google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Foto: Midiacon News

Deu mesmo a louca no nosso trânsito. Nesta sexta, sete dias depois do acidente Porsche x Tucson, mais um grave, ocasionado por um ônibus, fora o caso dos menores que fugiam da polícia num carro roubado e atingiram outro, matando duas mulheres, por pouco uma menina de oito meses não morrendo, apesar de ter dido atirada do carro (irresponsabilidade da mãe, cadê o banquinho?). A coisa está mesmo fora de controle.

Nesse do ônibus, como é possível, numa faixa exclusiva de 50 km/h de limite, arrebentar a mureta e a grade divisória de pista que tem no local (av. Cupecê, capital paulista), e ir para a faixa exclusiva contrária? As pessoas estão mesmo desaprendendo a dirigir, só pode ser.

Acho que só tem um jeito: adotar a sistemática da aviação, de tempo em tempo o piloto é checado por um instrutor para ver se não desaprendeu. Com carro, a mesmo coisa, a cada dois ou três anos, novo exame de direção. 
*Veículo universal multiuso todo-terreno de tração integral
Em 1956, o exército alemão abriu concorrência para o fornecimento de um veículo utilitário tipo jipe que seria usado também pelas forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Três fabricantes concorreram: Porsche, Gutbrod e DKW. Venceu a proposta deste último, mais conhecido na Alemanha por Munga, acrônimo do nome complicado do título. Foi fabricado no Brasil de 1958 a 1962. 

No começo se chamava Jipe DKW-Vemag, mas em 1960, teve de mudar de nome devido a "Jeep, jipe" serem nomes  de propriedade da Willys-Overland. A Vemag aproveitou e rendeu homenagem aos trabalhadores que construíram a cidade inaugurada em 21 de abril daquele ano: Brasília. O veículo passou a se chamar Candango, em versões Candango 4 e Candango 2, o número indicando se tração nas quatro rodas ou nas rodas dianteiras somente.

Em agosto de 2009 falei no jipe DKW como tendo dado origem ao Audi Quattro, vale a pena ler ou reler essa história incrível. Agora será falado mais a respeito desse eficiente utilitário.

Foto: blogdacidadefortaleza.blogspot.com





Há pouco mais de três anos, em 18 de junho de 2008, foi aprovada a lei 11.705/2008 que foi logo apelidada de "Lei Seca".

Para quem não teve a oportunidade de lê-la, segue o link oficial para a lei:

Lei 11.705/2008

Esta lei introduz mudanças no CTB (Código de Trânsito Brasileiro, lei 9.503 de 23 de setembro de 1997). Para quem quiser consultá-la, eis o link:

CTB




O que a grande maioria de nós sabe sobre esta lei é que ela alterou o CTB de forma que a tolerância ao álcool no organismo do motorista passou a ser ZERO, ou seja, qualquer vestígio de álcool é suficiente para uma multa de 957,70 reais e a suspensão do direito de dirigir por 1 ano.






Lendo o jornal hoje na internet, deparei-me com a notícia de um automóvel que havia capotado na rua Cardeal Arcoverde, bairro de Pinheiros, em São Paulo. A foto acima, mostra a parte inferior dele, um Honda Fit.



Logo de cara me chamou a atenção a localização do tanque de combustível: exatamente entre os eixos do veículo, na posição mais segura possível. Pois uma batida, para atingir o tanque e provocar vazemento de combustível, precisaria afetar até embaixo do banco do motorista. Ou então partir o carro em dois.



Apesar do motivo principal da Honda de ter colocado o tanque ali ter sido o aproveitamento do espaço sob o banco traseiro, esta posição do tanque imediatamente ativou na minha memória um texto que eu havia lido na revista Quatro Rodas há muitos anos, no início dos anos 80 (dezembro de 1981): uma matéria sobre a insegurança dos tanques de combustível dos carros daquela época. A chamada da matéria era um acidente em que o motorista bêbado de um MP Lafer bateu atrás de uma Caravan.



Esta semana li um texto muito legal, gostoso de ler mesmo, vindo do mais improvável dos lugares: de uma publicação técnica da SAE. Explico: tenho o estranhíssimo hábito de ler antigos papers da SAE. A SAE (Society of Automotive Engineers) é uma sociedade americana, hoje internacional, fundada em 1908 para que os engenheiros automotivos pudessem trocar experiências e assim avançar o estado da arte do automóvel coletivamente. E o veículo mais eficiente para isto sempre foram seus papers, o nome que se dá a um artigo técnico padronizado, escrito por engenheiros, essencialmente contando algo desenvolvido por eles. Os papers podem ser apresentados em congressos, ou simplesmente publicados pela organização. E os assuntos vão desde apresentações generalistas apresentando um carro novo, até uma dissertação enorme e altamente técnica sobre um novo circuito escondido bem lá dentro das entranhas de um carro qualquer.

Dito assim parece realmente muito interessante, mas na verdade um paper da SAE normalmente é extremamente chato para se ler. Engenheiros em geral não são lá muito bons com palavras, e normalmente seus trabalhos são extremamente enfadonhos e difíceis de acompanhar. Eu tenho este hábito de lê-los porque são uma fonte de informação incrível, enorme, infindável. E também porque, bem... sim, sou doente.

Mas desta vez, tive uma grata surpresa. O paper em questão foi apresentado no encontro de verão da SAE americana em 7 de junho de 1951, pelos senhores E. J. Hardig, T. A. Scherger, and S. W. Sparrow, engenheiros da Studebaker Corporation. O tema era o então novo V-8 lançado pela companhia. E não que este tema fosse de algum interesse especial... O V-8 Studebaker é no máximo um rodapé na história do automóvel, um ponto de interesse apenas para um pequeno grupo de aficionados pela marca.

