google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Esse post é meio nostálgico, meio pessoal, meio reconhecimento a pessoas que me ajudaram e me fizeram andar melhor e mais rápido para frente. Claro que é bagunçado e a linha do tempo não é contínua. Se eu fosse um cara sofisticado diria que fiz a narrativa em flashback, mas não é o caso. É que é coisa demais para pôr em ordem. Foi do jeito que veio!

Quando eu era bem pequeno, me sentia meio peixe fora d'água. Nunca curti futebol, não gostava de samba, não era muito bagunceiro e amava ler. Lia tudo o que ma caía nas mãos.

Meu pai era mecânico de profissão, mas funcionário público de ocupação. Gostava de carros, embora não fosse assim um entusiasta. Nos anos 60 e 70 o automóvel era algo muito diferente do que é hoje. Não tive uma infância tão automotiva quanto gostava, apesar de ter aprendido a dirigir relativamente cedo, aos 11 anos, como era mais ou menos normal na época.

Havia duas revistas que eu costumava ler sempre que podia, e eram infinitamente mais legais que hoje em dia, Quatro Rodas e Autoesporte. A Autoesporte era mais dedicada a automobilismo e eu curtia, mas preferia a Quatro Rodas, sempre tinha matérias com carros bacanas, muitas informações técnicas, eu achava bem legal. Nessa época eu lia bastante sobre corridas nacionais, coisas do nosso automobilismo que me pareciam muito mais legais e perto de minha realidade que Fórmula 1 ou esporte-protótipo internacional.

Lógico que era impossível ignorar um Porsche 917, mas o Avallone-Chrysler e um certo protótipo para Divisão 4 com motor Ford 302 feito pelo Berta, que o Luiz Pereira Bueno pilotava e até bateu um recorde em Goiânia e que na época diziam que deveria permanecer por muito tempo, já que não corria F-1 lá, me pareciam muito, mas muito mais legais mesmo.

Nesses tempos aprendi que havia no Rio um certo Colégio Arte e Instrução, que possuía carros de corrida descabelantes como Ford GT40 e Lolas. Nessa época tinha a famosa equipe Hollywood, tinha a Divisão 3, tinha um cara do qual eu ouvia falar muito e que até alguns amigos conheciam em pessoa, mas eu não. Eu pensava que deveria ser um sujeito muito bacana e importante, porque corria com carros muito muito legais como Mavericks Quadrijets, a despeito de ter feito uma boa imagem andando com o carro que meu pai tanto amava, os Vemags. Sabia que ele tinha ligações com outro cara muito bacana que eu acabei conhecendo muitos anos após e que era, sim, um cara seriamente legal, o Jorge Lettry. Esse cara bacana é o Bob Sharp. Muito, muito tempo depois de eu ler sobre ele em resultados de competições nos idos anos 70, um dia fomos comer umas pizzas juntos em São Paulo.

Anos depois, comecei a ler outra revista nova que chegou ao mercado. Era a Motor 3. Era algo que se comprava e lia inteira. Nela comecei a ler muita coisa que muitos outros caras muito legais escreviam. Lá um cara gente boa pregava sobre a importância de se preservar a memória automotiva nacional. Esse cara acabou fazendo leis que proibiam que exportássemos partes de nossa história e ao mesmo tempo nos deu a oportunidade, através de outra lei que carrega seu nome, de termos carros antigos importados, coisa que sempre nos foi proibida. Esse Roberto Nasser é do barulho mesmo.

Vendo o post do Paulo sobre o museu dele, a Fundação Memória do Transporte, aqui em Brasília, me lembro que fiz alguns serviços para lá (bem, como ele até fez um editorial contando como e o que tínhamos feito nos motores do GTX e do Uirapuru dele, me sinto à vontade de comentar isso aqui), montei alguns motores, sempre muito planejados, discutidos com uma incrível dose de detalhamento, vontade de melhorar, de evoluir, mas sempre sem descaracterizar ou tentar transformar um motor representante de uma escola de engenharia de algumas décadas passadas em algo moderno e irreal.

Como se não bastasse isso, o Nasser me fez um grande favor: um dia, logo que cheguei aqui em Brasília, conseguiu me apresentar ao José Luiz Vieira, o Capitão da Motor 3.

Aí vamos de volta a 1987. Meu pai estava bem doente e hospitalizado, e um enfermeiro dele, o Lécio, foi me visitar na oficina onde trabalhava, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, para me pedir que por favor ajudasse a ele a montar um Chepala. Ok, eu já tinha ouvido falar de Chepala, mas só ouvido falar. Por acaso eu nem conseguia mais ter muito tempo livre e de forma irresponsável perdi a série de reportagens em que o JLV descrevia a feitura do Chepala dele. O Lécio me trouxe as reportagens e uns tempos depois fiz meu primeiro Chepala.

O mais fantástico é que fiquei fascinado com o fato de alguém fazer alguma coisa legal, ter o desapego de dizer que quem pôs o ovo em pé não foi ele e ainda contar para todos como fazer, algo impensável em nosso cotidiano medíocre, de saber e não contar para ninguém fazer igual a você. Quando saquei isso, que não somos nada, donos de nada ou melhor que outros por saber fazer algo, comecei a ver as coisas de outra forma.

Fui morar em Sorocaba, depois voltei para o Rio em 1990. Em 1991, com uma boa dose de coragem e com a facilidade de importar inédita que tivemos por conta da liberdade comercial de então, comecei de verdade a mexer com trocas de motores. Como já tinha tido a experiência dos Chepalas, me senti muito à vontade para tentar outros voos, mais altos e longos. Também mais rápidos.

Soube, por meio de revistas, que a Opel vendeu na Alemanha um carro com motor Chevy V-8 327. Já era, aquela Caravan que meu pai de deu de presente de Natal em 1988 ia ser a cobaia. Ela nasceu com um anêmico 151, virou 250 e o 250 foi vendido para pagar uma passagem Rio-Nova York-Rio que me serviu de fonte de muita literatura técnica da melhor espécie. Na volta, Caravan com small block e peguei um Dart 78, metendo um 383 nele. Nessa época não existia internet, então fazer as coisas mais legais do mundo e contar ao vivo e em cores a todos que quisessem ouvir não era tão fácil.

Nessa época de morar em Sorocaba peguei o hábito de ler revistas americanas de preparação como Car Craft e Popular Hot Rodding. Até que num ensolarado dia de outubro do longíquo ano de 1988, ao entrar numa banca na Praça Saens Peña, vi uma revista que eu ainda não conhecia, uma tal de Hot Rod, e na capa a mensagem: "Dare to be different". Como eu já não aguentava mais umas besteiras como ter que pintar meu carro velho dos anos 60 e 70 com cores modernas de carros novos, essa revista foi só o último capítulo de uma novela que sabíamos que não ia terminar bem.

Lá, caras como Gary B'ville, David Freiburguer, Steve Magnante só deram uma forcinha a um cara que já estava quase que irremediavelmente perdido.

Nessa época eu já trabalhava há muito tempo meus motores no finado Auto Posto Retificadora, onde tinham um monte de outros caras legais, como o Sr. Silvio di Mico, um italianão muito gente boa que sempre fazia uma certa vista grossa para um certo cara maluco que, apesar de ser apenas um cliente, entrava na retífica, às vezes até usinava uma coisa ou outra, às vezes até ajudava soldando peças e outras coisas da própria retífica, e por aí vai. Isso tudo só acontecia porque o chefe da oficina, o Sr. Gabriel Moisés, um cara simplesmente fantástico, estava sempre por perto com o enforcador para o caso do certo maluco irresponsável passar dos limites (se é que tinha algum, haha) dentro da retifica. E se ocupando em me ensinar tudo o que podia e sabia.

