CONVERSA DE PISTA



Ricciardo no lugar de Webber

 Daniel Ricciardo assume lugar de Mark Webber, mantém bandeira da Austrália na F-1 e abre espaço para o fado na categoria; Pirelli desiste de provocar pesadelos com pneus maiores

F-1 2014 nas asas da imaginação

F-1 volta à ativa em Spa, onde a chuva sempre aparece (foto Pirelli Media)

Tudo indica que o australiano Daniel Ricciardo ocupará o lugar que seu compatriota Mark Webber deixará vago na equipe Red Bull ao final desta temporada. Um anúncio oficial neste sentido é esperado para o próximo fim de semana, quando a F-1 volta à ativa com a disputa do GP da Bélgica no circuito de Spa-Francorchamps, um dos traçados remanescentes da época de ouro da categoria. Se confirmada, a contratação vai destravar o mercado de pilotos numa época crucial para equipes definirem seus planos para o ano que vem, quando a volta dos motores turboalimentados cria novos desafios para projetistas, engenheiros e financistas. Embora o contrato entre a Pirelli e a F-1 para 2014 continue envolto em doses de incógnita, pelo menos as poções e dimensões dos seus futuros pneus deverão ficar bem mais próximas dos usados atualmente, o que atende às preces de quem já se debruçou sobre os projetos que debutam em janeiro.

Progressão geométrica: HRT, Toro Rosso e agora Red Bull (foto GEPA-Pictures)

A chegada de Ricciardo ao time principal da Red Bull repete o caminho trilhado por Sebastian Vettel, que também passou duas temporadas na Toro Rosso antes de ascender à equipe liderada por Adrian Newey. Baseada em Faenza, essa escuderia incorporou as instalações da Minardi e serve como exame final dos pilotos que participam do programa de desenvolvimento bancado pela marca de energéticos. A chegada de Ricciardo a esse cockpit animou muita mais gente além dos fãs desse australiano nascido em Perth no dia 1º de julho de 1989. Bem longe dali, na Europa, aumentaram as apostas de que o português António Felix da Costa é o favorito para ocupar o ninho abandonado em uma disputa como outro ibérico, Carlos Sainz Júnior, filho do lendário piloto de rali. Pesa pouco a favor de Carlito o seu desempenho nos testes de Silverstone; pesam muito contra ele a pouca experiência e sua pouca idade.

Felix da Costa ainda pode assumir lugar de Ricciardo (Foto GEPA-Pictures) 

Como uma história sempre tem dois ou mais lados, neste caso um destes é o voltado ao finlandês Kimi Räikkönen: seu empresário Steve Robertson – o mesmo que cuida dos interesses do brasileiro Felipe Nasr –, admitiu que conversações com a Red Bull existiram, mas o acordo a que chegaram não foi o que muitos esperavam. Nem por isso Roberts vai descansar. “Ainda temos opções para analisar se o Kimi fica na Lotus ou não” finalizou o inglês.

A coleção primavera-verão de boatos técnicos na F-1 2013 também envolveu recentemente os pneus para 2014 e uma suposta dúvida sobre disputar o título deste ano ou concentrar esforços na temporada do ano que vem, que demandará carros de projeto inédito. Metade do assunto já foi resolvida: a Pirelli vai mudar seus pneus apenas ligeiramente; com relação à outra metade, custo a acreditar que grandes equipes com chance de vencer entre pilotos ou construtores perderiam tempo com a intensidade que muitos pregam.

Pirelli mantém o tamanho dos pneus para 2014

Um carro de F-1 funciona basicamente em função de três parâmetros: potência do motor, eficiência aerodinâmica e eficiência dos pneus. Os últimos dois itens são praticamente dissociáveis: o primeiro leva em conta a distância livre do solo e o segundo atua como um amortecedor complementar que regula essa distância. Exatamente por isto que os técnicos de coxia do Cirquinho do Tio Bernie ameaçaram sair às ruas e parar a avenida Paulista dos autódromos de Tilke. Isso aconteceu quando os borracheiros italianos soltaram que, por causa dos novos motores turbo, as dimensões dos pneus de 2014 seriam maiores que as dos usados este ano.

