google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Fotos: autor e divulgação


O difícil de escrever no AUTOentusiastas é que não se pode brincar. Tem leitor que bronqueia – dizendo que “eu falto com o respeito”, como diria meu santo avô. Ou pior, alguém acredita na brincadeira. E desta vez foi próprio Bob, o Mister Sharp. Fiz a piada sem graça de que havia sido promovido à especialista em carro chinês e o Bob achou ótima a idéia. E a história foi se espalhando: até o Edu Picingher, o assessor de imprensa da JAC, passou a me chamar assim, de jornalista especializado em China.

E lá se foi o Tio Silveira, de São Paulo para Itu, ida e volta, onde as coisas são grandes, rodando com uma coisa grande da JAC, o T8, vulgo Jacão, com todo respeito. Qualquer elemento sobre rodas com mais de cinco metros de comprimento (o T8 tem 5,10 m) merece o aumentativo, como o Galaxão, já que nosso saudoso Galaxie, com 5,33 m, também passa desta barreira de comprimento.

Na traseira existe uma câmera de ré para ajudar nas manobras 

Mister JAC, vulgo Sérgio Habib (que comanda a marca chinesa no Brasil) não tem nada de tonto, como já disse aqui. Assim, com a aposentadoria da Kombi, ele logo alinhou a JAC entre as marcas que querem apresentar um substituto para o velho e querido Pão de Forma made in São Bernardo.

Não deixa de ser uma boa tentativa para uma marca que não consegue vender o que poderia. A JAC tem uma cota de importação anual, sem pagar o super-IPI de 30 pontos porcentuais adicionais, de 20 mil unidades, no entanto só vendeu 16 mil em 2013. Assim, Habib procura novos produtos para usar melhor sua cota. E aí surgiu o T8, que ele próprio classifica de multivan. Sempre segundo Habib, é um veículos sem concorrência, somente comparável à VW Caravelle, que foi importada no final dos anos 1990. Aliás, a Caravelle se tornou Multivan na Europa, exatamente a nomenclatura que a JAC usa para seu T8.

Interior da van T8 é bastante luxuoso. Bancos em couro são opcionais

Pequeno e leve, receita de diversão

Em outubro de  1998, um carro inglês fora do comum era apresentado no Salão do Automóvel de Londres, o Dare DZ. Dare significa ousar, e o DZ se encaixa muito bem nessa descrição.

Mas a empresa atribuía esse nome devido à sigla Design and Research Engineering (Engenharia de Projeto e Pesquisa),  que fora fundada em 1991 por Trevers e Ivor Walklett, dois dos quatro irmãos que originariamente formaram a Ginetta em 1958,  fabricante especialista em esportivos pequenos e leves que existe até hoje. A empresa foi vendida pela família em 1989 e abriu caminho e verba para outro empreendimento, a Dare, que começou como consultoria de projetos na área automobilística.

Para facilitar a apresentação de suas idéias aos clientes potenciais e provar o que sabiam fazer sem ter que explicar demais, os dois irmãos criaram o DZ, que veio a encontrar seu local de produção de forma interessante. A Ginetta, nas mãos do novo proprietário, logo se tornou concordatária, em 1992, mas ainda tinha pedidos do importador japonês e não podia deixá-lo na mão.












Coluna 0814 19.fev.2014                                     rnasser@autoentusiastas.com.br
De Fiat, Jeep e Alfa_________________________________________________
Alfista Casé me ligou: o 4C está no autódromo!  Fui tomar chuva na tarde de domingo. Lá, um comboio no circuito brasiliense: Freemonts, Iveco RAM, caminhão tanque para combustível, três protótipos como os mostrados pela Coluna 0514. Dois engenheiros da Fiat Brasil, técnicos e mão de obra local, e o Alfa 4C. Este, projeto de brilho desenvolvido em tempo recorde, aqui já explicado, é esportivo, motor entre eixos traseiro, 1,8 turbo, 240 cv, câmbio  robotizado de duas embreagens e seis marchas.
Muda tudo
A camuflagem mascarava os carros para testes. O grande furgão azul é da nova geração de Ducatos para o mercado americano, lá vendidos como Ram – marca Dodge. Entre os produtos, o conhecido Alfa 4C e os demais com base no Fiat 500 e plataforma maior, a L, que no México dá base ao 500 4-portas. Um deles será produzido como Jeep em Goiana, PE, pequeno utilitário esportivo. Protótipos estrangeiros, porém com intervenções da Fiat Brasil em traços, adequações e acertos para enfrentar mercados agrestes. O know-how da Fiat Brasil é invejável neste quesito.
Os veículos rodavam em constância, sem emoção. Disse-me uma das fontes incomodadas no domingo, não era teste dinâmico, mas de resistência, para somar quilometragem. Com equipe italiana, carros têm rodado nas estradas brasileiras e seus motores exudam três vibrações diferentes, de 1,6, 1,8, e pequeno Diesel. Outro incomodado dominical lembrou, os carros serão feitos em Goiana e em Melfi, na Itália.
Diesel, aqui?
Outro consultado escorregou na resposta quando indaguei se, pelo fato de a legislação brasileira permitir o uso de motor diesel em veículos com tração nas quatro rodas, o teste no Brasil do futuro Jeep com pequeno motor Diesel, significaria tê-lo em nosso mercado. Contestou com fraca veemência, permitindo imaginar sua produção — além das unidades para exportação à América Latina, pois a usina brasileira será pólo de remessa a outros países.
Fotos: Divulgação Volvo Cars



A Volvo Cars apresentou um inovador sistema de entregas de encomendas que permite a entrega do produto no carro da pessoa que fez o pedido (foto). O serviço, apresentado de forma experimental esta semana no Congresso Mundial da Mobilidade, em Barcelona, Espanha, permite que os consumidores recebam seus pedidos diretamente nos carros, não importa onde eles estejam estacionados. Por meio de uma chave digital, é possível transformar o carro em ponto de retirada e entrega de encomendas.

