HONDA CITY: ESTARÁ MESMO FORA DE PREÇO?

Os comentários de que o novo Honda City veio posicionado em preço acima do que deveria, foram unânimes. Não se resumiu só no post do Bob Sharp, neste blog, mas em tudo que seguiu na mídia a respeito.

E como em toda unanimidade sempre há um cheiro de controvérsia, decidi estudar um pouco mais o assunto. Desde o lado do fabricante até os pontos subjetivos de percepção de valor daqueles que compram. A melhor maneira de fazer isso começar foi eu me isentar de opinião. Posso abri-la, sem problema algum, acho mesmo o preço dos carros no Brasil acima de vários países no mundo, não é só uma questão tributária e pessoalmente, não invisto R$ 60-70mil num automóvel, mesmo se dispusesse desse montante. A menos que o carro seja de entusiasta, ou uma barata de track-day, meu sonho, um belo esportivo classudo dos anos 80 e 90, um muscle car dos anos 70, um mix de um pouco de cada, enfim, não vou desviar do tema.

Comecei por visitar duas concessionárias da Honda aqui perto de casa. Sábado ensolarado, lojas cheias, vendedores procurando ser atenciosos em meio ao caos e lá estavam os Citys em display, ao lado de outros carros da marca.

A primeira pergunta ao vendedor: vocês estão vendendo mais o City que o Civic? Resposta afirmativa. Depois, em quanto está um Civic LXS automático (‘champion mix’, com mais de 65%) Da tabela de R$ 69 mil, eu faço para o senhor R$ 67 mil. Os automáticos City LX a R$ 60.010 e o EX R$ 65.450. Terceira e última: vocês tem carro para pronta-entrega? Sim, dependendo da cor e opcionais (natural, se escolher laranja com estofado roxo, nem em 90 dias).

Conclusão precipitada #1: o City está 15% mais em conta que o Civic equivalente e vende mais que ele. Se bobear, a versão EX, que quase encosta no preço do Civic LXS, será a de maior volume. Precipitada por que perguntei em somente duas concessionárias, não fiz uma média nacional, estadual nem municipal e na segunda semana após o lançamento do carro. Mas, é lógico supor que se a Honda abaixasse o preço do City, hoje, para qualquer outro patamar, estaria cometendo uma autofagia perigosa.

OK, excluindo os fatores novidade, lançamento, frisson, há alguns fatores produto e marca, que a mídia especializada e muitos consumidores que dividem da mesma opinião de ‘fora de preço’ podem não estar reconhecendo. Antes de entrar na questão de valor percebido, vale uma varrida em outro país, onde a Honda goza de enorme reputação, os Estados Unidos.

No dia que completou 50 anos de atividades na América do Norte, saiu interessante reportagem no New York Times a respeito (copiei o link abaixo), que começava da seguinte forma: “Depois de 50 anos nos Estados Unidos, o nome Honda tem-se misturado à nossa cultura, junto com as marcas Sony, Nestlé e Adidas, como mais uma marca estrangeira que oferece produtos bem-concebidos e de alta qualidade. Um extraordinário feito para quem começou vendendo motonetas com painéis e carenagens de plástico, justamente quando Detroit dava berço aos seus "rabos-de-peixe" cheios de esplendor."

Para uma parcela enorme de consumidores norte-americanos, a marca aplicou-se não somente aos carros e motos, mas a pequenos geradores, cortadores de grama e tudo aquilo que o maior fabricante de motores do mundo pode motorizar, a percepção de um fornecedor de bons e despretensiosos produtos, a preços acessíveis. Normalmente, sem requintes de estilo, os produtos Honda podem ser definidos como "no limite do ordinário”.

No Brasil, cortadores de grama e pequenos geradores não são equipamentos populares, mas até há pouco a Honda detinha quase 80% do mercado de motocicletas, segmento que se lançou na produção no Brasil e a participação de hoje, que está menor, não deve ser entendida como o fim dos tempos de ouro, muito menos um fracasso. Não entremos em discussões sobre diferentes circunstâncias.