Pneus continuam com o mesmo manequim em 2014 (foto Pirelli Media)

Pare e pense: você tem menos um ano para desenhar um carro novo dentro de um orçamento que você não sabe exatamente o quanto pode explorar, desenvolver o projeto em computador e em túnel de vento, conseguir sua aprovação no crash-test da FIA e garantir que nos primeiros testes da nova temporada seus pilotos terão pelo menos dois carros à disposição. Em agosto, aparece uma pedra no meio do caminho jogada pela Pirelli, que não tem nada a ver com a poesia de Drummond, e as retinas fatigadas de muitos projetistas arrepiaram com a possibilidade de um tropeço. Afinal, mudar a altura dos pneus de 660 mm para 690 mm significa que os carros deixariam de se mover tipicamente a 10 mm do solo e permitiram uma base de 15 mm para a passagem do ar; para quem gosta de relações numéricas, 50% de aumento que faria todo o trabalho de pesquisa aerodinâmica ir literalmente pelos ares...

Felizmente, para muitos, isso não vai acontecer e, mesmo com a Pirelli ainda negociando a renovação do seu contrato, os pneus continuarão com as mesmas dimensões, até mesmo na largura que poderia passar de 400 mm para 420 mm no que diz respeito ao par usado no eixo traseiro. É voz corrente que as cargas aerodinâmicas e mecânicas que serão geradas por chassis mais modernos e eficientes serão maiores no ano que vem e, por isto, não são poucos os engenheiros e projetistas que classificam a idéia de usar pneus mais largos como uma solução correta.  Como isso não vai acontecer, é bastante provável que os pneus de 2014 tenham uma concepção bem mais conservadora no quesito durabilidade e resistência e menos inovadora no que diz respeito à sua aderência. Ou seja, os pneus ditos “macios” serão bem mais “duros”.

Räikkönen se diverte

 Räikkönen testou F3 da equipe Koiranen em Barcelona (foto GP3.Com)

Herói cada vez mais popular de uma F-1 a cada volta mais asséptica, o finlandês Kimi Räikkönen nunca se intimidou em provar a comida do vizinho. Quando decidiu dar um tempo na F-1 foi ver o que os velozes e furiosos carros do mundo da Nascar tinham de bom e muito menos se preocupou em acelerar na terra em ralis. Agora, em meio a uma época de negociação de contratos para 2014, deu uma força para o amigo Afa Keikkinen,  diretor da Koiranen GP, equipe da família Koiranen e força nas categorias européias de base, em particular na F-Renault 2.0. O Iceman acelerou o carro da equipe na F-3, onde correm os finlandeses Patrick Kujala e Aaro Vainio e o estoniano Kevin Korjus, que apesar de ter apenas 1,64 m de altura é uma grande promessa para vôos bem altos em categorias superiores: a Lotus está de olho nele desde 2011.

Estoniano Korjus pode ser piloto de testes da Lotus em 2014 (foto Team Lotus)


WG

A coluna "Conversa de Pista" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas

20 comentários :

  1. Wagner,
    Me desculpe o desabafo, mas e contra a atual F1 e nao por seu trabalho o qual respeito totalmente.
    A F1 esta cada vez mais descaracterizada e sem a graca.
    A cada ano um numero maior de moleques assume posicao de pilotos , reforcados e sustentados por robustos patrocinadores e seus petro-dolares sem fim .
    A nossa Venus de Platina, com sua veterana, cansada e surrada dupla: Gaviao e Reginaldo Leme , se esforca descoordenadamente para recuperar audiencia, ha muito perdida.
    Puro buissines , tudo e feito em funcao do dinheiro e interesses dos grandes patrocinadores . Nao ha o menor espirito esportivo. Tudo um jogo de interesses comerciais. Ha muito ganhei antipatia pela Ferrari , por tudo que essa equipe aprontou nao era Shumacher. Alias para mim Shumarcher nao teria logrado nem metade dos titulos que conseguiu se nao fosse as maracutaias Ferrarianas em conjunto com os grandes caciques do circo.
    Enfim acho que em pouco tempo a ganancia de seus dirigentes levará a categoria a seu fim .
    Uma palhacada de circo essa F1 atual.

