APERTO FAZ PARTE DA VIDA




O título do post pode parecer alguma coisa ligada a aperto financeiro, mas não é nada disso e nem se trata de pegadinha. É sobre aperto de porcas e parafusos. Aliás, falando de aperto, isso me lembra o que avô de amigo leitor lhe ensinou sobre com que força se deve segurar o volante de direção: considere-o um passarinho, em que se apertá-lo pouco, escapa e sai voando, se apertá-lo demais machuca-o ou mesmo mata-o.

O aperto de peças rosqueadas está em praticamente tudo à nossa volta. Faz parte da nossa vida. Outro dia meu dentista estava me explicando o processo de implante dentário, em que é colocada uma bucha no osso da arcada. Depois de aberta rosca com um macho, a bucha é rosqueada e apertada – com um torquímetro em kgf·cm (e não kgf·m), portanto um torque de aperto e um torquímetro bem pequeno. Nem mais nem menos, tem de ser um torque preestabelecido, ou o trabalho fica arruinado.

Outro dia minha mulher não conseguia tirar a tampa de uma garrafa de PET de Coca-Cola: torque de aperto excessivo na fábrica.

Às vezes determinadas tampas vêm com aperto excessivo
Não sei se já falei aqui, mas o aperto de cabeçote dos motores Volkswagen arrefecidos a ar é de 2,5 kgf·m, pouco, aparentemente, comparado ao torque aplicado a um parafuso de roda, entre 8 e 12 kgf·m. É um torque tão baixo que não era difícil um montador de motores achar que era pouco e resolver aplicar um torque maior “por conta”. Pronto, a rosca do prisioneiro (estojo em algumas regiões, como Rio de Janeiro) na carcaça de liga leve se avariava em pouco tempo o cabeçote se soltava, deixando escapar gases de escapamento e produzindo um desagradável som característico acompanhado, é claro, de perda de potência.

O aperto do cabeçote do motor VW boxer é delicado (foto cangaceirosvwpe.blogspot.com)
 Temos todos um pouco de “mão de mecânico” quando se trata de apertar alguma coisa, ou deveríamos ter. Nas tarefas domésticas mais simples, volta e meia precisamos apertar alguma coisa. Ao fechar as metades de uma tomada que acabamos de consertar, por exemplo. A tendência é apertar o pequeno parafuso muito mais do que o necessário. Ou rosquear uma lâmpada em seu soquete, quando tudo o que é necessário é praticamente encostá-la.

O medo de deixar a peça solta faz muitos apertarem o filtro de óleo no bloco do motor com a cinta ou corrente de retirá-lo, quando a instrução, muitas vezes existente na embalagem do filtro, é apertá-lo apenas com a mão, ou seja, torque bem baixo. A recomendação tem seu motivo: a cinta/corrente pode danificar a carcaça do filtro, que pode eventualmente vir a rachar depois de algum tempo com a vibração do motor. Como o filtro está na linha de pressão de óleo, é fácil adivinhar o que acontecerá se ele se romper.

O filtro de óleo deve ser apertado à mão

No tempo do carburador, era muito comum apertar demais elementos como a tampa da cuba ou os giclês e porta-giclês. Aprendi com o Jorge Lettry, chefe de competição da Vemag, que o aperto de tudo no carburador é bem pouco para não danificá-lo. Em geral aperta-se demais parafusos e outros itens do carburador.

Outra lição que o grande amigo, falecido há cinco anos, me deu, é usar as ferramentas certas sempre, por exemplo, chaves de fenda. O que se vê de carburador com “marcas de chave de fenda” na cabeça dos parafusos não é brincadeira. Não é para ser assim. Inclusive, procurar sempre usar o tamanho de ponta adequado à fenda do parafuso. Se menor que este, acaba danificando-o.

Seria desnecessário lembrar, mas chave de fenda destina-se exclusivamente a girar parafusos (por isso se chama “tournevis” em francês, em que ‘vis’ é parafuso. Nunca usar a chave de fenda como alavanca ou, pior, como talhadeira, golpeando o cabo com um martelo.

