PROBLEMAS DE RECÉM-NASCIDO III

Foto: complexo-gt.org


O Chevrolet Opala teve dois problemas de recém-nascido relacionados a freios. Primeiro, logo no lançamento, quando o carro saiu com freios que deveriam ter causado a demissão do responsável da engenharia de produto/freios. Eram absolutamente insuficientes para o porte, peso e desempenho do carro, especialmente o de motor seis-cilndros de 3.800 cm³. A tambor nas quatro rodas,  o carro não tinha potência de frenagem mínima necessária e, pior, puxava para um dos lados sempre. Até parece que se esqueceram de avaliar essa importante parte do veículo durante seu desenvolvimento.

A luz no fim do túnel veio com a versão SS, ainda de quatro portas, em 1970 como modelo 1971, dotada de freios a disco nas rodas dianteiras. Sanava-se parcialmente - sim, porque não foi aplicado a todas as versões, inexplicavelmente, o que só ocorreria em 1973 - um problema sério no primeiro Chevrolet brasileiro. O carro agora freava como se esperava, mas tinha um porém: o freio a disco não gostava de curvas. Hein? Será que o editor do AE enlouqueceu?


Esquema de freio a disco com dois pistões (cdxtextbook.com)

Espero que entendam. O disco, em prateado, gira em torno da ponta de eixo. Esta faz parte da manga de eixo:

A manga de eixo, em primeiro plano, vendo-se a ponta de eixo

Pois bem, a ponta de eixo flexionava-se na manga de eixo quando o carro fazia uma curva, resultado do esforço sobre ela. Isso acontecia sempre. Como o disco era solidário à ponta de eixo, a flexão dela fazia o disco se mexer lateralmente e com isso as pastilhas de freio afastavam-se do disco, não mais ficando onde deveriam estar, que é roçando de leve o disco.

Quando se procurava o freio, cadê ele? O pedal descia consideravelmente, pois o efeito que produzia não era frear, mas levar as pastilhas de volta ao encontro do disco. Uma segunda ou terceira pisada e tudo voltava ao normal. O carro freava muito bem.

Agora imaginem o que acontecia numa corrida, com sua sucessão de retas e curvas. É por isso que se via os Opalas, terminada a curva e em plena reta, acendendo luz de freio repetidas vezes. Eram os pilotos "bombando" o pedal com o pé esquerdo, para terem freio na curva seguinte. Eu mesmo fazia isso sempre, curva após curva.

O problema só foi resolvido no ano-modelo 1975, a primeira reestilização do Opala, ocasião em que sem alarde a manga de eixo ruim foi trocada por uma decente, eliminando de uma vez  por todas o problema de flexão da ponta. Inclusive, a peça fraca é susceptível de se romper após dezenas de milhares de quilômetros.
Opala 1975, esse é o estilo que marca as novas mangas de eixo (quatrorodas.abril.com.br)
Bird Clemente conta em seu livro "Entre ases e reis de Interlagos" que ao preparar um Opala para a 24 Horas de Interlagos de 1970, que venceria em dupla com o irmão Nílson, comprou um Opel Commodore só para tirar as mangas de eixo, livrando-se do problema de flexão da ponta de eixo.

Esse foi realmente um problema de "recém-nascido", só que os "médicos" levaram cinco anos para resolvê-lo. É muito tempo.

BS






37 comentários :

  1. Bah, isso só confirma que o Opala era ruim mesmo.
    "Mas Joel, o Opala é um carro que marcou a vida de muita gente" alguém pode dizer. Só Que isso mostra como a GM sempre nos tratou como mercado de segunda classe.

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  2. não entendi... parece que o post ficou incompleto.

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  4. Bob
    Acho que falta coisa aí nesse post

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  5. Blogspot deve ter endoidado de novo, quando eu li tinha tudo.

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  6. Bob
    Que baita m... essa da GMB. Aposto como muita gente levou susto ou até mesmo se acidentou sem saber a real causa.
    Falando em freios, lembrei que a VW também fez das suas nos primeiros Santanas e seus discos sólidos. Meu pai teve um modelo CD de 1986. Era descer a serra um pouco mais "quente" e, depois de umas curvas, cadê freio?
    Acho que você já falou disso por aqui.

