NÃO EXISTE "UM" CARRO DO FUTURO

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vídeo: Cidade Sustentável, fonte: Toyota

O post do Bob Sharp sobre a reinvenção (?) do automóvel suscitou uma boa discussão sobre  a mobilidade do futuro.

Encontrei um interessante vídeo sobre a visão de futuro da Toyota. A Toyota aborda o transporte, ou mobilidade, como um todo e mostra como as diversas modalidades se integrariam e seriam definidas de acordo com a sua natureza e com a tecnologia mais apropriada para cada uma delas.

O vídeo está em inglês e sem legenda em português. Então, apesar de ser muito autoexplicativo, segue abaixo uma breve descrição.

O início do filme mostra uma família viajando numa autoestrada a bordo de um carro híbrido, na verdade um híbrido plug-in, que não tem sua autonomia limitada. A diferença dos híbridos plug-in para os apenas híbridos é que eles podem ser "plugados" numa tomada, ou receber alimentação externa para recarga das baterias. Isso lhes proporciona alguma autonomia em modo 100% elétrico. A bateria dos híbridos pode ser bem menor do que nos elétricos devido a propulsão alternativa ou conjunta do motor a combustão. Estão a caminho da cidade para onde estão se mudando, a cidade sustentável de 20XX (num futuro não definido). Como estão numa viagem mais longa, não estão usando um elétrico puro, e sim um híbrido devido à sua maior autonomia.

De dentro do carro, na estrada, o garotinho observa os caminhões trafegando em comboio. Estão em comboio, através de um controle automático, para assim reduzirem o consumo do conjunto todo. São movidos a célula de combustível alimentadas por hidrogênio, uma vez que possuem espaço para armazenamento do combustível.

Chegando à cidade. a família vai direto para um estacionamento e deixa o híbrido carregando sua bateria por um sistema por indução. Ou seja, não necessita nem ligar um cabo numa fonte de alimentação. Nesse estacionamento eles mudam de meio de transporte. A mulher e sogra alugam um pequeno carro elétrico para irem às compras. Notem as portas corrediças. O pai e seu filho alugam patinetes elétricos (que a Toyota chama de winglet), pois só vão passear e não precisam carregar nada, sem compras. O aluguel é feito facilmente por um aparelho portátil como um celular.

Então os dois saem para a cidade. Nos anéis viários que cortam a cidade só são permitidos veículos elétricos e na cidade em si são permitidos apenas veículos elétricos pessoais, como os patinetes e outro tipo de transporte pessoal, o i-Real. Todos esses modelos de transporte pessoal se monitoram através de sensores para evitar colisões e acidentes. Nos anéis, que ligam distâncias maiores, também circulam ônibus elétricos e autônomos.

Quando terminam o passeio pela cidade, em vez de pegarem um ônibus, o pai chama um carro elétrico que também pode trafegar em modo autônomo e que vem apanhá-los no local onde eles estão. Se guiando pelo GPS do telefone do pai. Ao entrarem no carro, após acondicionarem os patinetes no porta-malas para recarga, o garoto pergunta o que são os pontos amerelos na pista. E o pai explica que é o sistema de direcionamento dos carros e que também serve para carregar as baterias. A energia para alimentar os carros vem de painéis solares durante o dia e de estações eólicas durante a noite. A energia dos caminhões vem do hidrogênio e o combustível líquido dos híbridos deve ser algum biocombustível. Dessa maneira cada modelo usa o combustível mais apropriado para sua aplicação. Desde um simples patinete para passeio até o transporte de cargas.

Após usarem o carro elétrico, eles o dispensam na rua mesmo. Ele se dirige para uma estação e estaciona para recarga. E o vídeo termina com o garotinho achando que será muito divertido viver nessa cidade perfeita.

É claro que tudo isso é uma visão. E por isso não mostra as dificuldades de conseguir criar um sistema tão complexo e que funcione maravilhosamente bem como no filme. Mas visões servem para dar um rumo ao desenvolvimento do ser humano. É a partir dessa visão que a Toyota está trabalhando em todos os veículos mostrados no filme. Quando pensamos em Brasil tudo fica extremamente mais distante da nossa realidade. Mas pensando em Japão, ao menos uma parte dessa visão já seria possível.


