MEMÓRIAS FORD

O "PROJETO M"





Fundada em 1952, a Willys-Overland do Brasil anunciou o seu primeiro produto em 1954, o Jeep Willys 4x4, praticamente uma cópia do veículo feito nos Estados Unidos. Seguiram-se outros produtos como a Rural, a Pick-up, o Renault  Dauphine, o Aero-Willys, o Renault Gordini, o Willys Interlagos e o Renault 1093.

O último projeto da Willys no Brasil se denominou "Projeto M", veículo derivado do Renault 12 francês. Em 1967 a Ford  assumiu o controle acionário da Willys  e o "Projeto M" foi incorporado por ela dando origem ao Ford Corcel.

Em 1968, com a fusão definitiva Ford-Willys, o Corcel foi lançado com enorme expectativa no mercado por ser um veículo inovador para a época

Como curiosidade histórica incluo alguns desenhos feitos à mão livre, escritos ainda em francês, com os detalhes construtivos do "Projeto M". Estes desenhos são parte do meu acervo particular que eu tenho enorme prazer de compartilhar com o leitor. Vou colocar somente algumas folhas e se houver interesse poderei incluir outros detalhes adicionais nos próximos "Memórias Ford". O leitor decide!

O veículo com o comprimento total de 4.395 mm e para uma distância entre eixos de 2.435 mm tinha o peso em ordem de marcha de 892 kg, bem leve para um veículo desta categoria.



O motor tinha a cilindrada nominal de 1.289 cm³. Veja o interessante gráfico abaixo, que mostra a variação do volume da câmara de combustão com a taxa de compressão:




O desenho mostra a vista lateral e frontal do motor e o seu peso de 92 kg. Mostra, ainda, os pesos do volante e do virabrequim, 7,1 kg e 9,5 kg respectivamente.




Abaixo, as curvas de torque, potência e consumo especifico de três configurações consideradas de motor, carburador de corpo simples e corpo duplo e taxa de compressão 8,5 e 7,8:1.




Veja, abaixo, detalhes da suspensão dianteira mostrando a geometria de cáster, câmber e convergência e também valores de referência entre os braços e os articuladores.




Detalhes das molas com as curvas características de carga por deflexão. "AV" é avant, dianteiras, e "AR", arrière, traseiras"




Detalhes dos amortecedores com as curvas de tração (Rebond) e compressão (Choc):





Detalhes da suspensão traseira:



Veja que interessante desenho do transeixo, mostrando o número de dentes das engrenagens e as relações de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª. É mostrado também e o comando da alavanca de mudanças com o bloquinho isolador de borracha para eliminar vibrações (mais à esquerda e em embaixo no desenho, há uma pequena seta indicando):





O Corcel em sua configuração original, com poucas modificações, ficou até 1977 e em 1978 foi lançado o Corcel II com a carroceria totalmente modificada. Sua aerodinâmica foi melhorada consideravelmente, tanto é que sua velocidade máxima aumentou para 137 km/h ante os 130 km/h do modelo anterior.

Poucos sabem que o Corcel II foi desenvolvido em túnel de vento no Brasil para a otimização de sua aerodinâmica. Os testes foram feitos no Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos. Os modelos foram testados em escala 1:5, pois o túnel não tinha a capacidade para modelos em escala 1:1.

Fotos mostrando os modelos do Corcel II no túnel de vento, com as linhas de fluxo mostradas com fumaça:



Detalhes do modelo em escala 1:5 mostrando a carroceria e o chassi, feitos com perfeição pelos modeladores do Centro de Pesquisas Ford em São Bernardo do Campo.



Hoje o famoso CPq já não existe mais e seu antigo prédio é ocupado atualmente pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban).


