MAIS DO JACK. MUITO MAIS


O leitor André Andrews comentou se a regulamentação da profissão de guardador de automóveis, o popular "flanelinha", não deveria engrossar a lista do Jack Palance, ao lado da calha antigoteira que a Ecovias vai instalar nos túneis da pista de descida da Rodovia dos Imigrantes. A resposta é sim, deveria. A foto acima é comentada no final.

Como vai para a lista também a decisão da prefeitura paulistana de restringir a circulação de ônibus fretados e desse modo, numa canetada, prejudicar cerca de 50.000 usuários dessa modalidade de transporte coletivo.

Isso sem contar o prejuízo na fluidez do já complicado trânsito da capital paulista, pois uma boa parte dessas pessoas certamente procurará outras maneiras de chegar ao trabalho que não usando o transporte coletivo de linha regular. Por exemplo, automóveis fretados em regime de clandestinidade. Mas tem mais para a lista.

Permitir o uso de furgões de passageiros (vans) como transporte alternativo em linha regular é uma das maiores aberrações que pode haver. Por uma razão bem simples: vans não foram feitas para embarque/desembarque ao longo de um trajeto, em que entrar e sair é operação demorada e sobretudo incômoda. Servem, isto sim, para ir de ponto a ponto, como um hotel levar hóspedes para o aeroporto. Querem mais?

Os micro-ônibus, por exemplo. Não dá para acreditar que se permita esse tipo de coletivo em vez de ônibus. Ocupam 2/3 da área e carregam 1/3 dos passageiros, sem contar acomodações precárias -- alguém já notou a ridícula largura dos bancos? Só servem mesmo para transporte escolar, até à pré-adolescência. Parou? Não.

A faixas exclusivas de ônibus poderem ser usadas por táxis. Não existe burrice maior, inclusive do taxista que as usa. Os ônibus nessa faixa param em pontos e estes nem sempre contam com as duas faixas que permitem ultapassagem do parado pelo que não vai parar. O táxi, então, ou tem de parar atrás do ônibus, o que não tem o menor sentido, ou transgredirá o Código de Trânsito para sair da faixa exclusiva, cruzando a linha branca contínua, que proíbe deslocamentos laterais.

A permissão para táxis utilizarem faixas exclusivas só é cabível, usando-se um pouco do (cada vez mais) raro bom senso, quando os ônibus não param em pontos, caso da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, onde essa sistemática é usada com sucesso, que me lembre, há mais de 30 anos.

Tudo isso que serve para alimentar o banco de dados do Jack Palance tem uma causa: falta de planejamento urbano, plano diretor feito sem critério, falta de vontade de pensar e de responsabilidade. O crescimento urbano descontrolado, na base do vale-tudo, só poderia resultar nesse caldeirão em que São Paulo se transformou e que certamente chegará a outras capitais e cidades grandes brasileiras, à exceção de Curitiba, onde parece existir pessoas que fazem bom uso da massa cinzenta.

A única saída para o problema de transporte num cidade de 10 milhões de habitantes e de uma região metropolitana de 20 mihões como a da Grande São Paulo é o transporte sobre trilhos, subterrâneo ou de superfície.

Mas para isso "o cara" precisa usar verbas só aqui, e não sair emprestando dinheiro mundo afora, como os R$ 300 milhões para Cuba reformar um porto ou US$ 10 bilhões para o Fundo Monetário Internacional. Ele deve achar que "este país" é dele da mesma maneira que um sindico de prédio de apartamentos acha que pode fazer o que quer com o caixa do condomínio. Pergunto: até quando?

BS

19 comentários :

  1. Ivo Junior12/07/09 13:16

    Essa foto da faixa "exclusiva" de ônibus é daqui de Floripa, na saída do terminal de "integração" do centro, em direção à ponte. Nessa primeira somente os ônibus passam, na maior parte do tempo (só porque tem os cones, vejam).

    Mas logo após esta "canaleta" tem uma faixa "exclusiva" no lado direito da ponte, que sai da ilha em direção ao continente. Só que nesta da ponte, NINGUÉM respeita, é uma festa. Justamente porque não há fiscalização.

    Assim, tanto faz se liberarem essa faixa "exclusiva" para taxis, sendo que ela já é utilizada a qualquer momento pela grande maioria dos "motoristas" (que para receberem CNH parece que basta saber ler o próprio nome aqui). Uma vergonha!

