DIVERSÃO PURA

Fotos: Cláudio Larangeira


Se houve carro divertido, esse foi um deles, e tive um: Renautl 1093. Não esse da foto, que pertence a um grande colecionador, mas era igual, cor e tudo. O Renault 1093, lançado em 1964 era a versão apimentada do Gordini surgido dois anos antes, que por sua vez era a evolução Dauphine, de 1959. Esses pequenos carros foram fabricados pela Willys-Overland do Brasil sob licença da Renault de 1959 a 1968. O 1093 saiu do mercado em 1965 após apenas 721 unidades produzidas, um número ínfimo diante dos 74.620 fabricados. Não chegou a 1%.

Já vi muitos acharem que 1093 era a cilindrada do motor, quando na verdade era designação de modelo. O Dauphine era o 1090 e o Gordiini, o 1091. O três tinham motor de 845 cm³, de três mancais e curso  dos pistões longo, 80 mm, com diâmetro dos cilindros 58 mm. Cada motor tinha suas diferenças que se traduziam em maior potência.

O 1093 tinha um charme especial. O comando de válvulas era de levantamento alto e "dava tapa" nos tuchos, produziindo um ruído de comando que era música, empolgava. O coletor de escapamento era tubular, e não de ferro fundido, tinha ramos longos e o silenciador era menos restritivo, tudo levando ao tom exato.

A taxa de compressão era bem elevada para os padrões da época, 9,2:1. Gasolina comum,  chamada então de amarela, nem pensar, tinha de ser a de maior octanagem, de nome azul pela cor da anilina adicionada. Correspondia à comum/comum aditivada atual, 95 octanas RON. Como na época não havia sensor de detonação e o motor quebrava mesmo se funcionasse com gasolina comum. "Grilava", como se dizia, e caso se insistisse, se danificava, pelo menos queimava a junta do cabeçote. O  carburador era duplo, Solex 32 PAIA 3, progressivo, o segundo corpo abrindo por vácuo.

A potência era de 42 cv (potência liquida, 53 cv bruta) a 5.800 rpm, o que num carro de 760 kg siginficava um desempenho razoável. Era bem ágil. A quarta era mais curta que no Gordini, 1,07:1 em vez 1,03:1. A troca de terceira para quarta, com menos queda de rotação, era outra música.

Internamente havia um equipamento precioso e raro naquele tempo, conta-giros. Ficava no lugar de um porta-objetos à esquerda, meio fora do campo visual, e era mecânico, da famosa marca francesa Jaeger. Mas era um charme.

O conta-giros mecânico Jaeger à esquerda do painel
A suspensão era mais baixa que no Gordini e no Dauphine e com isso a cambagem traseira era zero ou ligeiramente negativa. Era bom de curva o pequeno Renault, mesmo com pneus diagonais 145-380. Naquele tempo alguns carros tinham a roda em milímetros, esquisito. Em polegadas essa roda seria de 14,96 pol.

Saía pouco de traseira, mas sempre bem controlável, e apontava bem para as curvas. Inspirava confiança, mesmo com suspensão traseira por semi-eixos oscilantes. O problema era a articulação dos semi-eixos gastar-se rapidamente, passando a roda a ter movimentos longitudinais ao acelerar e frear. Isso só seria resolvido pela fábrica no Gordini II, em 1966, modificação que não chegou ao 1093.

Essa solução de semi-eixo "solto'', articulado apenas junto ao transeixo, vinha do Renault 4CV, de motor 750 e 19 cv. À medida que aumentaram cilindrada, torque e potência, o sistema mostrou suas falhas. O mesmo com o Fiat 147/Uno e sua suspensão dianteira McPherson, suspensão que não foi idealizada para tração dianteira, restando à barra estabilizadora a missão de locação longitudinal da roda. Só foi corrigido com o Mille, por meio de tensores. Assim se vê rodando 147 bem velhos que na hora de arrancar as rodas dianteiras ficam convergentes de maneira assustadora.

Fiz muitas viagens a São Paulo (eu morava no Rio) e numa delas, ao completar o tanque na chegada, 28 litros consumidos. Para 450 km porta a porta, são 16 km/l. Isso viajando rápido, em torno de 120 km/h. Era bem econômico o 1093. Não andava muito mais que isso, no máximo 130 km/h.


Esse deixou mesmo saudade.