Existe uma coisa chamada velocidade natural. Se assim não a chamam, acabo de cunhá-la.

É a velocidade em que, dirigindo sob certas condições, naturalmente quase todos nós mantemos. Por exemplo: numa avenida larga, sem faróis de parada, com duas ou mais faixas de rolamento, e com pouco trânsito, nós naturalmente “caímos” a uns 70 km/h; isso se não tivermos pressa por um motivo qualquer.

Numa estrada, também sem pressa, viajando com a família, com o carro em ordem e numa pista dupla, nós também “caímos” a uns 120 ou 130 km/h.

São as tocadas padrão, sem estresse, seguras e naturais, desde que mantenhamos as distâncias adequadas dos outros veículos para que os imprevistos possam ser contornados.

Indo assim se vai longe e não se cansa.


Volta e meio me perguntam qual o carro que mais gostei dirigir, e quando respondo que é picape Ford Courier, me olham meio esquisito, exceto os amgos que me conhecem. Não dirigi todos os carros, mas entre os que o fiz o melhor, como conjunto, foi essa picapinha mesmo.

Precisei levar umas coisas pessoais ao Rio e a Ford me emprestou uma Courier da frota de imprensa. Fui razoavelmente carregado (mas muito abaixo dos 700 kg de carga útil) e voltei vazio. Na época, 2004/2005, ainda não havia radares na via Dutra no trecho entre o final da Baixada Fluminense e Resende, e nem um pouco adiante, só encontrando essas maquininhas do Diabo depois que se entrava no Estado de São Paulo.

Comecei a subir a serra das Araras e senti que tinha algo especial nas mãos. Mas o prazer supremo veio mesmo depois do alto da serra, ao entrar no planalto. Como conheço a Dutra como a palma da mão, acelerei. As curvas de média-alta quase viravam reta para ela. Chegava na cabeça delas e, sem aliviar, entrava. Obediência total, nenhum balanço indesejável, nada.

Havia curvas em que eu pensava, "agora vai dar m........" e, engano. Foi assim o trecho todo, a picape absolutamente segura, fazendo o que eu queria. Que impressão me deixou!

Enchi o tanque com etanol no Rio e cheguei em casa em São Paulo com um quarto. O tanque de 68 litros é amigo de quem usa o carro em estrada.

Analisando-a, um enorme entre-eixos de 2.830 mm, 4.457 mm de comprimento, 1.685 mm de largura e1.477 mm de altura. Peso 1.096 kg e motor 1,6 Rocam de 95 cv, nada excepcional. Mas para andar forte nunca vi nada igual. A menor potência é claramente intencional, para mandar a cirva de torque para baixo, em que o pico de 14,2 mkgf ocorre a apenas 2.250 rpm. Potência boa disponível em qualquer situação.

O mais notável é o eixo traseiro rígido atrelado ao monobloco por uma mola parabólica (lâmina úinica) de cada lado. Mais simples, impossível; melhor, idem. Funcionamento igual às melhores suspensões independentes, sem nenhum tipo de perda de contato em asfalto mais ondulado. Surpreendente. E a suspensão dianteira, uma boa McPherson.

Quem tem uma sabe o que estou dizendo. Quem não tem ou nunca dirigiu uma Courier, que experimente uma. Vai ver que não dourei a pílula.

BS

(Atualizado às 10h25)
Foto: autor

Escutei há alguns dias, um membro de um grupo de usuários de bicicletas, proferir um dos maiores absurdos que já ouvi na minha vida.

Disse esse elemento que as reduções de limites de velocidade nas vias da cidade de São Paulo eram muito bem-vindas, pois incentivam o uso de bicicletas. Segundo seu raciocínio, com menores velocidades, menos acidentes ocorrerão, e mais pessoas terão vontade de usar bicicletas para as diversas atividades, inclusive ir e voltar ao trabalho.

Só se for para ele, que deve trabalhar bem pertinho de onde reside. Se é que trabalha.
Foto: iG





Esta é uma outra visão sobre o acidente que o Bob Sharp já havia comentado sábado.



Mais uma tragédia no trânsito de São Paulo. Um Porsche, segundo a perícia, vinha a 150 km/h pela rua Tabapuã, uma rua comercial do nobre bairro Itaim Bibi. Em uma de suas travessas, a rua Bandeira Paulista, ele colheu um Hyundai Tucson que atravessava a via, matando sua motorista, uma advogada de 28 anos. Triste e trágico.



A imprensa logo se apressou em condenar o motorista do Porsche. Parece que os jornalistas, em geral por aqui, têm um viés esquerdista-invejoso, até chegando a ter um mórbido prazer em culpar uma pessoa de posses que causa um acidente com seu carrão. Mas ressalto um fato que foi mencionado nas reportagens, mas não foi dada a devida ênfase a ele: a advogada avançou o sinal vermelho, segundo uma testemunha que estava atrás do carro dela e a viu avançar em baixa velocidade o semáforo do cruzamento com a rua Tabapuã.



Apesar de em momento algum eu afirmar que é correto andar a 150 km/h dentro de perímetro urbano e - pior - numa rua cheia de travessas, não posso deixar de notar a grande culpa da vítima neste acidente, estando a imprensa mais preocupada em noticiar a culpa do motorista do Porsche e quase comemorando a sua indiciação por homicídio doloso.

Vauxhall Cresta PA

Em 1960, iniciou-se uma competição bastante interessante na Austrália. Uma corrida de 500 milhas para carros de rua.

As três primeiras provas, desse ano até 1962, foram corridas no circuito de Phillip Island, usado hoje pelo campeonato mundial de motociclismo, o Moto GP. Apenas a partir de 1963 os carros passaram a competir por essa prova em Mount Panorama, o circuito que fica na cidade de Bathurst, nome pelo qual é mais conhecido, uma pista arrepiante, com subidas e descidas em curva que são coisa para quem tem coragem de verdade.

