novo Ka.

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  6. Grande engenharia da Ford ,sempre os melhores acabamentos,soluçôes sensatas,curioso que tenho amigo que possui um corcel ll a alcool e um Ecosport Flex e o corcel ganha em consumo por 2km /l em qqer condição de uso carregado ou não cidade estrada !!!!
    Cheguei a ver na rua Piratininga sucata desses motores CHT com injeção ,era a analógica da Bosh, que depois veio a equipar os carros da VW,Fiat alguns GM e Ford.

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    1. totiy,

      Realmente a Ford sempre esteve presente em novas tecnologias.....o problema no meu ponto de vista foi a demora na implementação dos projetos

      Obrigado

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  7. Antes de qualquer outra coisa: que lindo este Corcel II LDO, he, he! Sobre o álcool: peguei bronca deste combustível justamente por conta de um Ford, a Pampa GL do meu avô. A gente morava no interior de São Paulo, e no inverno, fazia um frio respeitável. Se a picapinha dormisse ao relento, no dia seguinte cedo, era um inferno para fazer pegar. A Caravan (gasolina) era bater a chave, ligava. Acho que sou até hoje fã incondicional da velha e boa gasolina, por conta disso. A tecnologia evoluiu, alguns carros não contam nem mais com o famigerado tanquinho, mas o fato é que mesmo tendo um carro que pode usar os dois combustíveis, nunca coloquei álcool, exceto claro, aquele que já vem na nossa maldita álcoolina.

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  8. Carlos,

    Essas fotos do CHT "injetado" são para fazer um AUTOentusiasta chorar...

    Como ficaram desempenho e consumo do carro com injeção, em relação ao carburado? E porquê a direção da Ford não lançou isso???

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    1. Um dado relevante a época ,existia uma reserva para produtos de informatica ,a famigerada lei de informatica que atrasou de forma consideravel a informatização do nosso país,só depois da queda dessa lei é que pudemos conviver com computadores e sistemas de informatica atualizados era bastante comum encontrarmos computadorres Machintosh contrabandeados pelos mais informados e abastados

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  9. Isso mostra que os engenheiros conseguiam resultados ótimos mas a Ford demorava ou nem aplicava em produção.
    É só comparar o que tem disponível na Ford mundial e na Ford nacional aos consumidores. Ou seja, a Ford continua assim até hoje.

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  10. Carlos,
    Parabéns pelo Post, e pelo Brilhante trabalho na engenharia da Ford; lembro - me que na década de 80, os dois melhores carros de casa eram Corcel II LDO 1.6 5 MARCHAS e um Passat TS.

    Abraço,

    Marco Antônio

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    1. Marco Antonio, obrigado e um grande abraço

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  11. A injeção eletrônica era multiponto já! Quantos CVs esse Escort XR3 tinha?

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  12. Engº. Carlos, esse CHT com injeção é uma verdadeira jóia! Que beleza de montagem. Nem dá para acreditar que é um protótipo. Pena que não vingou...
    Como sempre, fotos inéditas e maravilhosas. A minha pasta com suas memórias Ford já está virando um livro!!
    Grande abraço.

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  13. Ótimo post. Considero a Ford uma das responsáveis pelo sucesso do carro a álcool no Brasil. Aquele simpático emblema das gotinhas cravado na carroceria era motivo de destaque e status.

    E que bom poder ter relatos tão ricos de quem participou da construção desse sucesso. Por outro lado, dificilmente saberíamos de tantas soluções geniais que ficaram pelo caminho, por motivos alheios à engenharia, se não fosse pela participação do Carlos Meccia em Ae. A equipe está fantástica. Em cada assinatura de post um perfil diferente, mas, sempre a mesma excelência.

    Dentro do assunto Automobilismo, acredito que não deve haver outra publicação com tanta abrangência, profundidade e sintonia com o leitor. Alimento a expectativa de ver a publicação de um livro assinado pelos autores de Ae.

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    1. Anônimo,

      Realmente os carros a álcool da Ford eram bons em relação a competição na época

      Continue prestigiando o AUTOentusiastas

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  14. Existe uma matéria que mostra o Opala 81 a álcool rodando no Alabama (EUA), essa matéria é facilmente encontrada no Google sob o título "Alcohol Powered Imported Brazilian Cars - Believe it or not, factory-built Brazilian cars that run on renewable alcohol fuel are available now". Nela se fala que um grupo empresarial do Alabama teria levado mil automóveis brasileiros movidos a álcool para os EUA em 1981. Achei interessante, pois foi a única referência que eu encontrei sobre o Opala exportado para os EUA, ao fazer uma pesquisa específica sobre Opala, e como o tema aqui é álcool, achei oportuno compartilhar essa curiosidade inusitada.

