Em 1987, a Ferrari mostrou ao mundo o que viria a ser um dos mais lembrados e aclamados supercarros de todos os tempos, o F40, em comemoração aos quarenta anos da fábrica de sonhos italiana. O único luxo disponível no carro era o fato de a porta abrir e fechar, sem precisar entrar pela janela como em um carro de corrida, pois o propósito do F40 era de proporcionar a máxima experiência em desempenho e prazer ao dirigir. Todo o resto era resto, nada que não fosse necessário para o carro andar seria descartado. A única concessão foi o ar-condicionado, sem o qual a vida a bordo seria insuportável.
Um dos principais responsáveis pela lenda em que o F40 se transformou era seu motor, o último Ferrari sobrealimentado produzido. Com as novas tendências de redução de cilindrada para minimizar o consumo de combustível, a sobrealimentação pode ser uma realidade no futuro da empresa.
Voltando ao F40, seu motor V-8 (bancadas a 90°) de 2.936,2 cm³ era derivado da unidade usada no 288 GTO, na configuração F-120A, produzia 478 cv a 7.000 rpm, com corte a 7.750 rpm, e 58,8 m·kgf de torque a 4.000 rpm, graças ao par de turbocompressores IHI (Ishikawajima Heavy Industries) com sistema de refrigeração de carga admitida. A taxa de compressão era 7,7:1 e a pressão de sobrealimentação, 1,1 bar. O sistema de injeção indireta fabricado na parceria Weber-Marelli garantia que a quantidade exata de combustível fosse enviada aos cilindros. Os comandos duplos no cabeçote acionavam quatro válvulas por cilindro. Com a restrição das turbinas nos escapamentos, o som do V-8 era mais abafado, diferente dos estridentes motores atuais.
Nos anos oitenta, a tecnologia dos motores turboalimentados estava em alta, pois muito desenvolvimento era feito em prol da Fórmula-1, cujo regulamento estabelecia motor sobrealimentado de 1,5 litro ou de aspiração atmosférica 3-litros. A solução da sobrealimentação fora inaugurada pela Renault na temporada de 1977, com êxito e pouco depois outros carros passaram ao turbo. A chamada era turbo da F-1 terminou em 1988, justamente o ano em que Ayrton Senna foi campeão mundial pela primeira vez, com o McLaren-Honda.
No caso do 288 GTO, o motor era ligeiramente menor (2.855 cm³) e produzia 400 cv. Nas literaturas e avaliações de época, o lag das turbinas (lentidão de resposta) era comentado mas não sendo uma falha grave, como era o caso do Jaguar XJ-220, pois o tempo de reação não era muito grande, e uma vez em sua faixa ótima de operação, a resposta do motor era assombrosa.
O desempenho do F40 é notável até hoje. A carroceria de compósito de Kevlar montada no chassi de aço era relativamente leve e o carro pesava 1.235 kg com os dois tanques de 60 litros cada um cheios. Tanto sua velocidade máxima de 324 km/h quanto sua capacidade de aceleração, atingindo os 100 km/h em 4,1 segundos e os 200 km/h em 11 s, eram referências no mundo todo. Quem pode nos dizer um pouco melhor como o motor do F40 se comporta é nosso amigo Bob Sharp, que teve o prazer de dirigir um exemplar:
"Como sempre gostei de motores turbo, dirigir o F40 foi o ápice. Foi no teste para a revista Quatro Rodas, da qual eu era editor técnico, em outubro de 1992. Todo aquele torque a apenas 4.000 rpm significava que a essa rotação já havia 330 cv à disposição. O baixo peso resultava em boas acelerações e retomadas desde rotações bem baixas. Mas quando o motor estava na faixa entre torque e potência máximos, a brutalidade se manifestava com uma intensidade de impressionar. Uma faixa boa tão ampla permitiu câmbio de apenas cinco marchas — com primeira fora do "H", para baixo e engates duros, naturalmente. O carro todo é feito para quem gosta verdadeiramente de dirigir, mas para aproveitá-lo plenamente é preciso alguma habilidade, pois não há controle de tração e de estabilidade. E saber que os freios Brembo com discos de 330 mm de diâmetro não têm assistência, nem ABS e tampouco a direção é assistida. E que a perna esquerda sofre: a carga do pedal de embreagem é de 35 kg. Foi uma grande experiência acelerar o F40 à velocidade máxima na pista de taxiamento do Aeroporto de Viracopos, com apenas 2.700 metros para acelerar, chegar ao máximo e frear, pois um dos sentidos termina em barranco, um vazio à frente. Foi empolgante também acelerá-lo na pista de testes da Freios Varga, hoje TRW, em Limeira, e registrar no G-Analyst 1,06 g de aceleração lateral.nas duas curvas de 180° da pista."
