AUDI RS 5, POTÊNCIA E ADERÊNCIA

Fotos: autor e Paulo Keller
Tudo azul, lindo céu, lindo carro

Primeiro devo dizer que esse carro não foi experimentado recentemente. Na verdade, faz bastante tempo que meu amigo Paulo Keller me informou que poderíamos avaliar um Audi RS 5 cupê por um dia.

A tranqüilidade de estar com ele é que não preciso me preocupar com fotos, apenas prestar atenção no carro e poder ficar atento. Eu precisava pesquisar um pouco esse Audi antes de sair de casa. Para não chegar como um perdido ao encontro de um legítimo “quattro”, fui em busca de alguns números e outras informações para saber no que estava embarcando.

Muito potente, motor V-8 de 4.163 cm³, aspiração natural, injeção direta, taxa de compressão 12,3:1, 450 cv a 8.250 rpm e 43,8 m·kgf de 4.000 a 6.000 rpm, e muito rápido, 0 a 100 km/h em 4,6 segundos, descobri que o câmbio não é automático, mas o S-tronic, robotizado de dupla embreagem e 7 marchas. Um ponto positivo. Só de imaginar que poderiam haver conversor de torque com conjuntos epicíclicos e suas trocas de marchas não tão rápidas, mesmo que tenham evoluído bastante nisso, poderia me deixar cabisbaixo.

Vi várias fotos pela internet, carros brancos, pretos, pratas, vermelhos, e fiquei pensando se não teria azul. Não é que ao chegarmos para pegar o carro ele era exatamente como eu queria? Azul de uma tonalidade similar à dos Subaru de rali, ou do Focus RS. O azul mais bacana para carros de tendência esportiva, e o mesmo da perua RS 6 Avant que o Paulo e o Bob andaram há quase quatro anos em ocasiões diferentes.





 

O histórico por trás do emblema “quattro” é algo importante, quase certamente o mais importante nesse carro, já que potência não é nada se ela não chegar ao solo. Desde que o objetivo seja um carro civilizado, não apenas para show, claro. Para isso foi criado o sistema de tração nas quatro rodas da Audi, que já falamos no AUTOentusiastas inúmeras vezes. Veja alguns links de textos adicionais no final.

A qualidade da tração é tão fundamental que muitos profissionais do automobilismo de competição a têm como objetivo máximo ao trabalhar com um carro de corrida. Se muito da potência do motor for desperdiçada com, digamos, 300 cv, de nada adianta ter mais 50 cv à disposição.

Só para lembrar, o conjunto de tração nas quatro rodas da Audi  foi lançado em 1981 no modelo chamado sabiamente apenas de quattro, e que foi  definido como um novo capítulo da história do automóvel por especialistas sobre esse assunto e tecnologia de veículos, uma virada de página nesse grande livro impossível de existir em um único volume.

Assim, fui para esse RS 5 com um pé atrás, me imaginando tendo que multiplicar a concentração ao volante para não fazer besteira. Mas ao sentir o carro com outra pessoa dirigindo (o Roberto Agresti, que foi conosco nesse dia), percebi que é possível conduzi-lo de forma suave,  tranqüila e mais rápida que a maioria, como eu gosto na maior parte do tempo. Claro, não é um esportivo, é um grã-turismo em comportamento e desempenho. Feito para devorar asfalto, de preferência de boa qualidade, viajar longas distâncias e tratar os ocupantes com conforto. Os da frente apenas, sejamos claros. Se o asfalto for ruim, problema, já que nem no modo "Comfort" o carro pode ser classificado de macio nessas ruas horríveis que existem por aqui. Pneus bem largos — 265/30ZR20, opcionais de fábrica, os de série são 265/35ZR19 — captam áreas grandes de irregularidades e as passam para a cabine. Se fossem mais estreitos, seria mais confortável.

Não dá para saber se a área de contato está exagerada ou não. Me parece que sim, pois pela estabilidade do carro e a quase impossibilidade de fazer bobagem com ele, face aos auxílios eletrônicos menos borracha seria até bem-vinda.

Bancos bastante firmes filtram pouco essas imperfeições, e se a distância de piso ruim for grande, cansa. Mas isso não é tanto problema do carro, é mais de nação, estados e municípios comandados por maus espíritos. Arderão eternamente.

Já havia percebido essa dureza em uns 150 km como carona, primeiro no banco traseiro, onde 1,60 m de altura é um limite aceitável para o passageiro. Mais que isso começa a faltar espaço para as pernas e cabeça. Depois fui para o banco dianteiro, mais suave por estar longe dos eixos traseiro e dianteiro, em melhor situação, mas ainda assim sempre desejando pisos bem-acabados.