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  15. Carlos faço minha as palavras do Renato Mendes Afonso "Você tem os dados desse CHT com injeção?". Essa letargia da Ford brasileira é deprimente, um viva a Ford argentina.Parabéns pelo post e pelo sistema de aquecimento do combustível.

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  16. O CHT com injeção eletrônica não foi adiante por causa da maldita Lei da Informática!
    País atrasado é isso aí mesmo.

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    1. Lorenzo Frigerio21/06/14 23:12

      Não tem nada a ver, as primeiras injeções eletrônicas eram só isso, eletrônicas, e não digitais.

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  17. Caramba... estava lendo com tudo... e acabou... queremos mais...
    Parabéns Carlos. Escreva um livro com essas estórias. Deixe um reservado prá mim.

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  18. Segundo a prestigiada Motor 3, os melhores carros à alcool eram da Ford....da minha parte, é difícil esquecer o perfume do alcool que só a linha Ford emitia em seus Corcéis (lembranças de infância).

    MFF

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  19. O primeiro carro a álcool produzido no Brasil foi um Dodge 1800 pela engenharia da Chrysler do Brasil.

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    1. Filipe Pinhati
      Nunca. Pode ter sido o terceiro, porque o segundo foi o Passat, isso produção em série. Ou você está falando de experimentos?

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    2. Bob, segundo consegui apurar, os primeiros foram o Dodge 1800, um Fusca 1300, e um Gurgel Xavante, mas ainda em fase de testes. Percorreram 8.500Km por nove estados, saindo do Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos, na chamada Caravana Pró-Álcool, criada para demonstrar a viabilidade deste combustível. Este Dodge ainda existe, e está no Museu Aeroespacial Brasileiro, na mesma cidade.
      Fonte: Blog do Dodge Polara (http://dodgepolara1800.blogspot.com.br/2010/03/o-1-carro-alcool-verdade.html)

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    3. Já tinha lido algo sobre uma parceria Chrysler/FEI para desenvolver um carro à álcool operacional antes do 147. Mas, se esse tipo de estudo valer, o primeiro Flex brasileiro passa a ser o Fiesta, que foi apresentado antes do Gol chegar às concessionárias.

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    4. Então seguindo essa lógica dos comentários acima, o primeiro carro com injeção eletrônica no Brasil foi o Escort e não o Gol GTi né?!

      Abração
      Márcio Santos

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    5. Transcrevo um antigo texto do Roberto Nasser, colaborador do AE:

      "E o álcool combustível, quem diria, começou com Henry Ford"

      O uso do álcool como combustível, tão saudado pelos resultados econômicos nos países que podem produzí-lo, e solução barata à redução das emissões poluentes, atual caminho mundial, não começou no final da década de ´70. Foi antes. Década de '20, com incentivo pessoal de Henry Ford. Já o homem mais rico do mundo, apresentador da mobilidade ao homem, Ford era prático e vislumbrava o uso de produtos agrícolas nos automóveis, da construção ao combustível. Um deles, o álcool etílico.
      As pesquisas se materializaram na produção de série de Modelos T adequados a utilizá-lo, por nova regulagem no carburador, aquecido pelo calor do escapamento, através de um defletor dito Vaporizador. O funcionamento é uma curiosidade, pois o álcool é mais resistente à queima que a gasolina, exigindo elevadas taxas de compressão nos motores, como hoje empregadas, a partir de 11:1. A razão de compressão do T era simplória: 3,4:1. No Brasil, em seguida, houve experiências pelo engenheiro Souza Mattos, em raids Rio - São Paulo - Petrópolis - naquele tempo sem estrada, viagens eram verdadeiros desafios - com um Modelo T de '25. Houve bombas de álcool, especialmente nas regiões de grande produção alcooleira, como Pernambuco.


      Transcrevo também um texto da Classic Magazine:

      Um Ford empoeirado de quatro cilindros com faixas toscas amarradas na lateral, dirigido por um motorista de capuz, óculos de proteção e guarda-pó, é o carro mais antigo de que se tem notícia a rodar com álcool no Brasil.

      Em agosto de 1925 o Ford percorreu 230 km em uma corrida no Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, na primeira prova automobilística realizada pelo Automóvel Clube do Brasil. O consumo foi de 5 km/l. No mesmo ano, o carro fez os percursos Rio-São Paulo, Rio-Barra do Piraí e Rio-Petrópolis.

      O combustível era álcool etílico hidratado 70% (com 30% de água). "Era quase aguardente", diz o químico Abraão Iachan, assessor da diretoria do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). A cachaça tem entre 38% e 54% de álcool na sua composição.

      As primeiras experiências com esse carro ocorreram na Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (EECM), organismo governamental de pesquisa que se transformou no INT, em 1933. A motivação da época não era muito diferente da de hoje.