A chave de fenda é uma ferramenta das mais importantes, mas tem de ser usada corretamente
Também relacionado a aperto estão as chaves de boca, de estrela (estria em algumas regiões) e de soquete (também conhecidas como chave de caixa): nunca tentar usar uma ferramenta milimétrica em parafusos e porcas em polegadas e vice-versa, pois isso acaba danificando-os. Esse foi um problema nos Opala, do lançamento em 1968 até o ano-modelo 1974, porcas e parafusos de carroceria e chassi milimétricos (Opel, alemão) e motor e transmissão (Chevrolet) em polegadas, obrigando a haver ferramentas dos dois tipos à disposição dos mecânicos.

Ao apertar uma porca ou parafuso o ideal é sempre que possível usar um torquímetro, como dito no post sobre fixação de roda. Mas sabendo que aperto excessivo pode danificar as roscas e aperto insuficiente pode levar à soltura do elemento, bom senso e cuidado ajudam. O mecânico-chefe da Vemag, Miguel Crispim, só apertava os cabeçotes “no tato” e dava certo, mas nesse caso uma questão de grande prática. Hoje, com aperto por torque mais aperto angular, seria preciso usar torquímetro. O aperto angular consiste em “encostar” com o torquímetro, a baixo torque e fazer duas seqüências de aperto de 90°, por exemplo (cada fabricante tem sua especificação).

Exemplo de aperto angular
Parafusos importantes com os de cabeçote só podem ser apertados uma vez, pois funcionam na base do estiramento do material para garantir o aperto para toda vida, sem nenhuma necessidade de reaperto depois de percorridos cerca de 500 quilômetros, como era prática pouco tempo atrás. Desmontou, parafusos novos, sempre.

E na próxima vez que você for apertar a tampa da garrafa térmica do café, lembre-se, encostou e dê um pequeno torque com a mão. Não precisa muito.



BS

77 comentários :

  1. Outra coisa que espana se for muito apertado é a rosca das velas de ignição, o certo é usar um torquímetro e aplicar a força necessária que o fabricante pede, uma vez li num manual da NGK que depois de encostar pode-se aplicar 1/8 de volta fazendo força que estaria tudo bem e até hoje nunca espanei nenhum cabeçote e claro não esquecendo de aplicar um pouco de óleo ou graxa na rosca para a mesma não travar quando for retirada.

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  2. Victor Gomes30/05/13 12:16

    Se pudesse, usaria torquimetro em tudo, aqui em casa. O problema é que um modelo do tipo "de estalo", que tem maior precisão, custa bem caro!
    Fiquei impressionado uma vez quando tive que trocar um pneu numa cidade da região serrana do Rio (Nova Friburgo). Fui num grande autocenter da região, autorizada Pirelli. Quando o indivíduo trocou o pneu e pôs a roda no lugar, perguntei porque ele não usou o torquímetro. Disse ele que não tinha torquímetro na oficina. Fui tirar satisfação com o dono do local e a resposta foi a mesma do mecânico. Muito absurdo!!!

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    1. Victor, também sou de Friburgo! O pessoal do autocenter da Goodyear parou de usar aquelas pistolas pneumáticas justamente por conta do torque excessivo. Porém, não adotaram o torquímetro, apertam as rodas "no tato".

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    2. eu mesmo nunca vi alguém apertar parafuso de roda com torquímetro.

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    3. Victor, essa questão de preço de ferramentas nas lojas brasileiras é de deixar qulquer brasileiro que gosta de mecânica enfurecido! Um exemplo: decidi comprar um torquimetro de até 15N.m da Park Tool para realizar manutenção em bicicletas todo terreno. O preço em lojas físicas brasileiras é ao redor de R$950,00(!). Fui consultar na internet e achei a mesma ferramenta custando US$100,00 com entrega ao redor de US$20,00 (se não me falha a memória, pode ter sido menos). Pô, cinco vezes o preço no exterior? Será que o representante da Park Tool no Brasil acha que todo cliente brasileiro é idiota, que não sabe o valor das coisas?

      Abraço.

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    4. Bruno Hoelz30/05/13 12:36
      Victor, também sou de Friburgo! O pessoal do autocenter da Goodyear parou de usar aquelas pistolas pneumáticas justamente por conta do torque excessivo.

      Bruno, pistolas pneumáticas possuem regulagem de pressão. É perfeitamente possível usá-las para aplicar o torque correto. Agora o pessoal fazer a regulagem (simples por sinal) aí já é outra história.

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    5. Aqui no Brasil não se vê mesmo, negócio aqui é marreta, talhadeira e alicate pra tudo.