Mas o principal ponto do vídeo é que não existe uma solução única para o carro do futuro. Não dá para imaginar mais o carro como um objeto de posse e que sirva para atender todas as necessidades. Acho que não é muito difícil afirmar que o negócio dos fabricantes de automóvel não deve ser mais pensado apenas como fabricação, venda e serviços de carros. O negócio dos fabricantes se chama soluções para as necessidades de transporte/mobilidade do ser humano. Isso pelo menos para os fabricantes que estão olhando muito mais à frente, que têm uma visão de futuro.

É claro que isso não tem nada de autoentusiasmo. Ao menos do jeito que estamos acostumados. Mas isso realmente não importa pois sempre acharemos um patinete mais interessante, ou um híbrido mais excitante. Se tem rodas, nós encontraremos o autoentusiasmo!


PK

15 comentários :

  1. Parabéns PK!

    Muito interessante a dimensão que o tema ganhou com a proposta sufragada no vídeo.

    A partir de um tema crítico para nossa sociedade, ventilado pelo Bob Sharp no tópico suscitado, aprofunda-se a alternativa sustentável numa abordagem cosmopolita.

    Percebe-se, pois, que não é apenas o carro, em si, que sofrerá toda a influência desse conceito de sustentabilidade. A vida urbana como um todo, abrangendo as relações humanas, insere-se nesse contexto macro-social.

    Mas, o bacana é que o veículo não é desprezado por essa visão futurista, ao revés, ganha contornos em sua missão precípua de garantir a mobilidade do Homem, sob diversas matizes.

    O que me surpreende é o quão afastados estamos, aqui no Brasil, desse paradigma, o que não reflete algo eminentemente negativo, posto que essa sustentabilidade ainda é posta em dúvida por muitos.

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  2. Agora, se um dia o Governo vier a adotar este projeto de infra-estrutura, nesta escala tecnológica, encontrará condições menos severas no interior do país, uma vez que, pela própria organização social do espaço geográfico de nossas metópoles, teríamos óbices intransponíveis.

    Um projeto de cidade sustentável, no seio do território nacional. Quem sabe?

    Em que pese a racionalidade da proposta, há entraves culturais, inclusive. Não estamos dispostos, hodiernamente, à uma alteração desta monta. Por isso encontrar no Japão ambiente mais favorável à implementação gradual.

    A ideia é semear esse novos valores, incorporando-os ao nosso estilo de vida.

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  3. Claro que na cidade da toyota sempre é domingo as 06 horas da manhã, visto o movimento de carros e pessoas retratado.

    O futuro caminha mais para essas vias do filme totalmente entupidas, tão necrosadas por hordas de carros que simplesmente não importará mais o tipo de propulsão.

    O advento da mobilidade individual para pequenas distâncias como os patins também é um retrocesso e um incentivo ao mal que acomete as gerações atuais, a obesidade.

    Bonito na prática, mas número de pessoas e carros ainda é fator incontornável e não colocado na equação.

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  4. Que futuro odioso. Pra mim o mundo acabou em 1960, e eu nem tinha nascido ainda...

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  5. Pedro Navalha01/01/11 19:52

    Olha, se no futuro pelo menos taparem os buracos que infestam as ruas da minha cidade, já ficarei bastante satisfeito!

    Aliás, além dos buracos, espero que num futuro próximo também pintem as faixas de sinalização, nivelem as tampas de bueiro e acabem com aquelas costelas de vaca que chegam a raspar até o fundo do carro, de tão altas...

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  6. Essas visões do futuro são assustadoras, e não tenho muita certeza se quero presenciar a morte do automóvel enquanto objeto de prazer ao dirigir.

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  7. Totalmente racional, porém nada emocional.

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  8. Carlos Eduardo01/01/11 22:07

    Eu realmente não entendo qual é a necessidade desses "patinetes motorizados" aí.

    Muito mais fácil e mais saudavel andar a pé ou de bicicleta.

    Que futuro bizarro esse da toyota.