      O presidente da época, Epitácio Pessoa (1919-1922), já reclamava em 1922 da "colossal importação de gasolina no Brasil", aludia ao "uso do álcool em seu lugar" e previa o "amparo que a solução prestaria à indústria canavieira". O governo seguinte, de Arthur Bernardes (1922-1926), encomendou à EECM um projeto de desenvolvimento de motores a álcool, que pudesse também servir de base para legislação sobre o assunto.

      O diretor e um dos criadores da EECM, o engenheiro geógrafo e civil Ernesto Lopes da Fonseca Costa, era um entusiasta do projeto. A coordenação dos trabalhos foi do engenheiro Heraldo de Souza Mattos, dublê de pesquisador e piloto de testes do velho Ford, obtido por empréstimo.

      "Essas experiências tiveram por objetivo elucidar, entre outros, os seguintes pontos ainda mal conhecidos naquela época: causas prováveis das corrosões freqüentemente observadas nas diversas peças do motor alimentado com álcool; condições indispensáveis à perfeita carburação dos carburantes alcoólicos; consumo específico e fatores interferentes no rendimento térmico do motor", escreveu Fonseca Costa no prefácio do livro “Álcool motor e motores a explosão”, de Eduardo Sabino de Oliveira (Instituto do Açúcar e do Álcool, 1942).

      A prioridade da EECM era como tornar viável a mistura do álcool com a gasolina importada e não substituir inteiramente um combustível pelo outro. Essa mistura passou a ocorrer obrigatoriamente na década de 1930, com várias leis municipais, estaduais e federais que estabeleciam a adição de 5% a 10% de álcool à gasolina.

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  20. O álcool ser ou não uma boa idéia como combustível para veículos é algo que divide opiniões e ainda vejo muitos que uso como referência ainda terem opiniões bem distintas.

    Mas para mim é realmente muito puro, uma das características para mim já revelam certa superioridade, é só olhar as condições do óleo após o uso. Sem falar em emissões menores também. Por outro lado, essas dificuldades no funcionamento até atingir a temperatura ideal e também no uso em trajetos curtos é algo improdutivo e que afeta o uso e até vida útil, resumindo, creio ser um bom combustível para frotas e motores estacionários.

    Um problema é o álcool concorrer com o açúcar na produção, e como dizia uma das fontes que respeito muito, de que terra deveria ser usada para cultivar o combustível para os humanos...

    Uma solução interessante é não usar puramente, mas no caso do E85 esse pequeno percentual da gasolina ajuda muito no funcionamento a frio e no consumo, é exatamente o contrário do álcool embutido na gasolina em um motor não feito para isso, ou mesmo os flex. Me parece que estamos indo no caminho contrário das soluções mais lógicas.

    Muito interessante o motor CHT com injeção eletrônica, é uma das coisas que sentimos falta sem termos nem sentido o gosto, e que a diretoria da Ford simplesmente entregou de bandeja. Como quem gosta de Ford, creio que tenhamos outros casos de nos perguntarmos do porque ela não ter disponibilizado algo, e não era um problema técnico...

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    1. Em 92, surgiram os primeiros sistemas de injeção eletrônica p/ motores a álcool. Muito do conhecimento da Bosch p/ produzi-los deve ter sido obtido a partir do desenvolvimento, em conjunto com a Ford, do sistema de injeção p/ o CHT a álcool.
      Interessante notar que esse protótipo com o CHT a álcool injetado ficou pronto em 85/86, um pouco antes da formação da Autolatina...e depois esse projeto foi engavetado...
      Antônio do Sul

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    2. fcm,
      Me permita somente uma observação:
      Eu acredito que a referência de sua comparação seja a nossa antiga gasolina, com cerca de 1000 ppm de enxofre.
      Os compostos de enxofre, principais responsáveis pelas emissões nocivas e contaminação do óleo do motor, já foram praticamente eliminados da nova gasolina.
      Toda a nossa gasolina agora é UBTS (ultra baixo teor de enxofre), com o máximo de 50 ppm. Quem já usava a Pódium, que tem no máximo 30 ppm,
      já pode constatar a enorme diferença que isso da na contaminação do óleo.

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    3. Antônio, é verdade, e como no outro post, a decisão pelo CHT em vez do CVH teve algumas razões, inclusive CVH Turbo poderia ficar num nível acima do que foi mais tarde possível com a AL com o motor AP. Opção por opção, a Ford acabou por baixo, quem sabe o que seria com este sistema de injeção eletrônica. No fim das contas, se a Ford tivesse apostado mais nas próprias fichas, eu acredito que teria tido muitos resultados para confrontar a VW ao invés de se juntar a ela.

      Sergio S. obrigado, sua colocação é toda verdade e hoje o padrão certamente melhorou bastante, e o enxofre era um contribuidor em peso. Ainda assim ainda deve haver uma boa diferença entre os dois em CO2, porque independente do enxofre ele é produto da queima mesmo, não tem por onde correr.