Bons tempos, que infelizmente terminaram em 1999, com a falência da firma. Mas, rei morto, rei posto e aqui me lembro que de volta às viagens aos Estados Unidos veio muita informação técnica boa, eu queria de verdade que pudéssemos, por exemplo, balancear eixos de motores com a mesma facilidade com se faz lá. Então, de posse das informações e com a indicação de um amigo que é um grande apaixonado por Porsches e VWs, conheci outro sujeito bacana, o Sr. Antoinne, dono da Retífica Aksony, que viu e ouviu o que eu tinha a dizer e bancou fazermos os gabaritos e os procedimentos para termos com facilidade, lá no Rio de janeiro em pleno ano 2000, uma facilidade técnica na época indisponível. Concluída a fanfarra, no último dia de bagunça e instalação, recebi a notícia de minha transferência para cá, e uma nova etapa veio.

Mas aí a gente tem que voltar um pouquinho, porque em meados dos anos 90 veio a internet e o Alexandre Cruvinel, colega de trabalho, me apresentou e me fez dar os primeiros passos nessa nova e maravilhosa forma de me comunicar. Descubro os news groups, os mailing lists, conheci o André Dantas, conversamos muito em nossos botequins virtuais, trocamos ideias mil com muitos outros amigos, alguns que hoje fazem bastante barulho também, metem motor de Lotus em Ladas, e vamos que vamos.

Por conta desses novos ares comunicativos, conheci muitos outros sujeitos bacanas e numa dessas, um outro cara legal, o Fabrício Samahá, do Best Cars Web Site, que me escreveu perguntando se eu podia ajudar, pois um leitor havia perguntado sobre como pôr um 350 num Opala. Nesse momento me lembrei da importância do JLV e da história do Chepala para mim. A resposta foi a única possível: mandei um texto bem detalhado sobre como fazer um Opala V-8. Espero que a reportagem tenha ajudado algumas pessoas a realizar seus sonhos mecânicos.

Tem um "tubinha" preto com V-6 aqui quase pronto. Quando concluir ele, acho que vai ser hora de fazer mais um textinho bem detalhado com muitas e muitas fotos e pôr aqui no blog para que, quem quiser, tenha pelo menos uma fonte de inspiração.

Aqui vale lembrar da imagem da foto acima, onde eu posava, ainda com os cabelos todos pretos, ao lado do carro de um amigo (claro, muito normal, um Citroën 11 Légère 1949 com -- é evidente -- Chevy V-8 power e tração traseira), numa oficina em que eu tinha participação, que chamávamos meio sério, meio na bagunça, de Automecânica 171, tendo em vista o número do imóvel na rua. Minha primeira experiência como sócio de alguma empreitada. Tudo muito mais fácil por conta do cara que era meu sócio, o Roberto Grande. Grande sujeito! Depois que vim para o Planalto Central deixei um bom aprendiz de feiticeiro lá, o Eduardo, que da forma que pode e consegue não deixa a bagunça acabar!

Voltando ao Nasser e ao encontro com o JLV, quando pude finalmente chegar para o meu mentor e dizer: Cara, você foi bacana, me ajudou e me mostrou como ser um cara melhor e mais útil. Eu vim aqui para te mostrar a minha Caravan V-8, feita com a mesma simplicidade e objetivos que você usou no Chepala. Quer ir dar uma voltinha nela?

Claro que ele quis. Primeiro dirigi para que ele visse do que se tratava, porque o carro era meio áspero, não muito amigável assim ao primeiro contato, e depois de ele ver como era, passei o carro a ele, que com maestria desfrutou da minha obra mecânica. Foi o jeito de eu dizer a ele: Cara, valeu, muito obrigado.

E aqui, neste ponto, deixo um grande e sincero muito obrigado a todos os caras legais que aqui citei e a outros tantos anônimos, que tiveram paciência e boa vontade de me fazer pensar, me fazer evoluir e ver coisas novas e legais.

A todos os meus mentores, amigos, companheiros de trabalho e de afazeres, meu muito obrigado! Muito obrigado mesmo, a viagem tem sido muito mais legal com a companhia de todos vocês e as dificuldades do caminho são sempre muito, mas muito menores mesmo, por conta da ajuda de todos vocês!

Abração!

AG
Outro Chevette Tubarão que não tivemos por aqui:

Acho o carro lindíssimo, e muito melhor que o sedã por causa da utilidade da porta traseira e o balanço traseiro menor. Não entendo o porquê do fracasso desta configuração por aqui.

MAO

No final do mês passado falei sobre o absurdo que é o acesso para a BR-381 Fernão Dias a partir da BR 116 Presidente Dutra, só possível pela pista lateral desta. Se não se pegar seu acesso, ainda na marginal do Tietê, só retornando 8 km adiante da entrada para a BR-381, na saída para o aeroporto internacional, em Guarulhos. Ou seja, tem-se que rodar 16 km, pois há a volta.

Hoje tive o desprazer de vivenciar outro erro da engenharia de tráfego, que torna o dirigir em São Paulo cada vez pior e desgastante.

Praticamente todos sabem que para pegar a BR-116 Régis Bittencourt, uma das maneiras é usar a Av. Prof. Francisco Morato, saindo da marginal do Pinheiros. A longa via chega a Taboão da Serra, já outro município, onde começa a BR-116.

Mas as nossas "capacidades" resolveram fazer uma mudança de traçado tal que, permanecendo-se na Francisco Morato, vai-se para outra rua e não para a rodovia. Escolheram o anti-natural, portanto.

Depois de retornar e perder tempo, a descoberta: uma tímida placa no lado direito indica uma saída igualmente tímida à direita com os dizeres "Régis Bittencourt". Meu Deus, tinha haver uma sinzalição clara, um pórtico! Afinal, trata-se de uma BR, uma rodovia federal que leva ao Sul do país! Fora que é preciso fazer um desvio para pegar a importante rodovia, enquanto a Prof. Francisco Morato morre numa rua, a João Batista de Oliveira.

A turma enlouqueceu mesmo. Não dá.

Em setembro de 2008 estive em Brasília e visitei o Museu do Automóvel que é dirigido pelo Roberto Nasser. Quando estive lá o museu estava passando por reformas e o Nasser não estava. Uma pena, pois gostaria de ter conversado com ele sobre os carros expostos. A grande maioria deles é do próprio Nasser, que tem por objetivo preservar a história da indústria brasileira, uma vez que os carros nacionais são predominantes.

São muitos carros interessantes, como os nacionais FNM Onça e Brasinca 4200GT (ou Uirapuru) e o francês Amilcar. O Onça, ou o Mustang com alma italiana, é uma das 5 unidades fabricadas. A FNM, que fabricava o JK, solicitou à dupla Rino Malzoni e Anísio Campos a criação de um esportivo nacional. É notória a inspiração no Mustang, que naquela época já era sucesso absoluto.

Outro destaque do Museu é uma picape Tempra, que já foi motivo de uma postagem quando eu visitei o museu. Há também uma exposição dos principais motores desenvolvidos no Brasil.

Liguei para lá hoje e confirmei que a reforma já acabou e o museu está operando normalmente.

O museu fica aberto durante o Carnaval, só fecha na quarta-feira de Cinzas. Normalmente ele abre de terça a domingo das 11h00 às 17h00. O telefone para informações é (61) 3225-3000.

Quem tiver interesse em ver o próprio Nasser falando sobre o museu, veja o filme no link: Museu do Automóvel.



Para quem não está familiarizado com o vocabulário chevettístico, existem 3 tipos básicos de Chevettes brasileiros:

1) Tubarão: 1974-1977
2) Pontiac: 1978-1982
3) Monza: 1983-1994

Existem subdivisões entre estes tipos básicos, mas não vou entrar em detalhes aqui. O que eu queria mostrar para vocês é esta simpática foto abaixo, com 3 "Tubarões" que não tivemos por aqui: perua 2 portas, sedã 4 portas e cupê fasback.


Não são lindos? Ou é só falta de medicação mesmo?

MAO


Estava vendo umas fotos do novo museu da Porsche. Amigos que visitaram o antigo reclamaram do tamanho minúsculo, que não permitia boas fotos e não fazia jus à história da marca.