Veja o vídeo, não muito bem legendado na verdade, mas que mostra a fabricação do F40 e algumas boas imagens do motor, transmissão e estrutura.
O F40 foi fabricado até 1992, em um total de 1.337 unidades, e hoje é um dos maiores clássicos do mundo dos carros esportivos. Qualidade de acabamento e confiabilidade não eram o seu forte, mas não importa. É sem dúvida um dos meus favoritos, e o Ferrari mais simbólico de todos.
Fotos: divulgação, autor
MB
Um dos principais responsáveis pela lenda em que o F40 se transformou era seu motor, o último Ferrari sobrealimentado produzido. Com as novas tendências de redução de cilindrada para minimizar o consumo de combustível, a sobrealimentação pode ser uma realidade no futuro da empresa.
O motor 2,9 turbo e o transeixo de 5 marchas |
Nos anos oitenta, a tecnologia dos motores turboalimentados estava em alta, pois muito desenvolvimento era feito em prol da Fórmula-1, cujo regulamento estabelecia motor sobrealimentado de 1,5 litro ou de aspiração atmosférica 3-litros. A solução da sobrealimentação fora inaugurada pela Renault na temporada de 1977, com êxito e pouco depois outros carros passaram ao turbo. A chamada era turbo da F-1 terminou em 1988, justamente o ano em que Ayrton Senna foi campeão mundial pela primeira vez, com o McLaren-Honda.
No caso do 288 GTO, o motor era ligeiramente menor (2.855 cm³) e produzia 400 cv. Nas literaturas e avaliações de época, o lag das turbinas (lentidão de resposta) era comentado mas não sendo uma falha grave, como era o caso do Jaguar XJ-220, pois o tempo de reação não era muito grande, e uma vez em sua faixa ótima de operação, a resposta do motor era assombrosa.
O desempenho do F40 é notável até hoje. A carroceria de compósito de Kevlar montada no chassi de aço era relativamente leve e o carro pesava 1.235 kg com os dois tanques de 60 litros cada um cheios. Tanto sua velocidade máxima de 324 km/h quanto sua capacidade de aceleração, atingindo os 100 km/h em 4,1 segundos e os 200 km/h em 11 s, eram referências no mundo todo. Quem pode nos dizer um pouco melhor como o motor do F40 se comporta é nosso amigo Bob Sharp, que teve o prazer de dirigir um exemplar:
Bob Sharp antes de medir velocidade máxima na pista de taxiamento do aeroporto de Viracopos (Foto Quatro Rodas/Marco de Bari) |
"Como sempre gostei de motores turbo, dirigir o F40 foi o ápice. Foi no teste para a revista Quatro Rodas, da qual eu era editor técnico, em outubro de 1992. Todo aquele torque a apenas 4.000 rpm significava que a essa rotação já havia 330 cv à disposição. O baixo peso resultava em boas acelerações e retomadas desde rotações bem baixas. Mas quando o motor estava na faixa entre torque e potência máximos, a brutalidade se manifestava com uma intensidade de impressionar. Uma faixa boa tão ampla permitiu câmbio de apenas cinco marchas — com primeira fora do "H", para baixo e engates duros, naturalmente. O carro todo é feito para quem gosta verdadeiramente de dirigir, mas para aproveitá-lo plenamente é preciso alguma habilidade, pois não há controle de tração e de estabilidade. E saber que os freios Brembo com discos de 330 mm de diâmetro não têm assistência, nem ABS e tampouco a direção é assistida. E que a perna esquerda sofre: a carga do pedal de embreagem é de 35 kg. Foi uma grande experiência acelerar o F40 à velocidade máxima na pista de taxiamento do Aeroporto de Viracopos, com apenas 2.700 metros para acelerar, chegar ao máximo e frear, pois um dos sentidos termina em barranco, um vazio à frente. Foi empolgante também acelerá-lo na pista de testes da Freios Varga, hoje TRW, em Limeira, e registrar no G-Analyst 1,06 g de aceleração lateral.nas duas curvas de 180° da pista."