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    6. Anônimo 30/05/13 12:41

      Normalmente quem tem carro que usa prisioneiros, com exceção de utilitários, deveria usar torquímetro sempre que possível. Já vi alguns casos que fazem isso, mas são bem raros.
      E em carros de pista, nesse caso mais especificamente de track day, é mais comum que se imagina o uso de torquímetro para fixar as rodas. Devido ao uso de prisioneiros, pneus slicks e componentes muitas vezes leves e caros, caso seja usado o torque errado a chance de quebrar alguma coisa é bem grande.

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    7. Corsário Viajante30/05/13 15:00

      É que brasileiro não é muito chegado a aprender coisa nova nem melhorar o processo que já conhecem, os mexânicos encarnam isso perfeitamente.

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    8. Eu aperto os parafusos do meu Fusca com torquímetro. 11kgfm.

      P500<<

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    9. Clésio, imaginei que haveria mesmo regulagem para as pistolas, mas o que vejo é a mesma pistola apertando parafusos de rodas, elementos da suspensão, protetores de cárter, tudo ao mesmo tempo...

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    10. O valor de produtos e da mão de obra são inversamente proporcionais, quanto mais desenvolvido um país, mais barato são os produtos.

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    11. Eu vi apenas uma oficina/autocenter usar torquímetro para apertar parafusos de roda. Foi em União da Vitória - PR. Infelizmente não lembro o nome da oficina. Na hora não acreditei no que estava vendo e até comentei com meu tio e meu irmão que estavam junto. Resolvemos dar uma "sacaneada" no funcionário, nos fizemos de desentendidos e perguntamos o que era aquilo. Ele nos explicou de maneira satisfatória e mostrou uma tabela de torque que tinha na parede para diferentes tipos e quantidades de parafusos e rodas.

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  3. Aqui em casa, torquímetro sempre que possível. O próximo passo agora é comprar um de escala mais baixa, tipo 10 a 40 Nm, pois o meu é de 30-150

    O que me irrita é o uso de chave de impacto pneumática, principalmente no aperto das rodas. Tem ferramenta que dá torque de 350 Nm!! Além de correr o risco de detonar a rosca do cubo de roda, se vc precisar trocar um pneu no meio do nada com a chave de roda do veículo, boa sorte!

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  4. "Desmontou, parafusos novos, sempre."

    É, dessa vez, quando for trocar o cabeçote, finalmente trocarei os parafusos. Já se foram umas quatro montagens e desmontagens e sempre com os mesmos parafusos, que até hoje não sei como continuam funcionando. O mesmo vale para a junta de cabeçote, metálica, que está sendo usada pela terceira vez.
    Sobre apertos de rodas, normalmente donos de Subaru que usam prisioneiros sofrem com isso. Mecânicos e borracheiros acostumados a dar aquela apertada "para garantir" acabam querendo fazer a mesma coisa com esses carros, então tome prisioneiro e porca espanados, além daquele agoniante processo de retirar os restos do conjunto e colocar outro.

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    1. Depende muito do motor em questão. Há motores em que os parafusos não são apertados na região plástica, e sim na elástica, portanto não há necessidade de parafusos novos sempre. Mesma coisa para parafusos de suspensão, de alguns modelos de carros (amortecedores dianteiros do Astra, por exemplo) são apertados na zona plástica, sendo portanto necessários novos parafusos e porcas sempre que for desapertado. O que quase sempre é solenemente ignorado nos "auto centers" da vida.

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  5. Bob, o assunto é tão sério que o manual do proprietário da minha XT 225 traz a especificação do torque correto para todos os serviços em que há aperto/desaperto de parafusos. No caso da vela vai até mais longe: ensina a rosquear a vela com as mãos e dar 1/2 volta com ferramenta (e claro, usar um torquímetro assim que possível).

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    1. Bruno,
      Encostar e dar meia volta me parece muito. Mas está assim no manual, faça-se.

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    2. Os manuais da Yamaha são bem detalhados mesmo. Reparei isso no manual da TDM 225que tive. Depois, comprei uma Lander e o manual dela também contempla todos os torques de aperto!

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    3. Na moto do meu pai (Honda CG Titan 2003) também é assim. Há a informação sobre o torque adequado para todos os parafusos.

      Já no caso da vela, diz assim: "Instale a vela manualmente até que a arruela de vedação encoste no cabeçote; Dê o aperto final (1/2 volta para velas novas ou 1/8 - 1/4 de volta para velas usadas) utilizando a chave de vela. Não aperte a vela excessivamente".

