google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)



End. eletrônico:edita@rnasser.com.br                               Fax: +5561 3225-5511  Coluna 2413  12.junho.2013

Segura peão. Picape Mercedes
A Mercedes-Benz argentina confirmou estudos para desenvolver picape médio, do porte do VW Amarok, Ford Ranger, Mitsubishi Triton, e que-tais. A Coluna comentou isto há um ano e os executivos da Mercedes-Benz do Brasil, maior mercado para o produto, fizeram cara de paisagem. Agora, a empresa no vizinho país confirmou o desenvolvimento.
Os mapas de vendas de utilitário na Argentina são conceitualmente idênticos aos do Brasil, puxadas pelos picapes, e o fator facilitador não se resume ao mercado consumidor destes veículos, nem o fato de a estrela alemã ser o equivalente do tradicional slogan da igualmente alemã Bayer, tipo se é Mercedes, é bom, mas a concretude de ter deslocado a produção do furgão Vito da Espanha, para a Argentina.
Assim, atirou no que viu, o mercado de vans e assemelhados, e acertará no que os olhos europeus não enxergaram – o curioso mercado de picapes, em vendas superior ao de utilitários. Se colocados num gráfico, os picapes brasileiros expõem característica interessante – a aplicação ao trabalho é inversamente proporcional ao preço -, mostram as cidades de economia intensiva em agronegócio, pecuária, produção de cana. Nelas os clientes de picapes, os chamados agroboys, usam-nos como automóveis de luxo e status. Será nestes que a Mercedes mirará. Abaixo, gradação de versões que acabará, até, em chassi pelado para receber carroceria de madeira e fazer serviço de carregar coisas e semoventes.
Produzir o Vito cria disponibilidade do trem mecânico, chassi, eixos, motor diesel. Dúvida e curiosidade. Desconhecido se o produto será um Vito com cabine seccionada, gerando plataforma de carga, ou cabine inteiramente nova. Curiosidade, a família que hoje inclui o Vito era a linha de comerciais da Volkwagen europeia, vendida à Mercedes.
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Gosta de SUV? Olha o Kuga aqui  
Definitivamente, a América do Sul é mercado para ser cuidado, e a Ford resolveu acertar o passo, incluindo nas linhas de produção da parte sul do continente apenas produtos globais – Ranger e Focus na Argentina, Fiesta e EcoSport no Brasil. Assim, atualizou o Focus, lançado há poucos anos, e cumpriu promessa anterior: construir o Kuga, utilitário esportivo, sobre sua plataforma.
Para estar atrativa no Salón del Automóvil de Buenos Aires – próxima semana – pré-apresentou os produtos, surpreendeu a todos com a notícia do Kuga. Conhecido como Escape nos EUA é, em simplório dizer, um EcoSport malhado. Chega ao Brasil final do ano.

Kuga, outro irmão maior do EcoSport
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Fotos: autor


Não me lembro quem me ensinou esta, de que a postura para pilotar moto vem da postura adotada na montaria do cavalo, então, tendo por base motos clássicas, montamos na moto inglesa da mesma maneira que nos aboletamos na seleta inglesa de equitação clássica, com a coluna reta e joelhos flexionados. Já nas motos americanas, leia-se aí as Harley-Davidson, nos posicionamos que nem os cowboys em suas selas texanas, pernas esticadas à frente e quadril adiante do tronco. Se a coisa vem mesmo daí, já não dá para saber, mas que a comparação bate, bate.


As Royal Enfield estão sendo importadas da Índia por quem por anos fabricou as famosas motos Amazonas, aquelas com motor VW 1600 a ar. As Royal Enfield começaram a ser fabricadas na Índia em 1956. Logo em seguida a fábrica da Índia foi vendida a indianos e estes continuaram a fabricá-la exatamente igual, não mudando nada, mesmo porque não havia o que mudar, já que ela atendia perfeitamente às necessidades, gastava pouco combustível e encarava com galhardia estradas da pior espécie, subindo as geladas montanhas do Himalaia e atravessando os alagados das Monções, e o que acho o pior, aguentando arranhadas de marcha e maus-tratos de gente não muito ligada aos bens terrenos. Há três anos lançaram este novo motor de 500 cm3, pois até então o único fabricado era o de 350 cm3.


Para um carro ser classificado como “bom” pela maioria das pessoas, mídia técnica inclusive, alguns requisitos são primordiais. Qualidade de acabamento está entre as principais. Teor tecnológico também conta bastante, com recursos e itens de moderno desenvolvimento.

Alguns conceitos são tidos como ultrapassados, que não agregam mais ao produto. Entre eles, podemos destacar dois conceitos usados em suspensão traseira utilizados hoje em dia em dois grandes nomes do mercado americano. Para o grande público, a realidade é que pouco importa qual é o tipo de suspensão que o carro tem. Importa se é barato e se não quebra.

O primeiro item é o tipo de suspensão propriamente dito, no caso, o eixo rígido traseiro trativo. Este conceito é usado largamente em picapes, vans e caminhões por ser simples e funcional, com boa capacidade de carga e baixo custo de manutenção. Antigamente, este tipo de eixo era usado na maioria dos carros, mas aos poucos foi sendo substituído por sistemas independentes, ou mesmo pela eliminação da tração traseira.