Prédio da Uniban, na Via Anchieta, em S. Bernardo do Campo, ex-CPq (Foto dgabc.com.br)

 

Especialistas construindo o modelo em escala 1:5 nas instalações do estúdio de design no CPq:



Maquete do túnel de vento do CTA

Veja o relatório de aerodinâmica do Corcel II escrito em inglês. A língua inglesa sempre foi valorizada pela Ford, que praticamente exigia que seus engenheiros falassem e escrevessem em inglês no dia a dia de suas atribuições como uma maneira de treiná-los para uma futura globalização que já era prevista.




Nos próximos posts vamos continuar com as  "Memórias Ford", mostrando outros fatos interessantes e, por que não, inéditos também.

Obrigado pela leitura!

CM





94 comentários :

  1. Carlos.
    Primeiro, bem vindo a turma e, pelo visto, vc tem muita coisa interessante para compartilhar. Depois, pare de mostrar estes projetos e memórias do Corcel. Vc ainda vai me fazer comprar mais um por pura nostalgia do carrinho rsrsrsr. Tive recentemente uma Belina 1971, que hoje tá com o Rica Dilser, da Fiat. Ainda bem que está com um amigo e dá pra matar a saudade de vez em qdo. Abração. Josias

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    1. Josias,

      Legal que você curte o que eu curto........o passado bom das fabricas de automóveis

      Abração

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  2. Obrigado Carlos por compartilhar sua experiencia no desenvolvimento de veiculos. Só por aqui no AE para vermos coisas assim !

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  3. Meccia, muito bom o post! Pura história de engenharia! Histórias e modelos como esses deveriam fazer parte da grade dos cursos de engenharia... Estou me formando agora e fico muito triste em ver que a maioria dos engenheiros, de todas as especialidades. não têm espírito de engenheiros, somente querem um cargo que ganhe bem e pronto... E esse perfil de engenheiros estão em massa nos departamentos de desenvolvimento das empresas, sobretudo automobilísticas... Triste... A questão do inglês hoje está mais exacerbado ainda na Ford, pelo menos aqui em Camaçari, eles exigem mesmo... Acho bastante válido, visto que hoje inglês é básico para tudo. Porém vejo que a Ford valoriza mais o inglês do que características profissionais, tem muitos alunos de minha faculdade que estão lá somente pelo inglês... Se perguntar o que é um ecoboost poucos sabem... Triste novamente...
    Os desenhos em francês vieram prontos da Willys francesa pra cá, ou foram desenvolvidos em francês mesmo aqui?

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    1. Tarcisio,

      Em primeiro lugar obrigado pelos comentários. São outros tempos, a engenharia era mão na massa sem os auxílios virtuais de hoje....os engenheiros tinham que entender profundamente toda a teoria envolvida e aplica-la praticamente para que o veículo atendesse a todas as expectativas.

      Os franceses estavam direto por aqui e os desenhos são brasileiros

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  4. Carlos,
    ótimo mesmo. Ainda bem que você tem tudo isso de material. O que puder colocar aqui, só vai me fazer feliz. Nunca tinha visto fotos de modelo do Corcel II em túnel de vento. E olha que tivemos montes de Fords em casa e sempre fui curioso com as origens do II, e o mencionado trabalho em túnel, como o José Luiz Vieira contou resumidamente na revista Motor 3.
    A grade do Corcel II tinha exatamente o mesmo perfil da do Granada alemão / inglês, ou eram outras aletas, apenas parecidas em estilo ? veja esse post escrito por mim e pelo MAO: http://www.autoentusiastas.blogspot.com.br/2012/04/passat-e-corcel-ii.html

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    1. Juvenal,

      Eu tenho um acervo bem interessante mostrando as relíquias Ford. Quem se aproximou do Granada foi o Del Rey Ouro....você se recorda ?