      Abraços

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  21. Carlos,

    Pra variar, parabéns pelo post.

    Tive um Voyage 90 com motor CHT a álcool e lembro que ele sempre pegava de primeira pela manhã, mesmo no frio e sem usar a gasolina do tanquinho (nunca lembrei de abastecer...).

    Pergunta: o que precisou ser mudado no 302 para ele rodar com álcool? O motor já era importado pronto ou era modificado aqui?

    Abraços!

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    1. Lorenzo Frigerio21/06/14 23:35

      O 302 a álcool foi um retrocesso. Os motores a gasolina usavam o carburador Motorcraft F2, que era importado, muito bom, tanto que é frequentemente adaptado no bloco Y. Para o motor a álcool, tiveram de lançar mão de um carburador fabricado no Brasil, o velho DFV 444, justo aquele do bloco Y, devido à possibilidade da niquelação. Já tive um LTD 1981 a álcool, e a carburação não ajudava.
      Em relação aos pistões, só o Meccia pode responder, mas imagino que já viesse pronto.

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    2. Salvo engano, o 302 era desmontado ao chegar ao Brasil, tendo seus pistões substituídos por nacionais. O objetivo era diminuir a taxa de compressão para adequá-lo à nossa gasolina de menor octanagem à época.
      Para funcionar com álcool o motor era mantido original, somente com substituição do carburador e ajustes de ponto e curva de avanço.
      Quando novo seu comportamento era semelhante ao a gasolina, a meu ver insuficiente para o carro.
      AAM

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  22. Babei nesse xr3i
    Também estou a espera dos dados e maiores detalhes

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  23. Parece que nossa indústria automobilística era mais independente, mais "nacional" do que hoje. Nos dias atuais apenas reproduzimos aqui o que é lançado lá fora, quase todos os carros são mundiais. E ainda tem gente que fala mal do período militar.

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    1. Houve muitos erros, como em qualquer época, mas também muitos acertos dos governos militares que não são devidamente reconhecidos. Na parte tecnológica, tivemos a criação da Embraer, o desenvolvimento de motores a álcool pelo CTA e o início da prospecção de petróleo em águas profundas pela Petrobrás. Na parte de infra-estrutura, foi feita quase toda a nossa malha rodoviária, além da estruturação do nosso sistema elétrico.
      Antônio do Sul

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  24. Mais um ótimo relato do CM!

    O último álcool que tivemos em casa foi um Omega 94. Ainda hoje, meu pai fala que foi o melhor carro que teve. Sempre pegava de primeira, mesmo no frio, e tinha bom desempenho, pois era bem mais potente que o gasolina.

    Arrisco dizer que foi o carro 100% álcool mais avançado que tivemos no Brasil.

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  25. Muito interessante, a Ford deter tanta tecnologia e nunca aplicá-la. Injeção multiponto no Escort CHT... perderam a oportunidade da primazia! certamente ganharia uns cavalinhos a mais, mais torque, mais regularidade no funcionamento, Aliás, tive dois Escorts, MK4, ambos a alcool... excelentes, num deles cheguei a 205.000 Km, com motor em plena forma, só que aquele tal de TLDZ, sempre me dava um trabalhinho, ora deixava a marcha lenta acelerada, ora sem marcha lenta, afogava do nada, e ainda, entupia os giclês sem aviso, perdendo repentinamente a força e me deixando em situações embaraçosas... Depois do dois, peguei uma certa rejeição à carburadores... Além dos citados Escorts, tive vários outros carros a alcool um Uno CS, com carburador solex simples (esse não dava tanta encrenca) e um Logus CLi 1.8 com injeção EEC IV mono... 100 cv! Pensa num carro que nunca me deixou na mão! sempre me levando onde precisava, e consumindo cerca de 10 Km/l. Nunca percebi problemas das famigeradas gomas. Colocava um tiquinho de gasolina aditivada, a cada tanque completo, e talvez isso tenha ajudado. Pena que com o advento do Flex o preço do combustível vegetal, ficou permanentemente indexado ao preço da gasolina. Mesmo que não haja motivo para reajuste, se a gasolina sobe o álcool também sobe, para manter o patamar dos 70 por cento. Quando o álcool foi quase esquecido, no início da década de 2000, lembro que o preço era de 35 centavos, ao passo que a gasolina girava em torno de 1,25. ou seja, o álcool custava cerca de 1/4 do preço da gasolina . Se todos passassem a usar gasolina, quando o custo se aproximasse do empate, aumentaria o estoque de alcool, e os usineiros seriam forçados a baixar o preço. Jesus do Nascimento

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  26. legal !

    agora 13,1 graus lá fora e vou passear com a caravan 250-S ÁLCOOL....certamente que vai injetar gasolina (Podium) senão não pega.....

    na ocasião da retífica meu mecânico realizou um trocador de calor soldado sobre toda a extensão do coletor de admissão, com água quente do motor.....serviço de primeira obviamente....

    depois que esquenta o "amarelão" é suavidade total !


    abraço


    m.n.a.

