google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


O mercado automobilístico brasileiro é muito bagunçado. Aqui, ao contrário do que acontece nos EUA e na Europa, não há uma classificação clara dos carros. Sendo assim, os fabricantes deitam e rolam, algumas vezes vendendo carros de categoria inferior a preço de categoria superior.

E o público, que muitas vezes compra o design e o status, morde a isca do marketing e acaba levando gato por lebre, ou seja, leva menos carro por mais preço, justamente por faltar esse tipo de classificação.

Por exemplo, a classe de entrada do nosso mercado tem integrantes como Celta, Gol, Uno, Palio, Clio e Ka. Todos eles têm portes semelhantes e espaços internos semelhantes, portanto, devem custar preços semelhantes. Se aparecer algum muito mais caro, estão querendo cobrar mais pelo mesmo tipo de carro.

Nosso mercado é muito mais alinhado com o europeu do que com o americano, com algumas exceções. Por isso, tentarei encaixar os veículos vendidos no Brasil nas classificações européias, para tentar colocar uma ordem na bagunça que aqui se fez.

Foto: Ana Sharp


Mas, o que tem o título deste post e a foto a ver com automóvel e autoentusiasmo? Muito, vamos ver isso adiante.

Muitos de vocês devem assistido ao vídeo do discurso de Steve Jobs na cerimônia de colação de grau dos estudantes da Universidade de Stanford, turma de 2005. Se alguém não assistiu. basta entrar no Google com "Discurso Steve Jobs Stanford". O vídeo teve destaque maior depois da morte do empresário dia 5 último, aos 56 anos, em conseqüência de tumor maligno no pâncreas contra o qual vinha lutando há mais de cinco anos.

Na ocasião, Steve discorreu sobre sua vida, as dificuldade iniciais, inclusive ter sido expulso, pelos seus sócios, da empresa que fundara, a Apple, numa repetição fiel do que aconteceu com August Horch na Alemanha no final da primeira década do século 20 - em seguida o alemão fundou outra empresa fabricante de veículos e a ela deu seu sobrenome traduzido para o latim: Audi.



Aí em cima está o sedã inglês dono do conjunto mecânico que mostrei aqui: o Triumph 1300. Achei que seria difícil alguém descobrir, mas quem lê o AE realmente conhece do riscado, e em poucos minutos o leitor BK já tinha matado a charada. Estou devidamente impressionado, parabéns a ele que foi o primeiro, e a todos os outros que acertaram!

O 1300 (e seu sucessor 1500) foi o único carro de tração dianteira da Triumph (descontando, é claro, o Honda com logotipo Triumph chamado Acclaim), mas, numa estranha evolução, acabou por se transformar e acabar sua vida como um carro de tração traseira! Na verdade, a convoluta história deste esquecido carro é emblemática do tempo e lugar onde foi criado: depois da segunda metade dos anos 60, toda indústria inglesa de automóveis entraria num processo de fusões, greves e tensão social, que culminaria em seu triste fim que vemos hoje. Mas mesmo em meio a este imbroglio, coisas muito interessantes continuavam a aparecer, mostrando a grande vocação daquele país na criação de carros fantásticos.



Li esse texto quando trabalhava na GM. Alguém me deu para lê-lo, li, achei muito interessante, tirei uma cópia e guardei. Foi publicado na revista americana AutoWeek em agosto de 1998. Seu autor, Leon Mandel, foi editor-chefe e publisher da revista e escreveu sobre automóveis durante quatro décadas. Faleceu em 5 de março de 2002 aos 73 anos.

Procurando determinado papel nos meus guardados, encontrei a cópia - é sempre assim, procura-se uma coisa e se acha outra. Achei que o texto merecia ser compartilhado com os leitores do AE por ter muito a ver com o que acontece nos nossos dias.

BS


O QUE MARCA SIGNIFICA REALMENTE

Por Leon Mandel

Fala-se muito nas escolas que a lealdade à marca teve o mesmo fim do aperto de mãos quando se fechava um negócio. Pois estão todos redondamente enganados.

Algumas edições atrás eu escrevi um artigo exaltado sobre como a GM poderia definir melhor suas marcas - vender Chevrolets na Kmart, oferecer Buicks com revestimentos interiores exóticos, escrevi; vender Saturns de micro em micro pela internet ou nas livrarias das universidades, acrescentei...já deu para vocês saberem do que estou falando. É o fim do mundo.