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  9. É, fica claro pelos comentários que também não deve haver "um" futuro. Estamos numa baita encruzilhada. Será o nosso um futuro de Ahmadinejads e Netanyahus? Ou o equilíbrio vai prevalecer? Vai dar tempo para essas contramedidas anti-poluição funcionarem? Ou já teremos ultrapassado o ponto sem retorno? No que depender da política, cavalheiros, a irracionalidade deve continuar imperando. E me parece claro que é falsa a percepção de que as soluções à vista para a questão do automóvel são hiper-racionais, em detrimento do caráter emocional do automobilismo. Se - eu disse se - houver futuro para a civilização como a conhecemos, talvez seja natural e desejável que o uso irresponsável e anti-social do automóvel tenha um fim, que se confine a emoção automobilística a espaços próprios. A pergunta, nesse caso, é a seguinte: não estaríamos, então, atingindo a maturidade do automóvel?

    Manichaeus

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  10. O futuro é sombrio, amigos autoentusiastas. Imaginem só fazer compras numa cadeira de rodas, fazer o filho andar de patins elétrico, chamar o carro(que não é seu, apenas alugado) pelo celular, e outras bizarrices. Espero que criem carros entusiasmantes no futuro. De verdade. O mundo não é racional assim, como disse PK, sempre vai haver um modelo melhor que outro. Se o mundo fosse racional, não haveria lugar para os carros que gostamos. Camaro SS, Civic Si, entre tantos outros, não são racionais. Se fossem, o Camaro seria híbrido, e o Civic Si não existiria. Existe mercado para os carros que gostamos, porque felizmente existem pessoas que adoram carros, e sabem que carros são muito mais do que um meio de transporte que leva de A para B. Pedro Carbone

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  11. ir às compras numa cadeira elétrica que dá calafrios é o fim da picada. Felizmente esse dia não chegou. E se depender de nós, nunca chegará.

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  12. Guilherme M.02/01/11 19:23

    Ver esse vídeo me fez ver como o ser humano quer cada vez menos ser um humano.
    O Ser humano levou milhares de anos para desenvolver a locomoção, e aguçar os seus sentidos. E eu só vi pessoas caminhando neste vídeo para sair ou entrar dos veículos.

    Cada vez mais vemos no globo repórter ou em programas do gênero, o quanto é importante o exercício físico e a boa alimentação é fundamental, e esse vídeo da Toyota vai contra isso, justo os japoneses, que sempre foram um exemplo de qualidade de vida.

    Sou contra estes wiglets, ou seja la o nome que tenham. Tais periféricos, deveriam se desenvolver e ter baixo custo não para deixar a população mais sedentária, mas sim para melhorar a locomoção de deficientes físicos.
    E o tal sistema que impede colisões, para melhorar a vida de deficientes visuais.

    Na minha humilde opinião, o carro deveria ficar parado onde está, até o condutor chegar nele, pois cada vez menos fazemos exercícios físicos, e com um carro que vem até nós de mão beijada não contribui para isso.

    Ja alugar o carro, a tem, no Brasil inclusive, os sistemas de Car Sharing, para quem não conhece, sugiro que procure no Google, pois saberão explica-lo melhor do que eu.

    Quanto aos combustíveis, acredito no uso de combustíveis produzidos a partir "do resto", como o Etanol, que é feito do bagaço da cana, o Butanol, que é feito dos restos de destilação de bebidas, no biodíesel, e no gás metano proveniente da decomposição do lixo e tratamento de esgotos. Sem contar na própria evolução dos elétricos e híbridos. Temos que concordar amigos entusiastas, a gasolina um dia vai acabar, embora estejamos cada vez mais conseguindo racionalizá-la, o que distancia-nos cada vez mais deste dia.

    Quanto as cidades. Eu vi pouquíssimas áreas verdes nesta cidade, só concreto. Para onde vai escoar a água da chuva? Espero que o povo seja mais educado no futuro e não jogue lixo no chão para entupir bueiros, e causar alagamentos e enchentes.
    Acredito que as cidades do futuro terão integração equilibrada entre aproveitamento de espaço, interatividade e com a natureza.
    Os telhados "verdes" (cobertos de grama) e os jardins verticais (com plantas na parede) estarão cada vez mais no nosso cotidiano. Seja para reduzir o calor interno dos prédios e casas, para reduzir as ilhas de calor na cidade, e para absorver o gás carbônico.

    Acredito também que as construções serão brancas, cinza claro, ou prateadas, e em vidros de superfície espelhada, aqueles que são transparentes se vistos de um lado e do outro só se ve um espelho, para refletir o calor, e reduzir custos com ar condicionado.