    Eu pego diariamente o movimento da ponte (indo para o continente 18h, hora do rush), e tenho visto cada coisa que vocês não acreditam, sendo que há um posto de Polícia Militar em cada cabeceira das pontes!!!!!!! Ao menos servissem para filmar as placas dos infratores, que tal? Por isso tenho ido cada vez mais de ônibus ao trabalho, ir para casa de carro nesta confusão da tarde é uma experiência desgastante, se tornando cada vez pior com o passar do tempo! Aliás, acabamos de sair de uma greve (entre várias que acontecem todo ano), por reajuste salarial, sendo que o salário deles não é ruim, comparado com a qualificação dos motoristas e principalmente cobradores!

    Desculpem pelo desabafo, concordo com as soluções do Sr. Bob, onde mídia alguma mostra essa baderna e a falta de noção dessas atitudes de quem "coordena o trânsito". Abraço.

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  2. Ivo Junior,
    Não há por que se desculpar. Este espaço serve para isso também. Você fez muito bem.

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  3. Junior VAMODOIDO12/07/09 13:59

    o Governo de Sp é um exemplo no Metrô: 14 anos pra começar a fazer 4 estações.

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  4. Bob,

    aqui no Rio já é prática comum os micros e midis (ônibus aro 20 mais curto) rodarem sem trocador. Ou seja, o motorista tem que escolher entre ficar parado mais tempo que o normal para o embarque, catando moedas para troco, ou sair guiando um coletivo cheio e fazendo troco ao mesmo tempo, que é o mais comum de se ver. Qualquer dia o 'nosso' Jack manda um acredite...arrrrrrrff... e cai duro pra trás !

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  5. Ivo Junior12/07/09 18:14

    Por isso aqui em Florianópolis estamos reféns das greves de ônibus: não há soluções alternativas de transportes coletivos. As vans não tem muito espaço aqui, e agora estão falando em colocar metrô de superfície, sei lá.

    Chegaram a se candidatar para sediar a Copa de 2014, mas era motivo de piada, pois não possuem sequer infra-estrutura básica para absorver um evento deste porte, tanto em logística quanto hospedagem (hotéis muito espalhados). Acreditem se quiser (como diria seu amigo Jack - quase enfartando), em pleno Congresso Mundial de Turismo, sediado a pouco mais de um mês aqui (disputado a tapa no mundo todo), a prefeitura precisou "negociar" com os motoristas e cobradores para não fazerem greve e gerar "má impressão" da cidade. Foi só acabar o evento, tivemos três dias de CAOS: sem ônibus e muitos carros na rua.

    Por outro lado não tiro a razão deles em protestar: as empresas vivem dizendo que estão no prejuízo, mas não "largam o osso", outros dizem que elas lucram bastante com isso. Afinal, o que importa é chamar a atenção para as autoridades sobre a gravidade do problema - como em tantas cidades brasileiras - onde Floripa tem o PIOR índice de mobilidade urbana do país e está entre os piores do MUNDO!

    Como entusiastas, devemos fazer a nossa parte e denunciar, antes que as cidades parem e sequer possamos tirar nossos carros da garagem devido ao tamanho dos congestionamentos. Talvez o nosso futuro seja mesmo apreciar belas máquinas apenas no museu, para nos tornarmos na prática entusiastas da aviação, com diversos helicópteros no ar (dizem que SP tem a maior frota em circulação do mundo). A julgar pelo que vi no Campo de Marte, o movimento é intenso mesmo, e infelizmente é a solução para executivos que não podem perder tempo no trânsito.

    Agradeço ao Sr. Bob por tocar nesses assuntos "indiretos" que tem tudo a ver com a "manutenção" da nossa paixão por acelerar as máquinas, justamente por ainda termos algum lugar para rodar com elas. Abraço.