O ponto é que aqui a Honda goza também de excelente reputação por seus produtos, qualidade, etc. Alguma dúvida? O posicionamento do Civic aqui é distinto dele mesmo nos EUA e tanto ela, como a Toyota e a Nissan, que comercializam produtos muito parecidos nos dois países, repetem a fórmula mercadológica de populares lá, segmento superior aqui. Não se trata de culpa de ninguém, muito menos demérito.

Seu segundo automóvel no Brasil, o Fit, teve sorte diferente. Segmento inovador, com um maior diferencial de preços em relação ao Civic da época, buscou um outro perfil de público. Amealhou índices de satisfação elevados, fiéis seguidores e mais pontos em sua reputação. Terreno pronto para o Fit II, com o carro trazendo mais conteúdo, mais tecnologia e preços mais elevados também. Quando muitos esperavam reação negativa de seus compradores, diminuição de volumes de vendas, eis que a Honda conseguiu mais sucesso ainda. Havia fila de espera, pré-crise e ainda hoje o Fit II segue vendendo muito bem. Mais, é carro comum em garagem de famílias com elevado poder aquisitivo, que dispõem a pagar até R$ 68 mil pela versão mais completa.

E o City? sendo um carro maior que o Fit, em que pese ser da mesma plataforma, não podia deixar de ficar entre este e o Civic.

Uma rápida olhada na ficha técnica do City nos mostra alguns números interessantes. Comprimento: 4,4 m, ou 8,9 cm mais curto que o Civic. Entre-eixos, 2,55 m, 15 cm menor. Largura, 6 cm menor. Tive a curiosidade de entrar num e noutro, nas mesmas concessionárias, no assento do motorista, do passageiro dianteiro e no banco de trás. Repetindo o que o Bob publicara, ficou evidente um melhor aproveitamento do espaço, pois não se notou 15 cm a menos para as pernas! Não sendo tão menor assim, mais um motivo para o preço não desencostar muito.

Motorização é inferior, fato. Vinte e quatro cavalos e menos, quase três kgf.m a menos de torque, ok, dinamicamente está algumas posições atrás, mas o quanto o mercado irá julgar que isso é relevante, para gerar uma percepção menor de preços? Está aí uma boa aposta da Honda. De resto, o carro está não só próximo ao Civic, como a seus competidores diretos, se tem menos cavalos, a caixa automática, ah essa caixa é superior a todos, exceto a Tiptronic do Bora, que por sua vez tem 120cv e desenho antigo (Vejam tabela comparativa anexa).

Lembremos que o Civic é de 2006 e não tardará muito para a nova geração chegar. Até lá, é provável que o "gap" de preços estacione onde está, ou perto disso e volte a aumentar no modelo renovado.

Conclusão, não precipitada #2: aonde alguns torcem o nariz, pela evidente inferioridade em performance, que para eles deveria significar menos R$ no preço, entra a qualidade e reputação da Honda, que aposto irá compensar. E minha aposta segue, com dois produtos próximos em propostas, Civic e City, marketing da marca pode trabalhar o público de forma pouco mais distinta. Deixando de lado que os mais jovens tendem a simpatizar mais com o novo, os clientes terão mais opções de escolha, aqueles que preferem performance e não ligam tanto ao porta-malas, ficam com o Civic, os que querem mais porta-malas, um pouco mais de conteúdo, mimos e não ligam para a performance, ficarão contentes em pagar 15% a menos por um City.

Olhando sob o ponto de vista da Honda.

Com vendas mensais em torno de 6.000 unidades o Civic é o líder de seu segmento. No entanto para atingir esse volume o nível de descontos era bem alto, podendo consumir praticamente a margem dos concessionários. A Honda espera vender pouco mais que 4.000 Citys por mês e aliviar um pouco o volume do Civic na expectativa de recuperar o seu preço diminuindo os descontos. Assim o volume total de carros vendidos entre Civic e City ainda será bem maior que o volume só de Civic. Considerando que os carros são produzidos na mesma fábrica o custo por unidade tende a ser menor.

