CONVERSA DE PISTA

E o sol voltou a brilhar em Spa   

Depois de chuvas e trovoadas, GP da Bélgica realizou-se sob brancas nuvens e não trouxe nenhuma novidade dentro ou fora da pista. Vettel venceu, Alonso foi segundo e Massa teve problemas
   

(Foto: Mercedes-Benz-Media)

Mais do mesmo

Corrida foi em pista seca (foto Mercedes-Benz Media)

É no mínimo curioso como a história se repete, ano após ano, no Circo do Tio Bernie. Uma equipe domina a categoria por algumas temporadas, a Ferrari entra e sai de crises e o mundo segue sem maiores problemas. O GP da Bélgica disputado no último fim de semana foi bem assim, mais do mesmo: Vettel venceu e se aproximou da condição de mais jovem piloto a se tornar quatro vezes campeão mundial, Fernando Alonso subiu ao pódio com aquela cara de nenhum amigo e Lewis Hamilton estava lá para mostrar que continua vivo.

Como nada mais digno de manchete aconteceu, exceto pelos problemas técnicos que novamente afetaram o Ferrari de Felipe Massa, não tardaram a surgir boatos de novas transferências fantásticas envolvendo Kimi Räikkönen – que abandonou e quebrou uma série de 26 corridas consecutivas marcando pontos –, Fernando Alonso e até mesmo Pastor Maldonado, o venezuelano que cumpre sua segunda temporada na Williams.

Tal qual o traçado de Spa, a alta velocidade marcou a propagação dos boatos no fim de semana. Räikkönen alegou um mal-estar para sua reclusão de quinta-feira e, bem ao seu estilo, admitiu que não há coisa alguma a ser anunciado com relação ao seu futuro. Paralelamente, surgiam explicações para isso, coisas do tipo “ele está botando pressão na Lotus” ou “deve estar conversando com o chefe da equipe A ou B”, clara interpretação de entrelinhas.

O estoque de sorrisos não supriu todo o pódio (foto GEPA-Pictures)

Alonso redimiu-se das provocações lançadas durante as curtas férias de verão e, ao melhor estilo de Maranello, declarou que tudo não passou de um mal-entendido. Sua expressão ao final da corrida, porém, deixou bem clara sua insatisfação pelo segundo lugar obtido e abriu fendas na blindagem que a Ferrari constrói ao seu redor. Por ser apoiado pelo Banco Santander e ser um dos melhores pilotos da atualidade, ele sempre será bem-vindo em qualquer equipe.

Jenson Button achou interessante o jogo de cadeiras que ganhou um ritmo mais animado nas últimas semanas e deixou claro que, pelo menos por enquanto, é um piloto livre de contratos e multas ao final da temporada. Exímio estrategista, Button sempre conseguiu mudar-se de equipes sem perder a majestade e, visto a importância que Sergio Pérez e a Claro ganham para o futuro da McLaren, essa equipe está ficando pequena demais para um campeão mundial e um piloto arrojado que pode se transformar em um vencedor...

Mark Webber entregou o ouro e comentou com amigos que seu substituto na equipe Red Bull é uma escolha muito boa para a Austrália. Embora os dirigentes da equipe neguem, a declaração do atual companheiro de Vettel deixa claro que Daniel Ricciardo será seu substituto em 2014. Ricciardo não se deixa abalar e espera quieto como um coala a hora de dar seus saltos de canguru.


Webber falou o que o chefe escondeu (foto GEPA-Pictures)

Se até agora falei de transferências factíveis, é impossível deixar de lado a forma como Pastor Maldonado entrou na dança. O diário venezuelano El Expresso publicou ontem (26/8) nota onde se lia que a Ferrari “sempre aberta a pilotos latino-americanos competitivos estaria em conversações avançadas” com o vencedor do GP da Espanha de 2012, que segundo a mesma nota “assegura que continuará na Williams”. Dois outros chutes do jornal de Ciudad Bolivar, porém, passaram menos longe da trave: as possíveis transferências para a Lotus ou para a Sauber, sempre graças ao apoio que a PVDSA, a equivalente venezuelana da Petrobrás, garante ao rapaz.


Na Venezuela querem Maldonado na Ferrari (foto record.xl.pt)


Enquanto todos esses comentários lembravam a nitidez de uma tela de TV valvulada e em preto e branco, no paddock belga, nas redações brasileiras e nos espaços ocupados nas redes sociais admiradores e críticos de Felipe Massa viam uma imagem em alta definição: uma nova pane na Ferrari do brasileiro. É tão difícil acreditar em sabotagem em uma operação que custa centenas de milhões de dólares por ano, quanto esquecer o clima maquiavélico que envolve a Scuderia mais famosa do automobilismo mundial. Em época de renovação de contratos, essas coincidências ganham cores mais pálidas que o vermelho vivo da carenagem de suas máquinas ou do vibrante amarelo que remete à Comuna de Modena, berço da Ferrari.


