google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Imagens: General Motors



O Toronado nasceu do desejo de se criar um automóvel superior: um com espaço interno mais utilizável, e de melhor comportamento na estrada. Estávamos atrás do grande passo adiante, não meramente uma evolução. Isto significa que desenhamos sem nos prendermos a conceitos ou componentes existentes; que fizemos algo sem compromisso com o tradicional.”

Com essas palavras ambiciosas, J.B. Beltz, engenheiro-chefe da Oldsmobile, apresentava em 1966 sua mais nova criação. Grande passo para adiante, sem dúvida. Mais que isso, o carro que criaram seria um dos grandes marcos da engenharia, algo que mudaria para sempre o futuro do automóvel.

Em 1966, ao contrário de hoje, tração dianteira era exceção, e não a regra. Todo mundo achava que dois litros e pouco mais de uma tonelada era o limite prático para esta configuração. A teoria era que os pneus dianteiros seriam incapazes de lidar com a maior parte da frenagem, a direção, e ainda assim passar toda potência do motor ao chão. O efeito de altas potências na direção era particularmente temida, e assim apenas carros pequenos e/ou pouco potentes eram os mais populares candidatos a ter tração nas rodas da frente.

Mas então apareceu o Oldsmobile Toronado. Movidos pelo desejo de criar um automóvel superior, Beltz e sua equipe abandonaram as noções comuns e descobriram que, não apenas as rodas dianteiras podiam conviver com todas aquelas solicitações, várias vantagens direcionais e de estabilidade eram conseqüência direta da tração dianteira. Nos anos 1960 a engenharia da GM, então maior empresa do mundo, chegou ao seu ápice, e nada parecia impossível para o gigante americano. Carro do futuro? É só ver a predominância da tração dianteira hoje para entender que a Oldsmobile tomou o caminho correto para o “automóvel superior”.





Creio que o Ford Del Rey seja conhecido de todos no AE. Ele foi lançado em junho de 1981, claramente baseado no Corcel, mas oferecendo itens de luxo até então inéditos no país, como acionamento elétrico de vidros e travas, relógio digital (no console de teto), um painel completo (tinha até manômetro de óleo) com uma bonita iluminação misturando luzes vermelhas e azuis, aliado a um acabamento primoroso, abundância de forrações e opção de quatro portas e de ar-condicionado.

Porém, trazia sob o capô o antigo motor Ford usado no Corcel, herdado da Willys, baseado no motor Renault Sierra, que foi ao longo dos anos aumentado de 1.289 para 1.555 cm³. Era um motor adequado a um carro médio da época, mas não a um carro de luxo como o Del Rey se propunha ser.

Por isto, o Del Rey sempre teve seu desempenho criticado em uma quase unanimidade. Na época de seu lançamento, seus concorrentes, tanto em preço quanto em requinte, eram Chevrolet Diplomata, Alfa Romeo 2300 e até o irmão maior Ford Landau, todos com motores que proporcionavam um desempenho muito melhor do que o que o velho motor do Corcel podia dar a ele.

O que levou a Ford a criar um carro de luxo com motor tão fraco assim? A resposta pode ser encontrada se voltarmos alguns anos no tempo, quando o Del Rey era apenas um projeto.
Animação: engineeringworkarounds.blogspot.com



Em março último apresentamos algumas impressões do Toyota Prius aos leitores, modelo esperado para iniciar suas vendas no Brasil até o final deste ano. Antes, faláramos também, em tom mais crítico, de certa hipocrisia que cercou alguns modelos de híbridos quando a proposta destes já estava num plano completamente distinto do conceito original, "oferecer o metade do consumo de combustível de seu modelo similar, mantendo o desempenho". 

Numa extremidade, a de veículos grandes, um suve Chevrolet Tahoe, por exemplo, oferece quase 30% de economia no ciclo combinado EPA, um BMW Série 7, menos ainda, cerca de 18%, eles até podem encantar a mídia e seus proprietários com freios regenerativos, sistema liga-desliga (motor apaga em semáforos e reinicia com simples pisada no acelerador) etc., mas sem dúvida a aposta não está em tecnologia para atingir patamares de eficiência de consumo de "um outro planeta".

Todos estes números foram obtidos nos websites dos fabricantes, oficiais EPA portanto. O Toyota Prius de terceira geração não se manteve 100% mais eficiente que um Corolla equivalente, a diferença de consumo entre ambos está em 75%, o que ainda mantém o Prius no patamar de um outro planeta. O Toyota híbrido conseguiu também se afastar de seu rival mais próximo, o Honda Insight, ambos nasceram praticamente juntos há quinze anos e têm propostas similares, sendo competidores diretos. 

Mas a distância atual tampouco significa que a Honda tenha tirado o foco dos híbridos, é melhor entendermos essa distância como fatores circunstanciais, ou temporais (a resposta vem). Em agosto do ano passado a Honda divulgou alguns novos caminhos tecnológicos que segue percorrendo e entre eles estava um motor de ciclo de Atkinson real, isto é com curso de compressão mais curto que de expansão, e não simulados através de tempos de abertura e fechamento de válvulas específicos como Prius, Insight e outros. 

