A SAAB DE NOVO EM DIFICULDADES


O modelo 9-5 Combi. (foto: Saab Media)

Que não seria fácil, todos sabíamos. Desde que Victor Muller comprou a Saab com ajuda de bancos, era esperada uma recuperação complicada. Há cerca de dois meses, a Saab voltava às notícias, por atrasar pagamentos a fornecedores, e em seguida, ficar sem peças para produzir seus carros.

Muito má situação para quem começara a vender o 9-5 novo, e precisava encher concessionários pelo mundo todo. Não dá para vender carros sem tê-los nas lojas.

As vendas em abril no mercado americano mostram que a Saab cresceu 223,72% em relação ao mesmo mês de 2010, vendendo 696 carros, contra 215  no mesmo mês do ano passado. A Saab lidera o aumento percentual, mas em números reais é muito pouco, claro. Menos de 700 carros por mês, em um território do tamanho do americano, é quase nada.

E por que será que isso é assim? Será que os americanos também não sabem comprar carros? Claro que não é isso, mas lá como cá a maioria gosta de aparecer, e isso significa não comprar uma marca que aparece pouco. Ou pior, que está em fase de recuperação, ou tentando, pelo menos.

Na verdade, será difícil a marca não fechar as portas em curto prazo, exceto se a empresa chinesa recém-associada injetar bastante dinheiro nela.

O valor aplicado até agora é apenas parcialmente do Sr. Victor Muller. A maior parte vem de bancos, e aí é que complica ainda mais. Todos temos conta em bancos e sabemos exatamente para qual finalidade eles existem: ganhar dinheiro.

Sim, existem belas instituições de ajuda e amparo a todo tipo de causa, crianças, doenças, meio ambiente, mantidas com verbas de instituições financeiras. Mas isso é só um pedacinho de uma montanha de dinheiro que eles faturam.

Essa união de fábrica de carros com investidores financeiros é muito frágil. Bancos não esperam resultados de longo prazo. Mais ou menos assim: a fábrica gasta muito por muito tempo para desenvolver um novo modelo, para lucrar só depois que começam a vender. E isso demora.

O banco quer ganhar muito todo dia, e consegue, alimentados pelo consumismo que impera em boa parcela da população mundial, ávida por novos produtos, muitas vezes inúteis. Não é, portanto, uma combinação tranquila e que gere frutos, digamos, saudáveis.

Fábricas de carros precisam de tempo e dinheiro, e ser mantida por uma empresa que quer ganhar muito todo dia não é uma boa combinação de filosofias.

Como entusiasta e admirador da marca, espero profundamente que eu esteja errado, mas a situação caminha para não existirem mais novos Saabs por muito mais tempo.


Saab 9-5 sedan (foto: speedflux.com)

A profundidade de meu pesar é grande, pois poderia ser diferente, se existissem mais pessoas com interesse em carros e marcas um pouco à parte do grupo normal.
A própria fábrica tem sua parcela de culpa no problema, já que desde que foi finalmente comprada pela General Motors em 2000 (desde 1990 a GM possuía 51 por cento da Saab), aceitou fazer seus carros a partir de modelos Opel, que nunca foram excepcionais em nenhuma característica. E nem atingiram um grau de diferenciação como existia até o modelo 900 clássico, que foi produzido de 1978 a 1993. Este, considerado o último Saab de verdade, sem interferência da GM.

Era claro que fazer algumas peças de desenho próprio, com boas soluções, não estava sendo o suficiente para diferenciar os Saabs dos Opels, mantendo os clientes tradicionais e atraindo novos. Mesmo os motores desenvolvidos pela própria Saab não chegavam a ser brilhantes a ponto de provocar mais vendas, apesar de serem bastante eficientes na relação entre desempenho e consumo.

Nesse aspecto, o fã mais ferrenho da marca Saab foi radical, evitando os carros de origem GM. Uma história parecida com os Porsches de motor dianteiro, o 924, o 944, o 968 e o 928, nunca considerados Porsches de verdade pelos fanáticos pela marca.

A esperança são acordos com empresas da China, mais uma vez.
A Hawtai Motor Group, conforme foi anunciado há poucos dias, é o grupo que está entrando com participação na Saab (leia-se dinheiro). Como está sendo para a MG, que morreu e renasceu recentemente sob a tutela da SAIC chinesa, e para a Volvo,  hoje pertecente à Geely Holding Group, também da China, por exemplo, pode dar resultado.

Se não acontecer a sobrevivência e a recuperação, não ficarei surpreendido. Afinal, estamos em um mundo onde existe até mesmo um site de relacionamento em que podemos escolher nossa cara-metade pelo salário.

Esse mundo acabou mesmo, e vivemos nele.