Acompanhando o crescimento das compras online, pesquisas revelam que mais da metade das pessoas não está em casa para receber suas entregas, o que significa tempo gasto em novas tentativas de entrega. Em conseqüência, os consumidores têm o seu dia a dia constantemente interrompido para aguardar a chegada de produtos, perdendo tempo precioso. O programa piloto revelou que 92% das pessoas acharam mais cômodo receber as entregas em seus carros do que em casa.

O sistema permite que o proprietário do carro, ao fazer uma compra pela internet, indique seu veículo como ponto de entrega da encomenda. Por meio de um smartphone ou tablet, ele é informado quando a entrega será feita ou mesmo retirará algo no carro no caso de o cliente pretender usar algum serviço de entrega expressa.

Aceitando a entrega, o proprietário, por meio do aplicativo, libera uma chave digital para abrir e fechar o carro. Quando a entrega é finalizada, a chave digital é apagada. O sistema é baseado no aplicativo Volvo On Call, que, entre outras funcionalidades, permite a abertura e fechamento do carro e informa a localização e a quantidade de combustível no tanque, por meio do telefone.

Funcionária do serviço localiza o carro do cliente

Fotos: divulgação


Eis que em breve chega, ao menos para os países desenvolvidos, uma novidade que fará reavivar o debate sobre onde deve estar o eixo de tração de um carro. Minha opinião bate com a do MAO, que em seu recente e elucidativo post opina que tanto faz qual eixo tracione; traseiro ou dianteiro, ambos funcionam bem, desde que o projeto tenha sido bem feito.

Mas a atual quase unanimidade da configuração de motor dianteiro com tração dianteira está maçante. O novo Renault Twingo, que em breve estará à venda na Europa, virá com motor e tração traseiros. Ufa! Finalmente descobriram que dá para voltar a fazer algo além da configuração reinante para os carros do dia-a-dia.





Uma das formas mais puras de competição automobilística é o rali. Terreno sem preparação e carros não muito diferentes do que encontramos nas concessionárias e que podemos comprar formam uma ótima combinação para um evento sensacional.

Quando falamos de rali, existem diversos tipos. Um dos mais conhecidos é o de regularidade. Ao longo de um traçado determinado, alguns pontos de controle são posicionados e os carros devem passar por eles em um tempo/horário determinado. Nem antes, nem depois, o fator determinante de vitória é a regularidade. Particularmente, não acho muito interessante, mas requer uma grande habilidade e raciocínio rápido em contas.

Já o rali de velocidade, em que o fator determinante de vitória é a a própria velocidade, este sim, é um espetáculo à parte. Nada além de “corra o mais possível”. Volto a dizer, nada contra o rali de regularidade, que também é um esporte muito interessante, apenas não é o que mais me agrada.

Desde os primórdios, estradas vazias tanto de asfalto quanto de terra, ou mesmo cobertas de neve, são usadas como palco para as mais emocionantes e desafiadoras corridas de automóvel. Desde os anos 1930, muitos ralis de velocidade são disputados em todos os cantos do mundo, onde quer que haja pilotos dispostos a desafiar os limites do carro e de suas habilidades.


Assim que publiquei na sexta-feira passada o post Serviço à moda antiga, tratei de falar com o Toninho — vi o número do telefone da oficina nas fotos, não o tinha — para que indicasse um e-mail para lhe enviar o link do post e o próprio salvo em arquivo PDF, para que ele pudesse lê-lo e certamente imprimi-lo. Prontamente ele me forneceu o e-mail e assim foi feito, enviei.

À noite me chegou um e-mail de sua filha, que compartilho com o leitor:

"Prezado Bob Sharp,

É com muita satisfação que hoje ouvi meu pai relatar a sua visita e solicitar  que  eu fizesse a impressão de sua matéria.

Fotos: autor


Todo ano os entusiastas mais apaixonados do mundo por carros antigos e clássicos se reúnem para ir à Retromobile, o salão do carro antigo, em Paris. Essa última edição, a 39ª, realizou-se de 5 a 9 de fevereiro. E que evento!  Todo ano é ainda maior e melhor. Todo ano ainda mais espetacular. E todo ano a turma de fãs de carros antigos saindo de lá já dizendo que voltará no ano que vem.

Com um evento desse tamanho e extensão, seria difícil descrever tudo num artigo só. Por isso, vamos nos concentrar em dez aspectos do evento que, pelo menos para mim, predominaram. Não vou dizer que a seleção é definitiva. Como sou mais interessado em carros de rua do que carros de corrida, o foco é concentrado naqueles. E sendo que a minha lista original tinha 34 “pontos altos”, é óbvio que tive que deixar muito para trás. Mas, de qualquer maneira, vamos em frente.

Paris é linda, mas que frio faz em fevereiro! O sol só nasce às 8h00. E nem é sol, mas uma espécie de neblina cinza-escuro. E a pouca luz do dia acaba lá pelas cinco da tarde. Mas este ano foi mais quente que os anteriores. Temperaturas entre, digamos, 4 °C e 4 °C. Ventos fortes e árticos vindo do Rio Sena. Igual ao Brasil... É melhor ficar dentro da casa mesmo!