Foto: m.noticias.uol.com.br

Espelho retrovisor esquerdo do novo Fiesta e Fusion


Na única vez que estive em Seul, Coréia do Sul, notei duas coisas nos carros de lá. A maioria tinha um pequeno espelho circular de grande convexidade sobreposto ao normal, plano, evidentemente para aumentar o campo de visão. Como todos os carros que vi tinham espelho esquerdo plano, pressuponho que seja norma, tal como nos Estados Unidos, onde é proibido espelho convexo no lado do motorista. A mão na Coréia do Sul é direita, como aqui.

A outra que vi em muitos carros foi o botão aplicado ao volante de direção, fazendo deste uma manivela, para facilitar uso em manobras. É um acessório bem antigo, que se via com relativa freqüência por aqui e continua sendo usado, mas em carros adaptados para portadores de necessidades especiais.

Botão acrescentado ao volante, para girá-lo rapidamente em manobras
Foto: Paulo Keller



Quase tudo que é demais cansa. Dirigir demais cansa, enche a paciência. Dirigir em São Paulo tornou-se uma atividade que raramente nos dá prazer.

Mesmo estando num baita carrão gostoso, dos melhores que há, a única coisa que ele pode nos oferecer a mais é mais silêncio, mais maciez, melhor ergonomia, menos movimentos para ser conduzido e melhor controle da temperatura ambiente, além de um som melhor. De prazer em guiar, mesmo, do jeito que um autoentusiasta gosta, nadicas. 



Não há quem não conheça esse nome e esse logotipo, o do programa dominical da TV Globo exibido às 9 horas da manhã. Uma proposta elogiável da emissora n°1 do Brasil, falar sobre o mundo automobilístico. Quando começou, em 2002, se a memória não me falha, era absolutamente agradável de assistir, coisa de um primeiro mundo que ainda era algo distante para nós. Mas depois mudou de caráter e enveredou por um caminho lamentável, o do título desse post.

Ter "ação comercial" no seu conteúdo significa que o Auto Esporte não é um programa jornalístico como se espera de um programa de tevê, mas o que o próprio nome indica, um programa comercial. Para que um automóvel seja avaliado ali é preciso pagar, o que não existe na imprensa séria, inclusive a imprensa automobilística.
Foto.estadao.com.br


Saiu esta semana o resultado do exame de alcoolemia da motorista do Hyundai Tucson que perdeu a vida na colisão com um Porsche 911 na esquina das ruas Tabapuã e Bandeira Paulista, em São Paulo, na madrugada de 9 de julho último: 2,1 gramas de álcool por litro de sangue. Representa 250% mais que o limite estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro e 11.500% sobre o permitido pela lei seca.

O triste fato apenas corrobora o que venho dizendo há mais de três anos, desde que a lei foi promulgada. Quem causa ou sofre acidente relacionado a ingestão de bebida alcoólica não é quem bebe comedidamente, dentro do limite de 0,6 g/L que o CTB autorizava e que estava alinhado com a vasta maioria dos países, e que baixou para 0,2 g/L com a lei, mas quem está efetivamente bêbado, de porre. E isso significa alcoolemia 1,0 g/L, no mínimo.

Há cerca de dez anos eu viajei para Peruíbe, litoral sul de São Paulo. Estava entre amigos e durante a noite decidimos ir a um barzinho no centro da cidade, de frente para o mar. Estávamos em três carros, que foram estacionados junto ao meio fio do calçadão da Avenida Governador Mário Covas Júnior.

Um dos carros, um VW Gol preto, estava com um jogo de pneus Goodyear GPS novos em folha. Quando saímos do bar, fomos em direção aos carros e os passageiros do Gol logo perceberam que o carro estava apoiado sobre tijolos: haviam roubado as rodas do lado direito do carro, justamente o lado voltado para a praia, sem iluminação alguma.

Muitos anos depois, ocorreu de novo: um primo deixou seu carro (um Vectra GT) em um desses "valets" da Vila Olímpia e a devolução do carro começou a demorar. Meu primo já estava ficando aflito quando um dos gerentes do bar o chamou para comunicar que haviam roubado as quatro rodas do carro. É óbvio que o carro ficou largado na rua, para alegria dos rapinantes, mas a casa decidiu cobrir o prejuizo e ficou por isso mesmo.

Fotos: autor




Tenho certeza: não se sabe mais fazer ruas no Brasil. Há coisa de dois meses terminaram recapeamento de uma importante rua no meu bairro, a alameda dos Nhambiquaras, e a curvatura transversal, ou câmber da rua, é impressionante, forte demais. 