Batizado de EXlink, neste motor o curso de expansão é 1,4 vezes o de compressão e essa diferença é obtida através de um excêntrico que gira na metade da velocidade da árvore de manivelas e "intermedeia" por meio de um mecanismo trigonal, a conexão entre esta e a biela. Resumindo: numa volta completa da árvore de manivelas o pistão se desloca no comprimento menor; na volta seguinte, no comprimento maior e assim se alterna sucessivamente. 


Já fazia algum tempo que o Bob e eu alimentávamos a idéia de fazermos uma série de TV abordando carros esportivos. Só esportivos; tanto fazendo o ano de fabricação.

Por que só esportivos?

Porque são os modelos que nos apaixonam, não só ao Bob e a mim, mas, acreditamos, são os que apaixonam a todos os autoentusiastas de nascença.

Como disse Ferry Porsche, "Não sei quando o automóvel deixará de exisitr, mas de uma coisa eu sei, o último será um carro esporte".
Motor Fiat Fiasa


Este é um post diferente daquele a que vocês, leitores, estão acostumados. Foi escrito a quatro mãos, pelo Carlos Maurício Farjoun como por mim, André Antônio Dantas. É um post tanto histórico como técnico. Por isso mesmo, é bem longo.

Tudo começou de uma conversa entre nós, onde pontuávamos como os avanços técnicos dos sistemas de alimentação e ignição impactaram no aumento da potência e na redução do consumo dos motores, culminando com o salto observado nos tempos da introdução da injeção eletrônica.

O Carlos Maurício então lembrou que o motor Fiasa da Fiat passou por todas estas fases praticamente inalterado em seu projeto básico, fora taxa de compressão e aumento de cilindrada, recebendo melhoramentos apenas nestes sistemas, o que o torna a melhor base para uma comparação ampla e detalhada da evolução destes sistemas.

Ao contarmos a história deste motor que sofreu tão poucas modificações em seu projeto, o usamos como base para mostramos a técnica de como pequenos detalhes fazem grande diferença em seu desempenho.

A parte histórica, escrita pelo Carlos Maurício, estará em fonte normal, enquanto as notas técnicas escritas por mim estarão em itálico.

Este texto é enorme, mas necessário para explanar esse assunto como ele merece. E esperamos que gostem desta nova forma de contar a História.
 

Boa leitura! 

Carlos Maurício Farjoun e André Antônio Dantas 

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O Motor Fiasa

Fiasa é acrônimo de Fiat Automóveis S.A, uma das empresas do Grupo Fiat no Brasil, o qual reúne outras como a Iveco (caminhões), FPT Powertrain Technologies (motores), Teksid (fundição), Magneti Marelli (componentes de motores), Case New Holland (máquinas agrícolas e de construção, Comau (equpamentos de automação industrial, Isvor (consultoria e formação de pessoal) e Fiat Services (consultoria e administração empresarial). Fiasa é o nome usado para designar uma família de motores Fiat, fabricados no Brasil de 1976 a 2001. Foi projetado por Aurelio Lampredi (1917-1989) especialmente para o 147 nacional, sendo um motor considerado moderno na época de seu lançamento.


O SR-71 decolando. Foto: DFRC - NASA


Discutíamos outro dia com amigos um interesse mais ou menos comum para entusiastas de automóveis, as curiosidades relativas a aviões. Muitos dedicam parte de seu tempo se informando e buscando aprender mais sobre máquinas voadoras, sem e com motor. E aqui os assuntos se confundem e se complementam. Obviamente, motores são algo que causam calafrios na espinha para quem gosta desse tipo de artefato, principalmente pelo som.

Talvez por isso que os V-8 sejam o maior causador de entusiasmo automoblístico que se tenha notícia. O rugido deles é normalmente muito agradável, exceto se estiverem amordaçados por sistemas de escapamento dotados de silenciadores muito eficientes. Chegam facilmente a causar arrepios nos mais sensíveis. Mesma coisa com aviões.

Imagine então um avião que precisa de dois motores V-8 para dar partida em cada um de seus dois motores a jato. Esse avião infelizmente já é peça de museu, tendo feito seu último vôo de demonstração em 1999, mas figurando como um dos mais extremos da história.

O Lockheed SR-71, apelidado de Blackbird (melro, graúna), Habu (serpente negra existente no Japão), The Sled (O trenó), The Jet (O jato), entre outros apelidos, foi um trabalho da equipe de Clarence L. “Kelly” Johnson, um engenheiro que organizou o departamento da Lockheed para projetos que eram mantidos em segredo até o último instante, e apelidado de Skunk Works.


Já perceberam como o ser humano tem um desejo irracional de passar na frente do outro? Não falo dos gérsons que tentam furar fila no trânsito, mas apenas de pessoas que fazem questão de te ultrapassar e em seguida igualam a velocidade à sua, ou até andam mais devagar.

No dia a dia percebo isso logo que saio de casa. Como é uma área estritamente residencial, com uma praça logo após a saída da garagem e muitas pessoas praticando caminhada ou corrida por perto, sigo em velocidade bem reduzida. Ao passar pela praça, entramos em uma reta de uns 600 m com alguns quebra-molas (lombadas em outras regiões brasileiras) bem espaçados. Não acho muito inteligente acelerar forte e frear mais forte ainda em cima do quebra-molas, então mantenho uma velocidade razoável entre os obstáculos.