Com o City a Honda não precisou fazer uma versão de entrada do Civic, como o Vectra Expression e o Toyota Corolla, e dessa maneira mantem o Civic bem posicionado e preservando sua imagem e preço.

Conclusão, não precipitada #3: se os argumentos acima relacionados ao produto não forem suficientes para justificar o preço do City ainda existe um outro argumento muito poderoso.

O preço é feito pelo mercado. A regra é simples: falta carro aumenta-se o preço (ou diminui-se o desconto), sobra carro diminui-se o preço (aumeta-se o desconto). Dá para balancear isso com o volume produzido. Mas isso envolve capacidade de produção e pessoal. Enquanto o mercado estiver comprando os carros com os preços propostos nos volumes planejados pelos fabricantes os preços ficarão como estão.

Link NYT 50 anos de Honda nos EUA: NYT HONDA 50


37 comentários :

  1. Antônio Martins17/08/09 22:52

    Infelizmente não existe estatísticas no Brasil, mas se fosse feita uma em relação a X veículos vendidos por marca quantos retornam em um ano pelos mais diversos defeitos apresentados, a Honda seria a mais satisfatória. Qualidade, responsabilidade e cuidado na fabricação tem seu preço. Dor de cabeça com carro 0km com defeito acaba com o humor e termina aí a vantagem do menor preço.

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  2. Clésio Luiz17/08/09 23:05

    As marcas japonesas vendem caro porque tem quem compre. Eu pessoalmente jamais pagaria o que eles pedem por seus carros. Brasileiro de forma geral é um completo ignorante nas coisas automobilísticas, confundindo o nível dos modelos e pagando caro para pouco retorno, que o digam os fabricantes que pioraram o acabamento da maioria dos carros e praticamente não se ouviu reclamação do mercado consumidor.

    Mas tem duas coisas que eu respeito nas japonesas: qualidade de fabricação e atualidade de seus produtos. Enquanto as européias só fabricam modelos obsoletos (com raras e honrrosas exceções, como o Focus e a linha Citroen) e muitas vezes de qualidade duvidosa e/ou ineficiente.

    De um modo geral as japonesas merecem o sucesso que tem, pois se não fosse por elas praticamente só teríamos carros obsoletos.

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  3. Clésio Luiz17/08/09 23:12

    O principal motivo para dizer que o preço do City está errado é que ele é um compacto com preço de médio. Eu não trocaria um Focus ou um C4 Pallas para ter uma carro que pertence a uma categoria inferior.

    A Fiat se deu mal ao tentar aplicar esse golpe com o Linea, mas parece que os japas vão triunfar onde os italianos falharam, ou seja, enganar o consumidor.

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  4. Clesio,

    Cada povo tem o carro que merece. Trouxeram e nos brindaram com iguarias finas e deliciosas como Civic Si e C4 VTR, ninguém compra em quantidade suficiente para manter, encalham, ficamos sem. Bem feito. Os japas tem um bom controle de qualidade e um bom proceso produtivo, mas em todos os modelos a mesma indiferença, falta de sal e de açucar, entusiasmo zero. E isso aqui vende. Bom para eles, melhor para quem compra e melhor ao cubo para quem espera e compra coisas legais, pouco usadas, entusiasticas a preço de banana porque o mercado não gosta.

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  5. Clésio,
    Na análise feita, procurei isentar esses dois hatches médios que citou. Lembre que o fato de eles poderem cobrar menos, não exatamente redefine o preço médio do segmento, a menos que fossem extremamente bem sucedidos e os demais fossem os 'followers'. O baixo preço do Focus e C4 pode ser entendido justamente como busca de volume.
    E cobrar o preço que cobram no Fit, tampouco significa que estão enganando alguém. Afinal, alguém arriscaria dizer que eles construiram a imagem Honda enganando? eu penso que não.

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  6. Mister Fórmula Finesse18/08/09 08:52

    Concordo integralmente com o que o Clésio comentou e parcialmente com o AG (Civic Si é um mimo, mas 100 mil reais nunca justificará uma escala adequada).