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    4. Bob, Fui conferir no manual o torque para instalar a vela e, de fato, é baixo: 1,75 kg.m, mas a instrução de 1/2 volta confere.

      Suburbano, sensacional o manual da Yamaha (a comprei a pouco tempo). Os únicos serviços que o manual não descreve são a regulagem de válvulas e a troca do fluido de freio. Com algumas ferramentas (torquímetro incluso) dá para fazer a manutenção preventiva numa boa.

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  6. Uma vez um trocador de peças e desmontador de carcaças me disse que "torquímetro é uma bobagem", e que o negócio mesmo "é usar o canômetro".
    Perguntei o que era o tal do instrumento, e ele me mostrou um cano de metal que usava para alavancar as chaves ao apertar os parafusos de um motor.
    "A hora que escutar um estalinho é que tá bão", completou o mãos-sujas.

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    1. Imagina um motor com bloco de alumínio caindo na mão de um "porcânico" desses... vai arrebentar tudo...

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    2. Ah é disso aí que eu falei logo acima. Oficina aqui é assim: marreta, talhadeira, alicate, pedra, pedaço de madeira, tijolo, cano etc.

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    3. Pra não falar no cidadão metido a borracheiro que manda marretada no parafuso da roda "pra ajudar a soltar"...

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    4. DANIEL, 19:01
      Isso até funciona em caso de parafuso emperrado, mas são situações raras.

      João Paulo

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  7. Muito instrutivo esse post, Bob. Lembro-me do meu pai reclamando que os borracheiros apertavam as porcas dos parafusos das rodas até elas rangerem. Depois, para retirá-las, era praticamente impossível. Mas, quando esses profissionais não dispõem de torquímetro (a maioria, creio), o que fazer? Eles devem apertar as porcas só até encostar?

    Quanto à garrafa térmica, agora já sei que basta encostar.

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    1. Luiz, leia o post que está com link, tem como apertar caso não se disponha de um torquímetro. Não é só até encostar, precisa dar torque, nesse texto é explicado como.

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    2. Se não tiver torquímetro, use outra ferramenta: bom senso.

      João Paulo

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  8. Viva a cena: motor 350 V8 fechado,pintado, agrega-se o corpo da injeção eletronica do Corvette 1989, o câmbio TH 350, monta-se tudo num Camaro 1973 fazendo as ligações elétricas com Fuel Tech, linha de combustível com retôrno etc,etc,aí vc liga o motor e depois de 10 minutos ele começa "bater" e descobre que o sujeito que "torqueou" a parte baixa esqueceu de torquear alguma coisa....DEIXA PRÁ LÁ, MELHOR NEM RELEMBRAR MAIS !

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  9. Aprendi com um grande amigo meu uma regrinha muito simples válida para parafusos e porcas em geral:
    O torque correto para apertar parafusos é porcar é SEMPRE "meia volta antes de espanar".
    Quando ele me contou essa, obviamente rachamos o bico!

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    1. Um professor que tive na época das aulas de usinagem no colégio técnico dizia a mesma coisa, pois era comum os alunos espanarem os parafusos do castelo do torno por acharem que precisava apertar até sangrar...

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    2. A chave dos parafusos do castelo já é pequena justamente para não apertarem demais, mas sempre tem os espertos que conseguem fazer proezas. Mas ali no castelo geralmente espana-se por desgaste mesmo, de tanto aperta-solta.

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  10. Ótimo texto, pois é comum a maioria das pessoas imaginar que quanto mais aperto, melhor. Agora entendo o porquê de ser tão comum vermos andando por aí motores VW a ar com cabeçotes soltos, não sabia que o torque necessário para aperto era tão baixo.

    Um dos motivos que gosto do local onde levo meu carro para troca de óleo é o fato de usarem torquímetro para aperto do bujão do cárter, único local até hoje que vi usarem tal ferramenta para esse fim. E se o bujão usa arruela de alumínio ou cobre, sempre instalam uma arruela nova na remontagem. São detalhes que fazem toda diferença.

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    1. Claudio Fischgold30/05/13 16:20

      Voce me lembrou de uma vez que fui trocar o óleo num posto aqui no Rio, e o cara apertou o parafuso até sangrar. Na troca seguinte, o parafuso saiu mas não voltou ao lugar. O soquete tinha ido pras cucuias. De lá prá cá, só em oficina.