Agora, com o acervo no novo edifício, tudo mudou.

Vocês irão ver muitas imagens, ou até já devem ter visto, em vários órgãos de imprensa. Eu coloquei aqui a foto do meu canto preferido, ao menos antes de visitar pessoalmente o local: a biblioteca. Absolutamente linda, um sonho para mim.

Eu quero uma dessas.




Estava nesta sexta-feira caminhando pela Avenida Ibirapuera, de volta para casa, quando noto que a concessionária Citroën colocara o novo C4 hatch à mostra.

Havia chegado esta tarde. Modelo Exclusive, quase completo, faltava kit xenon, com faróis direcionais, preço de R$ 71 mil. Com o kit, pula para R$ 78 mil! UAU!

Segundo o vendedor, o carro não foi lançado ainda. Na verdade, fora lançado em novembro passado, na Argentina, com boa cobertura em vários sites e blogs automobilísticos daqui. Porém está chegando agora às lojas, poucos dias antes de março, data oficial para início das vendas.

Aproveitei a proximidade de casa, apanhei a máquina e, mesmo à noite, sem o mínimo de equipamentos, como tripé, companhia para o flash etc., tirei algumas fotos.

Para mim, será o mais belo hatch médio do momento, mais ainda que o novo Focus (cadê as vendas do Ford?) e estes dois, os mais atualizados tecnicamente com a Europa.

Dizem as boas línguas, o modelo hatch é beeeeeem melhor de chão que o sedã. Teorias a respeito, muitas. A que mais dou crédito é que o C4 nasceu hatch e o modelo sedã veio depois e que na "espichada" que lhe deram, foram-se alguns dotes dinâmicos. E a espichada se encarregou também de alterar a distribuição de peso. O hatch é mais equilibrado. Esperemos pelas primeiras avaliações nas revistas especializadas ou relatos de quem andou de verdade. Test-drive de loja não se presta para isso.

Também pude confirmar os preços que foram estimados no lançamento, começando em R$ 55 mil, mas os modelos mais completos estão um pouco mais salgados.
Com a aprovação da obrigatoriedade de airbags em automóveis, faltando apenas a sanção do presidente da República, para posterior regulamentação técnica pelo Contran, chego novamente à mesma conclusão de sempre: este é um país imbecil.

Pode parecer uma palavra forte, mas não encontro outra melhor. Tornar obrigatório um dispositivo de segurança passiva apenas, na linha de um pensamento mais ou menos assim: pode bater que o airbag te salva!

Onde está o investimento de governos e empresas na educação, no aprender a dirigir? Segurança ativa de verdade.

Tornar obrigatório o ABS é muito mais lógico, e isso deve ocorrer só em 2014. Se podemos utilizar a tecnologia e aumentar o custo dos carros, que seja primeiro em dispositivos para evitar acidentes, não para proteger quem já bateu. Evitar é a chave da maior segurança.

Vou falar um negócio bem sério aqui: governos não sabem nada de carro, nem de ruas e nem de estradas. Há sei lá quantos milhares de quilômetros de vias no Brasil com sinalização errada. Eu conheço alguns trechos da Rodovia Rio-Santos que tem a sinalização horizontal totalmente equivocada, até mesmo invertida, permitindo ultrapassagem para quem vem no sentido contrário com menor visibilidade.

Há trechos com visão plena e sem edificações por perto, só mato, e que têm faixa contínua, proibindo a ultrapassagem. Quem presta atenção nisso deve ter visto outros muitos lugares com esse problema, e esse é só um exemplo.

Mas na mesma estrada tem camerinha fotográfica, multando quem anda um pouquinho acima da baixíssima velocidade permitida, mesmo que com plena condição de segurança. Caça-níquel na cara-dura, sem vergonha mesmo.

Mas tudo isso é típico do brasileiro, esse povo alegre, alto-astral, bonito e ...PASSIVO!!!! De uma passividade imbecil, aquela coisa de ver um governo federal confiscar o dinheiro de todo mundo no banco e deixar só 50 mangos para cada um, e esse povinho continuar assistindo novela, futebol e carnaval, em vez de sair para as ruas e parar tudo. Nesse ponto, precisamos aprender bastante com nossos vizinhos portenhos.

Espero que o Contran realmente utilize cérebros técnicos para regulamentar o airbag que será obrigatório. Faço votos que esse corpo técnico se lembre que os impactos laterais são mais fatais que os frontais. O ocupante está mais próximo do ponto de impacto, não mais do que a espessura da porta e mais um espaço mínimo, e os cintos de segurança pouco ajudam na retenção do tronco e nada da cabeça nesses casos.

Além disso, terríveis experiência feitas com macacos vivos mostraram que apenas uma boa chacoalhada de lado já é suficiente para matar, pois o amortecimento do impacto dentro do cérebro é muito menor nas laterais da cabeça do que na frente, na testa. Então, se for para ser obrigatório o air bag, que sejam os laterais, preferencialmente os de cortina, para proteger a cabeça.

O Juvenal Jorge-protection-pack, definido por ordem de prioridade técnica, ficaria assim: cintos de segurança com pré-tensionadores, mais sistema anti-bloqueio de freios (ABS), mais airbags laterais de cortina. Por último os airbags frontais.

Se extrapolarmos esse raciocínio, tudo isso deveria vir depois de ótimos pneus, freios que não "cansam" (que não dão fading), amortecedores e demais componentes de suspensão de primeira classe, além de um sistema de direção sensível e rápido, sem ser excessivamente leve.

Isso tudo somado seria eficiente para evitar acidentes e salvar vidas.
Mais uma vez, lembrando de O Radiador:



Nosso intrépido ogro do cerrado, sem mais ideia de onde colocar motores de 8 cilindros, parte para a apelação e resolve instalar um segundo motor no porta-malas. Na foto, o baixinho do cerrado é o facínora à esquerda, o homem ao volante ninguém menos que nosso impaciente piloto de plantão, Arnaldo Keller (em época de vacas e pilotos gordos), e o homem à direita, contemplando o polimento no contato das velas de ignição do motor traseiro e pensando que o material escolhido para o isolamento dos cabos de vela é o menos indicado, já que torna o sistema de ignição propenso a alguma teoria maluca, é nosso prolixo André em dias mais em forma.
Tem muita gente que pensa que é purismo ou implicância minha criticar quem fala ou escreve 'montadora' para descrever fábrica (de automóveis). Não é.

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, a um povo, é não conseguir verbalizar corretamente os pensamentos. Isso vai produzindo um estado de confusão tal que torna a vida mais difícil.

Dia desses deu na televisão que uma árvore havia despencado num bairro de São Paulo. Como assim, despencou? -- pensei. Teria se soltado de algum lugar? Nada disso, caiu, tombou sobre um veiculo ao não resistir a força do vento.

Tem outra: inventou-se no Brasil, não faz muito tempo, uma condição meteorológica, o tempo "abafado". Invariavelmente, nessa época do ano, as "moças do tempo" nos dão essa preciosa informação. O que será que isso significa? Pouco quente, quente, muito quente, quentíssimo? Fica para imaginação de cada um.

Ou quando uma jornalista da CBN ou Eldorado descreveu o dirigível da Goodyear como "uma espécie de avião com um balão em cima".

Nesses três exemplos a informação veio distorcida, e isso faz mal, leva a pessoa a imaginar algo que não corresponde à realidade. Como dizer que "caiu um avião", pois aviões não caem, se acidentam.

Mesma coisa resgate, a troca de uma pessoa ou um título financeiro por dinheiro. Agora virou salvamento, "equipe de resgate", em vez de 'salvamento', rescue em inglês. O outro resgate, o verdadeiro, no caso de libertar pessoas, é ransom na língua de Shakespeare.

Nos aviões da Força Aérea vai escrito no ponto onde se abre a capota ou uma porta, com uma seta indicativa: Salvamento. Nesta Força existe o SAR, Serviço de Busca e Salvamento (Search and Rescue). Não é busca e resgate.