 
Chegou a minha vez de dirigir, justamente no meio de uma descida de serra, estrada com pouco movimento e pista simples, sem acostamento e com bonitas cercas e árvores como "área de escape". Nada saudável cometer um erro. Além de mim, tínhamos mais pessoas a bordo, empacotadas em uma caixa de mais de 400 mil reais, ou seja, tudo para se pensar nas conseqüências de algo dar errado.

Mas o carro é excepcionalmente seguro. O nível de aderência é mesmo o que mais chama a atenção. Modo "Dynamic" selecionado, amortecedores mais firmes, volante mais pesado, reduções de marcha com rápida aceleração intermediária para igualar giros e evitar trancos feita pelo duende eletrônico que é engenheiro de motores com especialização em mecânica dos fluidos.












Pé direito trabalhando, trocas de marcha nas borboletas, bancos-concha segurando as costelas e as coxas, volante bem alto, quase vertical e quase na cara do motorista que se acha piloto (isso sempre me lembra os meus velhos XR3)  e dá-lhe curva e mais curva, freada e mais freada, acelerada e mais acelerada. O carro não se cansa, o motorista sim.

O mais engraçado nas reduções é o ruído do escapamento. Um "burp" forte e grosso. Parecia que o Audi havia engolido uns carrinhos de 1 litro e estava arrotando!

Levantando poeira na serrinha apertada, arrepiante


Na autoestrada, confortável

Esse som vem de uma válvula borboleta na saída do escapamento, e muda bastante o som. Uma impureza técnica pela qual eu não pagaria, mas com resultado divertido. É comandada por vácuo, e para isso, há um reservatório ao lado da bateria, dentro do porta-malas — que não tem estepe, apenas um kit para conserto temporário de furos, e uma garrafa para encher de espuma e ar o pneu consertado.

Válvula no escapamento

À esquerda, o reservatório de vácuo. Bateria abaixo da tampa grande

Porta-objetos no piso do porta-malas, com caixa dobrável (à direita)

O carro não é pequeno nem leve, mas não é aquele absurdo que muitos outros atingiram hoje. Com 1.725 kg em ordem de marcha, perdoados pelo sistema quattro, a agilidade é soberba.

Interessante notar que mesmo com toda a eletrônica que afeta até mesmo o sistema de direção, quando se passa sobre irregularidades sente-se as rodas dianteiras provocando pequenos esterçamentos no volante, que precisa ser seguro com um pouco mais de firmeza.  Nada que preocupe, e até interessante por fazer o motorista ficar atento, o que é sempre bom com um carro que abandona o limite de 120 km/h da estrada e
estilinga até uns 180 km/h em um tempo bem curto, mais ou menos o mesmo que se leva dizendo “vamos ver se chega logo a 180  esse Audi RS 5”. Aliás, o 0-180 km/h só leva 12,5 segundos.
Segurança em estrada, com uma facilidade notável para ultrapassar e ficar o menor tempo possível na contramão, é marca registrada desse RS. Baixar uma ou duas marchas, afundar o pé e deixar o carro lento para trás é moleza das grandes. Chega a dar até raiva, pois o carro faz o que o motorista acha que não dá para fazer, como se ele dissesse : " vendo seu bobão? Eu sou mais esperto que você!"

Em um dos lugares para as sessões de fotos, nos deparamos com um Del Rey duas portas, azul, e não resisti. Pedi ao Paulo umas fotos dos dois carros lado a lado. Afinal, os dois eram azuis, tinham o mesmo número de portas e outros pontos em comum, como o motor na frente. 







Fico pensando em que estado um RS 5 na ativa aqui no Brasil 
estará daqui a 20 anos, como um Del Rey em bom estado, por exemplo. Será que sempre haverá peças de boa qualidade para substituir as que derem problema? Acredito que sim. Será o RS 5 resistente ao tempo como o Del Rey que aqui aparece? Espero que sim.

Subjetivamente, é fácil dizer o que se acha de um carro desses. Muito bom, e sem dúvida de que quase todo mundo que gosta de carros gostaria de ter um.

De forma mais objetiva, fica difícil imaginar uma verdadeira utilização prática se mais de duas pessoas forem andar sempre nele. É grande externamente (4.649 mm de comprimento com entreeixos de 2.751 mm)  pelo espaço interno que oferece, apesar do bom porta-malas de 455 litros. Um pouco desconfortável na maior parte dos pisos em que trafegamos. Chama atenção demais se tiver uma cor como essa, ou vermelho, por exemplo. Tem mais motor que o verdadeiramente necessário em 99% do tempo. Em estrada, a polícia rodoviária  tem 99% de certeza que você andou acima do limite de velocidade em algum lugar, portanto, uma certa cara de pau é necessária nesses momentos. 

Não dá para ter um desses e acreditar que se der problema (raro, convenhamos) será fácil rápido e barato de consertar.

Em suma, um belo automóvel, cuja principal característica é mesmo ter as quatro rodas tracionando, o que o faz parecer menor do que é ao dirigi-lo.







