Memória: VINTE ANOS SEM SENNA

Da esquerda para a direita: Alain Prost, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello e Gerhard Berger (foto superspeedway.com.br)

Parecia que ele era imortal, mas infelizmente não era. Um acidente que normalmente não teria maiores conseqüências tirou a vida de Ayrton Senna do Brasil. Nos tirou Ayrton Senna do Brasil.

É incrível que já se tenham passado 20 anos desde aquela trágica manhã (para nós) de domingo 1º de maio de 1994. A Nação entrou no maior luto da sua História. Carros trafegando mais lentamente que o habitual, nenhuma buzina se ouviu entre o acidente no GP de San Marino e o funeral quatro dias depois. Reverência total a um herói nacional e um sentimento de perda igual ao de quando um ente querido nos deixa.

Na foto de abertura, quatro companheiros de Senna nas pistas fizeram o que nunca imaginariam ou desejassem fazer, ajudar a carregar seu caixão para a última morada.

Não há no país ninguém que não se lembre o que estava fazendo no momento da batida. Jornalistas do Brasil inteiro estavam no Hotel Novotel, no bairro do Morumbi, em São Paulo, para o lançamento do Ford Taurus de 1ª geração, na esteira da reabertura das importações. Todos no saguão diante da tevê desde o início da prova às 9 horas, mas aguardando a corrida reiniciar devido ao grave acidente logo na largada envolvendo Pedro Lamy e J.J. Lehto. Senna, largando na posição de honra, mantinha a liderança e era o primeiro atrás do carro de segurança. O fez durante quatro voltas até a bandeira verde ser exibida na 5ª volta. No início da 7ª volta a voz de Galvão Bueno ecoou pelo país inteiro: "Senna bateu forte!! Senna escapou e bateu muito forte!"

Como se estivesse escrito, a haste de impulsão (pushrod) que leva movimento da manga de eixo ao balancim de acionamento da mola e amortecedor, dentro do cone do nariz do Williams-Renault FW16, com a batida se partiu e parte dela atingiu o capacete de Senna acima da viseira, perfurando-o como uma lança e em seguida a caixa craniana de Senna. A grave lesão cerebral, seu único ferimento, lhe seria fatal.

O lançamento do Taurus, é claro, acabou ali mesmo.

Há 20 anos um grande brasileiro e um excepcional piloto nos deixou, restando uma grande uma grande saudade no coração do brasileiros.

Continue seu descanso, em paz, Ayrton Senna.


A equipe do AUTOentusiastas

19 comentários :

  1. Me dei conta agora que eu há vinte anos atrás,com minha filha recém nascida no colo,assistia ao trágico acidente de nosso mais carismático piloto de todos os tempos,e um dos melhores do mundo,e que há vinte anos,apesar de acompanhar uma ou outra "evolução"da F1,nunca mais assisti uma corrida,realmente fez muita falta para a categoria.

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    1. Até esse fatídico dia, eu não perdia nenhuma corrida de F1.
      Lembro que no momento do acidente, a contragosto, eu estava na churrasqueira acendendo o fogo para o churrasco. Quando minha esposa me comunicou sobre o acidente e disse que tinha sido grave, nem retornei para a televisão. Era ela quem me passava os detalhes.
      Também como o Anônimo 01/05/14 09:15, nunca mais assisti nenhuma corrida. Nem de F1 e nem de qualquer outro tipo.

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  2. De tudo o que já foi dito sobre o homem, piloto e campeão Ayrton, não teria mais palavras a acrescentar. Tudo o que dissesse tornar-se-ia automaticamente dispensável e redundante.
    Mas sim, na ocasião, tal qual no 11 de setembro de 2001, todos nós nos lembramos exatamente do que estávamos fazendo.
    Restou a nós brasileiros o luto e ao pobre Ford Taurus o lançamento "melado".

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  3. A reação de Schumacher na entrevista coletiva, após ser perguntado sobre o que sentia ao igualar seu recorde vitórias com a de Ayrton Senna, no grande prêmio da Itália de 2000. Schumacher era fã declarado de Senna, além de estar logo atrás no momento da batida em Imola.

    http://youtu.be/3KbcspCwfwk

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    1. Isso só prova a falta de ética e respeito de alguns jornalistas. Pode ser uma coletiva de imprensa, e pregam que defendem os direitos humanos, mas, se esquecem de defender o direito à vida. Para mim, o Schumacher em se tratando de ser humano, está no mesmo patamar de Senna. Ambos na pista miravam na vitória e não abriam mão dela, que é a eterna busca de um piloto. E fora dela eram seres humamos, com toda a responsabilidade pelo outro que o infeliz jornalista não teve nesta coletiva.

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  4. Eu e todos nós nos lembramos de Senna dentro das pistas, lógico, mas uma lembrança marcante para mim, é de fora das pistas: Tina Turner lhe chamando ao palco de seu show na Austrália, após aquela que seria a última vitória da carreira de Senna, e lhe dedicando a canção "Simply The Best". Associo esta canção à ele tanto quanto associo o "Tema da Vitória", e hoje, ao contrário de quando Senna era vivo, ao ouvir estas canções, uma certa tristeza me invade. F-1? Morreu com ele. Se vi três ou quatro GPs completos após Senna, foi muito. Valeu Ayrton!!! Valeu muuuuuuuito!

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    1. F1 não morreu com o Senna. A perda foi grande, mas não devemos ser tão ufanistas.

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  5. Depois que a vida de Ayrton Senna foi ceifada tão precocemente, deixei de assistir a fórmula 1. Perdeu totalmente a graça. R.I.P. grande Ayrton Senna.