O evento é enorme. Esse ano, a Retromobile finalmente se transferiu para o maior salão do gigantesco complexo de Porte de Versailles, o Pavilhão 1. São 44.000 metros quadrados num espaço contínuo, sem paredes fixas, e tudo fechado aos elementos da natureza. Neste espaço, 33.000 metros quadrados são dedicados exclusivamente à exposição de carros — o resto são peças, livros, miniaturas, praças de alimentação etc. Mais de 400 empresas representadas, mais de 100 clubes de automóveis.

O enorme Pavilhão 1 no complexo de Porte de Versailles

 
GT: prós e contras

Negociações mal resolvidas e projetos apressados marcaram a última batalha na luta para reviver a categoria dos supercarros  


 





Imagem publicada nas redes sociais confirmava a associação


Que o automobilismo brasileiro vai mal das rodas não chega a ser algo que justifique manchete ou maior destaque no raro espaço do jornalismo ainda ocupado pelo esporte. O que gera curiosidade e desilusão é a forma como novos projetos são desenvolvidos: duram pouco tempo e causam estragos duradouros. No ano passado, por exemplo, a F-Vee, que nos anos 1960 ficou conhecida como Fórmula Vê e preparou uma geração de nomes como Emerson e Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace  renasceu, cresceu… e foi dividida. 

O capítulo mais recente desta realidade aconteceu na semana passada e envolveu uma das categorias mais longevas da atualidade e outra que há anos tenta renascer de cinzas, a F-Truck e a GT, respectivamente. Anos atrás era possível ver nas pistas nacionais grids de algumas dezenas de modelos das raças Aston Martin, Audi, BMW, Corvette, Ferrari, Ford GT, Ginetta, Lamborghini, Lotus, Maserati, Porsche, Viper; enfim, verdadeiros espécimes de autos para entusiastas. Gentlemen and very rich drivers não se poupavam de investir pesado e contratar pilotos profissionais para dividir essas máquinas nas provas de rodada dupla, nem mesmo disputar freadas que não raro deixavam marcas de guerra nessas preciosidades mecânicas. 



A Editora Alaúde está lançando o livro "Lamborghini - Uma Lenda Italiana", que conta toda a rica e tumultuada história da fábrica de Sant'Agata Bolognese e seus quatro famosos modelos, o Miura, o Countach, o Diablo e o Murciélago.

O autor é Richard Dredge, jornalista entusiasta de carros e especialista em trazer à tona assuntos fascinantes há muito esquecidos. Já apresentou o programa Top Gear, da BBC, e se dedica a pesquisar desde carros produzidos em pequeno volume aos modelos mais acessíveis, compartilhando seus achados em livros e artigos para revistas e sites especializados desde 1997.

O livro de 176 páginas é de capa dura com sobrecapa, miolo em cores com magníficas fotos dos carros, da fábrica, desenhos técnicos, croquis e fichas técnicas completas. O formato é 25 x 25 cm; custa R$ 75,00.

A tradução é de Luiz M. Leitão da Cunha com consultoria técnica do seu editor-chefe do Ae.

Ae
"Encounter" de M. C. Escher: emergência e dualidade complementar

Antes de explorarmos a inteligência das máquinas propriamente dita, há uma série de fenômenos, que divergem do senso comum, e que vêm chamando a atenção de técnicos e cientistas. Assim como a eletricidade nos seus primórdios, estes fenômenos surgiram como curiosidade, passaram de repente a ser um problema técnico, para finalmente começarem a oferecer aplicações práticas.

Estes fenômenos estão por toda parte e apenas não os reconhecíamos. Agora eles estão se mostrando um novo campo para a ciência e a tecnologia, e o campo da inteligência artificial é bastante dependente deles.

Imponderável simetria

Vivemos num país tropical, e estamos pouco habituados com a neve. Então há várias coisas sobre ela que desconhecemos, mas é habitual para países frios.

A neve possui uma peculiaridade muito curiosa. Cada floco de neve é único. Nunca foram registrados dois flocos absolutamente iguais. Apesar disso, todos os flocos de neve possuem uma característica em comum. Todos possuem uma simetria radial de 6 eixos, sendo que cada eixo exibe uma simetria bilateral, totalizando 12 sub-estruturas geometricamente idênticas.

Neste design, os ângulos de 60 e 120 graus são abundantes e estão ligados à geometria da molécula da água. Isso era de se esperar. O inesperado é uma outra coisa.

Flocos de neve: diferentes, mas com simetria radial


Nélson Rodrigues certa vez disse que “Toda unanimidade é burra”. Embora seja uma frase genial e certamente aplicável a um monte de coisa, não acredito que seja uma verdade absoluta, aplicável a tudo. Porque afinal de contas existem verdades universais que são, bem, universais, aceitas por todos, e não necessariamente burras.

Mas este não é o caso da unanimidade que existe entre entusiastas quando se fala sobre tração dianteira. Parece que a vasta maioria de nós pensa que para realmente ser bom de andar, um carro tem que ter tração nas rodas traseiras, ou pelo menos nas quatro rodas. Os que rezam por esta cartilha até aceitam alguma coisa de tração dianteira, mas acreditam piamente que o nirvana existe somente quando as rodas traseiras impulsionam o veículo.

Não vou aqui elaborar muito neste assunto, porque apesar de ser vasto e tecnicamente interessante de discutir, é também cheio de controvérsias e preconceitos arraigados que sinceramente desejo evitar. Vou apenas dizer que acredito que tudo que é bem feito é bom, seja lá onde a tração e o motor estejam. E que apesar de adorar sobresterço controlado como qualquer um que tenha a cabeça no lugar, prefiro que ele apareça apenas quando provocado de propósito, e que um pouco de substerço no limite, sem exagero, seja a característica normal do carro. Seja lá onde o motor e a tração estejam. Não sou piloto de corrida e quase nunca ando em pista, afinal de contas, e portanto prefiro comportamento benigno e seguro em situações imprevistas. Amassar carro é algo extremamente desagradável, e as vezes dói.