BS

68 comentários :

  1. Deveria andar bem mais que os Fuscas da época.

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  2. Anônimo 17/01 16:16
    Bem mais, e até DKW-Vemag.

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  3. Esse tinha o famoso sistema "Aero-Capotable" ?

    Me lembro de uma curva q existia no Aterro-RJ q eram frequentes as capotagens desses carrinhos.

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  4. Meu pai tinha um Dauphine verde claro que ele acabou trocando por um fusca 1200, na época eu tinha uns 7 anos e não gostei da troca, o fusca não tinha 4 portas, a janela traseira não abria , mas, o fusca quebrava bem menos e com o Dauphine me lembro de ter voltado de onibus pra casa algumas vezes, mas era um carrinho bem legal e meu pai também conseguia fazer uns 16km/l com ele na estrada também,so que bem mais devagar que o gordini, e o Dauphine tinha so 3 marchas, para um motor pequeno faltava marchas , mas era um carrinho legal.

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  5. João Ferraz,
    O motor do Dauphine era tão elástico que podia ter só três marchas. Já o Gordini, embora mais potente, já não era tanto e requeria quatro marchas. Curiosidade: nos pegas na Subida de Canoas os Dauphine, com 6 cv menos que o Gordini (26 contra 32 cv) chegavam na frente justamente devido ao câmbio de três marchas, em que a segunda era perfeita para aquela gradiente. Os Gordini ficavam "brigando" entre segunda e terceira.

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  6. Pisca
    Aerostable, ou "Aerocapotable", era apenas nome comercial de batentes de ar nos semi-eixos, que o 1093 tinha também. As maiores "vítimas" da tal curva do Aterro ainda em obras, em que se vinha rápido na reta e se tinha que dobrar abruptamente à direita para pegar a Av. Rui Barbosa, por o Aterro ainda não estar pronto, era o Dauphine. O Gordini e o 1093 eram melhores de chão.

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  7. Imagino como fica o carrinho com um tapa no cabeçote, carburador maior e um escape dimensiondo.
    Sem esquecer de um tapa na suspensão e pneus mais largos.
    Um amigo queria colocar um motor 1.6 de Clio num desses.

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  8. Eu sei Bob. E tbm sei q o maior culpado em si eram os donos q não faziam a manutenção das peças desgastadas da suspensão e tbm do "asfalto" da época no RJ...rss.

    Tava só pegando no teu pé msm p/ relembrar os velhos tempos.

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  9. Bob, p/variar um belo post.
    Na época que entrei na FEI tinha uns 1093 por lá, e eram bons de chão, melhores que os Fuscas std da época. Eu tinha um Fusca c/motor feito pelo Jorge Lettry na Draco, um 1600 mas c/comando MT2 da época e 2 Solex 40 de Opala, o que estava dentro do meu orçamento, mas muito aquém do que o Amador fazia na época com Weber 40PII etc. Mas conto que fazia "barba e cabelo" de qualquer 1093.
    Abração
    Luiz

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  10. Legal saber disso. Todos os carros permitem uma tocada rápica, mas poucos se comportam notavelmente nessas ocasiões. Esse é um lado do 1093 que eu não conhecia.

    Mudnado um pouco de assunto, que partes específicas da suspensão dianteira do Uno sofrem esse desgaste? O meu levanta a frente ao arrancar e a cambagem fica bem positiva, isso também se deve a desgaste ou necessidade de uma barra estabilizadora mais grossa?

    Pedro Bergamaschi

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  11. Felipe Marcel17/01/11 20:42

    Bob,

    Mais um belo post, tenho 31 anos e nunca andei em um carro desses mas os acho muito simpáticos e ele tem uma história interessante junto a minha família, diz minha mãe que no início dos anos 60 houve uma promoção de uma determinada massa de tomate da época que sorteava um ou mais carros desses e um dos irmãos dela (que infelizmente não o conheço por problemas familiares que não vem ao caso) uns dois anos mais velho que ela queria muito ganhar o carro, então ele sai na cidade em que moravam Itapira/SP juntando as latinhas dessa massa de tomate por toda a cidade e mandou para a promoção e não é que o danado conseguiu ganhar um carrinho desses no tal sorteio. Não sei que fim deu o carro, mas acho essa uma história fantástica de alguém que realmente queria algo.

