HÍBRIDO, ELÉTRICO OU NENHUM?


Não é novidade que a moda automobilística agora são os carros "ecologicamente corretos". Digo este termo entre aspas mesmo, pois há dúvidas ainda obscuras se realmente, ao se avaliar o contexto todo, desde a geração de energia até o consumo final, se o ambiente é realmente menos agredido. E não é de interesse de muitos que estas sejam esclarecidas por enquanto, mas enfim, isto é outro assunto.

Já estão disponíveis no mercado nacional carros com tecnologia hídrida, como o Mercedes-Benz S400 Hybrid e o Ford Fusion Hybrid, vendidos respectivamente por R$ 440.060,00 e R$ 133.600,00. O S400 fica em uma faixa de valor abaixo dos demais modelos da linha S, enquanto que o Fusion é consideravelmente mais caro que o V-6.

Ainda não há um modelo puramente elétrico disponível no nosso mercado, como seria o Tesla Roadster ou o novo Nissan Leaf, muito comentado no momento. Os veículos totalmente elétricos não utilizam nenhum tipo de motor a combustão, apenas a carga dos acumuladores de energia elétrica.

Mercedes-Benz S400 Hybrid

Mas fica uma pergunta, será que mesmo com um preço mais acessível, estes carros seriam bem aceitos no mercado nacional? Tenho minhas dúvidas, pois é uma mudança e tanto, especialmente na questão cultural. Não estamos acostumados com nada que seja diferente dos nossos veículos atuais, em que regularmente vamos ao posto abastecer o carro com um líquido milagroso e raro, pois ao preço que pagamos deve ser algo de outro planeta.

No caso dos híbridos, a adaptação é bem mais fácil, pois a única diferença é que às vezes o carro vai se mover sem fazer barulho (Fusion somente, pois no Mercedes o motor elétrico é apenas auxiliar), algo que muitos não vão nem perceber. O posto de combustível continuará na rotina semanal. Com os elétricos a questão já é mais dolorosa aos costumes, pois estes requerem carga com muito mais frequência.

Pessoalmente não acredito que essa moda "pegue" por aqui tão cedo, pois a chance destes carros serem vendidos a preços razoáveis é mínima. O Fusion Hybrid é muito mais acessível que o S400, mas ainda assim é caro. Como sempre, é provável que o fator "moda" seja mais relevante na hora da venda que realmente o menor consumo e emissões de poluentes. Foi assim com o Smart, o Mini e o 500, caros e chiques, não veículos urbanos bem projetados.

Tesla Roadster, 100% elétrico

Ainda contra o elétricos, não temos infraestrutura para suportar a carga necessária. Apenas nos grandes centros seriam dispostos pontos de recarga, o que inviabilizaria muitos roteiros de percursos longos. Se com alguns dias um pouco mais quentes já temos apagão, imaginem com milhares de carros plugados na tomada carregando durante a noite toda...

Sinceramente eu também acho que não é mentalidade nossa a preocupação com poluentes. Estes carros podem ser atraentess por serem mais econômicos, mas ao preço que devem chegar, quem puder pagar por eles geralmente não está preocupado com o preço do combustível. Com uma isenção de impostos e subsídio do governo, o valor de mercado pode ser mais interesante, mas sabemos que é pouco provável. Nosso público não está regulado para este mercado ainda.

Não aconteceu por aqui, mas o famoso EV-1 da GM foi morto por razões políticas. No Brasil, o incentivo a novos produtos como estes é nulo. Se nem os carros a diesel podemos ter, quem dirá dos modernos híbridos e elétricos? Talvez daqui uns dez anos algo possa estar um pouco diferente.

O finado GM EV-1

fotos: divulgação, popularmechanics.com

MB

20 comentários :

  1. Como arquiteto faço um comparativo sobre os tijolos. Dizem por aí que lançaram um tijolo ecológico.

    Sério que é ecológico? Do que é feito? Usa barro prensado, né? Como se terra não fosse um recurso natural sendo exaurido...

    Pessoal, se é fabricado ou manufaturado, logo não é ecológico. Não caiam nesta pegadinha. Infelizmente a atividade humana é predatória por definição. Somos todos parasitas do mundo vegetal, que depende da luz do sol para nos manter vivos.

    Nossa capacidade de sermos autônomos e preservar o equilíbrio do meio ambiente é zero. A única solução é tomar partido do consumo moderado das coisas, em tudo.

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  2. Moro numa capital. E como toda capital, num edifício com amplos apartamentos, construído em 1950, época em que o automóvel no Brasil ainda era, por assim dizer, "raro" e pouco acessível. Portanto, não era da cultura daquela época garagens fazerem parte do projeto. Meu carro, portanto, fica num edifício garagem, há meia quadra de meu edifício. Se comprasse um carro elétrico, como eu faria para abastecê-lo com energia ? Tomadas elétricas no ed. garagem ? Nem pensar, e se tivesse, certamente seria desligada. Com o fim do ciclo Otto na Europa, em 2050, não sei se nos será viável.