      Obrigado

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    2. JJ
      Meu pai teve Corcel II e Belina II :
      78 branco 1.4 gasolina LDO todo monocromático em marrom por dentro, cambio 4 marchas.
      79 dourado (1.6) ja com o spoiler na frente. cambio 4 marchas
      81 Belina prata 1.6 a alcool , 5 marchas
      82 Belina 1.6 branca alcool com ar condicionado, 5 marchas, encosto de cabeca vazado e um reloginho digital acima do retrovisor
      A última Belina cheguei a dirigir , pois ja era mais moleque 12 anos...
      Na minha memoria ficou o excelente acabamento desses carros, a macies de rodagem e boas lembranças de nossas inúmeras viagens em família
      Bons tempos ... saudades!

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    3. Carlos, como poderíamos esquecer daquelas charmosas repetidoras nos para-lamas ou o relógio digital azul do Del Rey Ouro?

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    4. Anônimo,

      Bons tempos.......realmente os veículos Ford tinham um acabamento primoroso

      Abraço

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    5. Sem contar a iluminaçao do painel, azul com vermelho...Mais tarde aproveitado nos Miúra.

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  5. Muito interessantes estes dados antigos, é história pura a ser preservada com carinho.
    Já montei uma pastinha para guardar estas fotos.

    E bateu saudades do CPq.
    Nos anos 80/90 eu trabalhei por muitos anos em um grande fornecedor da área de chassis/motores da Ford, e estava constantemente por lá, em reuniões com o ótimo pessoal da engenharia Ford. Bons tempos!

    PS: Garanto que você também tem para contar muitas histórias interessantes do Maverick.

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    1. BlueGopher,

      Eu também tenho saudades do CPq que era uma verdadeira escola de engenharia.

      Vamos continuar com as Memórias Ford

      Abração

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  6. Mesmo não podendo ler detalhadamente a matéria deu para sentir que é de alto nível, como sou estudante de engenharia me sinto privilegiado ao ver estes trabalhos de grandes engenheiros.

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    1. Cleyton,

      Seja um engenheiro de verdade ! Faça da engenharia o seu orgulho !

      Abraço

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  7. Rafael Ribeiro07/05/14 13:26

    Muito interessante o post, e é possível notar no relatório de aerodinâmica:

    1. O teste era não só para verificar a aerodinâmica do Corcel II, mas também a confiabilidade do túnel de vento do CTA, estabelecendo um fator de correlação entre este e o túnel da Lockheed.

    2. Foi testado não só o modelo 1979, mas também sua futura e eventual versão 1983, com a frente denominada "Gamma", que presumo ter semelhanças com a frente usada nos últimos modelos da linha.

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    1. Rafael,

      Espero nos próximos blogs poder mostrar mais raridades que tenho em meu acervo particular

      Obrigado

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  8. Absolutamente fantástico, gostei da Frente Gamma do Corcel II, que aparentemente é a que entrou em 1985... Continue postando, bacana DEMAIS !!!!

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  9. Detalhe, no documento datilografado, para o primeiro nome que aparece L. M. de Ferran. É o ilustre Luc de Ferran, pai do ex-piloto de Indy, o Gil de Ferran.

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    1. Carlos Bragatto,

      É o próprio super engenheiro Luc de Ferran que é pai do Gil de Ferran

      Abraço

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  10. Que maravilha!! é um deleite para nós entusiastas acervos como estes.
    Uma pergunta: os donos de Corcel que eu conheci diziam que a suspensão dianteira era difícil de alinhar e também perdia alinhamento com certa facilidade (alias, essa é uma característica também do Escort - seria mal de Ford?), e os mecânicos culpavam a arquitetura da suspensão, que era composta por braço inferior e superior único. Outro ponto de reclamação era em relação à cruzeta da transmissão, que segundo diziam quebrava com certa facilidade.
    Qual foi o motivo de adotar essa configuração para o Corcel nacional? Uma suspensão McPherson com braço triangular não seria mais adequada, visto que as nossas vias sempre castigaram os veículos nacionais?