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  12. Muito legal o post, Bob!

    Engraçado que quase toda a descrição sobre a preparação de fábrica que esse carro recebia para virar o 1093 se parece muito com a que um amigo meu aplicou ao seu Fusca 1967, motor 1300.
    Motor com pouco mais de 40 cv, peso ao redor de 780Kg, suspensão rebaixada até o ponto em que a cambagem fica nula (ou próxima disso), comando de válvulas com maior lift, ou levantamento, e também maior cruzamento. O escape dele acho que é original... não me lembro de ter visto nada anormal por baixo do motor! Deve ter uns 50 cv, penso eu! E é gostoso demais de andar... agora fica pensando esse francesinho bom de suspensão e tão leve quanto o Fusca! Devia dar vontade de andar por horas e horas!

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  13. Pedro Bergamaschi;

    Os unos antigos levantam a frente mesmo, e isso foi resolvido no 1.5r de 88, e no restante da linha em 90. Instalaram uma barra estabilizadora e uns tirantes ligando a roda a carroceria.
    Após perder 1 jogo de pneu com 19000 km com o carro todo alinhado, fui no shopping (ferro-velho) e comprei o conjunto completo (barra estabilizadora e tirantes) e mandei instalar. O carro mudou completamente de comportamento, e o melhor, acabou com o problema de desgaste dos pneus dianteiros.
    Se quiser, te mando as fotos do serviço que fiz no meu.

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  14. Pedro Bergamaschi
    O Aléssio já respondeu, inclusive o 1.5R foi o primeiro a receber os tensores, eu até havia esquecido. Só apurando melhor o que ele disse, quando não havia tensores era mandatório haver barra estabilizadora, ou o carro nem andaria. Qual o ano do seu carro? Se não tiver tensores, o causa da perturbação no trem dianteiro é alguma bucha silenciosa do braço transversal ou de mancal de estabilizador, que têm borracha, deteriorada, ou estrutura dianteira, onde a barra apoia, sem rigidez por fadiga de material ou ferrugem. Mas me diga qual o ano do seu Uno.

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  15. Luiz Drânger
    É claro que motor VW 1600 razoavelmente mexido tem mais potência que um 1093 standard. Por baixo 65 cv contra 42 cv.

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  16. Guilherme,
    Foi o que disse, diversão pura. Era muito bom de andar e tinha um certo charme.

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  17. Felipe Marcel
    Que história fantástica!

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  18. Esse post deu saudades de um Gordini III que meu pai tinha até eu fazer 5 anos, quando começaram os Fuscas em casa.
    Hoje em dia vejo o carrinho e fico me perguntando como meu pai fazia para entrar no carro com 1,86m de altura... como as portas são minúsculas!
    E ainda tinha o "detalhe" do abastecimento ser feito com o bocal dentro do cofre do motor. Emoção pura, principalmente com o motor quente.

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  19. Uma das cores exclusivas do 1093 era um vermelho vivo "a la Ferrari", muito bacana.

    Se não me engano, outra diferença em relação ao Gordini era a ausência da lanterna cromada para a iluminação da placa traseira.

    Parece bizarro nos dias de hoje - mas na época, bastavam essas pequenas diferenças no visual para levar a galera ao delírio.

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  20. Eneégles Steo18/01/11 07:48

    são os famosos veículos da linha "Leite Glória": desmancha sem bater

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  21. Claude de Javel18/01/11 08:25

    Tive um 0 km, e não foi nada de "leite Glória", pelo contrário agüentou até os 100.000 km as minhas loucuras de adolescência.

    Bob, por favor, se você tiver esta informação me diga até quanto marcava o velocímetro do 1093. Tentei ver aí na foto mas não deu.

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  22. Celso Fogaça18/01/11 08:42

    Bom dia Bob,
    é a 1ª vez que escrevo, mas sigo o Autoentusiastas a muito tempo. Tive 1 Gordini III (67) herdado do meu avô. O 1º com freios a disco!!! Belo post. Saudade grande do meu 1º carro. Abs. Celso Fogaça

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  23. Bob,
    Na minha ignorância, sempre achei que 1093 fosse a cilindrada. Se fosse mesmo o carrinho seria muito mais esperto, né? Na época eu nem carro tinha, mas para mim o 1093 era
    o máximo entre os pequenos, tirando as berlinetas.
    Frequento o Anhembi e outras feiras e nunca vi um desses. O volante que
    aparece na foto é original?

