IMPÉRIA GP, UM RETRÔ BELGA DE ALTA TECNOLOGIA

O belga Impéria GP

Da cidade universitária de Liège, na Bélgica, ponto de encontro de várias culturas, surge a proposta de um esportivo "verde", ou "azul", como normalmente são classificados no continente europeu os veículos de orientação ecológica.

Assim como outras cidades da Bélgica, Liège é jovem no espírito e milenar em civilização. Do outro lado do país existe outra cidade com uma formação parecida a esta, Leuven, neste caso uma cidade no lado flamenco da Bélgica. Liège está no lado de língua francesa, porém tão próxima da Alemanha e da Holanda que o seu tecido urbano e seu modo de ser são na verdade uma constelação de tradições.

Desenho retrô curvilíneo


Uma bela e moderna estação de trem contrasta com os castelos e as vias para pedestres do centro de Liège, que cortam os burgos medievais ainda preservados. O rio Maas contorna a cidade, depois de banhar a cidade de Maastricht, na Holanda.

Fundada em 2001, a Green Propulsion é uma empresa que foi incubada na Universidade de Liège. Especializada em veículos “limpos”, cresceu rapidamente e já tem seu importante papel na engenharia de desenvolvimento de soluções alternativas para propulsão automobilística.

A marca escolhida para o modelo objeto deste post, Impéria, é antiga e remonta aos anos 1900. O Impéria GP representa um ousado grã-turismo, leve e com desempenho superlativo, atendendo a todos os seus pré-requisitos.

Depois de mais de 50 anos hibernando, o nome Impéria volta em desenho retrô num híbrido idealizado por um grupo de entusiastas em velocidade que ajudaram a Green Propulsion a encontrar a fórmula que honraria o planeta e a pequena Bélgica, revivendo aquela que havia sido a última marca de veículos daquele país.

O Impéria GP é propulsionado por um sistema híbrido controlado por uma central eletrônica que, de modo contínuo, executa o balanço otimizado entre a unidade térmica (ciclo Otto), o motor elétrico, as baterias e a transmissão da força para as rodas.

Aqui, tudo convencional

O motor, ou sistema motopropulsor, é baseado em três componentes de energia. Um clássico quatro-cilindros de 1,6 litro com injeção direta de combustível e superalimentado por turbocompressor é uma parte da composição de forças e entrega 200 cv. Um motor elétrico de fluxo axial conecta-se ao motor a combustão através de uma caixa de transmissão e é capaz de gerar mais 150 cv. O conjunto de baterias de íons de lítio armazena 11 kW·h. As fontes de energia são então completadas pelo tanque de combustível e um conversor de 3 kW para carregar as baterias com o carro em movimento.

Retrô, sim, mas eficiente

A parte "limpa" da energia propicia ao Impéria uma autonomia em modo exclusivamente elétrico, sem emissões locais, de até 60 quilômetros. Ao apertar de um botão o motorista pode, a qualquer momento, escolher o tipo de propulsão requerida, elétrica pura ou híbrida. Através de um outro controle ele pode também decidir pelo uso das baterias até elas se esgotarem, quando o Impéria passa automaticamente para o modo híbrido. Existem ainda as opções de deixar uma reserva de energia elétrica para uso urbano, esgotar completamente as baterias e continuar em modo híbrido sem recarga (por exemplo, ao se deseja recarregar completamente na garagem de casa) ou reiniciar o carregamento das baterias durante a condução em modo híbrido.

O conceito perseguido pelos projetistas do Impéria GP foi de criar um híbrido veloz capaz de otimizar as emissões de CO2 durante a condução. As decisões do veículo que consideram a operação entre as fontes de energia disponíveis visam minimizar a poluição do ar.

Soquete de carga: estará o futuro aí?

Todos os estágios do sistema de fornecimento de energia e sua transformação em movimento foram mapeados para permitir a comparação entre o nível de emissões do motor ciclo Otto e o sistema elétrico. A precisão do cálculo inclui requintes como, por exemplo, a emissão de CO2 na extração de petróleo, o transporte até às refinarias e pontos de distribuição; até mesmo as contaminações durante o processo de transformação nas refinarias foram considerados. Um mapeamento completo de emissões CO2 diretas e indiretas foi preparado e pré-calculado usando como base as médias de consumo de combustível em cada situação do veículo.

Nas questões elétricas lembramos que cada elétron retirado do conjunto de baterias irá necessitar uma recarga equivalente para a recuperação da energia disponível. Entretanto, a descarga e a recarga das baterias não dependem apenas da demanda do motor ou do novo fluxo de energia. O nível disponível de carga e a temperatura, por exemplo, afetam o comportamento do conjunto.