Triumph Spitfire Mk I, 1962 de semieixo oscilante atrás: horror!



Amigos, andei novamente de Del Rey depois de exatamente 21 anos. O jovem amigo Eric Erbert, um cara que podemos classificar de forma respeitosa como esquisito, atendeu de pronto meu estranho pedido de tirar da garagem seu médio luxuoso, em vez de um dos seus outros dois carros que seriam uma escolha mais lógica. Ele tem dois Dodges nacionais, um Dart absolutamente malvado, animalesco, com motor muito modificado e cerca de 400 cv, além de outro Dart Gran Sedan totalmente original, que ele chama de vovô.

Ele não tem carros mais novos para utilizar, o mais atual sendo justamente o Del Rey Ouro mostrado nessas fotos. Não é exatamente o perfil normal de uma pessoa com menos de 40 anos de idade e que goste de carros. Mas está valendo, já que ele saiu verdadeiramente dos lugares-comuns com o Del Rey.

O sedã médio de luxo é de 1984, com motor CHT, na cor de lançamento, um amarelo-dourado metálico cujo nome não encontrei até agora. O ano de 1984 é importante pela adoção do motor de 1,6 litro batizado de CHT, igual ao já usado no Ford Escort nacional desde o início, em 1983.  No Brasil, foi o primeiro caso de aplicação de um mesmo motor em posição longitudinal e transversal, como era instalado no Escort.

CHT significa Compound High Turbulence (alta turbulência composta), se referindo ao projeto de coletor, dutos de admissão e pistões que forçavam um movimento turbulento na mistura, de forma a atomizar ao máximo o combustível e permitir a queima eficiente, diminuindo o consumo específico do motor. A origem desse motor está bem explicada nesse post aqui.

Funcionava bastante bem, já que foi um aperfeiçoamento do motor do Corcel, que foi o primeiro motor a álcool com funcionamento correto no Brasil, sem dificuldades para fazer ligar quando frio e ser capaz de andar de forma civilizada (sem trancos) na fase de aquecimento. Com números de consumo bastante baixos em relação a média dos concorrentes, ajudado pela cilindrada, apenas 1,6 litro (1.555 cm³), esse motor permitia obter-se algo como mais de 8 km/l com álcool andando na cidade. Lembremos-nos que carros de projeto pré-onda da segurança de final dos anos 1990 são quase sempre mais leves que os atuais. Esse Del Rey pesa cerca de 1.020 kg em ordem de marcha com o tanque de 57 litros cheio. Além de a mistura ser formada por um carburador de corpo duplo; nada das injeções modernas de hoje.
Foto:policiamilitardesaopaulo.blogspot.com
Início da subida, lombada antes

O fato ocorreu em São Paulo, mas poderia ser em qualquer cidade do Brasil. Há uma rua conhecida aqui, no bairro do Morumbi, a Dr. Francisco Thomaz de Carvalho, mais conhecida por "Ladeirão", que no seu trecho final e algo longo é bem íngreme. É comum carros ficarem parados aguardando o sinal abrir lá em cima, na esquina com outra via ainda mais conhecida, a av. Giovanni Gronchi. Praticamente ao lado do "Ladeirão" há uma favela, a Paraisópolis. A rua é de mão dupla.

Na tal subida, aproveitando-se dos carros parados e presos em fila, o que é bastante comum, assaltos são freqüentes ali. Esta semana um policial federal foi assassinado naquele ponto. No carro estavam a esposa e a filha pequena, que presenciaram tudo.

É assim que fica o "Ladeirão" o termpo quase todo (foto estadao.com.br)



Em 2001 escrevi minha coluna semanal "Do Banco do motorista" para o Best Cars intitulada "Uma (agradável) volta ao passado".

Tratou-se de uma experiência de serviço incrível que àquela altura fiz questão de compartilhar com os leitores e, por isso, recomendo lê-la antes de continuar esta leitura.

Ontem precisei ir a Resende, bate e volta, e o iniciar a viagem para São Paulo passei pela auto elétrica (por isso é que é bom ler a coluna no Best Cars antes), pois ela fica no caminho para pegar a Via Dutra. Eu quis dar um abraço no Toninho, que estava lá trabalhando, firme e forte. Foi uma alegria para ambos o breve encontro.

Depois, na viagem, pensei, "Que besteira a minha, poderia ter fotografado o Toninho, a oficina, e fazer um post a respeito", mas, paciência, ficaria para outra. "Não, espere, você pode escrever um post assim mesmo", e aqui está ele. É por isso que a foto da oficina auto elétrica, na abertura do post, foi reproduzida a partir do Street View do Google Maps (obrigado, Mr. Google!).

Agora vamos à "face oculta" da história, tal como a do nosso satélite.