Veja o vídeo, não muito bem legendado na verdade, mas que mostra a fabricação do F40 e algumas boas imagens do motor, transmissão e estrutura.
O F40 foi fabricado até 1992, em um total de 1.337 unidades, e hoje é um dos maiores clássicos do mundo dos carros esportivos. Qualidade de acabamento e confiabilidade não eram o seu forte, mas não importa. É sem dúvida um dos meus favoritos, e o Ferrari mais simbólico de todos.
Fotos: divulgação, autor
MB
Melhor Ferrari de todos, bruto, espartano, sem concessões...
ResponderExcluirUm par de turbinas modernas de tamanho similar deve resolver o problema do lag.
O último Ferrari feito para homens de verdade?
ResponderExcluirAcredito que para o futuro as próximas ferraris utilizarão configuração de motores tipo esta, ao invés dos V12 aspirado das F 50 e 60.
ResponderExcluirMinha Ferrari preferida eh a 288GTO. Mas a F40 eu aceitaria tambem.:)
ResponderExcluirLembro do primeiro salão do automóvel em que eu fui, e justamente essa máquina estava lá. Foi um presente... Logo no primeiro a F40 estava exposta. Eu poderia ter ido a primeira vez 2 anos depois, ou antes, mas eu fui justo nesse.
ResponderExcluirA Ferrari surgiu p/ mim exatamente nesse carro. Antes nunca tinha dado bola, mesmo hoje sabendo dos clássicos, mas antes não ligava.
Ainda sonho em poder dirigir uma (Dirigir, porque sou um simples motorista e passo longe de ser piloto).
Essa Ferrari é linda em tudo. Pode não ser a mais rápida ou a mais potente, mas tem alma e desafia quem ousa em sentar no banco e apertar o pedal da direita.
E o som da F40 LM?
Obrigado pelo post e em adicionar o comentário do Bob Sharp.
Acho que eu devo ter essa quatro rodas guardada na casa da minha mãe... um dos carros dos sonhos do final da minha infancia.
ResponderExcluirAcho que só tem dois erros no post, primeiro não apareceu o video citado, depois falou na mclaren TAG-Porsche em 88, quando nesse ano sabemos que Senna foi campeão com motor Honda.
Na minha opinião, é o segundo melhor carro que a Ferrari fez até hoje. Quem tomou o posto da F40 foi a FXX!
ResponderExcluirFla3D
ResponderExcluirObrigado, já foi corrigido, McLaren-Honda. Não foi erro do autor, Milton Belli, mas meu, que havia acrescentado a informação. A palavra vídeo é um link para o mesmo, veja lá de novo.
Não tem jeito.
ResponderExcluirA minha preferida é a 308GTS e vermelha, igualzinha à do Magnun!
Talles
Obrigado Bob, eu fiquei procurando o link do video e não achei. :D
ResponderExcluirE falando em TAG-Porsche, espero um dia ver um post aqui no AE sobre a era turbo na F1 ja que estamos na iminencia de seu retorno.
Da até pena da Renault que introduziu o turbo mas nunca conseguiu a confiabilidade pra ser campeão, viu a BMW, depois TAG-Porsche e por fim Honda dominarem a era turbo da F1.
Tenho até um link pra sugerir pro dia que resolverem fazer esse post:
http://www.gurneyflap.com/bmwturbof1engine.html
Olha, lendo o fantástico post sobre um tema tão atual - motor sobrealimentado - fico pensando que não será má ideia a volta deles à F1.
ResponderExcluirCertamente, voltarão com um desenvolvimento tecnológico incrível e, claro, como laborátorio para as ruas - tendência downsizing.
O que os camaradas acham?
Já pensaram na adoção de sobrealimentação aos compactos de entrada no Brasil: Celta 1.4 supercharger!
ResponderExcluirNícolas, já tivemos o Gol turbo e do Fiesta Supercharger
ResponderExcluirCom certerza, uma lenda. Mas vamos deixar as nossas paixões de lado, e, consequentemente a nossa verve subjetiva e admimitirmos que uma Ferrari atual (por exemplo,a Califórnia)dá um banho na F40. Estes paradigmas de que o carro puro-sangue não combina com luxo é típico de uma época em que a tecnologia ainda não permitia a mistura de tudo (luxo, estabilidade, robustez, etc.)