Eixo do Mustang, com buchas de posicionamento no centro do diferencial.

Ai está a paisagem que todos os anos brinda os olhos dos antigomobilistas, o evento de Águas de Lindóia, SP

Entre os dias 30 de maio e 2 de junho, no feriado de Corpus Christi, realizou-se o maior e mais importante evento de carros antigos do Brasil, o Encontro Paulista de Automóveis Antigos. Há dezoito anos acompanho o evento, que em sua primeira edição foi em Águas de São Pedro, também no interior de São Paulo, e depois passou para Águas de Lindóia. Nesse meio-tempo fiz muitos amigos, sempre que posso vou ao Encontro para vê-los, eles que vêm do país inteiro teimando em migrar para a pequena cidade serrana paulista, famosa por estar no Circuito das Águas e se ter tornado a capital do antigomobilismo nacional.

Jensen Interceptor, raro de ser visto aqui no Brasil
Caminhão de bombeiros American La France e motocicleta Harley-Davidson, duas viaturas de combate a incêndio
Galaxie 1966 conversível, um americano que infelizmente não foi fabricado por aqui

Fantasmas elétricos: defeitos simples, porém difíceis de diagnosticar

Ao longo de mais de 30 anos, quer seja como estudante, entusiasta ou como profissional, venho lidando com a manutenção e reparação de sistemas elétricos e eletrônicos nos mais variados tipos de equipamentos, e tenho encontrado diversos tipos de problemas.

Entretanto, tenho visto que existe uma categoria de problemas elétricos que assustam ou pregam peças mesmo nos profissionais mais experientes. E, para piorar, com a introdução de cada vez mais eletrônica e funcionalidade nos mais variados tipos de equipamentos, e entre eles o automóvel, este tipo de falha elétrica tende a se tornar cada vez mais comum.

Quando um carro vai para a oficina com um defeito capcioso, o profissional fica confuso, e nada define melhor o desespero dele que aquele velho ditado,  “procurando chifre em cabeça de cavalo”.

O defeito aparentemente não tem lógica, e o profissional passa para a velha técnica de ficar trocando peças para tentar localizar qual a com defeito. Pior é quando o defeito é intermitente, porque o profissional troca a peça, o defeito some e é dado como reparado, o dono retira o carro, paga pelas peças trocadas para o defeito reaparecer pouco depois.

Isso quando não ocorre uma das mais fundamentais Leis de Murphy, chamada “Efeito Demonstração”: o defeito atazana a paciência do pobre motorista, mas quando vai para o mecânico, ele insiste em não aparecer.
Fotos: autor


O convite da Citroën era misterioso: participar da Missão Ombú B73 na Argentina. Apesar do suspense, a missão era bastante agradável e diferente: participar dos testes finais antes da produção do novo C4, que aqui vai se chamar Lounge, rodando quase 400 km por belas montanhas próximas de Alta Gracia (cerca de 40 quilômetros de Córdoba).

Alta Gracia também é conhecida por ter sido o lar de Che Guevara durante sua infância. Sua casa foi transformada num museu. Eram apenas cinco jornalistas brasileiros e, num momento de folga, dois colegas tentaram visitar a “casa do Che”. Não conseguiram: só aceitavam pesos argentinos, nada de real ou cartão de crédito. Nada de democracia para se conhecer as memórias de Guevara.

É em Alta Gracia que fica também a Oreste Berta S.A., a magnífica e mundialmente famosa firma de preparação de motores e desenvolvimento de automóveis, que até túnel de vento tem, fundada por "El mago de Alta Gracia", como é cognominado Oreste Berta, pela excelência de suas realizações nesse campo por mais 50 anos.



O mais arrojado, destemido e insano dos pilotos que tentar levar o Piaggio MP3 ao limite em curvas dificilmente vai conseguir atingi-lo e ficará sempre com um ponto de interrogação na mente: será que dava para ousar ainda mais?

Este curioso e inovador scooter do grupo Piaggio (colosso industrial italiano fabricantes de aviões, criador da Vespa e atual dono das marcas Aprilia e Moto Guzzi, entre outras) é mesmo um veículo desafiador: tem um par de rodas dianteiras cuja característica é acompanhar a inclinação do veículo nas curvas, ou seja, um triciclo que se comporta dinamicamente como qualquer outro meio de locomoção sobre duas rodas e não como outros “três rodas”.


Tal elaborada suspensão dianteira por quadrilátero deformável é o “x” da questão, o segredo do peculiar MP3 que, da metade para trás, pouco difere de um normalíssimo scooter convencional, e empurrado por um motor monocilíndrico de 300 cm³ com câmbio CVT.



Quem é leitor do blog já sabe: a Carreata da Solidariedade de Moema, em São Paulo, é uma deliciosa tradição que abre o inverno para os paulistanos que gostam de carros, já há mais de dez anos.

