MEU NOME NÃO É JOHNNY

Quarta geração do Colt

Um nome, muitas possibilidades.

Guilherme Fiuza, autor do livro “Meu nome não é Johnny”, comentou certa vez, em uma entrevista sobre literatura, que é muito desagradável ler biografias chatas, falando de personagens fascinantes. Além de ser cruel com o leitor, é também uma maldade com a personagem.

Vamos então tentar caprichar na biografia da personagem deste texto. Caso o título deste post trouxesse na chamada o nome deste automóvel, correríamos o risco de ver o leitor pular esta página. Afinal, o que pode haver de fascinante em um Mitsubishi Colt GTI? Caso aceitem o desafio, vamos juntos navegar nesta história e tentar descobrir. E desde já convido todos a darem sua opinião no final.


O GTI de 1995

Começamos apresentando o Colt de um amigo, Diego, que enviou algumas fotos para ilustrar nosso texto. Trata-se de um modelo GTI do ano de 1995 e que mora atualmente no estado do Espírito Santo. Equipado com um dos poucos opcionais disponíveis no catálogo, o teto solar, este GTI é cinza e custava no Brasil, quando recém-chegado, importado, cerca de 40 mil dólares. Zelador de seu modelo japonês, Diego recuperou completamente o carro comprado já um pouco castigado, e que precisava de um dono de verdade.

Mitsubish Colt GTI no Espirito Santo


Modelo preservado ainda original

Usado para definir um cavalo quando ainda jovem, o nome Colt, traduzido da língua inglesa, seria para nós o potro, com sua aparência juvenil e inocente, mas já capaz e cheio de energia. Na região sul do Brasil potro também é usado para se referir ao cavalo não domado, independente da idade.


Interior do Colt GTI

Colt serve também como sinônimo de armamento pessoal, seguindo a história do americando Samuel Colt (1814–1862), que desenvolveu um método de produção industrial para as pistolas de mão, além de ter sido o inventor do tambor incorporado ao revólver, que passou a permitir, assim, o porte individual de um miniarsenal a quem quisesse andar armado, eliminando portanto a recarga, que antes de Colt criar esta solução era necessária após cada tiro.

Colt pode ser também usado em inglês para se referir a uma pessoa novata, ingênua, sem as malícias e malvadezas da maturidade. Como verbo no inglês, o nome serve ainda como sinônimo de enganar, e embora pouco usado nesta forma não deixa de dar mais uma nuance prosaica ao singelo nome escolhido para o modelo japonês.


Posto de comando do Colt

Nosso pacato Colt oriental não surgiu com pretensões de alterar a história da humanidade, tampouco de ambicionar o registro nas mais altas patentes biográficas do mundo automobilístico. Queria apenas ser honesto e na medida certa. Oferecer e desfrutar do que é justo, sem abrir mão de ser esportivo e interessante. Mas então surge o fator de derivação deste caminho para dar uma distância ao lugar comum. Tudo irá depender do olhar de quem o observa. Assim como um jovem potro no campo, nosso Colt GTI precisa que alguém o acompanhe e acredite nele, para um dia poder destacar-se do grupo e tornar-se um consagrado campeão.

Mitsubishi Colt não é apenas um nome, e veremos que um Colt foi também chamado por outras alcunhas ao longo de sua história. Arriscaremos dizer que o Colt é uma instituição antiga na faixa de ofertas da Mitsubishi, porquanto desde 1962 uma família de automóveis Colt vem surgindo uma após a outra. A tradição esportiva surge também na gama quando a Mitsubishi inicia a preparação de versões GTI, incluindo a variação Colt Turbo nos anos 1980.

A roupagem do Mitsubishi Colt GTI que nos interessa surgiu há mais de vinte anos e foi enaltecida pela imprensa européia. Lembrando que estávamos em 1992 e a reputação de veículos asiáticos no Velho Continente não era a mesma de tempos mais atuais. Trazia soluções que incluíam o eixo traseiro equipado com sistema de direção passiva, além de completamente equipado para o padrão da época, com direção assistida e controles elétricos de travas, vidros e espelhos retrovisores. A construção caprichosa, o encaixe das peças plásticas do interior e até a qualidade da pintura e sua proteção anti-corrosão eram levantadas como vantagens competitivas. A garantia de três anos também era um apelo para atrair compradores.