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    1. Fabio,

      Foi adotado o projeto francês, melhorado ao longo dos anos pela Engenharia Ford

      Obrigado

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    2. Quebravam as internas mesmo. Com certa facilidade. Nunca vi outro carro que nao os pesados quebrarem.

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    3. Parece que na época teve um "recall branco" quando estes chegavam às primeiras revisões.
      Se não me engano, era mudado até a posicionamento da caixa de direçao...sobre as cruzetas era crítico mesmo....nossas vias e estradas nunca colaboraram.

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  11. Material excepcional, bacana mesmo!

    MFF

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  12. Os engenheiros de antigamente eram muito mais competentes. Hj se acabar a energia e os engenheiros não tiverem acesso a computadores ártico a dizer que não sai quase nada a mão.

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  13. Carlos,
    Obrigado pela matéria, muito bacana e informativa de como se projetava um carro.
    Abraço
    Marco Antônio

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  14. CM, estou "viajando" nos desenhos, uma delícia de se ver e estudar. Agora vejo que os desenhos de carro que fazia quando criança tinham certo fundamento técnico.

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    1. Anônimo,

      Parabéns e continue curtindo os automóveis

      Abraço

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  15. Muito bom o texto, parabéns.
    reparem que o modelo bege da foto tem frente diferente do modelo vermelho, parece com melhor aerodinâmica mas foi descartado.

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  16. Copiei todas as fotos para o meu computador.
    Valeu!

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  17. Ah carro a frente de seu tempo, e junto com a Belina fizeram muito sucesso, só merecia um motor mais forte, ao menos nas versões GT, LDO e Ghia (caso do Del Rey). quando o Ap 1.8 chegou já era tarde demais.

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  18. Marcus Lahóz07/05/14 14:41

    Carlos

    Muito, mas muito bacana. Com certeza gostaria de ver mais desenhos e artigos originais. Apesar de que todos os Ford que tive me darem problemas, acho que a marca merece uma atenção especial.

    Mas achei bacana demais, um amigo meu viciado em corcel vai adorar o texto e os desenhos.

    Mas assim, sem querer abusar mas já abusando, montei em casa um cockpit para jogos de corrida, comprei um banco de carro (peugeot 206) e fiz as demais estruturas; mas estou sofrendo demais com as medidas entre voltante e pedais, distância e altura. Nunca imaginei que era tão complicado acertar estas medidas; existe alguma coisa meio padrão?! Ou pelo menos alguma referência? Veja que o meu banco tem ajuste de altura, inclinação e distância.

    Obrigado.

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    1. Marcus,

      Faça praticamente, com base na posição ´confortável de dirigir o seu automóvel.

      Abraço

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  19. Acho que o Portuga deve estar com o sorriso de orelha a orelha com essas memórias Ford!

    Muito obrigado pelo compartilhamento de conhecimento meu caro Carlos.

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  20. Rapaz, que preciosidades!!! Sou doido por essas informações, esses materiais de bastidores que dificilmente caem em mãos dos consumidores do produto. Sempre estou pensando em quantas delas se perderam ou estão escondidas como o tesouro particular de alguém, especialmente de fábricas que não existem mais como a Simca do Brasil, a DKW, Gurgel, FNM, Chrysler ...Sensacional!! Isso sem falar em casos como um que presenciei no interior de São Paulo nos anos 90, quando uma loja de peças muito grande vizinha da casa do meu avô, fechou. Fiquei sabendo e pedi para entrar no enorme galpão nos fundos da loja, onde estava o estoque deles. Quase morri: eram peças de uma enorme variedade de caminhões e veículos de passeio dos anos 30, 40, 50, 60, 60, 70 e 80, tudo 0km, e nas caixas originais!!! Tinha coisa para Ford 29, para terem uma idéia. E eu não tinha dinheiro para comprar ao menos um lote. Segundo fiquei sabendo, muito de tudo aquilo foi vendido a peso, como sucata, para um ferro-velho. Peças para caminhões Mercedes cara-chata, International, FNM, Dodge, tratores antigos da Ford e Massey-Ferguson, Aero-Willys, Jeep, Dodge Dart, Simca Chambord, Gordini, SP-2, Buick, Studebaker, Bel-Air, etc, etc, etc...Até hoje me atormenta não ter podido comprar.