No Rio costumo ver alguns carros do corpo de bombeiros com a palavra salvamento em vez de resgate.

Por isso a minha cruzada contra 'montadora': as pessoas precisam entender que se trata de fábricas de automóveis, com toda a sua complexidade.

Aos poucos vou conseguindo. As revistas Carro e AutoData já abandonaram o impróprio termo, bem como o site Carro Online. Mas falta muito mais.
BS
(Ampliado pelo autor em 21/02/09)
Grifos são criaturas com corpo de leão e asas e cabeça de águia. Considerando-se o leão o maior predador da terra e a águia o maior do ar, a gente consegue entender como ele foi criado: para ser o mais temível dos animais. Mais terrível até que a popular cobra com asas.

Mas eu acho que o famoso Iso homônimo, considerando a literatura mítica apenas, e não a sonoridade do nome em si, devia ter outro nome.

Quando se cruzava um grifo com uma égua (isso é que eu chamo de sexo selvagem. O nosso amigo Arnaldo Keller já vai ficar com dó da égua...), o resultado, diz a lenda, era um animal metade águia, metade cavalo, conhecido como hipogrifo.

Dizem que o hipogrifo é ótima montaria, e o mais rápido no céu e na terra. Como não compará-lo ao famoso e belíssimo Iso?

Sempre fui doente por esse híbrido italiano e por isso resolvi colocar algumas fotos aqui, algumas delas que ajudaram a piorar esse meu estado, vários anos atrás.

Começo por uma do poderoso “7 litri”, que ficou famoso por atingir 300 km/h em uma autostrada italiana. Um casal enamorado, numa campina verdejante, ao amanhecer. Uma sutil sugestão do que acontecera na noite passada...

Dois esboços da casa Bertone mostram como seria o então futuro mítico animal alado da cidade de Bresso:
As suspensões do Grifo, dianteira de duplo "A" sobreposto e traseira com ponte De Dion e freios inboard:
E finalmente, a foto que mais me perturba, até hoje:

Aqui o convite e a conotação não é nada sutil. Um Iso Grifo, uma bella donna e um Marlboro aceso. Até hoje, desperta meus desejos mais íntimos...

MAO

Esta lista é para meu amigo Alexandre Garcia, engine swapper emérito e o sumo sacerdote das trocas de motor.

1) Chevette AP turbo do Eber

O motor VW AP parece que nasceu para o Chevette. Extremamente fácil: basta um espaçador de 1 polegada de espessura, e dois coxins híbridos, basicamente. O AP gira e tem potência e torque em rotações parecidas às motor original do carro, e portanto todaa transmissão original funciona muito bem obrigado. É mais leve e mais potente e até o escapamento desce pelo lado certo. Um Chevette com um 2.0 a álcool de Santana é extremamente apaixonante e barato.

Mas tem gente que quer mais. O Eber (www.eberturbo.com.br), que costumo chamar de "O Chevetteiro maluco de Pirassununga", cansou de perder transmissões em seu Chevette tubarão vermelho, equipado com seus APs turbinados de mais de 400 cv, resolveu radicalizar. Colocou uma tranmissão de Omega e montou o AP "em pé", sem sua tradicional inclinação. Enorme cirurgia necessária no túnel do carrinho. Vejam abaixo porque isto é uma insanidade divertidíssima: o câmbio é maior que o bloco do AP...


Essa é uma postagem não relacionada ao entusiasmo de que tanto falamos mas achei que caberia aqui no blog.

A crise está aí. É um fato.

Pois é, estou sofrendo na pele seus efeitos. E na alma também.

Empresas estão cometendo barbaridades em nome da crise. Algumas com algum motivo real e outras, por puro oportunismo e ganância.
Não é possível que todo o dinheiro ganho (lucro) no período da bonança tenha se perdido ou tenha sido gasto. Simplesmente não acredito nisso.

Eu tenho uma poupancinha, suada, guardada a sete chaves. Ela existe pra quê? Para momentos de aperto, para sair do sufoco. Para onde foi a grana dos lucros exorbitantes, dos carros que custam mais de 50 mil reais. Tava todo mundo operando no vermelho? Tenho certeza que vai aparecer uma miríade de explicações do pessoal de finanças para essa pergunta. Sabem de uma coisa? "I don't give a s..." para essas explicações.

Sinto a crise na pele devido à redução de benefícios e de ofertas de trabalho. Sinto na alma pelo temor de não ter mais trabalho e pela auto-estima e motivação abaladas.
Nas últimas semanas percebi que muitos amigos e conhecidos estão com o mesmo sentimento, mas nem todo mundo os coloca em palavras. Alguns estão com um mau humor fora do normal, outros estão com dificuldade para pegar no sono e eu não paro de pensar que os meus planos pessoais e profissionais serão retardados.

No trabalho as rodinhas só falam da crise. Basta um reclamar que todos vêm na onda e potencializam ao máximo as reclamações, os temores e as incertezas. Projetos e sonhos individuais estão sendo adiados; mais uma vez.

Então, na semana passada, resolvi quebrar essa espiral de pensamentos negativos. Pensei no que eu poderia fazer para restabelecer minha condição normal e comecei a agir. Depois notei mais alguns pontos que também estão ajudando. Aí vão eles:

1- Pare de se lamentar - lamentação não melhora nada, pelo contrário, só dificulta sairmos dessa situação. Não se deixe levar pelos noticiários, desligue o JN e assista somente o seu programa favorito.

2- Faça alguma coisa - ajuste seus planos e objetivos ao invés de abandoná-los, pense em planos alternativos, ocupe-se com algo produtivo (nem que seja um blog!), procure novos caminhos, reinvente-se, trabalhe em alguma coisa.

3- Motive todos ao seu redor - quando alguém reclamar, demonstrar que está triste, estiver de cabeça baixa, tente motivá-lo, sugira alternativas, mostre que outros caminhos são possíveis, demonstre confiança e nunca seja mais uma voz negativa. O motivação vinda de um amigo ou colega é muito valiosa. Percebi isso quando amigos me motivaram.

4- Seja otimista - crises sempre existirão, a única certeza que temos é que algum dia ela termina. Propague o otimismo e as notícias boas, passe a reparar que elas existem também.

De agora em diante, mesmo que eu pense na crise, vou me esforçar para seguir esses 4 pontos. Vou tentar motivar todos ao meu redor. Vou trabalhar em projetos pessoais. Vou procurar novas oportunidades. Vou parar de me lamentar.

Recebi o texto abaixo como sendo de Albert Einstein. Se é realmente dele, não sei. Mas a mensagem é excelente e me motivou a escrever essa postagem.

A crise segundo Einstein:

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".

"Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Compartilhe essa mensagem com seus contatos.
Estimulado por um amigo importante, estou com a ideia de partir para filmagens, sem abandonar a fotografia, é claro. Ando prestando atenção nos vídeos para buscar inspiração. Assisti o filme abaixo e fiquei mais motivado ainda.

Aproveite essa postagem como uma pequena pausa para sonhar e imagine-se ao volante do carro vermelho, ou como passageiro do carro branco. Bons sonhos.

Seguindo no assunto Aston Martin, muito bem ilustrado recentemente pelo nosso amigo MAO a respeito do aniversário do Vantage, anunciaram que a empresa vai reviver mais um noma do seu passado: Lagonda.

O ano de 2010 será o do centenário da Lagonda, de acordo com a Aston (nota: a empresa foi fundada em 1906 e apresentou o primeiro carro em 1907, mas isso é outro assunto). Para tal celebração, o CEO da Aston anunciou que será apresentado um conceito para o ano que vem, com possível fabricação para 2012, dependendo da aceitação e viabilidade. O Dr. Ulrich Bez disse que o modelo terá características clássicas do Lagonda, assim como os Aston Martin de hoje em dia, e que o nome permitirá a criação de modelos de caráter diferenciado dos esportivos da Aston.

