ONDE FOI QUE ERRAMOS?

Fotos: Hemmings.com


Um anúncio de carro usado no Hemmings, um dos sites mais importantes sobre carros antigos, me chamou atenção há alguns dias. Por US$ 17.500,00, preço nos Estados Unidos, pode-se levar para casa um Buick Electra sedã, fabricado em 1968. Um carro do final dos melhores e mais empolgantes anos para entusiastas automobilísticos, essa raça que está sempre procurando sarna para se coçar.

Os anos 60 viram carros esplêndidos sendo lançados em várias partes do mundo. Nos EUA, eram quase sempre com tecnologias antigas e confiáveis, mas com uma grande dose de estilos interessantes. Já não eram mais tão chamativos pelas ornamentações como havia sido na década de 50. Era algo mais discreto, marcado pelas dimensões generosas.

Este Electra era desde novo até o ano de 2005 de uma só família. Depois disso foi vendido e apenas restaurado nos itens onde havia problemas, como a pintura, que precisava de uma melhoria.

O resultado é absolutamente astonishing, como eles dizem nos EUA . Estupendo, impressionante.

Muito bem conservado por dentro e por fora, mostra uma beleza simples, sem excessos.




Olhando com atenção essas fotos, e absorvendo os belos detalhes de uma obra tão bela, me pergunto: como deixamos que esse tempo acabasse? Por que nos rendemos aos carros de plástico?

Estou em uma fase de encontrar respostas para quase todos os grandes problemas da humanidade em uma só expressão, a " teoria da conspiração ". Nesse caso, uma conspiração daquelas que não há como escapar.

A famosa Crise do petróleo de 1973 pôs  fim ao sonho da gasolina barata, e a indústria do petróleo passou a ser vista como uma das grandes vilãs da humanidade. Ficou marcado para sempre que carros deveriam gastar pouca gasolina, e todas as fábricas grandes foram nessa direção.

Como um dos principais inimigos do baixo consumo é a massa de um carro, buscou-se carros mais leves. Partes metálicas como o painel de instrumentos, por exemplo, que era feito em aço até nas áreas visíveis, como chegamos a ver também no Brasil, até finalzinho dos anos 80, no Corcel II, deixaram de existir. Para-choques são outro exemplo, mais fácil até de ser lembrado.

Já há bastante tempo praticamente todos os carros utilizam muito plástico em seu interior e exterior, e até mesmo no cofre do motor e tanque de combustível.

Plástico é o nome popular dos polímeros, feitos basicamente de petróleo. Óbvio que carros com muitas peças de plástico são um prato cheio e garantido para as empresas petrolíferas. Fácil então, a equação: mais peças plásticas, mais petróleo sendo consumido, mais lucros. Perderam na gasolina, mas ganharam em uma matéria-prima mais cara. Aí está a conspiração. Sem escapatória para o consumidor.

Como resultado, os carros ficaram mais pobres materialmente falando, e perdem qualidade mais rapidamente, pelas inúmeras peças e fixações leves e de material plástico, além da diminuição ou até eliminação de fixações com parafusos e porcas, que permitem montagens e desmontagens "limpas", sem estragos para as peças.
Assim deixamos de ter carros com a classe e carronalidade  desse Buick.



Nos rendemos a carros parecidíssimos entre si, com características padronizadas, de aparência principalmente.

Nunca mais veremos carros como esse Electra, apenas um exemplo entre centenas de modelos notáveis. Um outro deles, para quem gostar de pesquisar, é o Pontiac Le Mans 1966, um de meus preferidos dessa época.

O link para o anúncio é este.







JJ

25 comentários :

  1. Parabéns pelo post, pelo assunto abordado, os automóveis evoluiram em muitos aspectos mais perderam muitas características que apenas os tornaram muito parecidos uns com os outros, deixando pra traz muitas coisas que os diferenciavam, pra mim uma pena , nao adianta evoluir e esquecer do passado.

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  2. Só concluindo, sem plástico é igual a mais petróleo que é igual a mais gasolina, ou seja, carros de plástico contribuem para o alto preço da gasolina (R$3,10 aqui na minha região).

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  3. Engraçado que toda literatura de ficção cientifica das décadas de 1950 e 1960, des. revêm um futuro padronizado, seco, sem sal, e geralmente essas características levam o ser humano a perder sua individualidade, que é principal característica para manter o equilíbrio na vida em sociedade.