JJ

20 comentários :

  1. O mundo acabou, isso aqui é só ilusão.

    Ainda quero ver a SAAB fazendo SAABs, ou seja, carros inovadores e diferentes.

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  2. Cristian Pinheiro05/05/11 16:47

    Joel, daqui um tempo tudo será, nos bastidores, chinês. Não sei se li ou pensei, mas cada vez mais os carros deixarão de ter alma, o que é triste.

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  3. Comparo os chineses a ervas daninhas tomando conta de uma árvore, sugando tudo que podem do hospedeiro até matá-lo, e acabarem morrendo juntos, vítimas da própria voracidade.

    O mundo atual é triste e sombrio, movido unicamente pela ganância.

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  4. Rodrigo Barreto05/05/11 18:20

    É realmente uma pena que a Saab volte a correr o risco sério de fechar as portas. Na semana passada saiu um teste na AutoHoje de Portugal com o novo Saab 9-5 TiD 2.0 Vector. Ainda usa a plataforma e motor do Opel Insignia mas traz alguns detalhes curiosos. Pra quem se interessar, segue o link:

    http://www.autohoje.com/index.php?option=com_content&task=view&id=78773&Itemid=364

    Abs,

    RB

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  5. Não concordo, mesmo! A SAAB podia ser tudo de bom, mas mesmo assim não soube honrar suas tradições! Carros da GM são carros sem sal nem açúcar em sua maioria, e os da sueca viraram isso... Além do que, esse conceito de que não sabemos comprar carro e gostamos de apareçer é uma baita besteira. O real motivo de venderem tantos Audis, Mercedes, Volkswagens e BMW´s é que esses tem peças de reposição, tem confiabilidade e são rentáveis, ou seja, não viram um mico! Afinal de contas, quem vai comprar um carro de uma fabricante que tem problemas graves com fornecedores, afetando assim a produção de carros e reposição de peças? Alguém aí me diga se estiver errado, mas uma coisa é querer apareçer (num carro alemão você faz um bom negócio e apareçe sem querer), e outra é comprar um carro com algum pingo de razão e amor ao próprio dinheiro.
    Se a SAAB não começar a fazer carros pequenos, grandes carros (e não carros grandes), confiáveis e de personalidade, não há capital chinês que possa salvá-la.


    Renan Veronezzi

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  6. São por essas e outras que não gosto de bancos. O pessoal só está interessado em lucros, quanto mais maior. Não estão nem aí se para ter lucro abusivo terão que pisar sobre os menores e massacrar a qualquer custo. E tudo isso para quê? A maioria dos acionistas dos bancos sequer usa todo esse dinheiro com coisas realmente úteis. Compram aquilo que dá status e mostra poder aos demais. Não sabem diferenciar de fato um Mercedes-Benz de um BMW, no que se refere a comportamento dinâmico (pior, a maioria prefere ir sentada no banco de trás...)

    Os bancos têm o dever de zelar pelo dinheiro que (obrigatoriamente) depositamos nessas instituiçõe e, por incrível que pareça, ainda nos tratam como se estivem fazendo um tremendo de um favor!

    Ou seja, bancos e fábricas de automóveis nunca darão certo. É melhor ver a Saab encerrar suas atividades gloriosamente do que ver a marca completamente descaracterizada, uma caricatura do que já foi um dia.

    Dói na alma ver a Saab assim, mas...

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  7. por incrível que pareça, ainda vejo esperança para a Saab. não sei se com Victor Muller e Vladimir Antonov no meio, se com financiamento chinês ou o quê.

    também não é mero "wishful thinking", como tratam os americanos.

    acho que a novela do fechamento da Saab entre 2009/10, terminada com a Spyker levando a marca, deu uma grande visibilidade à empresa no meio industrial, apesar de as vendas ainda estarem patinando. com paralisações e tudo, venderam mais de 10 mil carros nos primeiros quatro meses.

    é pouco? é. muito pouco. mas a Saab tem dois modelos prontos, a poucos passos da produção, de grande apelo: a perua 9-5 SportCombi (carroceria que a Europa prefere aos sedãs) e o crossover 9-4X, feito para o mercado americano.

    entendo o temor dos bancos e compartilho dele, mas se esses dois modelos conseguirem chegar às concessionárias, vejo um bom futuro para a Saab. que hoje se espelha muito na Jaguar/Land Rover, tendo a pretensão de chegar a algo entre 80 e 120 mil unidades anuais, sendo uma fabricante de nicho, vendendo um décimo das BMWs.

    vai ser muito difícil, claro. mas por incrível que pareça, eu acredito.

