CONVERSA DE PISTA


Após reeleição, Todt acusa Ward e imprensa



Francês conclama “Família FIA” a defender entidade e calendário da F-1 faz GP de Austin de 2014 coincidir com corrida da Nascar no Texas



QG da FIA, em Paris

O presidente da FIA Jean Todt iniciou com ímpeto seu segundo mandato à frente da Federação Internacional do Automóvel (FIA): em seu discurso de posse criticou a tática de campanha de David Ward. Além do inglês, que desistiu de sua candidatura, o francês alfinetou a imprensa que, segundo ele, teria sido usada para publicar acusações infundadas contra a entidade durante a campanha eleitoral. Conhecido pela maneira autoritária como desempenha suas funções, Todt anunciou também uma renovação em vários cargos diretivos da FIA, incluindo a substituição de Mohamed Bin Sulayem, figura popular e influente na região dos Emiratos Árabes e que chegou a considerar sua candidatura em chapa de oposição. Ontem (9) o Grupo de Estratégia de F-1 da entidade anunciou alterações técnicas e desportivas para a próxima temporada, entre elas a pontuação dupla para a prova final do campeonato de 2014, instituição de números permanentes para cada piloto da categoria e mudanças na aerodinâmica dos carros.

Durante sua campanha de eleição para o mandato 2013/2017, o inglês David Ward transmitiu à imprensa seus pontos de vista e sua plataforma de trabalho, ambas baseadas em novas normas de governança e transparência. Por seu lado, Jean Todt manteve-se afastado do debate e optou por não fazer declarações ou comentários, o que sugere sua dedicação em trabalhar nos bastidores e anular possíveis focos de resistência e oposição. A tática deu resultado: Ward desistiu da candidatura alegando que os requisitos para formar a chapa e a pressão exercida por Todt junto aos clubes com direito à voto aniquilaram suas chances. Nesse processo surgiram comentários de que a candidatura de Ward era, na verdade, um pano de fundo para avaliar as chances de Mohamed Ben Sulayem se lançar como candidato.

Sinal evidente da habilidade política do francês, Ward não disputou a eleição e Bin Sulayem parece destinado a viver um período em que seu colega do Catar, Nasser Khalifa Al-Atya, ganhará proeminência no cenário desportivo asiático. Para uma região que cada vez mais disputa os lugares da primeira fila em qualquer coisa grandiosa, a ascensão do catariano é mais irritante que um grão de areia no olho. Em resumo, a situação deixou claro que a operação tipo Cavalo de Tróia lançada por Max Mosley — antecessor de Todt e de quem Ward é aliado —,  não deu certo e que Bin Sulayen terá que rever seus conceitos se ainda quiser chegar à presidência da FIA. O francês deixou claro sua opinião sobre o que aconteceu durante a campanha:

“Lamento profundamente que nas últimas semanas tivemos insinuações infundadas lançadas sobre a FIA. Pior, a imprensa foi usada repetidas vezes para espalhar essas falsas acusações, que macularam a imagem a FIA. Frente a este ataque irresponsável decidimos não entrar em uma disputa pública com a imprensa e que apenas seria prejudicial à nossa organização.”

Entre as acusações de Ward estava a queixa de que Todt teria pressionado os clubes filiados à FIA para assumir o apoio à sua permanência no cargo, fato que o inglês considerou uma forma ílícita de assegurar votos. Cabe registrar que após a reeleição do francês o brasileiro Cleyton Pinteiro, presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, foi eleito para formar o Conselho Mundial do Esporte a Motor (World Motor Sport Council). Certamente a indicação será usada para amenizar as críticas que recebe pela maneira como sua administração trata do automobilismo brasileiro, atualmente imerso em grave crise.

Enquanto apenas no Rio Grande do Sul e em São Paulo é feito um trabalho em torno de categorias de monopostos de baixo custo operacional, em âmbito nacional pipocam categorias com carros de turismo no mais puro conceito monomarca. Aberração das aberrações, o Campeonato Brasileiro de Marcas é disputado por modelos de cinco fabricantes e que usam o mesmo conjunto de motor, câmbio e suspensão. Ou seja, a marca vencedora forneceu apenas a carroceria. Outro fato que causou controvérsia nesta temporada foi a CBA ter convocado comissários técnicos e desportivos da Federação de Automobilismo de São Paulo (Fasp) sem ter comunicado à entidade paulista.

GP dos Estados Unidos coincide com prova da Nascar

Após uma série de declarações de Bernie Ecclestone sugerindo que a temporada 2014 da F- tivesse 22 etapas, algo inédito, o calendário divulgado pela FIA continha apenas 19, conseqüência da eliminação as provas da Coréia do Sul, México e New Jersey (EUA). A alteração criou uma situação que pode comprometer os resultados altamente positivos alcançados pelas duas edições já realizadas do GP dos EUA em Austin.

O local dessa prova, o Circuito das Américas, em Austin, foi construído especialmente para a enésima tentativa de firmar a F-1 no principal mercado consumidor em todo mundo e os resultados obtidos em 2012 e 2013 foram positivos. Em 2014, porém, o evento sofrerá seu teste mais duro: coincidência ou não, a prova de Austin será em 3 de novembro, no mesmo dia que a Texas 500 ocupará o super-oval de Fort Worth, ao lado de Dallas e não muito longe do Circuito das Américas. Por mais que se argumente que os públicos e os espetáculos são diferentes e que os horários não são coincidentes. nota-se uma arriscada comparação e um potencial fracasso daquele que tem sido o mais bem-sucedido evento de F-1 nos EUA nas últimas décadas.

