CARROS CAROS. TODOS.

"(Tenho pensado cada vez mais sobre isso e começo realmente a me incomodar com essa disparidade. Não somos ricos, carro não é luxo e teremos que pensar muito seriamente sobre o futuro que queremos. Um dia a maré muda. Argentina, Chile e México tem carros a 50% do que pagamos aqui. Não podemos ser tão diferentes ou tão mais ricos...)"
Assim Marco Molazzano escreveu sobre os preços de carros fora do Brasil, comparados com os daqui, em seu ótimo texto sobre o salão canadense que ele visitou na semana do Carnaval. Se você ainda não leu, não perca, clicando aqui.
Nesta semana de festas, poucos cidadãos se preocuparam com assunto tão chato, o preço dos carros.
Na verdade, acho que o que minha amada esposa diz sobre os preços praticados no Brasil é a melhor definição de todas:" O brasileiro não quer exibir o carro novo porque é bom ou bonito. Quer exibir porque foi caro".
Deve ser mesmo uma doença já incorporada ao DNA brasileiro.
Paga-se caro por qualquer tipo de carro, e com gosto e prazer se exibe para a família, amigos e vizinhos. Como se fosse bacana ser enganado, extorquido.
Mas o automóvel é uma entidade entusiasmante. Alguns se matam de trabalhar para ter o carro dos sonhos, considerando-o até mais importante do que a casa onde moram. É comum ver residências em mau estado de conservação com carros novos nas garagens, um fenômeno dos ultimos anos, quando o carro foi popularizado por financiamentos lastreados em lucros exorbitantes dos bancos, que sempre foram o melhor negócio por aqui (junto com as seguradoras), excetuando-se as empresas governamentais.
Afinal, nada como vender cédulas de 5 reais por 8 ou 10, não é mesmo ?
Muito interessante e sintomático ver as matérias sobre endividamento da população, veiculadas na semana do Carnaval, reportando que os brasileiros devem, coletivamente, algo como R$ 555 bilhões.
Muito bacana mesmo, superengrandecedor para essas pessoas que contraíram dívidas fazer parte dessa estatística.
Ainda bem que meu pai me ensinou a só comprar o que se pode pagar.
Ele cresceu com pouquíssimos recursos financeiros, em um País em que não se pode confiar, seja lá qual tipo de governo esteja com o bastão na mão, e me passou essa lição de forma contundente, prática, através da compra de meu primeiro carro, um Chevette 1978.
O pequeno Chevrolet veio bem usado, com motor superdesgastado e com um carnê para terminar de pagar. O caminho mensal até o guichê da financiadora era uma tristeza, e nunca vou me esquecer do quanto é desagradável se desfazer de uma parcela do seu salário todo mês, para pagar por um bem já envelhecido. Exatamente como ocorre hoje com os financiamentos com prazos exagerados.
Carro novo é bom, eu sei e todos aqui sabemos. E poucas pessoas, em saúde mental normal, afirmarão que não querem um carro novo. Eu também quero.
Mas ler um pensamento como do Molazzano, que bate totalmente com o meu nesse ponto, me deixa tão preocupado quanto ele ficou incomodado.
Não é justo. Não é democrático. Não é sintonizado com a realidade pobre do Brasil esses preços que pagamos por carros novos.
Apesar de eu ter inúmeras restrições a quem dita as regras do mercado de carros usados, não posso deixar de entender que estes acabam tendo valores mais de acordo com o que deveriam custar quando novos.
Temos um sobrepreço, apenas devido a impostos, de algo por volta de 40% do preço de venda. Se removêssemos esse cancro que adoece a Nação, ainda assim haveria um bom imposto para os governos se esbaldarem em dinheiro alheio.
Aí sim teríamos preços mais humanos, de acordo com a capacidade de economizar das classes baixa e média.
Mas sou apenas um sonhador, um inconformado com o sistema atual, que teve a sorte e privilégio de participar desse amado blog, que me faz bastante feliz, e onde posso expor o que penso, e tentar entender se estou maluco ou o resto da Nação é que está alheia a realidade.
E não, não tenho avião para atirar sobre nenhum edifício público. E espero que aqui ninguém faça nada parecido. Iriam faltar aviões.
JJ

34 comentários :

  1. Lamentável JJ.

    Concordo muito com você.

