FREEWAYS DA CALIFÓRNIA

A Pasadeba Freeway em 1938 e 1955
Por Rex Parker

Gostaria de falar um pouco sobre as freeways de Los Angeles, a título de comentário do post do Juvenal Jorge, “Nós e o trânsito”, de 18 de maio passado.

A nossa Pasadena Freeway (110) de 1938 a 1940 deve ser uma das primeiras estradas urbanas no mundo sem cruzamentos e sem semáforos. Digo “urbanas” porque algumas Autobahnen interurbanas na Alemanha existiam antes. A Merritt Parkway, em Connecticut, é da mesma época e á parecida com o conceito de Autobahn; também é interurbana. Mas para urbana tem que ser mesmo a Pasadena.

A velocidade máxima no início era de 35 mph (56 km/h). Dai subiu para 65 mph (108 km/h) nos anos 60, mas agora abaixou para 55 mph (88 km/h) — mais que suficiente para uma estrada de três faixas estreitas de cada lado e algumas curvas bem acentuadas. Também não tem bons acessos Tem-se que parar no fim da rampa, esperar o trânsito passar, e acelerar tudo para integrar-se com os outros carros. Thrills, chills, spills (sustos, calafrios, sangue) e...acidentes! Pasadena Freeway hoje

Uma outra importante é a Santa Ana Freeway (I-5), que na parte ligando o centro de Los Angeles com Orange Country, abriu em fases entre 1948 e 1955. Essa estrada tornou possível a Disneylândia, que não teria outro acesso prático sem ela. Num aspecto maior, essa I-5 começa em Blaine, Washington, na fronteira com a British Columbia, Canadá, e acaba em San Ysidro, na Califórnia, na fronteira com a Baja Califórnia Norte, no México.
As freeways levaram anos para serem construídas. A Harbor Freeway (110, ao lado) no centro da Los Angeles é de 1952-1955. A San Diego Freeway (405), de 1960 a
1962. A maioria é dos anos 60. A mais recente (105) é da década de 90. E quase todas têm sido aumentadas várias vezes, até o ponto em que a 91 entre Anaheim e Corona tem sete faixas em cada sentido. Ainda assim, sendo que umas já são bem antigas e suportam um volume de trânsito realmente fora de série, é evidente que estão gastas e precisando de reformas fundamentais ou reconstrução completa. Quando eram novas, eram limpas e bonitas. Agora algumas estão velhas e feias com pontes em condição precária. O graffiti não ajuda...

Não é o melhor exemplo de rampa de saída...placa PARE!
Claro, como diz o Juvenal, as várias freeways ligam e integram a cidade toda. Mas do mesmo sentido que as freeways fazem a movimentação possível, também são responsáveis pelo crescimento relativamente sem controle da cidade e a desurbanização que deixou as partes mais antigas e centrais da cidade sem desenvolvimento e recursos financeiros. Também fazem uma contribuição grande para o consumo de combustível e poluição, sendo que forçam distâncias maiores do que teríamos sem eles. Quer dizer, as freeways eliminam vários problemas e criam outros.

Antes da construção da maioria das freeways nos anos 50 e 60, a cidade era bem servida com um sistema completo de bondes (Red Cars), e ônibus elétricos. Arrancaram todos os trilhos e faixas exclusivas quando construíram as freeways. Hoje fica bem mais difícil (e caro) construir um sistema de metrô de superfície, já que não existem mais os trilhos. Também tivemos oportunidade de construir trilhos no meio das pistas das freeways (como fez em Chicago), mas não aproveitamos na época. As únicas freeways que têm trilhos e metrô no meio são as (relativamente novas) 105 e 210. A importante I-5 atualmente

Ponto final. No condado de Los Angeles foi tomada a decisão de não se construir mais freeways (nem, em geral, aumentar as existentes devido ao conceito de freeway ser ultrapassado. O pensamento e incentivo atual é de reconstruir os bairros e ruas que já temos nas partes mais urbanizadas, em vez de derrubar terra virgem para construir mais. Com isso, é provável que a construção de trânsito do futuro será em veículos leves sobre trilhos (light rail, ao lado) e outros sistemas de metrô que ligam os bairros às várias cidades e lugares de trabalho.