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  27. Nos 2 anos e meio que tenho meu Monza 2,0 a álcool 1988 NUNCA usei o tanquinho, mesmo no frio pega muito bem! Agora antes de pensar em move-lo, é de regra esperar exatos 6 minutos pro motor esquentar (sim, cronometrei no cronometro de led verdinho do painel =P), senão o carro fica todo "quadrado". Depois disso o carro fica com uma marcha lenta que deixa muita injeção eletrônica com inveja, cravada nos 800 rpm e impecável nas acelerações.

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    1. é isso aí, viva o carburador e os antigos !

      minha Caravan deixo 10 minutos ligada pra andar !

      abraço

      m.n.a.

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    2. Seu carburador deve ter algo errado... Tenho um Monza 1.8 alcool 1988 e sempre saio de 1ª sem engasgos (desde que puxado o afogador) e vou soltando o afogador a medida que vai aquecendo...

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  28. Carlos, as vezes o Bob nos brinda com historia dos bastidores das fabricas no brasileiro de marcas e pilotos dos anos 80 principalemnte da VW onde ele trabalhava na época.
    Tiveste também algum envolvimento também nos veículos da Ford na competição ?

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  29. Carlos,

    Incrivel o seu relato sobre PCV, porque nos eua desde 1968 era obrigatoria a existencia dela em qualquer motor veicular, especialmente pela redução na emissão de poluentes, bem como no aumento da vida util do motor pela ventilação do carter dificultando a oxidação do lubrificante pelos gases que vazavam pelos aneis no funcionamento do motor. Aqui, em 1980 era ainda artigo de luxo.
    E ainda tem bobo que acha que vistoria anual de emissão para veiculos antigos é coisa séria....

    AG

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    1. Lorenzo Frigerio21/06/14 23:21

      O sistema de respiro de óleo não era muito bom nos 4 cilindros da época. O Passat tinha a descarga de blow-by na boca do carburador, dentro do filtro, o que sujava e carbonizava a borboleta do afogador e os venturis. O 147 tinha um sistema na base do carburador que dosava o blow-by, e que vivia entupindo. Mas os Dodjões e os Ford 302 sempre tiveram válvula de PCV, com a tampa do óleo ventilada. O único motor que conheci que descarregava o blow-by na atmosfera foi a desgraça do 292 bloco Y. Não sei como eram os GM e Fuscas, mas creio que os GM também usassem válvula.

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  30. Aqui no RS, devido ao frio, motores a álcool nunca funcionaram bem. Meu Corcel 82 tinha muita dificuldade para arrancar no período hibernal. A solução mais fácil era derramar uma chaleira de água quente no coletor de admissão. Receita aplicada por meu avô em seu modelo T na década de 20. AGB

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    1. Discordo frontalmente!!! Moro em Poa e só utilizo álcool desde o final dos anos 80 e nunca, repito, NUNCA, tive problemas em decorrência do combustível. Pelo contrário, somente alegrias de ganhar uns "pocotós" a mais... Sejam carros usados (uma 1/2 dúzia) e mais de uma dezena de 0km desde esta época, com manutenção preventiva e um pouco de paciência (aquecer 1-2 min antes de rodar na 1ª ligada p/manhã, quando sob inverno rigoroso), sempre tive alegrias com o álcool, que utilizo sempre, independente do c x b ($$$). Em alguns modelos, em termos de agilidade/desempenho, a diferença é gritante em favor do álcool, que ainda mantém o motor mais limpo e polui menos que a nossa gasosa...

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  31. Meu pai teve um Opala 6 cilindros a álcool. Lembro que nas manhãs geladas de inverno aqui do Rio Grande do Sul era mais rápido ir a pé para a escola do que esperar que ele fizesse o "Opalão" funcionar para me dar carona. Malditos carburadores, mas as baterias daqueles tempos deviam ser de melhor qualidade que as de hoje...

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    1. Talvez faltasse um pouco de "jeito" ... Como disse antes, também moro no Sul e nunca tive problemas com álcool em quse 20 modelos diferentes (VW, GM, Ford e Citroen)...

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    2. Os carburadores exigiam regulagem muito criteriosa, pouquíssimos mecânicos sabiam fazer a regulagem da abertura da borboleta do afogador, alguns até deixavam a mesma inoperante, aí, frio, não pega de jeito nenhum. Utilizei belina 83 e 86, monza, chevette e gol AP, todos a álcool. Depois de muito sofrer, aprendi a regular a tal borboleta, aí dava para dar a partida a frio, deixar o afogador meio puxado e sair em seguida, sem precisar esquentar o motor.

