BOSE - SUSPENSÃO DO FUTURO. QUANDO?

Instalação na dianteira do Lexus LS400


Eixo dianteiro completo.


Até pouco tempo atrás, eu era um absoluto fanático por novas tecnologias automotivas.

De uns quatro ou cinco anos para cá, mudei um pouco esse meu comportamento, por conviver mais com pessoas que possuem carros antigos ou quase, ou ainda carros velhos com injeção de combustível com comando eletrônico, e que serão antigos de algum valor histórico em breve.
Pois bem, a quantidade de problemas de todo tipo e gravidade que se enxerga em carros com razoável conteúdo eletrônico, ditos modernos, me fez mudar um pouco de opinião.
Sempre comentamos no AUTOentusiastas as virtudes de carros antigos, e frequentemente discutimos um pouco sobre novidades técnicas. E sempre vimos opiniões de todos os tipos, como "antigo é que é bom", "feito para durar", ou na outra ponta "carro velho não é minha praia mesmo", "falem mais de novidades", coisas desse tipo.
Como não podemos ser radicais em nada nesse mundo, estava dia desses pesquisando um pouco sobre suspensões, e encontrei material sobre uma suspensão que promete ser revolucionária em concepção e funcionamento, e da qual havia me esquecido, pois foi apresentada há cinco anos.
Suspensão eletrônica Bose.
A marca Bose dispensa qualquer apresentação para quem tem um mínimo de curiosidade sobre equipamentos de som automotivo ou residencial.
A empresa usa o nome do Dr. Amar Gopal Bose, um americano de mãe indiana, nascido em 1929, que estudou engenharia elétrica no MIT (Massachussets Institute of Technology), a mais renomada escola de engenharia do mundo, e se tornou professor por lá até o ano 2000. Essa empresa fabrica sistemas de som de alta qualidade, calcado em pesquisas acústicas, aplicando-as de forma prática.
Em 2004, a Bose apresentou um trabalho para a indústria de automóveis, fora da área acústica , uma suspensão ativa. O Dr. Bose explicou, à época, ser fascinado por suspensões, pela dualidade do que ela deve entregar ao veículo: conforto e controle das rodas. A oposição de uma função em relação a outra o fez pensar muito, desde 1957 quando comprou um Pontiac modelo 58 com suspensão a ar, e passou 10 anos com ele, estudando, fazendo a manutenção e aprendendo. Não é que o grande mestre do som é também entusiasta de carros? Logo depois do Pontiac, veio um Citroen DS com a famosa suspensão hidropneumática, que tanta dor de cabeça trouxe aos proprietários sem fácil acesso a peças de reposição e especialistas que a pudessem manter, e mais conhecimento foi acumulado.
Em 1980 o Dr. Amar formou um grupo composto por pessoas do MIT e de sua empresa, para desenvolver a suspensão ideal, utilizando algumas das especialidades da empresa, nesse caso amplificação de potência, velocidade de acionamento de contatos elétricos e eletrônica básica.
Do início do desenvolvimento até a apresentação do protótipo, vinte e quatro anos se passaram, em sigilo.
O maior problema era ter a capacidade de processamento de dados para que os componentes trabalhassem com a velocidade suficiente para poder ser considerado uma suspensão ativa de verdade. Vejam o filme ao final do texto, tenho certeza que vocês irão se surpreender.
O protótipo, batizado de BSS (Bose Suspension System) foi instalado em um Lexus LS400 ano 94, o carro mais bem isolado e silencioso na época em que foi lançado, e que foi a referência nessas características por um bom tempo. Segundo as informações divulgadas em 2004, não houve alterações na estrutura do carro, apenas na própria suspensão e eletrônica do carro.
Conceitualmente, o sistema é simples, composto de motores eletromagnéticos lineares, que trabalham mais ou menos como alto-falantes, ou seja, se movimentam em dois sentidos opostos em uma mesma direção, ao serem submetidos a um campo elétrico de uma bobina, gerado por corrente elétrica. Nessa suspensão, as torres, que são como amortecedores, se extendem ou retraem na velocidade e com o curso necessário para cada situação. Os motores elétricos de cada um dos quatro cantos do carro tem amplificadores de potência, e são regenerativos, ou seja, absorvem energia quando as forças da roda agem na torre, armazenando energia para a reação, para o motor empurrar a roda para baixo. Sensores em várias posições leem o solo à frente do carro e enviam informações para uma central eletrônica.
Nesse protótipo, o processador de controle era um Pentium III de 750 MHz, já um pouco lento para os dias atuais de nossos computadores pessoais. A suspensão dianteira tem aparência similar a uma coluna McPherson, a traseira são dois braços triangulares sobrepostos, o famoso double-wishbone. As molas são barras de torção (Dodges antigos, Fusca, S10, Pajeros grandes), e há amortecedores passivos de pequenas dimensões, como os dos carros normais, para caso de problemas nos sistema. Barras estabilizadoras são totalmente dispensáveis, assim como geometrias de direção elaboradas para compensar a inclinação do carro. Simplesmente isso não é preciso com essa invenção.
Claro que a tecnologia de alto nível tem sua contrapartida, que é o custo e a massa de todas as peças. No protótipo, esse aumento foi de 45 kg, e custos não foram divulgados.
Recentemente não houve mais nenhuma divulgação por parte da Bose, mas podemos estar certos que o trabalho não parou, e esse sistema deve aparecer novamente no cenário automotivo em breve.
Ao menos é o que desejamos. E que seja 100% confiável e muito durável, para facilitar a vida do entusiasta colecionador do futuro.
Vejam o video aqui.