O V-8 tem potência máxima a 8.250  rpm












Os LEDs que permanecem sempre ligados, criação Audi que virou moda






O cofre do motor parece pequeno, mas é a roda que é grande


Rodas de 20 polegadas de diâmetro

JJ


Links dos textos sobre o Audi Quattro:



17 comentários :

  1. Infinitamente mais bacana que esses Veyrons e Venenos da vida, para os quais não pago pau, aliás, não pago nem um graveto. E esse tom de azul está espetacular, mas se tivesse bala na agulha para comprar o brinquedo, ia querer com interior monocromático bege.

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    1. Também não vejo graça no Bugatti Veyron. É inegável que trata-se de um marco na engenharia automobilística, mas alguém aí tem vontade (e coragem...) para andar a 400 km/h? Sem contar que o carro pesa um absurdo, não dá para se divertir muita coisa nem mesmo em um autódromo com traçado mais seletivo, do tipo de Interlagos, por exemplo.

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  2. Ele parece bem mais baixo que o carro do rei! ta certo ou foi o angulo da foto?!
    Poderia explicar como funciona o sistema do vacuo do escapamento?! e um videozinho com o som que ele produz.
    Eu gosto de carro preto e branco tambem; E interior preto. Mas esse azul ai ta lindao!!

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  3. Juvenal, você disse que até daria para o RS5 ter pneus mais finos devido às babás eletrônicas, mas acredito que os tais pneus largos estão aí justamente para que elas sejam acionadas o menos possível. Talvez dê para se fazer sem maiores uma curva fechada e em alta velocidade com o RS5 caso os auxílios eletrônicos estejam desligados. Se for isso mesmo, é sinal de bom coisa bem construída, na qual não estão usando esses dispositivos para mascarar falhas de projeto.

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  4. O desenho da carroceria do Audi RS 5 é matador, ficou um espetáculo! E, por se tratar de um modelo com tração nas quatro rodas, o peso é bem razoável, visto que existem outros modelos de porte semelhante e tração em um único eixo com peso bem próximo ao do RS 5.

    Interessantes as fotos junto ao Del Rey, pois percebe-se que o RS 5 é menor do que parece. Olhando ele sozinho, a impressão é de que o tamanho assemelha-se ao Audi A6.

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  5. Belo cupê!

    E assim como no RS6, esse azul caiu muito bem no carro!

    Mendes

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  6. Faz quase vinte anos que sai do Brasil,o asfalto já era péssimo,pelas notícias que tenho,agora esta mais do que péssimo,da até dó colocar um carro desse para rodar ai.

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  7. A unica coisa que me veio quando li "tudo azul" , foi aquela canção da Baby Consuelo , tudo azul adão e eva no paraiso rs Mas que carro belo , pena não ter interior claro para ficar perfeito . Pessoal do Ae vos peço para que testem os bmws 316i e o 320i flex por favor .

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  8. empresário conhcido meu tem um destes, do prm lote que veio pro BR, e só anda no modo Dynamic, aquele mais esporte

    pois então, não faz muito tempo, a namorada dele, que tem um destes sport utlity de madame, estava com o bicho, e foi dar uma pisada na avenida, o bicho acelerou de forma instantanea e ela quase entrou na traseira de quem ia adiante em sua faixa

    provavelmente não esperava a "patada"

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    1. Namorada ou esposa?

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  9. Esse revestimento do aro do volante dá uma aparência de carro "surrado". Não gostei...

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    1. Essa "aparência de couro surrado" é por causa do tecido sintético que reveste o volante, Alcantara. Em comparação ao couro, é mais leve e muito mais resistente. Tem uma textura parecida com a da camurça.

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    2. Perdoe esse rapaz... ele não sabe o que diz... rs... Alcantara é o suprasumo do revestimento meu caro Anônimo23/12/13 12:04.

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  10. Lorenzo Frigerio23/12/13 18:20

    O S-tronic é um câmbio seqüencial, e não um robotizado, como o do Jetta TSi. Procede? Pois o Grupo VW parece não ter nem um DSG, nem um automático para agüentar a potência desse motor.

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    1. Lorenzo,
      A Audi tem quatro tipos de câmbio não manuais: Multitronic, um CVT; S-tronic, robotizado de duas embreagens (o mesmo que DSG VW); tiptronic, automático epicíclico; e R-tronic, robotizado de uma embreagem.

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  11. cada dia me surpreendo mais com o blog, muita coisa 'relevante e interessante' e com dados técnicos impressionantes, se tivesse uma edição 'impressa' venderia absurdos, pois muita gente ainda prefere (prefiro) à mídia física, no mais, um espetáculo de carro.

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  12. Carro mais bonito da Audi na minha opinião. V8 girador de aspiração natural? Isso que é entusiasmo!

    JJ, gostei do "Arderão eternamente", Deus que me perdoe, mas não dá pra desejar outra coisa!

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