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    1. Mr.Car
      Foram vendidos a peso de sucata e hoje valem peso de ouro no mercado de peças
      Oooo mundo injusto!

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    2. Mr. Car

      Realmente boas histórias !

      Fico gratificado que você gostou

      Abraço

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    3. Injustíssimo, anônimo 07/05/14 15:59 hs: se eu tivesse grana para comprar tudo aquilo, e revendesse (mesmo sem ser explorador), faria um bom dinheiro. As únicas coisas que comprei foram pastilhas de freio para o carro que tinha na época, meu Alfa-Romeo 1977. Devia ter comprado uma coisinhas mais, como por exemplo, as lindas rodas 0Km do Dodge Charger R/T 1971.

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    4. Que carrão voce tinha hein ?
      Adoro as Alfas 2300 , até hoje acho lindo e com um acabamento primoroso...
      Conheço essas rodas do R/T 71 , sao chamadas de Magnum e na minha opinião as mais bonitas da linha Dodge
      He he he

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  21. Off-topic: O resultado da pesquisa com os leitores do blog será disponibilizado?

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  22. Qual a configuração das suspensões do Corcel?

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  23. Carlos,

    Parabéns pelo post. Muito interessante que os testes em túnel de vento já previam uma futura versão para lançamento em 1983. Pelo jeito, essa frente foi abandonada em favor do desenho usado a partir do modelo 85 - isso teria sido devido à redução de custos, uma vez que não necessitava de mudança na estampagem da carroceria?

    Espero que estes posts continuem e te peço um favor: tudo o que você tiver sobre Maverick me interessa! Inclusive sobre como teria sido a proposta para o modelo que foi preterido em favor do Del Rey.

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  24. Dona Ford ..sempre caprichosa!
    Jorjão

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    1. Jorjao
      A Ford sempre ter bons acabamentos
      Voce ja teve um Ford ou só andou na vida com seu Fusca velho?
      Há há há

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  25. Excelente, estava meio afastado do blog, mas hoje voltei e me deparo com estas informações fantásticas.
    Muito obrigado.
    Acosta

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    1. Alvaro
      Estava com saudades de voce
      Bom retorno

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  26. Thiago A.B.07/05/14 15:58

    Carlos,

    Quantas preciosidades para relembrar, da época romântica da indústria, em que tudo era feito na raça, sem os simuladores e computação atuais. Quando a Ford pegou o projeto M, ele já estava bem adiantado, ou foram os técnicos da Ford que trabalharam mais? Lembrando que a origem do Corcel é francesa, como os Dauphine/Gordini, que tinham fama de frágeis, enquanto o Corcel ficou conhecido pela robustez e economia. Você deve ter as histórias do desenvolvimento do OHC 2,3l, CHT Fórmula do XR3, etc.... Vai ter muito assunto para nos brindar.
    Abraço

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    1. Thiago,

      Espero poder brinda-los com as boas historias dos automóveis no Brasil

      Abraço

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    2. Thiago, segundo meu pai dizia (trabalhava num fornecedor da Ford), era fácil identificar as origens Renault e Ford: todas as peças com medidas em sistema métrico, Renault; com medidas em polegadas, Ford.