Todo ano o AE participa de alguma forma, e desta vez o MAO vai com o amigo Erico em seu Dodge Charger R/T que esteve recentemente nas páginas do AE. O leitor está convidado a bater um papo com ele e o Erico na concentração, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Esperança, de Moema, antes da saída da carreata, ao redor das 11 horas da manhã.

Para quem não sabe: a Carreata da Solidariedade de Moema é um evento beneficente no qual carros antigos percorrem as ruas do bairro de Moema, em São Paulo, recolhendo doações de agasalhos, roupas e alimentos não perecíveis, que são doados ao fim do passeio à paróquia de Nossa Senhora da Esperança, de onde partem e chegam os comboios. A igreja depois repassa as doações a várias entidades assistenciais. 

A concentração é na Al. Jauaperi, esquina com a Av. dos Eucaliptos, em frente à Igreja Nossa Senhora da Esperança, de onde os carros partem para duas carreatas distintas pelo bairro, uma seguindo pelo lado conhecido como "Pássaros", a outra, pelo lado conhecido como "Índios", tomando a Av. Ibirapuera como divisor. É bastante divertido!


O clima de camaradagem envolve todos e há muito que ver, vale a pena
Não é necessário inscrição nem reserva prévia; basta encostar seu antigo na concentração e participar. É totalmente democrático. O evento, organizado pelo Dr Alexandre Murad e família, já é uma tradição do bairro, que este ano está na sua 12ª edição.

Se você tem um carro antigo, ou simplesmente quer ajudar, encoste na concentração, a partir das 9h da manhã deste domingo dia 9 de junho, depois de amanhã. Se quiser fazer sua doação de roupas ou de alimentos não perecíveis, vá à concentração, ou nos aguarde pelas ruas do bairro. As entidades ajudadas agradecem.
Esperamos vocês lá!

Os participantes vão só recolhendo, a colaboração dos moradores de Moema é enorme


AE




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20 a 30 de junho, el  Salón del Automóvil de Buenos Aires
Soma de coragem, capacidade de entender o corcovear da economia argentina, vendas e perspectivas de crescimento, a Adefa, associação dos fabricantes, e a empresa AMC de promoções, farão a sexta edição do Salón Del Automóvil.  Será no espaço multieventos, dito La Rural, em Palermo, beiradas da grande Buenos Aires. Contornaram as dificuldades. em especial as mais recentes, impostas pelo governo platino que negaceou o uso da área e, ao final, apesar do pouco tempo entre a certeza e a abertura, a Argentina, segundo maior mercado da América do Sul terá 40 novidades que interessam ao Brasil, maior. Mostra-las-á por 24 marcas internacionais, de automóveis e caminhões – única chinesa, a Chery.
A nós
De maior interesse ao consumidor brasileiro:
Citroën C4 Lounge, substituto do Pallas. Para os argentinos. DS3 conversível, dito Cabrio e um DS5 híbrido;
Chevrolet Tracker, SUV compacto – 4,25 m, motor 1,8, injeção direta, 140 cv, caixa automática com 6 marchas ou manual com 5, tração total sob demanda. Mexicano, será importado para o Brasil com o nome de Traxx;
Chrysler, por sua divisão RAM, de picapes, repete a ação da Ford com o F-250. Importará o picape grande 1500, posição de tamanho e preço acima dos líderes de mercado lá produzidos, Toyota HiLux, Ford Ranger e VW Amarok. Completo, cabine dupla, motor V-8 a gasolina, 5,7 litros e 390 cv de potência;
Fiat 500 L – quatro portas. Olhe e veja. Não é apenas um cinquecento esticado. De sua plataforma sairá o primeiro degrau da família Jeep, a ser produzido na fábrica de Goiana, PE;

Fiat 500 L será a base do Jeep pernambucano



Hitler era vagabundo, mentiroso e metido a sabichão. Achava-se o iluminado e distribuía ordens a torto e a direito como se infalível fosse. Sua única genialidade se restringia à capacidade de sua oratória inflamar de raiva um povo sofrido e humilhado pela derrota na Primeira Guerra Mundial. Para sorte dele e azar do mundo ele não era chegado à cachaça e sua ambição não era só a pequenez de enriquecer. Muitos acham que a Alemanha nazista fez o estrago que fez devido à genialidade estratégica do seu Führer; já eu acho que se ele não se metesse tanto a dar ordens diretas no comando da guerra, seus competentes generais teriam dado bem mais trabalho aos Aliados.

As boas idéias ele tomava para si e o que acontecia de errado ele alegava que desconhecia e se dizia traído. Algumas idéias ele realizou e muitas outras ficaram só na conversa, porém todas, no fundo, objetivavam um aparelhamento para a sua almejada guerra. Vejamos algumas das que realizou e que influenciaram o mundo dos automóveis.

Fotos: fiestaguides.co.uk



No final de 1992, o diretor de redação de Quatro Rodas, Carlos Costa, me chamou à sua sala e disse: "Bob, você vai à Inglaterra para duas matérias que temos pautadas, andar num Ford Fiesta com motor experimental dois-tempos e ir à Lotus tentar descobrir o estão fazendo no motor 4100 do Opala para colocá-lo no Omega". E assim lá fomos, eu e o então fotógrafo Sílvio Porto, à terra da Rainha com essas missões. Eu era editor técnico da revista.

