FUSELAGE LOOK

Imagens: fuselage.de

O desenho automobilístico é mesmo uma arte cíclica: os automóveis nasceram funcionais, até o dia em que um fabricante resolveu adicionar uma pitada de estilo. Outros fabricantes aderiram e em pouco tempo as formas passaram a dominar a função: carro virou moda e deixou de ser uma simples máquina utilitária, um singelo caixote racionalizado sobre quatro rodas. Passou a ser também um componente indispensável a todos que apreciam a construção de sua própria imagem: o automóvel também é uma forma de expressão social.

Eis a principal dificuldade dos desenhistas: evoluir sem que o resultado final pareça uma reprise de tempos passados, eliminando aquela sensação estranha de déjà vu. E foi exatamente o que aconteceu na década de 1960: linhas limpas e retas extirpavam protuberâncias, saliências e espalhafatosos rabos-de-peixe, redimindo os excessos da década anterior. Os automóveis davam a impressão de estar cada vez maiores, mais largos e mais baixos.


Mas o novo estilo precisava evoluir, sem apelar para os excessos do passado. E quem mais se destacou nessa evolução foi a Chrysler, que apresentou o seu Visual Fuselagem: foi este o nome escolhido para batizar o estilo de seus automóveis fabricados entre 1969 e 1973, em substituição ao estilo retilíneo adotado pela empresa até então.


Na virada da década de 1960 para a década de 1970 vários elementos de estilo tradicionais ainda estavam presentes nos automóveis americanos: cromados abundavam, tetos revestidos em vinil estavam mais populares do que nunca e os pneus de faixa branca ainda eram relativamente comuns. Os full-sizes americanos estavam cada vez mais full, não só em tamanho mas também em potência.


A solução adotada pela Chrysler para se destacar foi bem simples: suavizar ao máximo a união entre os volumes do automóvel, bem como adotar vidros de perfil baixo, que aumentavam ainda mais a sensação de largura dos automóveis. Laterais curvas integrando a linha de cintura dos automóveis tinham clara inspiração aeronáutica, daí o cognome Fuselage.

O estilo também era comum às divisões Dodge, Plymouth e Imperial e adotado em sedãs, cupês e peruas. Essa tendência durou exatamente cinco anos (de 1969 a 1973) e representa um momento muito feliz na história da Chrysler, que ainda não precisava se preocupar com as duas crises energéticas da década de 1970 e a terrível recessão da década de 1980.

Deixou saudade. Nunca mais teremos barcas gigantescas como essas.

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17 comentários :

  1. Apesar de coisas como a dificuldade em encontrar uma vaga, manobrar em uma garagem apertada, ou do alto consumo para mover tanta lata, sou absolutamente fascinado pela imponência destas "barcas" gigantescas.

    Mr. Car.

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  2. Incrível! Fascinante!

    Quão desgarrados estamos das tendências dessa época... Os conceitos da indústria macularam o romantismo em fruir um carro, a ideia charmosa e prazerosa de guiar uma bela barca...

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  3. Acho muito salutar essa ideia de valorizar um estilo de vida, seguir uma tendência, atravessando gerações. Claro, sob um critério racional, de estrito bom senso.

    Mas, o mundo em que vivemos acaba nos forçando a mudanças. Somos seres muito voláteis, impulsivos e

    Nossas vidas precisam de um sentido! Por isso acho fundamental o apego a certos hábitos e que valorizemos um estilo próprio de vida; do contrário é só opressão.

    Poxa, há quem não goste de lavar o próprio carro! Não liga para manutenção periódica etc. Poxa, como já comentaram, brasileiro não gosta de carro.