A foto acima foi tirada a uns 50 centímetros do chão e não dá para se ver o meio-fio do outro lado, tal o exagero da curvatura, apesar de ser uma rua estreita. E o que tem isso, muitos podem perguntar. Muita coisa.

Um veículo que esteja trafegando nas faixas laterais, ao frear forte, travando roda, pode desviar para o lado do caimento, uma simples questão da força de gravidade. Esse tipo de erro existe também em vários trechos da marginal do rio Pinheiros, na capital paulista e constitui ameaça para todo tipo de veículo, os de duas rodas principalmente.

Olhando o conjunto mecânico acima, podemos observar uma série de coisas interessantes. Motor em linha em cima de um transeixo, para tração dianteira, suportado por um parrudo subchassi. Preso a este subchassi estão também as suspensões dianteiras, por duplo A sobreposto. Se o leitor olhar com cuidado, verá também a direção, por pinhão e cremalheira.

Parece realmente um projeto bem pensado, e original. Colocado desta forma, em cima do câmbio, a massa do motor fica recuada, mas ainda bem acima das rodas dianteiras para melhorar a tração, apesar de nesse caso parecer que ficou um pouco alto, o que definitivamente não é bom. Mas as suspensões e direção são de primeira linha, bem como parece ser o subchassi.

Proponho hoje uma brincadeira com os leitores: que é capaz de identificar de qual carro saiu este conjunto? Estou preparando um post sobre ele, então em breve tudo será revelado, mas quem consegue, até lá, descobrir o que é isso?

Mais algumas dicas:

- Primeiro e único carro de tração dianteira da marca
- Corrente de 1965 a 1973
- Grande sucesso de vendas em seu país de origem

Observar com calma a foto acima pode dar mais algumas pistas, mas não vou falar mais senão fica fácil. Quem acertar ganha menção honrosa no post sobre o carro... Até lá!

MAO

A questão foi levantada pelo leitor Alexandre Generoso, de Belo Horizonte. O importador oficial Hyundai está anunciando o modelo Veloster como dotado de motor a gasolina de injeção direta (GDI, gasoline direct injection, como na foto acima) de 140 cv, o que não é o caso. Ele mesmo fotografou o carro numa concessionária e na tampa do motor se lê DOHC 16V.

Procurando em sites da marca na América do Sul, Alexandre viu que o motor do Veloster comercializado no Chile e no Peru é de injeção no duto (MPI) e não direta, e que a potência é de 128 cv a 6.300 rpm com torque de 16 mkgf a 4.850 rpm. Nada de 140 cv.

Foto: autor


Pode parecer assunto fora de tópico, mas não é. Na inspeção de bagagem no Aeroporto de Foz do Iguaçu, ao retornar a São Paulo da viagem para apresentação do Renault Duster, quarta-feira última, fui privado de trazer um excelente jogo de ferramentas devido à burrice e total falta de compreensão de uma agente.

A Renault havia nos dado no lançamento do veículo um singelo e útil brinde, uma lanterna combinada com estojo de ferramentas sob ela, bastando abri-la, com se vê na foto.



Eram ferramentas muito pequenas, como jogo de soquetes, uma catraca que recebia pontas de fenda e phillips e minichaves de fenda tipo bailarina para parafusos de fendas bem pequenas também, um lindo jogo. Nada cortante ou que pudesse constituir "ameaça" à segurança do vôo. Estou acostumado a viagens aéreas e sei que depois do 11/9/2001 a inspeção nos aeroportos foi muito reforçada.

Fotos: Divulgação Renault/Oswaldo Palermo



A avaliação inicial do Renault Duster foi feita a quatro mãos, o Arnaldo e eu. Veja  a seguir o que cada um achou

DUSTER, A RENAULT EM NOVO SEGMENTO
Por Bob Sharp

A Renault foi rápida. Um ano após o lançamento do romeno Dacia Duster na Europa lançou a versão de mesmo nome de modelo fabricada no Brasil, Em inglês, duster (dûs’ter, palavra paroxítona) pode ser tanto vestimenta guarda-pó, quanto aquele ou coisa que aplica ou remove pó ou poeira. Tem a ver com o tipo de veículo.
Com o Duster a fabricante francesa inaugura sua presença no fértil e disputado mercado de utilitários esporte, que em 2010 emplacou 217.000 unidades e não pára de crescer.
Foi em 1998 que a Renault adquiriu a Dacia e iniciou operação no Brasil, com fábrica em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. A Dacia havia sido fundada na Romênia em 1968 e sempre produziu veículos sob licença Renault. Laços antigos, portanto.
O Duster é um utilitário de linhas modernas e elegantes, com um porte adequado até para as ruas apertadas das cidades, e vem em versões flex de 1,6 e 2 litros, neste caso motor Renault também - o do Mégane e não Nissan, como no Fluence. A tração é dianteira ou 4x4 do tipo sob demanda, esta casada com o motor maior e câmbio manual de seis marchas. Câmbio automático epicíclico de 4 marchas, só com tração dianteira.