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  24. Paulo Levi
    Isso, o vermelho era lindo! Acho que o detalhe da carcaça da luz de placa era isso mesmo.

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  25. Bianchini
    De fato, era incrível como pessoas altas conseguiam entrar nesses pequenos carros. O mesmo o Renault 4CV "rabo quente" e o Fiat 500 de 1957.

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  26. Eneéles Steo
    São os famosos apelidos criados pela concorrência, como o Fusca com teto solar chamado de "Cornowagen", invenção de um gerente de marketing da Ford ou "Belo Antônio", possivelmente criação da Willys para arrasar com o Simca Chambord.

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  27. nrporto
    Não se preocupe, essa impressão de que 1093 era a cilindrada muita gente teve, até em revista especializada. Não tenho certeza, mas acho que o volante da foto não era original. Foi a única foto do painel que encontrei, queria mostrar o conta-giros Jaeger

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  28. Celso Fogaça
    Tudo bem, amigo? O IIi com freio a disco era mesmo muito legal e já tinha tensores para localizar axialmente o semieixo.

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  29. Claude de Javel
    O velocímetro ia 180 km/h. De "Leite Glória" a família 109x não tinha nada, está aí você para provar.

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  30. Curiosidade:
    O lançamento do 1093 foi realizado em Interlagos, com vários pilotos de competição levando o público presente para uma volta rápida, nos vários carros disponibilizados pela fábrica.
    Eu,aos 18 anos, um gordinista de carteirinha e feliz prorietário de um Teimoso, não perdi o evento e andei no velho Interlagos a bordo de um 1093 dirigido pelo Marivaldo Fernandes.

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  31. LuizMSampayo18/01/11 11:06

    Bateu saudades ver esse beige metalico no post, igual ao meu primeiro carro adquirido em set 65. Não substimem esse miúdo, com alguns temperos, fez duas passagens a 144.3 no plano a nivel do mar e com gas do aeroclube. O incoveniente eh que não era mt confiável, mas seu proprietário acabava aprendendo mecanica. Com certeza Tufão e JK não o viam soh pelo espelhinho.

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  32. Aléssio e Bob, muito obrigado pelas respostas. Meu carro é ano 1988, motor 1300 com câmbio de 4 marchas. O carro é todo original e tem a carroceria bem íntegra, até agora não vi nenhum ponto de ferrugem. Usa rodas originais e pneus 165/70-13.
    Aléssio, se puder me mandar as fotos, eu ficaria muito agradecido. Eu acho extremamente válida este tipo de melhoria de performance com peças completamente "plug and play" de fábrica. Meu e-mail é pedrobergamaschi@ig.com.br

    Pedro Bergamaschi

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  33. Daniel San18/01/11 12:04

    Devia ser mesmo muito divertido de pilotar,com motor traseiro à la Porsche. Mas me tire uma dúvida: Como conseguiam fazer um carro bom de curvas com semi-eixo oscilante? Nos VW a ar esse sistema era uma armadilha,bem como no Chevrolet Corvair e no Mercedes 300SL.

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  34. BS
    Devia ser um carrinho realmente divertido..
    Mas falando em classicos da Renault: peco a vcs , se possivel , um post com o saudoso Alpine A110 que teve uma carreira gloriosa nas pistas e rallies nos anos 60/70.
    Abs

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  35. Eurico Estima18/01/11 18:42

    Bob: Pelo que me lembre, o 1093 tinha afogador manual, que era acionado "puchando-se" um botão entre os bancos dianteiros (atrás do freio de mão), de trás para a frente. - A pouco tempo vi um Interlagos assim.
    Abraços.

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  36. Claude de Javel18/01/11 20:21

    Bob, veja este site lá da terrinha:

    http://r1093.pagesperso-orange.fr/Acceuil/Fracceuil.html

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  37. Tive um Gordini 62 comprado quase zero km, do qual gostava muito. Esperto e moderno em relação ao Fusca, embora tivesse umas coisas chatas: uma vez bati em um buraco ( até raso) e notei que o bichinho passou a andar meio de lado (só agora soube da deficiência da fixação dos semieixos, que obviamente foi a causa). Mas sarou disso em pouco tempo, no entanto, ao bater em outro buraco. Outra coisa era o superaquecimento em qualquer subida mais prolongada, que atribuo ao fato de o radiador ficar atrás e a entrada de ar na frente, o que exigia mangueiras (de ar) atravessando todo o carro, com evidente perda de eficiência.
    Mas tenho saudades dele.
    Abraços.
    Fabio D.M.

