IKENGA GT - CRIANÇA NÃO ESQUECE


Ikenga Mk I com o criador, David Gittins, 1967.

O Ikenga é um carro cujo nome ficou gravado em minha mente desde uma foto que vi na revista Manchete, no longínquo 1969. Dizia a pequena notícia que o carro tinha o nome de um lendário monstro africano. Claro que monstros estão entre as preferências máximas dos meninos pequenos, e talvez por isso, não esqueci mais do sonoro nome. Decidi agora procurar algo mais sobre o carro que nunca esqueci, e encontrei essas poucas fotos, além de descobrir que não foi apenas um carro, mas uma sequência de três, todos feitos sobre o mesmo chassis e mecânica. Além disso, Ikenga não é um monstro.

O designer e fotógrafo David Gittens, americano de origem africana, homenageou um deus do povo que fala a língua Igbo, da Nigéria, cujo significado para eles é "a força criativa vital do homem". Seu trabalho foi desenvolvido em Londres, em uma empresa que organizou e batizou de Ikenga GT Motorcars, cujo site está aqui.

Gittins é praticamente desconhecido no atual universo dos carros, mas essas suas obras não poderiam passar sem o registro em nosso blog, que preza pela cultura automobilística antes de tudo. Ele não se dedicava apenas a automóveis, havendo também um girocóptero com o mesmo nome, e outras criações diversas.

O mais notável desses carros era a aparência de carro do futuro, ao menos como se enxergava o futuro na década de 60. Linhas muito simples e aerodinâmicas, notadamente o terceiro protótipo. Os três carros foram feitos a partir de um mesmo McLaren MkI, com mecânica Rover V-8 de 3,5 litros, bloco e cabeçote de liga de alumínio, um motor conhecido por ter origem Buick, e ser aplicado primeiramente nos Rover, e depois nos Land Rover e em muitos esportivos ingleses.

Ao final, a altura dos carros não ultrapassava 39 polegadas, uma a menos que o Ford GT40, o que dá uma idéia de quão compacto era, e a massa de aproximadamente 1.800 libras, ou 820 kg. A execução física ficou a cargo de Charlie Williams, um artesão inglês renomado, que escolheu o alumínio para dar vida aos modelos e desenhos de Gittins.

Para não chamar atenção apenas pelo estilo, os carros adotaram alguns itens de tecnologia que eram muito novos à época. Havia câmera para retrovisão, sistema eletrônico de aviso de proximidade de colisão, e sensores de proximidade por ultra-som para estacionamento. Além disso, faróis de lâmpadas fluorescentes para dirigir na cidade, e um item muito curioso e que nos deixa ávidos por uma foto noturna: o Mk I tinha pintura refletiva na carroceria.

No Mk II foi adotado um volante escamoteável para facilitar entrada e saída do motorista, além de forro de teto fosforescente para iluminar o interior do carro à noite, com uma luminosidade que pode ser chamada de futurística. Após a construção do Mk II, Charlie Williams faleceu de ataque cardíaco, e David Gittens foi auxiliado pelo engenheiro, piloto e designer de carros de Fórmula 2, Roger Nathan, que já fazia parte da equipe.

Dessa forma, conseguiram construir o Ikenga GT Mk III em 1969, chegando a expô-lo nos salões de Paris e Turin, e tendo sido apresentado em um programa de televisão da BBC, o Tomorrow's World.

Após as exibições, o Ikenga foi exposto por um tempo na ilha de Man, no Manx Motor Museum e há informação sobre ter sido leiloado em 1998 em Londres . A atual localização do Ikenga não é conhecida, a aí está uma curiosa pesquisa a ser feita por algum amigo leitor.

Sem dúvida, é muito bom ter pequenas lembranças de infância.

JJ

abaixo, o Mk II, de 1968


















o último, Mk III, de 1969


10 comentários :

  1. Muito interessante os Ikenga. Carros desconhecidos que já traziam tecnologias tidas como "inovadoras" hoje em dia. Algumas delas sequer são cogitadas atualmente. E tudo isso em 1969...

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  2. kenga aqui por essas bandas é sinonimo de prostituta

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  3. imagina ter um carro com o nome de kenga!
    vou levar a minha kenga hoje para trocar o óleo

    huahauhauahauhauuhau

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  4. Anônimo, você é muito engraçado. Mas lei de novo: IKENGA.
    QUENGA é outra coisa, sacou ?

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  5. Carro avançado hein?
    Parece uma nave de desenhos japoneses dos anos 80.

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  6. Facilidade de manutenção e alegria dos mecânicos, com TODAS as partes da carroceria móveis.

    abs.

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  7. Muito estranho,mas vendo as fotos comecei a lembrar do Ikenga.
    Se não fosse o post nunca mais iria lembrar do carro.

    abs

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  8. AG,

    que tal um motor Rover V8 destes em um Chevettinho? Será que cabe? E com que caixa? .....estas idéias me atormentam, hahaha.....Abs.

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  9. Azis,

    Não acho boa idéia, é um motor caro e dificil de fazer e retrabalhar, o V6 262 da Bçazer rende mais que ele, é facil e tem disponivel e sai uma adaptação muito mais em conta. Aqui no blog mesmo eu já postei sobre um que fiz aqui. Esse motor Olds/Buick Rover fascina muita gente, mas na verdade é um motor complicado de se brincar com.

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  10. AG.

    Obrigado pela informação. O post do motor Blazer Eu li, re-li, e tenho estudado muito, pois a Marajozinha vai ganhar uma "força" extra, com certeza. Abs.

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