ELVIS, UMA PPK E UM PANTERA

Hunka, Hunka burning love!

Que Elvis Aaron Presley era o rei do Rock and Roll nínguem discute. O que poucos sabem era que Elvis gostava de carros, mulheres e armas. Não necessariamente nessa ordem.


O Pantera 1971 de Elvis como se encontra no museu atualmente.
No final da vida, Elvis começou a decair vertiginosamente. Se divorciou de Priscilla, engordou, namorou Candice Bergen, engordou mais, namorou Cybill Shepherd, engordou ainda mais, namorou Linda Thompson, comprou um carro para ela, engordou mais e atirou no Pantera!


Elvis guiando o Pantera devidamente equipado com óculos e costeletas.
O fato é que Elvis comprou um carro híbrido para Linda. Claro que ele não comprou um Toyota Prius para ela. Híbrido eram chamados os carros europeus da época, com motores americanos. No caso, um DeTomaso Pantera 1971 amarelo com motor de 351 polegadas cúbicas (5,7 litros) OHV da Ford capaz de 266 hp atrelado a um transeixo ZF de 5 marchas. E, claro, na década de 70 bastava ter motor central que já era um carro exótico.

Motor Ford 351 OHV e transeixo ZF de 5 marchas do carro de Elvis.
O DeTomaso Pantera era um carro de uma empresa italiana fundada por um argentino chamado Alejandro DeTomaso, com motor Ford americano e projetado por outro americano, Tom Tjaarda (nativo de Birmingham, no Estado de Michigan). A Ford acreditava que estava criando um novo nicho de mercado com o Pantera. Para os seus executivos o Pantera era o link perdido entre os carros exóticos europeus e os muscle cars americanos. Um carro com performance igual ou superior à de um Ferrari porém com peças comuns de Mustang.


Além do motor Ford, os Pantera eram vendidos em concessionários Ford no mercado americano e, durante um tempo, vinham equipados com o mesmo volante do Ford Capri, como no exemplar de Elvis. Isso era devido à legislação americana quanto ao tamanho mínimo dos volantes. Muitos donos americanos trocaram os volantes para os mesmos usados no mercado europeu. Elvis pagou US$ 2.400 pelo Pantera amarelo de Linda Thompson. Um pequeno mimo que Elvis depois quis de volta.

O interior de outro Pantera de 1972 como vendido no mercado europeu, com um volante de acordo.
O Pantera que Elvis deu a ela ficou famoso. Não porque Elvis o dirigiu em algum filme (ele já não cabia nas telas na época) mas sim porque, em um momento de fúria, Elvis meteu três balas à queima roupa no painel do Pantera sentado no banco do motorista. Por que? Bem, Elvis foi pegar o carro de volta porque tinha brigado com Linda e o carro não pegou de primeira, a bateria estava descarregada. Mas pegou na segunda tentativa com ajuda de outra bateria, afinal é preciso mais do que três balas para parar um Pantera!

O compartimento dianteiro do Pantera de Elvis onde ficavam a bateria e o estepe.
Os três tiros não foram fatais. Um pegou na porta porém foi consertado por um dos donos subsequentes. Os outros dois pegaram no volante do Capri sendo uma de raspão do lado esquerdo a 11 horas no volante e o terceiro tiro entrou a 9 horas, como mostra a foto.

O volante baleado de Ford Capri do Pantera de Elvis.
Reza a lenda que esse carro foi vendido por 1 milhão de dólares (na época em que 1 milhão era muita grana) para um dos donos antes de chegar às mãos de Bob Petersen que é o atual dono do Pantera ferido. Petersen era promotor de artistas e um entusiasta amante de hot rods. Tinha vários carros exóticos inclusive um Lamborghini Espada. O Pantera tinha duas funções para Petersen: ter um carro que ele gostava com DNA de hot rod, e que perteceu à celebridade das celebridades. Mais tarde, Petersen veio a fundar a Petersen Publishing Corporation que entre outras coisas publica as revistas Motor Trend e Hot Rod. O mundo dos entusiastas é mais cheio de intrigas que as novelas mexicanas, não?



De acordo com a máfia de Memphis, Elvis gostava de andar armado. Ele carregava vários tipos de armas, desde rifles até pistolas. Um dos amigos próximos de Elvis, com medo do pior e vendo o que tinha acontecido com o pobre Pantera, começou a encher a bola de Elvis dizendo que ele deveria aprender karatê. Afinal, qual arma seria mais poderosa que o próprio Elvis? Mas Elvis não se conteve em apenas atirar no pobre e indefeso Pantera. Em certa ocasião, ao assistir televisão com amigos viu um programa sobre o desafeto Robert Goulet e não teve dúvida, mandou chumbo no aparelho de TV também.

O aparelho de TV que Elvis baleou.
Atualmente o Pantera se encontra em um museu, mais precisamente o Petersen Automotive Museum, em Los Angeles. Para alegria dos fãs de Elvis e entusiastas, o Pantera não foi restaurado e se encontra com a pintura externa original, pintura do motor também original em azul Ford e interior quase de fábrica exceto pelo painel da porta esquerda que foi trocado devido ao tiro que tomou. Porém o volante emprestado do Ford Capri continua com as duas marcas de bala.


Julgando pelo estrago e de acordo com testemunhas da época, a arma do crime foi uma alemã Walther PPK, mesma arma que Hitler supostamente usou para se matar e a mesma pistola preferida do agente mais famoso do MI6: James Bond 007. No caso de Elvis, sua PPK era folheada a ouro e tinha cabo de marfim. Uma coisa interessante sobre essa pistola de Elvis foi que ele a deu de presente em 1973 ao ator Jack Lord, bem conhecido pela série Havaí 5-0. Mas uma coisa ainda me intriga: sendo a PPK uma arma de calibre 38, o buraco na direção me parece que foi feito por uma arma de calibre menor, algo do tipo calibre 22. Porém, não sabemos se o volante recebeu algum pequeno reparo ou se o tempo se encarregou de encolher o buraco de bala.