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  11. Todo Autoentusiastas deve ter:

    http://www.lojadomecanico.com.br/produto/10314/2/301/kit--jogo-oficina-master-com-177-pecas

    http://www.lojadomecanico.com.br/produto/2367/1/21/torquimetro-em-aco-forjado-com-encaixe-de-12#ancora

    O torquímetro não é lá o melhor do mundo, mas é bem melhor do que apertar no "olhômetro", que aliás é o instrumento de precisão mais comum no Brasil.

    Quanto ao kit de ferramentas, uso-o diariamente em minha profissão, e é excelente. Atende 80% das necessidades, obviamente há casos em que necessitamos de ferramentas específicas.

    Fica a dica.

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  12. Toda vez que vou trocar o óleo e filtro é a hora do pesadelo!

    Sempre fico de olho. E, no meu carro, vai um anel metálico no parafuso de esgotamento, os iluminados sempre acham que é desnecessário.

    Por falar em óleo, meu carro é recomendado troca com 1 ano/10 mil quilômetros exceto pra uso comercial, menos mal do que sofrer com isso constantemente.

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  13. Outra coisa que me deixa enfurecido, é o aperto excessivo do bujão do cárter após a troca de óleo. O pessoal não troca a arruela de vedação e prefere apertar o parafuso ao extremo. Gosto, sempre que possível, de fazer esse serviço em casa, mas toda vez que comprei um carro usado, não foi possível dado o excesso de aperto que torna praticamente impossível soltar o bujão com o carro no chão, com uma chave de boca ou um "cachimbo". O Bob deve saber, pior ainda naquela linha da VW em que o parafuso é do tipo Allen, cuja cabeça sempre espana.
    Mas... troca de óleo a cada 10.000 km? Certamente o motor terá sua durabilidade comprometida a médio prazo.

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    1. CSS
      O bujão com cabeça Allen é ótimo por impedir qualquer afrouxamento ao tocar em alguma coisa, como numa raspada sobre qualquer objeto na pista. Mas tem que usar a chave Allen correta, métrica, senão a cabeça espana mesmo.

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    2. A troca é com 1 ano ou 10 mil, o que ocorrer primeiro, 5 mil ou seis meses pra uso comercial. Isso que diz o manual da Honda. Óleo API SM. Mas uso um que também atende Acea A3, assim ficou tranquilo, embora só com o API esteja bom.

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    3. Troca de óleo em 10 mil km ou 1 ano, para uso não-severo, está perfeitamente dentro da durabilidade atual dos óleos, mesmo para os minerais de classificação api sl. Só há que se ter critério para discernir o que é uso severo de uso não-severo.

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    4. Oliveirajc31/05/13 20:30

      Estava olhando os manuais internacionais da Fiat, lá a troca para os motores gasolina (incluído nosso T-Jet) são com 30 mil/2 anos; uso severo a cada 10 mil/1 ano. O óleo é C3 (igual ao Acea A3). Isso dá pra ter uma ideia do quanto estamos jogando muito óleo bom fora com essa praxe de troca com 5 mil km.

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    5. Oliveirajc
      Tire-me desse grupo. Troco a cada 15.000 km/um ano. Estamos jogando óleo e dinheiro fora.

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    6. Oliveirajc31/05/13 23:18

      Viramos a terra da "trocação" de óleo! Dava até pra fazer um post.

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    7. Aproveitando, meu Novo EcoSport, a troca é com 5000 ou 3 meses, 10000 ou 6 meses.

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  14. A porca do cubo das rodas traseiras dos fuscas/brasilia/variant/kombi só soltavam no canômetro. (adorei essa). Ferramenta muito usada ainda hoje para soltar/apertar as porcas de caminhões e onibus, até 'sangrar' ahahahah. Tenho engulhos cada vez que ouço o reeeeec...final, seguido de um sorriso de "estou satisfeito". Torquimetro é coisa de "fracotes" (especialmente para apertar) (ouvi essa de um mexânico) . Dizer o que?

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    1. Essa do "reeec" é clássica, sinal de aperto ideal. Sempre uso lubrificante nas roscas das porcas/parafusos de roda de meus carros, justamente para não emperrar e não fazer o tal do "rec". Certa vez um "iluminado" me falou que usar lubrificantes nas porcas/parafusos de roda é perigoso, pois podem-se soltar com facilidade. Tentei explicar para o cidadão que, sendo o assento cônico, esse problema é praticamente impossível de ocorrer, desde que se use o aperto adequado, que não é o exagerado. O cara fez aquela cara de superioridade e não disse nada. Azar, ele que siga dando os "reeeec" nas porcas de roda dele...