Outro aspecto que era reforçado à época dizia respeito ao estilo renovado daquela geração do Colt. Saído de um desenho claramente nipônico da versão anterior, o novo Colt abusava da última tendência das pranchetas européias, que pediam linhas arredondadas naquele início dos anos 1990.


Estilo curvilíneo afeito a aceitar transformações

Freios com atuação progressiva compunham o bom feeling entregue ao motorista, completado ainda por uma dirigibilidade leve, fluida e precisa. A caixa de câmbio também foi elogiada e seu funcionamento classificado como suave, eficiente e aparentemente sem esforço. Definições como previsível e divertido de dirigir completavam os pontos positivos do modelo.

Concorrência para o ousado Mitsubishi não faltava, VW Golf e Opel Astra passavam por seus melhores momentos naqueles anos, sem falar nos franceses Renault Clio e Peugeot 205, que também viviam seus dias de glória com versões esportivas apimentadas. Mas talvez a tarefa mais difícil para o Colt fosse simplesmente chegar às mãos de seus clientes, pois o canal de distribuição dos Colt na Europa não era muito agressivo, e quando comparado com o que ofereciam as empresas locais, tornava a sua compra praticamente uma garimpagem pelo modelo. A preocupações vigentes com o consumo de combustível também preteriram a versão GTI do Colt em favor do motor 1,6-litro com cabeçote multiválvulas. Assim, o GTI torna-se desejável, mas raro de ver em circulação por aqueles lados.


Mitsubishi Mirage cheio de alterações

Além do Japão e lugares como Austrália e Nova Zelândia, o GTI foi testar sua força em um lugar pouco afeito a pequenos hatches esquentados. Desembarcou em 1992 como Mirage nos Estados Unidos. Porém também ali não espere encontrar uma grande frota do modelo, muito menos da sua versão mais apimentada.

O hatch esportivo da Mitsubishi favorecia então novas soluções para o ganho de potência em detrimento do sistema turbo usado anteriormente. Um motor aspirado com cabeçote de 16 válvulas vinha no Colt GTI que foi apresentado em novembro de 1991 no Salão de Tóquio, juntamente com toda a sua família que havia sido completamente renovada pelo assim chamado bio-design, curvilíneo, aplicado no nova geração do modelo.
 
O Colt básico, uma carroceria, muitas possibilidades

O estilo do Colt 1992 era igual para toda as versões, com pouquíssima distinção externa ou interna para o GTI. No início dos anos 1990, os fabricantes japoneses sucumbiram à onda de tudo curvo no design de automóveis. Se você não concorda com a solução ou não vê harmonia na desenho da carroceria, junte-se àqueles que acham que o Colt GTI faz parte das "vítimas" do gênero. Sem cair no sentimentalismo, o Colt GTI arriscava seduzir com simplicidade portando um defletor dianteiro e rodas de liga leve. É muito simples e tudo é redondo, faróis, lanternas e pára-choques, mesmo as maçanetas das portas também estão na curva. Embora não arranque suspiros emotivos, é um estilo agradável, eficaz aerodinamicamente e, ainda, resistente à ação do tempo.

Para este novo Colt de 1992, a Mitsubish queria proporcionar mais espaço, melhor qualidade percebida e ampliar a visibilidade. O painel de instrumentos foi rebaixado em relação à geração anterior para melhorar a visão do motorista à frente. O acabamento do painel de instrumentos é em plástico liso e equipado com grandes medidores analógicos, oferecendo conta-giros, velocímetro, temperatura da água e indicador do nível de combustível.


Um pacato modelo pode crescer com a ajuda de um dono cuidadoso

Sob o capô do Colt 1992 encontramos a nova gama de motores da família 4G9. Para o GTI o motor reservado era de 1.836 cm³  (81,5 x 88 mm) com 16 válvulas no cabeçote em alumínio. Nesta configuração é chamado de 4G93  na nomenclatura interna da Mitsubishi. Otimização dos dutos de ar e câmaras de combustão, pistões e bielas mais leves eram ajudados pelo sistema de injeção eletrônica de combustível multiponto. Com uma taxa de compressão de 10,5:1 o 4G93 desenvolvia uma potência máxima de 140 cv a 6.500 rpm e torque de 17 m·kgf a 5.500 rpm.

A aceleração de 0 a 100 km/h vinha em 8 segundos e a velocidade máxima de 210 km/h recebia um bom empurrão da aerodinâmica da carroceria.