ResponderExcluirCarlos, lembro-me destes, entre outros, mas me refiro à difusão integral destas versões sobrealimentadas à todas as fabricantes.
ResponderExcluirPor exemplo, a Fiat oferece o T-Jet a mais de um modelo.
Cada fabricante poderia ter o seu motor sobrealimentado, independente do sistema de indução forçada (compressor, blower, NOS etc).
Reputo salutar a cultura de preparação de motores. Se tivéssemos o incentivo vindo diretamente das fábricas, com a oferta de modelos voltados a este fim, teríamos uma profícua difusão desses conceitos, os quais são aplicados atualmente de modo um tanto experimental, sem o rigor científico.
ResponderExcluirCom a produção em escala seria possível a redução de custos dessa tecnologia, permitindo um acesso mais justo.
Nicolas
ResponderExcluirNOS, ou óxido nitroso, é um comburente de uso temporário, armazenado em garrafas. Seria inadmissível num carro de rua. Sua outra ponderação, preparação, esbarra na questão das emissões. O que caberia, isso sim, seria o lançamento de versões esportivas de fato, não apenas decoração externa, mas essas não são bem recebidas pelas seguradoras. É um problema cultural também, além de cálculo autuarial, risco maior etc.
A questão é cultural mesmo.
ResponderExcluirVc tocou num aspecto sensível que é o marketing das fabricantes em oferecer "versões esportivadas", com um apelo meramente falacioso.
E vendem bastante.
A ingerência da indústria é tão forte que nosso maior representante esportivo, dos últimos anos, foi tirado de linha: Golf GTi.
ResponderExcluir...ou o Civic Si
ExcluirViolenta...linda...cara de Ferrari mesmo....porém quando foi lançada, foi para TENTAR ocultar um dos maiores de todos os tempos...o Porsche 959...esse sim, fazia o serviço e ainda levava a mulher ao supermercado...nada a ver, mas dá a percepção do jeito Porsche de se fazer carros.
ResponderExcluirPra mim a ultima Ferrari de verdade,depois dela só brinquedos de grife demasiado caros para ricos afrescalhados...
ResponderExcluirAbraços!
911: a filosofia era diferente, totalmente.
ResponderExcluirO 959 foi um petardo tecnologicamente mais eficiente e elaborado. Sua arquimerecida reputação é baseada em um nível de engenharia que a Ferrari não conseguiu - ou não queria - atingir.
But, a Ferrari tomou outro caminho, e foi muito feliz neste ao obliterar as marcas do mítico 959...
Duas grandes máquinas, mas a Ferrari F40, foi o Gti das ferraris, isso sintetiza um pouco a importância das coisas.
GM
A F-40 é um ícone, um mito.
ResponderExcluirUma Ferrari de verdade e com um desempenho respeitável até para os dias de hoje.
Um verdadeiro F-1 de rua.
Alem de ser "una macchina" de linhas belíssimas.
Por isso mesmo, como bem descreveu o Bob, um carro para poucos.
Não serve para a grande maioria de motoristas.
O peso da embreagem, a rigidez do cambio, o acabamento espartano e principalmente o sistema interno de abertura das portas, uma simples "cordinha", só podem ser absorvidos por um "vero" AUTOentusiasta.
Romeu
Meu primeiro sonho de consumo, desde criança, quando só podia admirar minha miniatura da F40.
ResponderExcluirAs opinioes sao sempre bem vindas e devem ser respeitadas.
ResponderExcluirPorem podemos discordar.
Nao posso concordar com o anonimo que uma "California dá um banho na F40".
Pode dar sim no quesito peso da embreagem, já que a primeira nao tem e a F40 exigia musculosos e incasáveis 35 kg de pressao no pedal...
Ou seja, comparações podem nao dar muito certo.
Tenho certeza de uma coisa: daqui a uns 10 anos a F40 merecerá mais espaço e outro artigo enquanto a California com aquela traseira horrivelmente rebuscada com as descargas "empilhadas" será lembrada como "aquele carrinho conversivel legal que a Ferrari fez em 2009..." Pode ser muito pratico e engenhoso o seu teto conversível, mas fica só nisto e outra firulas, me perdoe a turma techno.
