MUSEU TOYOTA - PARTE 2

Para saber sobre o museu veja a parte 1: Museu Toyota - Parte 1


O primeiro modelo do rico acervo do museu da Toyota não poderia deixar de ser o primeiro carro da marca. Logo na entrada, em um local de destaque, está o Toyota modelo AA de 1936.

Em 1936 a Toyota era uma empresa grande que nasceu do sonho e do empenho de Sakichi Toyoda em tornar  menos árduo o trabalho da sua mãe, que diariamente passava horas em um tear manual. Sakichi desenvolveu um tear automático e assim nasceu a Toyota nos anos 20. No início dos anos 30, seu filho Kiichiro Toyoda viajou pelos Estados Unidos e Europa e voltou tão entusiasmado com o desenvolvimento industrial e a motorização que decidiu que fabricaria automóveis na sua terra natal. Desde 1933 a Nissan, então Datsun, já fabricava carros em série no Japão.

Modelo AA 1936, espaçoso e confortável, muito utilizado por autoridades e como táxi

Nessa época modelos americanos Chevrolet e Ford, montados no Japão com componentes importados (sistema CKD), dominavam o mercado e o interesse pelo dos automóveis, usados principalmente pelo governo e empresas, começava a crescer.

No entanto não havia uma indústria automobilística desenvolvida no Japão capaz de fornecer localmente materiais e tecnologia, além da falta de experiência na manufatura de automóveis. Ou seja, era impossível para uma empresa japonesa competir diretamente com as americanas que traziam tudo importado de suas matrizes.

Kiichiro então resolveu encurtar distância e partir de algo já existente. Comprou um Chevrolet 1933 para usar como base mecânica de seu novo carro. Usou também o seu motor Stovebolt, um 6 cilindros em linha. Em 1934 ele já tinha um protótipo do motor que usava pistões com cabeças de desenho exclusivo.


Inspirações: Chevrolet Master Series 1934 à frente, e  Chrysler/DeSoto Airflow, também de 1934

A Chevrolet promovia mudanças anuais na carroceria de seus carros para deixá-los sempre atraentes aos consumidores. Então Kiichiro, sabendo da dificuldade que teria para acompanhar a concorrente,  achou que não seria interessante usar a carroceria do Chevrolet como base. O Toyota ficaria defasado em pouco tempo.

Chevrolte 1934 com motor Stovebolt de 6 cilindros em linha e 3,4 litros

Em 1934 a Chrysler lançou nos Estados Unidos o inovador DeSoto Airflow, com seu desenho streamlined e grade dianteira em forma da caichoeira (waterfall). Sendo muito mais moderno que os Chevrolets da época, seu desenho seria mais "durável". Ele foi escolhido como referência para a carroceria do Toyota. Curioso é que o Airflow foi um fracasso nos Estados Unidos. Os consumidores não digeriram bem a grade dianteira do modelo. No Toyota a grade foi modificada para um formato mais convencional e menos arriscado.

Chrysler/DeSoto Airflow e sua grade dianteira muito à frente do seu tempo

Assim, em 1936, nasceu o primeiro automóvel híbrido da Toyota, o Modelo AA. Um Chrysler com mecânica Chevrolet...Mas, brincadeira à parte, o Modelo AA não era uma cópia exata dos modelos usados como base. Ele foi feito para atender às necessidades locais. E cinco anos depois do seu lançamento bateu seus adversários americanos em volume de vendas no mercado japonês.


 Modelo AA, o primeiro híbrido da Toyota
Americanos de 1934
Acima o AA com motor mais à frente permitindo que os ocupantes fiquem entre os eixos e assim mais confortáveis
PK

6 comentários :

  1. Achei de uma sinceridade fora do comum uma grande empresa como a Toyota admitir que se inspirou inicialmente em automóveis de outras marcas, e até mesmo expor esses automóveis no seu museu. Ponto para a Toyota.

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  2. É verdafe Paulo. Acho que falar a verdade faz parte da cultura japonesa. Abraço.

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  3. PK,

    Nessa história o que mais me agradou foi saber da visão de Toyoda em adaptar o projeto as condições locais. Essa é uma grande demonstração de respeito pelo consumidor.

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  4. Outra coisa interessante é pensarmos no quanto que a influência Chevrolet persistiu na Toyota por décadas. Há até pouco tempo, existiu motor Toyota de seis cilindros em linha, sendo os últimos modelos do grupo a usá-lo os Lexus IS de primeira geração e GS de segunda geração (e no mercado japonês, o Toyota Progrès, descontinuado em 2007). E, claro, nem é preciso dizer sobre o potencial do seis em linha quando equipou a última geração do Supra.

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  5. Muito interessante.

    Terá a parte 3, correto?

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  6. Mais um belo post, PK. Além de uma aula sobre como fabricar bons carros, a Toyota reflete uma característica japonesa: jamais tomar para si conquistas alheias, admitindo inspiração alheia e reconhecendo o seu valor. Aliás, uma bela lição para nós, brasileiros, e principalmente, para um certo ex-chefe de estado...

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