Motor multiválvulas do Colt GTI

Na frente uma suspensão McPherson e atrás um sistema totalmente independente, foram as opções adotadas para a suspensão do GTI. Com eixo traseiro multibraço e um recurso para o controle do paralelismo entre as rodas, o sistema permitia a mudança passiva da direção das rodas traseiras. Barras estabilizadoras estavam presentes para equilibrar todo este conjunto, tanto na frente quando na parte posterior. Sua distribuição de peso era de 63% dianteiro-37% traseiro. Freios a disco nas quatro rodas e pneus 185/60 R14 completavam o conjunto.

Este foi então o figurino utilizado para a discreta carreira do Colt GTI desta geração da família, apresentada em 1992. Tudo somado, parafuso a parafuso, levava o pequeno Mitsubishi a uma massa total de 1.020 kg, um peso-pena, considerando o nível de equipamentos e a força do motor. A distância entre eixos era de 2.440 mm, apresentando um comprimento total de 4.345 mm e a altura moderada de 1.310 mm. Em sua quarta edição o Colt estreou com uma nova plataforma, código “CC” e uma linha de motores melhorada e revigorada, credenciais que embasaram a aventura em solo americano.

O modelo chegou nos Estados Unidos um ano depois de seu lançamento no Japão, já como modelo 1993. Chamado naquele mercado de Mirage, era importado das fábricas japonesas. Uma parceria permitia ainda que o Colt apresentasse badges (emblemas) Dodge e Plymouth. Mais uma vez sem uma longa história ou grande quantidade de unidades vendidas, os Dodge e Plymouth Colts sumiram dos concessionários antes de 1995, sendo que em 1996 também o Mirage saía de cena do mercado dos EUA e Canadá. O sucesso do recém-lançado Neon imporia o fim da parceira da Chrysler com a Mitsubishi para o modelo, que havia passado e sobrevivido nobremente pelas gerações anteriores do Colt, como o GTO da década de 1970.


Dodge Colt dos anos 1970

Como parte do conglomerado industrial da Mitsubishi, a unidade de automóveis sempre foi aberta a parcerias com outros fabricantes. Mesmo com a Chrysler, outros modelos experimentaram ter seus badges intercambiáveis, como o esportivo 3000GT versus o Dodge Stealth. O próprio início da empresa parte de um acordo desta ordem, sendo o primeiro Mitsubishi a ser fabricado na verdade um carro baseado no Fiat A3. Estimulada por uma necessidade do exército japonês, a divisão da Mitsubishi que fabricava navios até então atendeu à chamada para produzir um automóvel, em 1917. Batizado criativamente de Model A, foi o primeiro modelo a ser produzido em certa quantidade e de modo contínuo no Japão, embora apenas 22 exemplares cumprissem esta meta. 


Painel do Dodge que era Mitsubishi

Estes automóveis pioneiros foram buscar seu projeto na Itália, que se apresentava mais avançada na indústria automobilística de então. Os 22 carros que saíram da linha de produção foram montados na cidade de Kobe, onde a Mitsubishi possuía sue estaleiro no início do século 20. Quase vinte anos se passaram para que a produção de veículos voltasse a ser parte da estratégia do grupo. Depois do Modelo A, o hiato no tema automóveis foi encerrado quando as divisões de navios e aeronáutica da Mitsubishi fundiram-se, em 1934. A nova divisão do grupo usou sua competência para desenvolver um modelo sedã, chamado de PX33 que teve sua fabricação dedicada ao esforço de guerra que se aproximava no início dos anos 1940.


Mitsubishi Model A

Mitsubishi PX33


Após a Segunda Guerra Mundial a Mitsubishi Motors ganhou vida própria, separando-se como uma nova divisão do grupo industrial do conglomerado. Um modelo de três rodas batizado de Mizushima e um scooter foram seus primeiros modelos a alcançar sucesso. A primeira vez que o nome Colt foi usado foi em 1963. Era o Colt 1000, necessário para a nova demanda de urbanização e necessidade de mobilidade na terra do sol nascente, em sua rápida recuperação no pós-guerra. No final dos anos 1980 a Mitsubishi Motors estaria produzindo 1,5 milhão de unidades por ano.


Mitsubishi Colt 1000 dos anos 1960

O bom volume de vendas e o sucesso de modelos com o Mitsubishi Pajero, recém-lançado quando já vitorioso no Paris-Dakar de 1985, instigaram a companhia a ousar um pouco mais e, assim, investir também em tecnologia. Veremos agora como este esforço produziu um interessante modelo da família Colt.