Detalhe: 1995, estagio na Engenharia da Fiat e pedaços da fibra de carbono do que restou da batida na mureta da pista de testes pelo setor que atuava. Pequenos trofeus de varios tamanhos mais leves que o proprio ar quase. O carro era tao sagrado lá dentro que ninguem ousava comentar nada, mesmo que muitos funcionarios soubessem em detalhes tudo o que havia acontecido. Era um caso típico de "Betim connection" ao melhor estilo Gene Hackman.
FERNANDO RD
A California dá um banho na F40... só se for de cafonice.
ResponderExcluirNão existe melhor exemplo de carro-pavão que um Ferrari California.
Nicolas, se o nosso maior representante esportivo foi o Golf GTI, realmente estamos na merda.
ResponderExcluirEm relação a esportividade, aqui no Brasil, o próprio Gol GTI foi mais importante que o Golf GTI. O Uno Turbo e o Tempra Turbo idem.
Curioso é que aqui só se pensa em esportivo com zilhões de cavalos.
O Gol Turbo, que p/ mim seria um marco (1.0 16v turbo com 112cv), foi um mico. Tem post sobre esse motor aqui.
Olha, o Golf GTi é sensacional, sem embargo à sua paixão pelo Gol Turbo... A parati tb comungou deste mesmo propulsor...
ResponderExcluirÉ uma questão passional né. O Golf me empolga, a ti não. Depende da ótica de cada um...
Os extremismos, radicalismos não contribuem muito para o bem-estar...
Pode-se citar o Opala SS, como maior ícone de esportividade, mas eu não vivi essa época...
ResponderExcluirTeve o Marea Turbo, descomunal tb...
Eu não tenho paixão pelo Gol turbo, muito menos admiro a VW.
ResponderExcluirO opala SS foi um marco, principalmente pela chegada do motor 250.
O Golf GTI é sensacional? Até considero um carrão e teria um, como já tive golf, mas nunca teve apelo esportivo como o polo gti teve.
Me lembrei de uma das primeiras 4 Rodas que comprei... Dezembro de 1990!!! Tinha a F40 na capa!
ResponderExcluirEntrei no site para rever a revista e matar a saudade! Pena que não guardei a minha pequena coleção!
Em uma reportagem inglesa que foi publicada na revista QR, compararam em estradas desertas no interior a Ferrari F40 e um Mclaren F1 de Gordon Murray, pertencente ao baterista Nick Mason, da banda de rock Iron Maiden.
ResponderExcluirOs caras( ingleses, claro) elogiaram o maior desempenho do Mclaren, sua aptidão para andar forte sem dar sustos, sua elasticidade, entrega de potência linear em vez do soco da F 40 e muito a rigidez torcional do monobloco do F1, já com tecnologia dos top de hoje.
A do Mason é GTR, e ainda melhor que a que o Nelson Piquet correu e ganhou as provas GT em Curitiba e Brasília( contra as F40 inclusive) em 1995 ou 1996. A do Piquet tinha câmbio bem duro e o Piquet tinha que fazer Puntta tacco. Foi um show, tenho as provas filmadas on board. Na F 40 deles já tinha câmbio com o " dualogic " .
O Mclaren F1 é um monstro, gostaria de ver uma reportagem do Autoentusiastas sobre ele, caso andassem num exemplar. Um carro que além de tudo dá 380 km/h sem muito apêndice aerodinâmico, e tinha célula de sobrevivência, só poderia vir de um gênio como Gordon Murray.
O Bob dissecou muito bem a Ferrari F 40 na reportagem, escolheram a pessoa certa, pena que não deram o carro a ele num circuito para uma pequena mas conclusiva série de voltas.
No teste do Bob , lembro que consta a informação dele que na prova de arrancada ele teve um certo cuidado para não danificar nada no carro , suponho que com isso o Bob tenha deixado no ar que o tempo real de arrancada poderia ser diminuído em boa margem.
Para a Ferrari, elogio dos ingleses no comparativo foi à sensibilidade que o sistema de direção passava ao motorista e ao estilo. Ficaram receosos de andar forte com o carro ali na estrada.
Mas à época de lançamento da F 40, chamou atenção adoidado para a marca e deve ter atingido seu objetivo de marketing.
Bob, existe filmagem em VHS?