O motor é o mesmo da Hornet: 600 cm³ gerando 102 cv a 12.000 rpm, um foguete, uma tremenda potência específica de 170 cv/litro. Moto com 4 cilindros é o que há de bom, pelo menos para mim, que tive uma Honda 750 Four e me acostumei com o ronco, com a suavidade de funcionamento e à subida de giro rápida e implacável. Outra moto que marcou época foi a 400 Four, uma moto pequena, leve, e com um motor delicioso. Pequena a ponto de hoje parecer não muito maior que uma reles 125, mas com 4 encorpadinhos cilindrinhos ali na transversal.

Cada pequeno cilindro tinha só 100 cm³ de cilindrada, e todos eles se juntavam num escape só. Que ronco! Afinado que só ela. Mais gostoso até que o da 750 com o escape 4 em 1. Um amigo tinha uma dessas e, vou dizer, na prática essa pequena 400 andava junto com a 750. Ela ganhava no equilíbrio, na ciclística. Nas retas a 750 Four a despachava, porém, quando chegavam as curvas a 400 vinha, deitava e papava. O fato de esse amigo ter sido vice-campeão paulista de enduro ajudava nas papadas que eu tomava, porém, quando trocávamos de moto eu também o papava no sinuoso, então é porque a 400 era bem melhor para aquilo, mesmo.

Fotos: Arnaldo Keller

"Museu" do posto da PRF em Uberaba, vendo-se o Fiat 147 à esquerda e o Fusca, bem à direita

Foi na viagem a Araxá para o 20º Encontro Nacional de Carros Antigos, com o Arnaldo, num Bravo T-Jet. Depois de acabar a via Anhangüera, em Igarapava, e cruzar a divisa com Miinas Gerais, atravessando a ponte sobre o Rio Grande, entra-se na BR-050 em direção a Uberaba, para daí pegar a BR-262 para Araxá..

Cinco quilômetros antes de Uberaba , no km 195 da rodovia, vimos a imagem que está na foto de abertura deste post, um Fusca (na extremidade direita da foto) e um Fiat 147, com cores e insígnia da Polícia Rodoviária Federal, estacionados no canteiro central defronte do posto da PRF. "Que legal, na volta vamos parar para fazer umas fotos", eu disse para o Arnaldo, que estava dirigindo. E assim foi.

Voltando de Araxá no domingo (10/6) de manhã, paramos. Dirigi-me ao policial de serviço enquanto o Arnaldo começou a fazer fotos. Detalhe: nada de "não pode, aqui é área de segurança", como tanto se vê por aí, na mais bizarra manifestação de "otoridade".

Fotos: autor
Um esporivo apaixonante

Assim que o vi, gamei. Achei que aquele Alfa Romeo da Bertone, vermelhinho, tinha alguma coisa a ver com o Disco Volante (Disco Voador, por suas formas parecidas), modelo desenhado e construído pela Carrozzeria Touring em 1952. Que ele tinha um parentesco, tinha; principalmente seu ar de leveza, o perfil aerodinâmico, a traseira que suavemente vai se afunilando, o capô baixo e largo, e o pára-brisa estreito envolvendo uma cabine estreitinha.

Era um Giulia SS 1600, de 1961; SS de Sprint Speciale. Uma graça.

Alfa Romeo C52, o apelido de Disco Volante (disco voador) acabou virando nome oficial



Oitenta edições da corrida mais desafiadora e tradicional do mundo do automobilismo. Vinte e quatro horas sem interrupção de trabalho árduo de centenas de pessoas, talvez milhares, para que às 15h00 do domingo um carro seja coroado o vencedor de Le Mans.

Das oitenta edições, a Audi ganhou onze das últimas treze, que na verdade poderia ser considerado doze pois uma delas em que um Bentley venceu, era praticamente a equipe da Audi (a Bentley pertence à Volkswagen desde 1998). Isso sim, podemos chamar de domínio.

Este ano a grande novidade foram os modelo híbridos, tanto os Audi e-tron R18 quattro quanto os Toyota TS030. A diferença entre eles está no conceito do sistema, pois o Audi utiliza o motor turbodiesel com tração elétrica dianteira, enquanto que o TS030 correu com motor a gasolina de aspiração natural e tração elétrica complementar na traseira. Na qualificação os Audi já começaram a escrever a nova página do livro de Le Mans, quando foram os primeiros a conseguir a pole com um carro híbrido, e agora terminaram a obra com uma incontestável vitória.


Na madrugada desta sexta-feira (15/6), um acidente ocorrido na via L2 Sul de Brasília ceifou a vida de Rodrigo Luiz Lima Cruz, de 34 anos. Apenas mais um entre os milhares de acidentes fatais que ocorrem em nossas vias todos os anos, mas este acidente tem peculiaridades que podem trazer à tona algumas discussões.

O falecido é genro de Agaciel Maia, político mais conhecido pelo escândalo dos atos secretos do Senado Federal. Isto apenas é referência, o assunto política pára por aqui, o AE não é o fórum adequado para discutirmos este assunto.

O mais importante para nós, é que o carro era um Dodge Challenger SRT8, equipado com motor V-8 de 425 cv, um esportivo moderno, que tem toda a sopa de letrinhas tecnológica atual: seis airbags, ABS, EBD, BAS, ESP, TC, e por aí vai. Ele recebeu do IIHS, o equivalente americano à Euro NCAP e Latin NCAP, 5 estrelas em seu teste de impacto. Seria, em tese, um dos carros mais seguros que se poderia estar dirigindo. No entanto, neste acidente, seu motorista morreu na hora. O que pode ter dado errado com um carro tão seguro para que as coisas terminassem desta forma?