    Quando era mais novo, não tinha carro porque juntei cada centavo para ir para a Universidade.

    Fiz assim, foi opção. Achei que poderia ter o carro que quisesse depois quando desse para pagar. E foi isso que eu fiz. O primeiro carro novo veio apenas com 26 anos de idade. Isso por ter passado 5 anos sem carro já que tinha vendido para investir em trabalho e estudo.

    Valores é isso mesmo. Não adianta pensar em certas coisas sem ter as mais importantes primeiro. Depois, acaba vindo sem perceber e se torna um prazer.

    Acho um total roubo os preços de várias coisas no Brasil, pincipalmente, considerando o ganho médio.

    Mas acho que a solução é igual à todo pais desenvolvido: só resolve pegando em armas. A índole do Brasileiro é de aceitar e ser um pacato cidadão.

    Tem que cobrar na ponta da faca, só assim resolve.

    um abraço.

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  2. Acho impressionante que carros fabricados aqui no Brasil, exportados para países vizinhos, saem pela metade do preço daqui. Não há explicação lógica.

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  3. Daniel,
    e explicação está simplificada no texto: impostos extorsivos, autêntico assalto permitido pelo povo brasileiro.

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  4. Bem escrito, Juvenal.
    Bem lembrado, Carlos. Quase tudo no Brasil custa muito caro, principalmente considerando nossa renda média. Não me canso de bater nessa tecla.

    Eu mesmo, se fosse converter meu salário em dólares e a GM vendesse aqui o Camaro pelo mesmo preço que é vendido nos EUA, ainda seria um sonho distante ter um LS 0 km. Assim como é, hoje, comprar um reles Mille 0 km, pois ganho menos que o salário mínimo americano e não sou louco de comprometer uma boa fatia do salário só pra ter carro zero.

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  5. Juvenal, me desculpe, mas acho que o caminho não é esse. O carro é caro porque as pessoas pagam! É caro porque as pessoas se dispoem a pagar o que as fábricas pedem! A péssima mania do brasileiro de comprar só o que vende fácil depois, deforma sobremaneira o mercado, ou voce não lembra as exorbitancia dos VW nas décadas de 80 e 90? Veja os Hondas hoje, amigo, o quanto as pessoas se dispoem a pagar por eles. Há carros melhores e que custam menos! Mas as pessoas gostam (e pagam) por um visual de jaspion...
    Juvenal, os impostos no México são também absurdos e os carros são muito muito mais baratos além de uma "fauna" muito maior.

    Se a deamanda é inelástica (a quantidade demandada varia proporcionalmente menos a um aumento no preço), o resultado é esse, meu amigo, é ferro!

    Para mim, a explicação do absurdo preço dos carro e motos no brasil é justamente a falta de educação do brasileiro que não quer, ou não sabe, avaliar e questionar os preços.

    Veja bem, Juvenal, os preços de uns carros 0km no auge da crise: peugeot 307 - 46
    azera - 68
    sentra - 47
    novo focus - 48
    TODOS esse carros estão pelo menos uns 7 -8 paus mais caros hoje. A culpa é do IPI que acabou?! hahahaha!

    O QUE DETERMINA O PREÇO DOS CARROS É A DEMANDA.

    Abraço


    Lucas

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  6. JJ,

    Concordo em tudo, completamente. Já passou da hora dessa gente bonita realmente mostrar seu valor e se revoltar contra IMPOSTO.

    Sem ideologia; cobrar dinheiro e não me dar nada em troca é roubo.