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  3. Rômulo Rostand02/04/11 11:38

    JT,
    Aí você entrou no discurso da definição extremista. O que é ecológico então? Se formos puristas, você está corretíssimo.
    Mas será que o rótulo de ecológico tem significar algo que traz impacto ambiental nulo?
    Não sei. O assunto ganhou muito espaço rapidamente e ainda carece de melhores definições e até terminologias específicas.
    É pano para manga, mas, até lá acho precisaremos ter uma forma de expressar, comparativamente, o impacto de cada forma de atividade produtiva concorrente para podermos fazer uma escolha mais amigável quando da aquisição de um bem ou produto.
    Tijolo prensado favorece uma das três novas ordens mais conhecidas na busca pela sustentabilidade,
    "Reduzir, reciclar e reaproveitar".
    Reduz consumo de lenha, por isso estaria melhor posicionado numa escala de impacto ambiental. Também, sua forma de produção foi concebida visando menor impacto ambiental. É fruto de uma preocupação com o meio-ambiente.
    Nesse caso, acho que não estaria tão mal empregado o rótulo de ecológico.

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  4. Milton, o publico alvo da Ford nao é o consumidor comum, pessoa fisica. O interesse da marca era vender o fusion hibrido para uso empresarial, principalmente empresas com algum vinculo em meio ambiente e atender a frota governamental.

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  5. Concordo com você, caro Rômulo, mas a indústria da construção civil deveria investir num sistema construtivo que eliminasse os entulhos, que parcialmente são aproveitados na composição dos tijolos ditos ecológicos. Investir no aumento da produção deste artefato é o mesmo que incentivar o desperdício na construção primária.

    É como comprar a camisa da seleção brasileira. A Nike diz que é ecológica, pois é feita com o plástico reciclado das garrafas pet. Pergunto: o que você faz com uma camisa reciclada que fica velha? Não dá para reciclar de novo. E outra, se o costume de usar garrafas de vidro retornáveis fosse resgatado, a Nike não teria matéria prima para vender suas camisas de lixo a preço de luxo.

    Talvez os produtos pudessem conter um selo com o três "R" que você citou, mas esse papo de "ecologicamente correto" e "sustentabilidade" é mais uma estratégia de mercado do que preocupação real com os recursos naturais. No fim das contas o que as empresas ambicionam é aumentar seus lucros, só isso.

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  6. Esta questão é pertinente. Qual a difinição para o que seja ecologicamente correto?

    Se formos pesquisar, o clima está ficando diferente não se sabe bem ao certo. Se é um problema causado pelo homem ou se é um ciclo natural do nosso "pontinho" no universo, como alguns afirmam.

    Como vamos RRR (reduzir, reciclar e reutilizar), se nossa sociedade é consumista por natureza e a quantidade de pessoas economicamente ativas só aumenta?

    Na minha ignorância eu consigo afirmar que, atualmente a maioria absoluta das pessoas ficam sem água um mês em casa, mas não ficam uma semana sem energia elétrica ou combustível. Tudo dado aos nossos costumes da vida moderna.

    Quer "reduzir"? Que seja a população. Não vamos entrar neste mérito pq é pano pra manga. MUITA manga...

    Quer "reciclar"? Incentivos fiscais para as plantas de reciclagem. Não só de derivados de petróleo e metais. Água também.

    Quer "reaproveitar"? Jamais em uma sociedade consumista e cheia de moda. O que era bom no passado, agora já é ultrapassado...

    Quer reduzir a quantidade de gases nocivos à saúde? Deixemos de comer carne vermelha, então. Vamos - todos - viver de peixes e vegetais.

    Somos dependentes da indústria de energia tão mais quanto a indústria da saúde e alimentação.

    E nosso modal de energia está sim baseado nos combustíveis fósseis, salvo alguns locais que se utiliza de transformar energia cinética/potencial/geotérmica.

    Na minha opinião ignorante. Quer mudar o clima? Não é somente mudando-se os automóveis que conseguiremos isso... Hipocrisia da grossa acreditar nisso.

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  8. A não ser que haja um grande salto tecnológico, não imagino que ninguem vá ter um carro puramente elétrico como carro principal num futuro próximo.

    Mas estes poderiam muito bem ser o segundo ou terceiro carro da família, aquele "kei car" destinado a trajetos urbanos curtos (ir ao supermercado, ou mesmo ir ao trabalho ou faculdade para quem mora REALMENTE perto).

    A recarga então seria feita em casa, durante à noite. Para uma base de usuáros pequena, isso não daria muito problema desde que a recarga começasse de madrugada. Se começasse quando as pessoas chegassem em casa (no "horário nobre"), seria terrível pois esse já é o horário de pico de consumo energético.

    Talvez um problema do Brasil seja que muitas pessoas imaginam que a geração de energia por usinas hidrelétricas não agride o meio ambiente, por não envolver a queima de combustíveis. Mas, temos que lembrar que elas têm sim um grande custo ambiental, pois cursos de rios são fortemente alterados, e grandes áreas são alagadas, destruindo desde cidades até florestas.

    Ou seja, energia sempre vai ser ter um custo ao meio-ambiente, de uma forma ou de outra. Considero que ser mais ecológico não tem tanto a ver com a fonte de energia utilizada, mas sim com se obter um maior desempenho com um menor consumo de energia (ou seja: maior eficiência, menos perdas).