Guilherme
ResponderExcluirEssa capa resultou de uma ida à fábrica do editor técnico da revista, Luiz Bartolomais Jr., para ver o carro de perto. A Fiat convidou as principais revistas para conhecer o F40, que tinha acabado de chegar. Inclusive, o presidente Collor a havia dirigido nas avenidas de Brasília com a primeira dama Rosane ao seu lado. Era o carro do momento. Eu era editor técnico da revista Oficina Mecânica e fui nessa também. Mas ninguém dirigiu, só andou no banco direito com o técnico da fábrica e piloto Giuseppe Marinelli ao volante em algumas voltas na pista de teste da fábrica. Foi uma frustração geral. Na capa da Quatro Rodas de dezembro de 1990 a chamada foi "Andamos na Ferrari F40". De fato, a revista andou, só que, repito, de passageiro. Quatro Rodas só dirigiria o F40 dois anos depois, eu guiando, que foi a capa da edição de novembro de 1992. Claro, na capa da Oficina Mecânica tivemos o cuidado de não dar a entender que havíamos dirigido o F40...
Alexei,
ResponderExcluirParte do teste, como eu disse, foi na pista da Freios Varga, duas retas de 1,8 km ligadas por curvas nas extremidades. As curvas têm a parte interna plana e a externa com alguma superelevação, coisa de 15%. Mesmo sem haver curva e contra-curva ("S"), deu para avaliar bem o comportamento, tipo apontar, sentar e dar potência. O chassi aceita bem a cavalaria e muda a atitude, mas não chega a largar a traseira. Jeito muito parecido com o do Lola-Chevrolet T70 que eu havia dirigido anos antes no Autódromo do Rio. Nos testes de aceleração fiz questão de preservar embreagem e pneus, sem me preocupar em conferir os dados oficiais de aceleração 0-100 em 4,1 s e 0-200 em 11 s. Era um carro de estoque, com poucos quilômetros no hodômetro, portanto não tinha nada a ver fritá-lo. Assim, os tempos registrados e publicados foram 4,81 s e 13,06 s, respectivamente. Tenho um VHS, amador, feito por um amigo, bem razoável. Vou passá-lo para um meio atual e colocá-lo aqui no AE.
Bob,
ResponderExcluirMuito obrigado pelas informações extras, são utilíssimas! O teste de força G era efetuado na parte sobre-elevada ou era na parte plana?
Sobre o " Andamos na Ferrari F 40 " da QR , poucos anos atrás caí do cavalo ao desencavar a revista das caixas , pelo título da capa somente, pensando ser a " sua " , poucos dias depois fui ler e era o teste mixuruco na pista da Fiat e não o seu , que considero o teste mais importante já publicado pela Revista.
Giuseppe Marinelli é pai do Fred Marinelli, piloto ?
Ah, no aguardo do VHS , esse vai virar folclore em minutos !!!!!
ResponderExcluirAlexei
ResponderExcluirFoi feito na parte plana. Não sei o nome do pai do Marinelli.
F40 : resultado pela ignorância
ResponderExcluir959 : resultado pela tecnologia.
Fico com o F40.
Maran
Puxa vida, Bob Sharp na F40 em vídeo!!
ResponderExcluirNo aguardo.
288 GTO e F40 são as minhas Ferraris favoritas; depois vem a F355 e a Challenge Stradale.
ResponderExcluirMas se eu tivesse que escolher entre a 288 e a F40, acho que ficaria com a 1ª...
Essa eu nem imaginava, Bob! rsrs...
ResponderExcluirÉ bom saber das coisas pela fonte certa! Naquela época até para andar de passageiro era complicado! rsrs...
Se não me falha a memória, o Collor ainda fez uma bricadeira, dizendo que o carro puxava um pouco para a esquerda (mas por causa da cor dele)! Não lembro se isto foi lenda...
Parabens pelo post. Aliás, por todos eles!
Gulherme,
ResponderExcluirEu vi o Collor dizer que o carro puxava (não me lembro para que lado) na reportagem da TV Globo. Idiotice completa, fazer um comentário desse.
Nick Mason não é e nunca foi baterista do Iron Maiden, mas do Pink Floyd.
ResponderExcluirF40 é a melhor Ferrai já produzida.
ResponderExcluiro Autêntico carro de corrida de rua.
Isso, baterista do Pink Floyd, que tem aquela deliciosa música que começa ao som de um helicóptero...
ResponderExcluirA reportagem menciona corretamente,é que me fugiu o nome ao escrever
O fato é que o cara é Auto Entusiasta................