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  6. aqui em porto Alegre e região metropolitana a coisa não está diferente, o trânsito é um caos, dizem que a Dilma já liberou verba para o governo expandir o metrô, tomara que sim, o transporte coletivo e o corredor exclusivo para ônibus é uma piada, com toda a certeza, trem é a melhor solução para transporte coletivo

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  7. Bob

    Diante do rodízio, diante desta decisão burra da restrição aos fretados, acredito que já seja hora dos proprietários de veículos da cidade de São Paulo entrarem com um processo exigindo devolução e isenção de parte do IPVA.
    Este imposto não reverte para as prefeituras para conservação e pavimentação das rodovias?
    Está se utilizando um sétimo a menos.
    Mais, se não é permitido circular com os carros e não se pode ir de onibus, mais um processo de ressarcimento por despesas provocadas pelas inteligencias iluminadas da prefeitura.

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  8. o pior é que teve um candidato a prefeitura por aqui que estava com a proposta de ligar toda a cidade de Porto Alegre até o litoral por trem, recebeu poucos votos infelizmente

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  9. Ivo Junior

    Florianópolis é uma cidade que eu amo de paixão, mas em alta temporada é praticamente impossível circular pela cidade. Nos "horários de pico" então (quando o povo vai ou volta das praias), é verdadeiro exercício de paciência.

    É por essas e outras que eu alugo uma casinha na Barra da Lagoa e fico por lá mesmo, só tiro o carro da garagem na hora de voltar pra SP.

    FB

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  10. Marlos Dantas13/07/09 00:41

    Bob,
    No caso da Av. Brasil, aqui no Rio, a chamada "faixa seletiva" destinada aos ônibus e taxis tem sido utilizada de uma maneira muito aquém do que deveria. Tal faixa tem inúmeros buracos, grandes, que aos ônibus podem até ser inofensivos (bem, não existe buraco inofensivo...), mas já presenciei, algumas vezes, taxis quebrados após “caírem” nos buracos. Além disso, nos dias de chuva, mesmo fraca, a Av. Brasil apresenta vários pontos de alagamento, muitos com mais de 30 cm de água e, de modo geral, a água se acumula na “seletiva”, que fica na extrema esquerda da avenida. Há pouco tempo, na altura de Olaria, foram instalados radares e o limite de velocidade foi baixado para, se não me engano, 70 km/h. A não ser que a intenção tenha sido realmente lucrar com as multas, não há razão aparente para a redução da velocidade no local... Como não se pode isentar os motoristas de culpa, alguns coletivos transitam a velocidades muito baixas na faixa seletiva, obrigando quem vem atrás a sair e retornar à faixa para fazer ultrapassagens. Como pôde ver, a seletiva está no caminho certo, mas dá pra melhorar...
    Por aqui, durante um tempo, os microônibus tiveram seu apogeu, mas sua utilização tem diminuído em alguns municípios. A “moda” agora são os ônibus de tamanho padrão, porém, sem cobrador, o que obriga o motorista a ficar parado no ponto por muito mais tempo (ou pior: dirigir contando dinheiro) e elimina as vagas de emprego dos cobradores.

    Boa observação a que o senhor fez sobre “o cara”. Ele tem esbanjado muito dinheiro para – talvez – se auto-afirmar como governante bem sucedido ou fato de ter sido chamado “o cara” tenha subido à cabeça...

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  11. Ivo Junior13/07/09 07:25

    Felipe, também gosto muito de morar aqui, só comentei isso porque a mídia "abafa" essas coisas, inclusive o recente título de pior mobilidade urbana do país, um dos piores do mundo, como já citei.

    É uma pena ver as nossas belezas naturais ofuscadas por um monte de decisões impensadas e que prejudicam diretamente o turismo, uma das principais fontes financeiras desta cidade maravilhosa.

    O que mais chama a atenção é a falta de fiscalização em tudo, a polícia daqui faz vista grossa para tudo. Cito um exemplo bem recente: sexta-feira, 18:30h, entrada da ponte (saindo da ilha), um (01) policial saiu da torre e foi "ver" o movimento e, quando viu uma mulher falando no celular, parou ela (ela continuou falando, o cara só esperando). Quando ela interrompeu por uns instantes a ligação, ele só fez sinal para ela não fazer mais isso, não multou e ainda deu tchauzinho, mas adivinha, Mr. Jack? Ela continuou a ligação, com uma mão em pleno horário de rush... Consegui acompanhar a cena porque o busão onde eu estava ficou quase parado no congestionamento, em plena faixa "exclusiva", de tantos carros e motos que entravam e saiam da faixa a qualquer instante.

