CHEVY RUNS DEEP


Recentemente a Chevrolet americana lançou uma campanha publicitária genial, chamando atenção para a tradição da marca, de uma maneira realmente muito legal. Esta campanha, chamada coletivamente de "Chevy Runs Deep" (algo como "Chevy vai fundo", ou "Chevy bate fundo", mas de difícil tradução direta), coloca inteligentemente coisas bem arraigadas no imaginário americano ligadas indivisivelmente aos Chevrolet, em 100 anos de história. O narrador é o comediante Tim Allen, ele mesmo um conhecido entusiasta do automóvel e da Chevrolet, uma escolha perfeita.

O primeiro carro. O carro que leva o primogênito para casa. A picape e o cachorro. As propagandas são bem americanas, e falam bem para o público de lá, mas funcionam perfeitamente bem comigo também. E com vocês?

"Enquanto existirem bebês, existirão Chevrolets para trazê-los para casa" :

video


"Aquele primeiro Chevrolet... é, ele marca fundo a gente.":

video


"Um cachorro e um Chevrolet. O que mais você precisa?":


video


Que diferença da Chevrolet brasileira, que recentemente embarcou num esquizofrênico "mundo da fantasia", que ninguém que conheço entendeu ou gostou. Pelo menos, para o Camaro, ressuscitou o velho tema “Meu coração bate mais alto dentro de um Chevrolet”, que afinal de contas é próximo do que falamos aqui.

Mas a propaganda americana é muito melhor. Principalmente para gente como eu, que fui trazido da maternidade num dos primeiros Opala, e foi um Opala 250-S meu primeiro carro. Mesmo hoje, tenho uma Montana velhinha, e uma dachshund de 13 anos gorducha e com sérias dificuldades para andar, o que me faz me sentir meio que como uma versão para mercados emergentes da Silverado V-8 lindona e o jovem Golden Retriever bonitão do filme, se é que me entendem... Mas o fato é que acredito que a filial aqui perde tempo em não copiar descaradamente a matriz.

Além desses três filmes, existe também um sobre o novo Volt. De novo, de forma muito inteligente, liga a grande vantagem do Volt sobre os outros elétricos (como o Nissan Leaf) ao espírito americano, criando algo seriamente legal, principalmente para o povo de lá. Abaixo vai o vídeo e a tradução do texto narrado por Tim Allen:

"Este é um país em que planos feitos as nove não são necessariamente válidos as cinco.
Isto é a America, cara. Terra da rodovia, desvios de última hora e atos espontâneos de liberdade.
Nós somos viajantes, peregrinos, nômades até.
Então não faz simplesmente todo sentido que a gente crie um carro elétrico que possa ir... longe?
Muito longe?"

video


Parabéns aos criadores da campanha. Tudo, da trilha sonora ao narrador, passando pelas imagens e o texto, ficaram realmente muito bons. Dá vontade de ir comprar uma picape Chevrolet nova imediatamente, e sair por aí com a cachorrinha na caçamba (rolando provavelmente, já que a coitada, como disse, mal para em pé) ouvindo Hank Williams... A falta de grana e a lógica que se lasquem!

Não é para isso que serve uma boa propaganda? Gerar uma vontade de comprar onde trinta segundos antes não existia nada?

MAO

23 comentários :

  1. Realmente a GMB perde, e muito, em não copiar a GM americana. Fantástica a produção dos comerciais!

    ResponderExcluir
  2. Genial e simples, simples e genial.

    Botaram um tempero de sazon na campanha americana; na brasileira, acharam por bem espalhar um LCD do capeta...

    Tradição e família, a temporalidade (olha ela aí de novo!) dos carros sendo usada para contar pequenas e belas histórias individuais, que alinhavadas, criam um inconsciente coletivo.

    Os americanos são craques nisso, lembro de uma imagem bem antiga, ínicio dos anos oitenta:

    Os bigfoots era o auge da insanidade da época, e para divulgar a modalidade e externar o patriotismo latente, eles apelavam nas imagens: lembro que uma enorme picape azul, que saltava imperativa até o topo de uma "king kong" (que anda de moto conhece)...

    Com uma enorme bandeira americana na caçamba, a palavra América flamejante na lateral - no momento que parava sob a colina - estouravam milhares de flashes compondo uma imagem poderosa e intimidante. Me lembro como se fosse hoje!

    Dizem que era o mesmo quando Elvis entrava nos imensos salões para seus shows...

    nada mais americano - com o bom e o mal que faz parte do pacote - do que isso!

    A GM local, também deveria manter, e não dilapidar um patrimônio cultural grande que aqui também existe, gravitando em torno da gravatinha.

