A INTELIGÊNCIA DAS MÁQUINAS – QUINTA PARTE


Yin e Yang do automóvel

Na quarta parte desta série, aprendemos de forma genérica sobre comportamentos emergentes, enquanto nesta e na próxima aprenderemos mais alguns outros e como eles se relacionam com o automóvel. Como é de se esperar, nem todas as conclusões que tiraremos daqui satisfazem nosso senso comum. Também serão discutidos problemas e soluções para o trânsito, onde os comportamentos emergentes são mais visíveis.

Um pouco mais sobre o Yin e Yang

Podemos dizer que Yin e Yang são a visão filosófica das oposições das partes que mantêm o mundo finito unido e equilibrado, e que, diferente das visões românticas, otimistas ou pessimistas, é a visão integrada que tudo que é positivo por um lado possui outro igualmente negativo (apesar de muitas vezes oculto) e vice-versa, que se aproxima mais da realidade.

Vivemos em um mundo completamente interconectado, onde tudo se relaciona com tudo. Uma nova matemática e uma nova física começam a compreender a dimensão desta complexa realidade. Não é possível mexer com uma coisa e não afetar as outras. Graças ao Efeito Borboleta, não há ações inconsequentes, por menores que sejam.

A cada ação (considerando que a não ação também é uma forma de ação) que promovemos, mudamos o mundo à nossa volta, e ele reage de volta, buscando se reacomodar para uma nova condição de equilíbrio, e nesse processo as conseqüências sempre voltam para o ponto de origem. É como uma onda que é causada por uma pedra na superfície de um lago, que se propaga, chega às margens, reflete de volta para a superfície do lago, e logo ondas refletidas repassam sobre o ponto inicial da onda original.

Dentro desta visão mais moderna da natureza do Universo que nos cerca, podemos dizer que aquilo que chamamos filosoficamente de Yin e Yang é o comportamento emergente mais elementar que mantém o equilíbrio de todo sistema e que constrói todas as maravilhas que observamos, do mundo das partículas subatômicas até o conjunto dos grandes aglomerados de galáxias.

O mundo não é a cornucópia de bens e prazeres infinitos e ilimitados que imaginamos. Se o mundo é limitado e dinâmico, então ele possui equilíbrios, estáticos ou dinâmicos, e quando o perturbamos ele reage contrariamente para voltar ao seu equilíbrio. São os desequilíbrios que mantêm o mundo funcionando, mas quando exageramos nos nossos desequilíbrios sobre o mundo, mais rápido e mais intensamente o mundo reage e se as conseqüências retornam para nós.

Visto desta forma, esta verdade é lógica e natural, mas muitas vezes ela é tão sutil e estamos tão apegados ao que nos é confortável, ao pensamento romântico, que ela nos parece desagradável, falsa, inconveniente e inutilmente a rejeitamos para sermos constantemente assombrados por ela.

Um mundo idílico como uma cornucópia ilimitada de bens e prazeres não existe

Otimistas e românticos adoram perguntar às pessoas se elas enxergam a metade cheia ou a metade vazia do copo como uma metáfora para a visão particular que cada um tem da vida. É feio e politicamente incorreto alguém dizer que enxerga a metade vazia.

Longe da visão dos românticos, otimistas e pessimistas, não existe a figura do copo meio cheio ou meio vazio porque simplesmente um copo não pode estar meio cheio se simultaneamente ele não está meio vazio. O que existe é apenas a visão do copo indivisível, inteiro e com metade da capacidade ocupada.

Se Yin e Yang são indivisíveis tanto quanto as metades vazia e cheia do copo, então todas as vezes que alguém apontar algo maravilhoso, fantástico, perfeito e Yang, pare, respire fundo, dê um passo atrás e procure o lado Yin com atenção. Pode ter certeza que ele estará escondido em algum lugar que ninguém reparou ainda. O contrário também é válido.

Pode parecer uma forma pessimista de enxergar as coisas, mas esta é a maneira mais realista de pensar todos os fatos da vida. Se nos defrontamos com uma coisa boa, esta visão nos prepara para os problemas que que essa coisa boa irá gerar, e se nos defrontamos com uma coisa má, estaremos atentos às oportunidades que ela nos oferece.


Não existe a metade cheia de um copo sem a metade vazia

Uma característica da dupla Yin e Yang é que a reação oposta nem sempre ocorre no mesmo plano da ação, e muitas vezes ela demora a se manifestar. Comer doces é prazeroso, é Yang. Se comermos doces demais, o Yin não será sentir um gosto salgado de imediato, mas engordar e nos deixar diabéticos depois de alguns anos do abuso. A resposta não é imediata e costumeiramente não ocorre no mesmo plano da ação. Por isso muitas relações de ação e reação do par Yin e Yang nem sempre são percebidas como tais.

As melhores escolhas e ações, as que geram os menores efeitos colaterais indesejáveis, e as que conduzem a resultados melhores persistentes por mais tempo são quase sempre aquelas que orbitam próximas às condições de equilíbrio local. E aqui cometemos muitos erros. Temos a impressão que as melhores soluções são sempre as mais eficientes e as mais extremas, mas na natureza todos os elementos são apenas suficientemente eficientes, de forma a manter o equilíbrio entre as diversas partes de um mundo limitado.

Leões são sempre apenas suficientemente eficientes para caçar zebras e as zebras são apenas suficientemente eficientes para fugir dos leões. Se os leões forem plenamente eficientes caçarão todas as zebras e eles próprios morrerão de fome. Se as zebras forem plenamente eficientes para fugir dos leões, os leões morrerão de fome e não haverá controle populacional de zebras, que aumentarão descontroladamente em número, consumirão toda relva e as próprias zebras morrerão de fome. Em um equilíbrio onde a eficiência de nenhum dos dois é máxima, ambas as espécies convivem e se beneficiam da relação mútua. O infortúnio Yin dos indivíduos das duas espécies levam ao benefício Yang das duas espécies.