    Bom, esta é a minha visão de futuro, reconstruindo a natureza, trazendo os humanos de volta a condição humana, e equilibrando tudo isso com a nossa paixão pelos pistões e rodas.

    Creio eu, que eu vá vivenciar este futuro, ja que tenho 15 anos, e espero que ele seja construido da melhor forma possível.

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  13. Concordo com os outros quando dizem que os tais winglets são incompatíveis com a visão de futuro, já que andar não faz mal algum, agora ficar parado faz... se for assim, adote-se a estratégia de plataformas rolantes dos Jetsons... mais simples.

    Mas gostei muito da idéia do híbrido, da alimentação automática dos elétricos e especialmente do transporte de carga automatizado e otimizado - poderiamos até considerar sistemas trem-caminhão, onde o mesmo veículo pode trafegar em alta velocidade em via dedicada ou educadamente pelas ruas. Definitivamente temos um grande problema com transporte de cargas, além do grande consumo dos motores dos caminhões, problemas com manutenção e principalmente violência causada pelos caminhoneiros.

    Ah, gostei da visão do futuro sem motos.

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  14. Muito interessante a discussão, porém falta um detalhe muito importante neste post PK, estimativa de tempo, para a chegada desses novos carros.

    Uma coisa são 10 anos na frente e outra completamente diferente são 20 ou 30 anos além... Será que ainda teremos automóveis daqui a 50, 100 anos? Eu não me surpreenderia se formas de locomoção individual dentro das grandes metrópoles estivessem extintas em 2100.

    Eu subentendi que tanto você como Bob se referem a próxima geração que chegará em breve (quando?) as ruas.

    Até essa nova geração chegar, se chegar em um futuro próximo, vamos assistir a esse show de especulação como esse vídeo que eu nem vi pq a ilustração já é pingo... E a internet aqui é movida a lenha...

    A Toyota ataca com esse vídeo, a Fiat faz o seu carro colaborativo, A GM matou o EV-1 que era um excelente veículo que já poderia estar sendo feito a anos mesmo que fosse "apenas" para testes...

    Nos concursos de design do Salão de Los Angeles nunca vi nada realmente útil que pudesse se traduzir em uma alternativa viável para novos automóveis...

    Já temos HOJE veículos livres de CO2 e baterias a custos decentes que rodam gastando 1 Euro de combustível para cada 100 km, que fossem 2, 3 ou mesmo 10 Euros/100km; não é fantástico?

    Tem as suas limitações, sem dúvida... Mas quem se interessa em desenvolver e massificar essa e outras tecnologias fantásticas como as novas gerações de baterias livres de metais pesados muito mais potentes, leves, compactas e baratas que já estão disponíveis ou em pesquisa???

    Ficarão elas relegadas a segundo plano devido a conflitos de interesses e patentes como os motores wankel?

    Sinceramente? Prefiro esperar...

    Mas como designer que foca em inovação, melhoria do produto "carro" como um todo trabalhando de forma independente; sem receber 1 tostão de qualquer empresa que seja; tenho algumas boas "especulações" em forma de carros no meu blog.

    Tanto para um futuro próximo como o Táxi Conceito, que é o único carro com 4,5m que eu já vi (mesmo sendo um projeto de conclusão de curso) que transporta 6 pessoas sendo que duas podem ser cadeirantes com níveis de conforto, segurança inalcançáveis por veículos muito mais caros, maiores que transportam menos pessoas; cadeira de rodas? Nem pensar...

    Quanto para um futuro mais distante como o Neo Bettle...

    Claro que eu me reservo o direito de só mostrar o que acho conveniente e sei perfeitamente que 99.99% vão desdenhar dos meus projetos mas faz parte. Passem lá no meu blog.

    Lá estão as minhas visões de futuro, quem se interessar em ver e criticar construtivamente, será muito bem vindo.

    Abraços,
    Próspero e Feliz 2011!

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  15. Olha...Ainda sou novo e a única coisa que eu desejo no futuro é que não esqueçam que existem autoentusiastas, Acredito demais no poder dos bioscombustíveis! Faz uns 2 anos que eu não uso mais gasolina...
    Agora esses Winglets ai eu só lamento ... prefiro caminhar mesmo!

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