      Marconi.

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  32. Aqui em casa sempre escutei do meu avô que os melhores pra pegar no frio eram os Ford, mesmo que na verdade nenhum pegava quase, mas os q respondiam melhor eram os Ford!

    Carro dormir no relento como nesses dias (como esse final de semana) que está fazendo 3º C a noite, fazer o carro álcool pegar é uma tortura!

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  33. Carlos, parabéns pelos seus textos. Todos são ótimos. Sempre tive curiosidade de saber como são fabricada as peças de motores protótipos. Exemplo, quando se resolve usar uma pistão com formato diferente de cabeça, uma biela mais longa ou mais leve, um novo modelo de coletor de admissão ou escape. Qual é o procedimento disso dentro de uma fabrica de carros? As peças protótipos são fabricadas onde, por quem? Como fica a questão de fazer apenas uma pequena quantidade de peças para teste. Caso o novo componente não te resultado esperado, como fica a questão de matrizes de fundição, gabaritos etc. No caso do CHT injetado, eu não posso aceitar que não o usaram mais tarde por volta de 93/94. Todo o custo gerado no projeto para dar em nada. Para mim, isso é falta de gerenciamento e de pessoas com punho forte e olho no futuro. Abraços.

    Real Power

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    1. Também compartilho da mesma curiosidade...

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  34. Hoje todos sofrem e são prejudicados por esta porcaria adicionada na gasolina, na quantidade de 25%. Mas quem mais sofre são os que ainda preservam e rodam com carros carburados, teoricamente movidos a gasolina...

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    1. A presença de álcool na gasolina também tem seus benefícios, mas deveria ser de fixos 15%, no máximo.

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    2. Honestamente a única vantagem (mesmo) que eu vejo é a (teórica) redução de custo, pois em termos de poluição há outras (várias) forma de se contornar os problemas... Aqui conseguem ter motivos pra adicionar álcool a gasolina e vice-versa..., na minha opinião: chega de Alcoolina ou Gasálcool nos postos..., cada um na sua!

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  35. Legal que além da montagem caprichadíssima, tudo no lugar certo, reparei em 2 coisas bem legais: O ar condicionado funcional e o mini-reservatório de gasolina, para dar lugar à bateria maior. Realmente, falar da excelência da engenharia Ford nos anos 80 e seus excelentes motores a álcool é chover no molhado.
    Quando lembro que depois tiveram que colocar aquela trapizonga germânica nas entranhas do Escort chega até a me dar arrepios...

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  36. Show CM,

    História e técnica. Tudo de bom!
    Nos anos 80, qaundo eu morava em Caxias do Sul, lembro que o povo comentava que os melhores carros a álcool eram os Ford.

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  37. Prezados; Sugiro post específico sobre o Álcool. Muita gente que sabe muito sobre o assunto talvez resolva falar. Se os que sabem falarem, vão aparecer muitas coisas interessantes e daí a importância de deixar o espaço anônimo aberto. Não vai ter muita novidade para muitos, mas ao menos os palhaços do governo não vão achar que o público não saiba, ainda que isto não faça diferença aqui no paraíso da impunidade, corrupção, indecência e da ausência de lei.Basicamente entendo que o Álcool tem alguns problemas fortes a serem resolvidos a saber: 1) O CÂNCER chamado PETROBRÁS que manipula toda a distribuição e preço. 2) O outro CÂNCER chamado governo que precisa extorquir tudo que pode da ENORME CADEIA AUTOMOBILÍSTICA para encher seu cofres. 3) A falta de credibilidade no produto devido aos dois primeiros fatores que interferem diretamente em qualquer consumidor. NINGUÉM EM SÃO CONSCIÊNCIA NESTE PAÍS ACREDITA NO GOVERNO, NOS POLÍTICOS E NA MALEDETA DA PETROBRÁS QUE É GERENCIADA PELOS DOIS PRIMEIROS. De positivo temos o seguinte: o Alcool funciona e pronto e acabou. Sozinho ele poderia andar tranquilamente. Não fosse a enorme carga de impostos em cima da cadeia produtiva e o preço pago pelo governo às usinas, o ácool seria viável para todos. Em vários locais onde a sonegação é possível ( postos de combustível próximos das usinas) estas vendem direto aos postos por preços muito melhores que os recebidos pelo governo e os postos tem margem muito melhor que as recebidas pelos produtos comercializados pela Petrobrás. Este país, para variar, também nesta área andaria muito melhor não fossem os sanguessugas corruptos envolvidos na cadeia de produção, distribuição e comercialização. Leia-se governo, políticos e funcionários públicos.