    Caramba, nossa frota está se renovando não só pelo poder aquisitivo das pessoas, mas por uma filosofia baseada em valores puramente capitalistas de que só o "novo" presta... Ninguém fica 5 anos com o mesmo carro; isso é um absurdo!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá Nícolas,

    Sabe, o problema é que aqui no Brasil a cultura do carro esta em extinção já a um bom tempo. Ninguém se impressiona com mais nada que temos a ponto de criar um clube ou algo parecido, só temos sempre maquiagens e reedições do mesmo. Hoje em dia só restaram os bons e velhos carros antigos, que para o pessoal da época deles ter um exemplares com saudosismo de uma época que os carros moviam corações e gerações, que tinha alma e postura, que encaravam competições sérias de corpo e alma de sua marca, com gente que realmente sabe dirigir e sabe o que faz, que tinha belas propagandas, em que o público e o consumidor tinha opiniões diretas e reais, além das saudáveis discursôes sobre marcas e seus pontos relevantes, no fim e semana depois de uma bela corrida de marcas ou stock car, copa turismo, copa 1600, rallye, e por ai vai...

    O que nós temos hoje ? Um povo que só trabalha, paga caríssimo por tudo e ainda por cima não tem ideia sobre nada, só acumula bens "voláteis" e sem valor, e ao mesmo tempo tenta tanto buscar a felicidade na vida, que na realidade, é só olhar para o passado e ver como era simples a vida, o que é perfeitamente possível hoje também.

    A questão é que não se tem mais gente como antigamente. Hoje só temos meros peões e escravos de trabalhos, quase acéfalos globalizados e informatizados.

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  6. O paradoxal é que os carros estão voltando a virar banheiras. Só que com nenhum estilo. Alguém vê diferença entre Civic x Corolla x Sonata??
    E com relação a essa "cultura" do novo, é realmente foda você ficar ouvindo o dia todo: "...ganhar mais dinheiro, trocar de carro todo o ano..."
    Trabalho em uma escola, sabem como é.

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  7. Sempre fico me perguntando se com a tecnologia de hoje um carro com essas dimensões seria mais seguro que um Palio da vida.

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  8. Passiei ontem com minha barca Camaro 73, fui a Encontro de Antigos em S.André sob um sol senegalesco, encontrei os amigos,tinha por lá Corvette, KarmannGhias,Corcel,Maverick,MPs,Cougar,Fuscas,Opalas,Darts e muitos outros, sem contar o indefectível sanduba de PERNIL.....NÃO TEM PREÇO !e que se dane os Hondas,Corollas, Hyundais e outras melecas...

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  9. Naquela época, uma sociedade, como a americana gozava de muito espaço em suas estradas, casas suburbanas e shoppings, sem preocupação com poluição e gasto com combustível.

    A questão é que os carros voltaram a crescer a cada geração e não há espaço para isto. O ponto positivo é que poluição e consumo estão reduzindo.

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  10. Também sou um admirador das barcas desta época: fim dos 60s, início dos 70s. Para mim, antes e depois desse período geralmente há muitos excessos visuais, com, claro, algumas excessões (um exemplo é a última geração dos Chevy Caprice).
    Para quem quiser conhecer mais sobre o estilo desses Chryslers, vá para: www.fuselage.de

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  11. FJP,

    Onde foi o encontro? sou de Santo André também, ontem recebi a família e preparei um churras com tudo o que tem direito... hehehe

    Mas tenho vontade de ir num encontro deste, só pra olhar é claro, estou longe de ter uma máquina desta, ao menos por enquanto. Sei que rolam encontros atrás do Poliesportivo de SBC.

    Sds

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  12. De fato são carros muito bonitos, que chamam a atenção.

    Mas não tem mais espaço.

    Na garagem do meu prédio, o celta (sim, um celta), fica apertado.

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  13. um sport fury 1970 oiria me fzr uma pessoa mais feliz

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  14. um sport fury 1970 oiria me fzr uma pessoa mais feliz

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  15. Rodrigo Laranjo14/12/10 17:54

    E pensar que hoje um carro com pouco mais de 4 metros é "gigante"...

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  16. Jopamacedo e outros que, como eu, estão odiando esses carros crescendo em excesso e perdendo o argumento que originalmente tinham em relação aos enormes americanos de outrora, segue um texto interessante da Jalopnik inclusive fazendo projeções de como ficariam os carros em 2020 se seguirem sendo excessivamente grandes para suas categorias:

    http://jalopnik.com.br/conteudo/como-os-carros-estao-engordando

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  17. Carros hoje estão verdadeiros lixos.

    O mal-gosto está se tornando o comum.

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