Começando com o nome de Armstrong 500, um fabricante de amortecedores, passou a ter 1.000 km quando passou a Bathurst. Essa prova é a mais famosa e desafiadora do automobilismo australiano, sendo conhecida lá como “The Great Race” (A Grande Corrida).
Foto: Paulo Valiengo Comunicação


Automobilismo de competição é um esporte complicado e seu entendimento é realmente difícil. Vi isso claramente com os recentes posts sobre a Copa Petrobras de Marcas e sobre o câmbio dos nossos Voyages de competição no Marcas e Pilotos de 1984, a julgar pelos inúmeros comentários dos leitores.

Como não existe curso para ser um especialista em competição, só posso atribuir o conhecimento de alguns poucos e meu próprio a uma coisa chamada interesse pela matéria e muito, mas muito estudo a respeito. Não por acaso a própria CBA, nos anos 1960 e 1970, volta e meia me chamava para discutir algum assunto ou mesmo traduzir os regulamentos da FIA, o que fiz inúmeras vezes.

No caso do Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos,  o primeiro, em 1984, eu, como representante da Volkswagen, insistia no Grupo A, ao que os fabricantes concorrentes se opuseram, achando que eu estava querendo favorecer a marca para a qual trabalhava. Começou então uma longa e infrutífera tentativa de se redigir um regulamento nacional, chamado Grupo B Brasil. Chegou um momento que eu disse para todos me dispor a escrever o regulamento, com o que concordaram (todos tinham ciência do meu conhecimento do assunto) e depois o aprovaram sem restrições, CBA inclusive e principalmente. E o campeonato pôde começar e foi um enorme sucesso.
Foto: G1


Quando falei aqui sábado que deu a louca no trânsito, fui um pouco além ao criticar nosso sistema policial e judiciário no caso dos acidentes e crimes de trânsito. Mas a coisa vai um pouco além. A foto acima mostra uma concentração, esta manhã, de taxistas na Praça Charles Miller, defronte do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu, na capital paulista. A concentração não foi para protestar contra preços dos combustíveis elevados ou tarifas necessitando de reajuste. Foi para algo muito mais sério.

Foi para protestar contra a morte do taxista Eduardo Alves Pereira, 37 anos, chefe de família, assassinado friamente com um tiro na cabeca por ladrões quando trabalhava.

Não dá mais.

Outro dia estava pensando e me indagava por que nunca tivemos - fabricado aqui - um carro esporte-diversão como o Lotus Elite. Se olharmos bem suas características,  hoje, com o parque de autopeças que temos e o conhecimento que três gerações de engenheiros automobilísticos adquiriram, dá para fabricar um em pequena série sem a menor difuculdade. Veja como era o Elite, essa preciosidade bolada por Colin Chapman e lançada em 1957:

- Configuração motor/câmbio dianteiro, e tração traseira
- Carrocaria cupê duas-portas, dois lugares, monobloco em compósito de plástico reforçado com fibra de vidro, e subchassi dianteiro
- Cx 0,29
- Comprimento 3.759 mm, largura 1.506 mm, altura 1.181 mm, entre-eixos 2.242 mm
- Peso em ordem de marcha: 504 kg (isso mesmo, não é erro de digitação) 
- Motor 1.216-cm³ de 75 cv
- Câmbio de 4 marchas
- Suspensão dianteira por triângulos superpostos e traseira McPherson
- Freios a disco nas quatro rodas, internos na traseira
- Velocidade máxima 180 km/h e aceleração 0-100 km/h, 11,6 s
- Consumo médio 14,3 km/l
Foto: gamblingtechnique.info


Uma pessoa correndo, quadrúpedes, aviões, embarcações e veículos de duas rodas fazem curva inclinando-se para dentro da curva. Já veículos terrestres de três ou mais rodas, inclinam-se para fora, "ao contrário". Se naqueles ninguém reclama, por que tanta crítica a um carro qualquer que se inclina ao fazer uma curva, a chamda rolagem? Isso sempre me intrigou, pois acho perfeitamente normal  a rolagem, ou "rolling", como os jornalistas da Quatro Rodas teimam em escrever.

Todo carro se inclina ao fazer uma curva. O motivo é uma força que age no centro de gravidade fazê-lo girar em torno do seu eixo de rolagem. Quanto maior for a distância entre centro de gravidade e eixo de rolagem, maior será a tendência à rolagem. Isso se depreende facilmente ao ver o desenho abaixo.


Calcular a altura do centro de gravidade é trabalhoso e não é propósito deste post ensinar como, mas quem quiser brincar um pouco é só entrar em www.automotiva-poliusp.org.br/mest/banc/pdf/fontana_romeu.pdf .
 Foto: Renault
Emblema informa o tipo de câmbio no Sandero

O excelente post do Arnaldo, O carro como obra de arte, coincide à perfeição com essa opinião do pessoal do Top Gear por ocasião do primeiro contato do programa com o Ferrari FF:

A primeira coisa que nos foi dito - quem falava era o homem do marketing - é o que o FF foi projetado segundo o que os clientes mais queriam. Isso nos apavorou. Clientes não têm ideia do que é possível, ou quais características são incompatíveis. É como num restaurante os clientes detalharem os ingredientes em vez de deixarem o infinitamente mais competente chef fazer isso para eles.

O Arnaldo acertou mesmo na mosca!

Pois  pego uma carona nesse tema e falar de algo correlato, a ditadura das especificações.