    "A Honda espera vender pouco mais que 4.000 Citys por mês e aliviar um pouco o volume do Civic na expectativa de recuperar o seu preço diminuindo os descontos"...

    ou seja, procura-se estabelecer um padrão elevado mais em função do preço do que propriamente em relação a qualidade do carro, mesmo que não seja baixa.

    "Enquanto o mercado estiver comprando os carros com os preços propostos nos volumes planejados pelos fabricantes os preços ficarão como estão"

    perfeito, tudo muito correto, mas de certo modo evidencia a servidão do consumidor brasileiro em relação a carros que estão em nível de preço acima do esperado. O City deve ser um carro realmente bem interessante e tem todo o reconhecido respaldo da confiabilidade e qualidade Honda, mas acho que preços mais comedidos só fariam bem a ele e ao Civic que precisa manter o status de melhor carro, e não de simplesmente opção mais esportiva dos sedans Honda. Voltar aos preços originais do Civic é o tipo de distinção artificial - com o aval do mercado - que só salienta a diferença entre mercado brasileiro e de outros países.

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  7. Rodrigo Laranjo18/08/09 10:42

    Aprendam uma coisa: Brasileiro não compara carro.

    Hoje você paga praticamente a mesma coisa num Fox enfeitado ou num Azera.

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  8. Carlos, entendo que a Honda tenha lá seus motivos para cobrar o que cobra, afinal ela goza de uma reputação que as nacionais não tem. Mas, sinceramente eu, enquanto consumidor, não vou ter essa visão. Temos que brigar a exigir que o produto seja sempre o mais atraente possível para nós. O motor do carro de baixa potência é um indicativo de que o carro não foi feito para ocupar a faixa de preço que ocupa. Se os consumidores não darão atenção para isso, azar o deles e azar o nosso na hora que formos comprar um carro zero, onde as empresas irão deitar o rolar nas costas do consumidor comum e pouco exigente e nós seremos meros idiotas que estariamos exigindo algo que ninguem mais dá atenção.
    Reafirmo de que, apesar de reconhecer que a Honda está além das tradicionais brasileiras em termos de qualidade, acho inaceitável comprar um carro com o preço tão inflado por causa disso.

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  9. Clésio Luiz18/08/09 12:57

    @ Carlos Zilveti

    Eu acho que sim, eles fizeram sua imagem enganando o consumidor, mas não oferecendo um produto ruim, mas supervalorizando o que vendiam, como fazem todas as empresas que vendem produtos de "grife".

    Como o brasileiro de um modo geral é leigo no assunto, as marcas japonesas chegaram por aqui como produtos de grife, coisas importadas que davam mais impacto do que comprar um equivalente nacional. Esse não é o perfil dessas empresas no mercado europeu ou americano. Lá elas são apenas mais um concorrente num mercado saturado. Lá o consumidor não enxerga as japonesas como marcas de luxo, como se faz aqui no Brasil.

    Eu lembro bem quando a Chevrolet vendia o Vectra B por um preço semelhante ao praticado pelo Civic e o Corolla. Na cabeça do consumidor eles deveriam pertencer a mesma categoria e os japoneses alimentaram essa crença. Nós sabemos que eles deveriam ser vendidos na faixa de preço do Astra, que era seu real concorrente na linha Chevrolet. Mas por um erro no posicionamento dos produtos da GM, o Vectra acabou ficando com a missão de fazer frente a ofensiva japonesa, mesmo o Astra já sendo um produto superior aos modelos orientais.

    O resultado nós sabemos: os japoneses viraram um tipo de "Apple" do setor automotivo, vendendo seus produtos com sobrepreço e o mercado aceitando essa situação sem pestanejar.

    Estão errados os japoneses? Do ponto de vista empresarial eles estão certíssimos, pois o objetivo de uma empresa é dar lucro. E nisso eles estão sendo muito bem sucedidos. Mas como consumidor, eu vejo esse posicionamento de seus produtos numa faixa de preço a qual eles não pertencem como um grande golpe baixo, pois você vende algo por um preço acima do real valor.