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  27. Antonio Pacheco07/05/14 16:10

    Mais um post sensacional! É bom ler histórias da nossa indústria. Ainda mais da Ford, desde criança acompanho carros da marca, meu pai teve Corcel 75, Belina 78 e 80, além de Escort 88, 91 e 95 e por último, uma F1000. Mas como o post fala do Corcel, vou tentar tirar uma dúvida que me intriga desde a infância, quando meu pai comprou a Belina 80 a gasolina 5 marchas. Desde cedo sempre fui apaixonado por carro, e notava que na mudança de 4ª para 5ª marcha, parecia que não havia mudança na relação de marcha, pois o barulho do motor era o mesmo (a Belina não tinha conta-giros). Tempos depois, andei em outra Belina, acho que 82, também a gasolina e 5 marchas, porém modelo LDO, e esta tinha um conta-giros pequeno no centro do painel no lugar do relógio que vinha nas outras versões. Como eu era novo, andava no banco de trás, mas fixava os olhos no conta-giros e notava que a rotação mantinha-se praticamente a mesma na 4ª e 5ª marchas. Talvez pela distância e pelo pequeno conta-giros, mas ainda hoje eu acredito que as relações se não fossem as mesmas, eram muito próximas. Se algum entendedor tiver a ficha técnica com as relações do câmbio de 5 marchas do Corcel/Belina, irá tirar essa dúvida que guardo desde a infância. Abraços a todos.

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    1. Bom eu tive um Corcel II 83, com motor 1.6 de 5 marchas, e digo que eram bem longas, e velocidade final era de 4 quarta, a 5 era mais economia, mas vamos aos números:
      Motor Renault:
      1 marcha: 3,46:1
      2 marcha: 2,21:1
      3 marcha: 1,42:1
      4 marcha: 0,97:1
      5 marcha: 0,86:1
      Ré: 3,08:1
      Diferencial (Belina e Corcel 2 GT com motores 1.4 e 1.6): 4,125:1
      Diferencial (Corcel Luxo e LDO 1.6): 3,875:1

      O diferencial da Belina e do Corcel GT (1.4 e 1.6) eram mais curtos (a Belina por ser mais pesada e o Corcel GT por ser esportivo), mas a relação das marchas eram as mesmas do Corcel luxo.

      Lembrando também, que o cambio de 4 marchas nesse carro possuia a mesmas relação e diferencial do cambio de 5 marchas que era apenas uma marcha para economia (uma sobre-marcha)!

      Já com os motores CHT a Ford alongou mais ainda a relação das marcha e do diferencial, visando a maior economia (não que o motor Renault não fosse econômico o bastante).

      É isso!

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    2. Cleiton,

      A transmissão ideal no meu ponto de vista seria a quinta mais longa, por exemplo 0,82:1 mantendo o diferencial mais curto 4.125:1 para todas as versões. O escalonamento das marchas ficaria bem legal

      Abraço

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    3. No Del Rey Ghia 88 que eu tive e na Belina 88 Ghia que meu pai teve a diferença entre quarta e quinta era realmente pequena, algo em torno de 500 rpm, medidos no olho pelo conta giros no painel.

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  28. É muito interessante quando se cruza as curvas de torque x potência x consumo, pois através dessa é possível visualizar facilmente que a faixa de consumo máximo quase que por via de regra corresponde a faixa de torque máximo do motor em baixas rotações.

    Ivan Bertoni

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    1. Ivan, o consumo especifico minimo esta torno do torque máximo do motor

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  29. Carlos
    Bem vindo! Que grande aquisição para o AE! Por favor continue a nos brindar com essas informações tão interessantes. Sempre fui fã da linha Corcel, embora tenhamos tido apenas um em casa, mas era um modelo curioso: era uma Belina I 1977, mas já com a mecânica praticamente igual à do Corcel II. A parte elétrica, as juntas homocinéticas no lugar das cruzetas, o câmbio com as marchas alongadas.
    Você também tem alguma história a respeito da vida dos Aero/Itamaraty? Seria muito interessante conhecer alguma história de quem estava "do outro lado do balcão".
    Abraços e obrigado
    RMC

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    1. Obrigado RMC,

      Tudo que for possível divulgar vou divulgar. A historia da industria de automóveis no Brasil agradece !

