ROTAS DE FUGA


No último domingo precisei ir ao interior de São Paulo e logo cedo deixei a capital pela Marginal Pinheiros. Mal entrei na rodovia SP-280 (Castelo Branco) e fui obrigado a pagar o famigerado pedágio da praça de Osasco, aquele que "rachou" o valor cobrado na antiga praça de Jandira.

O objetivo dessa praça? Diz o governo que foi uma forma de cobrar o pedágio de uma forma mais justa. Sob a minha ótica, foi só uma forma institucionalizada de assaltar quem mora em Alphaville e trabalha em São Paulo e vice-versa.

A viagem correu bem, mas ao chegar ao meu destino decidi fazer algo que há muito não fazia: bolar uma "rota de fuga" do pedágio de Osasco, só de pirraça. Tarefa muito fácil para quem tem um GPS e acesso ao Google Maps, uma das ferramentas mais valiosas já colocada à disposição da humanidade. Tão fácil que decidi voltar a São Paulo sem pagar pedágio algum! E tive sucesso na empreitada, embora eu considere necessário fazer algumas observações:

- Perde-se muito tempo andando devagar em vias secundárias, pois a velocidade dificilmente supera os 60 Km/h, o que pede uma terceira ou quarta marcha, dependendo do escalonamento da sua caixa. Sem falar nos dejetos viários, as lombadas.

- Nem sempre uma rota de fuga é bem conservada. Já tracei rotas que passavam por estradas perfeitas, de visual maravilhoso (onde vale a pena trafegar a apenas 60 km/h), mas a grande maioria castiga demais rodas, pneus e suspensão. Muitas chegam a comprometer o alinhamento da direção/suspensão.

- Rotas de fuga podem ser perigosas. Longe dos olhos da maioria, muita coisa errada acontece em estradinhas vicinais: assassinatos, "desova" de cadáveres e consumo de entorpecentes, entre outras coisas. Também há sempre em mente o risco de um assalto.

Do ponto de vista econômico, rotas de fuga quase sempre são um péssimo negócio: gasta-se mais combustível, perde-se mais tempo e aumenta-se consideravalmente o risco de se danificar o automóvel. E quando isto ocorre, geralmente não há um telefone de socorro por perto e mesmo que você tenha um celular, vai demorar um tempão até o guincho da seguradora poder identificar seus pontos de referência, fazendo de você um alvo fácil da bandidagem.

As rotas de fuga valem a pena quando servem de alternativa a uma rota principal que está congestionada ou bloqueada: nestes casos, elas valem cada centavo, pois trafegar lentamente por um caminho mais longo sempre é melhor negócio do que ficar parado num caminho mais curto. Sempre vale a pena estudar os mapas de alguns bairros e estradas e conhecê-los pessoalmente, buscando sempre a melhor alternativa.

E o mais importante: rotas de fuga não devem ser divulgadas. Cada um que crie a sua e faça bom uso quando julgar conveniente e oportuno. Se você divulgar, logo acabam com ela e aí todo o seu trabalho irá para o lixo.

A rota abaixo eu fiz por fazer, nem sei se é viável. Mas sei que alguns amigos em Atibaia conhecem boas rotas para fugir do pedágio da Dom Pedro, mas nem sempre é conveniente usá-las.

FB

12 comentários :

  1. Moro em Paulínia, perto de Campinas, e certa vez tracei uma rota para Campos do Jordão que evitasse todos os pedágios - o que significa não usar a Dom Pedro, a Dutra ou a Carvalho Pinto. Mesmo com 40 km de estrada de terra entre Joanópolis e São Francisco Xavier, não consegui evitar o pedágio da Rodovia Fernão Dias, perto de Socorro!

    O percurso ficou bem interessante, e o carro tem que ser parrudo! Vale como aventura mas definitivamente não dá para repetir a brincadeira.

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  2. Essa rota para CDJ eu conheço. melhor mesmo é de ir de moto, de preferência uma on-off road, tipo XT-660 ou NX-4 Falcon, que vão bem tanto no asfalto como na terra, mas sem exageros. Vale pela paisagem.
    Bitu
    Esses safados das concessionárias já conhecem todas as possíveis rotas de fuga. O fato de se obter sucesso ou não vai desde os riscos que o motorista corre, como bem você menciona a até a demanda provocada. Significa dizer o seguinte: Se os caras percebem uma queda no movimento na via principal, rapidamente bolam uma armadilha para que você deixe mais algumas moedas em seus caixas.

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  3. FVG, para eles o que interessa é bloquear o "grosso", ou seja, o pessoal que abre mão do valor cobrado na praça de pedágio.

    Eles até conhecem algumas rotas, mas sabem que não pode, fechá-las. Por exemplo, saindo de Alphaville, antes do trevo, você já encontra placas dizendo "São Paulo, + rápido, + seguro, via Castelo".

    Ou seja, já colocam na cabeça do cara que a rota de fuga é mais perigosa. Nisso eu concordo, mas todos devem ter o direito de escolha.

    FB

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  4. Economicamente, na maioria dos casos, as rotas de fuga funcionam, sim! Há um gasto maior com combustível mas esse gasto é menor que o valor do pedágio.
    Pra quem é do Vale do Paraíbe e quer ir pra SP, há uma boa rota de fuga por Mogidas Cruzes (estrada velha. Depois, pega-se a Mogi-Dutra.

    João Paulo

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  5. Só pra complementar, como se diz na propaganda do cartão de crédito: deixar de pagar pro governo não tem preço.

    João Paulo

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  6. Se for estrada de terra já descarto na hora. Economiza-se no pedágio mas o custo no combustível, desgaste do carro e o stress de ter que ficar atento e desviando de buracos e costeletas não compensa.

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  7. O problema nem é tanto o chão grosseiro, pois um jipe ou suv mais parrudo tira isso de letra, e sim o que foi citado, de crimes, assaltos etc. Fosse só o problema da trilha, faria até questão de pegar essas rotas de fugas, só pra exercitar um pouco o jipe (e deixar de pagar ao governo, o que não tem preço, como disseram).

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  8. Costumo deslocar-me frequentemente para uma localidade a 100km de onde moro, aqui no interior de SP. Se for pela via mais rápida, SP280 (Castelo Branco), leva-se não mais que uma hora, e paga-se 3 pedágios. Se for pela rota alternativa, leva-se 1 hora e 20 minutos, não paga nenhum pedágio, o alfalto é aceitável, e gasta-se menos combustível, por trafegar a velocidades menores. Prefiro sair mais cedo de casa e dirigir tranquilamente a 90km/h, do que pagar 3 pedágios e gastar mais combustível por "ter" que andar a 130km/h (ninguém aguenta andar devagar numa estradona como a Castelo).

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  9. Cada caso é um caso, em alguns pode compensar, em outros é trocar seis por meia dúzia ou, pior, pode acabar saindo mais caro.
    Agora, mais importante que bolar rotas de fuga e coisas do gênero é pressionar o governo a rever os contratos absurdos de pedágio, que aumentam de forma abusiva.

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  10. Se atalho fosse bom ja teria sido promovido a auto estrada.

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  11. Se a cancela não for de aço, for aquelas com espuma envolta... é só furar!!! Assim como nosso amigo governador não sei quem que passou por várias sem pagar.

    Sabidão2

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  12. E vcs acham que o governo que institucionalizou o pedágio caríssimo de São Paulo irá mudar as regras do jogo?

    São eles quem mais ganham com isso!!!

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