Pode até parecer à primeira vista contrário ao que o Arnaldo e o Top Gear disseram, mas não é. A opinião deles refere-se à receita do bolo, enquanto o quero falar é sobre a maneira como o bolo é vendido.
Foto G1 SP


Madrugada deste sábado, cruzamento num bairro nobre de São Paulo, o Itaim Bibi: um dos veículos, um Hyundai Tucson, conduzido por uma jovem, avança o sinal, segundo testemunhas, é atingido por um Porsche 911 e  os dois carros acabam do jeito que mostra a foto. Segundo notícia no SP TV e no site G1, a perícia diz que o 911 estava a 150 km/h. A jovem, 28 anos, de Salvador, BA, sozinha no Tucson, morreu na hora, enquanto o motorista do Porsche, também único ocupante, ficou ferido e foi levado a um bom hospital bem perto dali, o São Luiz. Tudo isso que conto foi noticiado.

A polícia, diz a reportagem, não descarta a possibilidade de que o motorista do 911 estivesse embriagado, mas até o final da manhã deste sábado não havia sido feito exame para dizer se estava ou não. Mas independentemente disso não se anda a uma velocidade dessas em ruas pacatas.
 Foto: billzilla.org
Exemplo de engrenagens soldadas à árvore

Em 1984 fui admitido na Volkswagen especificamente para dirigir a atividade de competições da fábrica. Como eu tinha vivência e trânsito na CBA, e tinha intimidade com os regulamentos técnicos do automobilismo, eu logo passei a representar a VW perante a entidade. Inclusive, precisei tirar a carteira de concorrente, como fábrica, pois disputaríamos o titulo de marcas e só como concorrente eu  estaria qualificado para entrar com algum eventual protesto esportivo.

Bem no final do ano passado escrevi o post "Quem não tem cinco corre com quatro" falando sobre a solução que tivemos que dar quando ficou decidido pelo Conselho Técnico-Desportivo Nacional  (CTDN)- por pressão da Fiat, Ford e General Motors - que nossos Voyages não poderiam usar câmbio de cinco marchas, já que o carro de produção ainda saía com apenas quatro marchas.

Vencemos a prova de aberura, em São Paulo, com um 1-2, mas na corrida seguinte, em Brasília, fizemos 1-2-3-4, esmagando a concorrência.
Fotos: VW

Outro dia publiquei um post que falava sobre a relação entre o peso e a potência de um carro e também sobre a importância do arrasto aerodinâmico sobre a velocidade final. Para isso utilizei-me do exemplo de dois carros potentes, um Mustang e uma réplica de Cobra.

Agora vamos para o trivial, justamente para mostrar que essas forças também atuam fortemente sobre carros  e trajetos ditos comuns, tipo viagens a velocidades legais. Pegaremos um VW Gol e uma picape Saveiro, só para ficarmos numa mesma família, o que facilita a comparação.

Quem viu o programa-piloto Speed Masters recentemente exibido pelo Speed Channel, deve lembrar que logo no começo do bloco do Ferrari F430 filmado em Interlagos há uma cena na pista em que a câmera é colocada na extremidade dianteira do carro. O carro não aparece, só aparece a pista sendo engolida. O som é do Ferrari, porém – só o leitor do AUTOentusiastas pode saber, bico fechado aí... – o carro que levava a câmera não era o F430, não; era uma Saveiro novinha em folha. Depois foi só encaixar o som de acordo com o trecho e boa. TV e cinema tem dessas coisas. A gente não queria ferir a pintura amarela do Ferrari, então encaixamos a câmera na Saveiro do Filipi, o técnico em um monte de coisas da produtora.

O Aerotech de 1992, com cauda longa

Recordes automobilísticos são um assunto polêmico, cuja validade para o mundo dos automóveis de rua pode ser contestada quando o recordista nada tem de parecido com o carro que existe à venda.

Se os recordes de velocidade, os mais populares, são de validade discutível, o mesmo não se pode dizer dos recordes de distância, que se traduzem na vida real como durabilidade. O tempo ou distância que um carro funciona de forma correta é uma característica que talvez seja a mais importante, ao contrário de outras que aparecem mais em propagandas, mas que não garantem a imagem de uma marca, como desempenho, por exemplo.

Claro que há pessoas sem nenhum amor aos automóveis, e que conseguem estragar qualquer tipo de carro, até mesmo um blindado de uso militar. Mas esses são usuários fora do normal, que não devem ser considerados ao se projetar e construir um carro. Se assim fosse, todos os carros seriam excessivamente reforçados em todos os seus sistemas, o que significaria um peso absurdamente alto, que traria preço mais alto ainda, consumo monstruoso e tudo mais de ruim que decorre de excesso de massa. Seria penalizar a maioria pelo erro da minoria.
Foto: bikeabout.org



Quando criança, gostava de prestar atenção nos adultos que comandavam coisas "interessantes" na visão de um garoto de seis anos. Ficava observando os garis mexendo naquelas alavancas que comandavam a pá hidráulica do caminhão de lixo e morria de vontade de meter a mão ali. Idem quando andava de ônibus, me sentava, sempre que conseguia, no primeiro banco atrás do motorista e ficava observando ele abrir e fechar as portas com aquelas chavinhas mágicas e morria de vontade de fazer isso uma vez.

A única vez que me lembro de ter comandado algum equipamento "de adultos" foi quando, morando em São Paulo (morei só um ano lá), ao aguardar o semáforo fechar para atravessar, acompanhado de minha mãe, fiquei observando o guarda comandar a troca da luz verde para vermelha. Ele então me chamou para apertar os botões, sob sua supervisão. Não precisa dizer que achei aquilo o máximo. Não passava de uma caixinha presa no poste com um botão verde e outro vermelho, mas para um moleque de cinco anos representava muito mais que isso. De fato, ao toque de um dedo, os carros paravam. Dedo poderoso !
Foto: vinartbodyshop.com



O automóvel não para de evoluir. Começou com o primeiro, o Benz Motorwagen de 1886, e só parará com o último. Cada um de nós, a seu tempo, viu mudanças. Quem já viveu mais, como os nascidos nos anos 1930 ou antes, presenciou um enorme cabedal delas. Eu, de 1942, vi muita coisa mudar nos nossos carros. Como também há itens que desafiam o tempo. O limpador de para-brisa é uma delas.