A natureza é sábia ao escolher o equilíbrio e ela teve milhões de anos para ajustar essas escolhas, mas esta é uma lição que ainda precisamos compreender para fazermos melhores escolhas a longo prazo.

Zebras e leões: animais não totalmente eficientes conduzem ao macro equilíbrio ecológico

Então, repense um pouco sobre o que foi discutido. Talvez você, caro leitor, encontre uma nova maneira de ver a vida como nunca a viu antes, um mundo ainda mais belo, e ainda assim real, do que o mundo florido, idílico e imaginário dos otimistas e românticos.

Mas como esse mundo de ações e reações se manifesta no universo do automóvel?

O tao do automóvel

Vamos começar pela definição romântica do automóvel. Costumamos definir o automóvel como a expressão máxima da liberdade individual, certo? Perfeito. Quem tem automóvel tem a liberdade ir e vir de e para onde quiser na hora que quiser.

Mas será que é isso mesmo?

Mas vamos pensar em termos do tei-gi. Ter um automóvel, na sua definição definição romântica, é algo Yang. Na verdade, tudo que apreciamos, o que nos agrada e amamos é Yang. Se Yang é tão bom, vamos maximizar o Yang distribuindo automóveis para todos. Assim teremos um Yang enorme por toda cidade. Existe algo melhor? Será?

Agora precisamos lembrar de mais duas coisas importantes sobre o tei-gi:
– O mundo é fechado e dividido igualmente entre Yin e Yang;
– Do seio de uma grande quantidade de Yang é que surge o Yin e vice-versa.

Pois bem. As ruas de uma cidade oferecem um espaço limitado, e quando todos tem carros, o espaço para cada carro fica limitado. A presença de um carro trava o movimento do outro, e é onde surgem os congestionamentos.

É exatamente quando a grande maioria das pessoas possui seus carros para ter a liberdade de ir e vir é quando ninguém consegue exercer essa liberdade. É o Yin coletivo surgindo de uma grande quantidade de Yang individual, e quanto mais Yang, mais Yin.

Um carro a mais nas ruas não vai impactar significativamente no trânsito da cidade, mas a soma de todos os carros com certeza vai gerar saturação do sistema viário da cidade e afetar igualmente todos os donos de carros. O Yang individual de um carro a mais nas ruas causa um Yin coletivo muito pequeno, mas quando temos uma soma muito grande de Yang individual nas ruas, todos os motoristas sofrem com a soma total do Yin. O Yang particular é o que gera o Yin coletivo, e o que cada um faz em um mundo limitado sempre retorna para si mesmo.

Muitos carros Yang conduzem ao indesejável congestionamento Yin

A manifestação do Yin a partir do Yang neste caso é bem perceptível. Mas seria este apenas um caso particular?

Vamos pensar numa questão de outra natureza. Todos temos o direito de ter nosso carro dos sonhos (limitado à nossa capacidade de pagar por ele), certo?  E o carro dos nossos sonhos é sempre o maior, mais espaçoso para ficar bem vistoso, ou em outras palavras, mais Yang, certo? Ninguém tem nada a ver com essa escolha, certo? E também o direito de cada um escolher o próprio o carro não prejudica os outros, certo?

Esqueça. Esta é a visão romântica da compra do carro. A realidade é muito mais crua, e por que não dizer cruel para o indivíduo, do que essa. Se existe a metade cheia do copo, existe também a metade vazia.

Voltemos ao exemplo anterior. Distribuímos carros Yang para todos e o retorno foram indesejáveis congestionamentos Yin. Mas se todos tem carros Yang já geram um grande Yin, o que acontece se tornarmos cada carro ainda mais Yang?

Vamos pensar no trânsito como é hoje. O que aconteceria se transformássemos todos os carros em limusines super-Yang de 10 metros de comprimento? O espaço dentro do sistema viário é limitado, e com carros maiores, haverá uma disputa maior por esse espaço, ou seja, os congestionamentos vão aumentar. Também no meio do tráfego, quanto maior o veículo, pior a capacidade de manobra e é mais difícil negociar espaço com outros carros.

E se fizessemos o contrário? E se todos os carros fossem convertidos em pequenas motocicletas Yin? Pelo mesmo racicínio, o trânsito ficaria muito mais Yang, fluindo ao invés de parar.

Carro grande x carro pequeno: efeitos diferentes no trânsito

As ruas de uma cidade são um recurso limitado. Cada carro que entra nelas consome naquele momento um espaço, ele degrada um pouco este pequeno mundo. Quanto maior o carro, maior o espaço ocupado e maior a degradação causada ao meio. Quanto mais carros, pior fica a condição das ruas. Quanto maiores se tornam os carros, também a degradação do ambiente de tráfego aumenta, e o caos aumenta.

Começamos pensando em melhorar o conforto Yang de cada um e conseguimos mais congestionamentos Yin de todos.

Mas a brincadeira taoísta de ter o espaçoso carro dos sonhos não termina aqui. Não são apenas as ruas que são um mundo limitado. Os estacionamentos também são, e a fórmula do caos se repete.

Estacionamentos devem ao máximo atender a demanda dos carros que ali estacionam. Quanto mais carros, mais vagas, e quanto mais vagas no mesmo espaço, menores tem que ser as vagas. Quanto mais os mesmos carros aumentam de tamanho, menos eles cabem adequadamente nelas. Efeitos colaterais certamente vão ocorrer.

Vagas cada vez menores para cada vez mais carros maiores

Imagine que seu vizinho de vaga no condomínio compre aquele carro de luxo maravilhoso, mas as vagas são muito estreitas. Você pode até ficar entusiasmado, mas não vai gostar nada quando ele lhe chamar às 3 horas da manhã para manobrar o seu carro para desbloquear a porta do carro dele. Você também não vai gostar das reclamações de cutucões nas portas que o caríssimo carro dele está levando simplesmente porque o carro dele não deixa espaço suficiente pra você sair do seu carro que está dentro da sua vaga.