A PPK folheada à ouro que Elvis presenteou a Jack Lord em 1973
Elvis gostava de automóveis bons. Em especial, gostava de carros americanos: ele era patriota. Porém, enquanto serviu o exército na Alemanha, Elvis foi dono de um belo BMW 507 e de um Messerschmitt.KR 200. Isso mesmo! Não se tratava de um letal caça Me-109 mas sim de um dos primeiros bubble cars fabricados pela mesma empresa que deu ao mundo o Me-109 e o jato Me-262.
Quando voltou à América, Elvis continuou com os Cadillacs, teve um Lincoln preto limusine em 1960, teve algumas Harley-Davidsons, um Rolls Mulliner Phantom V e dirigiu o único Corvette Stingray racer 1959 de Bill Mitchel no filme "Clambake" ("O Barco do Amor", 1967), que foi pintado em vermelho para a ocasião. Mas uma coisa é de se respeitar em relação à Elvis: ele sempre preferia um ícone americano a dirigir um Ferrari ou um Jaguar XKSS, como Steve McQueen fazia.


O BMW 507 de Elvis enquanto servia o exército americano na Alemanha.



Elvis e seu Messerschmitt KR 200 de 3 rodas.
Esse é o vídeo do Pantera 1971 de Elvis Presley que esteve no Concorso Italiano de 2009:





video

8 comentários :

  1. Caro Carlos,

    Em sendo uma PPK, há enorme possibilidade de ser em calibre 7,65mm ou .32ACP como é conhecido na América.

    Pela foto, o orifício do PAF é compatível como o 765.mm.

    Que eu saiba, a PPK não foi fabricada para calçar o .22 ou 5,5mm.

    Como o .32ACP é "anêmico" , começaram a fabricar a PPK no calibre .380ACP ou 9mm Kurtz, cujo diâmetro é semelhante ao nosso .38SPL.

    A PPKS (em aço inox) em calibre .380ACP é uma arma bem vendida no mundo, pois é portável, tem capacidade de tiro maior que um revólver comum, tem sistema de travas bastante eficiente e seguro, e tem dupla ação no gatilho, ou seja, para o primeiro disparo, ele traz o cão até a posição de disparo e o libera, fazendo com que os disparos subsequentes sejam em ação simples.

    Evan Marshall, primeiro autor a compilar algum estudo sistematizado sobre a eficiência dos calibres no concernente a parar a ação humana, afirmou que a melhor arma a ser construída seria uma PPK (por seu tamanho e a segurança), com capacidade para 50 tiros e em calibre .45ACP.

    Saudações.

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  2. Muito saboroso, esse post sobre o Pantera. Se o Elvis não tivesse se matado pelo "abuso de substâncias"(para usar um eufemismo bem americano), com aquele seu dedo tão ágil no gatilho ele certamente teria matado alguém.

    Apenas um detalhezinho a observar: nos EUA, a Ford vendia o Pantera através da rede Lincoln-Mercury, e não nas concessionárias Ford comuns. Imagino que a motivação da Ford fosse injetar um pouco de glamour nessas suas marcas mais upscale, que na época só faziam carros para gordos fumadores de charuto e para tiazinhas da suburbia americana. (Até mesmo o Cougar já tinham conseguido estragar...)

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  3. Marcio,

    Você pode estar correto sobre a PPK, sim há vários modelos. E sim, havia lido que tinha uma .38.

    Porém me deixa contar uma coisa. Essa história do Pantera meu pai me contou quando era apenas um menino época que nem computador pessoal era disponível.

    Mas tem um detalhe que é exclusivo do Autoentusiastas. Nínguem sabia sobre qual pistola Elvis tinha usado.

    Pesquisei essa história por 3 anos e o resultado esta aqui no AE.

    Paulo Levi,

    Você está correto. Mas então porque disse Concessionários Ford? Bem, em lugares como Utah e outros os concessionários grandes da Ford eram quem vendia os Pantera uma vez que podia não haver um dealer Lincoln/Mercury num determinado centro maior de um lugar com menos população como esse.

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  4. Carlos,
    Muitíssimo interessante o seu post!
    Gosto muito das músicas do EAP e do bom gosto dele para carros. Insanidades à parte (não sei o por quê das celebridades não conseguirem ser “normais”), uma voz insubstituível, talvez o melhor cantor de todos os tempos.
    Acho que ele nunca superou a separação da Priscilla e acabou se tornando cada vez mais “excêntrico” (se é que cabe esse adjetivo).
    Uma pena que esse grande talento tenha se autodestruído...
    Abraço.

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  5. Marlos,

    Fique atento ao AE, logo vem mais Elvis.

    Um abraco.c

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  6. Carlos,
    Atento? Acompanho o AE todos os dias...
    Tô achando que você também gosta das músicas dO Cara...
    Abraço.

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  7. Nossa Carlos, 3 anos??? Que dedicação.

    Nunca fui muito atrás da história do Elvis.
    Acho brega demais coisas totalmente folhadas a ouro. Ainda mais uma arma.

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  8. Cara, que inveja de lugares onde você pode trombar com um carro assim na rua. Aqui onde moro a coisa mais emocionante que me ocorreu ano passado foi ver um Cayenne estacionado. Oh céus...
    Claro que vez por outra a gente ouve falar de um SP2 passando em algum lugar, mas a última vez que vi um tem mais de 10 anos...

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