ARMADILHA II - A SEQUÊNCIA

Imagens: Google Earth
 Não faz muito tempo falei de uma armadilha no acesso à rodovia Ayrton Senna para quem vem do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, que infelizmente não é a única. Na foto vemos o Complexo Maria Maluf, um dos mais importantes entroncamento de vias da cidade de São Paulo. Vamos ver as quatro alças.
A de cima à esquerda, usado por quem sai do túnel e quer pegar a rodovia dos Imigrantes, rumo sul, é a única sem problema. O primeiro raio parece constante, há uma pequena reta e outra curva, com dois raios porém o segundo é maior, o que sempre é bem-vindo.
A de cima à direita é muito usada por quem vem do litoral e quer pegar a av. dos Bandeirantes. O segundo raio, a partir da metade, é visilmente menor que o primeiro, situação muito perigosa.
A seguir, abaixo, a alça para quem quer sair da av. dos Bandeirantes e quer seguir pela av. Abraão de Morais em direção ao Ipiranga. Notem o abre-fecha-abre dos raios de curva, outra vez uma situação que traz perigo.
Finalmente, a saída da av. Abraão de Morais para quem pegar o túnel Maria Maluf, em que a segunda parte tem raio menor.
Se o leitor ainda não percebeu esse erros ao percorrer essas alças, experimente fazê-lo, num dia de pouco tráfego e em velocidade adequada e note como é preciso mudar o ângulo de esterçamento, evidência do erro de traçado.
Há uma curva muito famosa que é ao contrário desses "acertos" dos nossos engenheiros rodoviários. Ei-la:
 
Alguns devem ter sacado qual é, outros não: é a Curva Parabólica, no Autódromo de Monza. Se os carros giram com os ponteiro do relógio, veja-se o raio pequeno na entrada que aumenta muito do meio em diante, o que a torna bem segura.
Não se exige que os acessos brasileiros tenham essa particularidade, que proporciona máxima segurança, mas que pelo menos tenham raio constante. Já seria um grande avanço.
Será pedir muito dos órgãos rodoviários?
BS

25 comentários :

  1. Tudo bem que entrar rápido numa curva assim é estupidez.

    Mas some à conta a burrice do projeto a irresponsabilidade na conservação do local.
    ´
    Não é raro que a vegetação esteja mal cuidada, estando alta e impossibilitando a visão à frente. Não somente nesses acessos como também em esquinas.

    Ou então um buraco no meio da curva, um pedaço da calçada que se quebrou e tudo isso que vemos aos montes.

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  2. Bob, meu amigo.
    E você acha que engenheiro de trânsito sabe o que é uma parábola ?
    Você tá pedindo demais.

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  3. Alças de acesso com raio que se fecha a partir do meio é o que não falta aqui no Brasil... Porém, ultimamente o pessoal anda tão "cabeçudo", que é comum ver saídas pela tangente já na primeira virada da alça, logo no começo. Tem que ser muito burro e ruim de braço para entrar numa alça de acesso e já sair batendo de cara! Nas vezes que abusei da velocidade em alças de acesso, o problema sempre começou próximo do meio, quando o carro já escorregara o que dava e ainda não atingira a velocidade ideal para fazer a curva (quando me lembro dessas "presepadas" é que noto como eu era cabeça de vento no período recém habilitado...)

    Mas esse complexo Maria Maluf é uma sumidade. Vendo a foto do satélite, as quatro alças têm desenho distinto...

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  4. Francisco V.G.17/02/10 21:25

    Bob, não toque muito no assunto. Vai que os boçais ao invés de corrigir os raios de curva resolvem colocar lombadas eletrônicas à fim de "reduzir o índice de acidentes".

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  5. JJ,

    Você está sendo malvado... O pessoal de (anti)engenharia de tráfego tupiniquim até sabe o que é uma parábola. Se você observar melhor, a alça inferior direita do complexo Maria Maluf é uma parábola perfeita. Só que as mentes brilhantes se esqueceram que não é assim que se usa uma parábola em alças de acesso... rssss!!!