Muitos nomes, para muitas versões

Montar na plataforma “CC” um motor ainda mais elaborado, este foi o conceito por trás do Colt, rebatizado com o interessante e pomposo nome Mitsubishi Mirage Cyborg R. Dotado de um sistema chamado MIVEC (Mitsubishi Innovative Valve and Lift Electronic Control System), era capaz de chegar aos 176 cv de potência. Surgia assim, além de um nome, o mais potente de todos os Mirage/Colt. Com poucas alterações no restante do veículo, apresentava a mesma arquitetura nos freios e nas suspensões, apenas com molas e amortecedores com acerto mais esportivo. O rodar apresentava-se mais firme e conseqüentemente mais sensível aos buracos e imperfeições do pavimento. O comportamento dinâmico do Cyborg R era então de um tradicional hot hatch de tração dianteira. A tendência ao subesterço facilmente controlada com o acelerador era parte da divertimento.

Outra clássica e muito revisitada solução foi a aplicação de bancos dianteiros esportivos Recaro. Um conta-giros com escala até 10.000 rpm tentava (e conseguia) impressionar. Apenas 20 kg extras foram adicionados nesta versão especial, portanto sem perturbar muito a bem interessante relação peso-potência.



Instrumentos do Colt apimentado, 10.000 rpm por que não?

Reverenciado muitas vezes como um dos daqueles extraordinários motores de pequena cilindrada, mas que gostam de subir o giro como se não houvesse amanhã, a força do Mirage MIVEC era entregue com uma resposta instantânea ao acelerador e muito torque disponível em médias e altas rotações.

Saias laterais e defletor dianteiro para o Cyborg R

E mais um fato incrível nos surpreende, na história do pequeno japonês. O motor com a solução MIVEC tinha código 4G92, portanto da mesma família do 1,8-litro usado no Colt GTI, entretanto com um diâmetro de 81 mm e curso de 77,5 mm, 1.597 cm³, 11:1 de taxa de compressão e a potência máxima de 176 cv produzida a 7.500 rpm. Cabeçote com duplo comando e 16 válvulas e todo o resto do motor do GTI também estavam presentes. Lembrando que estamos falando de uma tecnologia de vinte anos atrás...Curiosamente, o motor VW AP-1600 era 81 x 77,4 mm, 1.595 cm³.


O coração biônico do Cyborg

O pico de torque era o mesmo da unidade de 1,8 litro, porém chegava em um regime mais alto, às 7.000 rpm. Mas ninguém precisava se preocupar em chegar até lá, pois a faixa vermelha começava apenas acima de 8.000 rpm e a sensação de pronta resposta do motor neutralizava a preocupação com a falta de potência em algum regime. Com 110 cv/l esta unidade apresentava, já em seu tempo, uma eficiente e entusiasmante solução técnica.


Mitsubishi Cyborg R MIVEC, ousar é possível

No Brasil podemos encontrar algumas unidades do Colt GTI, nenhuma do Cyborg R, mas a dificuldade é mesmo notar um GTI, porque além de poucos, eles passam por nós sem dar notícia. O Mitsubishi Colt não quer ser notado, quer ser respeitado e deixando assim feliz quem o conhece de perto. Como se fora um restrito clube, apenas para iniciados.

Uma possibilidade, muitos nomes

João Guilherme Estrella, o Johnny, é narrado por Guilherme Fiuza em seu livro como personagem graúdo da vida bandida carioca. Nascido em confortável berço na Zona Sul do Rio, adorado pelos pais e querido pelos amigos, João envolveu-se com as drogas e descobriu um mundo de dinheiro fácil. Após tornar-se o barão da cocaína pura na Zona Sul do Rio, viveu como um rei com muito dinheiro, festas alucinadas, viagens, mulheres, glamour e poder. Até ser preso e experimentar o inferno da cadeia e do manicômio, lutando para recuperar-se e voltar à vida em sociedade.

Nosso Colt GTI não nasceu tão abastado e nem enveredou por caminhos desvairados para provar que era alguém. É verdade que teve muitos primos, alguns geniais como o Mirage Cyborg R, contudo não viveu como um rei, nem com glamour e poder. Veio ao mundo apenas para cumprir o seu papel, o de ser agradável e interessante. E assim, merecedor de seu registro biográfico no Ae.