O limpador de para-brisa evoluiu, é verdade, mas é basicamente o mesmo funcionamento, um fino rodo que varre a água do vidro. Dois rodos, melhor dizendo, na maioria dos carros. Alguns têm um só, como o Uno, o Twingo e o Nano. Ou os Mercedes-Benz, como os W124. E os carros de corrida esporte-protótipo. 

Hoje os limpadores de para-brisa são acionados por motor elétrico, nas nos carros americanos até mais ou menos metade da década de 1950 era por motor a vácuo, que o obtinha do coletor de admissão. Funcionava bem - até que se acelerasse mais de 75 por cento do total, em que o vácuo do coletor diminuía ou acabava e o limpador parava de funcionar momentaneamente, enquanto a aceleração não fosse reduzida.
O André Antônio Dantas é bem conhecido aqui no AUTOentusiastas, autor dos mais brilhantes e didáticos posts, como o de ontem sobre o dwell. Engenheiro Mecânico Pleno, com ênfase em Mecatrônica, formado em 1991 pela Escola de Engenharia de São Carlos, o André gostaria de dividir com os leitores a sua visão de como o engenheiro se encaixa no panorama brasileiro atual.  No final ele aproveita para fazer considerações sobre o desmoronamento das obras da estação Pinheiros do metrô de São Paulo ocorrido em 12/01/2007.

Bob Sharp
Editor


Durante anos trabalhando como engenheiro, eu não entendia o porquê desse profissional ser tão mal tratado dentro das empresas. Engenheiro bem tratado era só o de Vendas, e com o mesmo tratamento dos demais vendedores.

Engenheiro da área técnica era sempre um profissional de enésima categoria. Para ser de primeira, tinha que trabalhar em vendas. Para ser de segunda ou talvez de terceira, tinha que trabalhar em compras.

Depois de muito tempo me decepcionando, comecei a perceber um padrão que existe dentro das empresas nacionais.

O homem de vendas é quem põe o dinheiro dentro da empresa. Não importa o que ele diga, merece ter o tapete vermelho estendido.
Foto: Google Images

Foi mesmo um ano incrível, 1948. E bissexto.

A Ford Motor Company anuncia seu primeiro projeto do período de paz, o Ford 1949, um grande sucesso (foto acima).

A Ford France apresenta o Vedette no Salão de Paris, com motor V-8 de 2.158 cm³ e 60 cv. Foi o primeiro carro do mundo com suspensão McPherson e evoluiria para o Simca Chambord depois que a Simca comprou a Ford France em 1954.

Ford Vedette (forum.321auto.com)

Começam as provas de Stock Car nos Estados Unidos, na praia de Daytona, sob a égide da Nascar, tudo criado por Bill France, depois continuado por seu filho, Bill France Jr.

Stock cars em Daytona Beach, EUA (auto.howstuffworks.com)

Quatro dias atrás tomei o slogan dos Biscoitos Tostines como base para mostrar um aspecto do trânsito brasileiro e disse que o Brasil está fabricando idiotas com seu arcaico sistema de trânsito. Eis que anteontem abro o jornal  O Estado de S. Paulo e leio que a PM vai dobrar o efetivo no período de férias em razão do elevado número de mortes nas estradas. Desculpe, PM, em que pese sua boa intenção, não é por aí vocês vão conseguir o nobre objetivo..

Não é possível que as polícias rodoviárias brasileiras não entendam que trânsito se fiscaliza monitorando-o e não fazendo bloqueios que pouco resolvem. Hoje a tecnologia de imagem permite que câmeras façam grande parte desse trabalho, mas elas não substituem uma coisa chamada carro policial em movimento, patrulhando, observando o tráfego, analisando o comportamento dos motoristas e abordando-os caso cometam alguma infração ou denotem não estar de pleno domínio do carro qualquer que seja o motivo. Podem até estar sóbrios, mas isso não os impede de dirigir fora do padrão.
Fig. 1 Esquema de um rupor mostrando a variação do dwell com a folga nos contatos. Em vermelho, menos folga, dwell menor

Schliesswinkel = Ângulo de permanência
Öffnungswinkel = Ângulo de abertura
Amboss (verstellbar) =  Martelete (ajustável)
Ablenkehöhe =  Folga
Unterbrechenocken =  Ressalto de interrupção 


Dando continuidade à história da ignição, vamos aprofundar a visão em cima de um fator muito pouco compreendido, até mesmo pelos mecânicos mais velhos e experientes. Também vamos ver como a evolução tecnológica ofereceu diferentes soluções técnicas para um fator tão importante para a ignição quanto o ponto de centelhamento.

Vimos no artigo anterior que o engenheiro Charles Franklin Kettering patenteou o sistema Delco de ignição, usando uma bobina de ignição operando como bobina de Rhumkorff. Este é o nosso ponto de partida.

No sistema Delco, o platinado é um interruptor elétrico simples, que abre e fecha sincronizado com a rotação do motor. Ele fecha o contato, a corrente elétrica flui pelo enrolamento primário da bobina e pelo platinado, e esta corrente cria um campo magnético no núcleo de aço da bobina.

Após um determinado tempo, o platinado se abre e corta a corrente elétrica. Sem a corrente elétrica, o campo magnético não pode ser mantido, e, ao colapsar, induz uma alta tensão no enrolamento secundário da bobina, e cria uma corrente elétrica de alta tensão que produz a centelha na vela de ignição.
Fig.2  Sistema Delco convencional

Isso é o que todo entusiasta mais aplicado sabe sobre esses sistemas. Porém, vamos refazer este processo em ordem inversa, acompanhando o caminho da energia.