A ida à Ford havia sido acertada com a filial daqui, que era regida, junto com a Volkswagen brasileira, pela holding Autolatina. Assim, fomos convenientemente recebidos no Centro de Pesquisa de Motores e Combustíveis da Ford inglesa, em Essex. Pela minha vivência com o DKW-Vemag e seu motor de três cilindros a dois tempos, eu tinha imensa curiosidade de ver, andar, sentir, como seria um novo motor dessa configuração e cilindrada ligeiramente superior – 1.197 cm³, contra 981 cm³ do DKW – dotado de novo sistema de formação de mistura engendrado pelo australiano Ralph Sarich, que vinha se destacando no mundo automobilístico com a promessa de motores dois-tempos limpos, de baixas emissões.

Os dados do motor do Fiesta eram muito interessantes: 81,5 cv a 5.500 rpm e 12,7 m·kgf a 4.400 rpm, aspiração atmosférica. Isso dava 68 cv/L de potência específica, um grande salto sobre os 44,6 cv/L do DKW, que desenvolvia 44 cv a 4.500 rpm. A diferença de torque era ainda mais expressiva, no DKW era de apenas 8,5 m·kgf. Em termos de torque específico, saltava de 8,66 para 10,6 m·kgf/L.

O Fiesta dois-tempos era alvo de muita curiosidade
Fotos: divulgação ou autor 



A fase do Fiat 500 importado do México começou em agosto de 2011, depois do início da importação da fábrica da Fiat na Polônia, no começo de 2010, da qual falamos. Mas só por ocasião do último Salão do Automóvel é que a Fiat apresentou a versão Cabrio, despertando minha curiosidade. Se o pequeno carro já tinha dotes que o tornavam desejável, a novidade de se poder dirigi-lo a céu aberto só deveria deixá-lo ainda mais atraente – deixou, embora seja preciso pagar um preço relativamente alto para isso, R$ 60.200, que pode chegar R$ 65.426 se dotado do kit Safety (bolsas infláveis de cortina e para os joelhos do motorista, R$ 1.414) e do kit Cabrio (conectividade Blue&Me e Bluetooth, ar-condicionado digital, sensor de estacionamento traseiro, sistema de áudio Bose premium, bancos de couro e retrovisor interno fotocrômico, R$ 3.812).

A idéia do Cabrio é tipicamente européia e o 500 C de 1957 tinha o mesmo esquema deste, em que o teto recolhe todo.

Já havia esse tipo de teto no 500 C de 1957 (foto valongo-porto.olx.pt)


Este post, uma adaptação, foi escrito para aqueles autoentusiastas que curtem cheiro de gasolina por queimar, hidrocarboneto puro, e pouco se importam com seu impacto na atmosfera. Pelo contrário, sempre que gases de escapamento lhes ardem os olhos, sua reação imediata é um sorrisinho no canto da boca. Portanto, amigos do verde, automóveis elétricos e emissões zero, não me levem a mal, recomendo não seguir adiante.

A segunda parte da vida deste Mercedes-Benz AMG começou num domingo típico de uma família americana, em Chicago, EUA, a mãe gritando com os meninos por estarem atrasados para o jogo de futebol do time da escola, coisa de vinte minutos, o suficiente para deixar o técnico deles furioso e não aceitar o atraso, começando a partida com dois jogadores importantes a menos

Mercedes-Bens SL66 AMG: primeiro e único
Frustrado pelo insucesso matutino e temendo a cara e broncas de reprovação da esposa por ele, pai, ter sido parcialmente responsável em não levá-los a tempo, dirigiu no caminho de volta para casa mais devagar que o normal, pensando no que dizer para amenizar a situação.
Plano da mais nova ladroeira da CET

Primeiro foi o DER-SP falando nessa história de autuar por excesso de velocidade pela média, não pelo pico, mas o assunto esfriou. Agora é a vez da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, empresa de economia mista (?), que efetivamente exerce o controle do trânsito na capital paulista em nome do Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) da Secretaria Municipal de Transportes, arquitetando a mais nova versão de caixa registradora — ou seja, assalto ao bolso do cidadão à mão armada com equipamento eletrônico em vez de arma de fogo —, a autuação pela média, conforme noticiado pela mídia, como a Folha de S. Paulo online neste domingo (2/6), de onde tiramos o gráfico que abre este post e agradecemos.

O roubo de prefeitura é realmente suprapartidário. O rodízio que o diga: começou com o vivaldino do Celso Pitta (PTN), continuou com a prefeita que diz que é sexóloga (PT), depois José Serra (PSDB), Gilberto Kassab (DEM, depois trocou para o PSB) e Fernando Haddad (PT). É como o antigo mote do Banco Bamerindus, "O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa", bastando substituir Bamerindus por rodízio em São Paulo. Continua numa boa há 16 anos ferrando a vida de todo mundo para nada resolver.