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  8. Johnconnor(old rocker)05/05/11 20:32

    A Saab vai mau no mesmo mercado em que Mercedes,Audi,Opel,VW,Volvo,etc,etc,etc...vão de vento em popa, os consumidores e as condições de mercado são os mesmos para todos logo a culpa não pode ser deles e sim da própria montadora, o capitalismo não costuma perdoar mesmo.

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  9. Vivendo o Presente06/05/11 07:58

    A Saab precisa de bancos pois os admiradores da marca são muquiranas. Você que gosta, comprou ações? Deu empréstimo "de longo prazo".

    Fácil reclamar dos bancos e mamar nos juros altíssimos deste país. Organizem-se e ajude, admiradores de Saab.

    Ou parem de reclamar do mundo. Ele é cada vez melhor pra grande maioria das pessoas. Carros que andam como BMWs custam muito pouco, antes só os ricos podiam ter esse prazer de condução.

    Sei lá, muita reclamação sobre o mundo e nós é que o fazemos.

    Valeu!

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  10. Johnconnor(old rocker)06/05/11 08:54

    Não quero dar a impressão de estar defendendo Bancos mas é mesmo muito complicado e até perigoso tentar ajudar uma empresa nas condições da Saab.É como tentar ajudar alguém que está preso na areia movediça até o pescoço,se a pessoa que tenta ajudar estica demais o braço ou se inclina além da conta pode ir parar no buraco também,aí morrem os dois abraçados.
    Alem do mais Bancos não são diferentes de qualquer outro tipo de empresa ou pessoa,eles visam lucro e se ele vier rápido melhor.Ou será que aqui alguém trabalha por hobby ou só por amor a camisa???

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  11. Os Chineses não estão interessados me vender carros entusiastas; para eles seria mais um negócio, em prol do objetivo de "conquistar o mundo".

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  12. Ótimos comentários!

    Renan, Palandi, inclusive o "Vivendo o presente"...
    Pena que eu ainda não tenho "bala" pra ter um carro que anda como um BMW... hehehe

    Espero que a Saab realmente se levante com estes lançamentos!

    Chinese SUX!

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  13. Esses carros chineses não tem alma. Olha só aquele QQ. Se continuar assim, num futuro próximo os meninos da nova geração vão começar a nascer sem as bolas.

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  14. QQ é isso? kkkkkkk....

    É bom!

    Bom nem comentar...

    sem as bolas... kkkkkk...

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  15. Fiquei triste com a morte da Saab. Mas isso foi há muito tempo, quando a GM deixou que ela morresse de inanição. Agora, não há mais nada a fazer.

    Como falou o Eduardo Leal, "rest in peace".

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  16. De novo SAAB ?!?!?! O.o*

    Me tirem uma dúvida: a SAAB não tinha sido aquiquirida pela Spyker? Me lembro de algo flando sobre a Platinus ser representante a marca no Brasil, isso no fim do ano passado.

    E esa da Volvo pertencer a Geely é nova pra mim o.o*

    Abraços
    Kiko Molinari

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  17. Kiko,

    a Saab foi adquirida pela Spyker sim. a questão é que o negócio foi viabilizado por um empréstimo de 400 milhões de euros feito pelo Banco Europeu de Investimento, que foi parcialmente sacado na época e a outra parte ficou à disposição.

    houve um problema com fornecedores, e para pagar isso a Saab precisou recorrer a uma parte do que estava à disposição, mas a burocracia para sacar foi muito grande (dizem que por culpa da ministra da Fazenda sueca) e, no meio disso, os fornecedores pararam de mandar peças, paralisando os trabalhos na fábrica.

    no meio disso, a Saab foi à procura de outras fontes de financiamento, aí entraram os bancos, o Vladimir Antonov (russo que seria sócio deles junto com a Spyker, mas que foi barrado pelo governo sueco, que desconfiava que ele era um gângster), os chineses etc.

    no final das contas: a investigação do governo sueco sobre o Antonov não achou nada das suspeitas, ele foi liberado para investir na empresa... e a chinesa Hawtai acertou uma opção de compra de até 30% das ações preferenciais da Spyker.

    assim, Antonov (por meio do banco Gemini, do qual é sócio) + Hawtai garantiram o financiamento das atividades da Saab no curto e no médio prazo. e a preocupação (justificada) do JJ é saber se uma empresa consegue sair desse círculo vicioso de empréstimos - eu acredito que a Saab consegue.

    sobre a Volvo, a Geely a levou da Ford dois anos atrás. fico com um pé atrás, mas quem sabe assim ela não volte a fazer carros de tração traseira...

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  18. Eurico Jr.07/05/11 20:01

    Tenho muito receio de que a SAAB não consiga escapar desse redemoinho envolvendo "empresários" russos e obscuros fabricantes chineses. E pensar que o Natalino Bertin já estava se movimentando para trazer a marca ao Brasil...

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