    GM

    ResponderExcluir
  3. Muito bons todos os anuncios! E engraçado que só agora vendo o 1º deles é que forcei um pouco a memória e me dei conta que trouxe meu 1º filho da maternidade de Opala e os outros 2, de Chevette,rsrsrs. E continuo de Chevrolet, Monza e Montana, tudo 1.8, hehehehe.
    Adorei o post, parabéns!!!!!!

    ResponderExcluir
  4. Não cheguei ao ponto de sair da maternidade de Chevrolet - salvo engano, foi num Jeep Willys. Mas, a partir de meus quatro anos de idade, as garagens da família acolheram dois Opalas, quatro Chevettes, dois Monzas, um Kadett, um Corsa e dois Vectras. E esses comerciais me emocionaram muito.
    Está aí a melhor tradução para a frase "Chevy runs deep": a Chevrolet entra fundo, no coração dos apaixonados pela marca.
    Essa, dos comerciais, é a Chevrolet que nós amamos.

    ResponderExcluir
  5. henrique schauz20/12/10 11:49

    Talvez a nossa filial apenas esteja, nos comerciais, espelhando a "ilha de fantasia" que nosso Brasil vive, de qualquer modo , como diria Dr.Spock,vida longa e próspera a todos os autoentusiastas.

    ResponderExcluir
  6. Excelente campanha para os EUA, que estão desesperadamente tentando reencontrar o "sonho americano" e, se encontrado, resgatá-lo.
    O "sonho brasileiro" será um "muscle-car"? Camaros, Mustangs, 442s?
    Queremos nadar no petróleo do pré-sal?
    No, thanks!

    ResponderExcluir
  7. Rômulo Rostand20/12/10 12:40

    Excelente o post. Realmente uma boa propaganda é para isso sim, Marco Antônio, concordo planamente.
    Sobre o Volt, acho o conceito acertadíssimo. Pela primeira vez acredito no sucesso de um carro elétrico. Não dá para ficar a mercê de uma autonomia baixíssima ( e olha que ele não divulgam a autonomia média, sim a de condições ideais) e ter um carro que não dá para pegar a estrada.
    Fico atônito com o sucesso de marcas como Kia e Hundai, que pelo que vejo e ouço são fruto de propagandas enganosas, pelo menos na nossa terra Brasílis.
    Tenho vibrado com a reação da Chevrolet nos EUA. Espero que recebamos anguns frutos da Matriz e chevrolet volte a ser uma marca de pêso.
    Parabéns pelo Post.

    ResponderExcluir
  8. Acabei de dar uma olhada no site americano da Chevrolet, e pela linha de carros deles, com certeza não é a Hyundai que faz propaganda enganosa.
    A GM está perdida faz tempo, e acho que não vai ser com Volt, Camaro ou Corvette que a situação vai melhorar. Eles precisam de um carro bom para o consumidor dos comerciais: o homem comum. Lá quem faz isso há algum tempo são os japoneses, e em breve serão também os coreanos.

    McQueen

    ResponderExcluir
  9. Adoro bons comerciais. Fazem uma falta.

    Quanto a GMB, sinceramente, talvez ainda faça feliz algum entusiasta que se sinta num verdadeiro Chevy dirigindo esses modelos antigos e ultrapassados. Mas seu tempo já foi. E não dá a entender que voltará.

    ResponderExcluir
  10. Na verdade a chevrolet com certeza usou como base as propagandas da porsche. São bem apelativas ao emotivo..... Da vontade de comprar um rs

    ResponderExcluir
  11. Quanto aos comerciais: Perfeitos, assim como quase todos os comerciais americanos, eles sabem fazer propaganda. Nossos comerciais de carros são horríveis, sem distinção de marca, aquele do Spacefox da ovelha é horrendo e sem sentido, o da Chevrolet que nos remete ao mundo de Alice no país das maravilhas também é muito sem sentido, e por aí vai. Quanto a Chevrolet, falta resgatar o carinho que se tinha por ela no passado, e não é com Agile ou outra de suas tranqueiras que se vai conseguir isso, faltam bons produtos, com exceção do Captiva e do Camaro, e só. As coreanas possuem bons produtos, mas no Brasil pecam pela assistência e tradição, as japonesas tem bons carros, mas preços bem elevados. Torçamos para que esse quadro melhore (duvido muito).

    ResponderExcluir
  12. Fãs de Chevrolerdos realmente me divertem.

    ResponderExcluir
  13. Taí, fiquei curioso! Qual foi o carro que me trouxe da maternidade? Nunca tinha pensado nisto. É bem provável que tenha sido ou o Simca Chambord do meu avô, ou o Fusca do meu pai. Mas vamos ao que interessa: é uma pena que hoje (tirando os modelos importados, lógico) a Chevrolet do Brasil esteja mais para "Chevy sink deep". Na minha família toda foram muuuuitos Chevrolet, e só aqui em casa foram três Chevettes e quatro Monzas. Da linha atual, nenhum Chevrolet nacional me fala ao coração, coisa que até pouco tempo a Montana ainda fazia dentro da categoria das pequenas pick-ups.