Essa é prova suficiente de que há um limite do direito de escolha do seu vizinho (e seu também) do carro que se pode ter para manter uma boa convivência em sociedade. Não existem escolhas e ações inconseqüentes.

Seria este um bom vizinho de vaga estreita?

Aí, indo na contramão do romanismo sentimental e irracional, aquele que deixa de comprar o atrativo e grande carro Yang e continua usando seu pequenino carrinho Yin manobra mais fácil, negocia melhor espaço com os outros carros no trânsito congestionado, estaciona mais fácil com facilidade de entrar e sair do carro mesmo em vagas apertadas, e termina o dia muito menos estressado. E ele, embora contribua para a degradação do meio viário, ele é menos responsável por isso que os motoristas dos grandes carros.

Enquanto tantos investiram no Yang particular e acabaram tendo uma experiência Yin com seus vistosos carros grandes, aqueles que economizaram em pequenos carros Yin acabam tendo uma experiência um pouco mais Yang.

Pode parecer que ao falar seguidamente em Yin e Yang demonstro um fervor religioso ou filosófico, mas relações como as decritas acima e que os orientais de 5 mil anos atrás intuíram para criar as bases do taoísmo, hoje é modernamente conhecido na matemática, mais precisamente na Teoria dos Jogos como “dilema dos comuns” ou “tragédia dos comuns”, a mesma que demonstra por que os famosos “Gérsons” são tão odiados.

Uma boa explicação deste dilema podemos ler aqui. Religião e filosofia se discutem, com a matemática não.

Muita gente usa carro por comodidade e a maioria, sempre que pode, compra o carro maior. São atitudes que buscam um maior lucro pessoal sem se preocupar com as conseqüências comunitárias da suas escolha.

Quem compra e usa o carro grande pode nem ter a malícia de um Gérson, mas o mecanismo de degradação do meio é o mesmo, e o benefício individual Yang evidente trás uma pequena parcela de Yin que será somado ao já acumulado e é amargamente partilhado por todos.

Fechando o ciclo

As ruas ficaram intransitáveis com tantos carros, e mais ainda com carros grandes tomando o lugar dos pequenos. Vem logo em seguida a pergunta: qual o estímulo para possuir algo tão caro para comprar e manter e que não pode ser livremente usado? Esse desestímulo vai reduzir os compradores e usuários de carros.

Reduzindo os carros circulantes, o sistema tende a voltar ao equilíbrio. Temos visto sinais disso nas estatísticas do mercado americano e europeu.

Mas o sistema também pode criar a tendência de retorno ao equilíbrio com a substituição dos carros grandes e desajeitados por carros pequenos, práticos e ágeis.

Carros e motoristas que se comportem no trânsito de forma mais colaborativa também colocam o sistema de volta na direção do equilíbrio. Tecnologias como a dos carros autônomos e até o surgimento de uma maior consciência dos bons hábitos ao volante surgem ou emergem naturalmente da realidade degradada.

É fundamental entender que o sistema sempre fecha o ciclo com um retorno ao equilíbrio. Mas tão importante quanto é perceber que há vários caminhos alternativos para esse retorno, que tanto podemos trilhar apenas um como vários simultaneamente, e que se não escolhermos nenhum ou persistirmos na ação de desequilíbrio, o próprio sistema criará o seu próprio caminho de retorno, que nem sempre pode ser o melhor para nós.

Esta é a verdadeira importância de uma visão de equilíbrio por parte das pessoas que administram e decidem. O otimismo e o romantismo irreais, baseados na nosso falível senso comum e a falta de uma visão da propagação de efeitos, geralmente conduzem a decisões erradas a médio e longo prazo.

A saturação do trânsito gera um ciclo que termina pelo não uso do próprio automóvel. Se um automóvel não pode ser usado por causa da saturação do trânsito pelo próprio excesso de carros ou pelo pedágio urbano, então ele não cumpre seu papel. Qual o incentivo de possuir algo tão caro de adquirir e manter como um automóvel se ele não pode ser usado? Se ter o carro se torna tão Yin (algo completamente oposto à visão romântica do automóvel, mostrando que a mesma coisa pode ser Yin e Yang em situações diferentes), não ter carro passa a ser uma escolha Yang.

Em algum instante, essa pergunta irá bater na cabeça dos motoristas, e eles decidem não comprar ou mesmo possuir um carro. Este é um caminho para a redução da frota circulante, o que é um retorno do mundo restrito ao equilíbrio do trânsito.

Ciclos e ciclos

Às vezes pode parecer que o ciclo não fecha. Devemos então afastar nosso ponto de observação para perceber a realidade numa visão mais ampla do ciclo. Um ciclo que não fecha pode ter sido absorvido por outro ciclo, um ciclo pode estar dentro de outro ciclo, um ciclo pode sofrer interferência de outro ciclo, e assim por diante.  E ciclos disparam novos  ciclos.

O fim deste ciclo da compra do automóvel dispara outro.

Quantos empregos dependem da venda de carros? Quantos desses empregos serão afetados pela baixa das vendas? Quanto menos carros, menos empregos. Mas quem perde emprego não compra só carros, como compra muitas coisas de outras pessoas que também compram carros. É um efeito em cascata. São menos empregos, que reduzem a venda de carros, que reduzem empregos... É um ciclo vicioso que só vai parar quando o mundo limitado voltar ao equilíbrio.

É assim que mercados funcionam. Sistemas sociais, ecológicos, climáticos e muitos outros também, e todos estão interligados, porque o planeta representa um mundo limitado único onde todos esses micro-mundos coexistem. Não há uma ação em um desses universos que não cause conseqüências nos demais, por menores que sejam. Não há ações inconseqüentes.