    O consumidor informado não vai cair nessa armadilha, mas como a maioria é leiga, o que vemos é um grande nº de pessoas sendo enganadas, pagando mais do que o produto realmente vale.

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  10. Rodrigo Laranjo18/08/09 13:14

    Bem lembrado: A Honda virou a Apple dos carros.

    Vendem menos por mais, mas com "status".

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  11. Clésio,
    Um dos capítulos que mais aprecio na bíblia de marketing do Kotler, é na formação de preço. As estratégicas clássicas de entrada no mercado estão em oferecer mais por menos, ou o mesmo por menos. Uma vez líder, migra-se para o oferecer mais por mais ou o mesmo por mais. Em todas as categorias de produtos.
    Saindo do livro, uma das coisas que mais aprecio em ver no setor automotivo é a dinâmica, principalmente quando alguém rouba a liderança de um, trazendo ao mercado um produto superior. Mesmo por que essa superidade é sutil, não vista ou não percebida ou até não reconhecida por muitos. Mas quem quer retomar a liderança buscará meios de aprender, de saber, até para acertar na fórmula no seu próximo produto.
    Podemos até incluir os exemplos da Honda e Toyota há dez anos e perceberemos o uso dessa estratégia de entrada.
    Quanto as empresas, elas são normalmente dirigidas por princípios, missão e valores.
    Natural que nenhuma delas, coloque 'embromar' o consumidor explicitamente dentre eles e eu, pessoalmente, não acredito as que nenhuma das citadas e analisadas aqui o faça.
    Porém, quando olhamos do lado de cá, muitas coisas que comprendemos, mas não aceitamos e outras que fogem a nossa compreensão, acabam sendo rotuladas de forma negativa.

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  12. Mister Fórmula Finesse18/08/09 16:56

    A verdadeira percepção do que pode parecer negativo ou não, só pode ser efetivamente entendida se houver comparação, no caso, dos carros com propostas não tão diferentes e na mesma faixa de valor.

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  13. Marcelo Augusto18/08/09 17:22

    Quem oferece mais qualidade tem que cobrar mais. E deve-se considerar que 20% do carro é de material importado. Há marcas por aqui na era do bloco de ferro fundido; troca de óleo com 5 mil km ou 6 meses; "revisão de verificação" com 1000 km, é muito atraso de vida, muita perda de tempo. Aqueles que oferecem mais-por-menos e grande tecnologia embarcada a baixo custo - como a PSA - são os campeões de defeitos em garantia.

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  14. Esse carro vai vender bem. Toda "madame" vai querer um para ir passear no shopping...
    E o Marido vai querer mostrar para o vizinho do condomínio que tá ganhando bem e pagando R$ 56 mil num sedan pequeno.
    Bom, tem gente que compra Polo Sedan comfortline quase por isso...

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  15. Tiozinho da marreta18/08/09 21:43

    Zilveti, não acha que se compararmos City e por exemplo, o Kia Cerato, que será lançado esse mês, a Honda não está superfaturando em pelo menos uns 5 mil reais o City? O Cerato tem praticamente as mesmas características do City, como espaço interno, tamanho do bagageiro, motorização, etc, e na versão completa é 7 mil reais mais barata que o City EX automático, tendo praticamente os mesmo itens de série! O Cerato vem lá da Coréia, sofre com os 35% de tributação e mesmo assim consegue ser mais barato e fornecer uma margem de lucro satisfatória para a Kia! (senão a mesma não estaria trazendo o Cerato para o Brasil) Acho que a Honda perdeu um pouco a noção, mas se tem gente que compra, quem sou eu pra dizer que ela está errada! Abraços!

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  16. CZ

    "As estratégicas clássicas de entrada no mercado estão em oferecer mais por menos, ou o mesmo por menos. Uma vez líder, migra-se para o oferecer mais por mais ou o mesmo por mais. Em todas as categorias de produtos."

    Muito bem lembrado!

    Em 1995 comprei uma bicicleta norte-americana, soldada a mão com tubos de alumínio Easton Elite, com garantia eterna. Era uma marca nova no mercado e apostava muito no seu produto, oferecendo mais por menos.