O Porsche 911 completa 50 anos este ano, desde sua apresentação no Salão de Frankfurt  em setembro de 1963. De lá para cá, mais 820.000 foram produzidos e dois terços destes continuam rodando. Depois de meio século, mesmo nesse nosso tempo de rápidas e grandes mudanças, nada indica que esteja “datado”, em declínio, pelo contrário, continua a surpreender e a empolgar, especialmente aqueles que apreciam carros esporte e, mais especialmente ainda, os que fazem questão de usá-lo no dia a dia. Em 2012 foram vendidas 26.203 unidades no mundo inteiro.

Na eleição, pelos leitores, dos “Melhores Carros” do Best Cars, já na sua 15ª edição, a categoria “Carro dos Meus Sonhos” é dominada pelo 911 desde a primeira eleição, o que evidencia um fascínio incomum por um modelo de automóvel.


O 911 e a Porsche atravessaram momentos difíceis, como as crises do petróleo de 1973 e 1979 e a grave crise financeira mundial iniciada em setembro de 2008 e continua a assolar o mundo, particularmente a Europa. O 911, especificamente, com seu motor lá atrás, “de popa”, continua mais firme do que nunca desafiando a lógica do comportamento dinâmico e não dá a menor bola para seus detratores, que teimam em dizer que esta configuração “já era”.



Quem é leitor do blog já sabe: a Carreata da Solidariedade de Moema, em São Paulo, é uma deliciosa tradição que abre o inverno para os paulistanos que gostam de carros, já há mais de dez anos.

Todo ano o AE participa de alguma forma, e desta vez o MAO vai com o amigo Erico em seu Dodge Charger R/T que esteve recentemente nas páginas do AE. O leitor está convidado a bater um papo com ele e o Erico na concentração, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Esperança, de Moema, antes da saída da carreata, ao redor das 11 horas da manhã.

Para quem não sabe: a Carreta da Solidariedade de Moema é um evento beneficente no qual carros antigos percorrem as ruas do bairro de Moema, em São Paulo, recolhendo doações de agasalhos, roupas e alimentos não perecíveis, que são doados ao fim do passeio à paróquia de Nossa Senhora da Esperança, de onde partem e chegam os comboios. A igreja depois repassa as doações a várias entidades assistenciais. 

A concentração é na Al. Jauaperi, esquina com a Av. dos Eucaliptos, em frente à Igreja Nossa Senhora da Esperança, de onde os carros partem para duas carreatas distintas pelo bairro, uma seguindo pelo lado conhecido como "Pássaros", a outra, pelo lado conhecido como "Índios", tomando a Av. Ibirapuera como divisor. É bastante divertido!


O clima de camaradagem envolve todos e há muito que ver, vale a pena
Não é necessário inscrição nem reserva prévia; basta encostar seu antigo na concentração e participar. É totalmente democrático. O evento, organizado pelo Dr Alexandre Murad e família, já é uma tradição do bairro, que este ano está na sua 12ª edição.

Se você tem um carro antigo, ou simplesmente quer ajudar, encoste na concentração, a partir das 9h da manhã do domingo dia 9 de junho, o próximo depois de o de amanhã. Se quiser fazer sua doação de roupas ou de alimentos não perecíveis, vá à concentração, ou nos aguarde pelas ruas do bairro. As entidades ajudadas agradecem.
Esperamos vocês lá!

Os participantes vão só recolhendo, a colaboração dos moradores de Moema é enorme


AE
Charge publicada no Diário de Pernambuco

A frase do título é de autoria desconhecida, mas no assunto trânsito tem sua validade mais uma vez confirmada.

Quem já não se sentiu injustiçado por uma multa que aparenta ser absurda, ou indignado com alterações feitas pelos departamentos de trânsito Brasil afora que contribuem para piorar o fluxo de veículos ?

Como será que a horrenda situação atual, onde somos filmados e fotografados a todo instante surgiu e se desenvolveu? Por que será que há muita tecnologia empregada para fazer valer limites de velocidade e comportamentos dentro das leis de boa conduta do trânsito?

Essas poucas perguntas e muitas outras me atormentam, e acredito que incomodem o amigo que gosta de dirigir seu veículo nas ruas, avenidas e estradas, seja em duas, três, quatro ou mais rodas.





End eletrônico:edita@rnasser.com.br                                    Fax: (61) 3225-5511  Coluna 2213  29.maio.2013