    MAO

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  7. Lucas, concordo com vc em gênero, número e grau!!!
    Diminuir os impostos sobre carros neste momento, somente migrariam os compradores de motos para carros, que não podem pagar por um carro, mas mesmo assim se jogariam de cabeça num financiamento, travando ainda mais o trânsito da megalópole.
    Antes de tudo é necessário infraestrutura, antes ainda... EDUCAÇÃO! bom... isso já virou chavão.

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  8. O problema é esse que o Lucas falou mesmo.. enquanto tiver gente pra comprar toda a produção nacional as fábricas não vão baixar o preço! Eles estão vendendo cada ano mais.

    Só nos resta torcer pela chegada dos chineses e pela nacionalização dos coreanos, para impulsionar a queda de preços e melhorar um pouco a qualidade, porque se pagassemos caro pra andar nos mesmos carros que os europeus não tinha problema!
    Pra mim o maior absurdo é pagar mais caro aqui do que na Inglaterra(que também tem uma baita carga tributária) e receber um carro com qualidade inferior a da África do Sul e China.

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  9. Lucas,

    Imposto pago é imposto pago. Demanda mexe até certo ponto. Mesmo os preços "de crise" são altos demais.

    É uma vergonha a gente pagar mais que todo mundo por carros.

    MAO

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  10. Gente, imposto.

    Qualquer um que vier aqui paga imposto. A demanda alta ajuda, mas a gente NUNCA vai ter Camaro V6 a 23 mil, mesmo se fosse feito aqui para exportar pros EUA.

    Concordo que as empresas aproveitam muito a demanda alta, mas pensem bem...

    MAO

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  11. MAO

    Imposto e safadeza!

    Quatro Rodas e Best Cars já mostraram que se igualássemos o imposto ao americano, que é baixíssimo, considerando escala de produção e demais variações de mercado, ainda há uma boa sobra de lucro por estas bandas.

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  12. Imaginem que carro fosse barato (seja por baixo custo de produção ou por impostos baixos).
    O que aconteria? Venderia muito mais. Economicamente falando, tudo muito legal.
    Trafegamente falando, seria um desastre! Onde o povo enfiaria tanto carro? Já temos consequencias visíveis do IPI baixo que vigeu recentemente.
    E agora? Se não há infra-estrutura, de que adianta ter carros baratos? Comprar só pra deixar na garagem, e trafegar entre 0:00 e 4:00 da madrugada? Não vai resolver.

    O Scheidecker falou em pegar em armas. Olha, eu até concordo, mas nas últimas vezes que algum grupo tentou isso (Revolução Farroupilha, por exemplo), não deu certo. O Estado cai em cima, matando mesmo (literalmente). Também por isso criou-se a lei de que é impossível ter porte de armas, e portar ilegalmente é crime. Ou seja, qualquer um que se rebelar contra a "ordem nacional" é considerado criminoso e vai pra cadeia ou leva bala mesmo. Também por isso que o brasileiro é sempre um pacato cidadão. O país não nos dá outra opção.

    Não tem saída! O Bob Sharp sempre diz que há de se reformatar tudo. Sim, mas o Estado já está munido de artefatos jurídicos e policiais para impedir isso (aliás, neste aspecto, o Estado é MUITO eficiente).

    Não temos regime democrático, e sim regime demagógico. Então, não há muito o que fazer. Quer lutar contra o Estado? A única forma é deixá-lo morrer de fome, ou seja, sempre que possível, sonegue.

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  13. Ao nosso amigo bussoranga, lembro lembro que sonegar também é contra o estado, e se decobrir, cai em cima.

    "...mas o Estado já está munido de artefatos jurídicos e policiais para impedir isso."

    É exatamente isso. O Estado impõe e faz o meios de garantir que nada será contrário.


    Esse país não tem solução. Talvez umas dúzias de 'Fat Man' e 'Little Boy' ajudassem...

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  14. Ok, MAO, de fato tem a parcela de impostos. Mas é muito simples jogarmos toda a culpa nos governos, quando a culpa é na verdade nossa, que aceitamos pagar caro !!! Se ninguém comprar, o preço cai! Veja o que aconteceu na crise!