Colt GTI no traço de Matheus Mari
FM

Fotos: divulgação, Diego, sigma-galant.com, caranddriver.com, kemeko, bkfotocarbonmade.com, trinituner.com
Ilustração do Colt GGI: Matheus Mari

35 comentários :

  1. O desenho desse carro sempre me agradou e de certa forma demonstra como atualmente a função foi completamente sobrepujada pela forma nos automóveis atuais.

    Ampla área envidraçada, pneus e rodas escolhidos pela necessidade e não estética, faróis de tamanho suficiente, apenas 1,31m de altura.

    Hoje parece que dirigimos blindados com vidros minúsculos, faróis gigantescos e rodas enormes e pesadas só por causa de uma linha de cintura digna de senhores que usam calça acima do umbigo... E sempre com 1,5m de altura ou mais, mas nem sempre acompanhados de espaço interno amplo. Transformaram os sedãs e hatchs em suves mais baixos, com todos os seus defeitos e nenhuma de suas qualidades. Fico só imaginando como seria a eficiência de um Colt desses com os materiais e técnicas disponíveis hoje, mas sem mudar a sua forma externa.

    Quanto à Mitsubishi, os anos 90 foram o seu auge. Dá pena ver a sua linha de automóveis atual, comparada àquela época.

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    1. Clésio concordo plenamente com você

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    2. Clésio e Leister, deixem eu fazer parte dos defensores dos bons automóveis na altura correta. Sempre curti entrar no XR3 e circular pela cidade na altura certa, e sempre achei estranho enxergar os paredões circulando na minha frente, cheios de lata e com o dobro do peso.

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    3. Concordo Clésio, eu que sou dono de um Galant sei bem como é triste ver a Mitsubishi de hoje...

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    4. Concordo com tudo Clésio, e chamo o atual desenho dos carros, com a linha de cintura alta e demasiado robusto, de "pata de elefante", pois na minha visão nada elabora melhor estas linhas atuais. Ademais, parece que hoje desenham a carroceria baseada no conjunto roda/pneu, como ponto de partida, ou seja, desenham o carro para as rodas e não as rodas para o carro.

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  2. Ah decada de 1990, por que não volta mais? Suas músicas, seus carros... Dizem que o saudosismo é o primeiro sintoma da velhice.... É acho que estou ficando velho, e por isso me ajudem a lembrar de um carro, oferecido atualmente no mercado brasileiro, que ofereça mais de 150 cv e pese cerca de 1000 Kg? Talvez encontremos relação peso/potencia semelhante, apenas em veículos maiores... Me arrisco a dizer que talvez apenas o DS3, seja a reencarnação francesa do espírito Colt, De qual forma, carrinho sensacional, esse GTI, deveria travar um belo duelo, com não menos entusiasmante Civic VTR... Motores girando alto, ecoando um som de arrepiar.. Chassi eficiente, carroceria aerodinâmica, suspensão acertadíssima. A escola japonesa daquela época deixa saudades... Hoje nossos orientais nacionalizados, apenas flutuam, nos anestesiam de qualquer sensação exterior... sussurram como elétricos insossos, sem paixão, sem tesão! Tivemos que contentar com Civic Si... um sedan de 4 portas! A Mistubish, agora nacionalizada, instalada exatamente aqui, na minha cidade de Catalão, GO, parece que entendeu o mercado, e anda desistindo da tentativa de trazer qualquer hatch ou sedan. O Lancer, importando, vende a contra-gotas, em que pese ter um preço bastante competitivo. falavam no Mirage, que nada mais é que o atual Colt. Sim existia a ideia do Mirage nacional, mas ninguém fala mais nisso. Com o recente declínio da indústria nacional, acredito que o Souza Ramos não vai arriscar. Mesmo se vier... nada de tempero esportivo, no máximo um carro para mirar Etios, Gol, Onix e HB20, - Jesus do Nascimento

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    1. Jesus, as casas automobilísticas estão na contra-mão das novas regras de mercado, estão com medo de ousar. Ninguém precisava de smartphones antes deles existirem. Também não existia um nicho de mercado para carros de passeio com roupagem Cross ou Adventure, e nos dois casos o produto vencedor antecedeu a demanda. Aposto que quem ousar a colocar no tal mercado um esportivo competente com preço interessante colherá seus frutos.