Começar de novo. Os motores com três cilindros
Quarenta e cinco anos e muitos meses após findar a produção dos motores 1,0 com três cilindros, a Volkswagen volta a fazê-los. Os de boa memória e os versados em indústria automobilística nacional lembrar-se-ão dos engenhos de origem DKW aqui lançados pela Vemag, assumida e fechada pela Volkswagen. Mas a semelhança aí se encerra. Os pioneiros, resistentes, simples, operavam no ciclo de dois tempos. Os atuais, em 4T, apesar da mesma cilindrada, tem 4 válvulas por cilindro – os anteriores as dispensavam –, injeção direta de combustível, e produzem aproximados 80 cv. Os outros, em torno de 60 cv. Em torque, respectivos 8,5 e 9,6 kgfm – tremendo ganho.
Novo ciclo
No atual ciclo da indústria automobilística, quando os advogados das ONG e das áreas de governo ligadas à ecologia e ao planejamento definem regras para consumo e emissões dos combustíveis, obrigam a engenharia interpretá-las e dar solução. Motor de três cilindros é a resposta física às normas legais.
A VW iniciou fazê-los em sua fábrica em São Carlos, SP, em projeto de ascensão institucional, e para tracionar seu produto de começar de novo, o Up! Mas os 3 cilindros estão no mercado há algum tempo: o Kia Picanto e sua releitura, o Hyundai HB20 os utilizam tais deslocando 1 litro.
A demarragem vwana é no Fox. Tem porte adequado, veste-o bem, dá-lhe empurrão e sobrevida. No Up! ao final do ano.
No geral
VW larga na frente – com seguidores. Ford testa-os para produzir a curto prazo. Em longo, franceses PSA Peugeot Citroën, e Renault, revisaram os atuais para delongar sua vida útil. Fiat, no extremo, com dois cilindros.
Não é restrita ao Mercosul. Nos EUA, GM aplica US$ 332M para novos 3 e 4 cilindros, base da nova família Ecotec – e diz, para o mítico e luxuoso Cadillac; Ford o produz com EcoBoost – nos EUA é o turbo – e o aplica ao Fiesta e tenta no Focus. Mercedes negocia acordo de cooperação com a Ford: recebe a tecnologia do motor 3-cilindros, em troca da aplicada em seus motores da Classe E, da combustão estratificada, redutora de  consumo.
Desenvolve motor para o Smart no acordo com Renault e Nissan. Na prática estas marcas te-lo-ão operacionais a curto prazo. Será uma ONU – ou uma babel – mecânica, coisa à altura do Roberto Azevêdo nosso respeitado embaixador na OMC: alemães da Daimler, franceses da Renault, japoneses Nissan, estadunidenses Ford, falando alguma língua estabelecida como comum e todas as perdas de tradução – que sorte não haver chineses nesta mesa...




O título do post pode parecer alguma coisa ligada a aperto financeiro, mas não é nada disso e nem se trata de pegadinha. É sobre aperto de porcas e parafusos. Aliás, falando de aperto, isso me lembra o que avô de amigo leitor lhe ensinou sobre com que força se deve segurar o volante de direção: considere-o um passarinho, em que se apertá-lo pouco, escapa e sai voando, se apertá-lo demais machuca-o ou mesmo mata-o.

O aperto de peças rosqueadas está em praticamente tudo à nossa volta. Faz parte da nossa vida. Outro dia meu dentista estava me explicando o processo de implante dentário, em que é colocada uma bucha no osso da arcada. Depois de aberta rosca com um macho, a bucha é rosqueada e apertada – com um torquímetro em kgf·cm (e não kgf·m), portanto um torque de aperto e um torquímetro bem pequeno. Nem mais nem menos, tem de ser um torque preestabelecido, ou o trabalho fica arruinado.

Outro dia minha mulher não conseguia tirar a tampa de uma garrafa de PET de Coca-Cola: torque de aperto excessivo na fábrica.

Às vezes determinadas tampas vêm com aperto excessivo

O Ford New Fiesta com motor 1.6 Sigma TiVCT é o carro nacional cujo conjunto mais me agradou. Para o meu gosto ele é o que tem o melhor chão, boa ergonomia e uma das melhores relações entre peso e potência, alguns dos atributos que dou, pela ordem, mais valor em um automóvel. Além do mais gosto do tamanho dele: compacto, pero no mucho. Seu único porém fica para o aperto e o desconforto para quem vai no banco traseiro, mas até aí tudo bem, já que o Mustang, quando foi lançado em 1964, também tinha esse problema e mesmo assim foi um tremendo sucesso. O mesmo ocorreu com o Maverick aqui.

Único defeito: pouco conforto e espaço no banco traseiro
Vamos, caro leitor, sair juntos no carro; seguindo o passo a passo da coisa. Primeiro você tem que se ajeitar ao volante. O banco do motorista tem regulagem de altura, é anatômico e suporta toda as nossas costas. O volante tem ampla regulagem de distância e altura. Sobre os pedais pouco posso dizer, pois o New Fiesta que me veio tem câmbio roborizado, portanto, tem só dois pedais, e com ele não há necessidade, nem há como, de fazer punta-tacco. Pedais, OK, portanto. O volante tem boa empunhadura e há um encaixe para as mãos quando o seguramos na posição “15 pras 3”. E pronto! Não sei quanto ao leitor, mas eu ajeitei muito bem meus 1,80 m e 73 kg ali e me senti confortável. Viajei com ele e nem pensei em mudar a posição de encosto etc, e isso é bom sinal, pois quando a gente fica toda hora mudando a posição é porque nenhuma delas é boa.