Impossível sobreviver com o carro desta forma, nenhuma tecnologia possibilitaria isso
Seguem mais fotos, algumas comentadas, sobre o XX Encontro Nacional de Carros Antigos realizado de 6 a 9 de junho no Tauá Grande Hotel, em Araxá, Minas Gerais.

AK

Pára-choques hoje "politicamente incorretos", porém lindos



Por Milton Belli
Fotos lemans.org

O Audi e-tron quattro no treino noturno


A 80ª edição da 24 Horas de Le Mans está repleta de novidades e promete ser das mais interessantes dos últimos anos, e a Audi já começou escrevendo seu nome na história (novamente).

O carro número 1 conquistou o primeiro lugar na classificação para a corrida que se realiza neste final de semana, mas este fato por si só já é um marco para a marca e para a própria corrida, pois este carro é um modelo híbrido, equipado com o sistema e-tron quattro da Audi, que combina o consagrado diesel V-6 turbo com a tecnologia de motores elétricos e acumulador cinético de energia, semelhante ao sistema lançado pela Porsche no conceito 918.

As primeiras posições do grid de largada ficaram da seguinte forma:

1º Audi e-tron quattro R18
2º Audi R18 ultra
3º Toyota TS030 hybrid
4º Audi e-tron quattro R18
5º Toyota TS030 hybrid
6º Audi R18 ultra


O trio M. Fässler-A/ Lotterer-B. Treluyer comemora a pole, ao lado da Miss Le Mans

Fotos: autor
Tauá Grande Hotel e Termas

Entre os recentes dias 6 e 9 de junho, no Tauá Grande Hotel e Termas, em Araxá, MG, durante o Brazil Classics Fiat Show, se realizou o XX Encontro de Nacional de Automóveis Antigos, um evento organizado pelo Veteran Car Club de Minas Gerais e patrocinado pela Fiat Automóveis.

Mais de 300 automóveis clássicos foram inscritos, porém a chuva inclemente que desabou nos dias que antecederam ao evento fez com que alguns desistissem de participar, principalmente aqueles cujos carros a serem expostos iriam rodando.

Essa é uma das características legais do evento. Muitos fazem questão de ir rodando com seus queridos. A longa viagem – 600 km de São Paulo, 370 km de Belo Horizonte e 780 km do Rio de Janeiro – é parte da curtição de muitos dos expositores.

Carro foi feito para rodar. Estar em boas condições de uso é requisito essencial para se afirmar que o veículo está realmente representando sua época.
No primeiro ano de produção, 1930

Algumas coisas acontecem na hora errada. O Cadillac com motor de dezesseis cilindros é uma dessas realizações magníficas que nasceram na época mais imprópria possível.

Em 4 de janeiro de 1930, dois meses depois da quebra da bolsa de valores de New York, foi apresentado no salão de automóveis dessa mesma cidade, um dos carros mais extremos já construídos naquela época.

O ocorrido em 29 de outubro de 1929 se propagaria e cresceria como a pior crise econômica pela qual os americanos já passaram, e teve consequências em quase todos os países do mundo. Assim, com o dinheiro desaparecendo para a maioria da população, os americanos viam um Cadillac série 90 com motor, dimensões e consumo gigantes chegar ao mercado americano. Bebia bastante, mal passava de 2 km/l.



Em países como o Brasil, grandioso em território, os grandes centros urbanos parecem ser sempre o principal destino dos aventureiros em busca de melhores oportunidades, emprego e condições de vida. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte são grandes receptores de migrantes das suas zonas periféricas, ou mesmo de outros estados.

É bem comum ver o choque destes migrantes de pequenas cidades quando se deparam com cidades como São Paulo. É outra realidade, outros costumes, outro rítmo de vida. Mas, entretanto, dificilmente vemos o lado inverso, a diferença dos hábitos de quem sai de um grande centro para uma cidade pequena do interior do estado.

Uma parcela curiosa destas diferenças de costume, e por que não dizer culturais, é o trânsito urbano. Quem sai de uma pequena cidade e chega em São Paulo se assusta com o caótico trânsito e congestionamentos. Estão por todos os lados, buzinas e semáforos, lei da selva e cada um por sí. Mas raramente pensamos no contrário, como é que uma pessoa acostumada com o caos da cidade grande vê as diferenças para uma cidade menor.
Fotos: autor
Tauá Grande Hotel e Termas - Araxá, MG

O hotel-sede do Encontro Nacional de Carros Antigos de Araxá é o Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá, antigo Grande Hotel e Termas de Araxá, de construção iniciada em 1938 com inauguração em 1944. Pertence hoje à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, mas desde 2010 administrado pelo Grupo Hoteleiro Tauá, com contrato até 2025.

Como o Hotel Quitandinha, em Petrópolis, foi construído para servir tanto de hotel de lazer quanto para ter um cassino. Seus amplos salões ainda parecem reverberar o som da roleta, das pessoas nervosas apostando, das fichas sendo manuseadas, da bolinha da roleta pulando até cair no número vencedor, que pode ser preto ou vermelho.