                                                           
Coluna 0714    12.fev.2014            rnasse@autoentusiastas.com.br               
Três cilindros, 1,5-l, 400 cv! Nissan abre novo caminho
Nas entranhas das muitas regras da engenharia automobilística, duas instigam e balizam engenheiros e formuladores de produtos: uma, a potência específica. É a relação de cavalos-vapor produzidos a cada litro de deslocamento volumétrico. Na prática, ilustrado como cv por litro, escrito cv/l. Outra medida é um desafio — produzir 1 cv na menor medida de peso. O Ford modelo T, automóvel que deu mobilidade ao mundo, tinha motor de 4 cilindros, massa de ferro deslocando 2.900 cm³, pesando uns 200 kg e produzindo 20 hp, 20,3 cv. Seu sucessor, o Modelo A, ampliou a cilindrada para 3.300 cm³, peso assemelhado, fazendo o dobro em potência, 40 hp, 40,6 cv.
Há constante evolução neste campo. Nos sistemas melhoradores da operação do motor fazendo-o produzir mais potência e, no outro extremo, uso de materiais com menor peso, como as ligas leves, o plástico, o compósito de plástico com fibras com a de carbono. Por aí.
Agora a japonesa Nissan exibiu o produto de pesquisas e elemento importante de um projeto. Produto é um novo motor de 1.500 cm³, três cilindros. Pesa 40 kg e produz iniciais 400 hp, uns 405 cv. Chamou-o ZEOD RC Le Mans – acrônimo indica Zero Emissions On Demand, emissões zero quando solicitado. RC para Racing Car, e o circuito francês sede da mais famosa prova de resistência automobilística à base de velocidade, a 24 Horas, corrida em junho, onde estreará. Após, 2015, corridas.



 

CBA divulga calendário de 2014. Categoria GT Pro não será disputada






A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) divulgou ontem, em seu site, o calendário de competições para a temporada 2014, documento que estava em suspenso para acomodação das datas e locais por causa do atraso na conclusão da reforma do Autódromo Internacional de Goiânia. Em declaração ao Ae, anteontem, o presidente da Comissão Nacional de Velocidade da CBA, Waldner de Oliveira, informou que essa circunstância não tinha prazo definido para ser completado. O calendário completo, que você acessa clicando aqui, porém, traz as mesmas datas que os organizadores das categorias F-Truck, F-3, Marcas, Stock Car e Turismo haviam divulgado anteriormente:

27/4, Stock Car e Turismo
4/5, Marcas, Mercedes-Benz Grand Challenge e F-3
8/6, F-Truck. 

Segundo informações de Fernando Campos, veterano jornalista goiano, "amanhã (sexta, 14) será iniciada a correção da Curva 1 e em seguida a aplicação da segunda e definitiva camada de asfalto com 3,5 cm de espessura.

Projeto GT Pro é abortado

(www.theboedlund.com)

Uma lenda perpassa o universo dos interessados em automóveis. Mais ou menos a seguinte: Lee Iacocca, gerente geral da Ford — depois seria presidente e, demitido, foi dirigir e salvar a Chrysler. No distante 1961 estava ocioso ou hipermotivado, condutor do Fairlane Group — nome da chácara onde morou Henry Ford e com apelo de nobiliarquia fordiana — reunindo os primeiros executivos de cada marca controlada pelo familiar oval azul. Pediu criasse um automóvel esportivo.
Cena desagradável (foto Automotivre News)

Oito carros na área do domo de cristal do Museu Nacional do Corvette em Bowling Green, estado do Kentucky, foram engolidos por um enorme sumidouro às 5h40 da manhã desta quarta-feira, informou o museu. O sumidouro deve ter cerca de 12 metros de largura por 6 a 9 metros de profundidade, segundo o museu. 

Dois dos veículos — um ZR Spyder 1993 e um ZR1 Blue Devil 2009 — estavam emprestados pela General Motors. Os outros seis veículos, do acervo do museu, eram um Corvette 1962 preto, um pace car PPG 1984, o milionésimo Corvette, branco, o Corvette 1993 de 40° aniversário, o Z06 Mallett Hammer 2001, e o 1.500.000° Corvette, 2009. 

O museu disse que engenheiros avaliarão a situação hoje e o museu foi fechado esta tarde. Não há informação de vítimas. O porta-voz do museu Bob Bubnis disse que por enquanto não dá para saber se os carros são recuperáveis. “Ainda não sabemos”, disse. “Alguns dos danos são variados, mas o que se vê na foto é o que se sabe. Honestamente, não sabemos o estado dos carros”.

Bubnis disse que o museu ainda está esperando pelos engenheiros de estruturas para saber se é seguro voltar ao interior do domo.

Algo que ninguém esperava (foto Auitomotive News)

Avaliação em Goiânia indica retificação na Curva 1

Atraso nas obras vai alterar o calendário nacional de corridas


 

 

 


Alencar Jr. avaliou o novo asfalto do Autódromo de Goiânia (foto Jovino Benevenuto)


O piloto Alencar Jr. realizou ontem a primeira avaliação prática após o início das obras de modernização do Autódromo de Goiânia. O campeão brasileiro de Stock Car de 1982 e vencedor do único título mundial da categoria Trofeo Maserati (Jacarepaguá, 2005) usou um Chevrolet Corvette Z06 e o protótipo construído por José Maria Reis (piloto da F-Truck) para checar as condições da penúltima camada de asfalto do traçado. No vídeo que você assiste clicando aqui ele aponta a Jovino Benevenuto os pontos que necessitam correções no circuito de 3.835 metros:

“Será necessário refazer o asfalto da curva 1 a partir do zero. No restante do circuito há uma ou outra imperfeição, mas coisas muito pequenas. Diria que muita gente nem vai notar.”

Alencar já pensa em realizar novos testes a bordo de um monoposto; antes disso, porém, alguns motociclistas locais serão convidados a avaliar o piso, exercício que deverá ocorrer nos próximos dias. Por causa das correções apontadas e outros detalhes menores, a conclusão da reforma deverá atrasar a ponto de alterar o calendário dos campeonatos brasileiros. Embora o site da Confederação Brasileira de Automobilismo ainda exiba o calendário referente à temporada de 2013, várias categorias já divulgaram suas datas e pelo menos cinco delas incluíram a pista da região centro-oeste em seu planejamento para 2014. Ironicamente, mesmo a par da remodelação iniciada em meados do ano passado, essas datas foram todas programadas para o primeiro semestre: 27/4 , Stock Car e Turismo; 4/5, Marcas e F-3; e 8/6, F-Truck. Segundo Waldner de Oliveira,  presidente da Comissão Nacional de  Velocidade e da Federação Pernambucana de Automobilismo, ainda não se sabe como ficará o novo calendário:

“O que posso dizer é o que todos sabem: a obra atrasou e agora é preciso haver uma acomodação nas datas. A reformulação envolve promotores, televisão e governo”.