Hoje há escolas de administração e economia que começam a enxergar esta realidade, uma vez que ela não ocorre apenas no setor automobilístico. Maximizar os lucros agora irá gerar em algum ponto no futuro uma resposta do mundo limitado que se oporá a a esta ação. Isso é conhecido como “exploração predatória dos mercados”. Preservar o mercado para o longo prazo começa por não extrapolar os lucros hoje, algo difícil de explicar a investidores e acionistas interessados em lucros cada vez maiores.

Essa mentalidade já tem atingido a direção de grandes fabricantes de carros. Os questionamentos já levaram a uma pergunta importante: o foco das fábricas é vender carros ou oferecer mobilidade? A resposta a esta pergunta modificará os modelos de negócios no setor automobilístico nos próximos anos.

É neste aspecto que os congestionamentos preocupam os fabricantes. Eles precisam buscar novos equilíbrios no mercado para que consigam continuar vendendo carros. O velho modelo caminha rapidamente para seu esgotamento com suas próprias pernas e algo precisa ser feito para evitar o colapso.

Quando vemos projetos tão avançados quanto carros autônomos, pensamos naquilo apenas como uma evolução natural da tecnologia, mas nunca pensamos nas pressões que o mundo em busca de equilíbrio exerce sobre os fabricantes que tentam a todo custo preservar suas vendas futuras. Veremos sombras disso ao longo das outras partes deste conjunto de posts.

Conclusões

Este é um ponto angular da discussão sobre a inteligência das máquinas. Nos consideramos inteligentes, e consideramos que muitas das nossas decisões são inteligentes. Entretanto, muitas das decisões que tomamos podem ser inteligentes a curto prazo, mas a reação do meio a elas podem trazer conseqüências indesejáveis, o que tornam nossas decisões nem tão inteligentes assim. O Gérson é bem o exemplo disso, onde a opção pelo lucro individual imediato e lógico pode ser a tragédia de sua comunidade no médio e longo prazo. Um Gérson sozinho obtém lucros individuais palpáveis aliados a pequenos prejuízos para a coletividade, o que é um incentivo à ação egoísta. Mas se todos forem Gérsons, todos perdem. Então, até que ponto o Gérson, que é uma pessoa que se presume como inteligente, é realmente inteligente?

Se a inteligência das decisões das pessoas nem sempre são realmente inteligentes, vem a pergunta: quão inteligentes deverão ser as máquinas? Boas decisões imediatas podem ser péssimas no médio e longo prazo, e vice-versa. Esta é uma pergunta que permanece em aberto.

Um automóvel inteligente não é apenas aquele que sabe escolher uma rota e evitar obstáculos que surgem inesperadamente. É um automóvel que toma escolhas em um mundo em constante busca do equilíbrio, e cada escolha que a máquina fizer deverá gerar respostas de equilíbrio do ambiente menos danosas para todos. Afinal, não existem escolhas e ações inconseqüentes.

Na próxima parte, os comportamentos emergentes do fluxo dos automóveis.

AAD

Fontes das imagens:
- Autor
- http://steelball18.en.made-in-china.com/
- http://weheartit.com/entry/group/4157711
- http://fotogaleri.hurriyet.com.tr/galeridetay/73885/2/1/24826822/trafikte-dur-kalkin-en-cok-oldugu-sehirler
- http://www.dailymail.co.uk/news/article-2297766/Worst-parkers-Britain-revealed-How-Audi-drivers-ones-avoid-car-park-definitely-Vauxhall-Vectra-wide-birth.html
- http://mirza-shahreza.blogspot.com.br/2012/09/apakah-gelas-ini-setengah-penuh-atau.html
- http://naturasiprieteniisai.sapte.ro/Prez_GPP7_Pitesti_RadoiSt.html


30 comentários :

  1. Saudações da COPESP!!!
    Muito boa essa série de artigos. Me mostrou conceitos novos que eu desconhecia totalmente.
    Obrigado por trazer um conhecimento de alto nível e escrevê-lo em linguagem acessível e de forma resumida. Esses conceitos orientais, pra mim, ainda estão muito distantes, até porque eles chegam a nós ocidentais envoltos em magias e afins.
    Gostei muito da imagem do Fusca YIN YANG!

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    1. Bera Silva, não sabia que vc era colega de COPESP! Fui técnico eletrônico lá entre 1985 e 1986, especialista em levitação magnética.
      Compartilhar conhecimento é um prazer, mas sinto que falta neste mundo individualista e consumista que falta uma grande discussão filosófica. Nas palavras de Schoppenhauer: "Na ânsia de ter o homem esquece de ser. Passa a vida tendo tudo e termina sendo nada.".
      O fusca Yin Yang foi uma necessidade minha para ilustrar o artigo, especialmente pela parte "O Tao do Automóvel", e não encontrei nada parecido na internet. Não me fiz de rogado e fiz a ilustração. E nenhum carro tem um perfil mais parecido com os "peixinhos" do tei-gi que o fusca.

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    2. Eu fui xeretar seu currículo on-line e ví a informação. A Copesp hoje se chama CTMSP. Eu trabalho com processo (aqueles seus textos sobre autorama me ajudaram bastante a entender sobre controle), entrei em 2010.
      Faz falta um cara multidisciplinar lá. Infelizmente trabalhar com tecnologia no Brasil é complicado...
      Eu tive aulas de Filosofia no 1º ano do 2º grau. Posteriormente acabei lendo alguns artigos do Olavo de Carvalho (recomendo a leitura). Infelizmente a Filosofia é negligenciada, justamente ela que é a Mãe de todas as Ciências.
      Apesar de toda a nossa pujança tecnológica, nós ainda somos humanos e somos tão humanos quanto os primeiros homens... Parece que vivemos numa "Matrix", onde somos escravos dos nossos caprichos e prazeres (o ter), sempre em busca da felicidade que nunca chega. Quando alguém tenta sair da matrix, vem uma enxurrada de teorias mil (maçons, alienígenas, mundos distantes, espíritos, seitas, etc.) que mais confundem do que ajudam. Acho que o jeito é voltar aos gregos (Sócrates, Platão e Aristóteles) e a Deus.
      É isso aí, um bom domingo a todos.

