MERCEDES CLR

Em 1992, um professor muito bacana que tive na FEI, o Rui Blanco, deu a dica de que todo bom engenheiro deve ter sempre a mão uma pastinha com fórmulas, tabelas de conversões, gráficos, curvas e materiais de consulta mais utilizados(naquela época não havia a facilidade da Internet. As provas do Rui Blanco eram sempre com consulta.

Dica meio óbvia, mas até então eu não tinha a minha pastinha. A partir dalí juntei dezenas de pastinhas por todo lado. Passei a guardar também artigos, fotos, propagandas e tudo que achava interessante. Cheguei a ter um arquivo inteiro "para consulta" em um dos meus empregos. Tudo separado por assunto.

Ao longo dos anos, depois de muitas limpezas, e também devido a falta de espaço, sobraram algumas poucas. Hoje procurando por um material em uma delas, encontrei muita coisa antiga e bacana. É uma delícia fazer isso de tempos em tempos e refrescar a memória.

Entre os achados de hoje estava uma página que arranquei de uma revista (Caras!) em 1999. Guardei a página pois a foto, e o fato que ela retrata, são simplesmente espetaculares. Acho que todo mundo lembra do incidente, mas essa foto sempre vai nos chocar.

Nas 24 Horas de Le Mans de 1999 dois do 3 Mercedes CLR inscritos foram protagonistas de 3 vôos. Nos treinos o carro de número 4 pilotado pelo Mark Webber descolou do solo e levantou vôo. O piloto não se machucou. O carro foi reconstruido e ajustado para ter maior pressão aerodinâmica na dianteira para voltar ao grid.

No entanto, no warm-up da manhã de sábado o mesmo carro saiu pelos ares novamente. Esse é o acidente da foto abaixo (que tirei da revista). A Mercedes julgou que era um problema específico desse carro e manteve os outros dois na corrida.

Imagem insólita

Durante a corrida aconteceu mais um acidente na volta 74. Desta vez com o carro de número 5, pilotado por Peter Dumbreck, que aterrissou fora da pista. Este foi filmado.


Somente depois do terceiro acidente a Mercedes abandonou a prova retirando o carro número 6 da corrida que, para piorar a situação da marca, foi vencida por um BMW. O programa CLR foi cancelado apesar de inicialmente os acidentes terem sido atribuídos as irregularidades da pista. Porém, mais tarde a Mercedes admitiu problemas com a aerodinâmica do CLR.

Esses acidentes, ocorridos dois anos depois do fiasco sofrido pelo Classe A ao capotar no teste do alce, deixaram manchas na excelência técnica da Mercedes. Felizmente essas manchas agora são passado.

11 comentários :

  1. Vídeo fantástico!
    O carro parece ser estar sendo abduzido, erguido por uma força sobrenatural!

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  2. Paulo,

    Fomos conteporaneos na FEI. Eu tenho certeza que nos conhecemos pessoalmente.

    um abraco.

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  3. Existiu a versão de rua desse carro certo? Lembro de um com estofamento xadrez, volante achatado e esse visual matador, nas cores vermelho e prata...provavelmente o mais impressionante mercedez homologado para estrada. Esse tipo de comportamento extremo não poderia acontecer ao condutor comum caso reunisse as condições similares a da pista? Realmente intimidador...

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  4. Cena espetacular, parece que a MB não tem muita sorte em Le Mans. Esse acidente me lembra um pouco o de Pierre Leveigh.

    A Mercedes fabricou o CLK-GTR em versão de rua que é anterior ao CLR.

    A Mercedes pagou caro pela primazia (ao menos pra ela) de projetar o A-Klasse quase por computador.
    Felizmente a tecnologia evoluiu.

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  5. Não tenho certeza, mas parece que o Classe A foi projetado pra ser um veículo elétrico e aquele assoalho duplo era justamente para colocar as baterias. O projeto não vingou e decidiram colocar um otto mesmo, mas na frente, alterando a posição do CG. Talvez explique o porquê do resultado do teste do alce.

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  6. No link abaixo há um artigo da época especulando as possíveis razões desse voo:

    http://www.mulsannescorner.com/techarticle1.htm

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  7. PK,
    legal encontrar papelada velha, não ?
    Mas quando o espaço é crítico, o scaner resolve o problema. É o que estou fazendo com recortes e similares. Depois que me aposentar, vou escanear todos os meus catálogos.

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  8. Diagnóstico :

    Foi a propaganda da Bridgestone.

    É tão grande que alterou o vento que soprava no bumpzinho milenar lá na saída da zebra interna...rs

    SNME o Alboreto morreu em acidente semelhante, em outra reta.

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  9. Também tenho algumas "velharias" guardadas. Só que não estão lá muito organizadas, em geral dá um trabalhinho porreta encontrar o que quero...

    Lembro-me desse voo do Merrcedes. Fico imaginando que "bacaninha" foi para o piloto perceber que o carro simplesmente decolou...

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  10. Lembrei de um Porsche GT1 que também decolou em Le Mans. É notável a perda de pressão aerodinâmica na dianteira.
    E diziam que o 917 era perigoso...

    Inclusive está nos vídeos relacionados.

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  11. Paulo Keller06/09/09 20:00

    Carlos, Meu número de matrícula na FEI começava com 28, segundo semestre de 88. Parei um ano, 89, para fazer exercito. Me formei em julho de 94.

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