EU NÃO USO MACACÃO BRANCO

Estava lendo o post do Bob sobre Datsun/Nissan e pensei um bocado sobre a parte do macacão branco e do torquímetro para apertar as porcas de rodas na linha de partida. No ato, uma enorme sensação de isso não é de verdade me veio a mente. Não o fato em si, mas a mensagem que queria transmitir.

Já bem experiente nesse negócio de consertar carros, uma atividade que me é muito prazeirosa, fiquei pensando em como fazer mecânica vestido com uma roupa branca.

Muitas coisas me vieram à mente, lembranças umas cotidianas e outras históricas. Me lembrei muito de que existem coisas que apenas existem por si e outras que são como apenas fins para justficar meios.

Hoje eu vejo meus fabricantes de carros preferidos à bancarrota, ou quase, e seus oponentes, ainda que não nadem em águas calmas, melhores.

Me lembro de ensinamentos históricos que versavam sobre a necessidade de se iludir ou fazer o oponente crer em algo falso, para que se possa obter assim a tão almejada vitória. De como é importante dissimular os movimentos, para que se pense o oposto do que realmente se faz. Se quero atacar, faço parecer que estou fraco e incapacitado de fazê-lo; se estou fraco e débil, nunca posso deixar isso transparecer, mas sempre o oposto, que estou pronto e apto ao combate.

Me lembro de que uma mentira repetida à exaustão, para quase todos, acaba virando verdade.

Vejo um fabricante viver propalando sua capacidade de fazer híbridos, que por decreto são a única opção para que um veiculo seja táxi na maior cidade do mundo, mas na verdade o mesmo fabricante que fabrica essa situação lucra e se locupleta fazendo picapes enormes. E ainda ousa desafiar outras como sendo maior e até mesmo mais veloz que uma oponente, como se um único item, aceleração específica até uma determinada velocidade, fosse mais importante que o peso de uma marca tradicional e legítima que faz veiculos amados por seus compradores, e que na falta deles, se recusam a outros?

Então me ogulho de ver meus herois em apuros, feridos e quase à morte, por insistirem em fazer seu real papel, e por não se renderem ao politicamente correto e hipócrita.

Então vi com muita clareza que não é possível se agir desta forma. Um torquímetro é necessário e suficiente para se apertar parafusos diversos que tenham um limite de trabalho apertado o suficiente para estarem em segurança, tanto para não afrouxarem quanto para não quebrarem. Parafusos de roda, por mais que sejam um parafuso como qualquer outro e sujeito evidentemente as mesmas leis físicas, não estão em um patamar tão crítico assim. O torquímetro é a ferramenta essencial e necessária em uma bancada para montarmos motores.

Do mesmo jeito que a roupa branca é a indumentária de um médico, onde a limpeza extrema é a condição inerente à manutenção da saúde do paciente. Nunca pode ser pertinente a alguém que se dedique cegamente a reparar uma máquina que tem coisas que vão irremediavelmente macular a tal vestimenta branca de faz de conta. Depois do macacão branco, o que teriamos, luvinhas brancas cravejadas de pedras como as do Michael Jackson?

Poderia continuar, mas acho que é suficiente.

Aqui me lembro do clássico do cinema nacional, Eles não usam black tie. Eu não uso roupa branca.

AG

22 comentários :

  1. macacão branco e mecanica definitivamente não combinam, o sujeito vai estar mais preocupado em não se sujar do que em fazer um trabalho bem feito...

    AG,
    você usa torquimetro para apertar coletor de escape? ou acha que tambem é dispensavel?

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  2. Guto,

    É bom usar, mas não tão critico ou essencial quando parafuos das capas de mancal fixo, das bielas ou cabeçotes por exemplo. Ou de uma aplicação bem critica, os 3 parafusos que fixam a engrenagem de distribuição do eixo comando de valvulas nos chevy V8. Com menos de 20 libras pé afrouxam e arruinam tudo, com mais de 30 quebram. A medida correta é 25. E é uma das unicas coisas em que se usa loctite num motor.

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  3. Valeu a dica AG!

    um abraço!

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  4. Estilo. Cada um tem o seu.