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    1. Eu acho engraçado toda vez que escuto esse mesmo discurso sobre a F1: está chata, os carros tem muita eletrônica e qualquer um pilota, o dinheiro mudou as coisas, tem muita política, antigamente era melhor, etc, etc, etc.

      As pessoas tendem a adocicar o passado, colocando coisas que não estavam lá. A F1 atual é pra lá de competitiva, há anos tem uma variedade de pilotos de alta categoria disputando o título. A F1 sempre teve jogos de equipe, dinheiro, regras mudando toda hora, sempre foi assim. Qualquer pessoa que estuda a história da F1 vai se deparar sempre com os mesmo eventos.

      O problema hoje é que brasileiro só gosta de um esporte se tiver brasileiro lá vencendo. A época de ouro com Fittipaldi, Piquet e Senna se foi e as pessoas estão com problemas em lidar com isso.

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    2. Prezado Anônimo,

      Realmente as corridas das décadas de 1970 a 2000 tinham outra cara e um ambiente mais tranquilo. Será muito difícil recuperar esses padrões, especialmente com a era do politicamente correto em que vivemos.

      Com relação á ganância dos dirigentes da F1 enquanto o Bernie Ecclestone estiver à frente do negócio a categoria sempre vai encontrar novos caminhos de aumentar o faturamento.

      Um abraço,

      Wagner

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    3. Clésio Luiz,

      Seus pontos de vista são válidos: o tempo altera tudo. O debate que você propõe acontece, inclusive, em vários outros segmentos e esportes; quem não acha que não houve jogador melhor que este ou aquele ou que a época de ouro de um determinado time foi e sempre será inigualável?

      Dito isso, acredito que você vai concordar que em outras épocas os pilotos tinham mais liberdade para se expressar e os carros tinham mais "personalidade". São detalhes como estes que unem e integram diferentes gerações e aproximam pontos de vista diferentes.

      Continue nos prestigiando com sua leitura e seus comentários.

      Abraço,

      Wagner

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    4. A Formula 1 atual não está chata e sim chatissima, tem que ter muita paciência para assistir uma prova completa pois quando tem alguma disputa ( rara ) na pista, as equipes logo dão um jeito de chamar o piloto para os boxes para trocar pneus, tinha que ser sem troca de pneus e também sem reabastecimento, aí o bom piloto ia fazer diferença. Do jeito que está se ganha corrida nos boxes e não na pista.

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    5. A F1 atual tem tido muita disputa em pista e ultrapassagem e fazem alguns anos que tem sido assim. As ordens de equipes e os pneus vez ou outra atrapalham, mas sempre foi assim e em outras categorias (como a Indy) coisas como economizar combustivel entram no meio das disputas direto.

      Tem muito que melhorar, mas as corridas tem sido boas e os campeonatos disputados mesmo com equipes muito superiores no bolo.

      O problema se chama attention span. O americano sabe disso e faz corridas que ficam dentro da capacidade ou disponibilidade das pessoas em ficar vendo qualquer coisa por mais de 1 hora. Por isso mesmo suas categorias vem recheadas de regras artificais como dar bandeira amarela diversas vezes na corrida sem motivo algum, apenas pra juntar todo mundo. Ademais se preocupam mais com o show do que com a corrida, parece tudo um grande filme e tudo muito produzido.

      Fazem assim porque sabem que, desculpem a palavra, a animalzada gosta. Querem ver batidas, entrevistas sobre vida pessoal e brincadeiras de intervalo e pouco se lixam pra corrida em si (que acontece quase sempre com carros praticamente padronizados em circuitos igualmente quase padronizados). Importa no maximo se o piloto que ganhou vem da mesma cidade ou nacionalidade que quem assiste.

      No caso do brasileiro, se num tem um brasileiro ganhando o attention span mesmo de quem gosta do esporte volta ao normal (que beira o zero) por melhor que esteja a corrida. Automobilismo tem a mesma caracteristica do futebol, quem gosta mesmo assiste quase qualquer jogo e sabe quando ta legal, quem num gosta ou gosta mais ou menos suporta assistir apenas com muita bebida e muito showzinho ou se tem algum time que `interessa` ganhando.