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  9. Eu sou o número 9!!!

    9! 9! 9!

    Se liguem que o 10 vem aí!!!!!

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  10. Não confio no carro elétrico.
    Vão enfiar as baterias velhas onde? De onde vão tirar mais energia elétrica?

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  11. Ja falei noutro post aqui. Carro vai virar sacola de supermercado. Inventaram essa conversa de sacola ecológica só pra diminuir o custo do supermercado com sacola plastica. No Brasil elas não são vendidas. Então, inventaram essa conversa pra fazer a pobre coitada da mulher moderna, que só come peito de frango grelhado pra não engordar, mas nunca viu como é uma galinha viva ciscando a gastar o fruto do seu trabalho com essa sacola de tecido, exatamente como a bisavó dela fazia pra ir na feira.
    E ainda aumenta o faturamento do estabelecimento.
    Então, nunca vão inventar alguma coisa que fosse vantajoso pra nós, pobres incautos consumidores.
    Querem apenas arrumar um jeito pra te cobrar mais caro por algo que vc não precisa.

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  12. Se a forma de produzir energia elétrica for poluente ou perigosa, logo o carro elétrico não será ecológico. Além disso, como será a destinação das baterias, altamente poluentes de nascença?

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  13. Senhores, convivi com um carro elétrico urbano em Belo horizonte nos anos 1980. Quase nada mudou até hoje, esperava que a evolução do telefone celular trouxesse propostas para os autos, mas vieram a passos de tartaruga.
    Quem já assistiu o filme/documentário "quem matou o carro elétrico" produzido por Mel Gibson e encontrado ainda hoje nas locadoras, sobre o chevrolet da última foto acima, entenderá porque não fizemos o segundo carro e onde a Gurgel começou a "pisar na cova".
    A grande dúvida no passado e que ainda não quer TER resposta é o preço para repôr as baterias, depois de 2 ou 3 anos de uso, estando o carro lá pelo segundo dono, precisará de subsidio para novas baterias ou veremos como no ínicio do pro-alcool, que carros originais a alcool iam às retíficas serem passados a gasolina por desconfiança dos donos frente aos abusos dos usineiros.
    A industria de baterias que peitar as industrias dos componentes de motor a combustão irá ter os donos de elétricos na palma da mão. Imagina ter um elétrico ou híbrido com 3 anos de uso e ter que decidir entre novas baterias por 15 mil reais ou um powertrain usado flex por 8 mil...

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  14. Com relação às baterias dos híbridos, pelo menos no caso do Toyota Prius (e demais Toyotas, já que o Prius é a base de todo o desenvolvimento de híbridos dessa fabricante), em que as primeiras unidades vendidas já têm mais de 10 anos, elas (as baterias) se mostraram surpreendentemente duradouras e livres de defeitos. Aparentemente, apresentam menos falhas que outros componentes caros de qualquer veículo, como central eletrônica, câmbio, motor, etc. Há relatos de usuários de Prius que passaram dos 400.000km e as baterias estão ok. A garantia sobre as baterias também é alta, coisa de 10 anos - e 15 anos na Califórnia (!). E segundo a Toyota, até 2010, nenhuma havia sido substituída na garantia. Na minha opinião, "híbrido" pode já ser considerado tecnologia madura, pelo menos no caso da Toyota.

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  15. Thiago,
    Acho que não é muito bom negócio focar num mercado restrito assim, o público "comum" é muito maior.
    abs

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  16. Joel,
    Há planos de reciclagem das baterias, mas concordo que com o aumento da produção e consumo do mercado pode se tornar um problema.
    Não dá para saber como vai ser mais pra frente.
    abs

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  17. Luiz CJ,
    O preço ainda é muito alto para reposição, só com o grande aumento da produção que isto vai se reduzir.

    Se a escalada rumo aos elétricos continuar, novos problemas surgirão, como disponibilidade de matéria prima para as baterias.

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  18. O discurso das empresas hoje em dia é "social e ambientalmente responsável". Se mudar o discurso, vende menos.

    Desta forma, estão gastando fortunas com carros elétricos e a autonomia continua ridícula. Os híbridos continuam por demais complexos. E a questão das baterias, que também serão lixo ambiental ? Para mim, isto tudo é discurso de ONG oportunista.

    Viva o motor á combustão ! E, lá no futuro mais distante, acredito na célula de combustível. mas vai demorar muito.

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  19. Acabo de achar por acaso este estudo recente sobre o tema.

    De fato, os carros "ecológicos" estão longe de ser a panacéia que os eco-chatos triunfalistas apregoam.

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  20. Em primeiro lugar temos que pensar: de onde vem a energia elétrica do carro elétrico?

    Em segundo lugar: o que é mais "ecológico"? um Fusca 1966, que está rodando e cumprindo o seu propósito há 45 anos e seu aço (grande maioria de sua composição) pode ser facilmente todo reaproveitado; ou carro elétrico da moda que depois de 5 anos de uso vai ser trocado por um modelo mais "fashon" e vai vira lixo extremamente tóxico?

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