    É rir para não chorar, esses caras do trânsito não dão uma dentro...

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  6. Engenheiro da CET17/02/10 21:35

    Claro que sabemos o que é parábola.

    É um tipo de historieta que serve para ilustrar alguma lição de moral que desejamos passar.

    Tsc Tsc Tsc...

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  7. Eles só fazem o que cabe no local e que precise interferir o menos possível (leia-se desapropriar) em volta para tornar os acessos seguros. Os projetos parecem feitos para economizar, mas o saldo final sempre é alto, pra onde será que vai o dinheiro???!?! (leiam com ironia)...

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  8. Mas voltando ao sério...

    Francisco, quem sabe agora sim os boçais tenham essa idéia?


    Estão colocando uma lombada eletrônica na R. Cerro Corá, aqui em SP para quem não conhece, próxima à importadora de veículos New Park.

    Uma curva "meio" cega. Sujeito passa ali e flash!

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  9. Bob,

    Eu só estava esperando outro post seu a respeito do tema.

    Recomendo aos amigos AutoEntusiastas a leitura de três matérias veiculadas na Folha de S. Paulo do dia 8 de fevereiro deste ano, sob os títulos "Curvas com falhas causam acidentes, aponta estudo"; "Problema também afeta outros países"; e "Motorista vive outros riscos, conclui governo".

    O "gancho" dessas matérias é um estudo de Sergio Ejzenberg, Mestre em Engenharia de Transportes pela USP e especialista em perícia de acidentes viários, desenvolvido ao longo de seis anos. Segundo o estudo, certas curvas não oferecem segurança sequer para veículos pesados e que trafegam em baixa velocidade - em 2002, um ônibus tombou em uma curva a 27 km/h -, por falha de projeto.

    Daí vêm duas notícias, uma boa e uma ruim.

    Começando pela ruim: a CET - sempre ela - emitiu nota dizendo que “analisa todos os aspectos técnicos necessários para garantir a segurança no trânsito” e que “não há nenhum indicador que demonstre a necessidade de alteração dos critérios adotados”.

    Agora, a boa: o DNIT está avaliando as conclusões de Ejzenberg e deve rever os manuais técnicos que orientam a elaboração de projetos rodoviários (editados em 1999 e 2005), com ênfase nos projetos de curvas e de áreas de ultrapassagem.

    E então, quem tem mais probabilidade de estar certo: os bur(r)ocratas da CET, de um lado, ou um perito em acidentes, o DNIT, os AutoEntusiastas e o resto do mundo, de outro?

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  10. Alexandre, vou ler e depois comento.

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  11. Alexandre,

    essa é fácil, a CET, pois eles são "otoridade" e é mais fácil resolver na canetada mesmo.

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  12. A única parábola que eles conhecem é a da Bíblia...

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  13. Bob,

    Pode ser uma curva errada e, até, perigosa, mas que é uma delícia fazer à moda, isso é.

    O único cuidado é na saída da alça Ricardo Jafet/Bandeirantes, pois acumula um pouco de água, além da saída acabar num asfalto deprimente sobre o viaduto.

    Experimente, de madrugada, fazer as 4 alças. rs.

    Abraços

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  14. Bob, na boa, mas este tipo de coisa é super comum na Europa, só para sair do conceito "vira-latas" do brasuca. E por lá é principalmente por questoes de espaço... Em Madrid tem cada alça de acesso que vou te contar, se faz a 30km/h e somente com uma faixa, está errado? acho que nao.... com certeza quem projeta isto nao é nenhum imbecil, o problema é que olhar uma simples foto do google e tirar todas as conclusoes é meio que demais, não acha? Talvez primeiro teria que conversar com quem projetou para saber o pq se chegou nisto..

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  15. Antigamente, pelo menos no meu tempo(61), ensinavam a usar compasso no ensino Primário(básico).