WG

A coluna "Conversa de pista" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
Vejam que moedor de carros incrível. Mas são cenas muito fortes para autoentusiastas.

Ae
Porsche 918, ajuste sua imaginação para o Nordschleife de Nürburgring (foto Car and Driver)

Foi o que pensei quando dirigia o BMW 528i pela primeira vez, naquele dia saíramos o Bob, o Arnaldo Keller, o Paulo Keller e eu para alguns quilômetros de impressões desse sedã alemão e do Fiat Punto T-Jet, cujos posts saíram aqui, mas falo evidentemente do primeiro.

Enquanto trafegávamos na Rodovia dos Bandeirantes, eu assumira a direção poucos quilômetros antes e apenas ajustara o meu banco, volante e espelhos, o Arnaldo começou a mexer no botão de ajustes, varria as opções principais me perguntando se eu sentira mudanças na direção, no motor, se a suspensão se tornara mais firme, enfim.

Naquele instante eu mal conseguia responder, ele acionava o modo Eco, Sport, sinceramente tinha alguma dificuldade em identificar as diferenças nas minhas sensações e naquelas circunstâncias, mas tudo o que eu era capaz de dizer era o que eu lia no quadro de instrumentos. "Olhe, AK, agora ele foi para a oitava marcha, agora desceu uma marcha, desceu duas, veja o consumo pra mim". Meu pé no acelerador procurava se manter sempre na mesma posição, velocidade variando um pouco em função de cada ajuste que o Arnaldo fazia. Mas se esse carro tem trocas imperceptíveis no câmbio, pouco me cabia fazer mesmo.

BMW Serie 5: mouse, teclas e isso num desenho minimalista e muito bem executado

Foto: G1/Reprodução/TV Vanguarda



O leitor Bruno Rezende nos mandou link de matéria do portal G1 que bem mostra o descaso e o desrespeito da autoridade de trânsito de Caçapava, interior de São Paulo.

A Prefeitura mandou pintar faixa de pedestres defronte a duas residências e o moradores, ao tirarem/colocarem seus carros na garagem, parando sobre a faixa para fechar/abrir o portão, um agente da lei, a postos, taca-lhes multa grave, 5 pontos na CNH e R$ 127,69 para a caixinha da Prefeitura. Já aconteceu três vezes com o técnico de qualidade Edson da Cruz.

A Prefeitura, pelo secretário de Segurança e Mobilidade Urbana, Wilson Greppi, alega que as faixas estão posicionadas corretamente, mas diz que após as reclamações dos moradores  se comprometeu "a avaliar possíveis alterações". Disse que levará seu pessoal de engenharia ao local para remanejar a faixa, para o que problema não ocorra mais.

Mas sobre devolver o dinheiro das multas ao munícipe, nada disse.

Aposto que o agente de trânsito que aplicou as multas é telespectador assíduo do Big Bosta Brasil. Falta-lhe inteligência.

Ae
Bob Sharp
Editor-chefe





O Mustang na praia (foto imcdb.org)

Quase uma suíte do post do Arnaldo de anteontem, a respeito de um bom esportivo não precisar ser caro, me veio a questão de brincar com carros. Embora eu sempre tenha ensinado aos meus filhos (e continue a ensinar) que automóvel não é brinquedo em um sentido genérico, fato é que se pode brincar com o automóvel. Afinal, há o velho ditado de que "A diferença entre entre homens e meninos é o preço dos seus brinquedos" — que até dá rima em inglês, "The difference between men and boys is the price of their toys".

Um bom exemplo de brincadeira é a antológica seqüência de "Um homem, uma mulher" ("Un homme et une femme", filme francês de 1966, quando o piloto Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant) leva seu Mustang cupê de rali à areia de uma praia (foto de abertura) na Riviera Francesa e executa um verdadeiro balé com sucessivos cavalos-de-pau, explodindo de felicidade com sua nova e recente namorada Anne Gauthier (Anouk Aimée). Naquela momento evidencia-se o lado mais puro da diversão com automóvel, expressão da felicidade do piloto, viúvo, em ver sua vida amorosa prestes a se reiniciar — resultado de uma carona para Paris para a também viúva Anne, que havia perdido o último trem. O enredo do recomendável filme é tão envolvente que gravei na memória o endereço da Anne em Paris, Montmartre 1540. À recomendação junta-se a bela trilha musical de Francis Lai, entremeada com canções de Vinicius de Moraes e Baden Powell. Filme sublime para autoentusiastas.

Uma brincadeira que gosto muito (ainda faço, de vez em quando) e "acender" os discos de freio. Quando eu tinha a concessionária Volkswagen no Rio de Janeiro, um percurso de teste habitual era pegar uma subida chamada Ladeira Mundo Novo, em Botafogo, sair em Laranjeiras e daí rumar para o Corcovado até o Hotel Paineiras e voltar. No início do retorno, pavimentação de concreto e curvas de média e baixa, descer como em competição e aí, haja freio. Quando percebia o fading definido, parava o carro e saltava só para ver os discos rubros. O ápice dessa diversão era fazer isso com o Porsche 911 Carrera de um grande amigo, carro (e marca) que notoriamente têm freios excelentes. Ou então, quando estava na Fiat e usava um 147, fazer os discos "acenderem" na descida da Serra das Araras.

