"ASTON MARTIN IS DEAD?"

Para quem conhece o MAO, sabe que esse título corresponde a uma afirmação dele. É que quando pensei em fazer esse post eu estava quase concordando.

Tá certo que a indútria automobilística tem que se reinventar. Mas a Aston Martin, que pelo MAO já morreu desde que deixou de fabricar o Vantage, vai vender um carrinho de uma das empresas que mais faz carros para a massa.

A Toyota vai fornecer de 1.000 a 2.000 unidades de iQ por ano para Aston Martin, que vai transformá-los em mini Astons, colocando uma grande grade cromada e revestindo o interior em couro, para assim vendê-los como Aston Martins. Mais precisamente como Aston Martin Cygnet.

Fiquei matutando sobre essa notícia estranha, para não dizer ridícula, desde que ela foi divulgada no final de junho. Hoje cheguei à conclusão do por quê dessa loucura ligando esse fato a outras notícias recentes.

Como o cerco aos grandes vilões e responsáveis pelo apocalipse em que a Terra vai se tornar se nada for feito, os carros, os novos limites de emissões de gases e de consumo de combustível serão muito mais rígidos num futuro próximo. A grande pergunta é como os fabricantes menores e independentes, de carros esportivos, que consomem muito combustível e poluem bastante irão continuar produzindo essas máquinas que nos causam tanto entusiasmo. Fazendo veículos híbridos ou elétricos é que não vai ser. Pelo menos por enquanto. O custo de desenvolvimento é elevado e a esportividade fica comprometida.

Porém existe uma brecha nas novas leis. O consumo de combustível e o nível de emissões dos carros produzidos por um fabricante serão calculados pela média entre os modelos vendidos por esse fabricante. Então se alguém quiser fazer uma carro beberrão e que polua bastante, tem que vender uma quantidade suficiente de carrinhos econômicos e que poluam pouco para compensar os excessos de seus esportivos. Ferrari, que é da Fiat está ok. Lamborghini que é da VW também está ok. Mas e a Porsche, a Aston Martin e outros fabricantes menores?

Qual é um dos carros mais econômicos e menos poluentes do mundo, e que tem um estilo interessante e uma qualidade excelente? Adivinhou? O Toyota iQ. Então para cada Vantage, DB9 ou DBS vendido, a Aston Martin terá que vender uma meia-dúzia de Cygnets. Quem sabe até dar eles de presente. Dá pra imaginar a propaganda: compre um DBS e ganhe 6 Cygnet.

Faz sentido também porque a VW e a Porsche estão duelando pra ver quem compra quem. A Porsche precisa dos créditos de consumo e emissões da VW. A Koenigsegg, além de ser sueca, também deve estar de olho nos créditos da Saab.

Bem, mas apesar disso vou discordar do MAO e dizer que a Aston Martin não está morta. Além de vender o bibelô eco-chique, como vocês já sabem, a Aston Martin também vai lançar o One-77. Pra quem ainda não tinha reparado, trata-se de um supercarro com volume extremamente limitado.

Sabe-se lá qual estudo a Aston Martin fez, mas ela encontrou exatamente 77 clientes potenciais para um modelo feito artesanalmente e que custará algo próximo de 2 milhões de dólares. Daí o nome One-77.


O MAO acha que a Aston Martin morreu porque seus carros não são feitos mais à mão por artesãos e por pessoas com paixão. Pois é, mas não foi isso que eu ví no filmes abaixo. O One-77 junta a tradição da manufatura britânica com a tecnologia atual. Desse modo a estrutura do carro feita com fibra de carbono será recoberta com uma carroceria feita por paineis de alunínio moldados à mão. No vídeos para sentir que o carro está sendo feito para restabelecer essa aura da Aston Martin, que talvez tenha se perdido nos tempos em que teve a Ford como dona.

Repare na belíssima estrutura espacial e na amarração da dianteira, no posicionamento do motor central dianteiro, quase invadindo a cabine, e nas suspensões inboard. Tudo coisa fina.


Leia também dois textos do MAO sobre a Astom Martin:
ASTON MARTIN IS DEAD
FELIZ ANIVERSÁRIO AO ÚLTIMO ASTON

P.S.: desculpem pelo vídeo em inglês.

12 comentários :

  1. O One-77 é uma obra de arte. Todas as peças expostas, e as não tão expostas têm acabamento impecável.

    Eu não acho que a marca mórreu. Os carros são todos parecidos? São. São feitos com peças de Volvo e Focus? Sim. E daí?? O resultado ainda é lindo.

    abs.

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  2. Essa compensação é meio burra, não? Pra poder vender um veículo que polui muito mas roda poucas vezes, você precisa vender um que roda um monte poluindo pouco.

    Sei que da noite pro dia os carros viraram super viloes da humanidade e eles são só um fumante no meio da floresta.

    Sei também que os homens do marketing são mais corporativos que criativos. Hoje a Aston Martin é desejada por caras que querem ser James Bond.

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  3. quando penso nao haver mais absurdo... me surpreendo

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  4. Em diminuir a poluição no fabrico ninguém fala... Mundinho hipócrita esse nosso né?

    Mais um vídeo aqui. Esse da Autocar.
    http://www.youtube.com/watch?v=mto_NLbkmm8
    O entrevistado? Ulrich Bez, o CEO da AM.

    Pra quem não sabe, ele
    que dirigiu o desenvolvimento do melhor carro esportee do mundo, o 930 turbo e o 968.

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  5. Que eu tinha lido, isso era uma brincadeira!

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  6. Marlos Dantas24/07/09 01:26

    Interessante... Quando li a notícia do clone Aston para o iQ, imediatamente lembrei-me da "vida após a morte" tão combatida pelo MAO.

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  7. O MAO vai ter calafrios quando ver um Aston Martin de "massa"... Mas o One-77 é uma obra de arte, fabricação bem cuidada.

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  8. Mister Fórmula Finesse24/07/09 15:03

    Esse One 77 é algo muito bem elaborado e de extremo bom gosto, a engenharia entusiasta está ainda longe de acabar...e será mais exclusivo que o Lagonda. A realidade é que daqui a poucos anos TODAS as profissões terão uma particularidade a mais no tocante a preservação do meio ambiente, calcula-se que daqui a menos de 50 anos, não existirá nenhuma atividade que esteja livre de estar intimamente ligada ao racionamento dos recursos naturais, seja sapateiro ou analista de sistemas, a vida na Terra será um exercício de auto preservação para literalmente sobreviver, como a rotina de um mal assalariado que gastou irresponsavelmente as suas antigas e polpudas economias...normal que a indústria automotiva esteja rumando - mesmo que tardiamente - para isso.

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  9. Antes tivesse morrido a fazer ISSO... :P

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  10. Imagino que esta história (ou seria estória?!) ainda esteja no começo.

    A estratégia de um "Mini Aston" pode até ser interessante, mas se a empresa for responsável, e não quiser correr riscos desnecessários, poderá fazê-lo em semelhança à Mercedes (com a Smart), ou mesmo a BMW (com o Mini).

    Uma segunda marca poderia surtir o "resultado ecológico" esperado, enquanto não "poluiria" o espírito da marca Aston Martin (e Lagonda).

    Além disso, com uma segunda marca, as associações com construtores mais populares e/ou de massa, como o caso da Toyota, poderia ocorrer de forma mais lucrativa.

    Juntar produtos como o One-77 a "carrinhos de golf" parece algo muito perigoso.

    Sds,

    Der Wolff

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  11. O Marco Antonio é um cara engraçado ao extremo. Muito, até demais.
    Aston está viva, e esse One-77 é espetacular.

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