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  16. E a "alça do Extra", km 16 da Anchieta... meu "caminho da roça"... também é uma alça com duas curvas onde a primeira tem raio maior que a segunda, mas neste caso acredito que pode ser justificado o formato, pois na primeira curva o motorista está saindo de uma pista expressa e na segunda o mesmo está entrando numa pista também expressa, porém de menor velocidade que a Anchieta(Lions), mas também requer a atenção do motorista devido ao fluxo intenso. O problema maior na verdade é o piso irregular, sempre!
    E como o Sérgio falou... também é gostosa de fazer à moda...
    Mas são comuns os acidentes!
    Na minha opinião o pior erro na construção de curva é o ângulo da pista, não consigo precisar no momento, mas e aquela curva no início da Rio-Santos sentido norte, onde depois de uma curva à direita em subida de uns 180º tem uma curva na sequência em descida para esquerda com o ângulo da pista jogando pra fora!!! Resultado - depois de inúmeros acidentes, principalmente com pista molhada, agora estão colocando um radar fixo! PUTSQUELOSPARIOZES!!!

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  17. Tem duas alças próximas as citadas acima, embaixo da linha do metrô, que não tem como você passar por elas sem levar um susto. São muito mal feitas, sempre vejo acidentes por lá.

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  18. Lubrico,
    Acha mesmo que vou parar de trabalhar, procurar quem projetou a alça, perguntar por que a fez assim e assado? É para isso que serve a observação aérea, "uma simples foto do Google" sim, para apontar o defeito e conscientizar as pessoas. Agora, quem faz alças como as mostradas é imbecil sem a menor dúvida.

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  19. SFQNS.
    Isso mesmo, um singelo instrumento de desenho chamado compasso!

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  20. Alexandre,
    Li a matéria. Dá para notar como as pessoas não estão lá muito preocupadas, tipo "é, precisamos fazer alguma coisa". Se estivessem falariam em medidas emergenciais, como sinalizar os pontos perigosos. Tinha que começar por aí e dois efetuarem as correções. E sentiu que já querem mexer na tolerância 7 km/h /7%?

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  21. Bob,

    Reli a matéria e, pelo que pude entender, a margem de tolerância não está sendo levada em conta no projeto das rodovias. Se essa margem é "aceita pela fiscalização e assimilada por motoristas", como diz o texto, não há por que eliminá-la ou reduzi-la, salvo descarada má fé.

    Outra coisa: se os velocímetros dos carros são graduados em múltiplos de dez ou vinte quilômetros por hora, por que não acabar com essa frescura de 7% ou 7 km/h e fixar de uma vez a tolerância em 10 km/h, muito mais fácil de controlar pelo velocímetro enquanto o motorista presta atenção no que realmente interessa, ou seja, a estrada?

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  22. É aquela história, peguer no pé é fácil...

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  23. Já que mudaram o papo e falaram sobre radares, aqui vai mais este:

    http://cosmo.uol.com.br/noticia/47244/2010-02-18/estado-adia-para-marco-brinicio-de-radar-idedo-duroi.html

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  24. Talles Wang19/02/10 10:00

    Caro Bob,

    Os engenheiros são competentes.

    O problema aqui é a "redução de custos" nos processos de construção dessas alças de acesso.

    O que interessa é que a obra seja feita a tempo de ser inaugurada dentro do mandato do político que a iniciou...

    Daí se atropelam algumas etapas, desapropriações, licitações, etc...

    Por outro lado também, a construtora precisa economizar algum "cascalho"...

    O resultado é essa obra de Bosch aí...

    Abraços,
    Tallwang

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  25. falando do radar... achei que estes dedo-duros já estivessem funcionando... eu jurava que eu tinha tomado uma multa de rodízio pelo dedo-fuckin-duro.
    quer dizer que agora os donos das brazocas vão ter que jogar mais lama na placa? e assim vai... Brasilzão!

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