JJ

12 comentários :

  1. JJ
    Esse tal de Earl S. McPherson era um gênio mesmo, não? Era engenheiro de GM, patenteou o princípio em 1946 mas quem primeiro usou-o foi a Ford francesa, no Vedette 1949. Chegou até nós no Simca Chambord dez anos depois com o nome comercial Stabimatic. Mas o nivelamento proporcionado pela suspensão Bose é mesmo notável.

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  2. Rodrigo Laranjo19/09/09 12:47

    Eu já havia visto esse vídeo. É simplesmente mágico. Mas me lembro que logo que vi o vídeo a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi "Como todas as coisas boas e CARAS, nunca veremos isso nas ruas..."

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  3. Clésio Luiz19/09/09 19:11

    O pulo sobre o obstáculo foi demais. me lembrei na hora do Bob Sharp, essa deve ser a suspensão dos sonhos dele. Ao invés de diminuir a velocidade para passar por ela, o carro pode simplesmente pular a lombada. Genial :-)

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  4. Desde a minha adolescência, de vez em quando me paro a imaginar como certos mecanismos nos automóveis poderiam ser feitos de forma diferente - e mais eficiente.

    Certa vez, provavelmente há mais de dez anos, eu estava lendo a respeito do funcionamento do ABS e me ocorreu que um mecanismo hidráulico poderia ser utilizado para manter o nivelamento da suspensão. A minha preocupação, na época, não era tanto com o conforto (nem, muito menos, em fazer o carro saltar sobre obstáculos...), mas mais com estabilidade e segurança.

    A idéia era mais ou menos assim: em cada suspensão, sobre o conjunto tradicional de mola e amortecedor (que poderiam ser bastante macios), seria instalada uma espécie de mola hidráulica. Tal qual ocorre com o ABS, haveria um computador central, uma bomba de óleo (para pressurizar o fluido que sustenta as quatro molas hidráulicas) e válvulas para controlar a distensão de cada suspensão, além de sensores de compressão/distensão em cada amortecedor e de aceleração lateral e longitudinal do carro.

    Os conjuntos de molas heliciodais e amortecedores seriam iguais aos de qualquer carro, funcionando de forma independente do mecanismo hidráulico, e este serviria simplesmente para compensar as oscilações maiores da suspensão comum, dispensando o uso de estabilizadores. Por ser instalado sobre a suspensão comum, não aumentaria a massa não-suspensa.