Convite para acelerar

Estas variáveis, assim como fatores externos e relacionados à emissão de CO2 na produção de energia elétrica,. foram consideradas para o desenvolvimento de uma média teórica de CO2/kW·h.

Usando todos esses recursos matemáticos, um mapa de emissões CO2 foi criado e calculado para ambos os motores do Impéria GP. O controle de emissões funciona em função da solicitação de força e, portanto, o cálculo entrega um valor para todas as velocidades possíveis. Através de um algoritmo desenvolvido internamente pela Green Propulsion, busca-se uma otimização que determina a divisão ideal entre a força entregue pelo motor a combustão e a do elétrico.

O motorista pode arbitrariamente desprezar este cálculo a seu critério, por exemplo para acelerar a descarga da bateria se a intenção é parar o Impéria para recarga. O carro pode ser recarregado em uma tomada comum de 220 V, quando as baterias completam sua carga em 4 horas e meia.


Passeio ecológico?

O projeto buscava minimizar as emissões de suas energias primárias, conseqüentemente uma das medidas de desempenho é subjetiva, dependendo ainda das regulamentações presentes em cada país. Pelo atual ciclo padrão europeu de medição de consumo, indicado no caso de híbridos com dispositivo de recarga externo, o Impéria pode rodar até 52 kml com 1 litro de gasolina e consumir 11,5 kW·h por 100 km. A emissão de CO2 fica em 50 g/km (um Ford Fiesta 1,4-l emite cerca de 150 g de CO2 por quilômetro). A proposta do Impéria GP é acelerar com a consciência limpa.

Curvas também no interior do Impéria GP

Os 350 cv, apoiados no fantástico torque constante gerado pelos motores elétricos, elevam o desempenho do Impéria para o nível dos bons esportivos. A aceleração da imobilidade a 100 km/h é feita 4 segundos, mas sua velocidade máxima é limitada a 220 km/h em razão da rápida descarga das baterias além deste ponto.

Após alguns projetos e conceitos de veículos híbridos anteriores, os três fundadores da Green Propulsion, Yves Toussaint, Nicolas Naniot e Bernard Loly, ressuscitaram uma marca esquecida na Europa. Curiosamente, os Impérias de 1907 eram automóveis movidos a energia elétrica.

Ressuscitando a velha fórmula, repleta agora de nova tecnologia, o Impéria GP integra também um sistema de acoplamento de velocidades projetado pela Green Propulsion que, na verdade, equivale a duas caixas de quatro marchas cada uma. A criatividade impera também no método de produção desta unidade de transmissão. Em vez dos clássicos moldes usinados em aço, os engenheiros da Green Propulsion procuraram uma empresa para desenvolver as matrizes em impressão 3D para, assim, obter os moldes de areia que são utilizados na fundição dos componentes em alumínio das carcaças da transmissão.

Sistema de propulsão do Impéria

Os Impéria originais, carros e motocicletas, foram fabricados de 1904 a 1958. Para comprar o direito de usar a marca, a Green Propulsion gastou € 400 foi criada uma empresa afiliada, a Impéria Automobiles. A partir daí um estilo aristocrático e lembrando veículos de uma outra era da própria marca, foi idealizado. Um pouco do alemão Wiesmann GT e mesmo do inglês Morgan Aero pode ser identificado no Impéria GP, mas isso não é um problema ou uma afronta, uma vez que dotar o esportivo de criatividade e soluções "limpas" era a meta principal.

Permissão para curtir

O motor térmico vem da parceria BMW/PSA Peugeot Citroën que desenvolveu o 1,6-litro turbo THP usado nos MINI, Peugeot e Citroën que conhecemos aqui. O torque total, combinado com a unidade elétrica, é de incríveis 62 m·kgf.
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Esta força é suficiente para levar os 1.200 kg do Impéria GP a uma condução esportiva e agradável, despejando charme por onde passa com seu estilo retrô cuidadosamente desenhado e um apelo "verde" que certamente tem o seu valor.

Enquanto tudo parece muito bom até aqui, chega-se a um ponto negativo da proposta do GP, infelizmente grande e importante: preço. O Impéria GP custa em torno de € 150 mil, bem caro, portanto. A produção começa com uma cadência de 100 unidades por ano, sendo que a empresa anunciou intenção de dobrar essa produção. De qualquer modo, a proposta do pessoal da Impéria Automobiles parece, no mínimo, ousar na mistura de ecologia e esportividade.