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  7. São por estas e outras que eu adoro Opala.

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  8. Bob,
    Meu irmão teve um Opala 3800 lá nos primórdios. O freio era exatamente como você descreveu, uma verdadeira catástrofe. Não duvido mesmo que muita gente tenha se acidentado por causa disso.

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  9. As pessoas só gostam hoje do opala pois na época que eram crianças e o tio ou avô levavam pra passear era de opala, mas o carro sempre foi meio ruinzin..

    Pra ficar bacana, só a base dos v6 ou v8...

    []s

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  10. Hmmm... Talvez a explicação para o acidente do JK em um Opala 70 na Dutra...

    Vou tentar acertar o próximo post: "problemas de recém-nascido IV: o comando de válulas do Chevette".

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  11. Um post bom para quem exagera no saudosismo e insiste em louvar cegamente os carros antigos que tem sim suas qualidades e charme, porém não são perfeitos e melhores que os contemporâneos como alguns dizem.
    E já que o assunto é Opala, na minha opinião a safra de 75 a 79 de opalas foi a mais bonita.

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  12. Esse carro mereceria um tratado de psicologia: o pior carro nacional... e o mais querido... por quem não viveu sua época, claro. Deve ser por causa do que disseram acima: foi o carro do pai, do avô etc. Puro apego emocional.

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  13. Anônimo 1/6 19:25
    Por que pior?

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  14. Tive um 73 modelo 74, última série antes das lanternas redondas, 4 portas, 4 cilindros, cambio 3 marchas na coluna, carro muito liso.
    Com ele tive o desprazer de conviver com os três problemas congênitos do Opala, manga de eixo arrebentada no meio da rua, comando de válvulas (aquela infame engrenagem de fibra que se esfarelava) e o motor de arranque, cujos parafusos apontados pra baixo desenroscavam com o uso quebrando o bendix e deixando o dito cujo pendurado.
    Fora isso um carro excepcional, macio, gostoso de dirigir, relativamente economico pro tamanho, pena que tive que vendê-lo em pouco mais de um ano, pois tinha perdido a confiança nele.

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  16. Acho extremamente injusto os rotulos de ruim, pior e etc ao opala. Qualquer carro so pode ser avaliado, e principalmente comparado, ao existente em sua epoca. E na epoca do lançamento do opala, o que tinhamos disponivel? Os defensores dos mavericks e dodges podem ter certeza que seus amados tambem tinham suas mazelas. A avaliaçáo de um carro deve ser relativa, levando-se em conta a epoca, o lugar, a economia do pais entre outors fatores.

    Abraço

    Lucas crf

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  17. Sou ex-dono de uma Caravan 1982 e ainda sinto saudade dela (ainda mais que não mais temos carros nacionais de tração traseira). Já tinha discos dianteiros ventilados e por isso, se já estava livre do problema de manga de eixo, melhor ainda ficava para frear por causa da melhor refrigeração da peça (e sempre naquele modo GM de frear, em que basta encostar o pé no pedal que a ação é bem pronta e fácil de modular).

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  18. Mas não é só isso : Freio foi e continuou sendo, pelo menos até o modelo 1992, que passou a vir com 4 freios a disco, e este não sei dizer. Mas certa feita peguei um Diplomata 6 cilindros 250-S, álcool, 1990, de um amigo, em Brasília, e fui do centro ao aeroporto. Tive a oportunidade de "abrir o gás" na reta, indo rápido dos 40 aos 120. Alarmáva-me ao freiar, ou uma aspiração disso, e constatar que era o mesmo que tentar parar a inércia de uma locomotiva : - Não tinha freio em suficiência, era nulo, fraco, inócuo. Um perigo em 4 rodas. Sempre me disseram que o problema estava no servo-freio, sub-dimensionado. E que alguns opaleiros superavam essa falha substituindo por servos-freios de F-1000.

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  19. Mas deixo claro que, apesar de não ser fã de Chevrolet, sempre tive e continuo tendo nos Opala, Caravan, Comodoro e Diplomatas, admiração especial, respeito e desejo, pois são carros que marcaram história no país. Uma vez quase comprei uma Caravan Comodoro 1990 vinho, que namorava fazia tempo, mas alguém chegou antes e a arrematou. Mas ainda tenciono por uma. E quando encontrar, comprarei.

