SMART FORTWO


Sempre tive vontade de dirigir um Smart. Uma vontade bem infantil, pois o carrinho parece de brinquedo. Na verdade essa vontade surgiu quase que por transferência da vontade de dirigir um Moto Machine, o Gurgelzinho translúcido que veio muito antes do Smart. Ambos parecem brinquedos!

Dia desses tive a chance de dar uma volta no Smart. Um Fortwo (“para dois”) coupé. Coupé? É, é assim que ele é chamado. Um coupé de teto alto.

Aproximei-me do brinquedo por trás. Estava com uma mala pequena, dessas tamanho padrão com dimensões no limite para poder ser considerada "de mão" pelas cias aéreas. Grata surpresa, pois o porta-malas acomoda pelo menos umas três ou quatro malas dessas. Reparei na tampa sobre o motor traseiro, logo abaixo do assoalho do porta-malas. Mas como eu estava sem tempo não pude levantá-la e examinar o pequeno motor de 3 cilindros 1-litro equipado com duplo comando variável e turbo. Queria ver o turbinho, um brinquedinho também.

Fechei a tampa traseira e abri a porta. Outra grande surpresa! Eu esperava um interior apertado e claustrofóbico. Mas encontrei uma sala de estar. A porta é grande o que faz do carrinho um dos modelos mais fáceis de entrar e se acomodar. Tenho 1,88 metro de altura. Porém, o ponto H, altura do banco, é elevado. O Smart tem 1,54 metro de altura e sua posição de dirigir favorece o commanding view - visão de comando. Talvez para compensar o sentimento de inferioridade ao lado de caminhões e ônibus ou SUVs grandalhonas. Por outro lado isso eleva o centro de gravidade e como o carro é muito curto, causa uma sensação estranha de insegurança. Eu preferia estar mais próximo do chão. O teto todo de vidro ajuda a clarear o ambiente e aumentar a sensação de espaço interno.

O interior do carro é muito bem feito. Materiais simples, porém acabamento excelente. O desenho alegre compensa sua simplicidade. Acomodei-me posicionando o ajuste de altura do banco o mais baixo possível. Não encontrei o buraco da chave no lugar tradicional. Inclinei o corpo para para direita para ver melhor por trás do volante e nada de buraco. Logo me veio a cabeça a resposta para minha indagação e quase que automaticamente desci o meu braço direito para o console central. Lá estava o buraco da chave.

Olhei para a alavanca e logo notei a ausência do posição P. Posição essa necessária para dar partida em todos os carros automáticos. Devo ter pisado no freio por instinto, por isso não sei se o motor partiria caso não tivesse feito este movimento. Dei a partida. Muito silencioso, pois o motor está bem escondidinho lá atrás. Dei uma acelerada para me certificar que o carro estava ligado. Movi a alavanca do câmbio para a ré e soltei o pedal de freio bem devagar. Nada do carro começar a se mover. Cheguei a pensar que o carro estava desligado dada a total inércia e ausência de qualquer sinal de a ré estava "engatada". Mas eu tinha absoluta certeza de que o carro estava ligado. Achei isso bem bacana. Não é necessário encostar no freio ou colocar a alavanca em N para manter o carro parado.

Manobra rápida pois o diâmetro de giro é menor que 9 metros (na maioria dos carros é entre 11 e 12 metros) e logo saí para uma avenida larga e movimentada. Saí na maciota. Primeira indagação: esse carro deve ter pneus perfil 40. Apesar do asfalto novo, não era muito liso. Toda a rugosidade é transmitida na forma de aspereza. Além da falta de isolamento a suspensão é dura e numa primeira impressão me pareceu ter um curso muito curto. Talvez seja possível perceber caso passasse por cima de uma moeda.
A suspensão dura eu até que entendi e aceitei pois manter o carro com a relação entre comprimento e altura invertida não é tarefa fácil. Brinquei um pouco com o volante e senti segurança nas reações apesar de não me sentir seguro. É isso mesmo. Dá pra saber que o Smart não vai tombar, mas nem por isso a sensação lá dentro é de tranquilidade. Ele é equipado com controle de estabilidade e logo lembrei do desastroso teste do alce do Classe A. Não tive a chance de fazer curvas mais fortes ou desvios acentuados na trajetória para testar a "assistência" do controle de estabilidade. Os pneus são 155/60 R15 na dianteira e 175/55 na traseira R15.

Confesso que pensei de novo no turbinho ao me familiarizar com o pedal direito. As respostas não são imediatas até que você aprenda o truque. Nos carros automáticos modernos basta uma pressionada mais brusca no acelerador para a central da transmissão entender que você quer andar mais e fazer um redução de marcha. No Smart o kick down só ocorre no fim de curso do pedal do acelerador. Dá até pra sentir o acionamento do interruptor. Nessa condição o kick down ocorre, baixando uma ou duas marchas, eleva a rotação do motor e o miniturbo acorda soprando forte. Junto com isso vem um sorriso de satisfação como bônus.