    No ano passado o quadro da tal bicicleta rachou e fui atendido pela garantia da fábrica, agora um renomado fabricante de bicicletas de alta performance, estabilizado no mercado: a bicicleta agora é soldada por robôs na China, com tubos de alumínio 7005 comum. A garantia agora é de apenas 4 anos e os preços não lembram nem um pouco aqueles praticados em 1995.

    Isso me faz lembrar a VW: durante anos foi referência de bons produtos a preço honesto. Já nos anos 70 a qualidade do Fusca começou a cair e foi degringolando até o final da produção. Novos produtos vieram, se estabeleceram e foram paulatinamente seguindo o mesmo rumo, com a qualidade caindo um pouquinho a cada ano e o preço aumentando um bocado.

    Era tudo o que a Fiat queria.

    FB

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  17. Tiozinho,
    Creio ter visto o Kia Cerato no último Salão. Pelo pouco que li a respeito, parece um produto compatível com o Honda.
    Comparando apenas produto e preço, eu concordaria com sua opinião. Mas, e os outros fatores de compra? rede, confiança na marca, etc? E olhe que a rede Kia goza de boa reputação, mas não tem lojas suficientes, nem nos mesmos lugares que a Honda, portanto seu poderio é menor.
    Gostaria de deixar claro que não estou defendendo o nível de preços de lançamento do City, mas que encontrei algumas justificativas para que se situe como está.
    A palavra final segue sendo do Sr. Mercado e se ele determinar que o preço do City deve abaixar, aposto que a Honda o fará. De forma ágil.
    E baixar é mais fácil que subir.

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  18. Nico fora da lei....18/08/09 22:30

    Comparar o Civic com o Vectra e Astra?!

    Ah, vai tomar banho!
    Compra um Monza então e o resto do dinheiro põe na poupança!

    E ainda se dizem entusiastas....

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  19. Peraí, City com preço de Focus? Focus na cabelça, a geração 2 do melhor hatch já fabricado pela Ford.

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  20. Peraí, City com preço de Focus? Focus na cabelça, a geração 2 do melhor hatch já fabricado pela Ford.

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  21. O Focus é um bom carro sim....

    Mas e o pós venda dessa geringa?!

    Se for para comprar um Focus então compro um Mercedes ou BMW semi-novo... Vai dar na mesma (manutenção caríssima e quase que impossivel) e vou ter um carro BEM melhor.

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  22. Tiozinho da marreta18/08/09 23:14

    Pois é Zilveti, não estou dizendo que a estratégia da Honda está errada. Como qualquer empresa, a Honda visa lucro, e quanto mais lucro melhor. Ela conseguiu de forma brilhante vincular aos seus produtos aqui no Brasil uma aura de sofisticação e qualidade que hoje faz o City custar o que custa e mesmo assim ter gente disposta a pagar o que a Honda cobra por ele. Mas acho sinceramente que aproximá-lo tanto do Civic faz a Honda mostrar o quão "gordas" estão as margens de lucro das montadoras aqui no Brasil. O que mais me irrita, não querendo de forma alguma diminuir as várias qualidades do City, é que ninguém parece querer enxergar isso. Algo parecido é a Volks querer cobrar 38 mil pela Parati Titan, com rodas de aço sem calotas e tendo apenas a direção hidráulica como principal equipamento de série. A Ford está pedindo os mesmos 38 mil pelo Focus GLX (modelo antigo) completo! Se continuar desse jeito, comprar carro aqui no Brasil vai ficar difícil. Quero aqui dizer que entendi o seu ponto de vista em relação ao City e a Honda, mas de maneira nenhuma concordo com a atitude da Honda, mesmo ela estar visando o que qualquer empresa saudável visa: O lucro. E fico mais indignado ainda com a letargia do consumidor brasileiro em observar o quanto as montadoras estão lucrando em cima da gente, oferecendo na maioria das vezes produtos defasados com preços exorbitantes. Tendo isso em mente, eu comemoro o sucesso que Kia e Hyundai estão tendo aqui no Brasil, com produtos com boa qualidade, sintonizados com o resto do mundo e por preços condizentes. Detalhe: A Kia possui 105 concessionárias aqui no Brasil. Acho que a Honda tem pouco mais de 140 concessionárias no Brasil. Não acho que essa diferença seja tão gritante assim para justificar a diferença de preço entre City e Cerato, baseada no maior alcance da rede de concessionárias. Abraços!