Chega com preço convidativo. Básico 1,6, R$ 50,900; Expression 1,6, R$ 52.200; Dynamique 2-L manual, R$ 60.600; idem, automático, R$ 64.600; e Dynamique 4x4, só manual, mesmo preço. As dotações de itens de série e opcionais é farta (veja quadros específicos ao final). O conteúdo de peças nacionais começa com 67%.

Por motivos alheios à nossa vontade, excepcionalmente não haverá postagem no horário habitual (9h00) nesta manhã, ficando para as 16 horas, quando teremos a avaliação do Renault Duster.

BS


Em 1° de julho publiquei o post Ordem e Contraordem falando da inacreditável sinalização do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em que há a placa que determina parada proibida, em flagrante conflito com uma área de embarque/desembarque. Um contra-senso irresponsável por tirar a autoridade de uma placa imprescidível para a fluidez e a segurança do trânsito, um dos tantos absurdos praticados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo.

Nesta segunda-feira, enquanto eu e o Arnaldo Keller aguardávamos em Curitiba o vôo de conexão para Foz do Iguaçu, onde estaríamos presentes ao lançamento do Renault Duster, e saímos à rua para fumar, vi a placa de trânsito na área de embarque/desembarque do Aeroporto Internacional Afonso Pena.

Ao contrário da CET, a Urbanização de Curitiba S.A. (URBS), a CET de lá, tem uma cabeça pensante e adotou a placa correta. As duas fotos acima falam por si sós: a errada, de São Paulo, à esquerda, e a correta à direita, que diz "proibido estacionar".

Nota zero para a CET e nota 10 para a URBS. Esta pensa.

BS




A história do início da Bitter e o primeiro cupê com mecânica Opel que o piloto alemão criou já foi contada aqui no Blog (aqui e aqui). Esta propaganda é de 1988, e o carro é o posterior Bitter SC, que diferente do primeiro Bitter, era oferecido também em versões conversível e sedã quatro portas.


Com estilo pesadamente influenciado pelo Ferrari 400, o SC era baseado no Opel Senator, e mecanicamente era muito parecido com nosso Omega nacional: suspensão independente e discos nas quatro rodas, tração traseira e o seis em linha OHC da Opel, com injeção eletrônica e deslocamentos volumétricos de 3,0 litros (179 cv) ou 3,9 littros (210 cv), este último modificado por Bitter.


Parece que o estresse anda afetando cada vez mais o juizo do paulistano médio: o lamentável episódio registrado no vídeo acima foi enviado por um amigo que reside na Granja Viana, nobre subúrbio da região oeste da Grande São Paulo. Segundo ele, esse comportamento abusivo está cada vez mais freqüente na região.

Aconteceu no estacionamento do supermercado St. Marche: a jovem proprietária do Ford EcoSport não só desrespeitou a vaga preferencial de idosos como também decidiu atacar o idoso que estacionou seu carro dentro da faixa regulamentar. Uma vergonha.

Muito além da baixaria, é uma verdadeira demonstração de incontinência pública, típica de quem não está apto a viver em sociedade. Merece punição exemplar, para que essa jovem não se esqueça de na melhor das hipóteses ela também será uma idosa.

FB


Esta propaganda é de uma revista inglesa de 1984. É muito interessante porque apresenta toda a linha do preparador bávaro neste ano. Tenho uma verdadeira tara por todos eles, carros suficientemente modernos e desenvolvidos, de uma época em que roda aro 16 e 260 hp era algo exótico. Hoje chega ser conservador, mas para mim estão perfeitíssimos...



Foto: UOL Notícias

Tem coisas que quase não dá para acreditar, de tão absurdas. No último domingo, ao ler as manchetes do portal UOL, me deparei com a seguinte reportagem: "Alagoas estuda derrubada de 2.000 árvores às margens de "rodovia da morte". A rodovia em questão é a AL-220, que liga os municípios de São Miguel dos Campos e Campo Alegre.

Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Alagoas 92 pessoas feneceram entre 2006 a 2010, em acidentes envolvendo o choque de automóveis contra árvores de uma reserva ambiental particular criada pela Usina Porto Rico. O que mais espanta nessa história é a conclusão das autoridades: a culpa é das árvores!

Entusiasmo na testeira do blog

Como a maioria de todos por aqui já deve obviamente saber, a força motriz desse blog é o entusiasmo. 

Mas o que é o entusiasmo? Recentemente recebi dois e-mails interessantes que falam sobre isso sem a necessidade de maiores explicações.

Foto: autor


Faz 10 meses que falei sobre aperto de roda e no texto comentei, como curiosidade apenas, que havia casos de porcas de roda com roscas diferentes de um lado e de outro do carro, prática relativamente comum até o final dos anos 1960. Gerou-se a maior discussão, não por haver tal diferença, mas em qual lado do carro a rosca era invertida, a chamada rosca esquerda.

Um leitor, o Alexandre Zamariolli, chegou a me mandar o texto de um manual de Rolls-Royce Corniche que divergia do que eu afirmava. Tanto que admiti meu erro e corrigi o que eu havia escrito.

Imagem: blogs.estadao.com.br


Um dos dados mais relevantes do automóvel, desde que foi inventado há 125 anos, é a potência. Por isso é tão usada pelas técnicas de mercado, ou marketing, todas essas décadas. Até mesmo pela indústria de caminhões (veja anúncio acima), contrariando os que dão importância máxima ao torque, só falam em potência no seu material de divulgação e propaganda. Quem manda é a potência e ponto final.

Mas há um problema: que potência?

Como os alemães sempre usaram a potência DIN, que é líquida, ou seja, é medida estando o motor como se estivesse funcionando no carro, com escapamento, filtro de ar, alternador gerando e corrente e tudo mais, o número de potência DIN sempre foi o mais baixo de todos, entre eles a potência SAE bruta. Por isso sempre falou em “cavalos alemães”, no sentido de valorizar carros que a utilizassem.

Um bom exemplo era o Porsche dos anos 1950, inclusive os de competição como o 550, que incomodava os Ferrari com o dobro da cilindrada, 3.000 contra 1.500 cm³. O 550 tinha motor 1500 de apenas 110 cv, mas eram “cavalos alemães”.

Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress



As informações a seguir são do jornal Folha de S. Paulo, de autoria dos jornalistas Natália Cancian e André Caramante,

No dia 19 do mês passado publiquei o post "Se beber, dirija devagar", que gerou alguns comentários ácidos por entenderem alguns leitores que eu advogava beber e dirigir, quando não é nada disso. O que eu disse foi "se for beber, dirija devagar", o que é completamente diferente.

Eu gostaria muito que o jovem de 19 anos Felipe de Lorena Infanti Arenzon tivesse lido o post e entendido seu significado. Ele certamente não teria provocado o acidente na madrugada deste sábado que, muito mais que destruir seu patrimônio ou de sua família, e de terceiros, provavelmente venha a causar a morte de Edson Roberto Domingues, de 55 anos, que dirigia uma Asia Towner.

Não era esta Brasília, mas era igual (foto aintigosverdeseamarelos.blogspot.com)

Isso já faz uns 20 anos. Nessa época ainda morávamos na fazenda. Para o dia-a-dia da roça eu usava o bugue Glaspac 1970 além da moto Honda 125 Turuna, fora o Buscapé, um cavalaço 1/2 sangue Árabe 1/2 sangue Mangalarga que era um doce de cavalo e tinha um trote macio e esticado, e o Gualixo, 1/2 sangue Árabe, que era o The Flash, rápido, ágil, boca sensível, fôlego infindável, um espírito de guerreiro, simplesmente o melhor cavalo do mundo.

Minha mulher tinha uma Belina ou outro carro qualquer, relativamente decente pra rodar e viajar. A minha diversão motorizada era a Brasília branca com motor de 2.100 cm³.

Olhando por fora, de diferente só se via um radiador de óleo abaixo do pára-choque dianteiro, e nada além disso. Rodas originais, pneus radiais gordinhos da Goodyear e amortecedores um pouco mais duros na traseira. Por dentro, só um discreto conta-giros Turotest embutido no painel, que foi presente do sogro, sobra de seus carros de corrida.

