TESTEMUNHAS


Nos concursos e exposições de carros antigos, o principal apelo do automóvel sempre foi sua apresentação. Quanto mais impecável for o carro, mais bem visto ele será. É neste quesito que a restauração faz valer seu elevado custo, com a busca incansável por peças para substituição, a dificuldade de acertar na cor da pintura, o detalhe de costura dos tecidos e a correta posição dos emblemas de carroceria, entre outros pontos que valorizam o veículo.

Mas muitos dizem que uma boa parte das restaurações são exageradas e alguns carros antigos estão "bons demais". Na Peregrinação do mês passado vimos ótimos exemplos de carros restaurados ao melhor que se pode chegar de detalhamento, carros realmente impecáveis.

Packard 833 1931

Eu não tenho nada contra carros que passaram por tal restauração, muito pelo contrário, acho sensacional ver um carro tão bonito e tão bem cuidado, maravilhosamente bem feitos, ou over-restored como dizem por ai quando estão "bons demais". Mas alguns carros expostos em Pebble Beach nos fazem pensar um pouco.

Maserati 3500GT 1962

Há uma categoria chamada Preservation Class, ou Classe de Preservação, que recebe os carros que não foram restaurados e são o que chamam de testemunha de época. São carros que "viveram" o passado e estão com marcas dele espalhadas por todo lado. Não são carros velhos mal cuidados, como podem pensar, pois estão bem cuidados, apenas estão "gastos" pelo tempo. E geralmente os modelos que aparecem neste tipo de evento são carro raros.

Porsche 550 1955

Eles nos fazem pensar por o que já passaram, o que já "presenciaram" e quantas vidas não marcaram ao longo dos anos. Estes carros passam uma sensação estranha, difícil de descrever, mas algo parecido como se o carro pudesse falar e nos contar como foram suas experiências, como as histórias que ouvimos de nossos antepassados, pois eles estavam lá, viveram suas vidas e estão aqui para nos contar. É difícil não imaginar os acontecimentos pelos quais esses carros passaram, desde sua fabricação, pois em muitos casos, grande parte das peças e mesmo a pintura, são originais de fábrica. Os carros de corrida então não há o que não imaginar, pois eles estavam lá, correndo e as vezes, vencendo.

Wanderer W25K 1937

Novamente, não acho errado os carros ditos over-restored, mas devemos respeito às testemunhas de épocas. E testemunhas como essas não são apenas carros velhos, que fique bem claro.

Porsche 356A Carrera 1956

9 comentários :

  1. MB

    Que coisa mais linda o Wanderer! Ah, a PÁTINA!!!

    FB

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  2. Apesar de admirar muito tecnologia, gosto bastante dos antigos. Especialmente se eles não tiverem as marcas de suas histórias apagadas por restaurações.

    Muito bonito e muito bacana os que assim estão, e foram, over-restored.

    Mas como adoto a "política do bem utilizável", meus batimentos cardíacos tem aquela sutil elevação por modelos devidamente utilizados ao longo da sua vida...

    Também imagino o quanto alguns exemplares não falariam, se assim pudessem. Histórias das mais simples as mais bizarras, acredito eu. E tudo detalhado no seu visual já não tão atraente para muitos.

    Esta 3500GT e W25K são bem o que imagino de veículos devidamente cuidados e utilizados.

    Muito bacana a exposição do teu pondo de vista, Belli!

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  3. Se ferrugem for história de vida, aquele Wanderer tem muita coisa para contar!

    Na minha humilde opinião, os melhores carros antigos são aqueles que foram preservados sem restauração mas em perfeitas condições. Infelizmente são muito raros.

    Além do mais, refazer uma pintura queimada como daquela Maserati, revelaria zelo e cuidado por parte do dono. Deixar o carro desgastado é desculpa de entusista preguiçoso...

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  4. Esse é um assunto para séculos de discussão.
    E uma discussão em que todos tem razão, na minha opinião.
    Enquanto uma restauração bem feita, chama a atenção pelo capricho, esmero, escolha de peças, cores, acessórios originais e principalmnte fidelidade a um projeto original, um carro originalmente gasto, mostrando toda uma vida de utilização, seus problemas, suas corrosões, seus riscos e suas ferrugens, tambem tem seu valor e podem ser apreciados com o mesmo entusiasmo, tendo inclusive a sua dignidade reconhecida.
    Da mesma forma, enquanto um carro restaurado requer uma atenção especial de seu dono, no sentido de mante-lo impecavel, o nosso herói que apresenta no seu estado as marcas da patina do tempo, requer cuidados especiais, para evitar que a sua degradação continue evoluindo, pois a ferrugem por exemplo é implacavel.
    Fica o dilema: Como evitar essa evolução, sem restaurar.
    Me parece que tão dificil e honerosa é uma restauração, quanto tentar brecar a evolução da degradação de uma relíquia.
    Romeu

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  5. História ambulante. Excepcional valor. Carros não restaurados são fantásticos.

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  6. E há um motivo importantíssimo para se valorizar esses carros intocados: eles servem como preciosas referências de padrões originais, para que outros colecionadores possam restaurar seus automóveis corretamente.

    Fiquei babando no Wanderer...

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  7. Pois é, assunto complicado.

    Eu acho que se eu fosse dono de alguma dessas relíquias, não conseguiria deixa-lá enferrujando assim.
    Se é que vocês me entendem...

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  8. De fato, nos carros "jamais restaurados", há o testemunho do passado, mesmo que não saibamos exatamente o que foi. É algo semelhante a quando se observa uma construção ou um monumento com séculos de existência -- eles nos deixam perceber que muito de história já passou por alí.

    Quanto aos carros antigos, cada vez mais respeito uma corrente de pensamento, vista sobretudo na Europa, em que só o que precisa ser restaurado o é.

    Vi diversos antigos com suas pinturas e cromados refeitos, mas com pequenos remendos no estofamento, somente para que o couro original, por exemplo, fosse preservado.

    Um carro assim parece ter uma nobreza maior.

    Sds,

    Der Wolff

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  9. MB,

    Muito bem sacado o assunto, legal pacas, gostei de ver a idéia do original unrestored mais considerado que um overdue, overestored.

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