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  4. O plástico é mais leve que o aço. Logo, o carro acaba sendo mais leve também, o que reflete no consumo de combustível. Então, se considerarmos a vida útil do carro, eu creio que o uso do plástico acaba sendo compensado. E hoje em dia começa a aparecer plástico feito de cana-de-açúcar.

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  5. Pagamos o pato pela ingenuidade dos ecochatos!
    E quem realmente se dá bem são as grandes empresas com sua astúcia, pois perdem de um lado e ganham por outro.

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  7. Eu acredito que tem outra "teoria da conspiração" por trás disso, que é a "obsolecência planejada"... ou seja, a produção de carros feitos para durarem cada vez menos.

    Se antigamente os carros eram feitos para durar de 20 a 30 anos, atualmente são feitos para durar de 10 a 15 anos... e a tendência é piorar.

    Mas isso é algo que se vê em toda a indústria, que quer vender cada vez mais fazendo produtos cada vez mais descartáveis. E o meio-ambiente que se dane.

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  8. Clésio Luiz07/05/11 14:50

    O Juvenal falou uma coisa interessante, que os carros estão cada vez mais parecidos. Mas para mim isso não é uma tendência recente. Carros, principalmente os sedãs americanos, sempre foram muito parecidos entre si. Claro, existem carros que se destacam na multidão, e olhos treinados de um entusiasta sempre distingue tudo.

    Eu pessoalmente sempre achei os modelos europeus mais diferentes entre si. Sempre achei eles mais fáceis de identificar, pois sendo de países diferentes, seus desenhos refletem um pouco a cultura de seus criadores. Havia também a questão do orgulho de suas engenharias, sempre buscando soluções diferentes para se destacar da multidão. Até o começo da década de 70 não havia uma receita padrão para o carro europeu, a não ser o seu tamanho menor em relação aos americanos.

    Já os americanos, depois da adoção em massa do V8, ficaram muito parecidos em mecânica e o estilo, com poucas exceções era praticamente o mesmo entre diferentes marcas. O carro americano da década de 40 era bem bochechudo e alto. O de 50, espalhafatoso e bem baixo no final. O de 60, baixo, longo e de desenho simples e quadrado. Vários deles compartilhavam frentes parecidas, como Fords e GMs com 4 faróis na vertical. Entre 60 e 70 veio a linha de cintura bem destacada. No começo da década de 80, todo mundo tinha 4 faróis horizontais e linhas bem quadradas. Boa sorte tentando descobrir as diferenças entre um Crow Vic, um Caprice e um Newport da época.

    Do final dos anos 90 pra cá, tem havido uma busca por identidade entre as marcas americanas. Embora os sedãs ainda tenham pequenas semelhanças, o mesmo não se pode dizer de seus modelos compactos, pois estes tem clara inspiração nos europeus.

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  9. De fato esse Electra está lindo. Se algum brasileiro quiser trazê-lo para cá para enriquecer nosso parque de carros antigos, que se sinta à vontade (ainda que não vá se sentir muito à vontade em nossas ruas estreitas).
    Sou só eu ou outros aqui notaram uma razoável semelhança do volante dele com o usado nos Rekords C contemporâneos? Que não esqueçamos que à época os Opels eram vendidos nos EUA pela rede Buick e que hoje em dia, todo Buick abaixo do LaCrosse é um Opel com mudanças.

    E já que estamos falando em coisa com sensação de ser bem construída, o que mais me chamou a atenção no Electra em questão é o estofamento. É um tecido de bom aspecto ladeado por um tipo de curvim tão bom quanto aquele que víamos aqui nas costas dos bancos da linha Opala do começo dos anos 1980. E com tecido como esse, quem é que vai querer banco de couro? Olhem o capricho das costuras e dos desenhos. OK, é banco tipo sofazão e nas curvas vai te jogar de um lado para o outro, mas não podemos negar que é algo bem desenhado e que o fornecedor pôs um talento em cima.
    Outra coisa que adoro são essas maçanetas internas retráteis, ao mesmo tempo bem localizadas e evitando de se projetar contra os ocupantes. Tudo bem que obrigam o forro das portas a se projetar mais para dentro do habitáculo, mas ainda assim fica a impressão de que os projetistas deram de ombro, pois lidavam com um carro bem largo.

