google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 DANDO A MÃO À PALMATÓRIA - AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

DANDO A MÃO À PALMATÓRIA

Faz um bom tempo que não apareço por aqui, mas isso aconteceu porque as horas livres estão cada vez mais raras e curtas. Graças a Deus. Mas como sobraram alguns minutinhos, vamos ao que interessa.
Acredito que não seja do conhecimento de todos, mas nunca fui muito simpático aos carros franceses. Sempre infernizei a vida do Bill Egan por causa disso, um grande admirador desses carros. Eu tinha meus motivos para não gostar muito deles. Acho até que meu passado traumático de quem estudou em colégio francês explica um pouco esse sentimento. Mas na última semana um carro francês me despertou a atenção.

Fiquei uma semana com um C4 Pallas Flex manual. Nunca tinha andado nesse carro, somente na Grand C4 Picasso e tinha gostado. Tinha achado muito francês para o meu gosto, mas tinha gostado. Bacaninha.

Aí, na semana passada fui buscar o Pallas. Me emprestaram um champagne. Pensei... "Tinha que ser francês. Por que não faz prata de uma vez. Vai fazer champagne???" Detalhe: o nome da cor é prata.... Mas vamos lá...
Entro no carro e aquela profusão de visor... Tudo digital e para onde você olha, visor. Visor com barrinhas, numerinhos, letrinhas passando etc, etc... O bom e velho quadro de instrumentos na minha frente???? Que nada...


Aí viro o volante e o cubo central fixo... Mas que coisa!!!! Para que fazer assim??? Todos os fabricantes no mundo usam o volante convencional, mas a francesada tinha que inventar uma moda. Tudo bem que a justificativa de acondicionar melhor as bolsas infláveis é válida, mas todos os fabricantes no mundo conseguem fazer um volante tradicional, sem essa frescura toda. Mas vamos que vamos... Coisa de francês....




Fico uns 10 minutos me ajeitando no banco e não encontro posição legal de dirigir. O pessoal da Citroen achando que eu sou um retardado, mas continuo lá. Fico um pouco constrangido e saio com a posição de guiar em 60% boa. E assim vou... mexendo em todas as regulagens possíveis. Até que consigo uma... Três dias depois. Satisfeito??? Que nada... Descubro que o banco de couro escorrega...
Mas vamos que vamos....
Ligo o som, o ar e encaro o trânsito de SP. Em poucos segundos começo a sentir um cheiro doce, agradável num primeiro momento, mas enjoativo em seguida. Lembrei... Este carro tem perfuminho que sai na ventilação... Mas que coisa de francês... Só podiam fazer biquinho para falar mesmo.... "Como é que tira esse negócio daqui, senão vou passar mal aqui dentro." Fuço no porta luvas e descubro uma caixinha com duas essências. Penso: "Estão conspirando contra mim". Pelo menos consegui fechar a saída de ar e anular o efeito do "perfume".


Volto a me concentrar na condução do carro e como o trânsito para, presto atenção no rádio. Vou programar minhas estações prediletas. Faço sem problemas, apesar da demora na resposta do rádio logo depois que se aperta o botão. Feito tudo isso, passo a utilizar os comandos no volante. Eles são formados por botões e por umas bolinhas para girar e selecionar a estação programada. As estações estão numeradas de 1 a 6 em uma lista sequencial e estava sintonizada na 2. Giro a bolinha para cima para sintonizar a estação 1 e o que acontece??? Ela vai para a 3!!!!!! Giro para baixo e a estação volta para a 2!!!!! Como assim??? Esse treco está invertido!!!! Mas será o Benedito???? Não dá para fazer um negócio lógico??? Se desenham uma lista e te propõe que você a utilize girando uma bolinha, faz todo o sentido do mundo que as programações para baixo sejam selecionadas girando a tal bolinha para baixo e as de cima, para cima.... Não na França...

Mas tudo bem... vamos que vamos... Começa a chover. Esse carro tem sensor de chuva, um equipamento que, em qualquer carro, é ruim... No mínimo, estranho, pois quando chove ele não liga e quando tem duas gotas no para-brisa ele liga no máximo... Pensei. "Não quero essa porcaria ligada". Ligo uma varrida, pois a chuva ainda estava fraquinha. Uma garoa. Ele passa uma vez e trinta segundos depois... liga no máximo num movimento frenético.... Hã??? O que está acontecendo com esse carro??? Esses carros franceses. Esses caras só servem para fazer perfume, queijo e vinho mesmo...

No Pallas, ao acionar a função de uma varrida, ele liga o sensor de chuva. Assim, na prática, a função de uma varrida inexiste, pois é acionado o sensor de chuva que para ser desligado, é necessário que você coloque a alavanca na velocidade 1 e retorne para o neutro ou desligado. Uma lógica só compreendida depois de muito vinho.... francês.... Não seria mais simples criar um estágio de posição da alavanca para o automático, como a grande maioria faz??? Ou melhor, como tem no próprio C4 para acionamento do sensor de faróis???? Na minha opinião seria, mas não sou francês....
Pensei em ligar para o Bill e mandar o carro para ele. Ele que compra carro francês e perfume alemão.... Não eu!!!!!!!