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  23. Nico Fora da lei....18/08/09 23:21

    Acho que esse Tiozinho da Marreta é um Tucsonzero enrustido de longa data....

    Te conheço de outro carnaval rapá! Cria vergonha na cara!

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  24. Nico Fora da lei18/08/09 23:24

    A Ford não vende porque não tem consumidores fiéis.
    Quem compra Ford hoje provavelmente não vai comprar amanhã, pois se a rede de concessionárias continuar com o serviço porco de sempre e a politica podre de reposição de peças, só vai comprar denovo quem é otário e fanáticuzinho de merda mesmo!

    E tenho dito!

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  25. Tucano de mer..18/08/09 23:26

    Nãooooooooooooooooooooo!

    Não são as montadoras que estão obtendo margens de lucros exorbitantes.

    São os impostos!

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  26. Sem dúvia alguma eu compraria o Focus ou o 307. Tenho inclinação mais pro Focus...

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  27. Sem contar que Ford para mixaria no seu carro na troca, mesmo sendo um carro da própria Ford.

    E não tem choro, cobram até pelos sobre tapetes. Peito de aço de cortesia? nem pensar.

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  28. A Ford é muito esnobe também. Equanto não melhorar o seu pós venda, vai continuar vendendo pouco.

    e tenho dito! já tive um Ford e me Fordi.

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  29. Tiozinho,
    Vejo temos convergência de opinião em vários pontos.
    Também gosto do Focus, porém ao decidir por um, fiquei com o New Civic auto. Na época não haviam lançado o Focus II, talvez hoje eu experimentasse a troca, mas teria um pouco de receio quanto a alguns outros pontos, ou seja, ficaria com ele por entusiasmo e não como comprador que pondera mais coisas.
    Gostei de sua análise quanto a rede Kia vs. Honda, comparei as duas também e notei que, no estado de SP, são 33 vs. 60 lojas, quase o dobro e melhor espalhadas. A Honda está em todos os demais estados e a Kia não está em AC, PI, MS e RO. Estados também importantes como RJ (11 a 6), PR (8 a 6), RS (9 a 5), SC (11 a 6). Temos de considerar a influência da marca Honda até para convencer um empresário a arriscar seu capital para fazer parte da rede e o fato dos carros-chefe como Civic, Fit e agora City serem nacionais.
    Este debate está sendo produtivo e prazeroso.
    Abs,

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  30. Tiozinho da marreta19/08/09 11:33

    Fala Zilveti! Ontem eu pensei mais sobre o tema e cheguei a uma outra possível explicação para o preço do City: A baixa capacidade produtiva da Honda aqui na América do Sul. Se ela começar a vender Civic, Fit e City por um preço um pouco menor, a mesma não teria como suprir o mercado. O Civic até pouco tempo atrás vendeu 6 mil unidades por mês, quando a Honda lançou um preço promocional para ele. 6 mil unidades é muita coisa, considerando o segmento que o Civic ocupa, isso é um volume de vendas pouca coisa menor que o volume de vendas do Fiesta e Ecosport juntos! Bom, pode até ser uma explicação para os preços praticados pela Honda, mas mesmo assim não concordo com eles, como consumidor. Quanto ao questão City X Cerato, não quis aqui colocar em questão o sucesso da Honda no Brasil, nem o fato de seus carros serem nacionais enquanto os Kias são importados. Isso tem um peso enorme nas vendas, embora na manutenção acho que nos mesmos segmentos, Kia e Honda devem ter custos de manutenção não muito distantes. O que eu quis dizer é que, por serem do mesmo segmento, seria mais justificável o Cerato custar o que o City custa, por ser importado. E é nesse ponto que eu estou batendo, a Honda está com bastante gordura na sua margem de lucro. Bom pra ela né!