Uma integração mais completa de bicicletas, motos, carros, estradas, ônibus e trens, e maiores concentrações de populações. Nesse aspecto, São Paulo (e até Belo Horizonte) é bem mais avançado do que nós aqui.

RP

5 comentários :

  1. existiu um complo entre GM(onibus)FIRESTONE(pneus) e uma compania petrolifera para acabar com os bondes de los angeles(anos 30)?li isso em algum lugar...

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  2. que interessante, um país tão desenvolvido e avançado em tudo como os EUA com um problema desses...

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  3. Rex,
    muito bacana de sua parte escrever sobre as Freeways californianas. Bem observado o detalhe sobre distâncias maiores para se chegar a algum lugar, mas considero pior ficar parado em congestionamentos aqui em São Paulo, a mercê de ladrões.
    Não há uma solução perfeita para fluidez de trânsito em nenhuma cidade grande do mundo, e realmente o transporte coletivo é a melhor solução, quer gostemos ou não. O que não pode é o coletivo atrapalhar o particular, e vice-versa. E isso ocorre muito por aqui, principalmente com as absurdas faixas exclusivas para ônibus.

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  4. Agradeco mais uma vez o Bob. Sem ele acho que nao seria possivel realizar esses artigos.

    Uns detalhes. A velocidade maxima nos freeways dentro da cidade aqui e de 65 mph/105 kmh. Saindo um pouco da cidade, as maximas sobem ate 70 mph/113 kmh ou 75 mph/121 kmh. E em poucos lugares (como Texas...) acho que tem uns trechos com maxima de 80 mph/129 kmh. Aqui em LA, acho que e so no antigo Pasadena Freeway em que a maxima e de 55 mph/89 kmh.

    Com limites de 65/105, e com um freeway relativamente livre, a gente aqui anda numa faixa de 55-75 (89-121). De vez em quando voce ve gente andando 80-85-90, raramente mais que isso. Eu? Geralmente na faixa de 70-72-74.

    Sinalizacao antes de entrar. Tambem e so no antigo Pasadena em que voce tem que parar antes de entrar. Nos outros, voce pode acelerar normalmente na rampa e ai entrar. Dizendo isso, quase todos os freeways tem sinais iluminados (verde-vermelho-verde) controlando o acesso e deixando um, ou dois, ou ate tres carros passar de uma vez. Isso e para evitar concentracoes e folgas de carros entrando, facilitando o movimento do transito ja andando no freeway. Os sinais so operam durante as horas mais movimentadas. Com esses sinais, de vez em quando, voce tem que acelerar rapido para "merge" sem perigo.

    Acoes conspiaratorias para eliminar os trilhos? Nao sei dos detalhes, mas tenho a impressao que tudo isso aconteceu nos anos 50. Houvi dizer que os conspriantes eram a GM e a Standard Oil, mas tambem nao posso confirmar. Firestone? Nao sei, mas menos provavel. E uma dessas coisas sobre o qual ninguem quer falar...

    Para quem assistiu a processao funeraria do Little Michael, ele saiu do Forest Lawn em North Hollywoood, entrou no 101/134 East, desceu no I5 South, passou pelo 110 South e saiu no centro da cidade, no Staples Center. Me parece que voltou do mesmo jeito. Os policiais fecharam esses freeways, sem grandes consequencias ja que o publico aqui sabia da rota e ficou longe.

    Concordo com o Juvenal que nao ha solucoes perfeitas em nenhuma cidade, mas acho que o Tokio e ate o Paris tem sistemas de coletivos que funcionam muito bem. Gosto dos S-bahn e U-bahn em Berlin tambem.

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  5. Interessante como o ganha/perde mais uma vez aparece. Eu não sabia dessas consequências das Freeways.

    Nesse fórum está sendo em detalhes a nova aposta do Kassab, o Monotrilho.
    Quem quiser dar uma olhada, vale a pena.

    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=900260

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