Conta-giros Turotest, igual ao que eu tinha na Brasília

Fotos: Divulgação VW



Quatro anos depois de lançado e 700 mil unidades vendidas na Europa (3.300 no Brasil, até agosto, desde maio de 2009), a Volkswagen atualizou o Tiguan. Basicamente é o mesmo carro, que é baseado no Golf de sexta geração, mas com algumas evoluções importantes, entre elas o sistema de tração integral 4Motion de quarta geração, que agora reparte permanentemente o torque entre os eixos dianteiro e traseiro 90% e 10%, respectivamente, mas pode chegar a 100% na traseira em caso de falta de aderência nas rodas dianteiras. O controle é feito por uma embreagem eletroidráulica multidisco de controle eletrônico junto ao diferencial traseiro. O sistema é totalmente automático e não requer intervenção do motorista.

Mudanças nas extremidades também, com o visual atual da marca – grade com dois frisos horizontais ligando os grupos óticos – com a novidade de os faróis de neblina direcionais em baixa velocidade. Faróis de xenônio são opcionais e neste caso acompanham lanternas dianteiras permanentemente acesas de 14 LEDs cada. Na traseira, novas lanternas.

As rodas de série são de 17 polegadas com pneus 235/55R17V e opcionalmente podem ser de 18 polegadas com pneus 235/50R18V. A seção transversal dos pneus é compatível com o peso e a carga útil do Tiguan, 1.585 kg e 645 kg, respectivamente.




Quem acompanha o AE bem de pertinho sabe que já falamos aqui sobre o Chrysler Hemi, sobre o Ardun V-8 de Zora Arkus-Duntov, e também sobre o Simca Emi-Sul. Resolvi hoje falar sobre outro V-8 na mesma configuração, ou seja, comando único no bloco, válvulas no cabeçote opostas em seção, e câmara de combustão hemisférica. O V-8 inglês da Daimler (acima).

A Daimler inglesa, apesar de ter a mesma origem da mais conhecida alemã (essa origem sendo os motores de Gottlieb Daimler), tem muito pouco em comum com ela. Desde muito cedo, tomaram rumos diferentes, e em 1910 a empresa inglesa é vendida para a Birmingham Small Arms Co, uma empresa gigantesca que então produzia de tudo um pouco, mas que ficaria famosa pelas motocicletas que levavam suas iniciais: BSA.

A Daimler ficou conhecida por seus carros de alto luxo e limusines, inclusive se mantendo como tradicional fornecedor delas para a família real britânica. Mas nos anos 50 precisava desesperadamente de mais volume e modernização, seus carros gerando muito pouco interesse no público comprador.





A sobrealimentação é uma das formas mais conhecidas de se extrair mais potência de um determinado motor. O aumento da pressão na admissão - em vez de depressão - e consequentemente a pressão efetiva no cilindro, faz com que os valores de rendimento sejam alterados.

Tanto para extrair mais potência visando o desempenho, como para otimizar o consumo de combustível nos mais recentes casos, em especial o downsizing (redução do deslocamento volumétrico do motor e adição de sobrealimentação para compensar a menor área de pistão), a sobrealimentação está presente desde os primórdios do automóvel.
Foto: vejasp.abril.com.br

Trânsito normal em São Paulo: perfeitamente possível, desde que se cuide do assunto com seriedade

Ontem, numa bela manhã de quinta-feira, fui devolver o BMW. Era por volta de 10h30. Fiz o trajeto habitual - para os paulistanos visualizarem, alameda dos Maracatins, avenida dos Bandeirantes, marginal do Pinheiros, retorno na ponte Cidade Jardim, marginal novamente sentido inverso, passar sob a ponte do Morumbi e acessar o conjunto de prédios de escritórios onde fica a BMW do Brasil.

Trânsito absoutamente normal, nenhum tipo de congestionamento, livre solto. Não era feriado e tampouco havia motivo para as pessoas ficarem em casa. Qual a explicação? Só pode ser uma: não havia acidentes e nem carros enguiçados - quebrados, como se diz em São Paulo.

Por aí se vê que tudo o que se diz a respeito do automóvel, que não dá mais, que as ruas não suportam mais tanto carro, é balela pura, coisa de ecochato e daqueles que acham que a bicicleta é a solução mágica para a mobilidade urbana (não sou contra bicicleta, um veículo simples e prático, mas ela, como tudo, tem seu lugar). E foi por isso que fiz, pela terceiro ano, o meu protesto contra o Dia Mundial Sem Carro usando esse espaço.