O mais famoso carro da união dos nomes Aston Martin e Lagonda foi um sedã futurista de 1976, com 645 unidades produzidas ao preço estratosférico de £150.000,00.


Aston Martin Lagonda


Sabemos que não será o quatro-portas Rapide, baseado no atual DB9, este com nome já definido. Alias, Rapide é outro nome revivido pela empresa, pois este foi o nome do último carro produzido pela Lagonda até 1965.


Lagonda Rapide


De acordo com o MAO, a Aston Martin morreu, mas isso ainda não a impede de reviver seus mortos.

Como será este novo Aston-Lagonda? Sugestões?

Li outro dia o post do Paulo Keller sobre o novo conceito BMW e parei para pensar nas SWs e SUVs. É impressionante como os SUVs vem ganhando nossas ruas (e no mundo inteiro, imagino), mesmo sendo uma escolha nada racional. A gente começa a conversar com amigos e descobre que um comprou um Tucson, outro, um Honda CR-V. Meu irmão, que gosta de carros rápidos, outro dia, num bate-papo, disse que um CR-V estaria em sua lista se a grana desse. Eu sei que todas essas pessoas não pegam uma estradinha de terra (10 km que sejam) nunca, o que já seria um motivo para se ter um SUV. Se fossem a um sítio com frequência e no caminho tivesse uma estradinha pior, o maior vão livre seria um bônus, apesar de que, na maioria das vezes, até um Uno passa nessas estradas de terra.

Então, porque o SUV? Espaço interno? Meu irmão entrou um CR-V e ficou decepcionado com o espaço interno. Acho que o mais provável é a sensação de segurança, estar sentado acima dos outros. Pode ser o visual aventureiro, ou a sensação de "mais carro" pelo mesmo dinheiro, só porque um SUV é mais alto, com rodas maiores.

Sinceramente? Eu iria de SW. Pro meu gosto, mais bonito. E muito mais lógico. Para que arrastar tanto peso à toa? Para que gastar pneus enormes no asfalto, que custam o dobro para repor, e ainda receber em troca um handling pior ? Sentar mais alto pode ser bom no trânsito, mas numa estrada sinuosa é bem pior. Mas, fazer o quê, os fabricantes têm que vender carros, SUV vende bem (e deve ter uma margem de lucro boa), e nessa até a Porsche fez o seu. Essa página já virou.


Todo mundo sabe que o carro mais veloz do mundo hoje é o Bugatti Veyron. Uma máquina especializada, baixa, aerodinâmica, de apenas dois lugares e nenhum lugar para bagagem. Estamos acostumados a imaginar "o carro mais veloz do mundo" como algo assim, que sacrifica considerações práticas como bagagem, acessibilidade, visibilidade e conforto no altar da velocidade. O mais veloz deve ser um bólido, uma flecha, uma cunha impossivelmente baixa e aerodinâmica que invariavelmente faz o piloto ficar praticamente deitado, com um imenso motor amarrado às suas costas. Pensamos em Countachs, Miuras, em McLaren F1.

Esta é a regra que foi quebrada há exatamente 32 anos, no dia 18 de fevereiro de 1977. E, incrivelmente, por uma pequena empresa com apenas 160 funcionários perdida no interior da Inglaterra, que produzia carros totalmente à mão, sem ferramentais e prensas gigantes, seguindo uma longa tradição daquele país. Esta tradição, tornada famosa pela mãos dos senhores Rolls e Royce, ditava que "the proper way to build a gentleman's machine" (a maneira correta de se fazer uma máquina para um cavalheiro) era usando uma engenharia impecável, com nenhum compromisso geométrico ou de materiais nos mecanismos. O que significava que somente os melhores materiais seriam usados, não importando seu custo, e que nenhuma geometria de movimento era inviável para atender o desejado, de novo sem se importar com o custo. E que sua fabricação também levaria o tempo e o cuidado necessários para atingir a perfeição, abolindo-se completamente a noção de que tempo é a única medida para eficiência produtiva.


Este casebre abaixo, com a bandeira da Aston tremulando, era a sede da empresa antes da Ford chegar em 1987:

E esse anacrônico e antiquado barracão lançava o mais veloz carro do mundo em 1977. E não só isso, o fazia com um "Gentleman's car", que nunca faria seu dono fazer nenhum sacrifício para usá-lo, pois tinha porta-malas, era confortável e bem-acabado como um Rolls, e tinha ótima visibilidade externa. Um carro de verdade, não um brinquedo exótico e irrelevante. Tinha até lugar para duas crianças no banco de trás!

Mas ao contrário dos Rolls, os Aston Martin não eram flácidos e paquidérmicos meios de tranporte para serem dirigidos por motoristas. Eram carros para se dirigir. E no caso do V-8 Vantage que aniversaria hoje, uma forte personalidade escondida debaixo do terno. Um dragão prestes a cuspir fogo e enxofre, um bárbaro cimério escondido em um traje de gala de Saville Row.

Olhem para ele! Nada combinou sofisticação e brutalidade como este carro, nem ontem e nem hoje. Vejam como os para-lamas alargados e os enormes Avon em rodas de aro 15 (que tamanho perfeito; como são idiotas os aros 20 com faixinhas de borracha de hoje) fazem a suave aparência do V8 normal pegar uma curva errada na vida e ir parar na terra de Belzebu. Vejam como a grade fechada flanqueada por dois faróis auxiliares Cibié, circulares, mostram a seriedade do propósito de andar forte, em qualquer hora. Bruto, mais ainda assim com classe. Lembra-nos de outros ícones britânicos como Churchill e o buldogue. Como dizem os ingleses: "Our very British bulldog".

A história deste carro começa com o final da era de David Brown na Aston, e o lançamento, em 1967, do DBS. Desenhado por William Towns, um engenheiro/designer contratado inicialmente para desenhar bancos, sua especialidade em seu antigo empregador, a BMC (British Motor Corporation, casa de Rovers e Austins, RIP). Outros tempos mesmo: bancos não eram meramente comprados, e um engenheiro ainda podia mostrar um profundo senso de estética, suficiente para criar um clássico ainda imitado hoje em dia, sem o mesmo sucesso, por designers profissionais.

O DBS foi projetado para usar o então novo V-8 do engenheiro Tadek Marek, então deslocando 5 litros. Em 1966, o motor foi colocado a prova montado em um Lola T70 na prova de Le Mans, mas fracassou miseravelmente. A decisão foi imediatamente tomada, a de lançar o carro com o seis-em-linha do DB6 Vantage. Outros tempos realmente...


O DBS era um cupê de motor dianteiro e tração traseira, com uma suspensão traseira De Dion com freios a disco "inboard", próximo ao diferencial e não na roda, prática usual na época para redução de massa não-suspensa. Em 1969, finalmente o V-8 de Tadek Marek entrava em produção com um diâmetro de 100 mm e um curso de 80 mm, totalizando 5,3 litros (5.340 cm³). Totalmente em alumínio, com injeção Bosch e duplo comando no cabeçote, o motor produzia (no “novo” DBS V-8) algo em torno de 310 cv a 5.000 rpm. Novas rodas de alumínio substituíam as clássicas "wire wheels" do DBS. Começava também a tradição de motores "assinados" pelo seu montador. Chegava a 256 km/h e fazia o 0-100 km/h em 6 segundos. Em 1973, com o fim do DBS seis-cilindros, aparecia um novo e simplificado nome, Aston Martin V-8, e uma grade mais próxima a dos antigos DBs, com faróis separados.


Em 1976, o então engenheiro-chefe da Aston, Michael Loasby, prepara um Aston V-8 para competições de carro esporte, eventualmente alcançando um ótimo sétimo lugar em Le Mans. Este carro foi o laboratório de várias experiências como a grade dianteira fechada que acabou adotada no Vantage. Esta grade fechada incrivelmente melhorou sobremaneira a penetração aerodinâmica do carro. Loasby aprende também o grande potencial para a força do V-8 da companhia, e idealiza com o chefe da Aston, Victor Gauntlett, uma versão para rua de seu bólido de competição.