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  15. Lorenzo Frigerio30/05/13 16:03

    Uma coisa que tem "truque" para apertar é porca de cubo de roda. Tem que dar aperto, depois soltar, depois encostar...

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    1. Lorenzo
      Isso quando se tratar de rolamentos de rolos cônicos, certo?

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    2. E sempre dar a pré-carga com o rolamento girando! Senão é rolamento "brinelado" na certa.

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  16. Muito importante isso. Tanto o meu carro como o da minha mãe estão com 1 dos parafusos da tampa do filtro de ar espanados. No meu a parafuso continua lá e pra trocar o filtro, tenho que soltar os outros, forçar a tampa e passar o filtro de lado. No da minha mãe tem um "enforca gato" cumprindo sua missão.
    Também lembro de uma vez que troquei o pneu do Tipo da minha mãe, por volta de 96. Na hora de prender, forcei tanto com o pé no parafuso que não deu outro.... quebrou! Minha mãe ficou uma fera...

    3 casos que houve excesso de torque nos parafusos.

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  17. Pedro Bergamaschi30/05/13 18:41

    Pela filosofia do mecânico de garagem:

    "Toda ferramenta é um martelo, exceto a talhadeira! Ela é uma chave de fenda!"

    A última que o meu mecânico me aplicou foi a façanha de conseguir instalar velas de rosca diferente no cabeçote do meu carro! Eu nunca sofri tanto pra conseguir tirar as velas. Cheguei a entortar a alavanca da chave de vela. As velas corretas entraram com a ponta dos dedos.

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    1. tu teve sorte q as corretas ainda entraram......

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  18. Normalmente as torneiras pingam, quando se aplica muita força para fechá-las.

    No mais mestre Bob, valeu! Principalmente essa explicação sobre parafusos milimétricos e de polegadas.

    Por falar nisso, como eu sei se são milimétricos ou de polegadas?

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    1. Isso mesmo! Tem muita gente que não sabe fechar nem uma simples torneira.

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    2. CCN
      Ao aplicar a ferramenta logo se nota se a porca ou parafuso é mm ou pol. Por exemplo, uma chave de boca de 13 mm fica folgada numa cabeça de parafuso de 1/2 polegada (12,7 mm) ou, ao contrário, não encaixa.

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    3. Mas há tamanhos em polegadas que praticamente coincidem com o tamanho métrico. Por exemplo, 3/4" e 19mm. Outro exemplo é o mítico tamanho de chave canhão 5,5mm que é praticamente impossível encontrar no mercado (embora fabricantes o tenham no catálogo), mas é igual ao facilmente comprável 7/32". Alguns carros usam esse tamanho de parafuso em peças do painel, em posição profunda, impossível alcançar sem uma chave canhão.

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    4. Mesmo que seja pouca diferença da 19-mm para a de 3/4 de pol. (19,05 mm), deve-se evitar usá-la, pois acaba marcando o parafuso ou a porca. No caso da chave canhão 7/32,. essa medida equivale a 5,556 mm e pode ser usada como 5,5 mm independente de correta ou não, mesmo porque são parafusos de torque de aperto muito baixo, ao contrário de 3/4/19 mm.

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  19. Boa noite pessoal dos entusiastas, parabéns pelo trabalho e pelo blog, me chamo Anderson e faço parte do grupo "Cangaceiros VW's de Pernambuco" e reconheci a uma das fotos do seu post como sendo do nosso blog (cangaceirosvwpe.blogspot.com), peço-lhes uma coisa, que coloquem os créditos da foto, para que possamos ter um bom relacionamento e evitar problemas com a pessoa da foto.

    Obrigado pela atenção.

    Anderson D. de Oliveira (Cangaceiros VW's de PE)

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    1. Anderson
      Pronto, seu pedido foi atendido. Só demorou porque estávamos com problema de conexão (Vivo Speedy, não tinha upload) desde ontem final de tarde, só resolvendo no final desta manhã.

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    2. Muito obrigado querido Bob, Fernando ficará feliz com a sua foto estampando o AE. Valeu.