Toda vez que alguém critica o design de um Jaguar criado enquanto Sir William Lyons dirigia a empresa (até 1972), tenho a mania de responder, meio brincando, meio falando sério, que não é permitido a nós, meros mortais, criticar o desenho de um Jaguar. O resto do carro pode, mas o desenho não. Somos todos tão inferiores a Sir William nesse sentido que qualquer crítica faz o mesmo efeito que sopro de gato asmático no furacão Katrina: irrelevante. Em alguns assuntos, é melhor nos recolhermos a nossa insignificância.

O SS1 Airline, um dos primeiros carros de Lyons

Isto porque julgar o desenho de um carro é o que Lyons sabia fazer melhor, e o que trouxe ele a fama e glória, e que transformou uma fabriqueta de sidecars numa marca reverenciada mundo afora. Sir William nunca desenhou nada. Apenas mantinha uma equipe de funcionários pequena que batia chapas para ele, e criava direto em escala 1:1, carrocerias inteiras em metal. Hoje o processo de desenho de qualquer carro é longo e enfadonho, e passa de desenhos a mão para modelos em escala, para arquivos matemáticos e mais modelos em escala, depois para modelos em barro escala real, depois mais arquivos eletrônicos modificações, usinagem de barro, avaliações, mais arquivos, mais comitês, mais discussão... Um monte de gente dá pitacos e discute demais, quando Lyons apenas olhava e decidia. Em tamanho natural, direto em metal, e quando estava pronto, estava pronto e pronto. Nada criado por comitês intermináveis pode ser comparado a qualquer criação de Lyons.


PRECISO DE MAIS SÁBADOS COMO ESSE

Há cerca de duas ou três semanas o Bob convocou parte da equipe do blog para um programa agradabilíssimo: um delicioso almoço numa cantina em Joanópolis, a Provincia di Lucca. A pequena cidade (12.000 habitantes) é mundialmente conhecida como a "terra do lobisomem". Digo que foi uma convocação, pois o Bob não costuma nos enfiar em roubadas: muito além da massa fresca e da licantropia, teríamos a oportunidade de colher impressões sobre a última geração do BMW Série 7, denominada F01.



Confesso aos amigos e leitores que eu não estava nem um pouco animado com o programa: ando um tanto atarefado resolvendo questões particulares e profissionais, incluindo a curtição da minha filha caçula e a conclusão de alguns trabalhos pendentes para a Quatro Rodas. Mesmo sem tempo sobrando, acabei aceitando a idéia de que um momento sabático com meus amigos ajudaria a reorganizar as idéias, tornando tudo mais fácil na semana vindoura.

O leitor Vitor gentilmente nos enviou o link para um vídeo que mostra como os agentes de trânsito de todo o País deveriam proceder. Vale a pena ver.






BS
Nada a ver com montadora

Já falei bastante a respeito disso aqui no AE, mas nem por isso deixo de ficar impressionado como o termo 'montadora', usado no lugar fábrica ou fabricante de automóveis, se dissemina por toda parte. É na imprensa e nas informações dos fabricantes, até mesmo na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em compensação, em todo o texto do polêmico Decreto n° 7.567, que trata do IPI que atingiu os carros importados, não existe 'montadora'. Tampouco nas resoluções do Contran. Realmente é intrigante por que esse hábito enraizou-se no Brasil. Já vi até escreverem "na fábrica da montadora".

Nos dias pós-promulgação do decreto nunca vi tanto a palavra toda a imprensa. Verdadeira inflação de 'montadora'.


BMW 750i: O GIGANTE GENTIL

O primo Paulo, no seu post de segunda-feira sobre o BMW 750i, disse que eu não estava lá muito empolgado para guiar esse sedã topo de linha da BMW. Não é totalmente verdade. É que eu já sabia o que pegaria pela frente, a perfeita doma da enorme potência do V-8 biturbo. Chassi, suspensão, pneus, freios, câmbio automático, controles eletrônicos, tudo isso, profundamente pensado e competentemente resolvido pela BMW, faz dele um gigante gentil, e muita gentileza não é coisa que faça meu sangue ferver, pelo menos não em estradas brasileiras.



O carro é tremendamente poderoso, anda barbaridade e faz curva barbaridade. É incrivelmente ágil para o tamanho e massa. Neutro nas curvas, vai certeiro e obediente pra onde se aponta, entra nas curvas já equilibrado, freia forte e suave. Acelera de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos, o que é uma arrancada para esportivo dos bons, e faz isso sem quebrar o pescoço de ninguém, progressivamente, suavemente, sem assustar ninguém a bordo. Em suma, é um carro para colocar a rainha da Inglaterra no banco traseiro e sair numa perseguição policial e, se ela tiver bom estômago, coisa que certamente tem porque é rija feito pau de aroeira, nem vai perceber o rolo que está rolando.