    Polícia só faz blitz para pegar motociclistas com problemas de documentação, e nas horas mais impróprias!!! $$$$$$$$$ Tá passando dos limites, bem que você faz, deixa o carro estacionado e curte teu dia. Ultimamente tenho pensado duas vezes antes de sair com o carro, veja só. Abraço.

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  12. é dificil, eu quando vou a praia é a mesma coisa, carro só para ir e voltar, para circular pela praia, ir ao supermercado e etc.., sempre a pé

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  13. Bob,
    no seu profissionalismo, paciencia e educacao, voce descreve muito bem a estupidez e visao torta das nossas autoridades. Eu nao tenho essa paciencia toda, ja sairia xingando alguem, por isso, vou tentar ficar quieto.

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  14. Clésio Luiz13/07/09 14:25

    No meio de tanta reclamação e descontentamento, que queria deixar o meu relato de que ainda há esperança.

    Eu moro em João Pessoa, PB, e o prefeito daqui tem feito muito para melhorar o trânsito e o transporte coletivo.

    A maioria dos sinais daqui, é do tipo seqüencial e existe sincronia em boa parte deles. Não é perfeito, mas dá pra notar que houve melhorias. Uma das avenidas que gera maior congestionamento ganhou mais uma faixa, promessa de políticos antiga que o atual prefeito (Ricardo Coutinho) implementou.

    O transporte coletivo ganhou uma integração e agora você pode ir de um extremo ao outro da cidade pagando apenas uma passagem. A maioria (eu acho) dos ônibus possui cartão, o que agiliza as coisas. É possível ainda (em algumas linhas) mudar de ônibus no meio da cidade, graças a um sistema que te dá um tempo para sair de um e entrar no outro, sem a necessidade de ter que ir até a integração.

    Não é a administração dos meus sonhos, mas mostrou que para melhorar as coisas basta ter vontade.

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  15. Bob
    Respondendo à sua pergunta no final do post: Até 31/12/10. Tomara.

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  16. Em São Paulo essa lei de fretamento vai aumentar a quantidade de carros nas ruas. Imagine se um executivo que utilizava serviço vai de ônibus, faz baldeação para tranporte coletivo e ainda vai pagar R$ 400,00 por mês. E aquela sacoleira da 25 de março? Vai ser lindo ela tentar entrar em um ônibus lotado com duas sacolas gigantes cheias e três bolsas...

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  17. como diria o Boris Casoy, isso é um absurdo!

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  18. Essa de restringir o trânsito de ônibus fretado é de matar... Se existem abusos, como alguns comentaram, o correto é fazer a correção de forma estudada. Mas como isso dá trabalho, o mais fácil é proibir e pronto, dane-se o povo!

    Também não concordo em simplesmente mudar de cidade e deixar que o resto do povo se "exploda". É uma forma muito simplista de resolver as "pinimbas". Com esse pensamento, em breve o Brasil ficará (ainda mais) bagunçado, já que a tendência são de as coisas irem cada vez pior se não houver reclamação dos cidadãos.

    A saída é como o Waldemar Colucci mencionou, cobrar uma contrapartida dos órgãos públicos quando somos lesados de alguma forma. Só quando se mexe no bolso é que a roda gira.

    Aqui em Sorocaba-SP o sistema de ônibus é bem bacaninha: os passageiros são obrigados a comprarem antecipadamente um bilhete, pois dinheiro não é aceito. Não há cobrador e, para que o motorista não faça as duas funções, usa-se somente o bilhete e pronto! O mais legal é que os bilhetes somente são vendidos em um dos 2 terminais da cidade, ambos no centro... Simples assim. Aí, quem não está acostumado a andar de ônibus e, numa eventualidade, precise usar o dito cujo, tem três saídas:

    1. Comprar alguns bilhetes e deixá-los na carteira para uso sabe-se lá quando

    2. Ficar antes da catraca, espremido como sardinha enlatada, ir até um dos terminais da cidade, comprar o bilhete e entrar no terminal. Ah, mas você não precisava ir até o terminal? Tudo bem, pegue o ônibus de volta e desça onde quiser. Ou vá andando...

    3. Passar um "óleo de peroba" na cara e ficar perguntando a cada um que entra se tem bilhete extra para vender

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