FERRAMENTAS

A única foto onde aparece o Fusca do João

Era uma vez em Porto Velho, Rondônia.

Estava quente, como sempre, e era um feriado, com tempo para nos refrescarmos. Mas no Rio Madeira não, tem que ter algo mais seguro, sem jacaré na água.

Eu, João e, ehh, duas mulheres, saímos com o Fusca velho dele. Andava mal. Com umas explosões  no carburador às vezes.

Um dia antes tiramos o carburador  mas não encontramos nada de sujeira lá dentro. E, pelo menos, o carro andava mais ou menos.

Saímos uns 30 quilômetros fora da cidade e chegamos bem no mato mesmo. Lá tinha um riozinho e alguém fez alguns banquinhos para sentar, parecia um local bom para tomar banho.

Quando chegamos lá, passando por cima do rio usando uma ponte feita de árvores caídas, o motor quase parou totalmente, com explosões fora de hora, muito ruim.

Eu e João nos olhamos com muitas dúvidas. Será que vai dar para voltar para Porto Velho assim? Achamos que não. Mas está quente agora, o motor e nós. Vamos tomar banho primeiro.

A água estava fria, as gatinhas quentes, e no riozinho só vi uma cobra verde clara. Que vida boa...

Mas, e o motor, será que podemos fazer algo com ele?

Conversei com João. O carburador não parece que é. Então deve ser algo com a ignição.

Tem alguma ferramenta neste carro velho?  Ele falou que sim, as ferramentas originais ainda estavam no carro. Uma chave de vela, uma chave de fenda e um alicate. Melhor que nada, muito melhor.

João teve uma teoria sobre óleo nas velas que eu não entendi direito, mas deixei ele tirar as velas, que novas não eram, mas ruins também não. Não vimos nenhum fio solto. Então era hora de abrir o distribuidor.

Olhei o platinado. Falei para João girar o motor para ver a folga entre os pontos de contato. Ele virou o motor, simples, estava sem velas. Mas...por que os pontos não se separam?  Puxa, a árvore vira sim, mas….

-- João, olhe aqui, o platinado está bem gasto na fibra de contato com o excêntrico, tá vendo? Cadê a chave de fenda? -- aqui, disse.

Hum, nunca mexi com um Fusca antes. O distribuidor parece um pouco com o do Saab V-4, motor de 4 cilindros, será que 0,5 mm de folga é correto aqui também? Eu abri o parafuso um pouco, não tinha nada para medir, claro, mas olhei bem de perto, 0,5 mm deve ser… assim, no olho, mas ou menos.

Apertei o parafuso e pinguei um pouco de óleo do motor no feltro no centro da árvore do distribuidor. Colocamos a tampa e as velas. Será que o motor funciona agora? Vamos ver se ele pega.

João entrou no carro, e o motor… pegou! Vroom! Andava como “novo”. Que felicidade!

E se fosse um Golf seminovo? A gente fazia o quê? Procurar um VAG-COM “app” na internet pelo iPhone para fazer um controle diagnóstico com o celular? Acho que não,  precisa um cabo OBD2-USB também, porque o Golf ainda não  faz diagnóstico wireless.

Ou será que faz?

HJ

15 comentários :

  1. hahaha... Muito bom, Hans!!!
    Vc é o cara! Teus textos são muito divertidos, Parabéns mesmo!

    Acredito que logo mais teremos condições de diagnosticar o problema do carro pelo próprio computador de bordo, digo o real problema. Inclusive informando o código da peça que deve ser solicitada. Será que estou sonhando alto demais? Acho que não.

    Abs

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  2. Hahaha! Fusca é o melhor!
    Quando os engenheiros irão entender que, melhor do que tecnologia, é a simplicidade?
    Ontem, meu Verona CHT deu pau na estrada. Era a mangueira do ar quente que rachou, deixando toda a água vazar. Cheguei a ligar pro guincho, que me cobraria o olho da cara (estava em Conceição dos Ouros e queria voltar pra SJ dos Campos). Solução encontrada: um parafuso grande que serviu como tampão. Ainda deu pra chegar em Ouros. Conversei com um mecânico sobre a possibilidade delel ter uma mangueira, mas ele não tinha e ainda disse que meu "serviço" tinha ficado bom e que eu poderia rodar tranquilamente.
    Se bem que acho que meu motor tá indo pro saco. 18 anos de trabalho. Dever ser água indo pro bloco. Com o carro falhando nas subidas, consegui chegar em casa.

    E se fosso um carro moderno??