Hotel e Cassino Quitandinha - Petrópolis, RJ  (Google Images)

Fotos: autor


O Mercedes-Benz C180 CGI (charged gasoline injection, superalimentado de injeção direta de gasolina) é uma prova do quanto as corridas podem ajudar no desenvolvimento dos carros de passeio. A fábrica sempre competiu na categoria DTM (antes Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, até 1995, agora, desde 2000, Deutsche Tourenwagen Masters – Campeonato Alemão de Carros de Turismo, Série Alemã de Carros de Turismo, respectivamente) e nela a briga é feia entre Mercedes, Audi e BMW.  No DTM as fábricas investem todo o seu potencial para vencer e assim desenvolvem tecnologia para seus carros de rua.

Um dos resultados de todo esse esforço é o sedã C180, um automóvel que fornece um conforto ímpar aos passageiros e uma dinâmica muito prazerosa e segura ao condutor. A direção, de assistência hidráulica, tem boa calibração indexada à velocidade, é firme, sensível e rápida com 2 e 3/4 voltas de batente a batente. Simplesmente perfeita. 


Motor turbo 1,8-litro de injeção direta é bastante elástico

Fotos e vídeo: Arnaldo Keller



Depois de quatro anos, o câmbio robotizado da Fiat, denominado Dualogic, passa por notável evolução e agora se chama Dualogic Plus. Recentemente, em novembro, por ocasião do lançamento do novo Palio, já se havia notado melhor no funcionamento do câmbio, especialmente na operação automática. Agora ficou ainda melhor, mas por enquanto só o Bravo modelo 2013 recebeu a novidade. Claudio Demaria, o italiano engenheiro-chefe da Fiat brasileira, garante que o Dualogic Plus será estendido paulatinamente ao resto da linha.

A mudança mais notável é passar a haver o avanço lento, o chamado creeping, ao levantar o pé do freio, como acontece em todos os câmbios automáticos, como os epicíclicos, CVT e até o Hondamatic, e além dos robotizados de dupla embreagem. Ficou incomparavelmente mais fácil efetuar manobras como estacionar e muito mais cômodo andar lentamente no tráfego anda e  pára. Não é mais necessário controlar a aceleração nessas situações, ela é dada pelo próprio sistema.

Foto: fenabrave.com.br



Desde que o Brasil se lançou – ou foi lançado – nessa aventura maluca do exagero de etanol na gasolina (20% a 25%),  só houve prejuízo para quem é o principal interessado: o cidadão-consumidor. Pensei nisso mais uma vez estando aqui em Araxá, MG, palco do 20º Encontro Nacional de Carros Antigos, por motivos óbvios: as preciosidades aqui expostas não foram feitas para funcionar com tamanho porcentual de etanol na gasolina, tanto com relação aos materiais, quanto à calibração do motor. 

Nunca poderia ter deixado de existir gasolina pura, sem etanol, ou pelo menos com no máximo 10%, o que teria sido um exemplo perfeito de respeito. Mas o problema do excesso de etanol na gasolina não fica só nisso.


Foto; Edmunds.com


Countach – Forma e Som
por Juvenal Jorge

Essa comparação de gostos está cada vez mais interessante. Miura e Daytona, Corcel II e Passat, e agora, Lamborghini Countach e Ferrari Berlinetta Boxer.

Conheço bem só os nacionais, mas claro, tenho meus preferidos mesmo assim. O Countach é um sonho de criança, de um monte de crianças que tiveram pôsteres nas paredes de seus quartos e miniaturas dessa máquina, em vários cantos do mundo. Tenho certeza que há fotos desse carro em lugares que nem sequer imaginamos existir. Há vários brinquedos que tem um Countach como inspiração. Mesmo que caricatos, é possível identificar a obra de Marcello Gandini, o criador do estilo inconfundível.


O Countach é a correção das falhas do Miura do ponto de vista de engenharia, e a fábrica não poderia deixar barato. Tinham que fazer algo chocante, que foi apresentado em Genebra em 1971. O desenho geral foi inspirado pelo Alfa Carabo, de onde veio a principal característica e novidade absoluta, as portas abrindo para cima, articuladas na coluna A (dianteira).


Paul Piestch (1911–2012), no dia em que fez 100 anos (gpnow.com)


O alemão Paul Pietsch morreu no dia 31 maio. Acredito que poucos saibam quem ele é. Eu também não sabia – até 16 de abril último.

Foi quando o Dr. Volker Breid e Dra. Maike Schlegel, respectivamente presidente e executiva-chefe da Motorpress International, o império editorial alemão do segmento de revistas automobilísticas que edita, entre outras, a Auto Motor und Sport, e que desde 1º de fevereiro de 1997 detém o controle da Motorpress Brasil, que aqui publica as revistas Carro, Carro Hoje, Motociclismo, Racing, Sport Life e Transporte Mundial, todas em edição também online, estiveram em visita à filial brasileira. Como alguns leitores sabem, sou editor técnico e colunista da Carro desde novembro de 2008 e por isso estava na editora nodia da visita, todos os funcionários e colaboradores reunidos.

Na ocasião, entre as apresentações foi exibido um vídeo contando a história da Motorpress International. Foi aí que eu soube quem era Paul Pietsch, e me emocionei ao saber.