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  38. Daniel San
    Como você acha que Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna aprenderam a pilotar? O semi-eixo oscilante, embora precário, ensina muito.

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  39. Marcelo Augusto18/01/11 22:52

    ... e depois ainda há mal formados e informados que reclamam do comportamento dinâmico de qualquer carro atual.

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  40. Eurico Estima
    Tudo bem?
    Não era botão sob o painel à esquerda, meio escondido? Mas não tenho certeza. Talvez você esteja certo.

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  41. Claude de Javel
    Dados meio fantasiosos, como máxima de 150 km/h e potência de 49 cv DIN. Mas obrigado, valeu.

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  42. Anônimo 18/1 21:36
    O meu 1093 e um Gordini 62 do meu irmão nunca superaqueceram, mesmo no Rio de Janeiro. Seu carro deveria ter algum problema, possivelmente na bomba d'água ou na válvula termosstática.

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  43. Bob Sharp,

    Fiquei surpreso em saber que o Dauphine "batia" os Gordini em pegas de subida. A diferença de potência máxima era bem significativa, ainda mais com uma marcha a mais para o Gordini.
    Vendo as Edições antigas de Quatro Rodas vi que o peso do Gordini era também superior em ~ 100 kg. Calculei a relação de peso / potência máxima. Vi que ficam bem próximas. Esse talvez seja outro motivo para o desempenho dos Dauphines, além de uma curva de potência mais plana, ou os carros eram aliviados para o pega? Âliás, você acredita que havia realmente essa diferença no peso ou houve mudança na forma de pesagem. Lembro que a Ford indicava o peso em ordem de marcha para o Hobby incluindo 75 kg como média de peso para o condutor.
    Segue dados que coletei nas edições de Quatro rodas. Os cálculos da relação peso / potência são meus. Também vi que a velocidade não era aferida, mas a indicada.

    Renault Dauphine - Peso 650 kg
    relação peso / potência = 25 kg/cv

    marcha / vel max. / capacidade de subida
    1ª 3,70 40 km/h 29,7 %
    2ª 1,80 90 km/h 13,0 %
    3ª 1,07 120 km/h 5,4 %

    Diferencial 4,375



    Renault Gordini - Peso 750kg
    relação peso / potência = 23,4 kg/cv
    marcha / vel max. / capacidade de subida

    1ª 3,70 40 km/h 29,8 %
    2ª 2,27 70 km/h 15,9 %
    3ª 1,53 100 km/h 10,9 %
    4ª 1,03 130 km/h 6,2 %

    Diferencial 4,375

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  44. Pedro Bergamaschi;

    Vou bater as fotos e mandar pra vc depois, ok? So preciso de um tempo.
    O meu cabriolet é 87, e como seu, também é 1300, mas mudei a caixa para 5 marchas pq não aguentava mais procurar a 5a... (coisa que todo mundo faz ao dirigir a kombi hehehe).
    O meu email é alessiomarinho@gmail.com

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  45. Bob, no caso do semi-eixo oscilante e dos campeões, vale lembrar que o Piquet também tinha alguns motivos a mais para aprender a andar rápido aqui nas ruas de Brasília...

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  46. Rômulo Rostand
    A vantagem do Dauphine era apenas naquela subida de serra específica. É claro que o Gordini tinha desempenho superior com motor 6 cv mais potente e quatro marchas, em que a segunda do 3-marchas do Dauphine foi dividida em duas, como fica claro nos dados que você mandou. Também, o Gordini não era tudo isso mais pesado que o Dauphine. Estimo no máximo 30 kg mais por conta do transeixo de quatro marchas e de alguns detalhes de acabamento.

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  47. Marcos
    Até sair o novo Código de Trânsito em 1997 e antes dos radares andava-se bem rápido em todo o país, não só em Brasília. Como escrevi em "Por muito pouco", a BR-495 Itaipava-Teresópolis era a minha "pista".