    Por que, MAO, por que os carros subiram tanto como exemplifiquei?!?! A mudança no imposto foi mínima!!! Quer exemplo mais cabal que foi a demanda que deslocou os preços para cima? E outra, muitos outros países tem impostos pesados, e os veículos não são tão caros.

    Você conhece a Honda Hornet, claro. Forte conteúdo importado, coisa fina. Quando aquela galiqueira foi lançada, em 2004, custava exatos 10000 dolares. Lembra quanto era o dólar? te ajudo: 3 rex. Esse mesmo dólar bateu em 1,55. E o preço da moto, reduziu também? Nem um centavo! E a culpa é dos impostos... hahahaha. Claro que eu sei que na composição dos custos da moto há componentes em reais, que não variam com o dólar. Mas sabemos que grande parte do custo é vinculado à moeda americana.

    Eu acho é que devemos parar de chorar, reclamando de que tudo é "culpa do governo", e fazer nossa parte de consumidores inteligentes e conscientes, nos informando, pesquisando, lendo e ousando na compra de nossos amados carangos.

    Valeu, Fábio!
    valeu, Ivo!

    Abraço a todos

    Lucas

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  15. Sabem aquele velho papo do "pão e circo"? Pois é: brasileiro é um povo tão à toa, mas tão à toa, que não precisa nem de pão, basta-lhe o circo. É o carnaval (no Rio, 15 dias antes, já havia blocos na rua, f*dendo mais ainda o trânsito, para quem queria trabalhar), os demais feriadões, o futebol (neguinho pode passar a mão na bunda da mulher do cara, mas se falarem mal do time dele, sai crime de morte). Agora teremos a Copa aqui, e logo depois, as Olimpíadas. E por falar em Olimpíadas: viram a quantidade de vagabundos na praia de Copacabana, em pleno dia de semana, para torcer para que mais este "circo" fosse realizado aqui? Se fosse uma convocação para protestar contra as milhares de coisas (inclusive impostos) que fazem da vida do cidadão um inferno, não juntava meia-dúzia. "Circo" é o que o povo quer, "circo" é o que o governo dá, para manter seu "gado" mansinho. Basta ver o enorme esforço que fizeram para trazer Copa e Olimpíadas para cá. Eu já desisti desta m*rda. O final dos tempos vai chegar antes que este país vire alguma coisa séria. E que na próxima encarnação, se isto houver, eu nasça na Dinamarca, na Finlândia, ou na Noruega.

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  16. JJ, muito obrigado por tocar neste importante assunto.

    Devido aos altos preços do "carro zero", passei a comprar usado.

    Posso comprar um modelo melhor e ainda por cima deixo meu dinheiro nas mãos de um cidadão e não do governo.

    Sim, eu também quero carros novos mais baratos. Por outro lado, sou obrigado a concordar com o bussoranga: imagine o impacto negativo que isso teria em nosso já terrível trânsito?

    Educação em todos os níveis, policiamento de trânsito adequado e muita infra-estrutura teriam de vir antes de uma queda de preços.

    Lembrem-se de que muita gente que nem de escada rolante sabe andar hoje tem carro.


    Abraços!
    Fernando Silva

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  17. E por falar no assunto...:
    http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2010/02/23/arrecadacao-federal-e-recorde-para-janeiro.jhtm

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  18. Pedro,

    Voce tem razão: se sonegarmos, o Estado cai em cima.

    Porém, o Estado é um grande moleque que finge ser um gigante. Ele não é gigante! Ele não consegue fiscalizar tudo o que deveria, pois não há recursos humanos suficientes para isso.

    Basta verificarmos de quantos funcionários é composta cada repartição alfandegária e demais departamentos responsáveis por entrada de materiais importados. É impossível se fiscalizar tudo. Por isso que ainda há uma grande entrada de materiais "subtributados" ou não tributados.