Entre os dias 19 e 20 de maio, o circuito de Nürburgring recebeu mais de 170 carros. Todos estes aventureiros estavam inscritos no evento oficial mais esperado do ano na Alemanha, s 24 Horas de Nürburgring. O nome oficial da prova é ADAC 24Hs Rennen Nürburgring, onde ADAC (Allgemeiner Deutscher Automobil-Club) representa o autoclube europeu de maior importância, e organizador da prova.

Este ano, quem levou o troféu para casa foi um Mercedes-Benz SLS AMG, similar aos modelos da GT3 que correm aqui no Brasil. Por incrível que pareça, esta foi a primeira vitória de um Mercedes no evento que carrega anos de tradição.

Provas de longa duração não são novidade alguma, este próprio evento alemão tem sua história, mas podemos dizer que é um caso à parte, diferente de todas as outras corridas similares.
 
O Mercedes-Benz vencedor de 2013


Outro dia precisei analisar alguns grandes-prêmios de F-1 para um trabalho que estou fazendo e fiquei surpreso com a quantidade de abandonos por quebra de motor. Havia até me esquecido disso. Logo me veio à lembrança a imagem de motores quebrados, "explodidos", quase sempre acompanhados sempre de fogo e muita fumaça de óleo, como na foto acima. Ainda ontem tivemos no GP de Mônaco uma dessas cenas, mas foi quebra do câmbio, não do motor, no Catherham-Renault do francês Charles Pic. Nas reportagens sobre Le Mans que eu, adolescente, lia, era comum a causa de carros deixarem a prova "piston cassé", pistão quebrado.

Era comum se ver carros começarem a fumacear pelo escapamento, prenúncio de iminente quebra, duas ou três voltas mais tarde, dependendo da extensão da volta. Outra constatação da saúde dos motores atuais é raramente ser exibida a bandeira de pista escorregadia por motivo de óleo derramado. Óleo na pista é o maior inimigo do piloto, tanto que há décadas, por força do regulamento técnico de todas as categorias, os respiros do sistema de lubrificação do motor e do transeixo devem levar os vapores de óleo a um reservatório existente para essa finalidade, bem como durante a corrida o reabastecimento de óleo é proibido.
Foto: grandsiena.blog.br 


Uma das coisas que me incomoda é ler ou ouvir "o consumo do carro tal é de tantos quilômetros por litro”. Embora todos saibamos o que isso significa exatamente, temos noção exata do que seja, na verdade não é correto. Pensando bem, dizer que o consumo é, digamos, de 12 km/L é errado porque não se trata de quanto o carro consome, mas o quanto ele roda com 1 litro.

Americanos falam em fuel economy, economia de combustível, o que, convenhamos, não tem nada a ver. E aqui no Brasil já li até “autonomia” em algum lugar.

Fuel economy, milhas por galão, mpg
Os europeus usam a forma correta de volume de combustível gasto para percorrer determinada distância, tendo-se convencionado que essa distância é de 100 quilômetros, no caso, litros por 100 km. A noção de consumo é imediata para eles, tanto quanto para nós são os km/L, embora sem exprimir a realidade. O padrão L/100 km é usado também em países sul-americanos como Argentina e Chile.


Acho que mesmo o mais isento dos jornalistas pode ter suas preferências, desde esclareça que esse é um gosto pessoal, e que não fique, através de subterfúgios, tentando fazer a cabeça do leitor. 

Pois então, a Triumph Bonneville T100 é a minha moto preferida. Gosto de todas a motos. Moto é moto. Moto é montar numa máquina e sair por aí tendo um momento só meu, passeando e tomando vento a céu aberto. É isso o que eu gosto e isso toda moto proporciona. Tenho moto desde os 11 anos e nunca fiquei sem uma.

Nesses 45 anos tive um bocado de motos diferentes, de fracas a fortes, de novas a escangalhadas, e todas me trouxeram essa brisa que desanuvia o cérebro e me é necessária. Toda moto me faz bem, portanto, mas estou aqui falando da moto que mais me fez bem, da que melhor casou com o que desejo desse tipo de máquina. Não estou aqui preconizando que a Bonneville é a melhor moto do mundo, mesmo porque não há uma melhor. Só estou dizendo que achei a minha.




O Spadaconcept é um estúdio de estilo (ou de design, como muitos preferem) italiano. Apesar da grande experiência em indústria automobilística dos proprietários da empresa, não haviam feito um carro próprio com seu nome, e em 2008 resolveram essa pendência com eles mesmos ao apresentarem ao mundo automobilístico o Codatronca TS, um carro insanamente impressionante, com mecânica Corvette. Em 2011 a versão aberta, roadster, foi apresentada e batizada de Codatronca Monza.

O interessante aqui, além do carro, é que os donos da empresa são pai e filho. O filho é Paolo Spada, o estilista do Smart, o mundialmente simpático carrinho-miniatura, um brinquedo para bolsos abonados no Brasil, mas uma alternativa de transporte de preço razoável em lugares do mundo onde o cidadão é mais bem remunerado, menos roubado pelo governo ou ambos simultaneamente. Paolo também trabalhou na Honda, para constar.