    Abraços!

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  31. Nico fora da lei19/08/09 12:11

    Tiozinho da marreta,

    Vai andar lá no teu Ford Fracus e não enche o saco!

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  32. Tiozinho,
    A questão custos é bem complexa e precisaríamos mais dados dos fabricantes para tecer uma boa análise. Superficialmente, as circumstâncias hoje favorecem os carros coreanos, a moeda deles está mais desvalorizada em relação ao dólar e este em relação ao real, além do que, perderam volume importante nos mercados da Europa e EUA e para ocupar as fábricas asiáticas e desovar volumes, sobram os países emergentes como o nosso.
    Não chequei se a Honda liberou a informação de quanto investiu na fábrica para trazer o City e se esses investimentos expandiram a capacidade produtiva em cerca de 40mil/ano (a confirmar), como divulgaram. Até há um ano, Sumaré estava no limite, quando aumentaram a capacidade para 480 carros/dia, ou cerca de 120mil/ano. Aí veio a crise, seguida da redução do IPI, para combatê-la e vê-se a Honda despejando média de 10mil carros/mês no mercado (60mil até junho), ~88% do que produziram.
    Quanto a gordura, tive informações que Civic com desconto de R$5mil (depois do City baixaram para 2mil) já não era tão rentável assim. Se conseguirem manter os preços do City e as vendas do Civic com desconto reduzido, aí sim apostaria que voltaram a ganhar $$.
    Abraços,
    CZ

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  33. Bem, o dia em que vocês precisarem do Gandini, vão entender pq a Kia não emplaca no Brasil.

    E olha que o Cerato está longe de ser ruim. Aliás, só o Picanto não usa suspensão traseira multilink, todo o resto tem todos os "opcionais desejáveis" de série, motores com bloco de alumínio e comando variável, acabamento do nível dos japoneses.

    Falta ainda alguma robustez e principalmente pós-venda.

    O principal problema da Kia no Brasil é a rede de autorizadas, que mistura as oficinas de Besta com as mais novas, que já pegaram a fase dos carros bem-feitos.

    As mais antigas não têm know-how pra lidar com o novo comprador da Kia como as novas têm.

    E a Honda tem. É por isso que o Soul não passará das 350 unidades (o carro chefe da Kia é o caminhãozinho Bongo, o que comprova a teoria de que eles só sabem vender utilitários).

    E é por isso que a Honda já vendeu mais de 1000 City.

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  34. Astra ser melhor que Civic e Corolla é phoda!!!

    amoavida20@hotmail.com

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  35. Este comentário foi removido pelo autor.

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  36. que absurdo um entusiasta falar que o preço do city ta de acordo...

    o portamalas é maior, mas vc viu o formato dele? depois de acomodar algumas malas grandes o portamala fica com muito volume aberto porém, impossível acomodar algo ali, porque se colocar, o portamala não fecha, cadê o "espaço aproveitado"?

    o acabamento é simplista, um fit piorado.

    o espaço para a cabeça é menor que no fit e menor que no civic, espaço aproveitado? não estou vendo isso novamente.

    sobre o motor, não há bom-senso algum em colocar um motor que dispõe de seu torque mediano (15kgfm) apenas a 4800rpm, o que deve exigir bastante do pé do motorista para tirar o carro de quase 1200kg da inércia.

    É um carro feito para iludir seus compradores, afinal, quem tem a coragem de comprar um popular por 60 e tantos mil, é um puro iludido.

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  37. Não há como justificar o preço do City. Estive com um EXL manual de 65 mil. O carro é desagradável de dirigir pela combinação de suspensão e bancos muito duros, motor manco em baixa, câmbio manual curto (relações) ao extremo e ruído excessivo. O que ele tem de bom (espaço, porta-malas, desempenho em alta, engates do câmbio, acabamento honesto) também se encontra em quase todos os carros de seu preço. Só o fanatismo brasileiro pelos japoneses em geral e pela Honda em particular explica como um carro tão caro pelo que oferece terá, ao que parece, sucesso.

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