Antes de entrar no assunto, considero esse logotipo das Peças Originais Fiat o melhor da indústria de todos os tempos. Pena que não exista mais devido à mudança de logotipo da marca ocorrida em 2005, se não engano, depois que terminou a associação com a General Motors. Se o leitor notar bem, os "A" representam uma parte qualquer do automóvel. Um deles, o de fundo claro, é a peça cansada, enquando o de fundo vermelho é a peça de reposição, nova, que aparece entrando no lugar da velha. Perfeito! Mas vamos ao quero dizer neste post.

Como muitos leitores já sabem, fui concessionário Vemag e depois Volkswagen, num total de 11 anos. Baseado primeiro na intuição quando adolescente, depois na lógica e finalmente na experiência pessoal, um dos pontos de honra na concessionária era aplicar nos carros dos clientes exclusivamente peças originais fornecidas pelo fabricante do veículo, primeiro Vemag e depois Volkswagen.
Sábado agora, voltando a pé da padaria lá pelas sete e meia da noite, passo ao lado de um ponto de ônibus. Um ônibus para e dele desce um pai com uma criança no colo. Mais três crianças levando duas bolas de futebol o acompanham.

Eles atravessam a Av. Brigadeiro Faria Lima e seguem sei lá pra onde. Todos cansados. O pai mais ainda, porque o moleque no colo era dos pesados e estava largadão de babar.

Bom, pensei comigo, esse tá numa boa e numa pior. Numa boa porque está com a filharada e foi se divertir com ela, e numa pior porque foi mordido feio no que gastou de transporte.

A tarifa de ônibus está custando R$ 3,00, que eu sei porque de vez em quando pego.
Foto: Portal Uol/Miguel Costa Jr.


Quem assistiu a 6a, etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car V-8 hoje, no Autódromo Nélson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, teve todos os motivos para ficar perplexo. Alguns, que conhecem a fundo o automobilismo, como eu, indignados.

Na segunda volta começou um incêndio no carro de Tuka Rocha, um "Chevrolet Astra". As chamas cresceram rapidamente em intensidade e na reta dos boxes - antigos, fizeram outros na reta principal porque a pista foi mutilada, passando de 4.932 para 3.336 metros e a saída do box original ficaria depois da curva de acesso à reta principal - o piloto se jogou  do carro, em velocidade que estimo 40 km/h, dada a quantidade de fumaça preta no interior, que deveria o estar asfixiando, além de chamas, cujo perigo não é preciso dizer. O carro ainda andou um pouco por sí só, tocou a defensa e parou, mas por pouco não voltando à pista.

Perplexidade, fácil de entender; indignação, explico.

Não vou aqui dar uma de que andei muito de ônibus escolar, não. Graças a Deus tínhamos carro em casa. Quando moleque, pra ir pra escola funcionava, e muito bem, o esquema de rodízio. Cada dia um pai ou mãe se encarregava de lotar seu carro com a molecada. Era ótimo, na ida todo mundo dormindo uns por cima dos outros e na volta uma algazarra maluca e todos esfomeados raspando as lancheiras dos outros e tomando restos de groselha quente e melada difícil de engolir devido às cotoveladas na boca do estômago. O rodízio rolava porque meus pais não confiavam nem nos ônibus escolares nem nas vans da época, que invariavelmente eram Kombis 1200, e com razão.

Essas Kombi eram instáveis e se não bem dirigidas capotavam com facilidade. Minha mulher, quando criança, capotou numa dessas Kombis escolares e seus olhos, os olhos mais lindos do mundo, se encheram de cacos de vidro. Tudo bem, por sorte sem sequelas.

Com a morte do senador Itamar Augusto Cautiero Franco neste sábado, em São Paulo, aos 81 anos, de derrame cerebral e pneumonia associados à leucemia que vinha sofrendo, perde o Brasil um homem simples  mas que foi um grande estadista. Presidiu o país de 29 de dezembro de 1992 a 1° de janeiro de 1995, quando passou a faixa presidencial para Fernando Henrique Cardoso. Vice-presidente de Fernando Collor de Mello, assumiu o cargo mais alto da República num momento difícil da vida nacional, que culminaria com a renúncia seguida de impedimento de Collor.



É relativamente corriqueiro na indústria automobilística uma fabricante mudar de dono. Bem recentemente, em 2008, a Jaguar e a Land Rover passaram a pertencer à indiana Tata Motors. Antes, em 2000, haviam passado à Ford. O curioso disso tudo é nada aparentemente mudar na maioria dos casos,  tudo continuar como antes.

Uma exceção foi o Jaguar X-Type, construído sobre plataforma Mondeo, de tração dianteira ou nas quatro rodas. Foi fabricado de 2001 a 2009 na Inglaterra e em Taiwan. Mas os Jaguares atuais - XK, XJ, XF, R - continuam autênticos e produzidos em Conventry e o Land Rover, em Solihull, ambas as cidades na Inglaterra.

Bem antes, no começo de 1929, a alemã Opel foi comprada pela General Motors Corporation, mas continuou a mesma Adam Opel AG (AG é Aktiengesellschaft, a nossa S.A.) e produzindo os modelos que nada tinham a ver com a linha de produtos do novo dono. Para os alemães a Opel continuava  alemã (e continua até hoje), sediada em Rüsselsheim, como se nada tivesse acontecido.

Inclusive, sempre houve atrito entre as diretorias das duas empresas. Aqui na GM do Brasil sabia-se que Detroit não "apitava" muito em Rüsselsheim, uma situação no mínimo curiosa.
Foto: autor

A maior cidade brasileira, o segundo aeroporto mais movimentado do país (perde, por pouco, para Guarulhos), área de embarque para veículos particulares e táxis e desembarque para aqueles: a placa de trânsito se contradiz. Esse é só um dos exemplos do caos que assola o trânsito no Brasil causado pela má condução de assunto de tamanha importância, a sinalização.