Discos "acesos" (foto carsinaction.net)



Petrobrás renova parceria com a equipe Williams de F-1
 
Provas de classificação poderão mudar para melhorar o show; equipes poderão ter orçamento anual limitado a US$ 200 milhões em 2015

 

 

Novo Williams FW36 Mercedes leva o logo da Petrobrás no capô (foto Williams)
Equipe inglesa ainda não definiu patrocinador principal (foto Williams)

Ainda sem um patrocinador principal — aquele que aparece junto ao nome oficial da equipe nas folhas de resultados — a Williams fechou contrato com a Petrobrás para usar combustíveis e lubrificantes desenvolvidos pela empresa brasileira. Embora a Mercedes-Benz,  fabricante do motor instalado nos novos monopostos FW36,. tenha contrato semelhante com a Petronas (empresa malasiana), o acordo foi possível porque a exclusividade é restrita à equipe oficial da marca alemã. 

Capacete de Bottas leva marca Petrobrás em vermelho (foto Williams)

A Tata Motors anunciou faturamento liquido no terceiro trimestre de quase o triplo em relação a um ano atrás, chegando a 48,1 bilhões de rúpias (US$ 771 milhões), uma vez que as vendas da sua unidade Jaguar Land Rover contribuiu para elevar os lucros.

O lucro na JLR mais do que dobrou, para 619 milhões de libras (US$ 1 bilhão), impulsionado pela demanda do conversível Jaguar F-Type e dos utilitários Range Rover, declarou hoje a fabricante indiana. A unidade de veículos de luxo está ajudando a sustentar a Tata, que luta para voltar à lucratividade da sua indústria que vende carros da marca Tata, ônibus e caminhões.

As entregas trimestrais das duas marca inglesas cresceram 27% para 112.172 unidades, disse hoje a JLR, acrescentando que a demanda para os Jaguar XJ, XF, Range Rover e Range Rover Sport foi também particularmente forte. A unidade faturou no terceiro trimestre 5,3 bilhões de libras (US$ 8,56 bilhões), segundo a JLR. Nos primeiro nove meses de 2013, as vendas da Jaguar Land Rover no varejo foram de 309.535 veículos, crescimento de 19%. No ano passado as vendas das marcas inglesas atingiram o recorde de 425.006 unidades, 19% mais, ajudadas pelo conversível F-Type cujas vendas iniciaram-se em maio, informou a empresa. (Automotive News Europe)
Fotos: autor


Antes de falar do Cerato penso que vale a pena um breve relato sobre a Kia, pois acho que poucos têm dimensão do que a marca representa. A sul-coreana Kia nasceu em 1944 como fabricante de quadros de bicicleta mas só passou a produzir carros em 1974. Em 1997 passou a fazer parte do grupo Hyundai quando foi comprada no meio da crise asiática. Era dona da Asia Motors (lembram do Topic e do Towner?) que em meados dos anos 1990 anunciou a construção de uma fábrica no Brasil, em Camaçari (BA), em troca de benefícios fiscais. Os benefícios foram utilizados mas com a falência da empresa em 1999 a fábrica não saiu do papel. Como a Kia era sua dona, para o governo brasileiro ela deveria arcar com a dívida e isso estava impedindo o avanço de uma possível fábrica da Kia no Brasil. Mas em 2013 essa pendência foi resolvida pela justiça, isentando a Kia dessa dívida.

O Grupo Hyundai-Kia é  quarto maior fabricante de veículos automotores do mundo, com produção ultrapassando 7 milhões de unidades em 2012, sendo a Kia responsável por 2,7 milhões, aproximadamente. Isso coloca a Kia na frente de marcas importantes como Renault, Peugeot, Citroën, Mitsubishi, Chrysler e Fiat. E se consideramos toda a sinergia de desenvolvimento tecnológico e estrutura de custos dividida com a Hyundai, dá para se ter uma idéia do poderio da Kia. 

No Brasil, a Kia vinha numa ascendente até alcançar mais de 77 mil unidades emplacadas em 2011 com uma linha bem completa e atualizada, incluindo motores flex. No entanto, a partir de 2012 com a sobretaxação do IPI para veículos importados em 30 pontos porcentuais, os emplacamentos diminuíram drasticamente para 41.510 unidades em 2012 e 29.135 em 2013. Para reverter esse quadro, só fazendo uma fábrica no Brasil, ainda sem uma perspectiva mais clara. Com toda essa taxação adicional a competitividade fica muito comprometida, uma vez que a relação custo-benefício tem um limite estabelecido pelo mercado ou concorrentes.


Lotus Elan (foto betterparts.org)

Não é de hoje que bato nesta tecla. E vou continuar batendo, já que com o passar dos anos mais a evidência grita. Comecemos do começo.

Há pouco fiz um teste No uso de um Citroën C3 automático. “Que belo carrinho” é o que primeiro me vem à boca quando, informalmente, me perguntam sobre ele. O mesmo digo sobre o seu “primo”, o Peugeot 208, e o mesmo sobre o Ford New Fiesta, sobre o Fiat Punto e mais um ou outro dos que temos à venda por aqui. 

São hatches de preços razoáveis, dentro do nosso mercado, e são bons de chão, ou melhor, muito bons de chão. Bons de curva e bons de reta, e estamos falando de hatches que nem “esportivos” pretendem ser; são carros comuns para o dia-a-dia. Vale lembrar que todos esses têm motores que os levam a beirar os 200 km/h, sem deixarem de ser motores de baixa cilindrada e consumo frugal. 