Em 1950, na largada para a subida de montanha de Schaunisland, com Maserati A6GCM (wikipedia)


MG TC 1948, conta-giros diante do motorista (mgtc.co.uk)

Atualmente poucos carros não têm conta-giros e sua presença no painel não causa espanto ou admiração, já nos acostumamos com eles.. Mas nem sempre foi assim.

O primeiro que vi foi num MG TC 1948 do namorado da irmã de um vizinho. Eu tinha 14 anos. O carro era versão de volante na esquerda e achei incrível o velocímetro estar diante do motorista e não o conta-giros, mas depois deduzi que no original era o conta-giros o mais visível nos carros de volante na direita. Bem coisa de carro esporte. Acredito que fosse algo difícil inverter posições porque naquele tempo tanto velocímetro quanto conta-giros eram mecânicos, por cabo, e talvez não fosse fácil alterar as rotas dos cabos. É só uma hipótese.

Para os jovens ligados em automóvel conta-giros era alguma coisa espetacular, única, quase mágico até, aquele ponteiro que se movia acompanhando as rotações do motor era o máximo.

Quando surgiu o Alfa Romeo brasileiro, chamado de FNM 2000 JK, em 1960, um dos seus grandes atrativos foi ter conta-giros. Dirigi-lo tinha um quê de especial, o carro todo era muito avançado, destacava-se de todo o resto. Eram o "anti-americano", por assim dizer, no sentido de suas suas diferenças em relação aos carros americanos que rodavam por aqui.

Painel do FNM 2000 JK: com conta-giros em 1960 (mercadoclassico.com)

Foto: caranddriver.com



Para muitos é intuitivo, mas é bom dizer o que é. O conta-giros mostra a velocidade angular do virabrequim, cuja unidade pelo Sistema Internacional de Unidades é o radiano por segundo (rad/s). Só que o rad/s é uma unidade que estamos longe de nos identificarmos com ela. Que tal ler que um motor desenvolver 300 kW a 628,3 rad/s? Não é bem mais compreensível ler 408 cavalos-vapor a 6.000 rotações por minuto, ou 408 cv a 6.000 rpm?

E o nome, de onde vem? Vem do italiano, contagiri, conta-voltas, que passou ao inglês como revolution counter, ou abreviadamente, revcounter. Os franceses chamam-no de compte-tours, mesmo significado e os de lingua espanhola, cuenta-revoluciones. Para os alemães é Drehzahlmesser, medidor de número de revoluções.

Mas em linguagem puramente técnica conta-giros é tacômetro, do grego takhos + metron,  velocidade + medidor. Mas conta-giros soa melhor e por isso é usado no AE e em muitas publicações. E os "giros" são rotações por minuto, rpm.

O que o motor produz de trabalho – torque – e a rapidez com que é realizado – potência – estão relacionados à rotação do virabrequim.  Ë por isso esses dois dados fundamentais sempre são relacionados com rotação, como é mostrado em toda ficha técnica. 

Fotos: BMW AG



Os cupês de quatro portas e teto em arco estavam aí fazendo sucesso – Mercedes CLS, Porsche Panamera, Aston Martin Rapide, Volkswagen CC – e a BMW estava fora da festa. Agora não está mais. Demorou mas chegou, o Gran Coupé da marca bávara. E chegou em grande estilo, depois de longa espera. Havia sido apresentado como conceito CS (coupé sport) no Salão de Xangai de 2007 e deveria ter sido lançado no máximo em 2009, mas a crise financeira mundial de 2008/9 atrapalhou os planos da BMW (e de muitos fabricantes) e o programa foi cancelado. Mas as coisas melhoraram e finalmente surgiu, com a denominação Gran Coupé, o primeiro cupê de quatro portas da marca.

É produzido na fábrica BMW de Dingolfing, no sul da Bavária, a maior do grupo BMW em todo o mundo. Sáo fabricados também nesta unidade o Série 6 cupê e conversível, os Série 5 e o sedã Série 7.

Inicialmente chegam com motorização a gasolina (640i) e a diesel (640d), ambos "salsichas" 6-cilindros turbo de 3 litros, para dentro de poucos meses virem o V-8 4-4 litros/450 cv biturbo com tração traseira (650i) e integral (650i xDrive). Em todos os casos o câmbio é ZF de 8 marchas com trocas tanto automáticas quanto següenciais pela alavanca (sobe marchas para trás) e por boboletas.


O programa Auto Esporte da TV Globo, deste domingo, exibiu o quadro  Aprenda o que é conta-giros e como tirar proveito dele. contendo recomendações erradas.

O assunto é bastante sério por envolver segurança ao dirigir. Dizer que não é para usar alta rotação, pois o motor poderá quebrar, põe em risco o motorista de carros com motor de média e baixa cilindrada que, dirigidos da maneira indicada no programa, não produzirão toda a potência de que  o motor é capaz.

Se algum leitor e ou leitora que tenha visto o programa ficou com alguma dúvida a respeito do conta-giros e sua utilização, escreva para o AUTOentusiastas (autoentusiastas@gmail.com), que daremos o devido esclarecimento.