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  3. Rondonia, Hans?
    E se não tivesse nenhuma ferramenta para trocar o carvão do dinamo? Pois é; aconteceu comigo,num sábado a noite voltando para Sampa vindo do Mato Grosso no começo dos anos 80 . Aquela maldita luzinha vermelha não apagava e brilhava cada vez mais forte , e eu economizando td que podia para garantir energia pro motor, noite chegando , chuvisco leve, e nenhum eletricista de plantão, até que vi a placa, entrei naquela vilinha, a oficina toda iluminada e nenhuma alma penada por lá ou pelas imediações. Conformado em passar a noite por ali mesmo, olha daqui, olha dali, descobri os restos de um carvão que não era de fusca, "lixei"o danado no cimentado rústico para dar forma pra caber no encaixe e com a vareta de óleo, consegui soltar o parafuzinho, e substituir um dos carvóes, apertar mais ou menos, dar um tranco no motor que não tinha mais energia na bateria para dar na partida e EUREKA!! funcionou e começou a carregar pois a maldita luz vermelha não mais se acendeu.Andei com o carrinho mais uns 3 meses, vendi e avisei o comprador para trocar os carvões. Tenho minhas dúvidas de que tenha feito., .Só num fusca mesmo.
    A vareta de óleo era em formato de meia lua e bem rígida e também tive que "esmerilhar" a ponta no cimentado para improvisar uma chave de fenda. Hoje, quando abro o capô do motor do meu carro e olho prêle, tenho vontade de chorar pois se acontecer qualquer bobagem, só chamando o guincho...

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  4. Vocês já pararam para pensar que os carros modernos atingiram um nível de qualidade tal que praticamente não apresentam defeitos desse tipo durante sua vida útil planejada?

    Realmente estamos vindo de uma era de transição onde não haviam padrões de sensores, conectores, etc. Isso foi bem explorado num post do Andre Dantas a poucos dias aqui no Blog. Para os carros dessa fase realmente há pouco a fazer.

    Mas hoje em dia você vive numa situação de padronização cada vez maior, com ferramentas cada vez mais úteis e componentes como sensores e conectores cada vez mais confiáveis e duradouros. Além da possibilidade cada vez maior de estratégias alternativas de gerenciamento do motor que podem mantê-lo funcionando apesar da falha de algum componente.

    Se no Fusca era necessário andar com chave de vela e alicate no carro, então no seu Golf você vai andar com o seu VAG-COM e o seu respectivo cabo no porta-luvas. Qual o problema, são ferramentas do mesmo jeito! Mais modernas, tecnológicas e etc mas continuam sendo ferramentas!!

    A diferença é que você vai usar o seu equipamento para fazer um "jailbreak" no carro e alterar pressão de turbo, alimentação, ponto, etc. Viajou para o interior e pegou combustível ruim? Conecta a sua caixinha mágica, seja ela qual for, e altera ponto e mistura para o carro funcionar bem. Faz isso de uma forma limpa e rápida com conhecimentos rudimentares de mecânica e informática. Antigamente você demoraria horas e teria que sair do carro e se sujar todo pra trocar um giglê e girar a tampa do distribuidor.

    Era melhor? Vocês tem certeza?

    Eu prefiro hoje em dia...

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  5. A propósito, apesar do meu comentário exposto logo acima achei o texto uma delícia de ser lido!

    Muito legal mesmo!

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  6. Bom, eu sou motorista da nova geração, daqueles que perderam 5 minutos pra entender o carro carburado na primeira vez.

    A resposta para "e se fosse um carro moderno?" é a seguinte: "estão menos sujeitos a ter esses problemas".

    Apesar da pouca idade já dirigi uma boa quantidade de carros, nem sempre novos e nem sempre bem cuidados. Os piores problemas que enfrentei foram um Laguna com velas velhas e motor de partida estragado, um Defender 90 com um alarme mal instalado e um Fiesta com o sensor da lenta desconectado.

    A chance de um carro moderno ter um problema crítico subitamente é muito menor.

    Eu não saberia resolver nenhum problema desses citados. Chamaria o guincho (ou meu cunhado mecânico) de qualquer forma.

    Por outro lado, o Laguna certa vez teve um problema com o motor de partida num domingo de manhã a 800 km de casa. O mecânico adaptou uma escova de Corsa e assim liguei o carro.

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  7. Em algumas coisas, ainda dá para ir na simplicidade com carros mais modernos. Certa vez, um Corsa que eu tinha perde a embreagem em plena av. Santo Amaro.
    Consigo levá-lo aos trancos e barrancos para um posto de gasolina, chamo o seguro e logo chega um cara de moto para ver o que aconteceu.