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    2. Jesus, você realmente está "velho", aceite! Mas lembre-se de Nelson Rodrigues: "Eu recomendo aos jovens: envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade. Eu já fui jovem também e não me reconheço no jovem que fui."

      []'s

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  3. Muito bom, CM! Acho os noventinhas fascinantes. Tenho um astra belga e um escort zetec, muito bem conservados. Para a maioria das pessoas, duas sucatas. Para mim, dois belos amigos, em que dar uma volta neles é um prazer. O civic contemporâneo, esse colt, e alguns outros também me atraem.

    Clésio,

    "Hoje parece que dirigimos blindados com vidros minúsculos, faróis gigantescos e rodas enormes e pesadas só por causa de uma linha de cintura digna de senhores que usam calça acima do umbigo... E sempre com 1,5m de altura ou mais, mas nem sempre acompanhados de espaço interno amplo. Transformaram os sedãs e hatchs em suves mais baixos, com todos os seus defeitos e nenhuma de suas qualidades. Fico só imaginando como seria a eficiência de um Colt desses com os materiais e técnicas disponíveis hoje, mas sem mudar a sua forma externa."

    ah, e nessa época ainda não havia a obrigatoriedade do automático. E carros duas portas ainda eram encontrados em versões equipadas.

    Voce foi brilhante!!! parabéns!

    Abraço

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    1. Lucas, valeu pelo comentário! Abraço.

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    2. Lucas, parabéns pelo Escort Zetec! Só não admira essa jóia quem nunca teve a oportunidade de dirigir um. Foi o melhor casamento motor-transmissão de um Ford vendido no Brasil, excelente p/ quem não tem preguiça de trocar de marcha, pelo menos nos fabricados em 97 e 98. Depois, em 99, acho que a Ford encurtou as relações do câmbio.
      Antônio do Sul

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    3. Valeu, Felipe e Antonio!

      Abraço

      Lucas CRF

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  4. Um carro bacana, sempre tive vontade de conduzir um...me lembra compactos de rallies dos anos noventa como o Pulsar GTi ou Mazda 323, que faziam misérias em certames regionais e até alguns brilharetes em provas do Mundial.

    Bonita história, ótimo post!

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  5. Nos idos de 96, andei de carona com um amigo num mirage turbo, do sobrinho dele... Era impressionante como aquela carro tinha motor o tempo todo, colando as costas no banco, era, em arrancadas, bem mais disposto que o skyline gts desse mesmo amigo. Pena que estava chovendo, aí era pouco aconselhado ficar acelerando aquele carro, mas ficou aquela (excelente) impressão daquele carro, todo caretão que acelerava como gente grande!!!
    RHS

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  6. Nos anos 90 uma revista (não lembro qual) reuniu os pilotos da Velha Guarda e os levou para Interlagos a fim de testarem alguns carros.
    O Colt GTi recebeu os maiores elogios da turma... e mais uma vez a memória me trai, mas creio que foi o Luiz Pereira Bueno quem mais se encantou com o comportamento do carrinho.

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    1. Foi a Motorshow de 1995. Os carros eram: Citroen ZX 16v de 155cv, Honda Prelude de 160cv, Peugeot 306 S16 de 155cv, Mitsubishi Colt GTi de 140cv, Renault 19 16v de 137cv, Fiat Tipo 2.0 16v de 137cv. O Citroen ZX e Honda Prelude empataram nas notas, mas o Honda custava MUITO mais caro, o que lhe rendeu a segunda posição.

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    2. Teria ainda essa revista?

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  7. Ótimo post.
    Que carro lindo. Linhas lindas. Imortais.

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    1. Valeu, e continue lendo Ae. Abraço.

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  8. Marcus Lahoz20/06/14 16:32

    Já tive um lancer gti 1995 (com teto solar). Ficou com ele durante 5 anos e 160mkm. Excelente carro, nunca me deixou na mão. Andava demais, uma estabilidade surpreendente.

    Mecânica simples, apenas os prisioneiros das rodas me incomodaram 2 vezes (depois sempre solicitei que as porcas fossem tiradas manualmente, assim acabaram os problemas de encavalamento).

    É um devorador de estradas. Bons tempo.

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    1. Marcus, bacana seu depoimento, de quem conviveu bastante com o modelo. Fica aí a dica sobre os prisioneiros das rodas para quem se interessar em garimpar um Colt GTI para a sua garagem. Obrigado pela audiência.