    Desses detalhes de acabamento, só ficaria mais preocupado mesmo com os puxadores da porta, por serem aplicados sobre superfície reta e bem perto de um cotovelo que possa lhes causar pressão para baixo e subsequente enfeiamento com o passar dos anos, aqui também se podendo falar do que costumava acontecer com os Opalas mais antigos e seus puxadores de porta parafusados sobre superfície reta.
    Porém, realmente é um carro lindo e, o mais interessante de tudo, periga de ele pesar menos do que um carro atual que tenha uns 40 ou 50 cm a menos que ele.

    Fora isso, levar seis pessoas em duas fileiras de bancos é uma boa demonstração de aproveitamento de espaço interno (vide o que ocorre com o porta-malas das minivans de três fileiras quando se leva a mesma quantidade de seres humanos, com o risco de os das últimas fileiras não poderem ser adultos).

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  10. Vendo o painel desse Electra, que é chapado em vez de projetado para os ocupantes da frente como em um carro atual, fico pensando se não haveria como adotar tal solução em projetos mais novos como forma de ganhar espaço interno para a frente sem cair na esparrela básica de aumento de dimensões e entre-eixos.
    Por que digo isso? Pelo fato de os painéis projetados para os ocupantes que vemos nos dias de hoje serem herança direta de painéis que eram projetados para os ocupantes como forma de se fazer pequenas bandejas porta-trecos na parte superior da concha, que tiveram sua utilidade outrora, mas que hoje são inviáveis devido aos airbags.

    E, como airbag dispara na direção dos ocupantes, tanto faz se ele sai de uma posição mais vertical ou horizontal, bastando apenas projetar o saco para que ele esteja na posição certa na hora do acidente (especialmente no caso do passageiro, em que a posição do airbag é invariável). Assim sendo, perde sentido um painel projetado para os ocupante, uma vez que com um bom projeto daria para conciliar o abrigo do airbag com um porta-luvas espaçoso o suficiente para acomodar as miudezas habituais de tal tipo de uso.
    Se alguém tiver dúvida disso, que veja o Fiesta Mk4 e seu painel que vai láááááá para frente do lado do passageiro dianteiro, com o explícito intuito de ganhar mais espaço interno. E conseguiram um porta-luvas bem adequado (com certeza maior que o de um Corsa B e seu painel que se projeta em direção aos ocupantes).

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  11. Se eu tivesse que acrescentar alguma coisa ao Juvenal, seria o que o Clésio Luíz falou. Agora não preciso acrescentar mais nada, pois ambos disseram tudo!

    Cada vez mais eu quero achar o culpado por eu ter nascido na época errada... Porque eu não cheguei um pouco antes na fila?! Gosto muito da simplicidade mecânica e estética e da diversidade de ambas.

    Eu tenho um plastimóvel, mas meu amor de verdade todo mundo que me conhece sabe qual é: VW Sedan 1970. Metal Rules!!

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  12. Meu os unicos produtos feitos pelo homem que podem ser chamados de "carro" foram feitos à decadas atrás e infelizmente ficaram somente em nossos sonhos...(claro que hoje em dia temos representates como o viper, corvete zr1, etc)
    Eu tenho um carro 99, considero um ótimo carro, confortavel e com um acabamento que a muito não se ve por ai. Todos esses anos e a unica coisa que tem rangido é a dobradiça do porta-mala. MMMAAASSSS levei ele pra resolver uns probleminhas no motor, limpeza de bicos troca de velas etc. . 565 r$. O carro da minha mãe, 91, 1.8 que nem o meu(quis comprar dela... quem disse que ela me vendeu!? HÁ!nem se eu desse um zero pra ela), tava dando umas balançadas quando ligava e tava meio fraco no diaadia, mesmos sintomas do meu. Sabe quanto foi gasto? NADA!. Uma mera regulada com um chave de fenda no carburador e ja era, tudo funcionando como deve, perfeito redondo sem um engasgo. Por isso ja coloquei na minha cabeça, queria um Focus, mas depois dessa meu amigo, vo pular pra um velhinho, que ainda fico com um troco no bolso, sem contar a economia com a manutenção.

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  13. Porque um Palio (ou outro similar), pequeno, cheio de plástico e sem equipamento algum, pesa praticamente o mesmo que um, por exemplo, Corcel II?

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  14. Roberto Dallabarba07/05/11 19:50

    Outro dia babei em um Aero Willis, sou profundo admirador do uirapuru, tenho um fraco por SP2, Fã do Karman Guia. Isso sem contar E tipe, DS, Giullia, 2000 GT etc.
    Tal qual o Alexandre acho que nasci na época errada.
    Carronalidade JJ, matou a charada do que está matando a mística dos carros.