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    3. Bera Silva, eu comecei a mexer com sistemas de controle na Copesp e nunca mais larguei. Até quando tive empresa de software de ERP, por longos 12 anos, as teorias de controle me acompanharam.

      Lembra quando escrevi o post "Oraculos e Profecias" (http://www.autoentusiastas.blogspot.com.br/2012/12/oraculos-e-profecias.html)? Muito do software de ERP moderno é feito para ser uma máquina de adivinhações, de previsão de futuro. Nenhum empresário quer ter estoque imobilizado na empresa, mas também não quer perder vendas pelo produto faltar no estoque. Então qual o tamanho ideal de compra de reposição de estoque e qual o instante preciso ele tem de ser feito? Quando um cliente bom e regular vira um mau cliente pra que a empresa não se arrisque com um calote? Essas são perguntas que sistemas de ERP modernos tem de responder. Hoje, sobre isso, está na moda falar em Big Data; há 10 anos a moda era o Data Mining (que está na raiz do Big Data). Mas isso eu já fazia há 20 anos, usando teorias não convencionais de controle de sistemas.

      Na própria série dos autoramas expliquei como funciona o botão "Like" do Facebook. Pura teoria de controle, mas que pouca gente nota.
      Acho gratificante quando vejo respostas como a sua, onde vejo que pude ajudar alguém com aquilo que escrevo.

      Tenho histórias muito interessantes pra contar sobre implementações desses sistemas, algumas minhas, algumas de casos que conheci.

      O mais estranho de escrever sobre essa área é perceber uma coisa muito estranha, característica do Brasil.
      O blog é bem movimentado, e bem reconhecido e recomendado no meio automotivo no Brasil. Todos tem a chance de ler o que escrevo e avaliar meu potencial e o meu conhecimento.
      Não vivem dizendo que faltam profissionais qualificados no país? Indústria automobilística vive chorando esse fato. E um engenheiro da área de controle de sistemas não se forma da noite pro dia e também não encontra na esquina.
      Da mesma forma como vc encontrou minha página pessoal, tantas outras poderiam ter encontrado. Se realmente estivessem precisando de um profissional, seria fácil me achar, e como profissional liberal, estou sempre disponível pra trabalhos novos.

      Pois toda essa minha exposição aqui nunca reverteu numa consulta para um serviço ou numa proposta de trabalho.
      Canso de me perguntar se profissionais com meu perfil realmente são procurados no país.

      Escrever no blog acaba sendo muito mais uma realização pessoal, uma válvula de escape para o meu tipo de entusiasmo. Como vitrine para promoção profissional, como é comum fora do país, nunca reverteu em nada pra mim.

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  2. Conseguiste colocar em palavras o que mal e porcamente eu conseguia raciocinar pensando em tudo isso que está no texto. E garanto que concorda comigo quando quando digo que o simples fato de aproveitar um sinal amarelo ou ignorar uma faixa de pedestres é um comportamento automático nosso de cada dia. Nossa maneira de encarar o dia a dia é como se estivéssemos numa guerra. Nosso povo não luta pra conseguir algo de que precisa. Nós já temos tudo. Nós só queremos é mais e mais e melhor do mesmo que já temos. Melhorar a vida é o que todo mundo quer mas do jeito que estamos sofrendo acho que estamos lutando pelos motivos certos com as armas erradas... Mas para que esse Yang social seja alcançado, vamos ter que penar mais algum tempo nesse Yin. Vivemos com mais paz hoje em dia do que antigamente porque já lutamos tanto no passado não é? Quem sabe estejamos no caminho certo..rsrs

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    1. Juliano Nunes, no final da década de 80 foi feito um experimento baseado na Teoria do Caos e nessas questões de equilíbrio que se tornou clássica, e vem sendo repetida com muitas variações, e os mesmos resultados globais vem se repetindo.
      Foi feita uma simulação de um país, rico em recursos naturais (se descobre isso durante o jogo), mas com um povo pobre e sofredor, que cultiva uma agricultura de subsistência de baixa tecnologia. O povo é ignorante, passa fome, sofre com a saúde precária, etc.. Nesse quadro, colocam um jogador no papel de "ditador bonzinho" para administrar esse país por décadas.
      Pessoas de mais alto nível cultural começam a investir em educação, saúde e rendimento familiar, construía um mercado de consumo, forte exportação, investimento em industrialização, ciência e tecnologia...
      Pessoas de mais baixo nível cultural pouco sabiam o que fazer.

      Conforme a simulação avançava no tempo, os países administrados pelas pessoas de alto padrão cultural prosperavam e a população crescia, enquanto os países administrados pelas pessoas de baixo padrão cultural praticamente não evoluíam.

      Mas o tempo passava, para os países administrados pelas pessoas de alta cultura, aos poucos, recursos naturais e o solo agriculturável se esgotavam, havia poluição e doenças urbanas, a matéria prima e os alimentos de produção local logo se esgotavam e o páis de exportador passava a ser forte importador. Décadas de glória se consumiam em uma pobreza extrema, incontornável. Pragas, doenças, revoluções se sucediam num povo numeroso sem esperança.

      Enquanto isso, os países mal administrados continuavam perenes, quase imutáveis. Havia pobreza, mas havia alimento.

      Muitos podem me atirar uma pedra, mas talvez nossas alguras com os desmandos e corrupção dos nossos políticos hoje podem reservar um futuro melhor (ou menos pior) para as futuras gerações.