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  48. Bob Sharp,
    Aqui no NE, acho que venderam poucos Dauphine/Gordini, DKW e Sedan VW eram a maioria dos pequenos. Nos anos 70 um vizinho nosso em Campina Grande tinha um Gordini. Achava o som espetacular, principalmente porquê ele costumava esticar as marchas. Se desfez do carro após quebrar o braço dando partida no motor com a manivela. Senti muita falta daquela sonoridade que também era "pura diversão". recentemente vi um em Maceió rodando no dia a dia, mas com motor de Corcel, sensação de alegria para os olhos e frustração para os ouvidos...
    Obrigado, belo post!

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  49. Rômulo
    Puxa, seu vizinho quebrou ao braço ao usar a manivela para dar partida? Que lamentável! A manivela tem de ser acionada puxando, não empurrando.

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  50. Marcos;

    Bons tempos antes dos pardais. Andava-se a media de 120 no eixão, e não tinham problemas. Hoje, andar a 90 é considerado um crime.

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  51. Bob, no caso do Piquet era por causa dos rachas e pegas mesmo, tanto que até hoje algumas de suas histórias são relativamente conhecidas por aqui (inclusive usando Kombi com câmbio montado ao contrário, segundo a lenda). Quem era daquela época diz que a polícia não dava sossego.

    Aléssio, ainda temos alguns lugares que se salvam mais ou menos. A L4 seria um desses, já que os pardais são bem espaçados, pena que a drenagem seja tão boa quanto um guarda-chuva de ponta-cabeça (ainda não me acostumei com a reforma ortográfica).
    Mesmo gostando de andar rápido com um carro de escape direto, reconheço que os pardais foram úteis. Lembro que quando era moleque toda semana baixava o helicóptero do corpo de bombeiros perto de casa - moro nas 200 - para socorrer alguém que tinha batido forte. Mas tirou toda a graça das pistas brasilienses e se tornou uma indústria de multas, algo recorrente em todo país.

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  52. Pois é Bob,lamentável
    Acho que ele não sabia desse detalhe ou simplesmente ignorou.
    Partida de emergência por manivela era um recurso já incomum na época e pequenos acidentes com meu vizinho eram corriqueiros. Àquela altura já era um senhor de 60 anos, mas uma dessas figuraças super engraçadas. Adorava carro com motor girador, não gostava do VW a ar. Eletricista de profissão, mas apaixonado por carros. Gostava muito de acelerar. Sempre que trocava de carro matava a curiosidade da molecada da vizinhança com apresentação das virtudes e detalhes mecânicos da nova aquisição. Quando era um dos seus três filhos que estreavam um novo carro eram logo convocados para um pega, imagine! Aliás, o mais novo era todo certinho no volante, quase um "roda presa". Racha ou mesmo carona só pegava com os dois mais velhos.
    Assim como o Gordini, mas felizmente muitos anos depois, nos deixou muitas saudades.

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  53. Marcos,
    Claro que era nos pegas, assim como os outros dois campeões de F-1 citados, fora muita gente boa.

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  54. Marcos,

    Sim, realmente o pardal foi um mal necessário. Lembro que na época da instalação (1996) o pessoal do DFTV entrevistou o Presidente do Detran a época (um japa de sobrenome Miura) e argumentaram que vários mecanicos afirmavam que andar devagar (60 km/h) estragava o carro. Sábio, o Miura respondeu que tinha um fusca e que andava dentro do limite, e que seu fusquinha nunca havia quebrado nada.
    Matou na unha um argumento idiota desses.
    A velocidade média nos eixinhos era de 100 km/h, realmente um absurdo, mas se andava com relativa segurança, pois a quantidade de carros era menor e todos andavam nesse ritimo.
    Mas o que melhorou muito foi o indice de atropelamentos, pois naquela época muitas pessoas se arriscavam a atravessar os exinhos e o eixão "por cima", em vez de utilizar as passarelas subterrâneas, principalmente na asa norte, fechadas a alguns anos pois haviam virado moradia.

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  55. Bob

    Domingo estarei indo pra Brasília, e vou dar uma passada na "minha pista", a TO-010 e a GO-118.
    To precisando calibrar os meus reflexos... heheh

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  56. O post do 1093 empolgou o pessoal, olha lá heim seu Aléssio... hehehe

    Uma pergunta, por que será que sempre quando ando mais forte, mesmo sabendo que foi uma tocada consciente das limitações (minhas e do carro), sinto aquela culpa, aquele peso na consciência, será a tal lavagem cerebral?