    Mr. Car.

    ResponderExcluir
  14. Rodrigo Laranjo20/12/10 20:10

    Eu era pra ter saído da maternidade de TL, mas acabei saindo de Opala. Meu primeiro carro foi um Passat velho. Foi pro ferro-velho em 3 meses. O segundo uma Saveiro que só deu dor de cabeça e se foi em 7 meses. Até Audi tive (VW fresco), e só me deu problemas. Lamento, VW, meu Opala eu não vendo. Continuarei juntando dinheiro para comprar um Camaro enquanto isso.

    ResponderExcluir
  15. Parece que a GM americana vai aos poucos encontrando outro caminho, era inchada, paquidérmica, lerda demais na percepção das novas tendências, não queria mudar nada e a concorrência mudou e muito, com excelentes produtos...até os coreanos que fazem O MELHORES CARROS DO MUNDO (segundo a propaganda oficial no Brasil)tem produtos para todos os gostos...os automóveis mudaram muito e nós os nostálgicos queremos em parte as coisas como antigamente; IMPOSSÍVEL, hj farão carros melhores a cada dia, inovações eletronicas fabulosas, consumo menor, hibridos, elétricos..a GM vai se reinventar e ainda tem um grande futuro pela frente...as mudanças efetuadas pelo Governo Americano nas várias diretorias da GM tem contribuido para a recuperação da empresa falida.
    Continuo passeando aos domingos com meu Camaro 1973, se tivesse um Opala tb seria com ele..."meu coração bate mais alto dentro do meu Chevrolet Camaro 1973"...o novo Camaro, nem pensar !

    ResponderExcluir
  16. Campanha gostosa de ver (e também de ouvir - as trilhas são ótimas). Ela parece ter sido criada para despertar a sensação que os americanos chamam de "warm fuzzies" (ainda mais difícil de traduzir que o "runs deep", então não vou nem tentar).

    Mas para mim, essa tentativa de resgatar o patrimônio afetivo da Chevrolet tem um lado problemático: ela faz lembrar que os bons tempos ficaram para trás.

    Espero que eu esteja errado e que essa campanha ajude a marca a se reerguer. Mas a GM também precisa se esforçar mais para lançar modelos relmente competitivos no mercado além do seu reduzido portfólio atual de picapes, SUVs, e modelos de nicho como o Camaro, o Corvette e -sim - o Volt.

    ResponderExcluir
  17. Dahora. Muito bom mesmo.

    ResponderExcluir
  18. Quanto aos palhaços da Ilha da Fantasia, eles me assustam ainda mais do que os do Circo me assustavam quando eu era criança.

    ResponderExcluir
  19. MAO,
    Sei que é off-topic, mas achei curiosa a coincidência de você e o Arnaldo Keller serem proprietários de dachshunds. Deve ser uma raça de cães entusiastas...rs.

    ResponderExcluir
  20. Eu não saí da maternidade num Chevrolet (meu pai tinha um Gordini III na época), mas minha filha saiu de Monza 2.0, e meu primeiro carro foi um Chevette. Infelizmente a qualidade dos produtos GMB de hoje não é condizente com a tradição da marca, mas no geral ainda é melhor que os VW da vida (exceto no caso dos Celta e Agile).

    ResponderExcluir
  21. Rafael Bruno21/12/10 12:58

    Como publicitário, acho que essas campanhas no Brasil aumentariam e muito as vendas. E consequentemente, quem gosta da marca, ou tem um, iria gostar mais da marca.
    Infelizmente a GMB não está nem aí pra isso...

    Outra coisa: a GM não falou que ia aposentar o "Chevy"??

    ResponderExcluir
  22. Eu vim da maternidade num Chrysler GTX azul Le Mans ...

    Meu filho veio para casa num Chrysler 300M ...

    Estou restaurando um Chrysler GTX azul Le Mans para trazer meu próximo filho ... mas não sei o que está mais difícil: terminar a restauração do GTX ou convencer a minha mulher a ter outro filho ...

    Mas não esquenta ... Se ela não quiser, eu pego o GTX, volto para a maternidade que eu nasci, tomo um fogo e volto para casa enrolado com uma fralda no pescoço.. .. kkkk

    ResponderExcluir

Pedimos desculpas mas os comentários deste site estão desativados.
Por favor consulte www.autoentusiastas.com.br ou clique na aba contato da barra superior deste site.
Atenciosamente, Autoentusiastas.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.