    Particularmente, não vejo necessidade em utilizar um goniômetro para apertar parafusos de frisos... Não em casa, de uma forma recreativa.

    Em uma equipe, sim! Onde um padrão deve ser levado à risca, acredito que seja interessante sim o uso de algumas técnicas mais elaboradas. Fica mais fácil gerenciar a qualidade/repetibilidade final do produto.

    Mas em casa, nos eternos monta e desmonta dos meus veículos, concordo com o AG.

    E não me sinto ridicularizado pela unha com aquele restinho de sujeira automotiva que machuca para tirar.

    Meter a mão na graxa, literalmente, quando estou trabalhando nos meus veículos, também faz parte do meu entusiasmo.

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  5. AG, coletor de admissão de alumínio pede torquímetro ou não é necessário?

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  6. AG
    Tendo torquímetro, não há razão para não usá-lo. É um dos pontos que garante o trabalho bem-feito. Lembro que o aperto dos cabeçotes dos motores VW arrefecidos a ar é, se não me engano, de 2,5 kgfm. Muitos mecânicos achavam pouco (e parece pouco) e davam mais aperto "por conta". Pronto, estrago feito, cabeçotes se soltando por dano nas roscas da carcaça.
    Quando eu chefiava a equipe de rali da VW, tínhamos torquímetros de grande capacidade para apertar a porca do cubo de roda depois que fazíamos a troca da coluna de suspensão completa (mais rápido que trocar apenas o amortecedor estourado). E essa porca, que é frenante, era sempre nova, pois porcas frenantes só admitem uma montagem.

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  7. A todos, e em especial, referendando o que o Bob disse: se tiver um torquimetro e souber o aperto correto, use-o. É simples assim. Mas ele, no meu entendimento, é indispensável na montagem de motores, platós de embreagem, coisas sensiveis. Motor a ar de VW não se fecha sem um. Aliás, de preferencia, 2. Um pequeno, para todo o motor e outro maior para aperto do parafuso do volante. Idem para o da porca do cubo da roda traseira dos Volks. É um at de respeito ao veiculo.
    No caso das admissões de aluminio dos V8, se forem de 3/8" e a maioria absoluta o são, 30-35 libras fecham a fatura bem, se 5/16" no máximo 20-25 libras. Valem frisar que tão importante quanto o torque em sí é a sequencia de aperto, nos coletores e nos cabeçotes sempre do centro as extremidades, sempre alternando esquerda e direita. Lubrificar as roscas sempre com oleo de motor de viscosidade normal como 30/40 é adequado ou desejável e exceto em aplicações muito restritas, usar loctite ou outro travamento anaeróbico não é assim uma boa idéia.

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  8. Antônio Martins07/07/09 00:50

    Muitos casos de trepidar ao frear é muito aperto, que até deforma. Por isso, quem não tem prática deveria usá-lo. E também não é nada agradável ter que pedir ajuda (seja à seguradora, ou a terceiros) e ficar a sorte da violência para simplesmente resolver um furo de pneus, cujo comprimento da chave original seja insuficiente.

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  9. Marlos Dantas07/07/09 01:54

    Realmente, apesar do refinamento técnico, parece exagero usar um torquímetro para aparafusar rodas, caso se trate de um carro "de rua". Porém, seu uso seria necessário por esses “Super-Homens” que se vê por aí, que apertam os parafusos subindo na chave de roda ou com o auxílio de extensão. Essas parafusadeiras pneumáticas também são “ótimas” para estragar, principalmente, porcas quando entram forçadas em estojos de roda.

    Sobre a roupa branca, acho que ela algumas vantagens... Os macacões coloridos não podem ser alvejados por produtos clorados após serem manchados com substâncias oleosas e outras sujidades (a não ser que a pessoa não se importe em usar o macacão manchado por alvejante). Com a vestimenta branca isso não aconteceria, depois de sujo (o que invariavelmente acontece) ela poderia passar pelo alvejante (vulgo “água sanitária”) sem problemas! Outra vantagem do macacão branco é o fato de esquentar menos que os de cores escuras quando usado sob o sol.