Massa continua sem saber, ou sem contar, seu futuro (foto Ferrari Media)

Especula-se que o problema que aflige a Ferrari, e por tabela Alonso e Massa, seria falta de dinheiro. Não creio. Fabricante de automóveis de alto luxo e altíssimos preços, a marca de Maranello é um dos nomes mais valiosos do mundo, gasta nada ou muitíssimo pouco em publicidade e propaganda e nunca vendeu tantos carros novos. Sem falar nas peças de reposição para novos ricos pouco aptos a domar seus rampantes cavalos, e nos contratos de imagem e promoção com seus patrocinadores e associados. O que atrapalha a Ferrari, como sempre acontece, é a estrutura de clusters e bites de um mundo cada vez mais asséptico e blindado contra o prazer de quem não abre mão de uma boa mesa e da comunicação gestual. Em outras palavras, hedonismo e eficiência industrial não andam de mãos dadas.
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Emerson, agora em desenho animado

Emerson de volta à McLaren em desenho animado (foto YouTube)


Empresa sempre séria e politicamente correta, a McLaren prima por uma imagem limpa, do tipo que designers chamam de “clean”, atrelada a tecnologia de ponta. A chegada de Martin Whitmarsh para ocupar o posto que Ron Dennis ocupava com quase nenhum jogo de cintura mudou bastante esse cenário e certamente a série “Tooned”, um jogo de palavras inglesas que misturam o tema “cartoon” (que remete a desenho animado) com “tuned” (que faz o mesmo com o que chamados aqui no Brasil de tunado). A série de desenhos animados tem personagens baseados em figuras reais que emprestam suas vozes para os heróis da série iniciada no GP da Inglaterra de 2012.

Os desenhos são apresentados na abertura das transmissões da Sky Sport na Grã-Bretanha antes de cada corrida de F-1 e em seguida disponibilizados no YouTube. A série iniciada no GP da Inglaterra deste ano faz uma leitura bem humorada da história da McLaren, começando pelas experiências de Bruce McLaren em Remuera, bairro de Auckland. No episódio que entrou no ar neste fim de semana o herói é ninguém menos que Emerson Fittipaldi, fielmente retratado e, obviamente, dublado pelo próprio. Vale a pena ver.


Mercado mexicano

Studebaker, Mustang e Ford à venda para a Carrera Panamericana (foto Carrera Panamericana)

Um dos raros eventos típicos dos anos 1950, a Carrera Panamericana do México ocorre este ano pela 26ª vez em sua forma atual. Os organizadores da prova esperam mais de 100 carros na prova que começa dia 25 de outubro em Veracruz e termina dia 31 em Zacatecas. Até o momento estão inscritos representantes de 13 países e várias equipes e preparadores mexicanos ainda dispõem de carros para venda e aluguel. Os preços variam de US$ 115 mil para um Studebaker já vencedor da prova, passam por um Ford 1951, oferecido por US$ 35 mil e até um pequeno Triumph para quem quer apenas participar da prova que passa por Oaxaca, Cidade do México, Querétaro, Morelia, Guanajuato e Aguascalientes. Mais detalhes no site da prova. Se você está interessado em participar e precisa de um carro, o site oferece cerca de dez automóveis prontos para largar, como o Studebaker “Sarmiento”, um sonho de consumo chamado Mustang 1965 fastback oferecido por US$ 65 mil e o popular Ford Victoria 1952 que tanto circulou pelo Brasil por módicos US$ 35 mil. Esta coluna vai acompanhar a Carrera Panamericana deste ano.

WG

A coluna "Conversa de Pista" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

3 comentários :

  1. Então o descontentamento do Alonso não deve render quebra de contrato pro ano que vem ?

    Seria interessante ver o Felipe em uma equipe mais neutra no ano que vem, como a Lotus ou a McLaren, mas seria bem melhor vê-lo aprender a lidar com estes pneus e com seus próprios demônios.

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  2. WG , meu chapa!
    Depois conta pra gente o resultado dessa Carrera Mexicana.
    Jorjao

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  3. Infelizmente, na Fórmula 1 atual sempre aparece uma equipe que se destaca (e muito) da concorrência. No fim, fica algo meio sem graça de se ver, pois praticamente a briga vai acontecer da segunda posição em diante. As outras equipes evoluíram bem ao longo da temporada, mas a distância na pontuação que o Vettel conseguiu até o momento, o deixa em uma posição muito confortável.

    Então ainda existem vagas para quem quiser se inscrever na Carrera Panamericana deste ano? Se tivesse o arame necessário para alugar um desses bólidos à disposição, ficaria balançado entre o Ford 1951 e o Mustang 1965.

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