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  20. Certa vez, quando fui efetuar a primeira troca de filtro de combustível de uma S-10 diesel (o filtro é externamente parecido com filtro de óleo do motor), não consegui soltá-lo com a chave de filtro de jeito nenhum. Tive que remover o suporte do filtro do bloco do motor, colocar o conjunto na morsa "forjasul", espetar o corpo do filtro com um pé de cabra, atravessando-o, e exercer um torque absurdo para conseguir soltar o bendito. Típico exemplo de torque excessivo na montagem, pela "montadora".

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  21. Bob,
    além da estupidez com o filtro de óleo, o bujão de escoamento é também uma vítima do torquímetro movido a feijão dos mecânicos. Esse eu fico de olho totalmente aberto quando troco o óleo do carro. Peço para não apertar demais. O problema é que muito aperto já é demais, e os caras acham que demais é apertar muito e depois apertar mais um pouco.
    É uma confusão....

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  22. Bob,

    Durante as aulas de motor explico aos alunos que o aperto excessivo em parafusos nos mancais, além da possibilidade de dano ao parafuso ou a rosca fêmea onde o mesmo encaixa , haverá a redução da espessura do filme de óleo entre o virabrequim e a bronzina em questão, o que influenciara negativamente na vida útil do motor.

    Outro ponto importante é que excessivo poderá esmagar demasiadamente as juntas de borracha ou cortiça (se é que ainda se usa junta de cortiça) provocando vazamentos. Em casos de rolamentos o aperto excessivo é fatal.

    E por fim, mas não menos importante, é que o torquímetro mede a força de atrito entre a rosca do macho e a rosca fêmea, sendo assim devemos observar se o manual de reparação orienta a lubrificação as roscas ou se o aperto deve ser dado a seco. Se lubrificarmos um parafuso em que é recomendado o aperto à seco teremos uma maior tração no parafuso o que poderá danificar não só ele e as roscas envolvidas, mas também outras peças.

    Parabéns pelo post.

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  23. Há um bom tempo eu havia conhecido uma moça com quem estava em um relacionamento. Ela tinha um VW 1.0 na época. Certa vez ela me pediu para que dirigisse o carrinho até um bairro movimentado daqui de Curitiba, pois ia se encontrar com uma amiga e tinha certo pavor de dirigir com trânsito à noite. Nunca me esquecerei desse dia.
    Era por volta de 20:00 horas, estava garoando e o trânsito era infernal naquela noite em particular. O caminho era cheio de aclives acentuados, inclusive com semáfaros nos topos naqueles cruzamentos para alpinista. O miserável do VW falhava que era um diabo.
    Foi a primeira coisa que perguntei a ela naquele oportunidade, se bem me lembro, sobre quando foi a última vez que foram verificadas as velas daquele carro. Ela não soube me dizer até que expliquei o que era vela: "aquele parafusinho estranho, com uma ponta branca, que vai na parte de cima do motor". Ela me disse que seu pai trocou uma única vez, quando o carro havia sido comprado, coisa de uns 80 mkm atrás. Estava aí a provável causa do problema.
    No dia seguinte fui até a casa da moça, munido de chave de vela, e pedi a ela que me deixasse dar uma boa olhada no motor. O resultado da ópera é que estavam as velas todas tão travadas em suas roscas que mesmo alavancando o braço da chave só consegui tirar uma delas, e a custo de dar perda total na ferramenta. Eletrodo era história ali.

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  24. O torquímetro é uma ferramenta tão trivial para o trabalho do mecânico, que acho inconcebível algum não ter.
    O pior é que os poucos que tem, a utilizam somente para fechar motor e alegam que o resto não precisa de torquímetro.

    Eu quase perdi um cárter porque o animal que troca o óleo, com medo de vazar, apertou demais o bujão. Sorte que troquei o óleo numa mecânica e o cara conseguiu soldar um parafuso de roda no bujão Allen para trocar.

    Para mim é como um cirurgião dizer que opera sem bisturi, ele usa faca de cozinha mesmo.

    É uma pena que aqui no Brasil o profissionalismo além de ser incomum é tido como frescura. Quando fiz SENAI para mexer no meu próprio carro, lembro-me perfeitamente dos mecânicos já em profissão reclamando que eram chamados de "SENAIZINHO cheio de frescuras" quando exigiram NA CONCESSIONÁRIA em que trabalhavam as ferramentas corretas para realizaram as manutenções nos motores.