Veja bem, caro leitor, 200 km/h é uma velocidade de respeito. 

Com poucos acertos, como uma suspensão mais baixa e rígida, a Fiat fez o Punto T-jet, que é um verdadeiro corisco. Seu chão é tão bom que nem um motor mais forte, como ele tem, seria necessário para termos um carro com o qual qualquer autoentusiasta teria bons momentos esportivos. O motor 1,8 de 132 cv lhe bastaria.  

Um convite para entrar num Triumph Spitfire (foto storm.oldcarproject.com)

O título, em alemão, significa "Alemanha, um bom exemplo". O texto chegou-me por um amigo, li e gostei, a ponto de desejar compartilhá-lo com os leitores que anseiam por um Brasil decente e justo.

Bob Sharp
Editor-chefe
________________________________________________________________________

"Alemanha, um bom exemplo


Esta semana a chanceler da Alemanha, Angela Merkel — a governante mais poderosa da Europa e uma das líderes mais influentes do mundo — fechou um acordo para que seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão União Social-Cristã (CSU), do Estado da Baviera, governasse em coligação com os tradicionais adversários do Partido Social-Democrata (SPD).

Merkel terá uma maioria esmagadora: num Parlamento de 631 deputados, como o Bundestag alemão, terá uma bancada de 503.

E sabem como se procedeu a aliança com os social-democratas?

Merkel NÃO aparelhou o governo com os sindicalistas aliados do SPD para agradar os novos aliados.
Merkel NÃO loteou cargos de confiança no governo entre os partidos da coligação.
Merkel NÃO prometeu destinar “emendas parlamentares” para que os deputados da coligação distribuam verbas em fontes luminosas e ginásios de esportes em suas regiões de origem.
Merkel NÃO decidiu rechear as seríssimas e rigorosas agências reguladoras do governo alemão — em áreas como telecomunicações, transportes terrestres, aviação e energia — com cupinchas dos aliados, nomeados (como ocorre no Brasil) por sua ideologia ou militância, e não por sua competência.
Merkel NÃO resolveu aumentar os atuais 14 Ministérios existentes para abrigar políticos.
Merkel, é claro, NÃO acertou qualquer mensalão para atrair deputados para a base de apoio de seu governo.
Merkel, em suma NÃO FEZ NADA do que se costuma fazer no Brasil há algum tempo, em nome desse monstro invisível chamado “governabilidade”, que justifica todo tipo de atropelo ao bom senso, à meritocracia e à moralidade pública.

O que fez a firme chanceler alemã, há oito anos e três eleições no poder, para fechar uma coligação que vai permitir que governe tranqüilamente por todo seu mandato de quatro anos?

Merkel fez o que se faz nos governos decentes de países sérios— e, como escreveu há algum tempo a revista britânica The Economist, a chanceler vem conduzindo “um governo sério, num país sério onde a palavra sério quer dizer exatamente isto”: discutiu, durante um mês, em que medidas para o bem da Alemanha democratas-cristãos e social-democratas — que divergem em inúmeros pontos — concordam.

Os pontos sobre os quais ambos concordam foram a ponte para o acerto político. Mas, em se tratando de um pais sério, esses pontos foram esmiuçados em um sólido documento de 170 páginas contendo o programa que o governo de coalizão entre dois grupos adversários executará.

As 170 páginas prevêem, com detalhes, como se darão as melhoras no sistema de previdência social, em quais projetos serão aplicados os investimentos adicionais na área de educação e pesquisa científica, o que deve ser feito para aperfeiçoar e ampliar os sistemas de transportes (rodovias, as já fabulosas Autobahnen, e ferrovias), o estabelecimento por lei, a partir de 2015, de  um salário mínimo (8,50 euros — 27 reais — por hora, o que significa algo como 4.320 reais mensais) — não existe salário mínimo legal na Alemanha, só os valores estabelecidos em acordos entre sindicatos de patrões e de trabalhadores — e até os requisitos exigidos para que aos cidadãos alemães seja possibilitado algo até agora inexistente, a dupla cidadania.

Detalhe importante: o documento inclui o compromisso férreo de não se aumentar impostos durante os próximos quatro anos.

Enquanto isso, num grande país (melhor dizer 'país grande') do Hemisfério Sul, que tem 39 ministros e 20 mil cargos de confiança loteados entre cupinchas dos partidos do governo, a corrupção corre solta e sua frágil democracia vislumbra dias próximos de autoritarismo socialista ou quebradeira, o que dá no mesmo."

Ae


O Chevrolet Biscayne das fotos foi alvo de uma restauração de três anos de duração, típica dos americanos, que resulta em carros em condição melhor do que quando saíam de fábrica, conhecidas como over-restoration (sobre-restauração). Muita gente não aprova esse tipo de tratamento, mas antes de condenar a prática, precisamos saber o motivo.

Fazer um Chevrolet aparentemente tão simples e de alta produção ser assim tratado e ficar nessa condição tem um motivo muito especial. É um carro que precisa ser entendido para ser admirado por todos que consideram importantes a história da General Motors e de Zora Arkus-Duntov (1909-1996) em particular. O ex-engenheiro-chefe do Corvette, que chegou a esse cargo por ter sido o responsável pela transformação de um pacato conversível no ícone esportivo americano, é também o mentor desse cupê concebido para uso policial.

O Biscayne, fabricado a partir de 1958, é diferente desse carro de 1959, quando praticamente todas as marcas americanas começaram a fabricar carros mais baixos. O estilo de 1959 é único, o 1960 já sendo diferente novamente.

A traseira é curiosíssima, com a tampa do porta-malas parecendo um par de asas, acima de lanternas de desenho curioso. Um verdadeiro show!