Bob Sharp
Editor
AUTOentusiastas
Foto: autor


O título deste post nada mais é que o trecho da admirável canção "Cor de Rosa Choque", de 1982, da ainda mais admirável Rita Lee, e me levou a associá-lo ao motorista brasileiro e seu comportamento não menos esquisito que venho notando todos esses anos (completo 70 anos em novembro). Veja os pontos que mostram essa esquisitice.
  • Começa por achar que carro é esconderijo, como mostra a foto do Peugeot 207 que abre este post, feita ontem quando eu caminhava para o barbeiro. Nem o pára-brisa escapou da função de esconderijo, uma total insanidade.
  • Ainda na linha da "blindagem visual", o motorista brasileiro se sujeita a ter de baixar o vidro da sua porta, à noite, para conseguir enxergar lateralmente. Se estiver chovendo, fecha o vidro e aí não enxerga mais nada
  • Demarcação de vaga existe só para constar, "paro como eu quiser", devem pensar os que param o carro enviesado ou, pior, inutilizando a vaga adjacente por ser "espaçoso".

Fotos: Peugeot


É uma maneira meio estranha de dar título a um post sobre um lançamento, no caso o Peugeot 508, mas o fato é que o motor 1600 THP que propulsiona o novo Peugeot, desenvolvimento conjunto da PSA Peugeot Citroën e da BMW, é um caso de "motor comunitário", em diversas versões de potência. No nosso mercado já é o motor dos Peugeot 3008, 408 Griffe THP e RCZ, Citroën DS3 e, claro, BMW Série 1 e MINI. Independentemente de ser comunitário, o importante é que é um motor brilhante e quem possui um desses modelos tem do que se orgulhar, seu funcionamento exemplar.

O 508 chega da fábrica de Rennes-La-Janais, na França e tem preço público sugerido de R$ 119.900,00, já formado com o IPI total de 36,5% (era 43%). É produzido também na China, em Wuhan.

Lançado há um ano na Europa e China, o 508 substitui, ao mesmo tempo, o 407 e  607.e passa a ser o sedã-topo da marca do leão e totalmente inserido na tendência de motores de baixa cilindrada superalimentados: o 1600 THP é o maior motor ciclo Otto disponível. Pode parecer pouco, mas com peso de 1.410 kg e características aerodinâmicas surpreendentes, com Cx 0,26 e área frontal de 2,30 m², aliado ao torcudo e potente motor (24,5 m·kgf e 165 cv) seu desempenho mais do que agrada, com 0-100 km/h em 9,2 segundos e velocidade máxima de 220 km/h.


Vai sereno na estrada

Fotos: autor

Freios Brembo e pneus Pirelli PZero: combinação perfeita

Ando meio chateado com a Ferrari e a Lamborghini, já que recentemente ambas deixaram de fabricar modelos com câmbio manual. Agora, só robotizadp. Que chatice!

Mesmo de fora, gosto de ouvir as cambiadas; gosto de, pelo som emitido, sentir o “naipe” do motorista. Gosto de aplaudir as que são feitas com perfeição, as que evidenciam o bom entrosamento entre piloto e carro.

Nas corridas de Fórmula 1, por exemplo, era muito prazeroso ouvir as cambiadas feitas “à mão”; era mais um fator de admiração por aqueles pilotos e suas máquinas difíceis de domar. Também eram outro fator para diferenciar os pilotos, personalizá-los.

Nada como um robô para livrar o homem das tarefas difíceis, mas nada como tarefas difíceis para definir quem é quem.

Tudo simples e funcional, nada de poesia

Quadrante das marchas de um câmbio robotizado VW

Os câmbios robotizados vieram para ficar, mas dos carros médios para baixo, porque nos grandes os câmbios automáticos tradicionais, os chamados epicíclicos, continuam com força total e com uma eficiência impensável não faz muito tempo. Até o CVT, de relações continuamente variáveis, têm seu lugar ao sol nos médios. Todos apresentam hoje operação automática e manual, com poucas exceções para esta última, caso do Focus de mercado americano que, certamente por razões de custo, associado aos hábitos de dirigir dos americanos, não oferece troca seqüencial de maneira convidativa, que é feita por uma tecla tipo balancim no topo do pomo da alavanca seletora.

Como são

Robotizados – são câmbios manuais aos quais foi adicionado um mecanismo de engate e seleção de marchas que opera mediante sinal elétrico. Esse mecanismo é elétrico ou eletro-hidráulico. O primeiro de que tenho notícia veio no BMW M3 de 1998. O sinal elétrico tanto pode vir de um contato na base da alavanca de câmbio, quanto da central eletrônica de gerenciamento do motor. No primeiro caso a operação é manual e no segundo, automática. Os câmbios robotizados são chamados também de automatizados, pela capacidade de efetuar trocas de marcha automaticamente. Associado ao câmbio robotizado está a embreagem automática, embora nada impedisse que fosse de operação manual por pedal. A embreagem, como na maioria dos carros, faz a conexão do motor com o câmbio. A partir da segunda metade da década de 2010 surgiu uma importante variação do câmbio robotizado, o de dupla embreagem, cuja principal característica a a troca de marcha, quer no modo manual, quer no automátiico.

Câmbio Dualogic Fiat (testedos100dias.com.br)



Desde que Henry Ford inventou o método, e a GM o aperfeiçoou, só existe uma maneira de fazer um automóvel: a partir de um preço de venda definido. Desta forma, as margens de lucro, e o preço futuro de cada peça de um carro podem ser determinados. Aí basta que os engenheiros projetem as peças sem aumentar o preço previamente determinado. Ou seja, que o carro se faça para atingir um preço. Sim, a uma função também, mas se for aumentar o preço determinado, melhor comprometer a função...