    Ao fazer uma curva em alta velocidade, a compressão da suspensão tradicional seria compensada pela distensão da mola hidráulica, de modo a manter a carroceria nivelada. Em uma frenagem brusca, haveria a mesma compensação, de modo a eliminar o efeito mergulho, o que diminuiria a transferência de peso para a frente do carro e, em caso de colisão com outro veículo, otimizaria a absorção do impacto pela estrutura do automóvel. Na transposição de lombadas ou buracos, não me parece possível que um sistema assim seja capaz de anular por completo a oscilação da carroceria, mas com certeza amenizaria bastante os impactos.

    Na verdade, essa ideia me parece tão simples (até pelo fato de se basear em mecanismos que já existem), que me surpreende o fato de até hoje não haver nenhum carro com dispositivo semelhante.

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  5. JJ, texto perfeito!

    Quando se estuda a evolu~c"ao da tecnologia ao longo da história, vemos que tem tecnlogias que nunca "decolam".

    Algumas prometem, mas não funcionam plenamente. Outras, até funcionam perfeitamente, mas existem problemas para produção em larga escala, dificuldades com materiais exóticos, ou simplesmente tem custo elevado.

    Basta para estas tecnologias que tenham um concorrente que ofereça melhor relação de vantagens sobre as desvantagens que elas jamais serão feitas em larga escala.

    Diante da simplicidade do sistema passivo de mola e amortecedor, a suspensão da Bose oferece complexidade, peso, custo, e, o que talvez não esteja tão evidente, consumo de energia elétrica, vinda do alternador do carro, portanto consumindo potência do motor.
    Isto é um grande problema.

    Porém, se considerarmos aplicações específicas, como veículos exploradores para outros planetas, ou mesmo veículos robotizados para trabalho aqui na Terra mesmo, esta tecnologia pode um dia ser obrigatória.

    Então, mesmo que não tenha aplicação imediata nos carros de rua, é sempre bom tê-la como um coringa na manga.

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  6. André,
    o consumo de energia do alternador, segundo a BOSE, é equivalente ao de um sistema de ar condicionado. Sem dúvida que é mais um empecilhos, mas nem tão grave na faixa de mercado em que primeiro deverá vir a ser usado comercialmente, os carros mais caros.

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  7. Clésio,
    nÂo é apenas a susensão dos sonhos do Bob, é a minha também, já que abomino obstáculos para redução de velocidade. Esse mal foi instituído para os motoristas irresponsáveis, que não sabem rodar em velocidades compatíveis com o lugar. Como sou um chato de galocha no que diz respeito a segurança, lombadas, quebra-molas e valetas me são uma absoluta maldição. Possam os maus motoristas arder no fogo do inferno, junto com os inventores dos redutores de velocidade.

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  8. Jonas Torres20/09/09 00:14

    Notaram onde que o pessoal da produção do vídeo foi procurar uma lombada, num estacionamento fechado. Se fosse aqui...

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  9. a parte de não incllinar em curvas o BM Serie 7 também faz com as battas estabilizaduras ativas...mas o resto é amazing...
    m

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  10. JJ,

    Muito interessante.

    Aprendi mais uma, thanks, man.

    MAO

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  11. Incrível! Post muito interesante,JJ!

    Abraço

    Lucas

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  12. Eu vi como ele interpreta os obstáculos - como ondas sonoras - e o sistema simplesmente gera uma onda de cancelamento. Muito legal!
    Mas duvido que isso algum dia chegue a nossos carros - "nosso" me refiro a mercado em geral, porque aqui no Brasil ainda estamos no tempo das diligências, só que reestilizadas.
    Algumas tecnologias são como as facas elétricas, fazem muito melhor algo que podemos fazer de modo muito mais simples e barato. Simplesmente não compensam a ponto de serem revolucionárias.

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