Já se viu outras incursões neste campo e ainda são aguardados os reais resultados e a sustentabilidade deste tipo de proposta.

O novo encontra o tradicional, na proposta da empresa

Assim é também a Bélgica, aparece pouco, mas quando o faz é para ser notada.

FM


Fotos: carscoops.com

8 comentários :

  1. Eu acredito que enquanto não houver um sistema de armazenamento de energia elétrica mais eficiente o carro elétrico não decola. Teremos híbridos, apenas.

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  2. Gostei de ver que, finalmente, alguma empresa decidiu fazer as "contas de padeiro" para emissão de CO2 da forma correta, incluindo aí o que é gerado para produzir eletricidade. Portanto, o Impéria GP consegue otimizar o uso de energia, o que é louvável.

    Porém, a encrenca é que toda essa tecnologia ainda custa (muito) caro nos dias atuais, transformando o Impéria GP em mais um carro de nicho, que vai ser adquirido por aqueles que querem mostrar para o mundo que têm (e podem pagar por) consciência ecológica. A proposta do carro é excelente, mas por esse valor, não o compraria, mesmo que tivesse os 150 mil Euros para pagar, pois tem muito carro entusiástico até esse limite de preço.

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    1. Realmente Road Runner, pois parece que tem gente que acha q a energia elétrica surge do nada...

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  3. 1200 kg...bom peso para esse esquema de propulsão híbrido.

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  4. Particularmente, não gosto de baterias... São uma praga, que se descartadas em qualquer lugar, causa um estrago ambiental maior do que qualquer motor de combustão interna em todo seu ciclo de vida. Duvido muito que as baterias dos híbridos durem mais que 10 anos... (O que é perfeitamente aceitável em alguns países da Europa e no Japão, já que lá está é a idade máxima da frota) Mas suponha o seguinte: que eu tenha comprado um híbrido no ano de 2004, passado 10 anos, a bateria não tem mais a capacidade de se manter carregada... Fatalmente o motor de combustão, devera trabalhar mais do que o necessário, para tentar carregar a bateria, e ainda mover o pesado automóvel. (Sim os híbridos são muito pesados) como o motor combustão, é sub-dimensionado para fazer todo esse trabalho, fatalmente o meu consumo de combustível, ficará pior do que a de um carro não híbrido, sem contar com o desempenho, que sem a assistência elétrica, ficará horroroso! O valor de venda do carro, seria de no máximo U$ 10.000, e para trocar a bateria defeituosa, precisaria gastar uns U$ 30.000. Do jeito que está, não dá para vender... Então qual é a solução? Venda a encrenca para um desmanche, por no máximo 3.000 reais! Muito legal, né, ter um carro descartável, com prazo de validade determinado! A dona de um Civic Hybrid no EUA esta processando a Honda, exatamente por esse motivo. Carro hibrido/elétrico é engodo para eco-chatos. O maldito pânico do carbono! O grande problema do aquecimento global, é a energia suja produzida pela China, EUA e Rússia... Muito controverso, carregar o carro elétrico ou hibrido com energia produzida pela queima de carvão!

    http://www.noticiasautomotivas.com.br/honda-civic-hybrid-polemica-por-causa-do-consumo-de-combustivel/

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    1. Perfeita sua colocação! Sem falar que possivelmente este ano teremos racionamento de energia devido ao baixo nivel dos reservatorios que abastecem as usinas hidreletricas na região sul/sudeste. E aí, vai recarregar as baterias do carro onde? Sem falar que no ano que vem teremos aumento das tarifas de energia devido ao maior uso das usinas termeletricas para suprir a falta das hidreletricas. Vai valer a pena recarregar as baterias do carro? Carro eletrico, pura balela (pelo menos no brasil)

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    2. Palmas para você Jesus Nascimento. Não preciso nem fazer cálculos para saber que gerar energia elétrica, do modo como é gerada hoje na maioria do mundo ( com exceção da França que pulou na frente e usa a forma mais segura e limpa de produzir energia - a nuclear ) e construir baterias, além de gerarem um lixo indesejável após decorrida a sua vida útil, é mais prejudicial a nível de impacto ambiental e exaurimento de recursos, do que a forma tradicional de veículos a combustão.

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  5. Se tirar a capota do carro, ele fica parecido com a versão modernizada que o irmão do Décio desenhou: http://irmaododecio.blogspot.com.br/2009/09/mplafer.html

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