    O investimento que o Estado teria que fazer para combater totalmente a sonegação seria astronômico. Não tenho números a mão, mas desconfio que o investimento seria tão grande que sairia mais caro do que a arrecadação perdida em sonegação, ou seja, isso sim eles estudam direitinho (ao menos nisso eles são muito competentes). Aliás, por incrível que pareça, o governo federal tem sempre a tendência de contratar gente muito competente (pena que para executar tarefas para benefício puramente governamental e não para benefício populacional) mas em quantidade ínfima.

    Enquanto o governo agir assim, com infra-estrutura tributária insuficiente, pode-se continuar aplicando a idéia de sufocá-lo via sonegação. Ele tem se tornado gradualmente mais esperto, mesmo assim, ainda está longe de ser algo não enganável.

    Mesmo assim, infelizmente o resultado final é esse mesmo que voce constatou: não há solução. A sonegação é apenas um paliativo, um meio de se empurrar o problema com a barriga.

    No final das contas eu tenho pena do povo brasileiro. O povo é o que é porque foi lhe surrupiado o direito básico a educação.

    Voltando ao assunto carros: quer fazer os preços baixarem? Então, ao contrário de posts recentes, não compre carro 0km! Além do mais, salvo um ou outro, são todos muito ruins. Eu mesmo, de 2005 em diante, parei totalmente de comprar carro novo, só compro carro usado. Tem que ter muita paciência para pesquisar e ver ao vivo centenas e centenas de exemplares, mas vale muito a pena. A minha "esquadra" de carros iguaizinhos vai muito bem, obrigado.

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  19. O JJ foi muito feliz em tocar no assunto de preços abusivos dos carros nacionais. Fiquei satisfeito em perceber, pelos comentários, que TODOS, sem exceção, têm bom conhecimento da causa dessa avalanche de preços e impostos altos que vigora "neste país", o que está na base dessa pirâmide daninha: educação.

    Educação como um todo, aquela cultura e sabedoria que é comum de se encontrar nas pessoas de mais idade. Aliás, não é de se estranhar que aqui no Brasil a falta de respeito pelos idosos seja tão gritante...

    O carro no Brasil é caro por causa dos impostoso altos, margem de lucro gorda por parte dos fabricantes e a mania de comprar carro para impressionar o vizinho. Quanto mais caro, melhor, mostra que o cara está "por cima da carne seca". Nem que tenha que financiar por 72 ou 80 meses, o sujeito compra o carrão novo e "paga um pau" pra galera...

    Não tem muita saída, as soluções são difíceis e o efeito só se veria a longo, muito longo prazo. Sim, veria. Não vejo muita esperança de algo mudar, já que boa parte dos brasileiros vota sem interesse algum de escolher ao menos os "menos piores" no meio do bolo político e não tem o mínimo senso de cidadania.

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  20. JJ,

    é deprimente. Apesar de ter provocado indiretamente este ótimo post e toda a discussão, é um tema muito deprimente.

    Costumeiramente venho trabalhar a pé. Costumo fazer os 4,5km mais rápido a pé do que de carro nas tardes de trânsito intenso (95% delas). Pela manhã, é um saudável exercício leve. Incontáveis vezes fui ameaçado na faixa de pedestres por algum estressado apressadinho. Aí lembro de cruzamentos enormes em Toronto, com 3 faixas de cada lado de uma avenida, e os carros podem tanto virar à esquerda (aguardando civilizadamente), quando aguardar QUALQUER pedestre atravessando. E a cidade não pára por causa disso. Respeito. Falta ao "poderoso" motorista de um carro que não respeita o frágil pedestre, ao "poderoso" motorista de ônibus que usa e abusa de seu tamanho nas ruas, como falta ao político que não cuida do nosso dinheiro. É a sociedade inteira. O poder nos corrompe muito mais que em outros lugares e nada aqui "é de todos". Se é público, não "é de ninguém". Precisamos reiniciar o sistema, como brada o Bob Sharp...