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  30. Os bastidores da industria automobilistica antiga é realmente fascinante, agradeço demais por trazê-los à tona aqui. Aproveitando seu conhecimento Carlos, gostaria de te perguntar algo que me intriga desde o inicio dos tempos: para que um compartimento do motor tão grande para abrigar o minusculo motor renault / cht? Será que imaginavam em algum momento colocar um V8 lá?
    Muito obrigado.

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  31. A história do automóvel no país em estado puro, contada em primeira pessoa! Nós, leitores e, especialmente, apreciadores, agradecemos!

    Parabéns!

    Leo-RJ

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    1. Obrigado Leo-RJ

      Eu curto bastante a historia do automóvel no Brasil.....e no mundo também

      Abraço

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  32. Caramba, projeto automobilístico, de uma época em que computador era coisa de ficção científica... Tudo na base do cálculo, engenharia essencial! presumo o quanto deve ser trabalhoso, o quanto deve exigir conhecimento e dedicação esse brilhante trabalho. A engenharia nessa época era coisa medonha, para pessoas com um QI a mais... Sei de uma história do primeiro Corcel, parece que erraram apenas na altura da caixa de direção, e era impossível alinhá-lo (perdoável, diante da complexidade do vimos aqui, que é desenvolver um carro no papel), fato que ensejou o primeiro recall da indústria automotiva brasileira. Já o Corcel 2 em túnel de vento, é uma surpresa para mim. Por isso que sempre achei o corcelzinho solto, à vontade, na estrada, até meio surpreendente, para o motor que tem. acredito, que não tenha um Cx muito baixo, algo em torno de 0,40, mas deve ser melhor que seus contemporâneos. (Chevette 0,43, Fusca 0,48, Gol BX 0,45, Fiat 147 0,50!, Voyage 0,50!... esses é o que sei... Não encontrei números para o Passat.

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    1. Jesus, realmente computador era coisa de ETs.

      Valeu pelo comentario

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  33. Grande amigo Meccia!
    Sensacional esse post de memórias! Continue essa série por favor, e compartilhe tudo o que puder conosco. Engenheiro costuma dizer que nao gosta de história... Mas tem como não gostar de história de engenharia?!?! Eu acho que eu devo ser um ponto fora da curva mesmo, assim como todos nós que acessamos o AE e outros sites hehehhe
    Aguardo a historia daquela viagem do Galaxie que você guardou a banderinha!

    Grande abraço,
    Travassos

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    1. Amigão Travassos,

      Legal que você gostou

      Abração do amigo Meccia

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  34. Caramba, viu! Assim não vale. Obrigado Carlos pela disponibilidade dessa informação preciosa. Se você disponibilizar mais cópias, me avise primeiro, porque o site vai travar! Abraço.

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    1. Vamos em frente.....Anônimo, obrigado

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  35. Bela história, Carlos!!! Sempre gostei do corcel, um amigo tem a belina encostada no terreno da casa dele que eu sou louco pra comprar e reformar, mas me falta di$posicção... rs.... sou absolutamente fanatico pelos carros da ford, tive um Logus(um escort sapão com roupa VW), um escort zetec e tenho hoje um focus sedan MK 1,5. Alias, se puder, conte no futuro um pouquinho das origens dos motores Zetec S e do Zetec Rocam, completamente diferentes entre si e que partilham o mesmo nome!!! abraços e que venham mais histórias!

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    1. Obrigado Eduardo,

      Espero continuar com as Memórias Ford para mais fatos interessantes......

      Abraço

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  36. Demais Carlos, parabéns pelo post!!