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    6. Me desculpe mas economizar gasolina em corrida de automóveis é no mínimo engraçado.

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    7. Sim, mas faz parte. E na F1 pelo menos o carro continua correndo bastante ao economizar, na Indy o carro cai muito pra tras quando tem que economizar combustivel.

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    8. Clésio Luiz21/08/13 12:43

      Se economizar combustível é engraçado então as 24H de Le Mans e outras corridas de longa duração são uma looonga comédia...

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    9. E por acaso alguém corre em Le Mans economizando combustível ?????

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    10. Toda corrida que dura um pouco mais tem economia de combustivel e pneus, a Le Mans igualmente. Mas existe um jeito de fazer isso sem que o desempenho fique patetico como na Indy e de forma que muitos nem percebem, que acontece igual na F1. Mudam os parametros de controle do motor e esse passa a economizar, se continua correndo mas perdendo algum tempo.

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  2. A não ida de Kimi para a Red Bull provavelmente de deve ao fato dele não querer ser o segundo piloto na equipe, o que neste momento seria inevitável.
    Talvez para ele o ideal seja voltar para McLaren, que apesar da má fase, acredito que consiga projetar um carro competitivo para 2014. Ou então permanecer na Lotus, já que com mudanças significativas no regulamento, o desempenho das equipes será uma incognita.

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    1. Fábio Vicente,

      Concordo com você que dividir o espaço como Vettel não é interessante, e o próprio alemão já deixou claro em suas manobras em cima do Mark Webber que não gosta de intrusos no seu espaço. No entanto eu creio que o motivo pelo qual o Räikkönen não tenha mudado seu endereço para a Red Bull seja uma combinação disso com uma proposta financeira aquém do esperado.

      Abraço,

      Wagner

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  3. Progressão geométrica: Marussia, Toro Rosso e agora Red Bull (foto GEPA-Pictures)


    Só alertando que o Ricciardo foi da HRT (Hispania) e não Marussia

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    1. Yuriz 2011,

      Muito bem notado o erro, que será corrigido prontamente. Obrigado pela dica e pela colaboração,

      Abraço,

      Wagner

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  4. O Kimi testou um GP3, não um F3.

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  5. Claudio Fischgold21/08/13 04:36

    O problema da F-1 atual para mim não é a idade e qualidade dos pilotos, ou a quantidade de dinheiro fornecida pelos patrocinadores. O problema é que as corridas ficaram muito chatas pois os carros estão demasiadamente dependentes de aerodinâmica, com todos os spoilers e aerofólios instalados, e com isto não temos mais ultrapassagens.

    Para comparação vejam o filme no post sobre as 24 horas de Nurburgring e me digam se não tenho razão.

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    1. Isso sim precisa ser arrumado. Parece que em breve vai voltar a ter mais grip mecanico e menos aerodinamico, que com o seu reino atualmente (devido ao regulamento que premiou carros assim e quase deixou sem sentido buscar desempenho em outros lugares) tornou as coisas piores realmente.

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  6. Eu assisto F1 com ou sem brasileiro. Lógico que preferia ter um brasileiro brigando na ponta. Mas o que desanima é ver o campeonato ser decidido apenas com um carro na briga. A superioridade da RBR nos últimos anos é indiscutível, e enquanto for assim o Vettel vai colecionar títulos. Não menosprezo sua capacidade, ele é um gênio, mas não é o único da F1. Gostaria de ver o Alonso, o Raikkonen e o Hamilton com chances de vencer também. Aí sim o campeonato seria muito bom.
    Quanto aos "antigamentes" eu acho que tinha coisas boas e ruins, mas essa era do politicamente correto é muito chata. Acho que a F1 tinha um clima mais tenso, mas ao mesmo tempo mais divertido.

    Alexandre.

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    1. Mesmo com a superioridade da RBR o campeonato ainda ta em aberto, em outros tempos um carro como o da RBR teria garantido o titulo.

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