    MM

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  21. Nós pagamos 83 impostos diferentes e trabalhamos quase cinco meses EXCLUSIVAMENTE para pagar todos estes impostos. A carga tributária brasileira é um absurdo, mesmo sem considerar o quase nada de retorno que recebemos por nossos impostos. Considerando, fica uma extorsão, um assalto institucionalizado.
    Uma motocicleta acima de 125 cc paga 51% de imposto; a conta de luz tem 45% de imposto; telefone, 47%; gasolina, 57%; vassoura, 26%;
    macarrão, 37%; sal, 29%. Abs,Fred.

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  22. Também já pensei na opção de se todos que fossem comprar carros, os comprassem usados para não se pagar o extorsivo imposto de de 45%, mas como disse o Bussoronga e outros, a máquina
    certamente acharia uma maneira de não sair perdendo, fazendo coisas do tipo (aumentar o IPVA em 1000% sobre os veículos usados, para inviabilizar sua compra,restrições no quesito inspeção (tipo a cada seis meses teriamos que pagar a um orgão credenciado para faze lá , vale lembrar o que fizeram com as motos, com a alegação de que os custos médicos são altissimos, depois dessa não podemos duvidar).
    As vezes uma opinião própria magoa muitas outras pessoas, mas aqui sei que posso falar mais abertamente, e tenho que concordar com a que foi dito acima, o brasileiro gosta e de uma boa festa, futebol e carnaval, para comprovar e fácil, faça uma votação nacional citando as maiores prioridades do pais tais como educação, saúde, saneamento, transporte, e entre elas coloque copa do mundo, olimpiadas, não iria me assustar se bem, bem no topo estivesse copa do mundo.
    Já tive de ouvir que na eleições devemos pesquisar antes de votar, mas convenhamos, como vamos adivinhar o que se passa na cabeça de uma pessoa com quem não convivemos dia a dia para saber sobre sua índole, acho difícil ter político honesto a ponto de fazer o que tem de ser feito, priorizar o básico, o inicial da coisa para uma população que é educação de boa qualidade e não ficar mostrando números quantitativos, saneamento, eu teria vergonha como presidente em sediar copa em uma cidade que o esgoto corre a céu aberto. Em fim e realmente muito triste ser um pouco esclarecido e saber o quanto vai mau nosso país que tem tudo para ser justo e realmente grande, abraços a todos.

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  23. Brasileiro compra prestação, não valor cheio.

    Esse é o problema. A carga tributária é secundária.

    Exemplifico:

    Em 2000, comprei um Palio EDX 97 que custou, a época, 10.500 Reais em suaves 36 parcelas de 400 e poucos Reais.

    Em 2010, o mesmo carro pela tabela fipe custa R$ 10.310,00.

    Ou seja, 10 anos depois, o carro desvalorizou R$ 190,00.

    A carga tributária não explica isso. O que explica é que naquela época, salvo engano, o maior financiamento era em 36 parcelas. Assim, para se ter uma prestação em torno de R$ 400,00, o carro teria de ser barato.

    Atualmente, se compra um carro com o mesmo valor de parcela, mas em 72x.

    Ou seja, o brasileiro continua pagando R$ 400,00/mês em um carro, só aumentou o tempo e, para o cidadão comum, isso é o de menos.

    Todos culpam o governo, mas alguém notou que as fábricas brasileiras foram as que menos sofreram com a crise?

    Ao contrário, em plena crise a demanda aumentou, e mesmo com a diminuição do IPI, o valor do carro diminuiu pouca coisa.

    Um KA pré-crise era comprado a R$ 25.000,00, hoje, a R$ 23.000,00.

    As fábricas faturam muito aqui nesse país e jogam a culpa apenas na carga tributária, quando suas margens de lucro são exorbitantes.

    Em tempo, em 2001, com o dólar quebrando a barreira dos R$ 2,00, com imposto de importação a 70%, uma Kawasaki zx-6R custava cerca de R$ 25.000,00.

    Hoje, uma zx6-r 0 km, custa quase R$ 50.000,00, com o dólar mais baixo.

    100% de aumento em 10 anos não são justificados pelo aumento do custo funcional ou da carga tributária.