A placa "E" com duas barras vermelhas cruzadas indica parada proibida; mas abaixo dela, autoização para parar. Coisa para o :"Acredite...se quiser" do Jack Palance. Aí a Companhia de Engenharia de Tráfego, com a qual as rádios-trânsito, especialmente a Sul América Trânsito, fazem coro, fala em "excesso de veículos".

O que não pode em áreas de embarque e desembarque demarcadas para isso é estacionar, por motivo óbvio.
Foto: andscifi.com

Matéria publicada na Folha de S. Paulo de 27/6, que nos foi alertado pelo leitor Fernando Antônio, não deixa dúvida: tem gente odiando automóvel. Para nós, autoentusiastas, é incompreensível e revoltante. Todos têm o direito de odiar o que quiserem, mas não de impor ideias desprovidas de bom senso para fazer prevalecer seu ponto de vista. Caso de certos administradores de cidades europeias.

A reportagem, publicada originalmente no jornal The New York Times, de autoria de Elisabeth Rosenthal escrevendo de Zurique, com tradução de Clara Allain, começa com "Enquanto cidades americanas sincronizam faróis verdes para melhorar o fluxo do tráfego e oferecem aplicativos para ajudar motoristas a encontrar lugares para estacionar, muitas cidades europeias vêm fazendo o contrário: criando ambientes abertamente hostis aos carros. Os métodos variam, mas a missão é clara: encarecer e dificultar o uso do carro, visando pressionar os motoristas a optar por tipos mais ecológicos de transporte."
As pessoas mais próximas do meu convívio sabem que o meu carro de uso diário é uma velha e surrada Volkswagen Quantum fabricada em 1996 (para os íntimos, "Panzerwagen"). Como sempre digo,: não vale grande coisa, mas também não está à venda, terá sempre um lugar em minha garagem enquanto for um veículo útil e confiável, situação que sempre dependerá de um mínimo de cuidados com a sua manutenção.

O carro está na família desde 1999, mas veio parar em minhas mãos apenas em 2003. Já em 2004, senti que após oito anos de bons serviços prestados estava na hora de um overhaul completo (revisão total) na suspensão, com componentes novos, tudo do bom e do melhor para que o carro ficasse justinho e confortável, como se tivesse saído da fábrica.

Deleguei a tarefa ao meu mecânico de confiança, deixando o carro em sua oficina pela manhã e pedindo também para que ele desse uma inspecionada no estado geral do monobloco da Panzer. Voltei lá no final da tarde e ele me passou a relação completa de peças a serem trocadas, afirmando ainda que o monobloco estava bem íntegro, mesmo após 15 anos de uso nas esburacadas estradas desse país. Por enquanto, não há sinal algum de rachadura na parede de fogo ou no túnel da transmissão.
Foto: www.uol2.com.br/bestcars

Cisialia 202

— Olha aqui, senhor Cézane, não dá pra pintar aquelas montanhas ali do fundo um pouco menos azuladas? – pede o pretendente a comprador da obra de arte, enquanto vê o artista diante do cavalete. Não sei aonde é que o senhor está vendo tanto azul assim naquelas montanhas lá.

— Mas, afinal, senhor Da Vinci, essa mulher aí, a Gioconda, estava sorrindo ou não quando o senhor a pintou? Não dava para ser mais claro, mais evidente? – outro comprador opina.

— Veja bem, senhor Rodin, esse sujeito aí sentado no toco e segurando o queixo não está muito do meu gosto, não. Além do mais é irreal. Ninguém pensa pelado sentado num toco. A gente pensa pelado só quando está sentado no vaso. É ou não é? – outro opiniento mal educado.

Pois é, qual seria a reação dos artistas teriam diante dessas opiniões bestas?

No mínimo uma bicuda bem dada no traseiro do energúmeno.


Biscoitos Tostines  vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

A questão encaixa-se à perfeição aos alemães: eles guiam bem porque não há limite nas Autobahnen, ou não há limite nas Autobahnen porque eles guiam bem?

Sempre  ouço ou leio a justificativa de que no Brasil velocidade é relacionada a acidente, daí os limites baixos que vemos por aqui. Inclusive, a prefeitura de São Paulo "está com a corda toda"  baixando os limites – que já eram baixos – de muitas avenidas e já parte chutando que "os acidentes se reduzirão em 20 por cento". O Departamento de Estradas de Rodagem paulista também está nesse barco e reduziu limites, como de 100 para 90 km/h na rodovia Raposo Tavares e de 110 para 90 km/h na marginal da Via Anchieta.

Fotos:
Citroen BX16-valve club
home.planet.nl/~koper193/groupb
autor



Se hoje em dia a Citroën deita e rola no Campeonato Mundial de Rali (WRC), pela pilotagem absurdamente eficiente de Sebastian Loeb, navegação perfeita de Daniel Elena e confiabilidade dos Xsara, C4 e agora DS3, é devido a aprendizados doloridos ao longo do tempo.

Essa dupla, com apoio da fábrica, controla o WRC desde 2004 com o Xsara, de 2007 a 2010 com o C4, e agora em 2011 com o DS3, e há mais um Sebastian, o Ogier, para dividir as vitórias. Aliás, parece que para ser “pilotão” tem que ser chamar Sebastião! Vejam que na Fórmula 1 é a mesma história.

Mas vitórias e gracinhas à parte, houve um tempo complicado para a marca.


Falamos da comemoração dos vinte anos da vitória em Le Mans do lendário Mazda 787B aqui. Foi a primeira e única vitória de um motor rotativo e de um carro japonês na mais tradicional prova de endurance do mundo.