O carro de corrida de Loasby:

Assim nascia o Vantage. O V-8 tinha a injeção substituida por um glorioso quarteto de Webers duplos, a taxa de compressão foi aumentada para 10,2:1, válvulas de admissão maiores e novos comandos de válvulas, elevando a rotação de potência máxima para 6.000 rpm. A potência não era declarada, como a Rolls-Royce não a informava, mas hoje sabemos que era de 380 cv, com um torque de mais de 50 mkgf. Amortecedores a gás de maior carga e enormes pneus Avon 255/60-15 eram adotados. A imprensa da época ficou pasma: o carro foi cronometrado a 285 km/h e fazia o 0-100 km/h em 5,3 segundos. O carro mais próximo dele em velocidade final era o Countach LP400, com 280 km/h.

Prototipo do Vantage em 1976 :

Esses números ainda hoje são respeitáveis, mas atualmente num mundo onde 500 cv são corriqueiros, 600 não geram comoção e existe até um carro com mais de mil deles, carece colocá-los em perspectiva.

A maior concorrência era italiana: o fim dos anos 60 e os 70 foram o auge do supercarro italiano, exemplificado pelo incrível Countach já mencionado. O poderoso Ferrari Daytona chegava a praticamente aos 285 km/h do Aston, mas já tinha sido descontinuado em 1974. Seu substituto, o Berlinetta Boxer com o flat-12 de 4,4 litros central-traseiro chegava a parcos 262 km/h. O Maserati Bora, com motor também central-traseiro (V-8 DOHC, 4,7 litros) chegava perto, com quase 280 por hora, mas devido à sua relação final longa acelerava em 6,5 segundos até os 100 km/h. O Iso Grifo 7 litri, equipado com o V-8 427 de Corvette, ficou famoso por ser testado por uma revista italiana a 300 km/h, mas em 1977 a empresa já nem existia mais.

Os alemães tinham somente o Porsche 911 turbo, com apenas 250 km/h, e no ano seguinte lançariam o BMW M1, que chegava a 255 km/h.

Então, naquele longínquo dia em 1977, exatos 32 anos atrás, a pequena empresa inglesa entrava para a história, com seu mais carismático e clássico modelo, o V-8 Vantage. O fato de seu posto de mais veloz durar pouco (Ferrari e Lamborghini recuperaram-no logo) pouco importa; nunca foi esse o objetivo final. Em 1986 ganhava uma opção "X-pack", com escapamentos menos restritivos e 425 cv, e em 1988 deixava de ser fabricado para dar lugar ao mais pesado e menos feliz Virage. Dali em diante a empresa inexoravelmente deixava de ser o que era para virar mais um fabricante de carros esporte modernos, subsidiária da Ford.

Então vamos pausar por um momento neste dia de hoje e lembrar de um Davi inglês, pequenininho mas hábil, inteligente e orgulhoso de si que derrubou todos os Golias do mundo automobilístico com um carro que, até hoje, inspira admiração e respeito.

Um dia, 32 anos atrás, em que o buldogue inglês foi mais rápido que todos os galgos do mundo.

MAO


P.S.: Mais sobre Aston Martin nos Autoentusiastas? Clique nessas letras diferentes AQUI
Essa postagem é continuação desta outra. Acabou o mistério. A BMW revelou o PAS (Progressive Active Sedan) e inventou mais essa sigla para tentar definir uma "nova" categoria de veículos. Esses "marketeiros"! O novo modelo é o 5 Series Gran Turismo concept. Não é sedan, não é perua, não é SUV, é PAS. Na verdade um hatch de luxo, ou um X6 baixinho. Concorrente do Panamera?

Seja lá como for, não é tão inovador assim. A principal novidade, uma tampa traseira bipartida, já não é novidade no leste europeu. Veja aqui o Skoda Superb.

O carro não deixa de ser elegante. Mas eu ainda fico com uma perua M5.

Sexta-feira, final de tarde e com chuva. Marginal do Tietê parada, caras de poucos amigos pra todos os lados. Mais à frente uma carreta quebrada estrangulando a passagem para um tráfego tão difícil. Carros da faixa obstruída precisam mudar de faixa para continuarem, mas quem abre espaço? O motorista passa pela carreta avariada, diminui e dá uma olhadinha.

É o caos. Hora e meia pra cruzar pouco mais de uma dezena de quilômetros.

Chego em casa e ligo a TV. Logo algum canal mostra imagens de helicóptero, exibindo a longa e lenta corrente sobre a pista.

Espere um instante. Eu já vi isso em algum outro lugar. Será que aquilo não teria algo a ver com isto?


Estranhamente, a linha de tráfego lembra um caminho de formigas. E formigas podem formar caminhos tão ou mais densos de tráfego quanto nossas ruas. Mas com uma diferença.

Alguém já viu algum congestionamento de formigas? Alguém já viu um caminho abarrotado de formigas paradas pela simples densidade de tráfego? Eu pelo menos nunca vi, por mais denso que estivesse o caminho.

Haveria algo que as formigas sabem e que ainda nos falta aprender para ao menos aliviar o problema de tráfego? Sim, há.

Formigas, abelhas e cupins, entre outros, são insetos com uma característica marcante que durante anos intrigou os cientistas.

Cada indivíduo possui capacidades físicas e de inteligência bastante limitadas, até mesmo quando comparados com outros insetos de hábitos solitários, porém a massa da colônia se comporta como um organismo extremamente organizado e inteligente, capaz de resolver problemas extremamente complexos até para nós.

Os biólogos não conseguiam reconhecer quaisquer sinais de uma inteligência central que conseguisse guiar cada formiga ou abelha individualmente a grandes distâncias da colônia, mas o comportamento inteligente era inegável.

Eles não achavam porque estavam procurando no lugar errado.

Em 1986, Craig Reynolds, especialista em computação gráfica e inteligência artificial, publicou um trabalho que sintetizava um conjunto de observações que ele havia feito de revoadas de pássaros e grandes cardumes de pequenos peixes.

Ele propôs um modelo onde cada indivíduo do "enxame" seguia apenas três regras simples:
- Coesão: mover-se para uma posição média entre os indivíduos mais próximos;
- Separação: mover-se na direção oposta ao do indivíduo ou objeto com que se possa colidir, mantendo uma distância de segurança;
- Alinhamento: Alterar a direção e a velocidade até que elas concordem com as médias observadas dos indivíduos mais próximos.

Craig Reynolds criou uma simulação em três dimensões de um conjunto de seres animados que seguiam estas regras. Aos seres virtuais ele deu o nome de "boids".

Os boids são hoje considerados a primeira forma de vida artificial a ser criada. Aqui se pode ver algumas simulações destes boids:
http://www.dcs.shef.ac.uk/~paul/publications/boids/index.html
http://cmol.nbi.dk/models/boids/boids.html

As três regras básicas dos boids possuem uma sutileza não observável à primeira vista.

Como cada boid decide o que irá fazer baseado na média de seus semelhantes mais próximos, o sistema é altamente colaborativo e resistente a falhas.

A tecnologia boid tem sido palco de várias linhas avançadas de pesquisa em robótica e automação.

Alguns especialistas debatem se o controle de vôo baseado em comportamento boid não seria um modelo melhor do que o utilizado atualmente.

Formigas seguem regras de natureza boid enquanto caminham. Elas não seguem regras semelhantes às humanas, como faixas de rodagem, sinalizações de movimento (lanternas, setas, luz de freio). Seu modelo de movimentação é de um "caos organizado", e o modelo colaborativo permite a cada formiga se mover para onde decidir sem ser barrada pelas outras formigas. Isto cria um fluxo com menores atritos internos, e que por isso move-se com menor dificuldade.

Quando o fluxo de formigas encontra um estreitamento (passagem no meio das pedras, por exemplo), o estrangulamento do fluxo tende a aproximar as formigas, e a regra de separação obriga as formigas a andar mais rápido neste trecho, enquanto a regra de coesão as faz diminuir a velocidade quando saem dele. Assim o fluxo de formigas permanece constante apesar do estrangulamento. Por isso não vemos formigas paradas como num congestionamento humano.