Mas o TS Codatronca foi em grande parte idealizado pelo pai de Paolo, Ercole Spada, que trabalhou no estúdio Zagato em dois períodos, na Ghia, no I.DE.A Institute e na  BMW.

End. eletrônico:edita@rnasser.com.br                                   Fax: (61) 3225-5511  Coluna 2113  22.maio.2013

Inovar-auto. Outra regulagem
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, apertou uma volta num parafuso e fez o contrário em outro. No hipotético carburador oficial: ao mexer na mistura líquido-ar, teve que acertar a marcha-lenta. Por aí.
O aperto aumentou o número de etapas industriais. Cumprindo, as empresas aderentes ao projeto oficial ficarão livres da imposição de 30 pontos percentuais sobre o IPI dos veículos importados, tendo maior chance de competição no mercado. A volta solta é o aumento de prazo para habilitação ao projeto, de 31 de maio, esticado a 31 de julho.
Outras regulagens: só o MDIC bota a mão no negócio. O Ministério da Ciência e Tecnologia recebeu agradecimentos pela parceria, e foi excluído. Também, importação favorecida apenas por empresa com vínculo formal com o fabricante. E, força a adesão das fabricantes ao programa de etiquetagem aferidora de consumo. Há fabricantes que não se inscrevem, boicotando o programa, uma referência para o consumidor.
Pontualmente automóveis deverão atingir, ainda este ano oito das doze etapas produtivas. Caminhões, nove entre catorze.
O governo se assustou ao receber informações que o Brasil vinha se desindustrializando, comprando, por exemplo, latas estampadas no exterior, apenas para soldá-las localmente, montando produtos com motores e transmissões importados. Dávamos empregos aos coreanos. Daí cobrar maior nacionalização nos processos.
A medida forçará as marcas indecisas a se pronunciar. Caso da Land Rover/Jaguar.

Para isentar o adicional do IPI, governo exige maior nacionalização



Este não é um post comum. Resolvi escrevê-lo depois que alguns leitores pediram, em razão do post sobre os meus três Fuscas. É um post muito longo, sei disso, mas acho-o importante dentro do contexto histórico da Gurgel.

BS

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ANATOMIA DE UM DESASTRE – OU MEUS DIAS NA GURGEL

Estava na minha sala na Ala Zero da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, onde ficava o departamento de competições automobilísticas que eu comandava, quando vejo pela janela o João do Amaral Gurgel estacionar, havia ido lá falar com alguém. Havia tempo que eu o admirava, tanto pela coragem peito de ter fundado uma fábrica de automóveis, inclusive estar lançando um carro nacional, o BR-800, quanto pela sua cruzada contra o álcool, com a qual eu compartilhava.

Eu havia mandado fazer um adesivo que dava a mensagem "Comida do solo, energia do subsolo. Use gasolina." e vi naquele momento a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e também lhe dar um adesivo. Saí da sala e fui cumprimentá-lo, dando-lhe um adesivo. Vi que ficou feliz em receber aquilo que era sintonizado com suas idéias e na breve conversa me convidou para ir conhecer a fábrica em Rio Claro, no interior do estado. Pressenti alguma coisa no convite.

Eram meados de novembro de 1988, já estávamos em plena fase Autolatina e minha atividade na Volkswagen estava praticamente encerrada, não tínhamos mais o empenho em pista e rali iniciado com força total em 1984. A minha equipe de mecânicos e técnicos estava ociosa, tanto que ela foi utilizada para a manutenção de cerca de 30 Santana 2000 (motor 2-litros, não o ano-modelo) engajados numa operação chamada internamente de VIP, que era emprestar o carro a personalidades para que o experimentassem. Era nossa função revisar os carros metódica e minuciosamente após terem sido devolvidos, indo ao detalhe de, por exemplo, pré-sintonizar as melhores emissoras de rádio AM e FM, e de cuidar da logística de entregar e apanhar os carros.
Foto: bestsellincarsblog.com


Parece incrível que depois do post do MAO de ontem sobre os BMW Alpina, o de hoje seja sobre um carro russo de um segmento totalmente diferente. Mas é que um leitor pediu, após o post sobre os meus três Fuscas, e como sempre, dentro do possível, gosto de atender tais pedidos.

Sim, o leitor pediu que eu falasse do Lada Samara que tive, mas é bom explicar por que tive um, para a história ter sentido.

Muitos devem se lembrar que tivemos uma grande operação Lada no Brasil em 1990, parte do processo de reabertura das importações ocorrida no governo Collor. A fabricante, a VAZ (sigla de Fábrica de Automóveis do Volga, Volshskij Automobilnyj Zavod), estatal russa formada em 1966 com tecnologia Fiat, já tinha presença na Europa Oriental e alguma coisa na região do Caribe, onde havia um grande importador e distribuidor da marca no Panamá. Juntaram-se os interesses dos russos com a do distribuidor e se estabeleceu uma grande operação de importação para o Brasil. Curiosamente, a Renault detém 25% do capital da Lada desde 2008.

Estilo tem "assinatura" de Giorgetto Giugiaro