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  10. AG

    Além das picapes enormes o tal fabricante coloca stock cars para competir na NASCAR ao lado de Fords, Chevys e Dodges.

    Oh, the American Way of Life! American as Mom, apple pie and TOYOTA!

    FB

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  11. algo que eu sempre tive duvida é se devemos usar torquimetro para apertar as velas em cabeçote de aluminio, nunca o vi fazerem, nem o ditos mecânicos de oficina autorizada... eu achava que seria o correto, mas nunca vi fazerem

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  12. Interessante o texto, a meu ver o torquímetro é sim uma ferramenta essencial em uma bancada mesmo que amadora.Uma ferramenta que garante a integridade dos componentes fazendo assim que os mesmos funcionem de forma correta vedando e apertando perfeitamente e sem diminuir a vida útil do material.
    Porem concordo que parafuso de roda não é La muito necessário usarmos um torquimetro .porem também não podemos dar uma de “borracheiro” colocar sua chave com prolongador para aumentar o torque e ainda subir encima da mesma .
    Já o macacão branco é algo bem discutível levando em conta que os macacões sempre foram escuros para não ressaltar a “sujeira” proveniente de graxas e óleos que muitas vezes lubrificavam os veículos antigos para um perfeito funcionamento. Porem nos dias de hoje os veículos são muito eletrônicos, não necessitam de óleo nas “graxeiras” quanto muito o que se tem é o óleo do motor (o qual dificilmente se suja para trocar principalmente com as técnicas atuais) já que os demais componentes que possuem óleo geralmente são selados e não necessitam trocas .fazendo com que fique difícil que se suje o macacão possibilitando o uso de macacões brancos .Embora achando que um uniforme branco se aplica melhor aos médicos.
    E também acho muito triste o fato de vermos montadoras que fabricarão grandes carros , verdadeiros carros dos sonhos chegarem ao ponto que estão chegando .

    Parabéns pelo blog

    Caso você venha a se interessar passa la no meu blog sobre carros antigos e automobilismo no estado do RJ (ainda estou começando e toda critica será bem vinda)
    www.linogaragem.blogspot.com

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  13. Clésio Luiz07/07/09 09:19

    Quando eu trabalhava numa autorizada Chevrolet, as camisas e batas dos mecânicos eram brancas, com detalhes azul e vermelho. Numa autorizada Honda daqui, os mecânicos usam um macacão todo branco. Ser branco por si só não era lá grande problema, pois eu tinha uns 3 ou quatro e só usava ele por um dia. E como não era eu que lavava...

    Parafusadeiras pneumáticas podem ser usadas sem problemas para apertar rodas. Elas possuem regulagem de torque, ou seja, quando se atinge determinado aperto, elas deslisam. O que ocorre com freqüência é o meliante ficar segurando o botão por muito tempo após os a ferramenta começar a deslisar. Quando eu apertava rodas com uma parafusadeira pneumática, eu soltava o botão assim que ela atingia o ponto de aperto. Feito isso, não fica difícil tirar os parafusos de roda com a chave que acompanha o carro.

    E por falar em chave de roda, os Fords de uns anos pra cá possuem uma chave de cabo extensível, que diminui muito o esforço em soltar os parafusos.

    A Toyota e as outras japonesas podem até não ser santinhas, mas pelo menos elas fabricam carros que são confiáveis e que tem boa durabilidade, pelo que muito fabricante americano e europeu hoje estão pagando os seus pecados.

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  14. AG, houve um patrício nosso que entre tantas maluquices que inventou, era também conhecido de meter a mão na graxa em trajes muito bem alinhados, e que findo o trabalho, precisava apenas lavar as mãos e extender as mangas da camisa para ficar impecavelmente trajado para qualquer evento social na Paris da Belle Epoque.
    Era Santos Dumont.

    Numa versão mais elaborada do que ele fazia, hoje muitos técnicos que trabalham em ambientes com forte contaminação radioativa e/ou biológica aprendem a lidar com equipamntos sem sujar os macacões impecavelmente brancos.
    E olha que o serviço de montagem e manutenção de equipamentos em uma usina nuclear é muito mais pesado que o automotivo.