    O problema? A peça rosqueada que prende o acionador da embreagem ao garfo é feita de plástico e ficou com a rosca cega. Bastava encaixá-la e pisar na embreagem que logo cedia de novo. A solução? Manter a tal peça no lugar e rosquear uma porca de mesmo diâmetro sobre ela, gerando a redundância segura sobre sistema tão importante (redundância essa que dona GM esqueceu quando fez o carro e escolheu material vagabundo para tal peça).
    Ficou tão bom que nunca mais houve qualquer problema e vendemos o carro assim mesmo. Provavelmente seu atual dono deve estar acionando a embreagem sem qualquer problema, uma vez que o resto do sistema estava perfeito.

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  8. Vem cá, que pescaria é essa que vocês só foram consertar carro, e as muie ? não deram trabalho também não ? Cade mais fotos do fusca, das muie, dos peixes, do platinado, da cobra, dos banquinhos ? ha, deixa pra lá, esqueci que nesta época também tínhamos as boas e velhas maquinas fotográficas de filmes para revelação, que no carro de eletrônica olhe lá somente era a ignição e tal vez no pulso do dono um relógio digital...Hum, acho que até as muie daquela época, até com cuspe já funcionava que era uma beleza....hahahahha

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  9. Complicado, evidencia-se pelo texto que, devido a simplicidade de conserto e alta tolerância a falhas (e consequentemente alto consumo e emissões de poluentes), o dono desse fusca não fazia manutenção alguma.

    Hoje, se não fizer manutenção, acontece exatamente a mesma coisa, só que o dono fica na mão de vez, salvo raras exceções.

    Sempre foi assim e sempre será, carro mantido corretamente, com boas peças e em dia não deixa ninguém na mão. Carro mantido de qualquer jeito, com o improviso, pára a qualquer momento, e dá-lhe improvisar e tocar a vida, depois passar a bomba pra frente.

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  10. Post muito bom!!

    Os comentários do regi nat rock e do Antonio tambem foram excelentes!

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  11. Muito legal o texto!
    Tenho um Fusquinha 1970 e me imaginei lá consertando ele no meio do nada, só com as minhas ferramentas básicas! Por isso que eu sempre levo um jogo de chaves, alicate e uns pedaços de arame. Não precisa de mais nada pra chegar em qualquer lugar do Brasil!

    Falo isso por experiencia própria, pois já aconteceu algumas vezes do "Pipoca" (sim, meu carro tem nome) parar na estrada... mas ainda bem que nunca passou de um fio desconectado! Tenho ele a 2,5 anos e 12000Km e nunca deu problema 'de verdade'! Mas é claro, a manutenção é feita regularmente! Viva a simplicidade!

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  12. Pô Villa.
    Entusiasta tem que meter a mão na graxa também.
    Tá certo que hoje, é muito dificil um carro apresentar problemas (descontando essa montanha de recalls) mas o post fala dos velhinhos, sempre sujeitos a chuvas e trovoadas, onde a improvisação tinha um peso enorme na solução de pequenos problemas e grandes dores de cabeça a quem não tinha um minimo de habilidade e algum conhecimento e talento para improvisar.
    Eu mesmo, naquela época, cansei de resolver probleminhas usando criatividade e do que dispunha no momento. Naquela parte do paíz, carro quebrado no meio do nada era sinonimo de outros problemas muito mais sérios que uma simples pane mecanica.
    E não se iluda. Se vc tem um velhinho de estimação, cedo ou tarde, ele vai dar um probleminha sem avisar. Por melhor que seja a manutenção. abs

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  13. Perfeito o texto do Hans

    Isso é exatamente o que sinto pelos carros antigos eles são simples,qualquer um com algum conhecimento básico de mecânica e algumas ferramentas conserta alguns pepinos básicos,agora e esses carros modernos vc abre o capo e nem enxerga o motor só um plástico preto cobrindo todo o cofre,concordo plenamente com o Hans

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  14. Hans,

    Pode remover meu comentário aí em cima...

    A patroa me viu dando risada e veio ver o que era...

    Além dela achar que foi uma tremenda grosseria o que escrevi, a única palavra publicável aqui, do que ela me chamou é senil...

    Bom, me desculpe.

    Tallwang

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  15. Falando em carro moderno o bom mesmo é colocar uma manivela em carros automatica caso haja falha no motor de partida .

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