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  38. Vi, mais acima, o comentário de outro colega sobre os Opala a álcool que foram exportados p/ os EUA e resolvi dar uma olhada no Google. Li, então, a reportagem indicada e algumas outras sobre o álcool, até que cheguei numa que trata de uma fonte tida como mais promissora do que a cana: a agave azul ou tequilera.
    Trata-se da planta a partir da qual se destila a tequila, e tem como vantagens, em relação à cana-de-açúcar, as seguintes: dobro de produtividade por hectare e é nativa de um bioma similar ao do semi-árido nordestino, necessitando de pouquíssima água e adaptável a solos pobres e pedregosos.
    Nesta mesma reportagem, consta que vem sendo melhorada geneticamente por uma empresa australiana, que conseguiu bons resultados por lá e já teria procurado o governo brasileiro há cinco anos p/ divulgação desses estudos. O plano era buscar apoio p/ produção no Brasil e, àquela época, o ministro da Integração Nacional foi à Austrália conhecer o projeto.
    Por que não foi à frente, já que poderia ser uma solução energética que conciliaria o econômico e o social, induzindo o desenvolvimento de uma região carente? Seria por que o setor da cana não quer concorrência?
    Antônio do Sul

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    1. Detalhe é que temos no nordeste uma planta similar. A agave sisalana, que é bastante cultivada por ser fonte do sisal. O residuo delas, após retiradas as fibras, é jogado fora..

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    2. Exatamente, Anônimo. As duas agaves, sisalana e azul, são parentes próximas, duas variedades de uma mesma espécie. Esse resíduo de que você fala também poderia ser matéria-prima p/ se retirar o álcool, segundo a reportagem, embora em quantidade não tão abundante quanto da azul.
      Antônio do Sul

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  39. Tenho um Focus 1.6 zetec rocam Flex e o desempenho com ele no alcool é incrivel comparado quando se usa gasolina, porem o consumo dele bebendo cana é horrivel como pode ser feito um acerto para que ele ande melhor com alcool com relação ao consumo e tambem desempenho porque nao?

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  40. Carlos, após ler o post do Marco Antônio, fiquei com uma curiosidade imensa pela história da Pampa 4x4, nunca tinha ouvido falar que o pequeno utilitário da Ford, já procurei pela internet mas não encontrei nada a respeito... Por favor, se possível, faça um post a respeito! Desde já agradeço!
    Cristiano Reis

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  41. Alguém pode me explicar qual é a lógica dos coletores de admissão aquecidos no caso de carros à álcool? Pois sempre ouvi dizer que quanto mais frio o ar admitido, melhor o rendimento do motor por conta da maior densidade. No caso deseja-se aquecer somente o álcool? Ou a mistura toda acaba sendo aquecida?

    Obrigado
    Daniel

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    1. Daniel, pelo (pouco) que eu sei o aquecimento visava facilitar a queima do álcool (e se você pensar, tem sentido, haja visto que os carros flex mais modernos que dispensaram o tanquinho auxiliar - de gasolina - contam com pré-aquecimento da mistura), e, por ser no coletor, a mistura toda acabava sendo aquecida.

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    2. Daniel, o álcool tem grande dificuldade de se manter em estado de vapor em baixas temperaturas. Assim, o carburador vaporiza o álcool e quando ele encontra o coletor muito frio a mistura se condensa nas paredes e chega na câmara em forma de líquido. Desta forma não não há como a vela de ignição iniciar a combustão e o motor "afoga".

      Marconi.

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  42. Mudando um pouco de álcool para biodiesel: Sabe-se que carros a diesel são proibidos no Brasil mas com relação ao B100 tecnicamente não são proibidos há uma brecha na lei, o Brasil produz carros a diesel para exportação então é preciso poucas alterações para rodar com biodiesel, com isso poderíamos ter carros que fazem por volta de 30 km/l (vejam http://www.motonline.com.br/o-ford-mais-eficiente-da-historia/ e http://www.motonline.com.br/honda-civic-1-6-i-dtec/ ) com B100 tranquilamente, uma economia e tanto!

    Lucas Sant'Ana

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  43. Tive vários carros a álcool, GM, Fiat, VW e Ford, então, acredito poder falar com certa dose de conhecimento, o CHT foi sem dúvida o motor mais acertado com esse combustível, pegava fácil pela manhã, bastava parte do afogador puxado para se manter e é um dos poucos em que um motorista mediano conseguia sair rodando com afogador puxado (impossível nos AP's!!!). Uma pena realmente a Ford deter os conhecimentos técnicos para a apresentação da injeção eletrônica e não apresentá-la (ainda mais pra veículos a álcool), esse tipo de "demora" da Ford vem custando caro a empresa a mais tempo do que eu supunha então... (que belezinha um CHT Fórmula Injetado, hein, sonho de muitos entusiastas com certeza!)