O carro anda muito bem e gostoso. O motor 2,0-l de 151 cv quando abastecido com álcool forma um belo casal com o câmbio manual de cinco marchas. E nesse aspecto temos que parabenizar a Citroën por acabar com a ditadura do câmbio automático para as versões topo de linha. Não é por que eu quero um carro bem equipado que sou obrigado a levar o câmbio automático. Salvo engano, todos os seus concorrentes fazem isso. Aí, percebo que a direção elétrica é boa na cidade, mas meio chatinha na estrada devido à grande assistência. A progressividade dela deveria ser um pouco maior. Além disso, ele tem algo curioso. No trânsito quando passamos de primeira para segunda, e, depois de engatada a segunda, se a rotação estiver a menos de 2.000 rpm, ele engasga. Em contrapartida, se estico a marcha e tiro o pé em segunda mesmo, mas a uma rotação mais alta, o freio motor dele é quase nulo.... Vai entender... Um saco... tem que toda hora prestar atenção no que o carro vai fazer...
Devolvi o carro ontem. Vocês podem achar achar que eu estou feliz da vida por isso, né... Mas não estou não. Estou triste. O último carro que me deixou triste assim foi o Punto T-Jet. Mas por outros motivos....

O C4, com todas essas coisas que escrevi aí em cima, com todos esses "defeitos", me cativou. Me conquistou. Por que??? Acho que justamente por causa desse monte de coisa que enche o saco num primeiro momento. O Pallas é um carro que te faz pensar, te deixa acordado, te exige atenção e, em função de tudo isso, interage com você. Te deixa vivo....
Ele se torna parte de você e você dele. Isso é muito bacana.


É extremamente agradável você perceber que não está sentado em uma máquina apática, robotizada, que faz tudo bonitinho e certinho, que não pede para você olhar no painel do carro de vez em quando, de forma que você precisa pensar para descreves como é o painel do seu carro, pois você mal olha para ele. O do C4 você lembra, não só pela peculiaridade do desenho, mas por que toda hora ele está "falando" com você. "Olha, liguei isso, liguei aquilo, desliguei isso, vou desligar aquilo. Uma chatice.... Mas uma chatice bacana... A chatice que te faz lembrar que o carro ali embaixo está vivo e falando com você. Que mesmo sendo um monte de perfumaria e bobageira que ele tá fazendo e te informando, ele está ali trabalhando e tentando te agradar....

Além disso, na hora de dirigir, ele é bom. Muito bom!!! Se contar que você não dirige no automático. Tem que prestar atenção nele. E isso é bom. Esses carros esterelizados de hoje te fazem sentar no banco e movimentar o pedal direito e só.... Mas vira-se o volante. O Pallas é um pouco diferente. Você quer guiar assim? Vai conseguir, mas vai precisar de mais tempo atrás do volante dele para fazer isso direito, pois o carro vai exigir mais de você. E quando você chegar nesse estágio, não vai querer mais, pois vai descobrir que é bacana guiar prestando atenção e que é muito melhor do que parecer que está brincando de videogame ou de carro elétrico.

Estou louco para andar no C4 Hatch. Gosto muito do desenho dele e não vejo por que ele não ser tão bom quanto o Pallas. Definitivamente, o C4 está na minha wish list. Ao lado do Punto que sempre gostei....

Nunca achei que diria isso, mas finalmente um carro francês me conquistou. E estou feliz por isso.

15 comentários :

  1. Mister Fórmula Finesse18/06/2009 11:27

    Gino, poderia escrever sempre com essa paixão nas suas colaborações no webmotors, site com muita informação e testes (faz tempo) completos que abordavam detalhes que só os mais atentos perceberiam...tudo pela mão do Fabrício; claro que tudo ficava um pouco mais engessado e burocrático nas descrições do drive do veículo avaliado. Escrevendo desse modo, te garanto que as avaliações ficariam mais divertidas e intuitivas para ler e acompanhar. Mas...a política "editorial" do site talvez seja diferente. De todo modo parabêns pelo belo post. Nossa, se eu não me sentir perfeitamente integrado ao carro através da posição de dirigir, simplesmente não rola...e o Pallas eu senti exatamente isso, em doses mais moderadas do que no C4 VTR. Volante grande em demasia, desenho do mesmo não muito atrativo apesar de acomodar bem os polegares, caixa de câmbio de comando um tanto duro para desengrenar e passar a marcha adiante, motor um pouco áspero...enfim, ele é um mimo por dentro, cheio de soluções exóticas (típica da citroen desde o avant), espaçoso e imponente, mas para dirigir e se sentir envolvido é apenas...um carro francês!

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  2. GB, bela avaliação.

    No entanto, continuo com a firme opinião de que enquanto fabricarem carros franceses desse jeito, eles não são pra mim.
    Esse "maledeto" velocímetro no centro do painel não combina com meus freios a boca nas quatro rodas.

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  3. Gino,
    Epa, só o Bill Eagan,não! Também sou fã dos carros franceses, especialmente da engenharia Citroën, apesar de ela estar desde 1996 sob o guarda-chuva da PSA Peugeot Citroën.