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  20. Qual o problema do comando do Chevette?

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  21. Marcelo Junji01/06/11 23:42

    Não é só no nascimento do opala qu e ele teve problemas. Esse de quebrar manga de eixo acontece em todos os modelos e acontece também nas picapes gm e até na silverado que tem suspensão semelhante, fora que tem que ficar verificando aperto dos parafusos das bandejas, além de encavalar marcha e ter folga na direção.
    Muitos reclamam de saída de traseira, mas para mim o pior é a saída de frente em curva de baixa.
    Mas o pior defeito desse carro é desempenho baixíssimo em relação ao tamanho do motor, o último modelo 6cil. aut. me parece que só alcançava 160km/h.
    Cansei de falar para muita gente
    que opala não prestava, e achava que só eu tinha essa opinião. Estou feliz que aqui muitos acham o mesmo desse carro.

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  22. Bob,
    me lembro perfeitamente desse problema, sem saber que afetava freios. Era comum no começo dos anos 70, quando me conheci como gente, ver Opalas com manga ou ponta de eixo quebradas.
    A cena era quase sempre igual. Próximo a esquinas, carro caído em um dos lados, roda dianteira toda torta, dentro da caixa de roda.
    Meu pai sempre dizia: esse carro é bonito, mas é uma bomba.
    Tivemos um cupê 73, que não quebrou esse item, mas teve outros problemas. Depois, um 87 e um 89 sedãs, sempre com chateações.

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  23. Que perigo Bob! E naquela época, já se corria bastante nas estradas devido a frota diminutiva não?

    Marcelo: os últimos automáticos, amordaçados em 121 cavalos, alcançavam os 170 reais...não mais do que isso segundo a última avaliação defrontando o Omega (Oficina Mecânica). Realmente um carrão tranquilo.

    Mister Fórmula Finesse

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  24. Também não entendo a idolatria que muitos têm pelo Opala. Não acho que seja um carro necessáriamente ruim, nem que seja o pior carro nacional que já existiu, mas tá longe de ser a oitava maravilha do mundo que muito apregoam.
    Esse culto ao Opala mostra o quanto nosso mercado de carros foi e ainda é retrógrado.

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  25. Rômulo Rostand02/06/11 09:21

    Bob Sharp,

    No começo dos anos 70 eu tinha uns dez anos. Lembro-me da fama do Opala de "abrir as rodas".
    Não sei o que acontecia, minha lembrança é de ver os carros enconstados com as rodas dianteiras divergentes.
    Inclusive aconteceu com um 3800 quatro portas de um tio meu.
    Tinha a ver com a manga do eixo "fajuta"?

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  26. Talvez essa idolatria ao Opala se justifique pelo fato de que, por alguns anos (depois da saída do Galaxie), ele foi o carro maior e mais luxuoso do Brasil.

    Da mesma forma, depois do fim dos V-8 da Ford e Dodge, ele também foi por vários anos o único carro nacional (de série) disponível com motores maiores do que 2 litros.

    Estranho esse problema das mangas de eixo, e ele não ocorrer no Opel. Teria o componente sofrido alguma "simplificação" para ser fabricado no Brasil, que depois teve que ser revertida?

    Independente desse problema de freios, outro ponto fraco do Opala, reconhecido até por alguns opaleiros, é sua suspensão dianteira.

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  27. Bela série de posts Bob.

    Sem dúvida um dos mais interessantes carros nacionais até hoje produzidos foi o glorioso Opala.

    Fiquei curioso sobre o comando do chevette, nunca ouvi falar a respeito.

    GiovanniF

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  28. Rômulo Rostand02/06/11 10:54

    Também ouvia reclamações do comando do Chevette. Mas, apenas nos dos primeiros anos de produção. Desgaste excessivo dos cames. Diziam os mecânicos que havia falha no projeto em relação a lubrificação do cabeçote. E ainda para os primeiros modelos, ouvi alguns relatos de quebra de bielas com conseqënte quebra do bloco, perda total do motor. Mas, não sei se essas reclamações eram muito incidentes e acho que os dois problemas foram eliminados posteriormente, com o pequeno da Chevrolet aposentando-se bem depurado.