Em outro anúncio divulgado ontem, a FIA informa que os pilotos que disputam o Campeonato Mundial de F-1 deverão escolher um número entre 2 e 99 para usar durante sua carreira nessa categoria. O número 1 fica reservado ao campeão atual, no caso Sebastian Vettel, que tem o direito de rejeitar o uso. Por outro lado, a FIA não anunciou nenhuma ação para normatizar o tamanho e posicionamento dos numerais de cada carro. Caso continuem no mesmo estilo dos últimos anos a medida será totalmente inócua, já que esses identificadores estão cada vez menores e menos visíveis. Além disso, foram alteradas as regras que definem as dimensões do bico dianteiro, seção frontal do monocoque e especificações do extrator aerodinâmico traseiro e seus apêndices, alterações que visam aumentar a visibilidade dos pilotos e reduzir a aderência gerada pelo fluxo de ar em torno da carroceria.

Testes no Barhein

Embora todas as equipes que disputam a F-1 tenham sido convidadas, apenas Red Bull Racing, Mercedes, Ferrari, McLaren, Force India e Toro Rosso confirmaram presença nos testes de pneus que se realizarão entre 17 e 19 próximos no autódromo do Barhein.

Na Inglaterra, a imprensa especializada tem dividido suas atenções entre tribunais e as contratações da Williams. No primeiro caderno estão os processos de Bernie Ecclestone e de Anthony Hamilton, pai de Lewis, que foi acusado por Paul Di Resta. Anthony empresariou a carreira de Paul no ano passado mas os dois romperam relações de maneira dramática: Paul acusa o pai de seu rival nas pistas de ter falsificado documentos, eliminado provas materiais e ter prejudicado sua carreira ao não conseguir patrocinadores.

Por seu lado, a Williams anunciou a chegada de Dave Wheater, ex-Lotus, e Shaun Whitehead, que estava na Red Bull. Weather será o chefe do departamento de desempenho aerodinâmico e Whitehead ocupará posto semelhante na área de processos de aerodinâmica. 

WG

N. do A. : Matéria editada em 12/12/2013 na segunda linha do nono parágrafo. O campeao mundial terá o direito de aceitar ou recusar o numeral "1" no seu carro.

A coluna "Conversa de pista" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

7 comentários :

  1. Em resumo Wagner, um dos grandes males do automobilismo é justamente... a política!
    Não vi nada na coluna de hoje que coloque o interesse do espectador como prioritário. Vimos apenas disputa de bastidores, acusações graves e várias trapalhadas (tanto entre os "civilizados" europeus quanto aqui na grande "floresta tropical").
    Já o Sr. Todt, quanta influência! Acho que poucas vezes vi alguém desempenhar tão bem o fisiologismo em um cenário de disputa por votos. Algo me diz que ele tem em seu poder informações muito interessantes, e que não interessa a ninguém que venha a tona.

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    1. Fábio,

      O cenário não mudaria muito caso o David Ward mantivesse sua candidatura e vencesse a eleição. Ele ocupava o maior cargo da FIA Mobilidade e é extremamente ligado ao Max Mosely, que atualmente está envolvido com o Eurocap, a organização que faz avaliações e classificações da segurança de automóveis na Europa. Sem dúvida o interesse público é o que menos importa nessa história toda e o interesse técnico desportivo também não é dos mais proeminentes, haja vista o número de dirigentes eleitos que não fala inglês ou francês. No fundo, vivemos ainda aquele período no qual o automóvel era um símbolo caro à aristocracia européia, que adorava o clima de festas e champagne... Uma lástima.

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  2. Daniel San10/12/13 13:42

    Wagner,com as contratações que vem fazendo,terá a Williams alguma chance de voltar ao patamar das equipes médias,quiçá à das grandes,desde que tire da cartola um projeto revolucionário como o de 1992/93?
    Sem entrar no mérito do assunto,o caso do Antony Hamilton dá uma idéia do submundo do automobilismo,descrito por um dos livros do Alex Dias Ribeiro...

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  3. Frank Williams sabe muito bem o duro que é ganhar dinheiro com o automobilismo e não torrá-lo com idéias mirabolantes ou luxos desnecessários, por isso se aproveita da assombração financeira que paira sobre a Lotus e aposta em valores que despontam em equipes grandes. Último dos garagistas que continua na ativa e à frente de sua equipe, Frank também sabe que numa época de mudança tão ampla de regulamento, e tendo alguém tão experiente quanto Pat Symmonds para organizar o time, as chances de sucesso são maiores.

    Com relação ao caso Anthony Hamilton não é a primeira vez, tampouco será a última, que empresários são cobrados pelas promessas típicas de quem vende o que não pode entregar.

    Apareça mais vezes.

    Abraço,

    Wagner

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  4. Achei péssima essa história de ter número fixo e não ter mais um "1" nas pistas.

    Ricardo2

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  5. Ricardo2, o número 1 será reservado ao campeão da temporada, que terá o direito de aceitar ou recusar esse numeral.
    Abraços
    Wagner

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