    Abs

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  57. Fabio
    Não tenho qualificação para responder a essa pergunta, mas arrisco dizer que você tem forte noção de responsabilidade, daí o sentimento de culpa.

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  58. Valeu Bob!
    Este post fez-me lembrar o meu pai, que nunca me contou sequer uma história dos pegas que fez "nas antigas", minha mãe comentou, porém sem os detalhes (a não ser que abusaram muito na serra velha de Santos), que sempre nós, como bons entusiastas, estamos prontos a ouvir. Acho que foi a tal noção de responsabilidade, que impossibilitou abrir o acervo, tendo em vista o filho ávido por velocidade, mesmo quando ainda não sabia falar... rs*
    Abs

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  59. Este comentário foi removido pelo autor.

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  60. Fabio,

    Estou travado! com meus reflexos calibrados pra andar dentro da cidade. No máximo 50 km/h.
    Qdo viajava direto, vinha numa boa, média de 120/130 e onde era possível, nas rodovias vazias do interior por 2000 ou 3000 km de uma tocada só. O seu reflexo, a atenção, o pensamento, tudo se adapta pra isso.
    Mas era só entrar na cidade, que comecava a errar tudo, pois o cerebro vinha "regulado" pra andar rápido, e como a velocidade baixa bastante, levava um tempinho pra me adaptar ao trafego citadino, uns 2 dias pra "regular" o cérebro pra 50 km/h de novo.
    Entendeu?

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  61. Entendi Aléssio, seus comentários te precedem, você nunca se mostrou um irresponsável, pelo menos aqui no AE... hehehe
    Estava só tem "pondo uma pilha"... de buena onda amigo...
    Sds

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  62. Este comentário foi removido pelo autor.

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  63. Fabio
    Veio daí então a noção de responsabilidade.

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  64. Fábio,

    Sempre fui certinho, apesar de parecer meio aloprado. Dirijo desde os 11. Aos dirigir os carros do meu pai, o fazia usando o cinto de segurança, dentro da cidade. Quem olhava, estranhava, afinal naquele tempo usar cinto em cidade e ainda por cima pequena, era uma aberração. Uso cinto desde os 7 anos, por iniciativa própria, o que incentivo meu filho desde pequeno com uma musiquinha que criei. Ele entra no carro e começa a cantar... Tenho o maior orgulho disso.

    Não se preocupe! Pode comentar o que quiser, desde que não ponha a mãe no meio...hehe

    Abraço!

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  65. LuizMSampayo21/01/11 20:14

    Re 1093 reitero oq o EEstima lembrou: com certeza o botão do afogador manual era localizado logo atrás do freio de mão. Re Dauphine versus Gordine sem alterações e comb&piloto com pesos equivalentes, os 32,5hp do D algumas vezes conseguiam uma ligeira vantagem sobre os 40 de emoção do G. Pelo menos no plano em nossa praia, isso se dava sempre qd no G prematuramente jah tinham passado para a 4 ao redor de 100. Se a 3 de 1,53 fosse levada sem mt esforço a 110, ficava rapido chegar ao limite de +- 130 com a 4 de 1,03 e deixar o D com a 3 de 1,07 no espelhinho. Entre D&G os pilotos faziam a diferença, mas com o 1093 a história foi outra. Qt a manivela de arranque, apezar de tê-la acionado corretamente, trago n'um braço a lembrança de um contra. Ab

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  66. LuizMSampayo
    O leitor anterior tinha razão, assim como você, quanto à localização do botão do afogador do 1093.

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  67. Gostei muito dessa "discussão " em torno desses carrinhos que fizeram e ainda fazem parte da minha história. Tive a sequencia completa nos anos 60 (Dauphine, Gordini, 1093 e Interlagos). Utilizava-os em estradas de terra, visto que na época, poucas eram as estradas asfaltadas no interior do Estado de São Paulo. Hoje, tenho guardados, um Dauphine 60, um Gordini 67, um 1093 e os 3 modelos do Interlagos.O 1093 foi um dos carros que mais gostei na época, principalmente pelo seu desempenho e comportamento esportivo. Mas um porém: Com a 4ª mais curta, tinha que dar muito giro no motor para andar na frente de um Gordini nas descidas...

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