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    1. Vc já não gostava do esporte

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    2. Pois é. Acho muito engraçado essas pessoas que dizem, depois do Senna ficou uma porcaria, nunca mais assisti uma corrida. Ué, se não assiste, como sabe que está ruim? Essas pessoas não sabem o que perdem, nos últimos anos tivemos os melhores campeonatos que já vi, mesmo com a recente supremacia do Vetel.
      São pessoas que nunca gostaram de F1, gostavam do Senna. Será que eles acham que o cara correria para sempre, que nunca iria parar?

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    3. Para os Anônimos das 01:04 e 14:55,
      Provavelmente vocês devem ser muito jovens e acredito que ainda precisam aprender muito sobre a vida.
      Eu,por exemplo, não só gostava de corridas de carro, como era fanático por elas.
      Durante nossas vidas mudamos muito, coisa que provavelmente vocês só saberão depois de terem vivido um bom tempo.
      E por favor aprendam que nunca se deve julgar ninguém. Se eu e outros que aqui se reportaram deixaram de assistir corridas, foi por não sentir mais prazer nisso, em decorrência do acidente com o Senna.
      E repito: Não cabe a vocês e nem a ninguém nos julgar.
      E por favor, se importem com suas vidas que nós nos importamos com a nossa.

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    4. CCN 1410
      Desculpe, mas acho que os dois leitores a que você se referiu se manifestaram adequadamente e dou plena razão a eles. Também não concebo deixar-se de acompanhar um esporte só porque um dos seus astros morreu. Imagine essa lógica transposta para o futebol: se Pelé tivesse morrido cedo, quem curte futebol deixaria de assistir aos jogos? Assim como o futebol é paixão, automobilismo também é. É claro que mortes repentinas e brutais como a do Ayrton comovem, entristecem, mas tenho certeza de que ele, esteja onde estiver, não gostaria de ver a audiência das corridas de F-1 diminuída pelo fato de não estar mais entre nós.

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    5. Já a minha reação é a contrária. Vejo qualquer prova automobilística, desde os anos 70, com muito prazer. Mesmo com a perda. Creio que Ayrton, se neste plano ainda estivesse, incentivaria a produção de novos Ayrtons. Laissez faire, laissez aller, laissez passer. Ces't la vie, monsieurs...

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  6. Eu era molequinho, comemorando meus 13 anos, e como sempre fazia, nao deixava ninguem me perturbar até acabar a corrida. O Senna não vinha tão bem naquele ano com a Williams, mas nada me fazia desgrudar do sofá até que a corrida acabasse. Depois daquele dia, todo aniversário tem uma pontinha de melancolia, pelo fato de o meu maior ídolo ter nos deixado no 1° de maio de 1994. Ele não era santo? Não, tinha momentos de imensa genialidade e outros de bastante sujeira(Alai Prost aue o diga, heheheh...), mas era um piloto sensacional, um ser humano fantástico e inspirador de várias gerações. Posso dizer que muito do meu lado entusiasta nasceu e cresceu embalado pelas manhãs de domingo onde ele reinava absoluto.
    .
    Requiescat In Pace, Airton

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  7. Depois do grande piloto Ayrton Senna, nunca mais consegui ou tive vontade de assistir F1.

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  8. Interessante, a Ferrari, através de seu (a meu ver, dissimulado) Luca de Montezemolo, afirmou que, à época, estaria em conversações com Senna para que corresse pela Scuderia. Duvido, pois sendo Senna (assim como Piquet) avesso às falcatruas e manobras políticas que a equipe sempre fez e ao jogo sórdido de equipe, jamais aceitaria fazer parte daquele jogo e daria (como Pìquet fez), uma solene BANANA (tão em voga hoje em dia...) para eles. É uma tentativa de angariar simpatia para uma equipe perdida e em decadência com o novo regulamento da F1. Mais uma vez, jogando sujo, claro...

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  9. Acho que todo mundo já desconfiava que aquele GP não estava com um clima muito bom desde o vôo do Rubinho - ainda um menino - na sexta, que felizmente ficou na barreira de pneus e não no alambrado. Depois do acidente do Roland no sábado, em uma cena mais chocante e que está ainda mais nítida na minha memória que o caso do Senna, veio a confirmação que aquela temporada seria a mais trágica em vários anos, com Berger falando pouco depois que mais gente iria morrer. Infelizmente ele estava certo, mas penso que nem desconfiava que a vítima fosse o amigo.
    Sobre a temporada de 1994, fico com a lembrança que o FW16 nas primeiras corridas era uma verdadeira cadeira elétrica, parecendo que apenas pegaram o FW15 e tiraram tudo que a FIA baniu, sem ver possíveis consequências disso.

    Após a morte do Senna segui vendo a F1. Vi o Rubinho surgir como promessa, carregando um peso para o qual ele não estava preparado, e acabar sendo vítima dos papagaios de televisão, repetindo piadinhas sem graça sem nem saber o que é um carro. Acompanhei a evolução da Ferrari, testemunhei ascensão e queda do Briatore e ri das entrevistas do Hakkinnen (com grunhidos de trinta segundos para responder com um simples "yes" algum repórter não finlandês). O esporte seguiu, meio sem graça durante vários por causa de sua própria evolução, mas seguiu.

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  10. Adoro qualquer competição automobilística e/ou motociclística. Coisa de velho rachador....

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    1. "Velho Rachador". Essa foi ótima!

      Nícolas.

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