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  24. Bera silva24/02/10 14:06

    Continuando o raciocínio apresentado, mostro um link sobre o grau de liberdade da economia brasileira (http://www.midiasemmascara.org/artigos/economia/10816-economia-hong-kong-vs-brasil.html)e outro link com uma tabela comparando o grau de liberdade de todos os países (http://www.heritage.org/index/Ranking.aspx).
    Vou fazer uma continha: O Camaro: US$23000,00. Vamos considerar mais US$2000,00 de transporte até o Brasil (Não faço idéia de quanto seja o custo do transporte entre EUA-Brasil, isto é um C.H.U.T.E., ok!). Vamos calcular o imposto de importação (35%) 23000+2000 (valor do produto mais frete) US$25000,00 x 0,35=US$8750,00. Preço final teórico no brasil: US$33750,00 = R$61100,00. Com certeza ele não chega aqui a menos de R$150mil. Claro que não leva em conta o custo de produção brasileiro, com seus impostos em cascata, suas CLTs, suas greves, regulamentações, etc. Só formatando mesmo...

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  25. Marcelo R.24/02/10 14:20

    JJ,

    O que o Lucas citou é a mais pura verdade: carro aqui é caro por uma simples questão de status (dá status ter carro, ainda mais se for 0Km e mesmo que seja um simplório Uno Mille...). Vi no CDM, certa vez, uma frase/definição sobre status que achei fantástica: Status é você gastar o dinheiro que você não tem, para comprar algo de que você não precisa só para mostrar para alguém de quem você não gosta, uma coisa que você não é...

    Os impostos ajudam nestes preços superfaturados? Lógico que ajudam. Mas, eu tenho certeza que o status faz um estrago muito maior...

    Certa vez eu participei de uma pesquisa sobre um novo provedor de internet e, ao final da mesma, fizeram a famigerada pergunta: "Quanto você está disposto a pagar por este serviço?"

    Fico me imaginando participando de uma destas clínicas, por exemplo do futuro Fiat Bravo, e alguém me fazendo esta pergunta... Eu juro que responderia que pago no máximo R$ 30.000,00 pela versão mais completa do carro, levando em consideração os preços que eu consigo descobrir nos sites das fábricas, em outros países... Acho que eu ainda estaria sendo muito bonzinho, e pagando mais do que deveria...

    Alguém aí em cima falou que o preço do usado é o que deveria ser o preço do mesmo carro, 0KM, e eu concordo plenamente! De qualquer forma, também sou obrigado a concordar que se o carro tivesse o preço certo aqui, e a gasolina fosse R$ 1,00 o litro, nós viveríamos em um enorme congestionamento. Não só pela quantidade de carros mas, principalmente, pela falta crônica de infraestrutura viária e educação no trânsito (e em geral)que temos por aqui.

    Vou relatar o que aconteceu comigo: Em 2008 eu fiquei "babando" pelo Novo Gol, e decidi que ia comprar um (mera compra emocional). Porém, a dona VW ficou enrolando para divulgar a tabela de preços dele e as concessionárias deitaram e rolaram cobrando ágio dos "endinheirados" que queriam ser os primeiros a rodar no novo modelo. Na época vi casos de pessoas que chegaram a pagar R$ 32.000,00 (ou mais) por uma unidade com motor 1.0 e sem NENHUM opcional, sendo que mais de um mês depois do lançamento, finalmente, a VW divulgou a tabela e o preço do dito cujo era de R$ 29.990,00...

    Como eu não quis comprar o carro sem saber o preço oficial, fiquei na vontade mas, me dei bem no final... hehehe

    Achei um Stilo 1.8 16V 2002/2003 por R$ 30.000 (na época), um valor que eu achei justo levando em consideração o excelente estado de conservação e manutenção do mesmo. Está comigo até hoje, e os maiores gastos que eu tive foram ano passado, com troca de óleo, correias e tensores e a troca do líquido de arrefecimento. Hoje eu tenho um excelente carro, pelo menos para mim, com vários acessórios de conforto, motor 16V e freios a disco nas quatro rodas e, para completar, não tive problemas de freios endurecendo, ar condicionado que não gela, rolamentos traseiros com problema de lubrificação, motor que não pega ou morre do nada e fica estourando na partida ou que explode logo de uma vez....rsrs

    Será que fiz um bom negócio???

