BUGATTI VOADOR



No auge da marca Bugatti, na década de 1930, uma ideia de Ettore para aumentar a celebração sobre seus fantásticos carros gerou um dos aviões mais incríveis de todos os tempos.

Para realizar a façanha, o engenheiro aeronáutico Louis D. De Monge desenhou em 1937 o Bugatti Model 100, um avião para bater recordes.

A primeira meta foi vencer a Deutsch De La Muerthe Cup, para aeronaves com motor até 485 polegadas cúbicas (7,87 litros) de deslocamento volumétrico, monomotores.

Mas durante o projeto decidiu-se por adicionar mais um motor e tentar o recorde de percurso fechado de 3 km.

Os dois motores de 287 polegadas cúbicas (4,7 litros), oito cilindros em linha, estão atrás do piloto, montados um atrás do outro, escondidos dentro da fuselagem, numa clara limpeza aerodinâmica.



A árvore de força de cada um deles passa abaixo dos cotovelos do piloto, e acionam duas hélices de duas pás cada uma, e contrarrotativas para eliminar o efeito de torque e manter o avião alinhado. Ambas estão no nariz do avião.

A posição de pilotagem é idêntica a da maioria dos planadores, com o piloto quase totalmente sob a luz do sol, bastante reclinado.



Esse motores eram derivados dos Bugatti de corrida, modelo 50B, e tinham o bloco de magnésio, ainda mais leve que o de alumínio usado no carro. Produziam 456 cv a 4.500 rpm, cada um.

Estrutura de madeira,  um sistema de arrefecimento incrível, cauda em forma de "Y",  e o mais interessante de tudo, um sistema de flapes automáticos, que alteravam a configuração para decolagem, mergulho, pouso e cruzeiro, além de posição de taxiamento em solo, baseado em pressão nos coletores de admissão e nos tubos pitot, que medem a pressão estática ou absoluta, e dinâmica, decorrente da velocidade (impacto do ar). Com sensores e elementos mecânicos, como braços de acionamento, era o sistema mais complexo do avião.

Na posição de pouso, flapes normalmente baixados ao máximo, o trem de pouso também baixava automaticamente.

O arrefecimento dos motores era a líquido, com as tomadas de ar no bordo de ataque dos lemes direcionais. O ar era canalizado por dentro da fuselagem até uma caixa plenum, para diminuição da velocidade, e daí aos radiadores, que eram lavados pelo ar a uma velocidade controlada pela caixa, com o ar quente saindo no bordo de fuga das asas.  A diferença de pressão da saída para a entrada mantinha uma sucção bastante forte de acordo com o projeto, para máxima eficiência de troca de calor, mesmo a velocidades baixas. Novamente, a busca da máxima eficiência aerodinâmica.

Mas a guerra começou e o avião, sem voar, foi escondido, para permanecer assim por décadas, até que um colecionador de carros de Michigan, EUA, Ray Jones, o comprou para utilizar os motores em restaurações de Bugattis de quatro rodas. Sobrou então todo o avião sem motores, que foi adquirido pelo Dr. Peter Williams no começo dos anos 70, com o objetivo de restauração.


Após um tempo sem que esta ocorresse, o avião foi doado ao Museu da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que entendendo que um lugar melhor para tal obra seria a EAA (Associação de Aviação Experimental), passou a posse da aeronave a esta em 1996.

Devidamente restaurado, está exibição no Museu da EAA, que fica em Oshkosh,  Estado de Wisconsin, uma cidade da qual todo entusiasta da aviação já ouviu falar, visitou ou tem vontade de fazê-lo.

As fotos do pássaro dizem muito mais do que palavras.

Para fazer salivar quem gosta dessas maravilhas, está em construção desde o começo de 2009 uma réplica que deverá provar os conceitos de Bugatti e De Monge.

Dois associados da EAA estão construindo um Model 100 para voar, ainda sem data definida. Vejam o video abaixo.

Não se pode colocar pressa em algo que está há mais de 70 anos aguardando a liberação da torre.


O vídeo do trabalho maravilhoso:

video

Fotos:

JJ





10 comentários :

  1. JJ,
    Obrigado pelo post. Eu não conhecia mais essa do Bugatti. Aliás, o desenho externo em si é um primor, especialmente a "asa invertida". Coisa linda.

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  2. Aliás... cada vez que vejo uma nova estória do Bugatti fico cada vez mais admirado com sua trajetória. Hoje em dia faz falta uns "malucos" assim.

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  3. Clésio Luiz10/12/2010 11:21

    Muito interessante o dispositivo que eles criaram para medir a curvatura da asa (perfil). Simples e eficiente.

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  4. Juvenal,

    que bárbaro!
    Agora quero ver esse Bugatti voando.

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  5. Uma pequena contribuição: o troféu aeronáutico chamava-se Coupe Deutsch de La Meurthe, nome de um industrila francês do petróleo. E "plenum chamber" traduz-se por câmara equalizadora de pressão. AGB

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  6. Posts como este levam o interesse deste interessantíssimo blog às alturas. Parabéns, e obrigado.

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  7. Uma curiosidade e tanto. Esse Bugatti voador tem em comum com o Veyron a opção por design e empacotamento mecânico complicadíssimo. Dois motores com transmissões em volta do cockpit, hélices sequenciais e contrarotativas, apêndices aerodinâmicos automatizados, refrigeração líquida... Enfim, tem todos os atributos pra dar pau quando estiver no ar. Olha, em termos de integridade do piloto, sou mais o 14-Bis ou qualquer Demoiselle!

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  8. João Gabriel Porto Bernardes11/12/2010 13:43

    Um belo avião...Sem dúvida deveria voar muito bem...Uma pena o projeto não ter sido aproveitado como um avião de combate,imagina um desses com um motor DB 605 V-12 invertido ou um Rolls Royce Merlin,hélices contra rotativas,canhões de 20mm,daria um excelente caça....

    Abraços!

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  9. JJ,

    Como o Rodrigo Ciossani falou: "Obrigado pelo post!"

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  10. Ai, inveja desse post...queria ter feito....Quando crescer vou ser igual ao JJ....será que eles sabem da PUR SANG argentina, que faz esses motores de Bugatti 35?
    João, os DB 605 ou os Merlin seriam meio pesados para essa delicadeza voadora, quase uma borboleta motorizada...peso deve ser da maior importancia nesse projeto...

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