Obrigado pela correção, anônimo.
Bob, perguntei se era na parte com elevação da pista de Limeira porque os números da QR para força G eram sempre maiores que os da Auto Esporte à época,
A Auto Esporte sim, tirava até fotos do círculo de derrapagem e mencionava o raio do mesmo( padrão internacional se não me engano) em todas as matérias
Aos que disseram que a F40 era mais rápida do que o 959, estão errados.
ResponderExcluirInclusive o 959 foi um dos primeiros do mundo a baixar de 4 segs no 0 a 100 km/h...e na velocidade final sim...o 959 chegava a 317 km/h e a F40 a 321 km/h...fácil de se tirar dependendo do piloto.
Alexei,
ResponderExcluirO skidpad do campo de provas da GM, onde medíamos aceleração lateral, era de 200 pés de diâmetro, 60,96 m, ou 30,48 m de raio. As curvas do campo da Freios Varga tinham raio bem maior. E, claro, não teria sentido medir aceleração lateral com superelevação.
Alexei, a música é "another brick in the wall".
ResponderExcluir[]'s
Obrigado pela Informação, Bob. No início de 1998, a Auto Esporte divulgava 31,6 m para o raio do círculo de medição.
ResponderExcluirQuando você mediu a F 40, o melhor carro já testado pela revista acho que era o Honda NSX, e ele escorrega pacas...na mão do Senna em Suzuka. rs
A título de informação, os karts equipados com pneus homologados no Brasil( de 1994 até 2010 a performance em curvas do kart não mudou), slicks 7,10 atrás, atingem até 2.80 G´s em 2 ou 3 curvas de cada kartódromo, grande parte das curvas é acima de 2 G.
Considere que entramos diminuindo velocidade em curva até quase o ponto de tangência ( onde fica morto por um breve momento em aceleração longitudinal nula),e com muito cuidado que o freio nesse kart é só trazeiro, e na tangência já começa a despejar acelerador e torque com muito cuidado - para não desgarrar e perder tempo- ou ir aquém ou além da saída certa da curva. Mediante mais de 2G, fazer isso é uma arte que poucos conseguem, porque quando ameaça desgrudar tem que antever certo e tomar as providências imediatamente com muita precisão, é show de roda pilotar um kart no limite,
Outras :
o 959 devia arrancar mais mesmo, ele era tração integral e " inteligente "
PietroCF : Grato pelo nome da música do helicóptero ! já-já vai pro som do carro...
Alexei,
ResponderExcluirIsso, o skidpad do campo de provas da GM era ligeiramente maior em diâmetro que o padrão.
Esse carro marcou muito, e foi o início de minha coleção de miniaturas 1:18, quando ganhei uma F40 da Buraggo, em 1988.
ResponderExcluirLembro que em 87 ou 88, havia uma delas em São Paulo e eu a vi num estacionamento próximo à Praça da República; claro que parei o carro e fui olhar, junto com minha mulher. Babei o tempo todo.
No dia seguinte comentei com os amigos, mas ninguém acreditou, até que no fim de semana seguinte saiu na Veja o carro que eu tinha visto.
Só agora pude dirigir uma, jogando o GT 5, do PS3!!!
Ao Alexei...isso é obvio, mas não inteligente...na época não tinha nada de eletronica para se controlar largada no 959...apenas três diferenciais...hehhehehee
ResponderExcluirE de novo para quem diz que não era uma "afronta" da Ferrari contra a Porsche, basta seguir um mero detalhe...o 959 e a F40 tinham motor Turbo com "apenas" 2800 cc...para se adequarem ao regulamento FIA do Grupo B....que acabou não dando certo e nunca foram realmente rivais nas pistas...
Os sistemas utilizados no Porsche 959, que venceu até Rally - dos Faraós são pais dos sistemas modernos que regem os melhores carros do século XXI.
ResponderExcluirDas mais de 1.000 Ferraris F40 produzidas, muitas sofreram up grades nos Turbos e liberam fácil mais de 700 cv. Isso segundo a reportagem com o Mclaren F1.
Importante o Bob ter mencionado que o Ferrari não soltou a trazeira mediante aplicação de potência na curva da pista de Limeira. Na reportagem dos Ingleses, dá a entender que o bicho é perigoso, mas talvez os repórteres são sejam pilotos experientes como o Bob, acostumado a Opalas D3 e Lolas que corriam Le Mans, e uma coisa é impressão que poderá sair e outra é trazeirar descaradamente.