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  9. Alvarenga/Maceio20/06/14 18:01

    Nos idos de 97/98 dirigi, Impressionante como andava ia até 7k rpm com uma facilidade incrível, só não tinha freios eficientes para o tanto que andava. Junto do Alfa 164 foram minhas melhores experiencias automotivas da minha adolescência, (quando tinha 16/17 anos).Bons tempos.

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  10. Prezado Felipe Madeira, é com satisfação que leio esta reportagem. Como alguns amigos disseram acima, certos esportivos atuais, quando não só trazem adesivos apenas e penduricalhos, trazem um motor uma pouco mais forte, mas com comportamento anestesiado, o que muitas vezes deixa a condução menos divertida. É comum no youtube, alguns vídeos do GTI fazendo 0 à 100 km/h abaixo dos 8s, como nesse link : https://www.youtube.com/watch?v=YCvpc3snM4k . Esse motor é muito elástico e original acelera com vigor até 8000 rpm liso. Pesquisei algumas explicações para tal feito e pode -se dizer que como o 4G93 DOHC não dispoem de recursos de variação das válvulas, pode -se dizer que ele se beneficia dos comandos com graduação de 256º in e 260ºex, balancins roletados, cabeçote de fluxo otimizado e um perfeito balanceamento interno, com diferença de 1 g para cada um dos 4 conjuntos montados de biela+pistão.

    Em breve concluo a restauração completa do meu GTI que aparece no início da reportagem, faltam pequenos detalhes.

    Abraço!

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    1. Diego, nós do Ae é que agradecemos! Muito Boa Sorte na restauração do seu Colt GTI. Abraço!!

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  11. Tive um, branco, tirado em 1997. Comprei com parcos 40 mil km. Na garagem, outros hot hatches da década de 90 faziam cia ao pequeno Colt: Citroen ZX Dakar, de 168cv; Citroen Xsara VTS, de 167cv, Renault 19 16v, de 137cv e Citroen AX GTi, de 95cv. O Colt arrancava muito rápido! Os freios tinham boa pegada e eram bons, ajudados pelo baixo peso. A suspensão era macia demais frente aos outros carros da garagem. Nesse campo, os franceses eram campeões. O motor girava 8200rpm! Apesar da potência máxima ser a 6500rpm, a curva de potência se mantinha quase plana entre os 6000rpm e os 7200rpm, caindo mais forte a partir daí, e, vigorosamente, a partir dos 7500rpm. Esticar 1a até o corte fazia a 2a cair cheia. Então, era só manter as outras até os 7000rpm e ser feliz. Tinha muito torque, também. saudades dele. Correções do texto: As rodas Enkei, de 14" de diâmetro, eram calçadas com pneus 195/60-14 (Dunlop, originalmente). O peso era de 995kg, declarados.

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  12. Tive um desse,mas sob o nome de mirage,ano 1993,motor 1.3 12 válvulas,câmbio manual de 4 marchas,suspensão multlink na traseira,carrinho bem pé de boi mas muito econômico,infelizmente um poste atravessou a rua fora da faixa de pedestres...

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  13. FM,

    Excelente post, este carro povoa meu imaginario automotivo desde o dia que o vi, ao vivo, pela primeira vez. Muito legal, um motor excepcionalmente bem feito e bem acertado. Teria um facil mente.

    AG

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  14. Lucas dos Santos20/06/14 23:55

    Bela matéria, Felipe.

    Não sabia que esse carro se chamava "Colt". Sempre o conheci como "Mirage".

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    1. Eu também só conhecia como Mirage. Já vi um aqui na minha cidade, e visualmente acho até mais interessante que o Civic VTI. Uma pena que não tenham trago o Cyborg R com seu MIVEC dando 176cv em 1600cm³!!!

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    2. Lucas e Renato, interessante o jogo de nomes para um mesmo modelo não? Abraço.

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  15. Certa vez indo p/ SP na Via Anhanguera, encontramos uma Alfa 164 24V na altura de Ribeirão Preto, e não é que o Colt GTi que eu viajava andou junto até os 235Km/h ??

    Baita carro!

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  16. Quando fui comprar meu 1o carro de entusiasta 8 anos atrás, o colt era um dos fortes candidatos, mas a disponibilidade de peças pesou e acabei ficando com um civic coupé. Uma pena essas jóias de carros dos anos 90 não terem a merecida disponibilidade de peças...

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