    Nessa, um cara como o ADG, que apesar de mandar bem( Não tiro seu mérito), simplesmente segue o manual de serviço de maneira correta, acaba virando rei.

    É fogo.

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  25. Eu tinha um Dodge Stratus e o disco de freio era de tal forma montado no cubo da roda que aperto excessivo dos parafusos da roda poderiam empená-lo. Conseqüentemente, sempre que faziam um rodízio dos pneus após uma troca de óleo, eles usavam a pistola pneumática e apertavam os parafusos em demasiado, levando ao empenamento dos discos em poucos dias. Resolvi este problema comprando uma chave com torquímetro, daquelas que fazem um clique quando se atinge o torque selecionado, e, após o rodízio dos pneus, soltava os parafusos e os apertava de novo com o torque especificado pelo fabricante, 100ft.lbs.

    Outro ponto importante, os parafusos de rodas e especialmente de cabeçote, é que se deve seguir a seqüência determinada de aperto de cada parafuso, em geral em um padrão cruzado, para se evitar deformações na peça, fatal no caso de um cabeçote.

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  26. Bob, a título de curiosidade, sobre a garrafa de coca cola, aquele fundo com ressaltos tem sua razão de ser.
    Quando a tampa está muito apertada basta segurar o fundo da garrafa, apoiando os dedos nos ressaltos, girá-la e segurar a tampa.
    O que fazemos normalmente é segurar a garrafa e girar a tampa.
    Será porque o fundo tem um diâmetro bem maior do que a tampa, (Relação 5:1 aproximadamente), fazendo com que haja uma multiplicação do torque que aplicamos na tampa ?

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  27. Mike,
    O torque de aplicação aumenta girando-se a garrafa, sem dúvida, mas ele não se sobrepõe ao torque de resistência, o de segurar a tampa, o que acaba dando no mesmo, não acha?

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    Respostas
    1. Tem Razão Bob ! Cheguei à mesma conclusão, acho que me ensinaram errado.

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  28. ola a todos sempre leio os post (muito bons por sinal ) mais não comento por ver muito comentarios que , bem digamos que eu ei dizer a msm coisa rsss.
    mais nesse eu vou comentar rsss começando pela garrafa Pet de coca rss, e que eu trabalho numa franquia da coca (mais aqui e agua mineral) na manutenção e as tampas são um problema , principalmente novos modelos de tampa dão um certo trabalho p/ acertar , e outro fator que ocorre p/ comprometer o torque e na sopragens da pet calor de mais na região do gargalo antes de soprar e outros fatores como ; mal posicionamento ,vazamentos de ar ect.. , altera milimetricamente o formato da boca ai prejudica a aplicação da tampa alterando o torque das garrafas do mesmo lote e mesma data rsss.
    Voltando aos automoveis , eu gosto de fazer manutenção no meu carro, que tem mais de 20 anos faço diverso reparos , conforme minha experiencia e ferramentas foram aumenta e com isso quando meu carro queimou a junta do cabeçote troquei uma ideia com um amigo mecanico e mãos na graxa. com isso seguido as instruções do frabricante de junta que dizia que era 6.5 kgf eu fiquei na estrada 3 vezes kkkkk.
    Tive que empregar mais torque ai sim nunca mais deu esse problema e com diversa planagem te ganhou uma compressão maior e com isso mais potencia no motorzinho 1.6 a etanol rsss.
    ja que eu moro no interio nao tem de controle de poluição automotiva (por enquanto) sa aproveitei p/ por um filtro esportivo e tirar o abafador, p/ deixai o motor respirar melhor rsss.
    muito bom esse blog parabens e continue assim abraços a todos

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  29. Excesso de torque, isso tem até em eletrônicos.

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  30. Aqui em Joinville, existe uma borracharia que faz o aperto com torquímetro. Fiquei feliz apesar da obrigação da loja de fazê-lo.

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  31. Bob, como sempre, excelente texto!!!
    Costumo usar pneus Michelin, trocados em franquias (?) da propria Michelin, e sempre usaram torquimetro para dar o aperto final nas rodas. Não sei se outros Autoentusiastas já viram a mesma coisa em franquias (?) da Michelin, mas se for o caso, vale dar o crédito a eles.
    Carlos

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  32. Carlos,
    Fico muito satisfeito em saber que há empresas que adotam procedimentos corretos como esse.

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