      Veja o caso dos Estados Unidos. O antigo Egito foi um império por mais de 5 mil anos. Roma governou o mundo por mil anos. Mas os Estados Unidos subiram à posição que era de Roma ao final da 2ª Guerra Mundial, e hoje o país já mostra nítidos sinais de corrosão de seu poder.

      É estranho, mas a História Universal está cheio de casos assim.

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    2. E agora com a extração do Xisto, coitadinha da Dakota do Norte. E por aí vai...
      quero citar um exemplo de quando eu era criança, quando fui pescar com um cidadão bem pobrezinho, que trabalhava como pé de serra em um serraria tipo pica-pau.
      Seus ganhos era parcos e ele dependia da pesca de anzol para garantir o sustento de seus filhos.
      Era uma noite escura como breu e embaixo de uma pequena ponte começamos a pescar. Aquilo parecia de outro mundo e era um peixe atrás do outro. Jundiás enormes que vinham como que num passe de mágica. Era só iscar e puxar.
      Mas minha alegria terminou cedo, porque ele não me deixou passar do sexto ou sétimo peixe e disse que era preciso parar para ter peixes sempre.
      Se fosse uma pessoa que consideramos desenvolvida, certamente pescaria até o último peixe e por não poder comer todos, venderia o excedente.
      Vou ler mais sobre essa Teoria do Caos.
      Teus textos são excelentes e os leio sempre com muita atenção, apenas mudo o nick, hehehe...

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    3. Celtic, vc me fez lembrar de uma discussão que tive há muitos anos com amigos. Eles estavam doidos pra ir pro Mato Grosso fazer uma pescaria. Fui radicalmente contra e eles não gostaram.
      Quando voltaram, me mostraram as fotos e espumei de raiva. Tinham pego tanto peixe que não deram conta de comer e jogaram fora. E pior, foram pescar em grandes barcos de pesca pra turista. Coisa de mais de 30 pessoas e mais de 100 anzóis na água. É pedir pra degradar a população local de peixes.

      Um me veio com a desculpa da "pesca esportiva". Balela da grossa. Há estatísticas sobre a pesca esportiva no mundo todo. Não basta o ferimento do anzol na boca do peixe. A luta da captura estressa o animal ao extremo. Mais da metade dos peixes ficam tão feridos e estressados que param de comer e morrem poucos dias após a soltura.

      A natureza tolera o seu uso, como a do rapaz que vc descreveu, mas não tolera abusos.

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  3. Concordo em gênero, número e grau.

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  4. Nunca tinha pensando em um mundo desse jeito, na qual existe um equilíbrio e que o universo irá fazer de tudo para retornar a ele. Gostei muito dessa filosofia.
    O problema está em como convencer as pessoas de que a visão egoísta, que lhe trará benefícios a curto prazo, é algo que pode ser extremamente danoso no futuro. É aquela típica visão "fulano está se dando bem fazendo coisa errada", mas pouquíssimos entendem que um dia ele pode se dar mal.

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    1. Anonimo, não é simplesmente uma filosofia. Observe atentamente o mundo à sua volta, e vc verá reações do mundo tentando de volta ao equilíbrio.

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  5. AD abordou uma assunto que deveria ser introduzido em escolas e ser disciplina obrigatória em faculdades e cursos técnicos.
    Teríamos profissionais e políticos com outra visão da realidade.
    Claro que o nosso desencontro com a natureza é que esta tem reações lentas, enquanto que o ser humano trabalha quase que somente com visão a curto prazo, mas algo poderia melhorar.
    As atuais cadeiras técnicas, geralmente estanques e otimizadas em si mesmas, poderiam ter uma mais visão mais eclética da vida, do universo, conciliando melhor a natureza e nossas muitas vezes desastradas ações.
    Mas vamos esperar, o Tao sempre age.

    Com o avanço do conhecimento humano, especialmente na área técnica, percebe-se que cada vez mais diferentes correntes de pensamento convergem para mesmas conclusões, sem chocar mentalidades como acontecia antigamente.
    Os opostos não são opostos, apenas diferentes línguas explicando uma mesma coisa.
    Um exemplo é o excelente livro "O Tao da Física", de Fritjof Capra, de quatro décadas atrás.
    O autor descreve como a física, a filosofia e a religião na verdade parecem ser diferentes visões de uma mesma realidade, muito interessante.

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    1. BlueGopher, a tecnologia por si só não é boa, nem má, mas também é fria, e transforma a vida das pessoas e os ritmos naturais. A tecnologia por ela mesma ou pelo dinheiro é a pior aplicação que ela pode ter. Tecnologia tem que servir ao homem e dar a ele a uma vida digna.
      Sem filosofia para orientar a aplicação, nenhuma engenharia é boa.

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  6. Bravo! Texto excelente!