Em comparação com as pouco inteligentes formigas, nós, humanos, temos que negociar mudanças de faixa e nem sempre o outro motorista abre o espaço necessário. Também diminuímos nossa velocidade num estrangulamento de um acidente por mera curiosidade.

Enfim, apesar de nossa maior inteligência, temos um comportamento muito menos colaborativo.

A lição que as formigas têm a nos dar é exatamente a de que se cada veículo apresentasse um comportamento altamente colaborativo, teríamos um trânsito muito melhor que o atual. Não dá para garantir um trânsito sem congestionamentos, mas pelo menos algo de melhor qualidade que a atual.

As regras boid poderão futuramente fazer parte da programação de carros totalmente autônomos (que dispensem os motoristas).

Como o modelo boid é altamente tolerante a falhas, carros autônomos com essa programação poderão se mesclar no trânsito junto com carros dirigidos por humanos, e o aumento da frota autônoma progressivamente melhorará as condições de tráfego.

Até lá, que fique a lição das formigas e dos pássaros.

Coopere com os carros que estão ao seu lado para um trânsito melhor e propague esta cultura, ou espere que um computador faça o trabalho de formiguinha por você num futuro talvez nem tão distante.

O excelente post do Marco Antônio sobre os Chevettes me lembrou de uma coisa que preciso dividir com os autoentusiastas: a confusão que se faz no Brasil entre eixo e árvore. Lembrei justamente quando ele falou no cabeçote Bialbero feito Silvano Pozzi.

Assim como tanto se fala hoje "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", eixo é uma coisa, árvore é outra.

Para conceituar, eixo, quando físico, é um componente em torno do qual algo gira, como uma roda de automóvel que não tem tração. Já árvore é um elemento que transmite rotação.

Árvore em italiano é albero e por isso dizem albero a came para exprimir comando de válvulas. Em português é árvore de comando de válvulas. Se for duplo comando, bialbero.

Ainda usando o italiano como referência, eixo é asso. Num Fusca, a suspensão traseira de semi-eixo oscilante se diz semi-asso pendolare.

Com o inglês é a mesma coisa em comando de válvulas e outros componentes. O termo é camshaft e não cam axle; crankshaft (virabrequim) e não crank axle; half-shaft e não half-axle.

Portanto, é preciso cuidar para escrevermos árvore de comando de válvulas e não eixo de comando de válvulas; árvore de transmissão (cardã) e não eixo de transmissão; árvore de manivelas (virabrequim) e não eixo de manivelas; semi-árvore e não semi-eixo (do acionamento das rodas).

Outro dia me surpreendi ao ver material técnico da Dana falar em semi-eixo e da Turbo Garrett, em eixo do turbocompressor. Neste, o mesmo texto, em inglês, dizia turbocharger shaft...
BS



O Bob e o JJ que abriram a caixa de Pandora. Reclamem com eles. Não vou ser eu a fechá-la.

Esta primeira lista é para quem acredita que Chevette deve ter apenas 4 cil. em linha para ficar mais fiel a seu desenho inicial. Aguardem que outras virão.

1) Chevette-Lotus do Luiz Dränger
Leia o post do Bob sobre ele aqui. Nada mais precisa ser dito. Um Chevette brasileiro com participação direta de Colin Chapman.

2) Chevette Silpo Bialbero




Aprendi mais uma hoje: a General Motors desenvolveu um carro a célula de combustível (fuel cell no original inglês) em 1966.

Lá se vão 43 anos agora e, mais uma vez, nos deparamos com uma das grandes verdades do mundo. Poucas coisas divulgadas como absoluta novidade são realmente novas.

O que acontece é que o progresso tecnológico em diversas áreas permite que idéias antigas sejam reeditadas de forma mais simples e econômica.

Devemos notar que as naves espaciais do programa Apollo utilizaram células de combustível na mesma década de 60. Aliás, o problema ocorrido com a Apollo 13 foi justamente nesse sistema.

Mesmo assim, os carros movidos a fuel cell ainda devem demorar uns bons 7 a 10 anos para serem comercializados em volume normal.

Veja um site que conta mais detalhes dessa criação da GM:
Há pouco mais de um mês, terminei a leitura de um extenso livro narrando a tentativa de Robert Falcon Scott e sua equipe em atingir o Pólo Sul antes de qualquer outro ser humano.

O livro, de título "A Pior Viagem do Mundo", escrito por um dos sobreviventes da expedição, e que não foi ao Pólo, mostra que Scott e mais 4 colegas gastaram 147 dias para ir ao ponto extremo sul do planeta e voltar até um ponto em que os cinco pereceram vítimas de fome, frio, congelamento de partes do corpo e outros problemas.

Talvez o maior baque tenha sido o psicológico, pois Roald Amundsen, norueguês, conquistou o Pólo um mês antes, em 14 de dezembro de 1911.

Scott gastara 5 meses apenas para ir e voltar, a pé e com trenós puxados a pôneis e cachorros, já que os trenós motorizados que haviam sido levados não resistiram aos inúmeros problemas gerados pelas baixas temperaturas, de até -60 °C.

Esses períodos não contam o tempo desde a saída da Inglaterra para Scott, e da Noruega no caso de Amundsen. No total, as expedições duraram entre 2 e 3 anos longe de casa.


Agora, depois de quase 100 anos, encontro a notícia que um grupo de 4 Toyotas Hilux, preparadas pela empresa islandesa Artic Trucks, fez a mesma viagem em 38 dias, sendo a primeira conquista de veículos a motor do Pólo Sul.


A Artic Trucks é conhecida dos brasileiros de uma forma muito pública, ao menos para quem prestou atenção. Havia uma pick-up Hilux preparada por eles no Salão do Automóvel de outubro passado, vermelha, espetacular. Também já haviam filmado a chegada de um grupo ao Pólo Norte, em conjunto com a BBC, que destacou a equipe do programa Top Gear para essa viagem. Diga-se de passagem, muito curta, comparada ao que se encontra na Antártica. Aqui no Hemisfério Sul, os carros percorreram cerca de 5.000 km, ida e volta, um trajeto bem maior que o de Scott ou Amundsen, que foi por volta de 2.900 km, já que com as Hilux não seria possível subir a cadeia de montanhas que foi superada pelos trenós.

Esse tipo de expedição, viagem, aventura ou loucura, conforme diferentes pessoas classificam, são extremamente atraentes a muitos, e uma bobagem total para outros.

Fico no primeiro grupo, o dos que gostam, mas tenho que confessar que considero muito mais o resultado positivo de um planejamento meticuloso, como diz o nosso expedicionário maior, Amir Klink, que detesta ser chamado de aventureiro.

Planejamento e organização permitiram que Amundsen chegasse ao pólo 1 mês antes de Scott, tendo partido da Europa 2 meses depois!

Não sei quanto tempo a Artic Trucks planejou, mas podem ter certeza que foram muito mais do que os 38 dias gastos movimentando-se no continente gelado.

Para ver fotos dessa expedição e saber mais como são os carros, acesse o link:
Uma definição adequada para o Citroën C3 é “urbano bom de estrada”. Mede apenas 3,85 metros de comprimento, o entreeixos é de 2,46 metros e a altura, 1,519 metros. Mas dinamicamente é excelente, mesmo nas curvas de alta das estradas, certeza de tranquilidade e segurança em viagem.

Na cidade se desloca com facilidade, ajudado pela direção com assistência elétrica de excepcional variabilidade inversamente proporcional à velocidade e pela baixa carga do pedal de embreagem, resultado do acionamento hidráulico. A visibilidade é ampla em todas as direções e os amplos espelhos externos convexos ajudam sua vocação urbana, complementada pelo exclusivo formato do para-brisa, curvo em dois planos, uma marca registrada do C3.