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  37. Carlos, aquele segundo modelo no tunel de vendo era uma possibilidade de frente que não vingou? (Gamma front end, parece estar escrito).
    O modelo marrom ao lado/abaixo do vermelho (que é o que conhecemos)

    Marco

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    1. Marco,

      Você tem razão........nos próximos blogs espero continuar com as Memorias Ford para poder contar mais

      Abraço

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  38. (OFFTOPIC)
    Carlos,

    Estou querendo dar uma "desamarrada" no meu Focus 1.6 Flex Zetec Rocam, voçê saberia me dizer se o coletor do Ka XR 01 serviria sem maiores adaptações no meu carro?

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  39. Parabéns ao AE e ao Sr. Meccia pela contribuição e pelo(s) post(s). Não sei se o articulista participou da Autolatina e gostaria de mais informações sobre essa associação e seus produtos (Logus, Verona, Versailles, Del Rey AP, por exemplo)

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    1. Autolatina, veículos VW com plataforma Ford e veículos Ford com plataforma VW...foi bem interessante a miscigenação.

      Abraço

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  40. Nobre Carlos, sério que depende de nós você colocar mais material aqui? Por que sendo assim, acho que você nunca mais vai parar de escrever e escanear!
    Eu pessoalmente adoro saber dos "elos perdidos" e dos "dead ends". Não teria aí em seus arquivos esquemas mais "primitivos" do Corcel, ou outras propostas de design que não foram pra frente (tipo o Corcel "gamma" das fotos)?
    Abraço, e obrigado pela história!
    Ruivo

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    1. Rafael,

      Espero poder mostrar mais relíquias aos leitores

      Obrigado

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  41. Dá alegria ver uma postagem dessas,pois é um carro que tenho muito carinho,pois meu saudoso avô teve tanto o Corcel I como o Corcel II...Cresci andando no Corcel II dele e em breve também irei comprar um...

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    1. Johnny, realmente e Corcel deixou sua marca para a posteridade. Tomara que você compre um e deixe novinho !

      Abraço

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  42. CM:
    Quando da aquisição da Willys , esta, segundo histórias da época, estava a desenvolver outro carro, pequeno, que, por estar em estágio de desenvolvimento mais inicial, foi abortado pela Ford. É verdade? Se for, há desenhos ou outros documentos?
    Obrigado e parabéns pelos relatos.
    AAM

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  43. Eurico Jr.09/05/14 09:26

    Simplesmente espetacular, como é praxe no AE.

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  44. braz portari09/05/14 22:15

    Salve Carlos,
    otimo post sobre o desenvolvimento de um belo carro nacional.Tivemos a oportunidade de participar deste desenvolvimento inclusive visitando o CPD- Rudge Ramos em SBC como fornecedores dos amortecedores. Realmente eram outros os tempos que hoje olhando para tras vemos o quanto fomos ousados e laboriosos pois muitas ferramentas e dispositivos tinham que serem criadas para testar as novas aplicações. Muitas vezes no nosso Laboratorio na COFAP, viravamos a noite fazendo ensaios para apresentar resultados no dia seguinte. Tudo sem computador!!!!.
    Parabens...pelos post e que venha mais,

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  45. Bom dia,

    Sou mais um admirador da linha Corcel,foi uma grata surpresa encontrar o relato de alguém que participou do seu projeto - inclusive os comentários adicionais dos que atuavam nos fornecedores.

    Li em revistas antigas que a linha Corcel realmente foi "acertada" em 1973 por uma equipe chefiada,salvo equivoco,por um engenheiro chamado Bento Hucke.

    Pergunto se algum dos participantes deste fórum fez parte da equipe que atuou no projeto da linha 1973.

    Edio.

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  46. a muito tempo eu procuro por "atualizações" acerca dos protótipos e das histórias sempre "secretas" da fabricação do projetos nacionais...devo ressaltar a importância de trabalhos como o seu, eles possuem a capacidade de desmistificar muitos assuntos do nosso interesse...

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  47. ...e os comentários da página também são uma aula de história da industria nacional!

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  48. ALguem tem o esquema eletrico do corcel 1 1969 estou reformando o meu e a fiação ta toda misturada alguem pode me ajudar ?

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