    Só para termimar, eu ainda quero comprar um 0KM. Mas, eu quero pagar um preço justo por ele e que seja um carro decente!

    Falou e fiquem com Deus!

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  26. Falamos dos altíssimos impostos, mas esquecemos que isto aqui é um paraiso para as montadoras. Carros obsoletos ou muitas vezes "reciclados" são campeões de venda ! A margem aqui é muito alta, pois o brasileiro compra pelo preço, sim.

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  27. Por aqui na minha condição:

    ALEMANHA:
    SALÁRIO DESIGNER: base/2.000 euros
    SANDERO AIRBAG + AR: 6.000 euros
    SEGURO DO SANDERO: 70 euros/mês

    BRASIL:
    SALÁRIO DESIGNER: base/2.000 reais
    SANDERO AIRBAG + AR: 37.000 reais
    SEGURO DO SANDERO: 180 reais/mês

    É pra chorar ou não?

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  28. É simples, só colocar os carros a um preço justo e não fazer mais financiamento de carros.

    Resolve os dois problemas, os carros teriam preços justos e teriam menos carros até, só compraria quem tivesse dinheiro na mão.

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  29. A crítica à carga tributária abusiva do carro no Brasil é acertadíssima. Vale lembrar que quem todos os governos - federal, estadual e municipal - mamam nessa teta, via tributação, mas não oferecem a contrapartida de serviços devida. Quanto ao argumento de compra de carro usado, é um equívoco: o carro usado tem o preço atrelado, ou melhor, baseado, no do "0" KM. E quem vende o seminovo está comprando o novo.
    Abs a todos.

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  30. AlexandrePS24/02/10 23:37

    Parabens JJ pelo otimo post.

    Alguns meses atras, o webmotors fez uma serie de reportagens a respeito do custo do automovel brasileiro em países como Argentina, México e Chile. links:

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Mercado_Conteudo.vxlpub?hnid=42291

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Mercado_Conteudo.vxlpub?hnid=42231

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Mercado_Conteudo.vxlpub?hnid=42512

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Mercado_Conteudo.vxlpub?hnid=42552

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Mercado_Conteudo.vxlpub?hnid=42603

    Creio que a maioria aqui ja sabe o resultado, mas vale a pena conferir...

    Ah, em relação ao grande congestionamento que iriamos enfrentar se a realidade fosse outra, simples: proibir carros financiados de circularem no horario de pico :)...
    brincadeiras a parte, concordo plenamente com a opinião do lucas...

    é isso ae pessoal...

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  31. Acho que o texto abaixo, no link, pacifica a questão. Me decsulpe, JJ, mas a alta carga tributãria não e' a causa dos altos precos praticados no Brasil.

    http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Antigos_Conteudo.vxlpub?hnid=42283.

    Abraco

    Lucas

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  32. Então o lucro dos fabricantes nacionais é astronômico? Poxa, a solução pra isso é simples.
    Não compre carro 0km. É o que faço. Já tive meus carros 0km, e os conservo muito bem até hoje.
    O mercado de usados ainda oferece alternativas muito interessantes, é só saber procurar e corrigir o que foi mal feito ou mal mantido, e pronto. Não tem mistério.
    Se o povão fizesse isso, simplesmente parando de comprar carro 0km, quero ver o que aconteceria com os preços!

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  33. Mesmo que os impostos não existissem os preços ainda seriam exorbitantes, os fabricantes perceberam que as pessoas não tão nem aí e pagam por nada. Aqui o que vale é a lei de parecer melhor do que o vizinho, seja com o carro 0km, seja com uma casa maior ou seja até com o preço que se paga na mensalidade do filho na escola.

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