Antigamente existiam exceções, porém. Existia a Rolls-Royce, que se preocupava apenas em fazer o melhor, pelo preço que ele custasse. E tinha a Mercedes-Benz.

A Mercedes era ainda mais legal, porque os carros tinham sim um mercado definido. Diferente da Rolls-Royce, que fazia apenas caríssimos carros de luxo de baixa produção, o volume de produção da Mercedes sempre foi enorme, indo desde táxis de Stuttgart até limusines para príncipes árabes.

Na Mercedes, os engenheiros mandavam. Para cada carro, cada pecinha ridiculamente insignificante que fosse era projetada por um alemão orgulhoso da profissão mais cultuada no seu país: a engenharia. Costumo dizer que na Alemanha, a lógica do engenheiro impera, e até uma dona de casa deve saber mais de engenharia básica que um professor de resistência dos materiais em uma faculdade brasileira. Engenheiros são cultuados por lá, sumos sacerdotes da lógica germânica. E nenhum deles era mais cultuado que um engenheiro da Daimler-Benz. Os engenheiros da Mercedes se orgulhavam de fazer carros sérios, sem firulas, mas terrivelmente bem ajustados à função pretendida. E superdimensionados para durar cinco gerações inteiras.




A evolução nem sempre gera uma revolução, mas em alguns casos, a revolução vem na forma da evolução. Este é um dos princípios do projeto Delta Wing, o carro experimental que vai correr em Le Mans este ano, e está sendo a notícia do momento no mundo do automobilismo. Em grande parte das discussões, o grande ponto a ser clareado é o "será que vai dar certo?"
  
O Automobile Club de l'Ouest (ACO), organização responsável pelas 24 Horas de Le Mans, liberou a inscrição deste novo projeto para competir não oficialmente na prova deste ano. O carro experimental, que ocupará a garagem 56 dos boxes de Le Mans, famosa por ser o espaço destinado aos veículos especiais que não se enquadrem nos regulamentos vigentes, correrá com o número 0, mantendo a tradição de incentivo à novas tecnologias e idéias.
  
O Delta Wing nasceu da vontade de Ben Bowlby, diretor técnico da equipe americana Ganassi, e também trabalhou em empresas de desenvolvimento como a Lola Cars. Ben diz que estava vendo o automobilismo muito amarrado a regulamentos rigorosos, e os carros estavam com pouca diferença entre eles. Um novo projeto, completamente fora dos regulamentos atuais, poderia ser uma saída para a mesmice que ele via.
Desenho: aa1car.com



Um ano e meio atrás escrevi um post sobre o duplo-circuito de freio e o recente post do Arnaldo Keller sobre o motor apagar e o carro ficar sem assistência de freio e direção me lembrou de outra situação não perfeitamente compreendida por todos, que é o efeito da perda de pressão em um dos circuitos hidráulicos sobre o pedal de freio e o comportamento do carro nessa condição.

No meu post falei sobre a experiência de estar com um Ford Fiesta de teste, pelo idos de 1995, e ao sair de um posto perto da redação da Autoesporte, onde eu trabalhava, ao frear antes de me juntar à corrente de tráfego o pedal de freio baixou bastante. Por conhecer o problema, pude frear nomalmente. O defeito foi no cilindro-mestre, disse-me dias depois o gerente de imprensa da Ford, Luiz Carlos Secco.

O leitor sabe que todo pedal de freio tem um pequeno curso morto, uma folga inicial até que o freio comece a atuar. No caso de falha hidráulica, esse curso aumenta consideravelmente, daí ser fundamental saber que mesmo com o aumento de curso o carro continua a ter freio.
 
 
Antes que o freio atue, há um pequeno curso morto do pedal (kennethvansteenberge2010.blogspot.com)

Fotos: Citroën

Forte personalidade de estilo

Com 165 cv para movimentar 1.165 kg, sendo que a 1.400 rpm já se dispõe de 48 cv, o título do post está certo. Foguete de bolso, diversão pura. Junte-se um chassi bem papai-e-mamãe, McPherson e eixo de torção, mas muito bem acertado, e "patas" razoáveis, de 205 mm de seção, e está feita a festa. Assim é o Citroën DS3 que começa a chegar ao Brasil por R$ 79.990,00. Para bancos revesidos de couro, mais R$ 2.900,00.

O DS3 foi lançado na Europa no outono de 2009 e agradou em cheio, já tendo ultrapassado a marca de 200.000 unidades comercializadas. Seu porte – 3.948 mm de comprimento com 2.464 mm entre eixos – o faz adequado para o trânsito cada vez mais denso, mas sem perder comportamento correto na hora de partir para uma estrada.

O coração do DS3, tanto em sentido real quanto figurado, é o motor 1600 THP turbo que, por ser do Grupo francês PSA Peugeot Citroën, já é conhecido dos Peugeot 3008 e RCZ. Como já se sabe, o motor é fruto de parceria entre a PSA e a BMW, que o utiliza no MINI em suas várias versões, com potência que varia de 75 a 211 cv. No DS3, são 165 cv a 6.000 rpm e 24,5 m·kgf de 1.400 a 4.000 rpm. O turbocompressor com interresfriador sopra a 1 bar de pressão.

Sempre "plantado" no chão, como todo Citroën