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  7. Há muitos anos, quando a cor preferida dos carros era aquela tipo palha e suas variantes e que mais tarde passou a ser a cor prata, também com suas variantes. De tanto as pessoas preferirem essa cor, via-se cores bem diferentes dela, mas que precisavam ter no nome o prata para poder vender.
    Já naqueles tempos eu preferia a cor branca e sempre que possível ela era a minha escolhida. Tanto foi assim, que tive tantos carros brancos quanto os de todas as outras cores juntas.
    Recentemente a cor branca virou moda e aqui mesmo no Ae tratado assunto sobre as vantagens que ela tem.
    Agora o André Dantas em excelente artigo, exalta o uso de carros pequenos para equilibrar o seu uso.
    Há tempos que eu também defendo isso. Tanto é que meu carro atual é pequeno e justamente por isso eu sou o do prédio, na praia a ter vaga exclusiva e sem precisar incomodar e nem incomodar ninguém para por ou tirar o carro. Os demais, que ocupam as vagas rotativas, tem sempre o inconveniente de incomodar ou ser incomodado para a mesma situação.
    Nas cidades, pelo menos nas grandes, tenho muita facilidade em encontrar espaço para estacionar e também facilidade para estacionar.
    Aí eu sempre pergunto, quem vive melhor nessas situações? Aquele proprietário do grande SUV que às vezes se parece com um ônibus, ou o proprietário de uma grande picape, ou mesmo de um grande sedã, ou o indivíduo que tem um carro pequeno e condizente com a realidade?
    Em carro pequeno ninguém faz pose e eventualmente até pode ser ridicularizado, mas por dentro, dá para rir dos outros e ser bem feliz.
    Ah! E eu não tenho carro pequeno por não poder comprar um maior, é por opção mesmo.
    Também tem o ponto de vista muito bem colocado pelo autor, sobre como é conviver com os proprietários de veículos avantajados e não venham com essa de que as vagas são pequenas e que os culpados são os outros, porque antes de comprar um carro, é sempre bom verificar o tamanho de sua garagem. E também sabemos que as vagas dos estacionamentos de supermercados e afins são pequenas e estreitas. Então, para que insistir?
    Acredito que se a maioria da coletividade pensasse mais nos outros do que em si próprio, tudo seria melhor.

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    1. Félix, obrigado pelo depoimento. Ele mostra na prática o que a teoria me mostra há muitos anos.
      Infelizmente vende-se ilusões. Lembra dos celulares? Houve a fase que celular era tão mais na moda quanto menor fosse. Agora, quanto maior o telão, melhor.
      Não existe lógica nisso. E mistura ilusão com sonho, com entusiasmo. Nada a ver.
      Alguém duvida que nosso colega AK seja um entusiasta de primeira grandeza? E ele já disse que faltam carros pequenos e leves com motores suficientes, melhores que carros enormes com motorzões. Ele também não morre de amores pelos carros esportivos lotados de eletrônica que fazem o trabalho pelo motorista.
      A realidade é que modismo não tem nada de entusiástico.

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  8. Muito bom o texto André Dantas. Parabéns. Para quem se interessar sobre as energias de equilíbrio recomendo as seguintes leituras : O efeito sombra, de Deepak Chopra e a A ordem implicada do físico David Bohm. O último representa a visão da mecânica quântica em relação aos pensamentos filósoficos de Krishnamurti.

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  9. Li recentemente que os filhos do futuro serão mais baixos que seus pais, ao contrário do que ocorreu até hoje, porque o aumento de tamanho a cada geração foi devido a mudança do tipo de alimentação, e como ela não tem mudado nos últimos tempos, a tendência é a diminuição do tamanho das pessoas.
    Até a natureza humana procura agir com sabedoria, porque pessoas maiores necessitam de mais calorias e é claro, mais alimentos para sobreviver, o que leva a maiores áreas plantadas e a uma maior utilização do solo.
    Então porque temos o péssimo hábito de adquirir sempre coisas maiores?
    Já foi constatado que nos Estados Unidos, as casas da década de sessenta tinham a metade do tamanho das casas atuais.
    Por isso, eu acho que está na hora de aplicarmos a razoabilidade e parar com essa mania de grandeza. E porque não começarmos pelos carros?
    Mas de outro lado, não vejo com bons olhos os "capos" da indústria automobilística que priorizam os veículos enormes, sempre lançando no mercado carros pequenos incompletos ou de mau gosto, como por exemplo o up! sem vidros elétricos nas portas traseiras e o Etios com painel de gosto duvidoso, entre outros.

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    1. Isso já parece estar ocorrendo nos EUA. Um parente distante meu que mora lá disse recentemente que quando lá chegou, no final dos anos 70, os homens pareciam ter "10 metros de altura". Hoje disse estar praticamente na média da estatura da população. "E eu não cresci um milímetro", brinca ele.

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  10. Como um texto destes revela que nós precisamos reavaliar as coisas.

    Até nos detalhes da vida de cada um, se merece(e é necessário) dar atenção às ações e reações, parece que no senso comum há somente a idéia de imediatismo.

    Podemos ver que tudo o que fazemos tem um reflexo, e por vezes não é bem o que desejamos a princípio. Também tem coisas que bem que gostaríamos que o equilíbrio fosse mais tangível, mas precisamos mesmo entender que ele está lá, mesmo que ainda não visível.

    Obrigado!

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  11. fcm, imagina as coinsequências das decisões tomadas pela emoção, sem um pingo de racionalidade. Dizem acertadamente que carro se compra por emoção.Quando falo que é preciso ser racional na compra de carros, já vem os românticos sentando a lenha no que estou falando. Mas otimista esquece que as escolhas não são inconsequentes.

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  12. Andre Dantas, o ideal pra se atingir o equilíbrio é realmente se voltar para o carro pequeno, ou seja, para quilo que atende a necessidade, por isso já até disse num comentario, tinha que ter lei pra isso, o sujeito que tivesse carro grande sem necessidade tinha que pagar mais uma taxa...

    Mas porque estranhamente os EUA ainda não fazem esse caminho, cada vez se vê monstros (vulgo SUVs) maiores e maiores por lá... como a F650! E se pensar que a F150 é um dos carros mais vendidos se ve que eles não mudaram de rumo, estão cada vez mais extremistas.
    Infelizmente, o brasil, como americanos que tambem somos vejo que estamos indo pelo mesmo caminho (resumo de qualquer americano, sul, central ou do norte - bolo de chocolate, com recheio de chocolate, com cobertura de chocolate e flocos de chocolate por cima!) , e logo nossas ruas ficarão intransitaveis com tantos gersons que por não saberem dirigir querem se impor no transito por tamanho.