Daí pra frente brinquei um pouco com as borboletas de troca de marcha no volante. Uma vez acionadas, a transmissão sai do modo autônomo e só obedece ao seus comandos. Achei isso muito bom. Pé direito pesado e boas cambiadas fazer o Smart ficar espertinho e sair da zona de mínimo consumo. Acho que um pouco mais de tempo a sensação estranha de insegurança passaria e a brincadeira ficaria mais lúdica. Mas a falta de tempo e o trajeto curto não me permitiram aproveitar mais.

O preço do brinquedinho é salgado, R$ 58.000,00. Mas descontando o imposto de importação (35%) seu preço seria menos que R$ 40.000,00. Parece-me compatível considerando que um Honda Fit automático não sai por menos que R$ 55.000,00.

Considerando que o Smart, que quer dizer esperto, inteligente, vivo, talentoso, espirituoso, foi concebido para ajudar a diminuir o trânsito e a reduzir o consumo de combustível e emissão de gases, acho que as pessoas deveriam comprá-lo com isso em mente. Se fosse mais barato, por volta de dos R$ 40.000,00 seria um carro legal para minha esposa ou para eu mesmo trafegar no trânsito infernal de São Paulo com um pouco mais de agilidade e sem a necessidade de carregar pelo menos uns 300 kg de peso morto -- o Smart pesa 770 kg enquanto um Fit pesa 1100 kg. Porém, no Brasil, será apenas um brinquedinho ou um aparato fashion de exibicionismo. Também não acho que seja um carro de entusiasta, ao contrario do Mini.

Mas pelo menos matei a minha vontade de experimentá-lo.

22 comentários :

  1. André Andrews15/08/09 01:10

    Com nosso piso bem ondulado somado a um entre-eixos curto, deve dar muita ocilação longitudinal.

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  2. Muito caro! R$ 40.000,00 barões ainda é muita grana em um carro que só cabe 2 pessoas!
    e convenhamos que 800kg nem é tão pouco peso assim. Nada de muito impressionante

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  3. Marlos Dantas15/08/09 01:47

    O Tata Nano me parece mais "emocionante" que o Fortwo, sem contar que custa muito menos. Outra vantagem é a ausência de itens supérfluos ou outros aspectos modernosos, ele é “cru” e não se desvia de sua proposta. No Nano, o raciocínio lógico dos projetistas eliminou a redundante assistência da direção, visto que o motor é traseiro e o peso sobre o eixo dianteiro é bastante aliviado. O grande “problema” dos dois modelos é o teto alto...
    Mas, como já comentaram anteriormente, talvez o Nano, sim, seja um carro de entusiasta.
    Ao contrário de muitos, torço para sua vinda ao Brasil...

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  4. Super moderno e com muita tecnologia, só pode ser caro mesmo.
    Claro que tem trocentos impostos, e isso estraga tudo.
    Mas é um carro que já está na história.

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  5. André Andrews

    A dureza da suspensão era uma das principais reclamações dos donos do Classe A.

    Certa vez andei num Classe A com o kit "Mikka Hakkinen", composto por um kitzinho AMG, grafismo McLaren e rodas de aro 17 e pneus de perfil 40: certeza absoluta de hérnia de disco e/ou obturações arrancadas dos dentes. Balançava ainda mais do que o Classe A normal, chegando a dar enjôo em algumas ruas de SP.

    FB

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  6. Classe A, uma bomba! sem contar a manutenção caríssima

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  7. Fala sério15/08/09 10:14

    commanding view - visão de comando

    Que bobagem, grande comando........

    Se fosse assim, motoristas de SUV, Onibus, caminhões e etc, não fariam tanta porcaria no transito........

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  8. Grande coisa a "tecnologia" esqueceram de falar que a velocidade máxima desse carrinho de supermercado é de 140km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h é de quase 11 seg.

    Continuo achando caro...

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  9. Impostos... sempre os impostos, tem tanto imposto por aqui que as fábricas do Brasil estão todas falindo né? Parem com esse discurso, tá na hora de virar o disco.

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  10. Junior VAMODOIDO15/08/09 11:55

    Realmente Anderson. O Web Motors fez uma matéria sobre o preço dos carros nacionais que são vendidos na Argentina e no México. Pegando-se uma Montana no México, botar todos os impostos daqui, a conta não fecha. Falta um pouco ainda. Será só impostos mesmo ou ao fabricantes que sabem que podem pedir porque o publico paga?