O principal papel da edição de 1991 foi mesmo do 787B, que sobressaiu frente aos poderosos V-8 e V-12 dos concorrentes. Um fato interessante e que até então não muito conhecido é a estrutura da equipe Mazda e a estratégia para a corrida.

Outro dia, de férias na fazenda, fim de tarde, e estou na modorra, balançando na rede pra lá e pra cá, quando escuto o tropel do nosso trator véio Massey-Ferguson 85X. Esse é da década de 70 e ainda presta bons serviços gastando pouco combustível e sem dar problemas. Esse é um que morre no pasto de casa. Não o vendo.

Abro um pouco os olhos e vejo o Tigrão, o meu vira-lata, chegando do trabalho nesse véio 85X. E ele já vem com o sangue quente, joga o chapéu de palha no chão, pisa em cima e fica reclamando que o trator está com vazamentos de diesel nas mangueirinhas e que aquilo misturado com o pó seco de capim era uma tocha prestes a pegar fogo à menor fagulha e que se era pra ele arriscar a vida de cão dele naquele troço, ele ia querer mais osso do bom na cumbuca fedida dele lá.



Sábado passado voltava do encontro de autos antigos de Águas de Lindoia (SP) em direção ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde devolveria o carro alugado e pegaria o voo para o Rio de Janeiro.

Ainda na rodovia Fernão Dias, comentei com o amigo que guiava o carro para procurarmos um posto para abastecer o Palio da locadora antes de devolvê-lo, pois nos seria cobrado R$ 4,50 por litro caso devolvêssemos o tanque sem estar cheio. Considerando que o carro tinha menos de ¼ de tanque e o preço do álcool em São Paulo anda por volta de R$ 1,70, gastaríamos uns R$ 100,00 a mais se não abastecêssemos antes.

Fotos: autor

Havia anos que não vinha para a Grande Maçã. Ao planejar minhas férias, decidi alugar um carro somente quando estivesse deixando Manhattan, só o que deixaria de dinheiro na mão dos estacionamentos pagaria um belo upgrade na Hertz; deixo isso para o próximo post.

Prius Hybrid - recepção nada entusiástica, cadê os V-8?
O engraçado é que cheguei a essa conclusão logo ao apanhar o táxi do aeroporto, um Prius, cadê os Crown Victoria V-8? Que, apesar de barcas, tinham aquele ronronar gostoso, tão bom que até esquecíamos como eram apertados por dentro. O motorista do Prius, um indiano, perguntou muito do Brasil, queria traçar paralelos, realmente estamos mais para eles que para EUA. Feliz com seu híbrido, roda 11 horas e gasta 10 dólares por dia de combustível. Já há muitos Prius táxi e vários outros híbridos também. Meu amigo AG choraria de ver V-8s desaparecendo do cenário, lenta e dolorosamente, em prol de não sei bem o quê.


Vejam este texto da Petrobras, tirado do blog da empresa:

"A Copa Petrobras de Marcas, que recupera a disputa entre os modelos das montadoras nacionais e dá novo gás à temporada 2011 do automobilismo, teve início neste fim de semana (29/05) com os primeiros treinos coletivos, no Autódromo Internacional de Curitiba. A competição  é promovida em parceria com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Composto por oito etapas realizadas nas principais cidades do país,  as provas serão transmitidas em tevê aberta, pela RedeTV."

Evidentemente, não se trata de "modelos das montadoras nacionais", pois são veículos de mecânica única apenas com bolhas de plástico para dar a entender que são "marcas".

O que me dana é que poderia ser completamente diferente, um campeonato brasileiro de carros de turismo verdadeiro, que admitisse sedãs com motor de até 2 litros correndo sob regulamento internacional como o Grupo A da FIA, que é o adotado para o Campeonato Europeu de Carros de Turismo e por isso mesmo envolvendo - de verdade, não de mentirinha - as fábricas. Como ocorre hoje com a Fórmula Truck

Uma prova do Campeonato Europeu de Carros de Turismo
Repare na foto acima: são carros de produção de verdade, modificados segundo um regulamento internacional  de amplo conhecimento de todos . Compare esses carros com o "Honda" da foto de abertura, chegar a ser patético. Os caras estão de brincadeira, só pode ser.


Era 1976. Eu tinha a concessionária VW no Rio e corria na equipe oficial Ford, a Mercantil Finasa-Motorcraft, dirigida pelo saudoso Luiz Antônio Greco. O primo Billy Sharp comprou um Maverick para correr, em sociedade com um amigo comum, o Mauro de Sá Mota Filho, e o carro era assistido na pista pelo Greco e seu time de grandes mecânicos. Era um "agregado" à equipe. 

O Maverick V-8 era muito atraente e o primo gostou tanto do Maverick de corrida que acabou comprando um para uso pessoal. Comprou direto da Ford, da frota, cor marrom médio metálico (foto), que não era disponível e por isso o carro era único. Tratava-se de pintura  para o "show de cores", como era chamado na Ford o expediente para a escolha de cores.

Assim que retirou o carro no pátio da Ford, no Taboão, deixou o carro na Greco Competições, que era o QG da equipe, para pôr no motor o pacote Quadrijet, igual ao que se usou nas provas de Turismo  Divisão 1 nos dois anos anteriores. Trocou as rodas pelas Scorro, também de corrida, e mandou pôr amortecedores Koni. O carro era um verdadeiro canhão, até para os padrões de hoje, e feliizmente não tinha a "GT decor", aquele monte de faixas pretas que o primo não gosta e tampouco eu.

Dias depois o Greco avisou que o carro estava pronto e o Billy me chamou para irmos a São Paulo buscar o carro (morávamos no Rio). Pegamos um avião, chegamos, almoçamos e apanhamos o Maverick para viajar para casa. "Vai tocando você", disse o primo, e saímos.