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    1. Anonimo, existe uma parte do trabalho de Karl Marx que é praticamente desconhecida, mas é tão importante para a ciência da História quanto foi a teoria socialista. Trata-se da teoria do processo histórico.
      Segundo Marx, "todo processo histórico se opõe ao processo histórico anterior, herdando dele características, e exibindo características que marcarão o processo seguinte".
      Em sua argumentação, Marx mostra que todo processo histórico é trocado por outro por um desgaste do próprio modelo, e que um dos sinais da sua substituição é a radicalização do modelo.
      Veja o caso da França. Lá foi onde a Idade Média foi mais acentuada. O processo seguinte, na Idade Moderna, onde o Absolutismo foi também mais radical na França, e não por acaso, a Revolução Francesa ocorreu.

      Se vc pensar em termos taoístas, verá que a teoria de processo histórico de Karl Marx é a própria definição de Yin e Yang dita em termos históricos.

      O mais interessante é que a teoria de processo histórico não se aplica apenas aos grandes eventos históricos, mas aos pequenos também.
      Refaça a linha do tempo dos microcomputadores e dos telefones celulares, e verá o fenômeno do processo histórico em ação, se repetindo por vários ciclos em apenas 30 anos.

      É o que está acontecendo no mercado americano.
      As grandes empresas americanas quase faliram na crise de 2008. Não pense que elas agora navegam em céu de brigadeiro. A situação é tão ruim hoje como era lá atrás.
      Eles vendem esses monstros porque possuem mais margem de lucro, algo que eles precisam pra permanecer de pé. Mas como vimos, isso reverterá contra eles em algum momento.
      Essa tendência de vender carros cada vez maiores é um tipo de "canto dos cisnes".

      Escreva o que estou te dizendo. Daqui 5, 10 anos, voltamos a conversar.

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  13. Poxa André eu me identifiquei muito com o texto, pois sempre menciono a frase "não existe ganha/ganha!" mas não de uma forma pessimista, mas como a bandeirinha amarela/ vermelha que faz ser menos impulsivo e dar aquele 'passo atrás' que foi mencionado no texto.
    Não flerto com comunismo/ socialismo e aplico isso com a analogia das zebras/ leões. Hoje estamos cheios de leões querendo comer outros leões por pura segregação de habitat das zebras que por sua vez estão saindo pelo ladrão de tanto que se multiplicam.

    Um forte abraço
    Márcio Santos.

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    1. Márcio Santos, procure na internet por um vídeo chamado Crash Course de Chris Martenson. Esse autor é vice-presidente da Down Cornning, a empresa que fabrica o Gorilla Glass que é usado nas telas dos melhores smartphones. Não é um comunista que criou aquele vídeo.
      Vc vai ver que rumo o capitalismo tomou nos últimos 50 anos. É um vídeo pra assustar.

      Pra piorar, existem matemáticos, físicos e economistas fazendo simulações de mercados. Todos os modelos convergem para situações de crise que o vídeo aponta.

      Hoje é fácil falar do socialismo, um modelo que já vimos que deu errado. Mas o capitalismo atual também é tão radical a ponto de gerar seu próprio desequilíbrio. E o tombo dele pra nós será muito maior.

      O ideal é sempre manter o equilíbrio, mas nem o socialismo radical nem o capitalismo selvagem estão próximos do equilíbrio. Isso uma hora sempre vai dar errado por culpa do próprio modelo.

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  14. Olá,sou estudante de engenharia e, sinceramente, ler uma coletânea de textos como essa me inspira profundamente.
    O Autoentusiastas é muito importante para minha vida acadêmica e tenho certeza que será ainda mais importante para minha vida profissional.
    Muito obrigado.

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    1. Anônimo, vivemos num país triste. Engenharia não é um setor árido, frio. Há muita arte e muito entusiasmo nela. Mas é preciso ter a mente aberta para perceber isso.
      Infelizmente isso se perdeu no ensino no Brasil. Isso é muito triste.

      Costumo dizer que existem dois tipos de engenheiros. Existem aqueles profissionais que SÃO engenheiros e aqueles que ESTÃO engenheiros.
      Aqueles que estão engenheiros são aqueles profissionais que deixam o título em cima da mesa de trabalho antes de bater o relógio de ponto e fora do ambiente de trabalho não quer nem ouvir falar em engenharia. Os que são engenheiros respiram engenharia 24 horas por dia.

      No Brasil, a maioria que se forma na engenharia está mais interessada em ter um diploma pra mostrar. Não tem talento nem disposição pela área. E isso é muito ruim.

      Fico feliz em ver que meu entusiasmo ajude os mais novos a trilhar esse caminho tão importante pra todos.

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  15. Andre!!! Mais um texto fantástico de sua autoria... Espero seus posts ansiosamente pelo forma simples e eloquente com que voce versa sobre assuntos tão complexos... É até engraçado pois tudo que voce escreve são coisas até cotidianas mas que nos passam desapercebidos. Parabéns e escreva mais, muit mais!!! Quanto à engenharia, tenho minhas decepções apesar de ser um apaixonado. Quando resolvo alguma coisa em meu trabalho usando os fundamentos de cálculos, geometria, ou mesmo de matemática básica como responder quanto significa 14 pés em um determinado compartimento, algumas pessoas se supreendem!!! Por vezes até vira motivo de chacota!!! Rs!! Os engenheiros de hoje, ao que me parecem e com raras exceções, estudam para passar de ano e não para realmente aprender. Fiquei indignado com um colega certa vez que disse não saber calcular uma pequena mola helicodal simples, justificando que havia se formado a mais de 3 anos e não lembrava!!!! WOW!!! Imagina se voce chega ao PS com uma apendicite e o médico diz que como faz 3 anos que se formou não lembra como operar um apêndice!!!

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  16. Nunca pensei em sua indagação sobre os bons profissionais dessa forma, mas sempre achei que alguns ótimos profissionais não são reconhecidos.
    Faço engenharia elétrica e 90% do que aprende sobre controle tem origem nos seus artigos.
    Muito obrigado e parabéns!
    Pedro

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