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  29. Olá Bob, tudo bem?

    Estou com uma curiosidade já a algum tempo: Como era o feito o alinhamento da direção e geometria da suspensão na época em que não existia a precisão computadorizada de hoje? O que era utilizado e como se tinha confirmação do alinhamento correto?

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  30. A GM é boa nisso, inclusive a trva do eixo das satélites só foi reforçada no eixo Braseixos em 74,antes era uma moleza aquilo quebrar e liberar as rodas traseiras com bengala e tudo.....e o eixo de comando do Chevette?Em 77 lançaram um comando novo reforçado,mas deixaram os balancins antigos,mais finos,eles entravam dentro dos ressaltos,só em 79 é que resolveram isso,carro lançado em 73....Opala com freio a tambor é piada,mas os primeiros Dart tb eram , era tentar parar aquela jaca a 170 que o gosto de merda vinha na boca,hahahaha.....

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  31. Bob,não sei se vc conheceu o Hollanda que era da regional GM/RJ,o pai dele era meu vizinho e eu cuidava do Chevette 77 que o velhinho usava, me arrumou um monte de manuais de oficina da GM,ele me contou cada fofoca interna que dava um livro bacana,hehehehe......

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  32. Bob,

    Esse problema dos freios dos Opala/Caravan não gostarem de curvas não ficou 100% não, mesmo após 1975... Em meu Caravan 1988, já com discos ventilados e tudo, após entrar forte em curvas, na primeira pisada no freio o pedal descia até próximo de meio curso. Bastava pisar mais que o carro parava bem, mas ainda era perceptível a flexão da manga de eixo.

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  33. Um carro que não freia bem até ser extinto e ainda é sonho de consumo. O Brasil não é um país de pessoas inteligentes mesmo.

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  34. Sabe de uma coisa? Aprendi a dirigir num Opala e sempre reduzi a velocidade antes de entrar numa curva. Talvez por isso, talvez por serem modelos posteriores a 1975, ou até pelo tempo de convivência (sempre mais de 5 anos), nunca tinha reparado nesse "problema congênito". Mas a história também explica por que os modelos com freio a tambor são tão raros...

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  35. Bom, Eu tenho um Opala ano 79, 2 portas. .

    o freio dele, após algum tempo sem usar em uma viajem, ao freiar, percebo q o pedal fica um pouco mais baixo (isso pq eu peguei todo o sistema de um 92 e coloquei nele)
    as longarinas, realmente eram feitas de papel. . mandei fazer um reforço nelas e nao deram mais dor de cabeça, a suspenção dianteira, muitos reclamam, mas poucos cuidam dela realmente do jeito q precisa, colocam peças vagabundas, ai a suspenção nao aguenta, e falam q ela nao presta. .
    eu tenho esse opala a 5 anos, ja tive problemas com os pivôs dianteiros, isso pq eu não usava peças de qualidade, após aprender isso, coloquei tudo novo e de marca boa, ja usei o carro pra 2 viajens longas, de a soma de ida e volta chegar próximo aos 2.000km, e nao tive mais problemas. . acho q nao eh o carro q não presta, e sim o dono q nao cuida. .

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  36. Marcelo Junji10/06/11 19:53

    Sr. anônimo, se não me engano só existem pivôs de marcas de qualidade. E esse problema de cair a roda, acontece mais em carros da gm, nas outras marcas de carro, mesmo usando a mesma marca de pivô, pouco acontece o problema, então, é o carro (marca)que não presta mesmo.

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  37. A sequencia é essa:

    1- a coifa do pivo se rompe
    2- sai a graxa e começa a entrar terra,água,etc
    3- ele começa a engripar,inclusive ele avisa,fazendo um nheeeeec ao manobrar
    4- mesmo assim a anta continua andando e ele engripa de vez ,aí pula do alojamento e a cagada está feita.
    Foram 10 Opalas na família,cuidei de todos eles ,nunca tive esse tipo de problema, basta dar o mínimo de preventiva....só usava pivos nakata ou originais...

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