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  44. Carro flex é igual pato, nem anda nem nada direito. Uma pena o flex ter matado o carro à álcool. Raro também encontrar hoje um à gasolina zero disponível para compra, mas ainda existem, cada vez mais difícil, mais nicho e com pior mercado na revenda.

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    1. Hugo,
      Realmente o ideal seria ter um motor exclusivamente a álcool.
      O álcool aceita até 14.5:1 de taxa de compressão o que melhoraria ainda mais sua performance e consumo.
      Com motores injeção direta nem se fale, ficaria ainda melhor.
      No mundo ideal teríamos veículos a gasolina, a álcool, a diesel, a gás , e porque não flex também?
      Livre escolha !
      Abração

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  45. Tenho um Ford Focus 1,6 flex 08 e me surpreende o desempenho no álcool, além de um funcionamento muito bom tanto frio como em temperatura normal, e sem duvida está entre os melhores flex que já dirigi.

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  46. Ah, que belezinha o CHT XP (Fórmula) de 83-85 com a rara tampa de válvulas em alumínio, usada nos CHTs do marcas e fórmula Ford... Este injetado multiponto é a frente do seu tempo, vejo nos detalhes como a CAI do Escort MK3 a gasolina, sensor MAF e este belíssimo coletor... Imagino este motor com uns 10cv a mais do que o original, algo em torno de 93-95cv. Estou correto eng. Meccia? Parabéns pelo post!

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    1. dabronza,
      Não sei em termos de potencia pois os dados se perderam no tempo......acredito que ganhamos de 5 a 6 cv. O que melhorou muito foi a dirigibilidade
      Abraço

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  47. Bob e senhores administradores, não precisam publicar este comentário, mas estou tendo problemas para publicar comentários pelo iPad com o iOS 7. No 6.2 também acontecia. Ao tocar em "publicar", o comentário some. Obrigado pela tenção.

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    1. Experimente o Google Chrome. abs

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  48. Excelente texto.
    Sou Radialista formado e atuante mas sonho com o dia que trabalho na engenharia da FORD cada vez que leio um texto desses. (tenho 26 ainda dá tempo, rss)

    Tenho uma experiência inusitada com Álcool.
    Certa vez em ilha comprida, na véspera da virada do ano, um Lada Niva movido com Álcool ficou sem combustível no meio da praia, a 5 quadras do camping onde estávamos.
    A solução foi colocar 2 garrafas de "51" no tanque. O carro ficou instável em funcionamento mas foi sem sustos até o camping e a gente pode curtir sem preocupação. Incrível.

    Abraços

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  49. Carlos Meccia cadê os dados do cht injetado????????

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    1. Anonimo, infelizmente não os tenho.......se os tivesse já teria publicado

      Abração

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    2. Carlos Meccia não precisa ser tão detalhado , só diz se tinha ex: mais de 90 cv e mais de 14 kgfm. Teria os dados dos Escort de competição? Obrigado

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  50. Rodolfo Flesch24/06/14 13:46

    Carlos Meccia, parabéns pelo lindo post!
    Uma dúvida me ocorreu quando li seu texto:
    "Funcionando tanto com álcool como gasolina, puros e em qualquer proporção, os carros flex foram um sucesso imediato, dando novo fôlego ao mercado para o ajuste dos preços dos combustíveis."
    Se os carros flex rodam com gasolina 100%, porque não usam essa informação em markenting, etc?
    Até um tempo atrás, a única "montadora" que assumia que seus carros nacionais rodavam com gasolina 100% era a Renault, no entanto, acho que 1,5 ano atrás, voltaram atrás e desmentiram essa informação. Afinal, qual é a informação correta?
    Abraço!

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  51. Caro Meccia, novamente, parabéns pelo post. Você demonstra grande orgulho de ser engenheiro automotivo e de ter feito parte da equipe de engenharia da Ford. Isso fica muito latente (felizmente para os leitores).

    Essas fotos do motor CHT são mesmo uma raridade.

    Abraços!

    Leo-RJ

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  52. Tive um xr3 ano 89 conversivel a alcool e aquele carburador weber 460 quase me deixou louco, entupia gicle, afogava, travava segundo estágio... de manhã era horrivel de pegar, mecanico nenhum acertava, acabei aprendendo a desmontar e limpar... troquei dois carburadores, mas os problemas persistiam... o xr3 com cht tinha bom torque, apenas isso... o ap tb não combinou com o xr3, muito pesado pra ele... a ford errou na escolha do motor... o europeu era melhor escolha de longe....

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  53. Poderia fazer 02 artigos em especial ??? 1 sobre o desenvolvimento dos 302v8 alcool e outro sobre os estudos de modificaçoes para linha galaxie/landau antes de sairem em definitivo de linha... parabens pelos artigos !

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  54. Na realidade, o primeiro carro a álcool no Brasil foi o Dodge Polara e não o 147.

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