    Mas eu gosto mesmo é de me sujar.
    Fato que todos estranham é que geralmente saio com o rosto quase tão sujo quanto as mãos.
    É que sou alérgico ao pó, e mal começo a trabalhar e já me vem a coceira incontrolável no nariz.

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  15. mecânica é arte, se sujar faz parte

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  16. AG,
    Roupa branca e limpeza de oficina vieram para ficar. Sou dos que discordam que isso seja um parâmetro ÚNICO de escolha de serviços, mas apresentação e limpeza entraram como diferenciais, quando o comum eram os mecânicos sujos, oficinas idem e mal iluminadas, com um sofazinho sujo e rasgado, tirado de banco de Kombi, nos fundos, para os clientes aguardarem...
    Daqui a uns anos, o sujo será o diferente...

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  17. pra mim, acima de tudo deve estar a capacidade, competência e comprometimento do mecânico, se o ambiente é sujo ou limpo, pouco me importa, desde que o profissional seja um BOM profissional, competente e faça um bom trabalho, o resto não me interessa, o sujeito pode até me tratar mal, hoje em dia estão em falta os bons profissionais, nem em oficinas autorizadas que antes éram sinonimo de serviço bem executado e preço alto, hoje em dia só é garantida de preço alto, porque os serviços muitas vezes realmente deixam a desejar, não exijo nem pressa do mecânico, só quero que seja feito um serviço BEM feito, sou detalhista, é assim que trabalho e assim quero que os profissionais de outras areas me atendam

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  18. o que faltou dizer:japones e muito fresco sim senhor e louco(vide harakiri e kamikases).chego a ter nojo de seus produtos.sempre certinhos.lembro-me das primeiras hi lux que vi no anhembi.quando perguntei sopbre como se retocaria a pintura(perolizada),ouvi de um nissei,com aquela arrogancia caracteristica:traremos as peças pintadas do japao visto que,no brasil,nao ha condiçao de se fazer.me engana... ate por inocencia ficamos fazendo marketing pra essa gente

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  19. Sou da opinião de que tudo que é demais atrapalha. Devemos lançar mão de todos os recursos disponíveis, a fim de executar o trabalho da melhor maneira possível. Porém, é melhor deixar o preciosismo bem escondido lá no fundo do baú, senão corre-se o risco de criar um problemão em situações corriqueiras. Como dizem no popular, usar um canhão para matar uma formiga...

    Também não esquento de me sujar todo quando mexo em meu carro. Após uma manutenção mais extensa, geralmente a roupa (velha, bem surrada, claro...) vai parar no lixo, não compensa tentar lavar...

    Ah, sim! Sou descendente de japonês. Ou seja, nem todos da raça são perfeccionistas... rsss!

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  20. Grande lucidez no ponto de vista. Ótimo post!

    Sds,

    Der Wolff

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  21. É, descobri que de fome não morro, mesmo de macacão velho e sujo de graxa! Valeu pessoal!

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  22. Quando a roupa branca em oficinas, lembro de quando trabalhei no Japão, na linha de montagem da Honda.
    Sim todos de branco! Logo pensei "ptz vou ter que lavar meu uniforme todo dia!".Mas quando entrei na linha de montagem logo vi que não tinha onde me sujar.
    E claro com alguns dias de trabalho perguntei a um japones chefe se seção.
    Porque a roupa branca e toda a limpeza na fabrica?
    Ele me respondeu:
    Disciplina.
    Manter o laocal de trabalho limpo é a forma mais facil de localizar eventuais defeitos, seja na peça ou no local.Logo que a sujeira esconde defeitos.
    Automaticamente um local de trabalho limpo e bem organizado, significa que existe disciplina consequentemente qualidade.

    Ah!...Toyota se transformou a maior do mundo passando sua rival GM, tendo como passo inicial organização e limpeza dentro de suas fabricas.....o Famoso "5 S"

    Seiri -Senso de Utilização
    Seiton -Senso de Ordenação
    Seisou -Senso de Limpeza
    Seiketsu -Senso de Saúde
    Shitsuke -Senso de Autodisciplina

    abraços a todos

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