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  15. Um dos motivos para adoção dos plásticos é que ele permite formas e superfícies mais complexas, de uma maneira mais econômica para as empresas. Outro detalhe é que painéis e parachoques de plástico se deformam em impactos de maneira que na maior parte dos impactos, absorvem mais energia, que então não é transferida para o corpo dos ocupantes, ferindo-os.
    O uso do plástico não é culpado pela mesmice automotiva dos dias de hoje. A culpa é a transformação do automóvel em um produto de consumo massificado e de vida útil curta; um carro não pode mais ser ousado, porque corre o risco de não vender, e ao mesmo tempo é necessário que seja renovado constantemente, pois senão o consumidor não será levado a trocá-lo rapidamente, dando menos lucros para as empresas. É esta equação que gera os carros atuais pausterizados.

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  16. Lido o Buick. Dá água na boca, não dá?

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  17. Johnconnor(old rocker)08/05/11 12:33

    Eu particularmente prefiro o Electra 1959,aquele com cara de mau.
    http://www2.uol.com.br/bestcars/cpassado2/electra-1.htm

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  18. Meu Deus, quanta besteira. O Carro é lindo, mas será que alguem em sã consciencia acredita que os Carros atuais são piores que os de antigamente? Ou vocês são muito jovens, ou tem a memória muito curta...

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  19. Os carros atuais estão adaptados e são expressão da sociedade atual. Os antigos são legais pra ter como hobby, mas inviáveis pro dia-a-dia.

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  20. Juvenal, concordo com vc sobre a precarização dos carros atuais. Mas também aponto outros fatores que ajudam a determinar esse quadro: a limitação da exploração de jazidas de minérios em todo o mundo ao mesmo tempo do incentivo pela exploração do petróleo e a proporção do material extraído em matéria prima de quase 1:1. Por sua vez, o plástico é expandido, sua massa pode ser multiplicada muitas muitas vezes. O custo do plástico (que pode ter origem mineral ou biológica - como a fibra de côco, soja etc) é muito menor, mesmo em cadeia, além de ser mais facilmente renovável (biológico) e reciclável (mineral). Por fim, se cada chinês quiser ser motorista de seu próprio carro, não haveria aço suficiente no mundo. Porém, qualquer Buick, Electra, GTX ou Roadmaster leva por água abaixo qualquer teorização...

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  21. O Alexandre de 07/05, 13:47 fala com precisão: qualquer coisa feita pela indústria nos dias de hoje é feita para durar menos. Ponto parágrafo.
    A questão é que o "zé-povo" e a classe média, em sua grande maioria, querem usar um pouco as coisas e fazer nova prestação para algo novo logo aí adiante. Consumismo. Pra que fabricar um estofado que dure 40 anos se a massa quer trocar umas 2 vezes por outro neste período?
    Exemplo de casa: minha mãe tem um conjunto de móveis na sala da casa dela de mais ou menos 1955, feito a mão, sob medida, intacto. Há poucos dias o marceneiro que fez esse móvel foi lá e reconheceu a sua obra!
    Hoje você preferiria comprar um sólido conjunto de móveis de madeira nobre que durasse 50 anos porém caro, ou um conjunto mais frágil que durasse um quinto disso mas que fosse mais barato? 99% da população preferiria a 2ª opção.

    Ricardo2

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  22. Jesiel,
    a principal diferença de massa de carros atuais para os das décadas anteriores é devido a estrutura de aço (chapas) mais resistente a impactos, torções e flexões. Pode ver, uma carroceria atual dura muito mais que um Corcel, ou Passat ou Gol, só para citar 3 exemplos. Veja o post do Bitu, "Saudades de minha amiga", quando ele fala sobre a trinca no dash-panel (parede de fogo). Num carro de hoje só ocorre algo assim por um defeito de fabricação ou material.

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  23. uma boa noticia e que no Brasil e permitido importar carros usados com mais de 30 anos de fabricacao.

    U-huuu

    http://www.web-town.org/artigos/e-possivel-importar-carro-usado-para-o-brasil-27.html

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  24. Permita-me usar o mesmo título: "ONDE FOI QUE ERRAMOS?" para o nosso mercad de carros antigos.

    Onde foi que erramos para um Challerger V8 1967 em bom estado custar US$6.500,00 nos EUA, e qualquer Maverick 4 cilindros, tb em bom estado, custar R$18.000,00 no Brasil?

    Afonso Sousa

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