O País está sem rumo, como um navio com leme avariado.

Notícias de hoje apontam aumento do número de homicídios no Estado de São Paulo da ordem de 10,5% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Só na capital subiram 24%. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública e foram divulgados na imprensa.

Dias atrás um amigo estava no supermercado Extra da via Anchieta e viu um bandido atirar num cliente numa tentativa de assalto e fugir. Felizmente o tiro atingiu um ombro.



FEITO POR QUEM ENTENDE DO ASSUNTO


A primeira impressão ao chegar perto é de um carro enorme. E é, mede 5.072 mm de comprimento por 1.902 mm de largura. Sua altura é boa para o comprimento e para o entra e sai, 1.479 mm. Pesa 1.945 kg, apesar do teto, portas, capô, que é bem longo e tem dois fechos, painéis laterais dianteiros e apoio das molas dianteiras feitos de alumínio. As proporções da carroceria, linha de cintura e área envidraçada são corretas. Aquilo de que faço questão em todo carro é atendido: sentado ao volante toco o pára-brisa facilmente.

Visual  elegante e equilibrado

O visual impressiona. Grandes rodas de 19 polegadas, de tala 8,5 pol. na frente e 9,5 pol. atrás são combinadas com pneus Dunlop SP Sport Maxx GT assimétricos 245/45R19Y e 275/45R19Y que podem rodar vazios sem destalonar (sair do aro). São alemães e previstos para velocidade contínua de 270 km/h.


Posição de dirigir irrepreensível, visão à frente livre, nem sinal dos limpadores de pára-brisa. Não tem faixa degrade no vidro, mas nesse caso não faz falta, o pára-brisa avança pouco sobre a cabine. Mesmo assim o coeficiente de arrasto aerodinâmico é baixo, 0,31.

Ambiente interno clássico porém atraente

Foto: Wikipedia
Fernando Alonso/Renault, primeiro vencedor; atrás, Heikki Kovalainen/McLaren

O GP de Cingapura é antigo, o primeiro foi em 1966, num circuito chamado Thomson Road e era aberto a carros de Fórmula Libre, um regulamento da FIA. Foi assim até 1973 e depois acabou. Só ressurgiu em 2008, no circuito Marina Bay, como etapa do campeonato mundial de F-1 e trouxe junto a novidade de a prova ser noturna, a primeira da Fórmula 1 à luz de refletores.

Venceu o primeiro GP de Cingapura de F-1 Fernando Alonso, com Renault, numa corrida problemática, em que o companheiro de equipe Nélson Ângelo Piquet, filho tricampeão Nélson Piquet, em combinação com o chefe de equpe Flavio Briatore, teria provocado uma batida contra o muro para o carro de segurança entrar na pista e, desse modo, favorecer o espanhol.

Neste último sábado, eu, Bob Sharp, Arnaldo Keller e Felipe Bitu tivemos a oportunidade de avaliar um BMW 750i para um post feito a oito mãos. No entanto, para não termos que esperar que os quatro terminem seus textos e também para o post não ficar muito longo, dessa vez vamos dividir o post em partes.

Como eu acabei primeiro aqui segue minhas impressões sobre esse carro incrível.

Acompanhem os próximos posts ao longo dessa semana.


 Foto: www1.folha.uol.com.br
Carros parados na faixa devido a congestionamento: incômodo sim, perigo não

Faixas foi o post de estréia do colunista Carlos Maurício Farjoun. Quase em seguida escrevi sobre o assunto, focando a falta delas nas minirrotatórias. Agora quero falar sobre a nova "caixa registradora" de Companhia de Engenharia de Tráfego, a quem cabe o controle do trânsito de São Paulo: multas por desrespeito à faixa de pedestres. No começo, a fiscalização pelos fiscais se restringia à pequena área central e imediações da Av. Paulista. Mas não passou muito tempo, coisa de 1 mês, agora a "caça" é na cidade toda.

O xis de questão é que as regras relativas à faixa de pedestres são as mesma até no código de trânsito anterior, de 1966 (chamava-se Código Nacional de Trânsito). Elas são claras e não deixam dúvidas. O que acontecia era um desrespeito sistemático, pelos motoristas, a essas regras. Para reverter o quadro de desobediência a autoridade de trânsito de São Paulo resolveu multar. Até aí compreende-se, mas aumentar a área de fiscalização tem um motivo óbvio: olho grande de Prefeitura paulistana no bolso do cidadão.