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  4. André,
    Pois me rendi a duas coisas em automóvel: velocímetro no centro do painel (digital, evidentemente, e isso vale para velocímetro em qualquer lugar) e volante de cubo fixo, que no começo estranhei muito.

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  5. Rodrigo Laranjo18/06/2009 15:28

    "Esses caras só servem para fazer perfume, queijo e vinho mesmo..."

    Toda vez que me falam de carro francês, eu pergunto: Japonês faz perfume? Alemão faz perfume? Porque francês quer fazer carro?

    A "parafernália" dos franceses até me agrada, mas não consigo confiar na mecânica e engenharia deles. Robustez parece que é uma palavra que não tem tradução em francês...

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  6. Antônio Martins18/06/2009 16:16

    Carro francês também é muito bom para quem gosta de passar raiva, aquela raiva gostosa (isso existe?). Basta dar qualquer defeitinho que é no mínimo uma semana sem o carro, bem agradável, esse é a praxe deles.

    Se por acaso ele tiver caixa automática, e você for um dos raros sortudos que NÃO tenha problemas com ela, tudo bem, caso contrário... Pode esperar uns meses... Se for de outro estado que não São Paulo, tem que esperar uma empresa particular resolver o defeito pra eles, bem relax... Como é? Eles não entendem nem do que fabricam?

    São carros pra quem gosta de aventuras, é muito calmo e não roda muito.

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  7. Jonas Torres18/06/2009 16:22

    Por essas e outras que PSA passa longe dos EUA, e certamente nem voltará, mesmo agora com a volta dos "carros pequenos" aquele mercado. Carro tem de ter qualidade, durabilidade e praticidade.

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  8. Antônio Martins

    Um amigo meu dizia que carro francês é como um bicho de pé: no começo é um incômodo, mas depois vira uma coceirinha gostosa, que deixa saudade quando vai embora.

    É mais ou menos como o relato do Gino, quase uma forma refinada de masoquismo.

    FB

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  9. Gino Brasil18/06/2009 18:35

    Pessoal,

    estava lendo os comentários e me divertindo. Na realidade, o que quis dizer é mais ou menos o que o Bitu escreveu. A única diferença é que a analogia que faço é com uma mulher estonteante, linda de morrer, com o corpo perfeito, mas chatinha....
    Você pode até mandá-la passear, mas vai sentir saudade dela...
    Não deixa de ser uma forma refinada de masoquismo....

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  10. É por isso que eu não gosto nem um pouco desses mimos eletrônicos, como sensor de chuva. Tá louco! Eu "boto fogo" no carro se ele não faz o que quero...

    Nada contra a engenharia da Citröen, muito boa por sinal, mas essas frescurinhas a bordo, não dá! O dia que eu não souber quando ligar o limpador de pára-brisa, ando a pé...

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  11. Lendo seus comentários, fiquei com intenção de me distanciar mais ainda dos carros franceses. Não dos vinhos, mas dos carros.

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  12. belo texto, Gino. como dono de um Peugeot 307 há quase dois anos, gosto dele praticamente pelos mesmos motivos que te deixaram apaixonado pelo Pallas. e se no começo fiquei arrependido por não ter comprado um Focus, hoje a impressão mudou.

    fora que ele é uma delícia de ser dirigido na chuva, a ponto de eu já ter saído de casa em meio a alguns aguaceiros só pra me divertir. e é bem resistente, nunca tive um problema crônico sequer (o meu foi comprado com 22 mil km, agora já vai com 46).

    provavelmente é meu último carro francês, já que todas as minhas atuais paixões (Volvo C30, Subaru Impreza, Fiat 500) têm origens diferentes. mas recomendo o 307 para quem quiser um carro bem acabado, divertido e mais espaçoso que qualquer rival direto. e viva a frescura dos franceses!

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  13. Rodrigo Laranjo18/06/2009 23:29

    Um amigo me disse que não compra carro francês porque o habitat natural deles é a oficina!!!

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  14. Acho que só quem teve carro frances para ter o direito de falar de oficina. O maior problema de carro frances é realmente o custo de manutenção. Mas, o cidadão chega na loja de carros e tem um 406 Sti ou Sv 200/2002 a preço de gol 2005, e o vendedor fala: "aproveita e leva este, tem muito mais conforto e custa o mesmo que este pé de boi." Depois disso, já era. Para trocar a correia de um 16 V francês 2.0 se gastam uns 1200 reais, ai o cidadão acha caro. Mas ele tá comparando abacaxi com laranja.Carro francês mal cuidado dá problema. O meu 405 95 esta com as buchas de suspensão originais e com 200 mil km. Comprei ele com 160 mil e não me arrependo. Tinha uma palio adventure antes. Quero trocar de carro, mas, amo o meu francês. Detalhe, tenho dois fuscas que amo tb e não gosto muito de VWs nacionais atuais.
    Sds, Cristiano

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  15. @ Rodrigo Laranjo

    Tem sim, "robustesse" ;)

    Até mais gente, mas que lugar bom esse aqui...

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