    Abraços

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  11. Rodrigo Laranjo15/08/09 12:25

    Odeio esses carros com suspensão dura. O carro foi feito pra cidade ou para um autódromo?

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  12. Pois é Anderson, o Brasil cobra poucos impostos mesmo.
    O problema é a ganância imperialista dos capitalistas que exploram as massas proletárias indefesas.
    Vc é comunista-petista, tem Trabant?

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  13. Antonio Martins15/08/09 17:00

    Em parte o Anderson tem razão. Há muita fábrica cobrando mais do que deve pelos seus carros, e botando a culpa na tributação. Mas que os encargos são demais por aqui é inegável.

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  14. Sim, eu sei que os impostos por aqui são abusivos, mas acontece que a culpa não é só dos impostos.

    As fábricas também cobram preços abusivos pelos seus carros. Junte as duas coisas e temos "carrinhos de supermercado" a preço de ouro.

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  15. Eduardo Hiroshi15/08/09 23:02

    Keller, também já tive a oportunidade de dirigir um smart. Achei que é uma idéia genial que não foi explorada em todo o seu potencial. Por isso estou curioso para dirigir o Toyota iQ. Quanto ao Mini, estou totalmente de acordo: é coisa para entusiastas.

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  16. Adorei a avaliação, bem focada nas sensações de condução do carro. Agora eu é que quero dirigir um!

    É uma pena o Smart Roadster ter saído de linha. Se fosse vendido no Brasil por menos de R$ 70 mil, acho que faria tanto ou mais sucesso que o Fortwo. Esse, sim, me parece um Smart apto a agradar ao entusiasta, além de ser um carro com visual diferenciado e agradável de se ver, sem parecer um ícone gay como o Fortwo.

    Quanto ao fato de não ser necessário pisar no freio ou passar o câmbio para N para manter o carro parado, acho que isso poderia ser adotado como padrão nos automáticos, mas com uma diferença: Se o motorista tocar em um dos pedais - freio inclusive - o carro passa a se mover lentamente, como qualquer automático (isso dependeria da aplicação de sensores nos pedais, mas não me parece algo complexo). Assim, você mantém o pé sempre no freio num engarrafamento mas não precisa ficar freando quando está parado no semáforo. Aliás, isso me parece tão óbvio que não sei como até hoje nenhum automático é assim!

    Mudando de assunto, cuidado com a "visão de comando", para não levar um puxão de orelha do Bob Sharp!

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  17. Mister Fórmula Finesse17/08/09 08:45

    Ótima avaliação, pena não ter uma versão com câmbio manual e alguns contos de réis a menos.

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  18. AO ANÔNIMO QUE COMENTOU SOBRE O CLASSE A....TENHO O MEU DESDE 2003;UM AMOR!DELICIA!NUNCA DEU OFICINA! E RODO DIRETO TRABALHANDO OU COMO LAZER! AGORA O SMART FORTWO,ESPEREI PARA COMPRAR 8 ANOS;NÃO TIVE CORAGEM DE COMPRAR DAS IMPORTADORAS POR MAIS DE $100.000,OO,MAS AGORA COMPREI;É O MÁXIMO,MAS NEM POR ISTO VENDEREI MEU CLASSE A

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  19. Sempre fui um fã do Smart e do uso ao que ele se propõe, pois é muito comum encontrar pessoas que se deslocam sozinhas em seu próprio carro nos grandes centros.

    Recentemente a Smart iniciou a importação de seu modelo supereconômico com motor MHD (MicroHybrid Drive) em série limitada que, segundo a empresa, é capaz de rodar mais de 20 km/l em regime urbano.

    Gostaria de solicitar aos facilitadores do blog que fizessem uma avaliação deste modelo e postassem para que tenhamos um contato maior com esta tecnologia aos olhos dos especialistas.

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  20. Barato, R$ 40.000 sem impostos? Desculpe, mas para a realidade de quem - do brasileiro que pode se dar ao luxo de ter dois ou três carros de mais de R$ 50.000 na garagem?

    Para um carro que oferece dois a três lugares a menos que a maior parte dos outros carros, o mínimo seria custar de 2/3 à metade do valor de um outro semelhante com mais lugares.

    Se o Smart fosse um carro voltado às massas, ou tivesse alguma versão popular, consideraria ele uma opção louvável. Neste formato, ele realmente não é nada mais que um brinquedo caro, para poucos, e bem longe de uma "solução" para qualquer problema de tráfego.

    E é isso.

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  21. gente fala serio esse carro é maravilhosisimo
    é o carro mais chic da fase do planeta

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  22. Gabriela
    E por isso que em Paris se vê tanto deles. Aqui, além de ser caro (como todo carro, especialmente os importados), o nosso piso não ajuda, o rodar é algo desconfortável.

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