Uma característica que desagradava desde o lançamento em 2003 era a dureza da suspensão. Era, porque no modelo Exclusive 2009 avaliado em longo termo (três meses) ela se mostrou um ponto alto no nosso chão, onde boa pavimentação é muito mais exceção do que regra.

O rodar agradável tem no motor flex 1,6-l duplo-comando, 16-válvulas de 113 cv a 5.600 rpm (com álcool) um grande coadjuvante. Sua disposição para acelerar em altos regimes combina-se com grande elasticidade, tornando o dirigir muito agradável em qualquer situação. É um ponto alto no modelo. Só precisaria de uma quinta final mais longa, pois a 120 km/h, velocidade típica de autoestrada, o motor está a 3.500 rpm. Tem potência em baixa suficiente baixar cerca 300 rpm nessa condição de uso.

Em viagem, o computador de bordo indica 10 km/l com consistência, a álcool, mas o tanque deveria ser um pouco maior, mas cinco litros mais no tanque – é de 47 litros – fariam muito bem quando se usa álcool, o que permitiria rodar uns 500 quilômetros entre reabastecimentos.

Bancos dianteiros confortáveis e proporcionando bom apoio lateral, com densidade de espuma correta, combinam-se com o quadro de instrumentos com velocímetro de leitura digital – que passei a apreciar não faz muito tempo – e tem sobre ele o conta-giros em forma de arco. Não é ideal como leitura, mas é suficiente para se saber a quantas anda o motor.

Atrás, o espaço longitudinal é um pouco aquém do desejável, mas nada que impeça dois adultos de se acomodarem bem, especialmente em curtos trajetos. O compartimento de bagagem acomoda 305 litros, volume razoável para o porte do C3.

O preço varia de R$ 44.330 a R$ 48.320, mas a dotação de série da versão inclui freios com ABS e auxílio mecânico à frenagem, airbag frontais, ar-condicionado automático, faróis principais e luzes com acendimento automático, faróis de neblina, sensor de chuva para o limpador de para-brisa, entre outros itens interessantes. A cor básica é branco Banquise, sólida. Nunca vi um C3 branco em São Paulo, o reino do preto-prata, mas vi um no Rio, perfeito. As outras cinco cores, todas metálicas, custam R$ 700.

As rodas são de aço com pneus 185/60-15, bem-escolhidos para o porte, peso e desempenho do C3, 1.152 kg. Crítica para o acionamento elétrico dos vidros, que não é tipo um-toque. É muito chato ter que ficar apertando a tecla. A fábrica devia corrigir isso.

O C3 é mesmo um citadino bom de estrada. Por isso está na minha lista de compra.
BS























Há cerca de 2 anos, um amigo visitou uma feira de antigos em Carlisle, na Pensilvânia, e fotografou um carro raro mesmo nos EUA, um American Motors Matador.
Depois de mais uns seis meses, viajei para o mesmo país e encontrei uma miniatura do mesmo carro.
Desnecessário dizer que se instalou uma certa obsessão pela raridade esquisita e procurei na internet alguma coisa antes de sair falando besteira.

O melhor site que encontrei foi o http://www.matadorcoupe.com/, onde está tudo detalhado.

Um fato interessante antes de você clicar no link e nos deixar: esse carro teve versões de 4, 6 e 8 cilindros, esse último estreou no mercado com uma unidade Packard de 320 polegadas cúbicas, ou 5,2 litros, e chegou até mesmo a correr na Nascar.

Muito interessante de fato.
Para o departamento de imprensa da Fiat do Brasil

Bom dia,

Antes de entrar no assunto principal dessa correspondência gostaria de apresentar nosso blog.

O AUTOentusiastas é um blog voltado aos apaixonados pelo incrível mundo do automóvel. Trata-se de um espaço dedicado a textos, comentários, impressões, avaliações, questionamentos, idéias, histórias, emoções, casos e tudo o que se relaciona com a paixão de seus integrantes por automóveis e o mundo ao seu redor. Os colunistas, juntos, somam uma grande diversidade de conhecimentos sobre a indústria automobilística, com larga experiência em engenharia, marketing, técnica do automóvel, direito, jornalismo especializado, carros antigos, mercado, história, fotografia etc.

Com seis meses de vida já temos muitos leitores assíduos.

Agora falando do motivo de nosso contato, em uma de nossas postagens no blog foi mencionado como o Fiat Uno/Mille é um carro bem resolvido. Recebemos alguns comentários sobre o modelo o que nos motivou a fazer uma nova postagem perguntado aos nossos leitores como eles acham que o novo Uno/Mille deveria ser. Tivemos algumas boas respostas que achamos que a Fiat gostaria de saber.

Então gostaríamos de convidá-los a visitar essa postagem no blog e a ler os comentários de nossos leitores através do link a seguir:
http://autoentusiastas.blogspot.com/2009/01/passatempo-novo-uno.html

Algumas das ideias, se não incorporadas no projeto, podem ao menos levar a outras não pensadas ainda e assim contribuírem para o sucesso da nova geração de um ícone da indústria automotiva.

Agradecemos a atenção desde já.

AUTOentusiastas
http://www.autoentusiastas.blogspot.com/


Paulo Keller
AUTOentusiasta e administrador do blog


Acabei de voltar da Livraria Cultura onde (mesmo em tenpos de crise) comprei um livrão. The Corvette Dinasty conta toda a história do ícone americano e vem recheado de reproduções de catálogos, desenhos, folhetos, adesivos e outros itens relacionados aos mais de 55 anos de existência do Corvette. Além disso acompanha o livro um CD com sons de vários Corvettes clássicos (ainda não escutei).

Na primeira e deliciosa folheada no novíssimo livro um ítem me chamou muito a atenção. Uma carta do lendário Duntov ao não menos lendário Ed Cole. Naquela época o Duntov já trabalhara para colocar o V-8 small-block no Corvette, mas queria criar um time específico para ser responsável pelo modelo. Então ele deu um ultimato no seu chefe e chamou a responsabilidade para si. Mas o ponto de maior destaque na carta anexa é o motivo pelo qual ele julgou ser capaz de assumir tal responsabilidade: o entusiasmo!

Veja abaixo a tradução da carta:


Assunto: Corvette
Data: 12 de julho de 1955
Para E. N. Cole

Conjuntamente com minha proposta falada sobre o Corvette, a situação geral do Corvette está revirando novamente em minha cabeça.

Para encurtar isso eu penso o seguinte:

Eu não acredito que um produto para um mercado competitivo seja um bom negócio ou tenha chances de lutar, a menos que seja conduzido com determinação e entusiasmo.

Não existe ninguém ou nenhuma organização em que o objetivo único seja o sucesso do Corvette.

Eu proponho a criação de um pequeno grupo operando através dos departamentos de design, engenharia e outros recursos existentes para cuidar de todos os problemas relacionados ao Corvette.

Dessa maneira sua política em relação ao Corvette terá uma chance de ser levada com o mesmo sucesso dos nossos carros de passageiros e picapes.

Adicionalmente, proponho confiar-me a responsabilidade sobre o Corvette e isso não é por causa do que eu faço ou do meu conhecimento, e sim por causa do entusiasmo e energia que colocarei nesse projeto.

Esse é o esboço de minha idéia e eu estou ansioso para saber sua atitude.

Z. Arkus Duntov


Saiba mais sobre o Duntov em outras postagens do blog: DUNTOV

Notícia triste: um 911, ainda protótipo, da engenharia da Porsche, acidentou-se na Autobahn 5, matando o engenheiro de 51 anos que o dirigia. Veja a notícia completa em http://www.globalmotors.net/911-prototype-testing-goes-wrong-fatal-accident-on-the-autobahn/

O motivo deste post é levantar a questão apontada pelo meu irmão: se a barreira fosse de concreto, como muitas que temos aqui, é quase certo que o acidente não teria essa consequência. Tudo bem que altura preveja impacto de veículos mais altos, mas nunca deveria haver esse vão entre a barreira propriamente dita e o solo.
BS