O Mclaren F1, vi na mão do Piquet, GTR tb, preparado e com slick, era com leve subesterço e talvez isso tenha deixado os ingleses mais à vontade que na Ferrari
Bob,
ResponderExcluirVocê é sem dúvida uma das pessoas mais invejadas entre os Autoentusiastas... hehehe... Ferrari F40! O mito! Estamos ansiosos pelo video!
Agora o Collor foi um fanfarrão mesmo, não? F40, caça, jet ski... O presidente playboy... kkkk
Nicolas,
Tudo indica que o Gol GTI reaparecerá das cinzas, agora com o motor mais que premiado da VW (eleito o motor do ano na Europa nos últimos dois anos) 1.4 T com 160cv (que em outros modelos trabalha numa config de 180cv)... Bom! Tomará que não seja só especulação, mas se a VW o fizer, tenho certeza que será algo para fazer as vezes do nome Gol GTI!
Romeu, ótimo comentário!
F RD, quem mesmo fez a California? Foi a Nissan? rs*
Alexei, estive em Aracaju e assisti o pessoal no kartodromo fazendo curvas a moda como falou... realmente é impressionante o que dá pra fazer com o bichinho.
nrporto,
Só no playstation... tion... tion... Só no playstation... hehehe
Meu primo comprou o recém-lançado jogo também, tô loco pra ir na casa dele fazer uma jogatina...
Vc tem volantinho? Ele está estudando a compra... No custo benefício tende a fechar num logitech mesmo.
Sds
Fabio
ResponderExcluirCada presidante tem sua alcunha. Juscelino, presidente bossa-nova; Collor, presidente playboy; este que sai no dia 1/1/11, presidente não-se-de-nada...
Fabio.
ResponderExcluirO GT 5 é demais. Chegou no sábado, e passei o fim de semana grudado na TV. Estou apanhando dos Stock Car americanos, de motor muito forte e que patina o tempo todo.
Ainda não consegui jogar on line, mas quando resolver o problema podemos tirar um racha!! Feliz 2.011. Abs
Fico com o 959 qualquer dia. É muito fácil fazer o F40. Qualquer das grandes grandes fábricas na época poderia fazer um F40. Agora o 959 não, só a Porsche mesmo...
ResponderExcluirPara mim, a Ferrari mais bonita já feita. Na minha humilde opinião, o desenho da F40 colocou a Ferrari no século XXI com boa antecedência. Quanto à mecânica, sem comentários. Na falta de condições financeiras para adquirir uma, tenho de me contentar com duas miniaturas na escala 1:50 e 1:64. Mas sonhar ainda não paga nada, não é mesmo? Parabéns ao blog por relembrar um dos melhores testes da QR, e meus parabéns ao Bob pelo privilégio de pilotar esta jóia sobre rodas!!
ResponderExcluirTaí meu ferrari favorito!
ResponderExcluirEsse sim dá pra olhar e dizer "perfeito"
Desde a F40 poucos ferrari me interessam, (512TR, 348, 355, 550) mas nenhuma dessas máquinas chegam aos pés do que foi a F40.
Belli,
ResponderExcluirmeu Ferrari de sonho, como Ferrari tem que ser.
Quando tiver 30 anos, e eu mais verba, quem sabe ?...
Francisco,
ResponderExcluirFiquei pensando em uma réplica de F40, com um motor V8 derivado da Suzuki Hayabusa. Carroceria de fibra de vidro, chassi de tubos de aço, V8 derivado da Hayabusa Biturbo, suspensão duplo a, cambio Transaxle Audi/gol GTI (sera que aguenta 500 cv?). Ficaria relativamente fiel ao conceito atual. Então, alguem se habilita?
Não é atôa que este é um dos meus sonhos de consumo!!!
ResponderExcluirCarros assim são peças raras de se encontrar, e só que gosta realmente de carros, em especial esportivos, este é o "brinquedo perfeito" para isso !!!
Parabens pelo texto e fotos :D
Abraços
ass
Kiko Molinari - http://carrosrarosbr.blogspot.com
Abraços
ResponderExcluirass?
Ass hugs? lol
Bem, em tempos de downsizing, com certeza as Ferrari turbo estão voltando. As com poucas concessões a conforto a bordo, só aguardando.
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